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Quarta-feira, Julho 1, 2026
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Atropelamentos aumentaram quase 23% até outubro do ano passado

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Mais de 3.474 atropelamentos ocorreram entre janeiro e outubro de 2022, um aumento de 22,9% em relação ao mesmo período de 2021, acidentes que resultaram num crescimento de 27,5% do número de mortos, indicou hoje a Segurança Rodoviária.

No relatório de sinistralidade e fiscalização rodoviária de outubro de 2022, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) dá conta da subida de 22,9% no número de atropelamentos, que resultou em crescimentos de 27,5% nas respetivas vítimas mortais e de 9,1% nos feridos graves em relação ao mesmo período do ano transato.

No total, entre janeiro e outubro, as autoridades registaram 3.474 atropelamentos, que provocaram 51 mortos, 275 feridos graves e 3.432 feridos ligeiros (mais 24%).

A ANSR, que só hoje divulga os dados dos acidentes até outubro, indica que nos primeiros dez meses de 2022 se registaram no continente e nas regiões autónomas 28.456 acidentes de viação com vítimas, de que resultaram 399 mortos, 2.081 feridos graves e 33.369 feridos ligeiros.

“Em relação a 2019, ano que a Comissão Europeia considerou como o ano base de referência para efeitos da avaliação da evolução da sinistralidade rodoviária durante a presente década, critério que também foi adotado em Portugal, registaram-se no Continente e nas Regiões Autónomas menos 2.459 acidentes (-8%), menos 41 vítimas mortais (-9,3%), menos 69 feridos graves (-3,2%) e menos 4.028 feridos ligeiros (-10,8%)”, refere o relatório, justificando a comparação com 2019 devido aos confinamentos de 2020 e 2021 provocados pela pandemia.

A ANSR avança também que, face ao período homólogo de 2021, ano em que ainda se verificaram quebras na circulação rodoviária em relação a 2019, num contexto de pandemia, observaram-se aumentos em todos os principais indicadores, designadamente mais 3.477 acidentes (+14,6%), mais 66 vítimas mortais (+20,2%), mais 209 feridos graves (+12,1%) e mais 4.204 feridos ligeiros (+15,1%).

O documento salienta que, relativamente a 2021, tem vindo a registar-se em 2022 um aumento da circulação rodoviária com o correspondente acréscimo no risco de acidente, como se pode concluir do aumento de 9,8% no consumo de combustível rodoviário até outubro, de acordo com dados da Direção-Geral de Energia e Geologia, e do crescimento de 30% no tráfego das autoestradas registado no primeiro semestre.

De acordo com o mesmo relatório, entre janeiro e outubro de 2022 verificou-se um aumento no número de acidentes em todos os distritos, mais acentuadamente em Viana do Castelo (+22,2%) Faro (+21,5%) e Vila Real (+20,9%) e, no que diz respeito ao número de vítimas mortais, as subidas ocorreram em 14 distritos, com os maiores contributos numéricos em Coimbra (+13), Leiria e Viseu (+9 em cada).

O relatório destaca igualmente que no mesmo período os acidentes envolvendo motas aumentaram 14,3%, num total de 8.257, que resultam na morte de 110 pessoas (mais 19,6%).

Em relação à fiscalização, a ANSR dá conta que nos primeiros dez meses de 2022 foram fiscalizados 108,1 milhões de veículos, quer presencialmente, quer através de meios de fiscalização automática, tendo-se verificado um aumento de 8,5% em relação ao período homólogo de 2021.

Esta fiscalização resultou em 983.620 infrações, o que representa um acréscimo de 1,4% face ao ano anterior.

O relatório salienta as multas por excesso de velocidade, num total de 667.379 entre janeiro e outubro (mais 14,3%) e por álcool ao volante, 25.044 (mais 37,7%).

A criminalidade rodoviária, medida em número total de detenções, aumentou 25,4% nos dez primeiros meses de 2022 em comparação com o mesmo período de 2021, atingindo 26.054 condutores, 54,8% dos quais por condução sob o efeito do álcool e 33,8% por falta de habilitação legal para conduzir.

Projeto Iniciativa Tejo junta parceiros para uma gestão sustentável da água na Lezíria

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

A ONG ANP/WWF apresentou hoje, em Santarém, o projeto Iniciativa Tejo, que vai recolher informação sobre os recursos hídricos da Lezíria do Tejo para adoção de medidas, consensualizadas com os parceiros, para uma melhor gestão da água na região.

O projeto foi apresentado numa sessão que se realizou na sede da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), uma das entidades parceiras, juntamente com os 11 municípios associados, por responsáveis da Associação Natureza Portugal (ANP), que trabalha em associação com a WWF (World Wildlife Fund), a maior organização global independente de conservação da Natureza.

Ruben Rocha, Coordenador de Água da ANP/WWF, afirmou que o projeto, que se iniciou em setembro de 2022 e tem uma duração de três anos, visa reunir uma série de parceiros para trabalharem na gestão sustentável deste recurso, contando já, além da CIMLT e dos municípios, com a colaboração da Associação dos Agricultores do Ribatejo e da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo.

O primeiro ano do projeto destina-se a recolher informação para “mapear” o consumo, tanto de águas superficiais como subterrâneas, procurando saber quantidades consumidas por setor – agricultura, consumo humano e indústria -, como esse consumo é feito e quais as consequências e os riscos associados, abrangendo igualmente informação sobre a qualidade da água, afirmou.

Numa segunda fase, no segundo e terceiro ano, será implementado um projeto-piloto, que prevê o pagamento do serviço dos ecossistemas, como incentivo à adoção de boas práticas e a uma gestão sustentável dos recursos hídricos da região.

No modelo proposto para o pagamento dos serviços dos ecossistemas, é criada uma “taxa simbólica”, paga pelos consumidores, para “incentivar os agricultores a reduzirem o consumo de água e também a utilização de contaminantes e fitofármacos, adubos, na agricultura”, afirmou Ruben Rocha.

A taxa será temporária, porque, com o tempo, o processo torna-se normal, já não necessitando de incentivos, acrescentou.

“No fórum Tejo iremos reunir os parceiros, privados, públicos e a sociedade civil, para que possam conjuntamente pensar o que pode ser feito em termos de gestão dos recursos hídricos”, afirmou.

O projeto inclui uma vertente de comunicação, estando previstas campanhas de educação ambiental, sensibilização em escolas e na comunidade, e também campanhas de divulgação.

O diretor da Águas do Ribatejo, Miguel Carrinho, salientou que, embora o aquífero que se situa na região tenha muita disponibilidade de água, tem havido sobre-exploração desse recurso, “o que, a prazo, não é sustentável”.

Por isso a empresa, que gere o abastecimento de água para consumo em sete municípios do distrito de Santarém, tem participado em vários projetos, esperando o responsável que o Iniciativa Tejo proporcione o conhecimento necessário para melhorar a gestão deste recurso.

Salientando que entre 71 e 74% da água consumida se destina à agricultura, 12 a 13% ao consumo humano e a restante à indústria, Miguel Carrinho declarou que, “só conhecendo bem quem está a utilizar, quando e onde”, bem como a qualidade, é possível fazer uma gestão adequada de um recurso que “é finito” e “essencial à vida”.

Na sessão esteve presente a equipa de trabalho do regadio da Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, bem como uma representante da empresa municipal Águas de Santarém, que se disponibilizaram a dar o seu contributo para o projeto.

A ANP/WWF salienta que a zona da Lezíria do Tejo é “da maior importância por cobrir um dos aquíferos mais significativos da Península – o Tejo-Sado – , que fornece a maior parte da água doce usada nas atividades da região, incluindo a agricultura e o abastecimento urbano e industrial”.

“A Iniciativa Tejo pretende envolver todas as partes interessadas – consumidores, agricultores, produtores, administração pública central e regional e centros de investigação – para que, em conjunto, possam conhecer os riscos de exploração dos recursos hídricos regionais, encontrar soluções para os mitigar e alavancar benefícios socioeconómicos e ambientais de uma gestão sustentável dos recursos”, refere a organização em comunicado.

Leiria: Congresso debate tendências da investigação em qualidade de vida

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© IPLeiria

O II Congresso Internacional do Centro de Investigação em Qualidade de Vida do Politécnico de Leiria vai debater as “Tendências da investigação em qualidade de vida”, nos dias 23 e 24, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais.

A sessão de abertura está agendada para o dia 23, a partir das 09:15, com intervenções de representantes do Politécnico de Leiria, da escola e do centro, do Politécnico de Santarém, do Município de Leiria e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O evento, que vai contar com a participação de investigadores nacionais e internacionais, tem como objetivos, entre outros, “promover sinergias entre redes e centros de investigadores para apoiar a investigação na área da qualidade de vida, e promover serviços à comunidade, de forma a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”.

As inscrições devem ser feitas até dia 20, estando o programa disponível em https://www.cieqv.pt/2nd-international-congress/program/.

Taxa de desemprego desce para 6,0% em 2022 – INE

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IEFP

A taxa de desemprego fixou-se em 6,0%, em 2022, uma descida de 0,6 pontos percentuais em relação ao ano anterior, e foi de 6,5% no quarto trimestre, segundo dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“[Em 2022] a taxa de desemprego foi de 6,0% e a taxa de subutilização do trabalho foi de 11,4%, tendo ambas diminuído em relação a 2021 (0,6 pontos percentuais e 1,1 pontos percentuais, respetivamente)”, refere o INE, que hoje publicou os dados do emprego referentes ao quarto trimestre e à totalidade do ano de 2022.

Relativamente aos jovens (16 aos 24 anos), a taxa de desemprego situou-se em 19,0%, menos 4,4 pontos percentuais do que no ano anterior.

No ano passado, a média anual da população empregada foi 4.908,7 mil pessoas, tendo aumentado 2,0% em relação a 2021.

Já a população desempregada, estimada em 313,9 mil pessoas, diminuiu 7,3% (24,9 mil) em relação ao ano anterior, mas a proporção de desempregados de longa duração foi estimada em 45,2%, mais 1,8 pontos percentuais do que em 2021.

Nazaré está em processo de certificação como destino turístico sustentável

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Município da Nazaré

O Município da Nazaré e os representantes da Green Destinations em Portugal, a Th1nk, apresentaram, ontem, o Good Travel Seal, um novo programa de certificação dirigido aos agentes económicos ligados à indústria do turismo, ao mesmo tempo que fizeram o ponto de situação relativamente à Certificação do destino Nazaré.

O Presidente da Câmara, Walter Chicharro, lembrou que “desde 2021 que o Município tem vindo a participar na certificação do Green Destination, dando-se, este ano, a primeira auditoria,” que o autarca espera que se traduza na atribuição do selo de qualidade.

Reconhecendo que as questões da sustentabilidade são cada vez mais relevantes, o autarca referiu que as escolhas dos destinos, dos restaurantes, dos alojamentos, entre outros, também “já são feitas, em parte, por pessoas levadas por essas escolhas, como tal estes selos são ativos diferenciadores. Este programa Good Travel Seal pretende trazer esse know how às empresas ligadas ao turismo, avaliar e premiar os seus compromissos nos campos da responsabilidade social, gestão ambiental, saúde e segurança.”

Pedro Mendes, da Th1nk, explicou que está em causa uma “certificação que trabalha toda as áreas do município, desde a cultura, a tradição, a relação com os agentes, as vertentes económica, social e destino. Tem como fator principal a vertente da gestão do Município e o valor que a mesma acrescenta”, salientando que os primeiros beneficiados deste são os munícipes e o resultado final será a “forma como os outros nos percecionam através dessa certificação”.

A primeira auditoria irá acontecer num período próximo, dentro de três meses, sendo, por essa altura, atribuído o primeiro selo como destino certificado ao Município da Nazaré.

“Pretende-se que este selo seja um valor para o destino, para a marca e para os agentes, que vão ser convidados (agentes económicos, população e o município). A forma como as pessoas que vão usufruir do produto turístico Nazaré e a forma como o vão vender refletirá muito a forma como são tratadas, as experiências que viverem e a perceção com que ficaram do destino”.

O país tem vivido muito da massificação do turismo, mas este turismo de massas não é apontando como estratégia dos destinos para o futuro. “Queremos um turismo com um nível qualitativo muito elevado”.

“É importante ter a certificação e o selo, mas também é muito importante comunicar e fazer chegar a informação ao cliente final, estar em mercados para cativar o cliente que se ambiciona. Temos que mostrar o que temos, o que fazemos e como fazemos. Esta certificação vai fazê-lo, mas é fundamental chegar a esses mercados”.

Pedro Mendes destacou a “qualidade do produto” como a peça fundamental, tal como o é “a perceção que criámos e a forma como as pessoas o sentiram”.

Dados do World Travel & Tourism Council sobre a tendência atual e futura do turismo, indicam que 69% das pessoas procuram destinos que promovem opções sustentáveis, sendo os alojamentos locais um fator de escolha de 53% deste público.

Por sua vez, Diogo Neves, também a Th1nk, adiantou que a auditoria será, em condições normais, realizada em abril, esperando-se um de 4 resultados possíveis, sendo que “para obter o nível mínimo (bronze) são necessários 60% de conformidade nos 84 critérios do prémio, e para a platina implica estar no nível máximo, ao passo que para chegar ao nível superior, designado por Green Destinations Certified, onde, à data, constam apenas 5 destinos no mundo (dois nos USA, 1 em Itália; 1 nos Países Baixos e 1 na Áustria) haverá um caminho a percorrer. O Município da Nazaré ainda não tem nenhum destes 4 níveis, e terá a primeira auditoria em breve”.

Sobre o envolvimento da comunidade neste desafio, tido como crucial para o sucesso futuro da certificação, Diogo Neves disse que é essencial que os agentes económicos locais acompanhem o processo, tanto mais que “os turistas, cada vez mais, procuram o Município certificado e o usufruto de atividades e alojamento certificados”.

Em 2021 lançou-se o Good Travel Seal+, que funciona de forma semelhante aos do Município, do qual os agentes económicos locais podem obter entre 1 a 3 estrelas, consoante os critérios que cumprirem na avaliação pelo auditor.

“O programa, para além das boas prática internas que traz, vai atrair os turistas que queremos para o futuro, ou seja, os mais conscientes em termos ambientais e da sustentabilidade”.

“Este projeto integra-se na estratégia do Município para o desenvolvimento do turismo e a sustentabilidade ambiental”, explicou o vereador na Câmara da Nazaré, Orlando Rodrigues. “Para nós, é importante o turismo de verão”, mas pretende-se desenvolver um produto competitivo e apelativo para todo o ano.

A Nazaré está no programa de certificação da Green Destinations desde 2021. A Green Destinations, entidade que promove mundialmente destinos de turismo sustentáveis, lançou, recentemente, o Good Travel Seal, um programa de certificação para os agentes económicos ligados à indústria do turismo, que apoia a sustentabilidade para empresas ligadas ao turismo, avaliando e premiando o seu compromisso nos campos da gestão ambiental, responsabilidade social, saúde e segurança.

Especialistas pedem medidas contra ‘marketing’ abusivo da indústria do leite em pó

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Especialistas acusam a indústria do leite em pó de utilizar “táticas de ‘marketing’ abusivas” e pedem medidas restritivas urgentes para combater as “alegações enganosas” e a “interferência política” num estudo divulgado hoje na revista Lancet.

Segundo um comunicado divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a série de três artigos sobre o tema publicados pela revista científica britânica revela que a influência da indústria – que inclui ‘lobby’ contra medidas essenciais de apoio à amamentação – “compromete seriamente” a saúde e os direitos de mulheres e crianças, salientando também a necessidade de uma melhor proteção à maternidade.

“Esta nova investigação assinala o vasto poder económico e político das grandes empresas de leite em pó, bem como graves falhas de políticas públicas que impedem milhões de mulheres de amamentar os filhos”, diz o pediatra Nigel Rollins, da OMS e autor de um artigo sobre a comercialização do leite de fórmula, citado no comunicado.

“São necessárias ações em diferentes áreas da sociedade para melhor apoiar as mães a amamentar durante o tempo que quiserem, bem como esforços para corrigir o ‘marketing’ abusivo relativo ao leite artificial de uma vez por todas”, adianta.

Apenas cerca de um em cada dois recém-nascidos é amamentado na primeira hora de vida e menos de metade dos bebés com menos de seis meses são exclusivamente amamentados, como recomenda a OMS, apesar dos benefícios do leite materno.

Além de ajudar o bebé a sobreviver, fornecendo energia e nutrientes, o leite da mãe reduz os riscos de infeção e diminui as taxas de obesidade e de doenças crónicas na vida adulta.

Nesse sentido, o estudo recomenda um maior apoio ao aleitamento materno por parte dos sistemas de saúde e proteção social, incluindo a garantia de um pagamento adequado da licença de maternidade.

Indicando que 650 milhões de mulheres em todo o mundo não beneficiam de uma adequada proteção à maternidade, defende que esta seja alargada às que trabalham no setor informal e que estão excluídas desses benefícios.

Os especialistas consideram que a amamentação deveria ser uma “responsabilidade social coletiva” e não um “encargo” das mulheres, defendendo “ações mais vastas nos locais de trabalho, ao nível da saúde, por parte dos governos e das comunidades”.

Assinala-se, por outro lado, que “uma publicidade enganosa e a pressão estratégica exercida pelas indústrias de laticínios e fórmulas lácteas” aumentam a ansiedade dos pais em relação à amamentação.

Um dos artigos divulgados na Lancet documenta como a ansiedade dos pais é explorada através da sugestão de que “os produtos lácteos comerciais aliviam a agitação ou o choro, por exemplo”, ajudam a prevenir as cólicas ou a conseguir um sono noturno prolongado.

“A indústria de fórmulas lácteas utiliza uma pseudociência para sugerir (…) que os seus produtos constituem soluções para problemas comuns de saúde e de desenvolvimento infantil”, diz Linda Richter, investigadora da Universidade de Witwatersrand, África do Sul, citada no comunicado.

A académica assinala que aquela técnica de ‘marketing’ “viola claramente” o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno da OMS, de 1981, que indica que os rótulos não devem dar uma impressão falsamente positiva da utilização do produto para aumentar a sua venda, que atinge anualmente 55 mil milhões de dólares (51,2 mil milhões de euros).

O estudo explica também como o ‘marketing’ do leite em pó “explora a falta de apoio dos governos e da sociedade ao aleitamento materno”, apresentando o produto “como uma solução conveniente (…) para as mães que trabalham” e a defesa da amamentação como um julgamento moralista.

O poder desta indústria para influenciar as decisões políticas nacionais e interferir nos processos regulatórios internacionais passa pela criação de “uma rede de associações comerciais que não têm de prestar contas e por grupos de fachada que fazem ‘lobby’ contra medidas políticas para proteger a amamentação ou controlar a qualidade do leite de substituição”.

“Tendo em conta os imensos benefícios da amamentação para as suas famílias e para o desenvolvimento nacional, as mulheres que desejam amamentar precisam de ter muito mais apoio”, refere Rafael Pérez-Escamilla, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale.

O responsável considera fundamental, entre outros, aumentar a formação dos profissionais de saúde em amamentação – para um aconselhamento qualificado dos pais antes e depois do nascimento -, bem como tornar obrigatória uma licença de maternidade paga.

Novo balanço na Turquia e Síria ultrapassa os 7.800 mortos

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O número de mortos nos fortes sismos que atingiram na segunda-feira o sudeste da Turquia e a vizinha Síria aumentou para mais de 7.800, de acordo com um novo balanço provisório divulgado hoje à noite pelas autoridades.

Na Turquia, o mais recente balanço regista 5.894 mortos, enquanto na Síria foram até agora registadas 1.932 mortes, num total provisório de 7.826, noticiou a agência France-Presse (AFP), que cita dados das autoridades dos dois países.

O balanço anterior apontava para mais de 7.200 mortos na Turquia e na Síria.

O mau tempo dificulta as operações de resgate e torna ainda mais difícil a situação de alguns dos sobreviventes, que sofrem com o frio e têm de recorrer a lareiras improvisadas.

Na região turca de Kahramanmaras (sudeste), profundamente danificada, a neve dificulta ainda mais o acesso.

Na Síria, o número de vítimas deve “aumentar consideravelmente, pois centenas de pessoas permanecem presas sob os escombros”, segundo os Capacetes Brancos (voluntários da proteção civil) nas áreas rebeldes.

De resto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que 23 milhões de pessoas estão “potencialmente expostas, incluindo cerca de cinco milhões de pessoas vulneráveis”, depois de já ter referido que teme “balanços oito vezes maiores que os números iniciais”.

A Turquia registou o epicentro dos sismos de magnitude 7,7 e 7,6 na escala de Richter.

Até agora, foram contabilizadas 435 réplicas de menor intensidade nas zonas afetadas, nas quais estão a trabalhar mais de 60.000 pessoas em missões de buscas e salvamento e remoção de escombros, no âmbito de um dispositivo que conta com mais de 100 aviões e helicópteros destacados.

O sismo causou também o desabamento de um total de 5.775 edifícios, segundo as autoridades.

Na Síria, há 12 anos mergulhada numa guerra civil, a informação sobre vítimas provém, por um lado, do Governo do Presidente Bashar al-Assad e, por outro, do último enclave do país controlado pela oposição.

As primeiras equipas de resgate estrangeiras chegaram na terça-feira e, segundo o Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, que declarou estado de emergência por três meses nas dez províncias afetadas pelo terremoto, 45 países ofereceram ajuda.

A União Europeia (UE) mobilizou 1.185 equipas de resgate e 79 cães de busca para a Turquia de 19 Estados-Membros, incluindo França, Alemanha e Grécia.

Para a Síria, a UE está em contacto com os seus parceiros humanitários no terreno e financia as operações de ajuda.

Óbidos, Caldas da Rainha e Rio Maior juntos por Hospital que melhor sirva a região como um todo

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© João Polónia/Notícias Em Direto

“Não basta um terreno para um equipamento coletivo [Hospital], é necessário um local que corresponda a todas as necessidades e este representa tudo isso”. É desta forma que Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, fala da proposta de localização do novo Hospital do Oeste, apresentada na passada segunda-feira, 6 de Fevereiro, em conferência de imprensa pelos municípios de Óbidos, Caldas Rainha e Rio Maior.

Estas Câmaras Municipais demonstram a intenção de trabalhar em conjunto para que o Hospital sirva as populações de toda a região Oeste como um todo, de forma efetiva, sendo esta uma “fase em que podemos fazer a diferença num ponto de vista estruturante e estrutural, como a área da saúde”, afirma o autarca de Óbidos.

Filipe Daniel declara que, com a cultura de eventos já enraizada neste concelho, a zona Oeste Norte recebe, mais cerca de “2 a 3 milhões de visitantes”. “Este não é um hospital que serve apenas os habitantes, mas serve também os visitantes”, diz o autarca, acrescentando que, para além de toda a componente educacional, como escolas e creches, “impera fazer um hospital para atrair profissionais com oferta cultural” que esta região tem.

Os concelhos de Óbidos, Caldas da Rainha e Rio Maior apresentaram um novo estudo que apresenta vários critérios que vão, efetivamente ao encontro das necessidades das populações que compõem toda a região Oeste. Para além de ser necessário “compreender as respostas que já existem e que são de peso para a discussão”, não se pode esquecer que “75 por cento das dormidas no Oeste são feitas na região Oeste Norte”, sublinha Vítor Marques, presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.

O presidente de Câmara Municipal de Rio Maior, Filipe Santana Dias, lança um desafio à equipa do Ministério da Saúde que “além deste estudo, possa largar o conforto do gabinete e vir conhecer o País, que é o País real, feito de pessoas com necessidades e vontades, que não tem a facilidade de acesso à informação ou aos serviços que temos para prestar”.

Os autarcas mencionam ainda um conjunto de fatores significativos que estão em falta no estudo apresentado, “nomeadamente o próprio território e a forma como ele, já hoje, se organiza”. “Estamos a falar de dinâmicas que têm séculos e que devem ser consideradas”, diz Vítor Marques.

Recorde-se que o estudo em causa, encomendado pela Comunidade Intermunicipal do Oeste, aponta o Bombarral, como a localização para o hospital, que deverá servir todos os concelhos do Oeste, escolha que foi contestada pelos municípios das Caldas da Rainha e de Óbidos, defendendo a construção do equipamento na confluência destes dois concelhos. Rio Maior juntou-se agora à contestação.

© Município de Óbidos

Identificados 44 locais críticos no Plano de Reabilitação de Linhas de Água de Leiria

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Município de Leiria

O Plano Estratégico de Reabilitação de Linhas de Água (PERLA) de Leiria identificou 44 locais críticos no concelho, disse hoje à agência Lusa o vereador Luís Lopes, que garantiu acreditar que o documento garante mais segurança à população.

“São aqueles que à data de hoje faz sentido que estejam referenciados desta mesma forma, seja como pontos [18] ou troços críticos [26]”, declarou Luís Lopes.

O vereador, que tem, entre outros, os pelouros do Ambiente e da Proteção Civil, disse existirem vários sítios ao longo dos rios Lis e Lena que, “com relativa facilidade, têm acumulação de sedimentos, o que significa que a água vai sair com maior facilidade” quando há episódios meteorológicos mais severos.

O PERLA, que começou a ser elaborado no verão de 2021 e que agora foi concluído, foi apresentado hoje em reunião de Câmara, seguindo-se a sua divulgação junto da Assembleia Municipal.

Segundo Luís Lopes, a primeira conclusão do PERLA é a de que o concelho tem “uma enorme quantidade de linhas de água”, no total de 1.600 quilómetros, que carecem de intervenção.

“É um território vastíssimo que, por um lado, traduz que temos um enorme património em termos de água e ela está disponível. E isso requer, também, da nossa parte, que seja bem cuidada e bem tratada, precisamente para que esteja disponível e para que não tenhamos problemas”, adiantou.

Entre esses problemas pode estar a impossibilidade de se conseguir direcionar a água quando é precisa ou casos de inundações e cheias, precisou.

Para Luís Lopes, o PERLA, é, igualmente, um instrumento de monitorização que se vai traduzir em “ações de fiscalização” e de verificação do estado das linhas de água.

O vereador explicou que se se tiver apenas e só o plano de manutenção das linhas de água a decorrer (estimativa anual de custos de 270 mil euros) e com anos estáveis do ponto de vista hidrológico que não obriguem a outro tipo de intervenção, a Câmara conseguiria “manter num ciclo de seis anos as manutenções necessárias para que todas estas linhas de água sejam perfeitamente normais em termos de funcionamento”.

Destacando que o documento dá “uma estabilidade muito grande em termos de gestão” das linhas de água, Luís Lopes apontou ainda que a autarquia dispõe agora de um documento orientador que permite “fazer um planeamento efetivo para 2023, 2024, 2025 e por diante”.

“E estamos bastante mais seguros, quer nós, politicamente, quer tecnicamente, para qual a tipologia de intervenção a aplicar, de que forma, em que local e em que período”, acrescentou.

“Portanto, no fundo, é uma orientação sustentada, técnica e também orçamental para todas as intervenções que sejam necessárias fazer no âmbito das linhas de água”, sintetizou, realçando o contributo para a segurança das populações.

De acordo com o autarca, o documento, que elenca 54 medidas de intervenção (como retirada de invasoras, reperfilamento ou plantação de espécies ripícolas), permite “garantir que a probabilidade de inundações ou cheias é menor” e tem “informação absolutamente fundamental para aqueles que são proprietários de terrenos confinantes com linhas de água ou que moram próximo de linhas de água”.

“Se eu for proprietário, tenho aqui informação que eu próprio posso utilizar para fazer intervenção e garantir que a linha de água está perfeitamente cuidada. Se eu não tenho essa propriedade, mas moro próximo da linha de água, também posso ir consultar o que é que, efetivamente, pode ser feito, quem é o responsável – se é o município, se é um proprietário privado, se é uma outra entidade – e acaba por ser transversal a todo o território”, afirmou Luís Lopes.

Lezíria do Tejo: Cinco projetos na final do Business In Alentejo

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

Cinco projetos desenvolvidos na Lezíria do Tejo são finalistas no concurso de ideias de negócios do Business + 2.0, programa dinamizado pela Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant) com as associações empresariais congéneres da região do Alentejo.

Os projetos selecionados incluem o que propõe a transformação de carne de vaca num ‘snack’ de alto valor proteico, outro para lavagem de carros sem água, uma Garrafeira e Wine Bar, outro para produção de spirulina e, ainda, um espaço lúdico-pedagógico inclusivo para crianças, adolescentes e famílias.

“Enquanto finalistas do concurso, estas cinco ideias de negócio serão agora contempladas com um prémio de serviços de apoio à constituição das empresas, nomeadamente serviços de incubação com a duração de três meses, nas incubadoras das instituições parceiras do concurso de ideias”, afirma a Nersant, em comunicado.

O projeto que vier a ser distinguido como melhor ideia de negócio terá um prémio final de 2.000 euros e o segundo melhor de 1.000 euros, como apoio para o desenvolvimento do negócio, acrescenta.

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