19.1 C
Caldas da Rainha
Sábado, Julho 4, 2026
Início Site Página 858

Presidente da República saúda “acordo histórico” da ONU de proteção do alto mar

0

O Presidente da República saudou hoje o “acordo histórico” alcançado nas Nações Unidas de proteção do alto mar, considerando-o “fundamental para toda a comunidade internacional e para Portugal”, que “tem assumido uma posição liderante” na preservação do oceano.

Numa nota publicada no ‘site’ da Presidência da República, lê-se que Marcelo Rebelo de Sousa “congratula-se pela obtenção do acordo histórico”, alcançado “após dez anos de duras negociações”.

“É fundamental para toda a comunidade internacional e para Portugal, que tem assumido uma posição firme e liderante na preservação do oceano, na aposta no seu conhecimento e no desenvolvimento sustentável de uma economia azul”, refere o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa salienta ainda que o tratado consagra “um dos compromissos expressos na Declaração de Lisboa ‘Nosso oceano, nosso futuro, nossa responsabilidade’”, adotada na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que decorreu entre 27 de junho e 01 de julho de 2022 em Portugal.

Esse compromisso, segundo o chefe de Estado, era o da “obtenção urgente de um acordo ambicioso, ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, sobre a conservação e uso sustentável da diversidade biológica marinha de áreas além da jurisdição nacional”.

Os Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) alcançaram no sábado um acordo para estabelecer um tratado de proteção do alto mar, após mais de 15 anos de negociações.

O consenso foi alcançado após uma maratona de negociações que teve início a 20 de fevereiro e que deveria ter terminado na sexta-feira, mas que continuou durante a noite até sábado, com mais de 35 horas seguidas de discussões.

O documento define, entre outras coisas, as bases para o estabelecimento de áreas marítimas protegidas, o que deverá facilitar o compromisso internacional de salvaguardar pelo menos 30% dos oceanos até 2030.

A adoção formal do tratado, porém, vai ter de aguardar até que um grupo de técnicos assegure a uniformidade dos termos utilizados no documento e que este seja traduzido nas seis línguas oficiais da ONU.

Aveiro: 1.º Ferryboat 100% Elétrico de Portugal em fase final de construção

0
Município de Aveiro

No dia 2 de março teve lugar, nos Estaleiros da Navaltagus, no Seixal, a visita à obra de construção do primeiro ferryboat elétrico 100% português. A embarcação, que integrará a operação Aveirobus, está a ser construída pelo Grupo ETE para a Câmara Municipal de Aveiro (CMA) num investimento da Autarquia de 7.326.490,13€.

Na sessão que contou com a presença do Presidente da CMA, José Ribau Esteves e dos Administradores do Grupo ETE, Luís Nagy e Luís Mira de Oliveira, foi possível visitar a zona de acesso das viaturas e o piso superior, local dedicado ao transporte de passageiros, de onde se destaca a vista panorâmica 360º, o que vai permitir usufruir de imagens únicas da Ria de Aveiro e de São Jacinto.

Salicórnia: o nome da embarcação que vai operar na Ria de Aveiro

Salicórnia (Salicornia ramosissima) é uma planta originária das salinas costeiras, desde o Ártico até ao Mediterrâneo. Em Portugal, a Ria de Aveiro é um dos poucos locais onde se desenvolve, em habitat especial e próprio.

“A Salicórnia era, para os Marnotos, no cuidar das Salinas, uma erva daninha e invasora, que a moderna cozinha transformou num vegetal gourmet muito utilizado como apontamento distintivo e salgado, passando agora a Salicórnia a receber cuidados de produção nas Marinha de Sal”, afirma o Presidente da CMA, Ribau Esteves, considerando ser esse um “fator determinante na escolha do nome do novo Ferryboat elétrico, somando uma outra ideia que respeita ao facto da Salicórnia ser também “um símbolo de equilíbrio e sustentabilidade ambiental”.

“Quisemos um nome que se ligasse ao território, que fosse da Ria e da Região de Aveiro um elemento diferenciador e que demonstrasse a capacidade de adaptação, de reinvenção tornando um mal dispensável num bem relevante, testemunho de sustentabilidade e de boa gestão da natureza e da sua relação com o homem. Relembro que, em Aveiro, esta é uma ligação de várias centenas de anos e que a sustentabilidade ambiental é algo fundamental para que possamos viver desde sempre o fantástico território Aveirense”, concluiu.

Para o Grupo ETE, este projeto vem reforçar a sua aposta em soluções ambientalmente sustentáveis, bem como destacar as suas fortes competências na Engenharia e Construção Naval, posicionando-o no mercado com uma capacidade de resposta maior a projetos semelhantes no futuro.

Em simultâneo, fomenta a indústria naval portuguesa, elevando-a a exigentes padrões de qualidade e fiabilidade, nos quais o Grupo se revê.

“A construção do 1º ferryboat elétrico de Portugal, é para nós, Grupo ETE, um motivo de enorme satisfação, pois permite-nos dar resposta a um desafio na área da mobilidade, bem como reforçar aquela que é a nossa estratégia de transição para uma engenharia naval mais sustentável e ambientalmente responsável”, afirmou, durante a visita, Francisco Barbosa, Diretor do Estaleiro Navaltagus, empresa do Grupo ETE. Acrescentou ainda que “este projeto é também um exemplo do duplo compromisso do Grupo ETE com o país, na medida em que terá um contributo vísivel para a promoção dos estaleiros e da sua capacidade de desenvolver soluções a nível nacional, bem como contribuirá para o desenvolvimento da Região de Aveiro, onde o Grupo marca presença há mais de 30 anos.”

Este é o primeiro Ferryboat 100% Elétrico a ser desenvolvido inteiramente em Portugal, por marcas nacionais, para servir uma região portuguesa e dos primeiros em toda a Europa, com exceção feita aos países nórdicos, onde esta tipologia de transporte já é utilizada, constituindo-se também como um elemento relevante de marketing territorial, em especial dos valores ambientais do Município de Aveiro, de São Jacinto e da Ria de Aveiro.

O novo Ferryboat com zero emissões de CO2 permitirá a redução da emissão das mais de 300 toneladas de CO2 libertadas pelo atual modelo, reduzindo igualmente em cerca de 30 por cento o consumo energético. Aos baixos níveis de ruído e ao conforto para os passageiros introduzidos por esta embarcação alia-se ainda a capacidade reforçada para o transporte de viaturas (+ 30%) e de passageiros (+ 90%).

O projeto é cofinanciado pelo POSEUR, Portugal 2020 e União Europeia através do Fundo de Coesão (FC). O investimento total é de 7.326.490,13€ com o apoio do Fundo de Coesão no valor de 2.168.321,53€.

Adjudicada obra de instalação dos sistemas de carregamento para o novo Ferryboat Elétrico

Para ser possível a operação do Ferryboat Elétrico, a CMA adjudicou, no passado mês de novembro, a execução dos sistemas de carregamento para operação do novo Ferryboat 100% Elétrico, na ligação entre São Jacinto e o Forte da Barra, pelo valor de 1.409.479€ ao agrupamento de empresas constituído pelas Ahlers Lindley, Lda. e a ETG – Empresa de Gestão e Transporte S.A..

Os sistemas de carregamento, que ficarão localizados em plataformas específicas instaladas em zona adjacente aos Cais de atracação do navio, em São Jacinto e no Forte da Barra, poderão ser operados por sistema automático ou manualmente, fator por demais importante na operacionalidade das travessias, na eficiência do sistema e do Ferry e no cumprimento dos horários dos transportes fluviais de Aveiro.

Este projeto pioneiro junta-se a outras iniciativas sustentáveis de mobilidade levadas a cabo pela Câmara de Aveiro – como a eletrificação dos moliceiros (que permitirão uma redução de 400 toneladas de CO2) e como os quatro autocarros 100% elétricos atualmente em operação no município (número que vai ser substancialmente aumentado durante o ano 2023), através da Transdev / Aveirobus – reforçando o compromisso “We are green” da CMA.

CM de Coimbra retoma visitas guiadas para dar a conhecer o património da cidade

0

A Câmara Municipal (CM) de Coimbra organiza, em março, seis vistas guiadas pela cidade com o objetivo de continuar a dar a conhecer o património da cidade. O contributo de António Nobre na literatura portuguesa do século XIX, a cidade universitária e a arquitetura moderna fazem parte dos itinerários que permitem conhecer o património edificado, natural e imaterial da cidade.

Em março, o programa de visitas guiadas promovido pelo Município regressa e convida conhecer o património edificado, natural e imaterial da cidade. A primeira visita guiada do mês vai ser dedicada às mulheres, com uma visita especial no dia 8, às 15h00, a partir da Praça D. Dinis, que vai percorrer algumas ruas da Alta da cidade com o objetivo de pôr em evidência algumas das personalidades femininas que se associam a Coimbra.

No dia 16, às 15h00, vai haver oportunidade de percorrer os locais frequentados por António Nobre. A visita guiada, com ponto de encontro na Praça D. Dinis, decorre em espaços exteriores, ao longo dos quais será focada a biografia e a obra de António Nobre, bem como aspetos histórico-artísticos dos diferentes locais. Durante o percurso, serão lidos excertos da obra do escritor e de testemunhos de contemporâneos, onde são feitas referências a Coimbra e ao autor.

Também no dia 16, às 15h00, a partir do Largo da Porta Férrea, vai realizar-se uma visita guiada aos exteriores dos edifícios da Cidade Universitária, construídos durante o período do Estado Novo, focando aspetos relevantes da arquitetura da época.

Já dia 23 de março, às 15h00, vai chamar-se a atenção para a Arquitetura da Época Moderna. A visita guiada, que tem como ponto de encontro o Largo do Elevador do Mercado Municipal, vai percorrer alguns edifícios e mobiliário urbano ligados a estas artes, focando essencialmente aspetos histórico-artísticos.

No dia em que se celebra o Dia Nacional dos Centros Históricos (28 de março), às 15h00, a partir do Largo Dr. José Rodrigues (em frente ao Museu Nacional Machado de Castro), decorre uma visita dedicada exclusivamente ao centro histórico da cidade, convidando a conhecer uma outra Coimbra.

No dia 30 de março, às 15h00, a partir da Escadaria do Convento São Francisco, decorre mais uma visita guiada, que tem como objetivo abordar a temática da doçaria conventual, criada em diversos mosteiros e conventos de Coimbra, por forma a valorizar e divulgar o património doceiro de Coimbra.

Estas visitas temáticas são dirigidas ao público em geral, acolhendo um mínimo de seis e um máximo de 25 participantes. A participação nas visitas é gratuita, mas requer inscrição prévia através do telefone 239702630, por email (roteirosdecoimbra@cm-coimbra.pt) ou, presencialmente, na Casa Municipal da Cultura (Rua Pedro Monteiro). Serão consideradas apenas as inscrições até às 15h00 do último dia útil antes da data da realização das visitas.

Festival “Clarinete de Óbidos” está de volta

0
Município de Óbidos

A 2ª edição do “Óbidos Clarinete Fest” realiza-se de 23 a 25 de Março. Trata-se de um evento que pretende dinamizar culturalmente a zona Oeste do País, particularmente a vila de Óbidos, trazendo personalidades importantes da música erudita, mais concretamente professores de clarinete de renome internacional.

Em Óbidos, Nuno Silva, Carlos Alves, Tiago Abrantes e Luís Santos são os clarinetistas que irão orientar os participantes nas Masterclasses.

O festival conta, igualmente, com concertos (abertos ao público), no Museu Municipal de Óbidos.

Assim, no dia 23 de Março, pelas 21 horas, tem lugar o concerto de Abertura com a Ensemble Clarinetes da Academia de Música de Óbidos (AMO) e do Conservatório de Mafra.

No dia seguinte, pelas 19h00, haverá um concerto de Música de Câmara, pelos alunos e antigos alunos da AMO.

Finalmente, a 25 de Março, com inicio às 19 horas, os professores Diogo Taveira e Luís Santos, juntamente com os alunos do Festival apresentam uma “Performance Criativa”.

Apoio do Município de Óbidos.

Inscrições: Inscrições Óbidos Clarinete Fest 2023 (google.com)

Informações: academiademusicaobidos.com

Seminário “Políticas e Desafios Educacionais – A Escola em Transformação” lotou Teatro Sá da Bandeira

0
Município de Santarém

Santarém recebeu, ontem, dia 4 de março, o Seminário “Políticas e Desafios Educacionais – A Escola em Transformação”, no Teatro Sá da Bandeira. Esta iniciativa, organizada pela ASSP – Associação de Solidariedade Social dos Professores – Delegação de Santarém e que contou com o apoio do Município de Santarém, lotou o Teatro.

João Teixeira Leite, Vice-Presidente da Câmara de Santarém, com o Pelouro da Educação, participou na sessão de abertura e referiu que “a Educação é um pilar fundamental para a Câmara Municipal de Santarém. Temos como prioritária esta área de intervenção, uma vez que a Educação é de facto, uma aposta do Município e é através dela que construímos um Mundo cada vez melhor e mais desenvolvido. Apostamos de uma forma permanente no processo formativo dos nossos jovens e temos como aliados nesse processo, uma classe que profissional que é muito importante para nós”.

A sessão de abertura contou ainda com a participação de Ana Maria Morais, Presidente da Associação de Solidariedade Social dos Professores – ASSP, António Pina, Diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado, Adélia Esteves, Diretora do Agrupamento de Escolas Sá da Bandeira, Maria Helena Vieira, Diretora do Agrupamento de Escolas D. Afonso Henriques e Margarida da Franca, Diretora do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano.

A Conferência de Abertura sobre “Políticas Educacionais” foi proferida por Domingos Fernandes, Presidente do Conselho Nacional de Educação.

As “Políticas e Desafios Educacionais” constituem o ponto de partida para discutir e refletir sobre as políticas educativas atuais, necessidades e desafios que impactam na vida pessoal e profissional dos agentes educativos. “A Escola em Transformação” pretende ser um momento de partilha e de reflexão, exigido por uma sociedade em mudança, bem como as suas implicações para uma educação inovadora, inclusiva e de qualidade, que atenda e respeite a individualidade de todos e de cada um.

O Seminário prosseguiu com o Painel: “A Escola, Um Desafio Permanente”, por João Couvaneiro, do Instituto Superior Egas Moniz e por David Rodrigues, do Conselho Nacional de Educação Presidente do Conselho Nacional de Educação, moderado por José Luís Avelino, Diretor do Centro de Formação da Lezíria do Tejo.

Seguiu-se o Painel: “As lideranças e organização pedagógica da escola”, por Fernando Elias, do Conselho Nacional de Educação, do Agrupamento de Escolas das Colmeias e por Ana Cláudia Cohen, Diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena, com moderação a cargo de Vânia Horta, Chefe de Divisão da Educação e Juventude, da Câmara Municipal de Santarém.

Após pausa para almoço, os trabalhos prosseguiram com o Painel: “A Escola com todos. Acomodar o currículo para o sucesso”, com Carina Lobato Faria, Neuropsicóloga e Psicoterapeuta Especialista em Neurociência e com Ariana Cosme, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. A moderação esteve a cargo de Sónia Seixas, Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Santarém.

Os trabalhos continuaram com a Conferência: “A Escola que transforma”, por António Sampaio da Nóvoa, do Instituto de Educação, da Universidade de Lisboa, com moderação de Ana Maria Morais, Presidente da Associação de Solidariedade Social dos Professores – ASSP

O encerramento dos trabalhos esteve a cargo de Dunia Palma, Presidente da Delegação da ASSP de Santarém e de Vânia Horta, Chefe de Divisão da Educação e Juventude, da Câmara Municipal de Santarém.

Cáritas preocupada com aumento de pedidos de ajuda por parte de estrangeiros

0
Cáritas Portuguesa

A Cáritas Portuguesa está preocupada com o aumento dos pedidos de ajuda por parte de estrangeiros, que aparecem em “situações de grande vulnerabilidade”, o que tem contribuído para o aumento do número de pessoas em situação de sem-abrigo.

Em declarações à agência Lusa, quando esta instituição, que trabalha para a promoção e dinamização da ação social da Igreja católica, se prepara para um novo peditório nacional, a presidente da Cáritas Portuguesa deu conta do contínuo aumento do número de pedidos de ajuda, seja na procura de “coisas básicas para a subsistência”, seja nos pedidos de apoio.

Segundo Rita Valadas, a “pressão sobre os atendimentos (…) foi enorme” durante o ano de 2022, tanto da parte de portugueses como de cidadãos estrangeiros, alertando que talvez não haja noção de que “neste momento há estrangeiros a chegar todos os dias às zonas mais recônditas de Portugal”.

“É uma realidade que nos está a preocupar muito, a dos estrangeiros”, admitiu a responsável, apontando que em causa estão pessoas sem qualquer rede de apoio, que tanto podem ser imigrantes, refugiadas, estrangeiras com visto de turismo que depois ficam no país ou até mesmo “pessoas que vêm com máfias sabe deus como”.

Rita Valadas deu conta de que estas pessoas chegam às Cáritas em “situação de grande vulnerabilidade” e que “uma das marcas” que se começa a fazer notar é o aparecimento de pessoas em situação de sem-abrigo em zonas do país onde não havia registo desse fenómeno.

Deu como exemplo o caso de Beja, onde, afirmou, havia um “registo de 80 pessoas sem-abrigo” e que no final do ano de 2022 contabilizou “trezentas e tal pessoas”.

“É um aumento enorme, mas é uma situação muito concreta e alguns só não estão na rua porque várias organizações se têm mobilizado para encontrar respostas de emergência”, sublinhou, acrescentando que há cada vez mais necessidade deste tipo de respostas, mas alertando que faltam também respostas definitivas, tendo em conta que “a habitação é uma das situações mais críticas em termos de intervenção social”.

Segundo Rita Valadas, há vários alertas por parte de diferentes Cáritas Diocesanas e Cáritas Paroquiais a dar conta do aparecimento de grupos de estrangeiros – um dos quais de 50 pessoas há algumas semanas – para os quais não sabem que resposta dar.

Para a responsável da Cáritas, atualmente, a situação mais crítica tem a ver com cidadãos timorenses, apesar de haver “todas as nacionalidades em Portugal neste momento”.

Bicampeão europeu Pedro Pichardo “muito grato” a Portugal no regresso a Lisboa

0

O português Pedro Pablo Pichardo mostrou-se “muito grato” a Portugal no regresso a Lisboa, após se ter sagrado bicampeão europeu do triplo salto em pista coberta, em Istambul, na sexta-feira.

“Nunca me arrependi de estar aqui. Estou muito feliz aqui, muito grato ao país e ao povo todo pelo carinho, as mensagens, tudo. Estou muito contente,” reconheceu o recordista nacional do triplo salto, que melhorou a sua marca precisamente nos Europeus ‘indoor’ Istambul2023, com um salto de 17,60 metros que o levou à vitória e que passou a ser o máximo registo português na disciplina.

Minutos após ter aterrado no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, Pedro Pablo Pichardo não escondeu o seu orgulho por mais um feito alcançado.

“Estou muito feliz, é uma emoção muito grande ser bicampeão europeu de pista coberta. A meta agora é descansar cinco dias e chegar ao verão e continuar a somar vitórias. Teremos o Mundial, em Budapeste, também a Liga Diamante, e estamos focados em ganhar e também em fazer bons saltos,” planeou o saltador.

Pedro Pablo Pichardo revalidou o título europeu de pista coberta – é ainda detentor do cetro europeu ao ar livre e ostenta também os títulos europeu, mundial e olímpico. No entanto, não faz qualquer destrinça particular das conquistas.

“Para mim, todas as medalhas têm um valor diferente, todas são importantes, todas têm um significado muito grande. O importante é, primeiro, ter saúde e conseguir treinar bem, o resto, que seja sempre somar vitórias e trazer medalhas e títulos para casa. Para mim, é sempre importante,” frisou o atleta, natural de Cuba e naturalizado português desde 2017.

Em função dos resultados já obtidos, Pichardo já só pensa no derradeiro objetivo futuro: o recorde mundial.

“Na minha cabeça, não me foco nisso, tento ficar com os pés assentes na terra e fazer o meu trabalho. O resto, sai nas competições. O recorde mundial, vamos tentá-lo, agora que já temos todos os títulos é só tentar esse recorde, que é a única coisa que está em falta,” estipulou.

Sorridente, Pedro Pablo Pichardo salientou o mérito do seu treinador e pai, Jorge Pichardo, que o acompanhava: “Estou muito feliz, é uma emoção muito grande ser bicampeão europeu de pista coberta. O segredo para o sucesso é muito treino, muito trabalho. Temos de perguntar ao ‘mister’ [o seu treinador e pai], ele diz que as medalhas são dele. Somos bons amigos, sou muito grato por ter um pai como ele, acho que, sem ele, não teria atingido o que atingi até hoje”.

Ao seu lado, feliz pela conquista do seu filho e pupilo, Jorge Pichardo, responsável pelo treino e gestão da carreira do recordista nacional português do triplo salto, não baixou a exigência.

“Estou orgulhoso, mas não estou contente, porque o nosso objetivo é bater todos os recordes do triplo salto. Ganhámos, mas a medalha é minha,” afirmou, entre risos, definindo o recorde mundial do triplo salto, cuja marca é de 18,29 metros e que pertence, desde 1995, ao britânico Jonathan Edwards.

Papa reza pelas vítimas do acidente ferroviário na Grécia

0
O Papa Francisco no Angelus deste domingo (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

O Papa Francisco rezou hoje no Vaticano pelos 57 mortos e feridos, entre os quais muitos jovens estudantes, do acidente ferroviário ocorrido na terça-feira na Grécia.

“Nestes dias, os meus pensamentos vão frequentemente para as vítimas do acidente ferroviário na Grécia. Muitos destes eram jovens estudantes”, declarou o Papa diante de centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, no Vaticano, após a oração do Angelus.

“Rezo por eles”, acrescentou, expressando a sua “proximidade com os feridos e com as suas famílias”.

O acidente esteve na origem de confrontos violentos que ocorreram hoje entre à polícia e manifestantes em frente ao parlamento em Atenas. Os manifestantes protestavam contra o Governo após o desastre ferroviário.

Os manifestantes incendiaram caixotes de lixo e lançaram ‘cocktails molotov’ contra os agentes de segurança, enquanto a polícia respondeu com gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento no centro da capital grega, na descrição da agência noticiosa AFP.

Em poucos minutos, a polícia grega dispersou cerca de 12 mil manifestantes na Praça Syntagma, onde decorreu o protesto para responsabilizar o Governo grego pelo acidente ferroviário de terça-feira à noite.

Antes, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, pediu desculpas às famílias das vítimas numa declaração solene.

Não muito longe dos protestos, o primeiro-ministro grego participou hoje num serviço religioso na catedral ortodoxa de Atenas, quando as igrejas de todo o país planeiam prestar homenagem às vítimas do acidente.

JMJ com participação inédita a nível mundial de coro de surdos

0
JMJ Lisboa 2023

Quando o Papa Francisco presidir ao acolhimento a milhares de participantes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Parque Eduardo VII, em Lisboa, em 03 de agosto, vai deparar-se com uma novidade absoluta, o coro integrará elementos surdos.

A inclusão desta comunidade é, assim, pela primeira vez patenteada no coro das cerimónias de uma JMJ, estando a participação a ser encarada com grande entusiasmo pelos seis elementos do projeto Mãos Que Cantam, a que se juntarão nos próximos meses jovens surdos de múltiplas dioceses do país.

No espaço D. Ajuda, no antigo Mercado do Rato, (Lisboa) os membros do Mãos Que Cantam começam agora a tomar contacto com os cânticos – que deverão ser cerca de meia centena -que, nos dias da Jornada, irão cantar com as mãos lado a lado com os “cantores ouvintes” que compõem o coro principal.

O mentor do projeto, surgido há 12 anos, é Sérgio Peixoto, músico e diretor do Coro da Universidade Católica.

“Há cerca de 12 anos, no Instituto de Ciências da Saúde, abriu o curso de Língua Gestual Portuguesa para Professores Surdos e, na altura, o diretor da faculdade, professor Alexandre de Castro Caldas, mais a professora Ana Mineiro, vieram ter comigo e perguntaram se não seria interessante integrar estes alunos na universidade de uma maneira diferente”, diz Sérgio Peixoto, recordando como tudo começou.

Consciente de que, por serem surdos, “era um bocadinho mais complicado”, não deixou, no entanto, cair em saco roto a pergunta: “porque não através da música?”

“Na altura, não sabia nada sobre a comunidade surda, não tenho familiares surdos, na altura não tinha sequer amigos surdos. Mas, foi um desafio e eu fiquei muito interessado, mais curioso. E, daquele lado [dos potenciais elementos para o coro], também havia um grupo que se mostrou interessado e também curioso”, afirma, acrescentando: “combinámos um ensaio e eu, obviamente, combinei com uma intérprete, e combinámos lá numa sala da universidade”.

“Só que a intérprete chegou atrasada. E quando eu cheguei, já eles [os elementos surdos] estavam na sala e, quando eu entrei, a única coisa que consegui dizer foi ‘Olá!’. E foi nesse momento que senti o que era ser minoria, porque eu era o único que não conseguia comunicar, porque eles, entre eles, comunicavam com a Língua Gestual Portuguesa”, afirma Sérgio Peixoto, que também nesse momento decidiu que queria enveredar por aquele caminho de quebrar barreiras de comunicação através da música e da Língua Gestual Portuguesa.

A partir daí, começou a trabalhar com aqueles elementos, até que começaram a interagir com outros grupos, desde logo o Coro da Universidade Católica, até artistas como os Xutos e Pontapés, Jorge Palma ou Cuca Roseta.

Até que chega a possibilidade de participar na JMJ.

“Eu faço parte da equipa que está responsável pela parte musical das cerimónias da Jornada Mundial da Juventude e, naturalmente, percebeu-se que seria importante, mesmo nesta ideia de inclusão, a participação do projeto Mãos Que Cantam. Pela primeira vez, há um coro de pessoas surdas na Jornada Mundial da Juventude”, diz, sem disfarçar o orgulho, deixando o desejo de que “nas próximas jornadas, noutros países, esta semente tenha frutos e que nesses países também se incluam pessoas surdas a fazer música”.

O hino da JMJ Lisboa 2023, “Há Pressa no Ar”, já está em Língua Gestual Portuguesa, num trabalho de uma jovem escuteira do Algarve, que também irá participar no coro em agosto.

Se agora apenas os seis elementos do Mãos Que Cantam se juntam no espaço D. Ajuda a Sérgio Peixoto e à tradutora Sofia Figueiredo, considerada uma peça fundamental neste trabalho, nos próximos meses, talvez a partir do final de maio, já estarão juntamente com o “coro dos ouvintes” a ensaiar, e a partir de final de junho e no mês de julho, os ensaios serão já feitos com a própria orquestra que será orientada pela maestrina Joana Carneiro.

Neste momento, está a ser finalizada “a passagem dos textos [dos cânticos] para gesto”, para depois começar a ser trabalhada a música.

O Acolhimento, a Via-Sacra, a Vigília e a Missa de Envio são os momentos em que, para já, está prevista a participação dos elementos surdos no coro da JMJ.

A ideia de doçaria conventual “é um mito” construído – investigador

0

Um investigador da Universidade de Coimbra concluiu, numa tese de doutoramento, que a ideia de “doçaria conventual” é um mito construído, defendendo que se deveria falar apenas em doçaria tradicional ou histórica portuguesa.

“[A ideia de doçaria conventual] é um mito criado. Os conventos também faziam doces, como toda a gente fazia. É um facto histórico que os doces feitos nos conventos circulavam fora dos conventos e com alguma valorização social por serem feitos naqueles lugares. Agora, que eles eram completamente diferentes do que existia cá fora? Não. Que eles eram secretos? Não. […] Deveríamos falar em doçaria tradicional portuguesa ou, num conceito mais académico, doçaria histórica portuguesa”, afirma à agência Lusa o docente e investigador João Pedro Gomes, que defendeu, em dezembro, na Universidade de Coimbra, a tese “A doçaria portuguesa – Origens de um património alimentar”.

Ao longo da obra com cerca de 700 páginas, o investigador discorre sobre as origens do património doceiro nacional, centrando-se entre o século XV e XVIII, onde considera estarem as bases da doçaria tradicional que ainda hoje prevalece, com algum espaço dedicado às dinâmicas que levaram à criação do conceito de doçaria conventual.

Em Portugal, a doçaria começa a desenvolver-se a partir do século XV, acompanhando o ritmo de produção de açúcar pelo país, que, no final do século XVI, se torna o principal produtor mundial.

Ainda no século XV, com a valorização da componente visual nas mesas dos nobres, o açúcar ganha protagonismo, por todas as suas possibilidades de brilhar nesse campo, ao ser manipulado em diferentes pontos.

Depois da “infância da doçaria”, no século XV, em que surge o queijo e o leite no doce (os “manjares de leite” com massas assadas ou fritas e recheadas), passa-se para a “adolescência da doçaria”, que se acredita ter começado na segunda metade do século XVI, com “a febre pelos doces feitos de ovos” e em que a “doçaria começa a ser usada e abusada nas mesas”, ao ponto de levar D. Sebastião a pedir às pessoas para não comerem doces.

“Aí, a gema é feita para tudo. São feitas folhas de gema para montar bolos, fazem-se ovos mexidos com açúcar e surgem aquilo que hoje chamamos de cornucópias, que eram chamados de canudos de ovos e que era exatamente um canudo de massa frita com ovos mexidos doces”, aclara o investigador.

Se há doçaria na mesa dos nobres, esta também aparece nos conventos, muitos deles (especialmente os femininos) espaços reservados para as classes altas da sociedade, ao contrário da ideia que se tem hoje daqueles lugares.

“Era preciso dar muito dinheiro, o chamado dote, para a rapariga entrar, para aquela freira se manter”, explica, sublinhando que os conventos das clarissas “eram tendencialmente conventos de classes privilegiadas” e vários mosteiros tinham associações a grandes famílias e até a dinastias.

Face à questão da classe socioeconómica associada a estes espaços, as mulheres levavam consigo determinadas práticas e hábitos.

“Não se podia pedir a uma mulher habituada a comer capão e perdiz em casa que fosse para ali comer restos de frango. Havia que manter alguma qualidade e algum estatuto. Em relação ao doce, ele funciona exatamente da mesma forma como funciona fora do convento – surge em épocas festivas e para cimentar ou criar laços entre hierarquias”, observa.

Como os mosteiros femininos estavam dependentes das ordens masculinas, era comum as freiras fazerem “grandes quantidades de doces para dar aos mosteiros masculinos aos quais estavam ligadas”, assim como a outras pessoas que se relacionavam com o convento.

Na tese, a doçaria como cimentação de laços sociais é apontada em vários casos, alguns deles associados a subornos, sendo relatada uma história de um estudante que compra marmelada e pessegada a freiras para subornar um administrativo da Universidade de Coimbra.

Apesar de rejeitar a ideia de doces feitos apenas por freiras, João Pedro Gomes constata que há “um reconhecimento social” dos doces criados em conventos, havendo várias provas dessa valorização ainda no século XVII.

Um desses casos é o livro “Arte da Cozinha”, de Domingos Rodrigues, do final daquele século, em que no esquema de um menu dá nota para que os pratos finais sejam doces comprados a freiras.

Para a sua valorização pode também contribuir a ideia do doce como “a forma material que existe de a freira e de um homem não religioso se relacionarem”, aponta.

“Entende-se, até pela literatura barroca do século XVIII, com algumas linhas meio eróticas, que o doce é a extensão do corpo da mulher. Ou seja, o homem não lhe pode tocar, mas pode comer algo feito por ela e fica todo deliciado, porque está a comer algo vindo das mãos de uma freira, com toda aquela fantasia do corpo enclausurado”, realça.

Os doces feitos nos conventos circulavam fora deles, mas nunca numa perspetiva “comercial”, referiu, notando que na muita documentação que há sobre os rendimentos daqueles espaços, em nenhuma aparece o lucro recebido por doces.

A valorização da doçaria feita naqueles lugares vai ganhando força para lá do período focado pelo investigador ao longo da sua tese, que aponta para o século XIX como altura em que se reforça o mito.

Com a extinção das ordens religiosas, as freiras vivem cada vez mais de esmolas e fazem-se valer dos doces para terem algum tipo de rendimento.

Ao mesmo tempo, alguns dos mosteiros passam a ter também funções educativas nas comunidades, onde meninas “passam a aprender o trabalho doméstico, a escrever e a ler e, obviamente, aprendem também a fazer doces”, afirma o investigador.

Em conversa com a Lusa, João Pedro Gomes admite que os conventos poderão ter tido algum papel na passagem de informação de receitas, mas volta a vincar que essa prática era comum na sociedade – o secretismo em torno do receituário é algo mais contemporâneo.

Nesse mesmo período, marcado pelo romantismo e pelo confronto entre liberais e não liberais em Portugal, há uma faixa conservadora da sociedade que se revê num passado perdido, que ajuda também a “balancear” a doçaria dos conventos.

A obra que será “a pedra de toque de toda a gente que formula a ideia de doçaria conventual” é um livro de receitas assinado pela abadessa do Mosteiro de Santa Clara de Évora, do início do século XVIII.

Esse manuscrito deixa “dúvidas académicas” a João Pedro Gomes, por usar elementos da cultura material como “chávena ou colher de sopa”, quando na altura usava-se “xícara” e apenas “colher, porque ainda não havia o conceito de colher de sopa”.

Ao longo do tempo, a ideia foi-se cimentando na sociedade portuguesa.

Entre os mitos, surge a ideia de que as freiras usariam as claras para engomar os seus hábitos e que terá sido pelo excesso de gemas que terão surgido os doces ricos em ovos.

“É uma historieta. Não temos qualquer prova escrita de que a roupa era engomada com claras e a única prova de como se engomava a roupa surge num manuscrito em árabe, na Península Ibérica, que faz referência ao uso de amido de trigo para engomar a roupa”, refere.

No meio de histórias e mitos, as pastelarias fazem valer-se da própria ideia de doçaria conventual para vender e comercializar doces, associando-lhes uma história, que muitas vezes não tem qualquer documento que a suporte, constata.

Há vários exemplos que contradizem aquilo que é o conhecimento popular: o pastel de nata não é de Belém (vem de França e originalmente em Portugal tinha pinhões) e a receita mais antiga que se conhece de sericaia é do Porto.

“Seria mais interessante valorizar a história de cada doce, porque todos têm uma história, que não tem de ser necessariamente antiga ou vinda de um convento”, vinca João Pedro Gomes.

Optimized by Optimole