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Sábado, Junho 27, 2026
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Novos Tempos: EMRC: a disciplina que continua a transformar vidas nas escolas portuguesas

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

Num tempo marcado pela velocidade, pela fragmentação das relações humanas e pela crescente dificuldade dos jovens em encontrar sentido para a vida, a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica continua a ser uma das propostas mais humanizadoras do currículo escolar português.

Escrevo-o também a partir da experiência concreta de quem é professor de EMRC há 25 anos. Ao longo deste percurso, entre salas de aula, corredores escolares, encontros, dúvidas e sonhos de milhares de alunos, fui percebendo que esta disciplina ultrapassa largamente os limites de um simples espaço curricular. A EMRC toca vidas, abre horizontes e ajuda muitos jovens a encontrar referências num mundo cada vez mais confuso e acelerado.

Muitas vezes reduzida injustamente a preconceitos antigos ou a leituras superficiais, a EMRC está longe de ser apenas “uma aula de religião”. É, antes de mais, um espaço de diálogo, reflexão, cultura, ética e formação integral da pessoa. A própria legislação portuguesa reconhece a sua importância ao integrá-la no currículo nacional do 1.º ao 12.º ano, sendo a sua oferta obrigatória nas escolas públicas, ainda que a frequência seja facultativa.

Num sistema educativo frequentemente pressionado por metas, exames, médias e rankings, a EMRC recorda uma verdade essencial: educar não é apenas transmitir conteúdos; é formar pessoas. E é precisamente aqui que esta disciplina faz a diferença.

Na sala de aula de EMRC fala-se de dignidade humana, solidariedade, justiça, liberdade, paz, ecologia integral, afetos, sofrimento, felicidade, espiritualidade e projeto de vida. Temas que atravessam o coração das novas gerações e que nem sempre encontram espaço noutras disciplinas. As Aprendizagens Essenciais da disciplina sublinham precisamente essa dimensão ética, relacional e humanizadora da educação.

A escola portuguesa precisa destes espaços. Precisa de lugares onde os jovens possam parar para pensar. Onde possam aprender a escutar. Onde possam descobrir que a vida não se resume ao consumo, ao sucesso imediato ou à pressão das redes sociais.

Os professores de EMRC conhecem bem esta realidade. Quantas vezes somos procurados pelos alunos para conversas que ultrapassam os conteúdos programáticos? Quantas vezes uma aula acaba por ser um lugar de acolhimento, de escuta e até de esperança? Em muitos casos, a EMRC é o único momento da semana em que um estudante sente que alguém lhe pergunta sinceramente: “Como estás?”

Ao longo destes 25 anos de docência, vi alunos reencontrarem confiança, superarem momentos difíceis, aprenderem a respeitar os outros e descobrirem talentos que desconheciam em si próprios. Nem tudo se mede em testes ou classificações. Há aprendizagens que acontecem no silêncio de uma conversa, no impacto de um testemunho ou numa simples reflexão feita no momento certo.

Numa sociedade cada vez mais polarizada e agressiva, esta disciplina ajuda também a construir cidadania. Não uma cidadania ideológica ou partidária, mas uma cidadania fundada na dignidade da pessoa humana, no respeito pela diferença e na capacidade de construir comunidade. É significativo que muitos dos temas trabalhados em EMRC estejam ligados à educação para a paz, aos direitos humanos, ao diálogo intercultural e à responsabilidade social.

Há ainda outro aspeto frequentemente ignorado: a importância cultural da disciplina. Não se compreende Portugal, a sua história, arte, literatura, música ou património sem conhecer o cristianismo. A EMRC ajuda os alunos a interpretar as raízes culturais da nossa identidade coletiva. Uma sociedade sem memória cultural torna-se facilmente uma sociedade sem rumo.

É evidente que a disciplina enfrenta desafios. O secularismo crescente, a diminuição da prática religiosa e alguma desvalorização social da dimensão espiritual levantam obstáculos. Mas talvez seja precisamente por isso que a EMRC se torna ainda mais necessária. Porque os jovens continuam a fazer as grandes perguntas de sempre: Quem sou? Para que vivo? O que vale realmente a pena? Como ser feliz?

A escola não pode limitar-se a preparar alunos para o mercado de trabalho. Deve preparar pessoas para a vida.

Num país onde tantos jovens enfrentam ansiedade, solidão e vazio existencial, talvez esteja na hora de perceber que disciplinas como a EMRC não são um acessório do currículo. São uma necessidade educativa e humana.

Como recentemente se afirmou num encontro internacional sobre o ensino religioso, “a escola é melhor com a disciplina de EMRC”.

E talvez também os nossos jovens sejam melhores, mais conscientes, mais solidários e mais humanos por causa dela.

Novos Tempos: Fátima: a força de uma mensagem que continua a mover o mundo

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foto: Arlindo Homem

Há fenómenos que escapam às análises sociológicas, aos cálculos políticos e até às leituras meramente religiosas. Fátima é um deles. Mais de um século depois das aparições na Cova da Iria, a Mensagem de Fátima continua viva, atual e profundamente mobilizadora. Não apenas como memória histórica ou património espiritual, mas como realidade concreta que ainda hoje põe multidões em movimento.

Nestes dias 12 e 13 de maio, cerca de 300 mil peregrinos voltaram a encher o Santuário de Santuário de Fátima. Muitos chegaram a pé, vindos de norte a sul do país. Homens, mulheres, jovens, idosos, famílias inteiras. Alguns percorrem dezenas de quilómetros; outros, centenas. Caminham em silêncio, rezam o terço, cumprem promessas, carregam dores, agradecimentos e esperanças. Num tempo marcado pelo imediatismo e pelo conforto, impressiona ver milhares de pessoas aceitarem o sacrifício físico para viver uma experiência espiritual.

Mas Fátima não se resume à Cova da Iria. Em praticamente todas as dioceses portuguesas multiplicam-se procissões marianas que reúnem milhares de participantes. As ruas enchem-se de velas, cânticos e oração. Mesmo quem já não frequenta regularmente a Igreja sente que há qualquer coisa de profundamente identitário nestas celebrações. Fátima tornou-se parte da alma portuguesa.

E talvez seja precisamente aqui que reside a atualidade da sua mensagem. Num mundo ferido por guerras, crises económicas, polarizações políticas e vazio espiritual, Fátima continua a falar de paz, conversão, oração e esperança. Enquanto os grandes poderes exibem armamento e discursos agressivos, milhares de peregrinos respondem com silêncio, penitência e fé. Parece um contraste impossível, mas é talvez aí que está a verdadeira força da Mensagem de Fátima: recordar que o coração humano continua a procurar Deus mesmo quando a sociedade insiste em viver como se Ele não existisse.

Há também uma dimensão internacional que não pode ser ignorada. Fátima tornou-se um dos maiores centros de peregrinação do mundo. Todos os anos chegam peregrinos dos cinco continentes. O nome de Portugal é pronunciado em dezenas de línguas por causa daquele pequeno lugar da Serra de Aire. Poucos acontecimentos unem tanto o país, atravessando gerações, sensibilidades sociais e até posições políticas.

Por isso, a pergunta surge naturalmente: porque não reconhecer oficialmente esta realidade através de um feriado nacional no dia 13 de maio?

Portugal já consagra feriados ligados à sua história, identidade e cultura. Ora, poucos acontecimentos marcaram tanto o país como Fátima. O impacto religioso, social, cultural e até económico das peregrinações é inegável. Mais do que um simples dia de descanso, seria um reconhecimento da importância espiritual e identitária que Fátima tem para milhões de portugueses.

Alguns dirão que o Estado é laico, mas laicidade não significa apagar as raízes culturais e espirituais de um povo. Significa respeitá-las. E ignorar a dimensão de Fátima seria ignorar uma parte essencial da identidade portuguesa.

Enquanto milhares continuam a caminhar pelas estradas do país, talvez a grande pergunta não seja apenas se o 13 de maio deve ser feriado. A pergunta mais profunda é outra: o que continua a procurar este povo que caminha?

Talvez procure esperança. Talvez procure sentido. Talvez procure Deus.

E isso, num mundo cansado e fragmentado, já é uma notícia extraordinária.

Camião em chamas após despiste na EN2

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Um veículo pesado de mercadorias incendiou-se esta tarde após o despiste na Estrada Nacional 2 (EN2), entre Mora e Ponte de Sor, próximo do aeródromo.

O motorista sofreu ferimentos ligeiros e a rápida intervenção evitou a propagação das chamas numa zona com matéria combustível.

No local estão bombeiros, GNR e meios da proteção civil.

Homem encontrado morto na banheira com sinais de violência

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A Polícia Judiciária está a investigar a morte de um homem cujo cadáver foi encontrado na noite de quarta-feira, na casa de banho de uma residência em Setúbal.

O cadáver estava amarrado na banheira. O alerta foi dado por um homem que habitava no mesmo local.

Uma mancha de sangue no chão junto à entrada da habitação e as marcas de agressão no corpo, denunciam o eventual envolvimento de terceiros e um cenário de homicídio.

A PJ recolheu informação e amostras para investigação labratorial.

Casal que abandonou crianças foi detido em Fátima

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Mãe e padrasto dos meninos estavam a tomar café

Em comunicado, a GNR adianta que foram detidos “um homem de 55 anos e uma mulher de 41 anos, suspeitos da prática dos crimes de violência doméstica e de exposição e abandono”.

As duas crianças tinham sido encontradas sozinhas a vaguear junto à estrada nacional EN253 em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, na terça-feira ao final da tarde.

Os irmãos estavam assustados e tinham apenas uma garrafa de água e uma peça de fruta, encontrando-se “à borda da estrada a chorar e a chamar pelo pai”.

As crianças terão sido “raptadas” pela mãe há varios dias em França. O pai tinha comunicado o caso às autoridades francesas.

Funcionário do Município de Setúbal terá sido assassinado em ajuste de contas

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A Polícia Judiciária (PJ) está investigar a morte de Afonso Belo, funcionário do Município de Setúbal, encontrado sem vida na banheira.

O assistente operacional colocado na portaria do Mercado da Conceição, em Setúbal foi encontrado amarrado nos pés e mãos na sua habitação, com sinais de violência e marcas de sangue. A vítima tinha lesões causadas por golpes de faca.

Afonso Belo deixa um filha menor.
A PJ procura três homens que,alegadamente, estiveram na habitação.

Os suspeitos ainda estão a monte.

Fardas de Bombeiros no meio do lixo em Coruche

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Diversas peças de uniformes e equipamentos de proteção individual com a marca dos Bombeiros de Coruche foram encontradas num aterro onde são depositados resíduos sólidos urbanos não recicláveis.

As imagens foram denunciadas por Joana Gonçalves que se insurge contra a situação alegando falta de respeito pela corporação e por todos os bombeiros que não têm equipamentos de proteção individual.

“É inaceitável e vergonhoso que peças novas e usadas tenham sido depositadas no lixo…num país onde há bombeiros a pagar EPI para irem para os fogos”, escreve Joana Gonçalves.

A Câmara Municipal de Coruche foi surpreendida pela situação e irá abrir uma averiguação para apurar quem e como depositou os equipamentos junto do lixo. Os Bombeiros de Coruche são municipais e integram os quadros de pessoal do Município.

Médico de Família na primeira linha do cuidado

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DR

Hoje assinala‑se o Dia Mundial do Médico de Família, uma data que merece mais do que um simples agradecimento — merece reconhecimento público, respeito e a consciência de que estes profissionais são a primeira linha de cuidado, proximidade e humanidade no nosso Serviço Nacional de Saúde.

Tenho o privilégio de ter uma médica de família que dá muito mais do que o normal. Dra. Ana Matos Coronha na USF Samora Correia. Antes estive 35 anos com o Dr. Manuel Mulgi que foi um amigo da família.

Os médicos de família conhecem as pessoas pelo nome, acompanham gerações, antecipam problemas, orientam decisões e seguram, muitas vezes, aquilo que mantém a comunidade saudável: a confiança.
Num tempo em que o SNS enfrenta desafios profundos, são eles que continuam a garantir que ninguém fica para trás.

A todos os médicos de família que, diariamente, fazem da sua vocação um serviço à população — obrigado.
Obrigado pela dedicação, pela escuta, pela persistência e pela capacidade de cuidar mesmo quando os recursos são poucos e as exigências são muitas.

A saúde pública constrói‑se assim: com ciência, com organização, mas também com pessoas que acreditam no valor de cada vida.

Gratidão a todos os que mantêm viva esta missão.

Afonso: o conquistador que leva um país inteiro na roda

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Afonso Eulálio, 24 anos, natural da Figueira da Foz é o líder do Giro de Itália. Manteve a Rosa após um contra relógio de 42 km. Afonso, tem nome de Rei.

É o terceiro português a vestir a camisola rosa da liderança depois dos enormes Acácio da Silva e João Almeida.

Há nomes que surgem de repente no noticiário desportivo e, num instante, deixam de ser apenas atletas para se tornarem símbolos. Afonso Eulálio é um desses casos. Um jovem de 24 anos que, vindo da Figueira da Foz, pedalou até ao coração do ciclismo mundial e colocou Portugal outra vez no mapa das grandes voltas. Não é apenas talento: é teimosia, é trabalho, é aquela fibra que reconhecemos nos que não esperam que a vida lhes abra portas — empurram‑nas.

Quando vestiu a camisola rosa no Giro, não foi só ele que subiu ao pódio. Subimos todos. Subiram os miúdos que treinam à chuva, os clubes pequenos que sobrevivem com orçamentos mínimos, os adeptos que ainda acreditam que o desporto pode ser uma escola de caráter. Subiu também um país que, tantas vezes, se encolhe, mas que vibra quando alguém prova que o impossível afinal não é tão impossível assim.

Afonso Eulálio não é um herói de plástico. É um ciclista de verdade: magro, resistente, silencioso, daqueles que falam mais com as pernas do que com entrevistas. Não tem pose de estrela, não tem arrogância de campeão. Tem humildade — e isso, no desporto moderno, vale quase tanto como uma etapa de montanha.

O que impressiona não é apenas o que ele ganha, mas como ganha. Com inteligência, com calma, com aquela maturidade que não se ensina: conquista‑se. E talvez seja isso que mais nos toca — a sensação de que estamos a assistir ao nascimento de algo raro, algo que não aparece todos os anos.

Portugal tem tradição no ciclismo, mas faltava‑lhe uma figura que unisse gerações, que inspirasse os mais novos e que lembrasse aos mais velhos que ainda sabemos produzir campeões. Afonso Eulálio é essa figura. Não porque venceu tudo, mas porque mostrou que pode vencer. E porque, acima de tudo, mostrou que não tem medo de tentar.

Num país que tantas vezes se habitua à resignação, ver um jovem português liderar uma das maiores provas do mundo é mais do que desporto: é um lembrete. Um lembrete de que o talento existe, de que o esforço compensa e de que, quando acreditamos, conseguimos ir mais longe do que imaginávamos.

Afonso pedala. E nós, cá atrás, pedalamos com ele — não para lhe tirar a liderança, mas para lhe agradecer o que já nos deu: orgulho, esperança e a certeza de que, às vezes, basta um ciclista para puxar um país inteiro para a frente.

Prisão preventiva para agressor de ex namorada

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A GNR deteve em flagrante delito um homem de 40 anos suspeito de agredir a ex-companheira, de 28 anos na zona da Chamusca.

O arguido estava sinalizado pelas autoridades e a detenção ocorreu após uma investigação por denúncia de continuidade de agressões contra a vítima.

A GNR confirma que o agressor foi apanhado em flagrante delito e foram recolhidos fortes indícios que confirmaram a prática continuada de violência psicológica e física. Condições que justificam a medida de coação mais forte.

O arguido está em prisão preventiva enquanto decorre o processo de investigação.

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