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Sexta-feira, Julho 3, 2026
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PS: Carneiro apela à união interna, sem “golpes recíprocos” ou ficar a olhar para dentro

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O candidato a secretário-geral do PS José Luís Carneiro apelou no sábado à união interna no partido, sem “golpes recíprocos” ou ficar a olhar para dentro, assegurando que não fará “ataques pessoais e superficiais na praça pública”.

“Apelo aos socialistas para que se unam na sua diversidade, para iniciar o caminho de volta que a defesa dos nossos ideais nos pede”, afirmou José Luís Carneiro no discurso de apresentação da sua candidatura à liderança do PS, no jardim da sede nacional do partido, no Largo do Rato, em Lisboa.

O ex-ministro do PS – que até agora é o único na corrida à sucessão de Pedro Nuno Santos – avisou que “aqueles que serão deixados para trás por políticas neoliberais”, “discriminados por políticas conservadoras”, ou que não verão melhorias na sua qualidade de vida, nos salários ou serviços públicos, não perdoarão o partido se ficar a “olhar para o umbigo”.

“Não nos perdoarão se ficarmos agora a olhar para nós próprios ou nos entretivermos a golpear reciprocamente a nossa credibilidade e as nossas qualidades, em vez de nos organizarmos para os defendermos a eles, que são a razão de ser e de existirmos como partido”, afirmou.

José Luís Carneiro reconheceu que o PS está a “viver um momento difícil” e teve um “resultado que não desejava” nas legislativas de maio, tendo perdido votos “para a direita em todos os grupos sociais”.

“O que procurarei fazer e vos peço que façam é uma análise profunda daquilo em que falhámos, de quando falhámos, do que devíamos ter feito diferente”, disse.

No entanto, logo de seguida, pediu que se “desengane quem confunde essa reflexão com tentações de ajustes de contas internos e com cedência a tentativas de aproveitamentos por parte” dos principais opositores do PS, uma passagem do seu discurso que mereceu vários aplausos da plateia.

“Análise e debate? Sim, ao máximo. Ataques pessoais e superficiais na praça pública? Não, nunca. Comigo, não contam com isso”, assegurou.

Liga Nações: Portugal na máxima força antes da final com a Espanha

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A seleção portuguesa cumpriu este sábado o último treino antes da final de domingo frente à Espanha, da Liga das Nações de futebol, com Gonçalo Ramos de regresso e a deixar Roberto Martínez com todos os jogadores disponíveis.

O avançado falhou a sessão de sexta-feira devido a ter sido autorizado a viajar até Lisboa para assistir ao nascimento do filho, mas retornou ontem de manhã a Munique, na Alemanha, e esteve à disposição do selecionador nacional.

O treino decorreu num dos centros de estágios do Bayern Munique, habitualmente utilizado pela formação feminina dos bávaros, e Roberto Martínez contou com todos os 23 jogadores de campo convocados, mais os três guarda-redes.

Isto significa que Portugal chega na máxima força à quarta final da sua história, em que vai tentar repetir a conquista da Liga das Nações, algo que alcançou em 2019, na primeira edição, que decorreu no Porto.

Como é habitual, e como muita chuva e algum frio à mistura, os primeiros 15 minutos da sessão foram abertos, com a seleção nacional a realizar os habituais exercícios de aquecimento, primeiro com corrida, depois com alongamento e por fim com bola, com os guarda-redes, ao contrário do que é habitual, a trabalharem com os jogadores de campo.

Destaque para a presença no treino do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, que esteve acompanhado de Domingos Paciência e Toni, membros da direção do organismo.

O Portugal-Espanha, a quarta final da história do futebol luso e a primeira ibérica, está agendada para as 20:00 (21:00 locais), no Allianz Arena, em Munique, e terá arbitragem do suíço Sandro Scharer.

Governo: CAP diz que tempo das intenções expirou e que é preciso executar sem demoras

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu que o tempo das intenções expirou e que o novo Governo de Luís Montenegro tem de executar, sem demoras.

“A opção do primeiro-ministro pela manutenção da larga maioria dos titulares nas respetivas pastas, incluindo da Agricultura, demonstra que entendeu a mensagem dos portugueses: é tempo de executar. Sem demoras, é preciso colocar em marcha as medidas anunciadas e as medidas necessárias”, afirmou o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, em resposta à Lusa.

Em particular no que diz respeito à agricultura, a confederação pede que seja executada a estratégia “Água que Une”, que prevê a concretização de uma rede nacional de água.

Por outro lado, referiu que numa altura em que se inicia a discussão da nova reforma da Política Agrícola Comum (PAC) é exigido ao Governo que defenda um orçamento autónomo, mas dotado de recursos adequados, mais simplificação e respostas ajustadas à realidade nacional.

A isto acresce a aceleração da execução dos fundos europeus.

Conforme defendeu, para que tal aconteça é necessário “pôr cobro à crescente disfuncionalidade dos órgãos do Ministério da Agricultura”.

Álvaro Mendonça e Moura defendeu ainda que o Governo de Luís Montenegro tem “todas as condições” para concretizar o potencial do setor agrícola e florestal, vincando que “o tempo das intenções expirou” no Governo anterior.

“[…] Agora tem de ser o Governo da execução. De diagnósticos e anúncios está o país saturado”, rematou.

O segundo Governo liderado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro terá 16 ministérios, menos um do que o anterior, e vai manter treze dos 17 ministros do executivo cessante.

Entram no executivo Maria Lúcia Amaral, até agora provedora de Justiça, para ministra da Administração Interna, Gonçalo Matias, presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, como novo ministro ajunto e da Reforma do Estado, e Carlos Abreu Amorim sobe de secretário de Estado para ministro dos Assuntos Parlamentares.

Saem Pedro Duarte (Assuntos Parlamentares), Margarida Blasco (Administração Interna), Pedro Reis (Economia) e Dalila Rodrigues (Cultura).

Margarida Balseiro Lopes, ministra da Juventude e Modernização, tem agora a pasta da Cultura, Juventude e Desporto.

Mantêm-se os dois ministros de Estado: o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

Luís Montenegro aproveitou para fazer algumas alterações orgânicas, criando um novo ministério, o da Reforma do Estado, mas cortando a Economia e a Cultura como pastas autónomas. A Economia passa a estar associada à pasta da Coesão Territorial, enquanto a Cultura fica no mesmo ministério que a Juventude e Desporto.

Polícia Judiciária detém em Leiria homem procurado na Suécia por danos com ‘graffiti’

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Um cidadão estrangeiro de 32 anos com mandato de detenção europeu, por suspeita de prática de 11 crimes de dano através de ‘graffiti’ em edifícios e comboios na Suécia, foi detido em Leiria, anunciou hoje a Polícia Judiciária (PJ).

“A Polícia Judiciária, através da Unidade de Informação Criminal, localizou e deteve, na zona de Leiria, um cidadão estrangeiro, no cumprimento de um mandado de detenção europeu, emitido pelas autoridades judiciárias da Suécia”, informou.

Segundo uma nota de imprensa, o homem, de 32 anos, era procurado para procedimento criminal por suspeito da “prática de 11 crimes de dano e um crime de ofensas à integridade” física.

“Ao longo do ano de 2021, numa cidade da Suécia, pintou ‘grafitti’ em diversas fachadas, paredes e portas de edifícios públicos e particulares”, referiu.

O suspeito “pintou ainda ‘graffiti’ em carruagens de comboio, causando um dano avaliado em cerca de 181.200 coroas suecas”, o equivalente a cerca de 16 mil euros.

“Além destes crimes é também acusado de, no âmbito desta atividade, ter agredido um cidadão, empurrando-o para o chão, pontapeando-o e pisando-lhe a cara e o peito”, indicou a PJ.

O cidadão vai ser presente ao Tribunal da Relação de Coimbra, para aplicação de uma medida de coação.

Sete mortos em contexto de violência doméstica nos primeiros três meses do ano

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Sete pessoas morreram em contexto de violência domésticas nos primeiros três meses do ano, revelou na sexta-feira a PJ, avançando que, entre 2020 e março de 2025, as mortes neste âmbito representaram praticamente 25% do total de investigações por homicídios.

Os dados foram avançados hoje durante o seminário sobre violência doméstica, que decorreu no edifício da Polícia Judiciária, em Lisboa, pelo coordenador de investigação criminal da PJ, Pedro Maia, que sublinhou que “o valor do contexto da violência doméstica é elevado e expressivo”.

Os dados revelam que, no total, foram registados 588 inquéritos investigados pela Polícia Judiciária e, destes, 145 são inquéritos por homicídio em contexto de violência doméstica, representando 24,65% do total.

Só nos primeiros três meses do ano, os registos da Polícia Judiciária revelam a existência de 41 inquéritos por homicídio, sendo que seis destes inquéritos aconteceram em contexto de violência doméstica.

Nestes seis inquéritos, há a registar sete vítimas, seis do sexo feminino e uma do sexo masculino, sendo que os dados não especificam, no entanto, quantas vítimas são menores de idade.

Olhando para a distribuição geográfica, e também relativamente aos primeiros três meses do ano, dois inquéritos de homicídio em contexto de violência doméstica referem-se a Setúbal, outros dois a Lisboa, um ao Porto e outro a Braga.

Neste tipo de crime, entre 2020 e o primeiro trimestre de 2025, a arma branca foi o tipo de arma mais utilizada, identificada em 51 inquéritos, seguida da arma de fogo, 37 inquéritos, e da força física, habitualmente através da asfixia, em 26 inquéritos.

No mesmo seminário, o procurador-geral da República defendeu que, nos casos de violência doméstica, não deve ser a vítima a abandonar a casa e o ambiente familiar, mas sim o agressor, e apelou para que sejam feitas mudanças neste sentido.

“Pretendo sensibilizar a senhora ministra da Justiça no sentido de que, no meu ponto de vista, o agressor é que deve abandonar a casa e não a vítima. Não faz sentido a situação atual e devemos pensar essa situação”, defendeu Amadeu Guerra.

Governo: Montenegro prevê executivo a “planar para a esquerda, para a direita”, mas sempre em frente

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foto: Arlindo Homem

O primeiro-ministro reivindicou esta sexta-feira uma posição central no panorama político português e previu um Governo “a planar”, umas vezes mais para a esquerda, outras mais para direta, “mas sempre para a frente”.

No início do primeiro Conselho de Ministros do XXV Governo Constitucional, que hoje ficou completo com a posse dos secretários de Estado, o executivo tirou uma foto de família na residência oficial de São Bento, em ambiente descontraído.

Primeiro, posaram para os repórteres de imagem o primeiro-ministro e os 16 ministros, a quem os fotógrafos iam pedindo para subir degraus para evitar sítios de sol e sombra.

“Nós ainda vamos subir mais nos próximos anos”, gracejou Luís Montenegro, enquanto lhes fazia a vontade.

Em seguida, foram chamados os 43 secretários de Estado para nova foto e, mais uma vez, foi em resposta a pedidos da imagem – que precisava de mais pessoas do lado esquerdo – que surgiram pequenos comentários políticos do primeiro-ministro.

“Excecionalmente para a esquerda”, começou por dizer Montenegro, com risos dos governantes.

Depois, questionado pelos jornalistas se as negociações vão ser mais à esquerda ou mais à direita – ou seja, mais com o PS ou mais com o Chega -, acrescentou: “Nós como somos centrais tanto vamos um bocadinho para um lado como um bocadinho para o outro”.

Já à pergunta se será assim que prevê governar, o primeiro-ministro deu uma resposta um pouco mais completa.

“Exatamente, sempre com esta forma muito polivalente de andar a subir, a descer, a planar, para a esquerda, para a direita e para o centro, mas sempre para a frente”, afirmou.

Montenegro já não deu uma resposta tão direta à pergunta se estava preocupado com as previsões do Banco de Portugal, mais pessimistas do que as do Governo sobre a economia.

“Não. O que me dá preocupação é olhar para cada português todos os dias e melhorar a condição de vida dele próprio”, disse, apenas.

Durante a preparação da fotografia de grupo, o primeiro-ministro já tinha dito estar “confiante e otimista” quanto ao futuro do segundo executivo PSD/CDS-PP que irá liderar.

“Nós acreditamos muito em Portugal, isso é o que interessa”, disse, quando questionado se este executivo é mais forte do que o XXIV, que caiu antes do primeiro ano em funções pela rejeição de uma moção de confiança ao Governo, uma crise política que teve no centro a empresa da sua família.

Os ministros e secretários de Estado foram chegando a São Bento pouco antes das 15:00, para essa primeira reunião de todo o Governo, que não tem previsto qualquer ‘briefing’ no final.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu posse aos 43 secretários de Estado do XXV Governo Constitucional numa cerimónia no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, depois de na quinta-feira ter empossado no mesmo local o primeiro-ministro e os 16 ministros.

O segundo Governo chefiado por Luís Montenegro tem um total de 60 elementos, um terço dos quais mulheres.

A Assembleia da República vai debater entre 17 e 18 de junho o programa do XXV Governo Constitucional, que as direções do PS e do Chega já deram indicação de que não irão inviabilizar, enquanto o PCP anunciou que irá apresentar uma moção de rejeição.

A coligação AD (PSD/CDS-PP), liderada por Luís Montenegro, venceu as eleições legislativas sem maioria absoluta, elegendo 91 deputados em 230, dos quais 89 são do PSD e dois do CDS-PP.

O Chega passou a ser a segunda maior força parlamentar, com 60 deputados, seguindo-se o PS, com 58, a IL, com nove, o Livre, com seis, o PCP, com três, e BE, PAN e JPP, com um cada.

Luís Montenegro é primeiro-ministro desde 02 de abril do ano passado, após um ciclo de oito anos de governação do PS.

Homem que matou a ex-namorada em Matosinhos condenado a 25 anos de prisão

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O homem de 43 anos que atropelou e matou a ex-namorada em junho de 2024, em Matosinhos, no distrito do Porto, foi condenado a 25 anos de prisão.

A 06 de junho de 2024, o homicida, que está em prisão preventiva, deslocou-se no seu carro até ao local de trabalho da ex-companheira, em Matosinhos, esperou que saísse e começasse a caminhar pelo passeio.

A mulher estava a caminhar quando este “acelerou fortemente”, subiu o passeio e embateu com o carro contra ela, projetando-a para a estrada.

“De seguida, por sete vezes (em manobras de avanços e recuos) o arguido passou com os rodados do veículo por cima do corpo da vítima, com especial incidência na zona da cabeça, provocando-lhe a morte”, recorda a acusação.

Guns N’ Roses arrasaram no Estádio Cidade de Coimbra: uma noite épica para os fãs do rock

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O Estádio Cidade de Coimbra foi palco de um espetáculo inesquecível na noite de sexta-feira, 6 de junho de 2025, quando os lendários Guns N’ Roses subiram ao palco para o seu aguardado concerto em Portugal. Integrado na digressão europeia “Because What You Want & What You Get Are Two Completely Different Things”, o evento atraiu milhares de fãs que vibraram com os clássicos da banda e com a estreia de duas novas músicas.

A noite começou com a enérgica atuação dos Rival Sons, que aqueceram o público para o que estava por vir. Às 20:00, os Guns N’ Roses tomaram o palco, liderados por Axl Rose, acompanhados por Slash e Duff McKagan. O espetáculo foi marcado por momentos de pura adrenalina, incluindo a estreia ao vivo das inéditas “Atlas Shrugged” e “Nothing”, que receberam uma resposta calorosa dos fãs.

Com um alinhamento que percorreu os maiores êxitos da banda, o concerto em Coimbra ficará na memória como um dos momentos altos desta digressão histórica. A próxima parada da banda será em Barcelona, no dia 9 de junho, onde prometem continuar a sua jornada pelo continente europeu. ‎

Heavy metal e fado, uma relação com potencial mas ainda pouco explorada

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As “linhas comunicantes” entre o heavy metal e o fado, assim como o potencial desta relação, protagonizam uma comunicação na 7.ª Conferência Bienal da Sociedade Internacional sobre os Estudos da Música Metal, que arrancou hoje em Sevilha, Espanha.

A comunicação, prevista para sexta-feira, é do investigador e compositor português David Miguel, doutorando em estudos artísticos na Universidade de Coimbra, que explicou à Lusa que a relação entre o fado e a música ‘metal’ portuguesa teve os primeiros exemplos na década de 1990, com casos como os Moonspell, mas foram pontuais e é, por isso, uma relação que “não está muito explorada”.

“Começaram a aparecer mais coisas a partir dos anos 2010, que ligam o ‘metal’ e o fado”, afirmou David Miguel, que deu como exemplo o caso “um pouco inaugural” de um álbum, “Fado Metal”, de 2013 do guitarrista Ricardo Gordo, a que se seguiram “outras bandas que começam a integrar a guitarra portuguesa”.

O investigador explicou que “a ligação do fado com o ‘metal’” tem “duas dinâmicas principais”: a guitarra portuguesa e a voz.

No caso da guitarra portuguesa, tem vindo a crescer na última década, mas no âmbito da voz há menos exemplos e um caminho ainda menos explorado, segundo David Miguel, que referiu, neste âmbito, um trabalho recente de Paula Teles, o álbum “Entre Paredes”, criado no âmbito do centenário de Carlos Paredes, como “uma tentativa mais sólida” de “juntar tudo num álbum conceptual”.

Segundo David Miguel, como acontece com o heavy metal de outros países, o ‘metal’ português incorpora desde os anos 1980 manifestações “ou identificadores” da cultura nacional, nomeadamente ao nível da língua e do uso de iconografia e “de um imaginário cultural geral”.

Há, por exemplo, frequentes referências ao mar ou aos navegadores portugueses, assim como a presença da palavra saudade, mas também casos como um álbum dos Moonspell dedicado ao terramoto de Lisboa de 1755 (“1755”, de 2017).

Trata-se de uma presença na música ‘metal’ de “identificadores da cultura” portuguesa e de acontecimentos históricos nacionais que se tem mantido ao longo de décadas, até hoje, e “perfeitamente em linha” com o que acontece com o ‘heavy metal’ de outras nacionalidades, sublinhou o investigador.

“Mas quando falamos de ‘metal’ português falta o fado”, disse David Miguel, que realçou que existem, porém, “linhas comunicantes” entre os dois géneros.

“O fado é melancólico, triste, lamentoso, tem um certo peso, algo que partilha com um certo universo emocional, emotivo, que também está presente no ‘metal’. O ‘metal’ é conhecido como uma música pesada e isto são linhas comunicantes entre os dois géneros”, afirmou.

David Miguel insiste numa “amplificação” da relação do fado e do heavy metal português, que o transformaria em “algo único” e, na opinião do investigador, com potencial a nível internacional, por ser um traço distintivo, tal como aconteceu noutros países e continentes.

O investigador deu o exemplo do “metal asiático” ou “metal oriental”, designações que são associadas a um determinado instrumento ou a uma certa sonoridade de escalas.

“A presença de identificadores da cultura portuguesa no ‘metal’ está perfeitamente em linha com a presença de identificadores de outras culturas no ‘metal’ dos respetivos países. O que, provavelmente, não está assim tão feito é a amplificação dessas características. E se fossem amplificadas, se calhar, os fãs do metal descobririam que há em Portugal outros géneros de música que também lhes poderiam trazer o mesmo tipo de satisfação”, afirmou David Miguel, cuja área de investigação atual é a “música clássica e o heavy metal”.

A 7.ª Conferência Internacional Bienal de Estudos sobre a Música Metal decorre até sexta-feira, em Sevilha, organizada pela Sociedade Internacional sobre os Estudos da Música Metal (ISMMS, na sigla em inglês), de cuja direção faz parte David Miguel. A conferência de 2025 tem o apoio de diversas universidades espanholas.

Até sexta-feira, estão previstas mais de 100 comunicações de investigadores de diversos países e continentes, relacionadas com o heavy metal e abarcando âmbitos tão diversos como a musicologia, a sociologia, a cultura, a psicologia ou “a demografia dos fãs”.

David Miguel explicou à Lusa que a ISMMS nasceu há mais de uma década e depois de, nos anos de 1990, ter “começado a surgir o interesse sociológico nesta área de estudos” e de, já no arranque do século XXI, “se ter começado a abrir o leque das áreas de interesse no estudo do heavy metal como género de música em diversas perspetivas”. A ISMMS publica há dez anos uma revista científica.

“Penso que talvez haja alguma necessidade de a Sociedade [a ISMMS] e de os ‘metal studies’ se ligarem um pouco mais à indústria, ou seja, estudarem um bocadinho mais o ponto vista dos negócios, dos modelos de negócio, como sobrevivem os artistas. Não tanto só o interesse sociológico, mas também mais a musicologia”, defendeu David Miguel, a propósito do universo atual dos estudos da música metal.

GNR apreendeu em maio quase 11 mil artigos contrafeiros em feiras e mercados

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Quase 11 mil artigos contrafeitos, a maioria peças de roupa e sapatilhas, no valor de mais de 60 mil euros foram apreendidos pela GNR durante uma operação de fiscalização realizada em maio em feiras e mercados.

Num comunicado hoje divulgado, a Guarda Nacional Republicana dá conta dos resultados da operação “Trademark” que se realizou junto de feirantes e vendedores de mercados e feiras com o objetivo de “identificar e neutralizar circuitos de venda de produtos contrafeitos e usurpados”.

Segundo a corporação, da operação resultaram 54 autos de notícia, no âmbito do Código da Propriedade Industrial, a apreensão de 10.861 artigos contrafeitos, num valor estimado de 60.581,72 euros, e 408 contraordenações, nomeadamente por infração ao regime de bens em circulação e legislação rodoviária.

Fonte da corporação disse à Lusa que a maioria dos artigos contrafeitos apreendidos foram artigos de vestuário e sapatilhas.

Durante a operação, que mobilizou 753 militares de diversas unidades da GNR, foram fiscalizados 1.215 veículos e 65 feiras e mercados fiscalizados.

A GNR indica também que no ano passado apreendeu 117.088 artigos contrafeitos com um valor estimado em mais de um milhão de euros.

No comunicado e no âmbito do Dia Mundial Anti-Contrafação, que se assinalou na quinta-feira, a GNR alerta para os impactos negativos da contrafação na economia, na saúde, na segurança dos consumidores e no ambiente.

“A contrafação constitui uma ameaça crescente à escala global, com especial incidência nas faixas etárias mais jovens, comprometendo a saúde pública, a segurança dos cidadãos, a sustentabilidade dos mercados legítimos e agravando os riscos associados ao acesso a conteúdos ilegais online, nomeadamente ao nível da cibersegurança”, refere.

Esta prática ilícita, frequentemente associada a redes de criminalidade organizada, acarreta, segundo esta polícia, prejuízos significativos para o tecido empresarial e económico, além de promover, em simultâneo, circuitos comerciais paralelos.

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