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Sexta-feira, Julho 3, 2026
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Família angolana descobre no quintal paiol com mais de 40 engenhos explosivos

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Um paiol de materiais explosivos, com mais de 40 engenhos, foi descoberto por uma família no quintal da sua residência, num bairro nos arredores da cidade do Luena, capital da província angolana do Moxico, noticiou na segunda-feira a imprensa local.

O depósito de explosivos, já degradados, foi encontrado quando a família cavou um buraco para deposição de resíduos sólidos.

Segundo o comandante do Pelotão de Engenharia do Comando da Região Militar Leste das Forças Armadas Angolanas (FAA), subtenente Fernando Cassule, o material bélico, composto por 32 minas de 60 milímetros, nove cargas de UG7 e quatro recargas de minas, terá sido deixado na época dos conflitos armados em Angola, tendo em conta o seu estado de degradação.

“Caso detonasse iria afetar a população, porque teria um raio de ação de 25 a 50 metros, felizmente, não aconteceu e fomos a tempo de remover”, disse Fernando Cassule, apelando à população para ter cuidado, “porque esse subsolo está cheio de engenhos explosivos”.

O oficial das FAA sublinhou que as forças armadas estão a desminar as reservas fundiárias e as estradas, mas não foram ainda verificadas as áreas habitacionais.

A proprietária da casa, Florinda Sozinho, salientou que há dez anos reside naquele local, sem qualquer suspeita sobre a presença daquele material no seu quintal.

“Vivíamos sem desconfiança de que havia algo do género aqui no nosso quintal”, referiu Florinda Sozinho, em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA).

Angola, que viveu uma guerra civil de quase três décadas, é um dos países do mundo com maior extensão territorial contaminada ainda por minas terrestres e, desde o fim da guerra, em 2002, leva a cabo o seu processo de desminagem.

O Presidente angolano quer o país livre de minas até 2027 e anunciou, em outubro de 2024, que vão ser investidos nos próximos dois anos cerca de 240 milhões de dólares (220 milhões de euros) no programa de desminagem.

Homem morre em acidente de trabalho no concelho da Batalha

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Um homem de 52 anos morreu esta segunda-feira num acidente de trabalho numa empresa no concelho da Batalha, distrito de Leiria, disseram à agência Lusa fontes da Proteção Civil e da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Segundo fonte da GNR, o alerta para o acidente foi feito às 14:08.

Segundo o comandante do Destacamento Territorial de Leiria da GNR, capitão Ricardo Monteiro, o trabalhador “estava a abrir uma vala e ficou soterrado”.

Ao local acorreram 27 operacionais apoiados por 13 viaturas, dos bombeiros voluntários da Batalha e da Maceira, Instituto Nacional de Emergência Médica, GNR, Serviço Municipal de Proteção Civil e Autoridade para as Condições de Trabalho.

A coordenadora municipal da Proteção Civil, Viviane Ascenso, adiantou que o acidente de trabalho ocorreu numa empresa de materiais de construção civil, na localidade de Cela.

Viviane Ascenso disse que o trabalhador residia no concelho e as circunstâncias do acidente de trabalho estão a ser investigadas pelas autoridades.

A remoção da vítima mortal demorou várias horas devido ao terreno arenoso e de argila onde ocorreu o acidente de trabalho, explicou a coordenadora.

Concerto gratuito com Mariza em Coimbra no dia 21 celebra 735 anos da Universidade

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Um concerto de entrada gratuita, comemorativo dos 735 anos da Universidade de Coimbra (UC), foi esta segunda-feira anunciado para dia 21, no Pátio das Escolas, com atuações da fadista Mariza e do grupo de música antiga The Wandering Bard.

O espetáculo, intitulado “Flores do Verde Ramo”, comemora ainda os 700 anos da morte do rei D. Dinis e integra a programação do projeto Sons da Cidade, que visa assinalar o 12.º aniversário da inscrição da “Universidade de Coimbra, Alta e Sofia” na lista do Património Mundial da UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Apesar da entrada gratuita, o concerto obriga à apresentação de bilhetes, cujo levantamento, no máximo de dois por pessoa, pode ser feito a partir de dia 16 na Loja de Turismo da UC e no Convento São Francisco.

Em nota enviada à agência Lusa, a Universidade de Coimbra frisou que o evento cultural promovido anualmente pela Associação RUAS – Recriar a Universidade, Alta e Sofia decorre, este ano, entre os dias 16 e 22, sob o signo da reflexão e da intervenção artística com o tema “Versos do Tempo, Vozes do Património”.

Segundo o comunicado, o programa multidisciplinar “convida à reflexão e intervenção sobre o património e à revisitação de espaços e de obras culturais, através de concertos, apresentações de projetos e visitas guiadas”.

O Sons da Cidade arranca no dia 16, uma segunda-feira, com a apresentação do estudo prévio da requalificação do complexo da Associação Académica de Coimbra, pelo arquiteto Gonçalo Byrne.

Na terça-feira, 17, na Sala do Senado da UC, é apresentado o plano de gestão da “Universidade de Coimbra, Alta e Sofia” e, ainda no tema do património, no sábado, dia 21, a atividade Estaleiro Aberto leva os interessados a duas visitas às obras em curso no edifício dos Gerais.

No último dia da programação, um domingo, dia 22 – data em que se completam 12 anos sobre a classificação da UNESCO – decorrerá, pela manhã, uma visita acompanhada aos colégios da Rua da Sofia, um concerto de músicos da Orquestra Clássica do Centro, no edifício-ponte da mesma rua (sobre a avenida Central) às 18:30, e a primeira exibição do documentário “Salatinas: Memórias da Velha Alta de Coimbra”, produzido por Tiago Cerveira, Rafael Vieira e Filipa Queiroz, às 21:15, no largo da Porta Férrea.

Liga Nações: Montenegro diz que conquista lusa revela “país que acredita em si próprio”

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foto: Arlindo Homem

O primeiro-ministro considerou na segunda-feira que a conquista da Liga das Nações pela seleção portuguesa de futebol, no domingo, “é um estímulo de um país que acredita em si próprio”.

Luis Montenegro falava aos jornalistas na cidade francesa de Nice, onde esteve a participar na terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano, que se iniciou ontem.

O primeiro-ministro assistiu em Munique, na Alemanha, à vitória portuguesa na final frente à Espanha, por 5-3 no desempate através de grandes penalidades, após o empate 2-2 no prolongamento, na companhia do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Tivemos uma jornada de portugalidade e daquilo que é um estímulo de um país que acredita em si próprio. Nós conseguimos bater-nos contra aquela que é porventura a seleção mais competitiva do mundo nesta altura, por estes anos, conseguimos recuperar de desvantagem, o que é desde logo significativo e não foi uma vez, foram duas vezes”, salientou o chefe do executivo.

Montenegro elogiou o feito, que reeditou o triunfo na edição inaugural, em 2019, ambicionando repeti-lo noutras áreas.

“Isso é bom, acontece no futebol mas também pode acontecer noutras áreas. No mar, na economia, nas empresas, na cultura. Fiquei, de facto, satisfeito em nome do povo português e com sua excelência o Presidente da República pudermos expressar o nosso sentimento de gratidão e de orgulho”, rematou.

Seis anos depois de ter derrotado os Países Baixos na final da edição inaugural (1-0), no Porto, Portugal reconquistou a Liga das Nações e isolou-se no palmarés da mais jovem competição continental de seleções da UEFA, ao chegar à segunda conquista em quatro edições, deixando para trás a Espanha, vitoriosa em 2023, e a França, campeã em 2021.

Operação da GNR de Leiria faz 11 detidos e apreende centenas de doses de droga

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Uma operação da GNR de Leiria resultou na detenção de 11 pessoas por suspeita de tráfico de droga e na apreensão de centenas de doses de cocaína e heroína, num valor comercial superior a 8.300 euros.

No âmbito de uma investigação que decorria há cerca de um ano e meio, o Núcleo de Investigação Criminal (NIC) do Destacamento Territorial de Leiria deteve na madrugada de domingo sete homens e quatro mulheres, com idades compreendidas entre os 19 e os 58 anos, nos concelhos de Leiria e Porto de Mós (distrito de Leiria) e Santarém, disse à agência Lusa o comandante territorial de Leiria, Ricardo Monteiro.

Segundo o capitão da GNR, os militares da Guarda deram cumprimento de 11 mandados de detenção e 25 mandados de busca, 13 domiciliárias e 12 mandados de busca não domiciliária, nomeadamente em viaturas, nas localidades de Mira de Aire e Porto de Mós (distrito de Leiria), Alcanena, Minde, Santarém e Vila Moreira (distrito de Santarém).

“Os detidos faziam do tráfico o seu modo de vida. O cabecilha, de 37 anos, abastecia-se em diversos pontos do país e fornecia os outros intermediários, nas zonas onde fizemos as buscas”, explicou à Lusa Ricardo Monteiro.

O comandante acrescentou que três dos detidos têm antecedentes criminais por tráfico de droga, enquanto outros sete já estiveram envolvidos em outros tipos de crimes como furtos, burlas ou ofensas à integridade física.

Da ação operacional resultou a apreensão de 393,40 doses de cocaína e 47,70 doses de heroína, cujo valor comercial ronda os 7.860 euros e 470 euros, respetivamente, revelou Ricardo Monteiro.

A GNR apreendeu ainda 21.031 euros em numerário, uma viatura ligeira, uma pistola, duas caçadeiras, uma arma branca, gás pimenta, munições, cinco balanças de precisão, 26 telemóveis e diversos artigos eletrónicos.

A operação contou com o reforço dos militares do Destacamento Territorial de Leiria, da Secção de Informações e Investigação Criminal de Leiria, do Núcleo de Investigação Criminal de Pombal e do Destacamento de Intervenção de Leiria, do Comando Territorial de Aveiro, do Comando Territorial de Coimbra, do Comando Territorial de Lisboa, do Comando Territorial de Santarém e ainda do Grupo de Intervenção e Ordem Pública e do Grupo de Intervenção e Operações Especiais, da Unidade de Intervenção da GNR.

Os detidos foram esta segunda-feira presentes ao juiz de instrução do Tribunal de Leiria, cujas medidas de coação ainda não foram determinadas.

Incêndios: Mais duas equipas na sub-região da Grande Lisboa de olhos no resto do país

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A sub-região da Grande Lisboa tem um ligeiro aumento de meios no dispositivo de combate a incêndios rurais, com mais duas equipas, totalizando 286 operacionais, segundo o comandante Hugo Santos, permitindo reforçar outras zonas do território continental.

Segundo o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Grande Lisboa, aquela região vai ter este ano “mais duas equipas” em comparação com o ano passado, “uma ECIN [equipa de combate a incêndios] e uma ELAC [equipa logística de apoio ao combate] a mais”, que “são mais sete elementos”, com “o envolvimento de 286 operacionais dos corpos de bombeiros” entre 01 de julho e 30 de setembro.

“Além disto, contamos sempre aqui com a disponibilidade dos restantes elementos e dos restantes corpos de bombeiros” e, “face àquilo que é a quantidade e disponibilidade de meios e recursos na sub-região da Grande Lisboa, acaba por ser aqui uma sub-região que fornece meios de reforço para o restante território de Portugal continental”, salientou Hugo Santos, em declarações à Lusa.

No âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2025, entre 01 de julho e 30 de setembro, a sub-região da Grande Lisboa contará com um “total de 47 equipas de combate e 21 equipas logísticas de apoio ao combate”, envolvendo 286 operacionais apoiados por 68 viaturas.

A sub-região, que abrange os concelhos de Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Odivelas, Oeiras, Mafra, Sintra e Vila Franca de Xira, na margem norte do Tejo, contará ainda com cinco equipas de Sapadores Florestais do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), adiantou Hugo Santos.

“Neste momento não está identificado nenhum constrangimento, [e] à imagem daquilo que tem sido também a colaboração da sub-região da Grande Lisboa com a sub-região do Alto Minho”, vão-se “deslocar também bombeiros aqui da sub-região para o Alto Minho, durante o mês de julho, agosto e setembro, para reforçar aquele dispositivo e garantir também ali um apoio à resposta que possa vir a ser necessária”, explicou.

Nesta fase do DECIR, a sub-região conta já com 21 equipas de combate e 10 equipas de apoio e com o comandante de permanência às operações no comando sub-regional, que irá manter-se até ao final da época de incêndios, prevendo-se que, em outubro, passa para 19 equipas de combate e nove equipas de apoio.

“Portanto, contamos aqui com um dispositivo robusto, consolidado com base naquilo que têm sido as lições aprendidas dos anos anteriores e também com base naquilo que é a grande disponibilidade dos elementos dos corpos de bombeiros de Lisboa”, frisou Hugo Santos.

Em termos de meios aéreos, o comandante sub-regional disse estar “a aguardar a entrada do meio aéreo” previsto para o centro de meios aéreos em Mafra, mas dispõe de “um helicóptero bombardeiro ligeiro que já entrou ao serviço” no Montijo e que “cobre a totalidade da sub-região da Grande Lisboa”.

“Além desse, tem também intervenção direta no âmbito do ataque inicial, o helicóptero bombardeiro ligeiro que está posicionado no centro de meios aéreos da Lourinhã e depois, naturalmente, contamos com o restante dispositivo de âmbito nacional que, em caso de necessidade, poderá atuar aqui na sub-região”, avançou.

Em relação ao nível da capacidade de ataque inicial aos incêndios, Hugo Santos considerou “bastante positivo, quer em termos de área ardida, quer em termos de tempos de resposta”.

No ano passado, os valores do combate no início dos incêndios situaram-se “em 97,99%” dentro do período do ataque inicial, de 90 minutos, e nas mais de quatro centenas de intervenções registadas “o tempo médio de resolução foram 27 minutos”, o que revela “o trabalho desenvolvido, quer pelo comando sub-regional, quer por todas as entidades” envolvidas.

O comandante notou ainda que, ao nível de prontidão, em 2024, “o despacho do primeiro meio, seja ele terrestre ou aéreo, fixou-se em 38 segundos”, a “saída do primeiro veículo em quatro minutos” e “a chegada média às 402 ocorrências fixaram-se em 12 minutos”, pois todos os incêndios “começam pequenos” e, se não forem debelados à nascença, corre-se “o risco de perder aquilo que é a eficácia no ataque inicial”.

Hugo Santos aproveitou para deixar o apelo habitual para que os cidadãos evitem “comportamentos de risco nos espaços rurais e florestais”, principalmente “naqueles dias em que as condições meteorológicas são mais propícias à propagação dos incêndios”, bem como manter “a limpeza das faixas à volta dos aglomerados populacionais e das habitações, de forma a garantir que, em caso de ocorrência, pelo menos, as pessoas tenham ali outra segurança, incluindo das suas propriedades”.

Pentágono vai enviar cerca de 700 fuzileiros para Los Angeles

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O Departamento de Defesa (Pentágono) norte-americano planeia enviar cerca de 700 fuzileiros para a cidade de Los Angeles para apoiar militares da Guarda Nacional na resposta aos protestos contra a detenção de imigrantes, segundo altos responsáveis.

De acordo com a agência AP, que obteve junto de três fontes anónimas confirmação da decisão de envio dos militares, estes partirão da base em Twentynine Palms, no deserto do sul da Califórnia, para a maior cidade do estado.

O envio dos militares foi inicialmente noticiado pela CNN, que também apontou o envio de 700 efetivos, embora alguns media apontem para um dispositivo inferior.

Um alto funcionário norte-americano confirmou à AFP o envio de 500 militares, devido “ao aumento das ameaças contra as autoridades federais e os edifícios federais”, que terão como missão proteger.

Sindicato dos guardas prisionais apresenta queixa contra Mamadou Ba

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional avançou com uma queixa contra o ativista antirracismo Mamadou Ba, a propósito de uma publicação nas redes sociais que criticava a atuação dos guardas prisionais.

De acordo com a informação inicialmente avançada pela CNN e confirmada pela Lusa, a queixa foi enviada esta segunda-feira para o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e o sindicato que representa os guardas prisionais pede uma indemnização de 4 milhões de euros.

“O valor da indemnização foi calculado através do número de guardas prisionais que existem. Temos cerca de 4 mil guardas e pedimos mil euros por cada guarda”, explicou à Lusa o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Frederico Morais, acrescentando que o valor da indemnização que possa ser determinada pelo tribunal será enviado para as alas pediátricas do Instituto Português de Oncologia do Porto e de Lisboa.

No mês passado, em 22 de maio, Mamadou Ba escreveu nas redes sociais que “é conhecida a história de linchamentos, torturas e assassinatos de pessoas negras na indústria carcerária, a nível global”.

“Tenho sempre muitas dificuldades em acreditar em ‘mortes naturais’ e, muito menos, em ‘suicídios’ de pessoas negras nas prisões. A minha convicção é que a probabilidade de serem mortas pela violência dos guardas prisionais é mais alta do que qualquer outra possibilidade de morte natural ou suicídio”, lê-se na publicação do ativista, feita a propósito da notícia de um suicídio em ambiente prisional.

Em outubro do ano passado, Mamadou Ba foi condenado ao pagamento de 2.400 euros por difamação do militante de extrema-direita Mário Machado, no caso ligado à morte do cabo-verdiano Alcindo Monteiro em 1995, em Lisboa.

Também nas redes sociais, o ativista considerou Mário Machado uma das figuras principais do homicídio de Alcindo Monteiro no Bairro Alto.

Comunidade Islâmica de Lisboa alerta para ataques contra muçulmanos em Portugal

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A Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) alertou esta segunda-feira para as “acusações infundadas” contra os muçulmanos em Portugal, recordando que a liberdade de religião é um direito de todos os portugueses.

A CIL “sente-se na obrigação de, com serenidade, mas com toda a clareza, responder à vaga de acusações infundadas que têm sido dirigidas à nossa comunidade e, de forma mais geral, aos muçulmanos que vivem em Portugal”, refere a direção da comunidade, num comunicado divulgado hoje.

A comunidade manifesta preocupação com o aumento de “publicações e discursos que, distorcendo factos ou recorrendo a simplificações perigosas, tentam construir a ideia” de que a presença dos muçulmanos “representa uma ameaça”, acusa a CIL, sem especificar.

A difusão destas mensagens, “quase sempre enraizadas no preconceito ou na má-fé, (…) mina a convivência e fere os princípios que sustentam a sociedade portuguesa”, acrescenta a comunidade, que reafirma o respeito das leis nacionais.

“A nossa fé é parte do que somos, mas nunca foi, nem será, um obstáculo à nossa participação plena na sociedade”, defende a CIL, acrescentando: “Fazemos parte deste país. Estamos aqui há décadas. Aqui estudamos, trabalhamos, criamos os nossos filhos, contribuímos como todos os demais para a vida coletiva”.

Há uma semana, um cidadão afegão foi condenado a 25 anos de prisão por ter esfaqueado mortalmente duas pessoas no Centro Ismaili de Lisboa, mas a CIL refere que qualquer caso individual não deve afetar a reputação dos muçulmanos, que têm sido visados também pela extrema-direita em Portugal.

Para a direção da CIL, “as responsabilidade são individuais”, pelo que, “se alguém, seja quem for, muçulmano ou não, cometer um crime, que responda por isso, mas como indivíduo”.

“Não podemos aceitar é que atos isolados sejam usados como desculpa para atacar uma religião inteira ou uma comunidade que vive em paz”, sustenta a comunidade, que se mostra preocupada com os tempos atuais, em que “a desinformação vale mais do que a verdade” e em que existe uma “divisão criada entre ‘nós’ e ‘eles’”.

“Portugal é um estado de Direito, plural e laico” e a liberdade de religião é um direito consagrado na Constituição, que não pode ser posto em causa por “discursos que vivem do medo e da provocação”.

Nesse sentido, a CIL pede a todos – “jornalistas, líderes de opinião, autoridades e cidadãos” – para que sejam vigilantes, porque o “discurso de ódio não é apenas ruído: é uma semente que, se ignorada, pode dar frutos amargos” e a “história está cheia de exemplos”.

Perante estes ataques, a CIL “continuará a fazer o seu caminho com dignidade” na sociedade portuguesa: “Não nos deixaremos intimidar, não nos deixaremos afastar dos valores que nos unem. Estamos aqui. Está é a nossa casa, esta é a nossa pátria e é aqui que queremos continuar a construir e contribuir, com todos”.

Ucrânia: Kiev anuncia troca de prisioneiros com Moscovo para “a próxima semana”

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A Ucrânia anunciou no domingo que a troca de prisioneiros e corpos de soldados mortos no conflito com a Rússia, agendada para este fim de semana, ocorrerá “na próxima semana”, após Moscovo e Kiev se acusarem mutuamente de atrasar o processo.

“O início das operações de repatriação, com base nos resultados das negociações de Istambul, está agendado para a próxima semana. […] Tudo está a correr conforme o planeado”, disse o chefe da inteligência militar ucraniana, Kyrylo Boudanov, que voltou a acusar Moscovo de “jogos de informação desleais”.

Boudanov acusou Moscovo de se desviar do plano acordado em Istambul para a troca dos corpos dos soldados mortos, afirmando que o processo estava previsto para começar na próxima semana e não neste fim de semana, como alega a Rússia.

“O início das medidas de repatriação com base nos resultados das negociações em Istambul está previsto para a próxima semana, conforme informado às pessoas autorizadas na terça-feira”, informou o Centro de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra no Telegram.

No comunicado, a instituição denunciou, como já havia feito no dia anterior, que a Rússia está a tentar exercer “pressão mediática” e “ditar unilateralmente os parâmetros do processo de troca”, e descreveu como “cínicas” as “tentativas dos propagandistas russos de especular sobre o sofrimento humano”.

As palavras de Kiev surgem depois de o vice-ministro da Defesa russo, tenente-general Alexandr Fomin, ter afirmado hoje esperar que a Ucrânia confirme que aceitará receber os corpos dos soldados ucranianos mortos em combate, como acordado na última ronda de negociações em Istambul.

“Aguardamos uma confirmação oficial da parte ucraniana de que procederá à recuperação dos corpos”, declarou o militar à imprensa russa, acrescentando que também integra a delegação negocial em Istambul. Fomin lamentou que nem na sexta-feira, nem no sábado, a Ucrânia tenha confirmado a receção dos cadáveres.

O vice-ministro assegurou que a Rússia está preparada para repatriar mais de 6.000 corpos, que poderão ser transportados por camiões ou comboios.

“Não farei comentários sobre a polémica em torno de uma eventual politização desta decisão. Trata-se de uma ação puramente humanitária, e não é a primeira. Infelizmente, também não será, ao que tudo indica, a última”, frisou.

O responsável assegurou ainda que a parte russa está disposta a cumprir “todos os acordos, tanto no que diz respeito à devolução dos corpos de militares ucranianos mortos em combate, como no que toca à troca de prisioneiros”.

No sábado, o chefe da delegação russa nas negociações, Vladimir Medinski, acusou a Ucrânia de “adiar indefinidamente” a troca de prisioneiros de guerra com menos de 25 anos, doentes graves e feridos.

Por sua vez, a Ucrânia acusou a Rússia de manipulação pelas alegações de que Kiev teria adiado a troca por tempo indefinido, e questionou a real capacidade de decisão da equipa negocial russa, sublinhando o incumprimento de compromissos assumidos.

“Apelamos à parte russa para que não crie obstáculos artificiais nem difunda declarações falsas que impeçam a devolução dos prisioneiros ucranianos e para que não transfira os seus para a Rússia”, declarou o Ministério da Defesa da Ucrânia, num comunicado divulgado no Telegram.

Na nota, assinada pelo ministro Rustem Umerov, chefe da delegação ucraniana, denuncia-se mais uma tentativa de “reverter” os acordos de Istambul, o que “volta a levantar dúvidas sobre o grau de autoridade e capacidade da equipa negocial russa”.

O comunicado termina com um apelo à Rússia para “pôr fim aos jogos sujos” e regressar ao trabalho construtivo, com vista à implementação dos compromissos “nos próximos dias”.

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