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Quinta-feira, Julho 2, 2026
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Governo quer alargar direito à nacionalidade a bisnetos de portugueses

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Portugal vai eliminar o acesso direto à nacionalidade por parte dos judeus sefarditas e alargar o direito à nacionalidade portuguesa aos bisnetos de portugueses, nos casos de nascidos no estrangeiro, anunciou o Governo.

Na apresentação de um pacote de medidas sobre política migratória após o conselho de ministros, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, disse que o Governo vai “alterar o caminho de naturalização por ascendência portuguesa”.

O objetivo é que a “naturalização ocorra até aos bisnetos”, disse o ministro.

Atualmente, a legislação permite a concessão da naturalização aos indivíduos nascidos no estrangeiro com, pelo menos, um ascendente de segundo grau (até ao neto) da linha direta de nacionalidade portuguesa.

Estão afastados deste regime “os netos dos portugueses que perderam a nacionalidade no âmbito dos processos de descolonização, bem como os netos dos que se tenham naturalizado estrangeiros.

Na conferência, o ministro disse ainda que vai propor a “extinção do regime de naturalização extraordinário de sefarditas portuguesas”.

A lei atual “tinha um intuito de reparação histórica”, foi um regime que “teve o seu tempo” pelo que deixa agora de existir, acrescentou Leitão Amaro.

Israel/Irão: Trump diz que países acordaram “cessar-fogo completo e total”

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira que Israel e Irão chegaram a acordo para um “cessar-fogo completo e total” a ser implementado no prazo de 24 horas.

“PARABÉNS A TODOS! Foi plenamente acordado entre Israel e o Irão que haverá um CESSAR-FOGO completo e total (daqui a aproximadamente 6 horas, quando Israel e o Irão tiverem acalmado e concluído as suas missões finais em curso!), durante 12 horas, altura em que a guerra será considerada TERMINADA!”, afirmou Trump na rede social Truth.

Oficialmente, adiantou, o Irão “iniciará o CESSAR-FOGO e, à 12ª hora, Israel iniciará o CESSAR-FOGO”; à “24ª hora, o FIM Oficial da GUERRA DE 12 DIAS será saudado pelo mundo”.

A publicação de Trump foi feita numa altura em que as agências noticiosas iranianas Fars e Mehr relatavam explosões potentes no centro de Teerão, que se seguiram a um aviso israelita de bombardeamentos iminentes, e enquanto o Irão lançou um alerta para evacuação de Ramat Gan, nos arredores de Telavive, ameaçando atacar.

“Partindo do princípio que tudo funcionará como deve ser, o que funcionará, gostaria de felicitar ambos os países, Israel e Irão, por terem a Resistência, a Coragem e a Inteligência para pôr fim ao que deveria ser chamado ‘A GUERRA DE 12 DIAS’”, referiu ainda o Presidente norte-americano.

“Esta é uma guerra que poderia ter durado anos e destruído todo o Médio Oriente, mas não destruiu nem nunca destruirá! Deus abençoe Israel, Deus abençoe o Irão, Deus abençoe o Médio Oriente, Deus abençoe os Estados Unidos da América e DEUS ABENÇOE O MUNDO!”, conclui Trump.

O Irão retaliou hoje pela “Operação Martelo da Meia-Noite”, o bombardeamento norte-americano no fim de semana às suas instalações de enriquecimento de urânio e produção de combustível nuclear em Isfahan, Natanz e Fordo.

A agência de notícias governamental iraniana Irna, citando um comunicado da Guarda Revolucionária, afirmou que seis mísseis iranianos atingiram hoje uma base norte-americana no Qatar, em retaliação aos bombardeamentos dos Estados Unidos a instalações nucleares em território iraniano.

O número de mísseis utilizados “foi o mesmo que o número de bombas que os Estados Unidos utilizaram para atacar as instalações nucleares iranianas”, indicou o Conselho de Segurança Nacional iraniano.

O alvo, Al Udeid é a maior base norte-americana do Médio Oriente, localizada nos arredores de Doha e albergando cerca de 10.000 soldados, que tinham previamente sido retirados.

A resposta do Irão surgiu horas depois de a embaixada dos Estados Unidos no Qatar ter recomendado que os cidadãos norte-americanos residentes no país se abrigassem “até novo aviso”.

Antes da publicação de Trump, o Pentágono afirmou que não houve registo de baixas norte-americanas no ataque iraniano à Base Aérea de Al Udeid com mísseis balísticos de curto e médio alcance.

Outra fonte oficial de segurança, citada pela EFE, acrescentou que o Comando Central dos EUA (Centcom) “defendeu-se com sucesso do ataque”.

Trump agradeceu esta noite ao Irão por ter avisado antecipadamente do ataque “muito fraco” que fez hoje a Al Udeid.

Segundo o Presidente norte-americano, foram disparados contra a base norte-americana de Al Udeid, no Qatar, 14 mísseis, dos quais 13 foram abatidos e um seguiu numa “direção não ameaçadora”.

“Quero agradecer ao Irão por nos ter avisado com antecedência, o que tornou possível que nenhuma vida se perdesse e que ninguém ficasse ferido”, afirmou ainda o Presidente norte-americano.

O ataque levou ao encerramento do espaço aéreo do Bahrein e do Kuwait, cujas autoridades já anunciaram entretanto a reabertura total.

Também o Qatar já anunciou a reabertura do seu espaço aéreo.

A guerra entre Israel e o Irão foi desencadeada em meados de junho por bombardeamentos israelitas contra território iraniano, levando à retaliação de Teerão.

O conflito, que já fez centenas de mortos e feridos de ambos os lados, assumiu uma nova dimensão com os bombardeamentos pelos Estados Unidos de várias instalações nucleares iranianas, incluindo o complexo de Fordo.

Fordo, que tem com capacidade de enriquecimento de urânio a 60%, segundo os especialistas, fica localizado a cerca 100 quilómetros a sul de Teerão, cuja área metropolitana tem uma população de 14 milhões de pessoas.

Governo admite medidas para combustíveis se existirem subidas significativas e duradouras

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O Governo acompanha a evolução do preço dos combustíveis, mas considera que para já os impactos “são largamente potenciais”, não descartando tomar medidas se existirem agravamentos “simultaneamente muito significativos e duradouros”, disse na segunda-feira o ministro da Presidência.

Questionado pelos jornalistas sobre se o Governo pondera tomar medidas à luz da subida dos preços dos combustíveis, o ministro da Presidência referiu que “não houve nenhuma deliberação sobre esta matéria” no Conselho de Ministros de ontem, mas que a evolução da situação internacional foi discutida “em vários âmbitos”.

António Leitão Amaro sublinhou, no entanto, que o Governo está atento e a acompanhar a evolução dos preços e assegurou que se se registarem “agravamentos que sejam simultaneamente muito significativos e duradouros, o Governo naturalmente tomará medidas para esse efeito”.

O governante fez ainda referência ao “agravamento significativo” do conflito entre Israel e Irão neste fim de semana, que assumiu uma nova dimensão com os bombardeamentos pelos Estados Unidos de várias instalações nucleares iranianas, e sublinhou que “os efeitos na formação dos preços “irão sentir-se mais à frente”.

Para já, “esses impactos ainda são largamente potenciais”, indicou Leitão Amaro, lembrando ainda que “Portugal tem o seu fornecimento de petróleo e de gás muito assente em origens atlânticas”, ou seja, em geografias que não o Médio Oriente, e com muitos contratos de longo prazo, isto apesar de reconhecer que as tensões geopolíticas têm impacto na formação de preços destas matérias-primas nos mercados internacionais.

Perante a escalada do conflito e a espada de Dâmocles do encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do tráfego marítimo de petróleo, os preços do crude subiram cerca de 1%.

No caso do Brent, a referência na Europa, depois de ter subido esta manhã acima dos 81 dólares por barril na abertura dos mercados, estava a avançar 0,94% para 76,20 dólares.

Entretanto, a referência americana, o West Texas Intermediate (WTI), subia 0,99% para 74,55 dólares, antes da abertura dos mercados.

OMS vê progresso na luta contra o tabaco apesar da interferência da indústria

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou os progressos alcançados nos últimos 20 anos no combate ao tabagismo, mas alertou para a “crescente interferência” da indústria para neutralizar as políticas de controlo e prevenção.

A posição da OMS consta do relatório Epidemia Global do Tabaco de 2025, que concluiu que os avanços mais significativos resultaram das advertências para a saúde, por vezes muito gráficas, incluídas nos rótulos dos produtos ou em campanhas mediáticas, que tornam “os malefícios do tabaco impossíveis de ignorar”.

Atualmente, 110 países exigem avisos sobre os malefícios para saúde do consumo de tabaco – mais 101 do que em 2007 –, uma medida que ajuda a proteger 62% da população mundial, adiantou o documento.

Esta medida junta-se a outras cinco incluídas na Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco (CQCT), através da qual a OMS compara a evolução entre 2007 e 2023 de um problema de saúde que causa mais de sete milhões de mortes por ano em todo o mundo.

Além dos alertas, a OMS propõe, numa lista denominada MPOWER, “monitorizar o uso do tabaco e as políticas de prevenção, proteger a população do fumo do tabaco, oferecer ajuda para deixar de fumar, impor proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco e aumentar os impostos” sobre esses produtos.

O relatório apresentado hoje em Dublin, na Irlanda, refere que 155 países implementaram pelo menos uma destas seis medidas desde 2007, enquanto mais de 6,1 mil milhões de pessoas — cerca de 75% da população mundial — “estão protegidas por pelo menos” uma, em comparação com mil milhões de há 20 anos.

Quatro países — Brasil, Maurícias, Países Baixos e Turquia — adotaram totalmente o MPOWER, enquanto Espanha, Irlanda, Etiópia, Jordânia, Eslovénia e Nova Zelândia estão a uma medida de atingir “o nível mais elevado de controlo do tabaco”, de acordo com o estudo.

No entanto, existem “lacunas significativas” nesta matéria, lamentou a OMS, dado que 40 países ainda não têm uma única medida MPOWER adotada e mais de 30 permitem a venda de cigarros sem as advertências sanitárias obrigatórias.

O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, realçou que, 20 anos após a adoção da CQCT, existem “muitos sucessos a celebrar”, mas observou que “a indústria do tabaco continua a evoluir”.

“Nós também devemos evoluir. Ao unir a ciência, as políticas e a vontade política, podemos criar um mundo onde o tabaco não ceife mais vidas, prejudique economias ou roube futuros. Juntos, podemos acabar com a epidemia do tabaco”, salientou o responsável da organização.

No seu relatório, a OMS detetou uma “tendência crescente” na atenção aos cigarros eletrónicos e aos dispositivos de vaporização, dado que o número de países que os regulam ou proíbem aumentou de 122 em 2022 para 133 em 2024, em comparação com 60 que ainda não têm qualquer regulamentação.

A OMS constatou ainda que, “apesar da sua eficácia”, 110 países não realizaram campanhas antitabagismo desde 2022 e, por isso, instou as autoridades a investirem em projetos com mensagens “avaliadas e verificadas”.

Outras das áreas do MPOWER que apresentaram progressos incluem a tributação, a assistência para a cessação tabágica e a proibição de publicidade, embora o relatório tenha enfatizado a necessidade de melhorias.

Cerca de 134 países não conseguiram tornar os cigarros menos acessíveis aos consumidores, enquanto apenas três países aumentaram os impostos sobre o tabaco para níveis de “prática recomendada” desde 2022.

Em relação ao apoio ao combate à dependência da nicotina, apenas 33% da população mundial tem acesso a serviços gratuitos para a cessação tabágica, de acordo com o documento, que enfatiza ainda a exposição ao fumo do tabaco entre os não fumadores, que causa anualmente cerca de 1,3 milhões de mortes.

Israel/Irão: Trump agradece ao Irão por ter avisado do ataque “muito fraco”

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, agradeceu ao Irão por ter avisado antecipadamente do ataque “muito fraco” que fez hoje a uma base militar dos Estados Unidos no Qatar, que não fez vítimas nem causou danos substanciais.

“O Irão respondeu oficialmente à nossa destruição das suas instalações nucleares com uma resposta muito fraca, o que esperávamos e que combatemos com muita eficácia”, afirmou Trump na rede social Truth.

Segundo o Presidente norte-americano, foram disparados contra a base norte-americana de Al Udeid, no Qatar, 14 mísseis, dos quais 13 foram abatidos e um seguiu numa “direção não ameaçadora”.

“Tenho o prazer de informar que NENHUM americano foi ferido e quase nenhum dano foi causado. Mais importante ainda, [os iranianos] tiraram tudo do seu ‘sistema’ e, espero, não haverá mais ÓDIO”, adiantou Trump.

“Quero agradecer ao Irão por nos ter avisado com antecedência, o que tornou possível que nenhuma vida se perdesse e que ninguém ficasse ferido. Talvez o Irão possa agora prosseguir para a Paz e a Harmonia na Região, e eu encorajarei Israel com entusiasmo a fazer o mesmo”, afirmou ainda o Presidente norte-americano.

Noutra publicação, Trump afirmou “PARABÉNS MUNDO, É HORA DA PAZ!”.

Marcelo diz que Portugal não teve conhecimento de ataque ao Irão

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foto: Arlindo Homem

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, garantiu na segunda-feira sintonia com o Governo em matéria de política externa e assegurou que Portugal não teve conhecimento prévio do ataque dos Estados Unidos ao Irão.

“A posição do Presidente da República é muito simples, está em sintonia com o Governo, não há uma política externa do Presidente e outra do Governo,” afirmou Marcelo, em resposta aos jornalistas em Luanda, questionado sobre o pedido de explicações do Irão a Portugal face à utilização da Base das Lajes.

Sublinhando que Portugal não teve conhecimento prévio do ataque deste fim de semana e que a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos decorreu de um pedido “normal” no âmbito de um acordo bilateral, Marcelo frisou que Portugal mantém uma posição de “contenção” e aposta na “via diplomática” face à escalada entre Israel e Irão.

“Estamos na linha da posição do Secretário-Geral das Nações Unidas, de vários dirigentes europeus, nomeadamente o Presidente do Conselho Europeu: primeiro, preocupação com a gravidade da situação; segundo, apelo à contenção de todos os intervenientes; terceiro, que seja reaberta a via diplomática,” resumiu.

O Presidente da República explicou que foi informado pelo Executivo sobre o pedido dos EUA para estacionar aeronaves de reabastecimento na base dos Açores, mas garantiu que não houve qualquer indicação de uso ofensivo.

“Esse pedido foi formulado pelos Estados Unidos para a permanência na base, no quadro do acordo dos anos 90, para aeronaves abastecedoras, para abastecer a frota americana no Atlântico, quer naval, quer aérea. É uma situação normal, conhecida e foi notificada ao Governo, que deu conhecimento ao Presidente. Não havia nada na notificação que apontasse para um ataque,” assegurou.

Em declarações à Rádio Renascença, o Embaixador do Irão em Lisboa disse que iria questionar o governo português sobre a neutralidade portuguesa e sobre a utilização norte-americana da base militar nos Açores. “Se alguém participa numa qualquer guerra, por qualquer motivo, é parte dessa agressão”, salientou o diplomata iraniano.

Marcelo desvalorizou o risco de Portugal ser arrastado para o conflito, afirmando que”Portugal respeita os princípios das Nações Unidas” e “privilegia a via diplomática para soluções duradouras, não para soluções aparentes ou episódicas.”

O Governo português confirmou no domingo a autorização para que 12 aviões reabastecedores dos EUA utilizassem a Base Aérea das Lajes, nos Açores, no contexto de um acordo de cooperação datado dos anos 1990. Segundo o Ministério da Defesa, trata-se de um procedimento habitual, com notificações feitas normalmente com 72 horas de antecedência, e que os aparelhos são apenas de apoio logístico, sem fins ofensivos.

Questionado sobre o aumento da despesa militar para cumprir as metas da NATO, Marcelo disse que o “orçamento é muito flexível” e que Portugal “tem margem” para acomodar uma subida para 2% do PIB.

“Acresce que se discute na União Europeia a afetação de fundos não utilizados do PRR a outros usos sociais ou de segurança. Portanto, tudo indica que é possível cumprir”, reforçou.

Relativamente ao objetivo europeu de aumentar a despesa para 5% até 2032 ou 2035, Marcelo sublinhou que o tema ainda será discutido na próxima cimeira da NATO e lembrou que estas metas poderão ser reavaliadas consoante a evolução do contexto económico e político.

“Há uma proposta de reponderação ao longo do percurso, destacou.

O Presidente, que fez escala em Luanda e segue viagem na terça-feira para Maputo, para participar na celebração dos 50 anos de Independência de Moçambique, garantiu que, tal como em relação à Ucrânia, Portugal continuará a defender soluções pacíficas.

“Naturalmente, eu penso que não há ninguém que não queira a paz. É natural, na natureza humana, o querer resolver os conflitos e querer a paz. Do que se trata depois, é de saber como é que se desenvolvem esses conflitos, como é que há possibilidades de criar espaço para haver paz. E, desde logo, cessar fogo pode ser um primeiro passo para a paz, se for sustentável, consistente, sério, respeitando outros princípios”, realçou.

Alta-costura usa curtumes ligados à desflorestação ilegal, revela investigação

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Casas de moda famosas recorrem a fornecedores de curtumes “seriamente expostos” a explorações pecuárias ilegais e desflorestação na Amazónia brasileira, na região da próxima conferência da ONU sobre o clima, segundo uma investigação da organização britânica “Earthsight”.

A investigação aponta o dedo a diversas empresas da alta-costura mas especialmente a uma, Coach, uma casa de moda norte-americana que a investigação liga a um gigantesco matadouro brasileiro com um registo de compra de milhares de bovinos criados em terras ilegalmente desflorestadas.

“Casas de moda de prestígio estão a comprar couro a empresas cuja cadeia de abastecimento está ligada a explorações pecuárias ilegais na parte mais desflorestada da floresta amazónica brasileira, onde as negociações sobre o clima deverão ter início em novembro”, diz o estudo, referendo-se à reunião da ONU sobre o clima, a COP30.

O grupo de investigação sem fins lucrativos “Earthsight” analisou decisões judiciais, imagens de satélite, e registos de envios, e infiltrou-se mesmo no setor, para ligar a Coach com a cadeia ilegal de bovinos. A empresa de moda não comentou as acusações, hoje divulgadas mundialmente num comunicado a que a Lusa teve acesso.

No comunicado destaca-se que quase toda a perda recente da Amazónia no Brasil é causada pela criação de gado, muitas vezes ilegal. Diz-se que o estado mais afetado é o Pará, onde uma área com quase o dobro do tamanho de Portugal foi queimada nas últimas duas décadas.

O Brasil comprometeu-se a acabar com toda a desflorestação no país até 2030 e escolheu o Pará para acolher as negociações internacionais sobre o clima, a primeira COP a ter lugar numa região de floresta tropical.

De acordo com a investigação quase todo o couro que sai do Pará vai para Itália (incluindo o do matadouro suspeito), especialmente para duas fábricas de curtumes na região de Vêneto, a Conceria Cristina e a Faeda, onde é processado e rebatizado como couro italiano. A empresa Coach é um “comprador regular”.

Na investigação refere-se que a Coach reorientou o marketing para a chamada “geração Z”, um segmento de consumidores seletivo e ambientalmente consciente. Conhecida pelas malas de couro vendidas entre 300 e 600 euros, as vendas dispararam 332% no ano passado, com um dos maiores crescimentos na Europa.

Na página oficial na internet a empresa diz que dá prioridade a matérias-primas alternativas, como restos de produção, resíduos pós-consumo e matérias-primas de base biológica, que são metade do material usado. E diz ter a missão de “avançar para um futuro mais circular”, que quando usa novos materiais estes são de base biológica, e que compensa a emissões de carbono.

Segundo a investigação, outros compradores de uma ou das duas empresas italianas de curtumes são marcas como Chanel, Chloé, Hugo Boss, as marcas Fendi e Louis Vuitton do grupo LVMH, bem como as marcas Balenciaga, Gucci e Saint Laurent do Grupo Kering.

Todas disseram que não usavam couro brasileiro mas a Fendi e a Hugo Boss iniciaram uma investigação e a Chanel revelou que terminou recentemente a relação com a Faeda depois de ter perdido a confiança no seu sistema de rastreabilidade. A Chloé foi a única marca a fornecer à “Earthsight” uma metodologia detalhada de rastreio do couro.

Coach, Fendi, Louis Vuitton e Hugo Boss têm um sistema de certificação de sustentabilidade chamado “Leather Working Group”, que não exige o rastreio do gado até aos locais onde foi criado. O grupo admitiu que a certificação não é uma garantia de não desflorestação.

O Pará, segundo a investigação, é a região onde os indígenas mais sofreram com o desmatamento. O povo Parakanã tem sofrido décadas de invasões de terras, com seis ataques armados registados apenas nos últimos seis meses. O matadouro ligado à cadeia de fornecimento da Coach é acusado pelo Ministério Público Federal de comprar gado criado ilegalmente em território Parakanã.

“Os consumidores de produtos de luxo esperam que as etiquetas de preço elevado ofereçam algumas garantias de que não estão a contribuir para a desflorestação ou o roubo de terras indígenas. Esta investigação mostra que esta confiança é infundada”, disse, citado na investigação, Rafael Pieroni, líder da equipa da Earthsight para a América Latina.

E Marie Toussaint, vice-presidente do Grupo parlamentar dos Verdes/ALE (Aliança Livre Europeia), comentou que a investigação mostro que mesmo as grandes casas de moda europeias correm o risco de ficar exposta à destruição da Amazónia. E destacou a importância da aplicação do regulamento europeu contra a desflorestação, para acabar com a “cumplicidade silenciosa entre o consumo europeu e a desflorestação”.

Nas últimas décadas, as empresas ocidentais de bens de consumo deixaram um rasto de devastação nos biomas do mundo e uma série de compromissos falhados para limpar as suas cadeias de abastecimento.

Os europeus terão em breve um regulamento sobre a desflorestação, que exige que as empresas provem que o couro e outros produtos de base que utilizam estão “livres de desflorestação”. A lei já deveria estar em vigor, mas foi adiada para 30 de dezembro de 2025 após pressão da indústria.

Pedido dos EUA para estacionar 12 aviões reabastecedores nas Lajes seguiu “procedimento habitual”

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O Ministério da Defesa Nacional confirmou hoje a presença de 12 aviões reabastecedores dos EUA na Base das Lajes, Açores, indicando que o pedido das autoridades norte-americanas foi feito na quarta-feira e que se tratou de um “procedimento habitual”.

Na sexta-feira, a Lusa tinha constatado que estavam na Base das Lajes, nos Açores, 12 aviões reabastecedores da Força Aérea norte-americana, mas fontes do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (EUA) não quiseram comentar se a presença destas aeronaves estava relacionada com a situação no Médio Oriente.

Esta presença levou a pedidos de esclarecimentos ao Governo por parte de vários partidos, nomeadamente PS, Bloco de Esquerda, PCP e Livre.

Em comunicado, o Ministério da Defesa Nacional veio hoje à noite confirmar a presença dos aparelhos aéreos, indicando que “no passado dia 18 de junho, [quarta-feira] os EUA solicitaram, através de nota diplomática, autorização para 12 aviões reabastecedores utilizarem a Base das Lajes, a qual foi concedida”.

“Nessa notificação, é referido que a missão das aeronaves é apoiar a Força Naval norte-americana no Atlântico”, acrescenta o ministério na mesma nota informativa.

A tutela liderada por Nuno Melo assegura que “este é um procedimento habitual” e sublinha que “ao abrigo do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os EUA a utilização da Base das Lajes para o estacionamento ou trânsito de aviões militares está sujeito a autorização prévia do Estado português” e que o país “concede autorizações específicas, trimestrais ou permanentes de sobrevoo e aterragem, não apenas aos EUA, mas a muito outros países”.

Com base nestas autorizações, “o estacionamento de aeronaves militares é normalmente notificado com 72 horas de antecedência ou com antecedência mais curta, devido à imprevisibilidade de algumas missões”, explica o ministério.

O Ministério da Defesa Nacional refere ainda que os aviões que se encontram nos Açores são “aviões de reabastecimento aéreo”, não se tratando de meios aéreos ofensivos.

O Governo esclarece ainda que “não passam meios de combate norte-americanos pela Base das Lajes há mais de um mês” e que para além deste pedido, emitido, “pelas vias regulares e adequadas, não houve mais nenhum contacto por parte das autoridades dos EUA”.

Incêndios: Mais de 60 concelhos de nove distritos em perigo máximo

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Mais de 60 concelhos de Faro, Bragança, Guarda, Vila Real, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Santarém e Portalegre estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O IPMA colocou também vários concelhos de todos os distritos de Portugal continental em perigo muito elevado e elevado de incêndio.

De acordo com os cálculos do instituto, o perigo de incêndio vai manter-se elevado em alguns distritos, pelo menos, até ao fim de semana.

Este risco, determinado pelo IPMA, tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

O IPMA prevê para hoje no continente céu com períodos de muita nebulosidade e aguaceiros, que poderão ser localmente fortes, de granizo e acompanhados de trovoadas, em especial no interior e a partir da tarde.

A previsão aponta ainda para uma pequena subida da temperatura máxima no litoral Norte e Centro e pequena descida no interior Centro e na região Sul.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 15 graus Celsius (em Setúbal) e os 21 (em Portalegre e Castelo Branco) e as máximas entre os 25 (em Aveiro) e os 34 (em Bragança).

João Almeida vence Volta à Suíça com triunfo na última etapa em cronoescalada

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O ciclista português João Almeida (UAE Emirates) venceu este domingo a Volta à Suíça, ao triunfar na oitava e última etapa em cronoescalada, em que anulou a diferença de 33 segundos para o então líder, o francês Kévin Vauquelin (Arkéa-B&B Hotels).

João Almeida, que ao longo da clássica helvética fez um esforço enorme para anular os três minutos de atraso que somou na primeira etapa, foi o mais rápido no contrarelógio em subida de 10 quilómetros, entre Beckenried e Stockhütte, que cumpriu em 27.33 minutos.

O austríaco Félix Gall (Decathlon AG2R La Mondiale) fez o segundo melhor tempo, a 25 segundos de João Almeida, o britânico Oscar Onley (Team Picnic PostNL) o terceiro, a 1.12 minutos, e Kevin Vauquelin quarto, a 1.40, perdendo a amarela.

O ciclista português terminou a Volta à Suíça em 29:29.01 horas, com uma vantagem de 1.01 minutos sobre o francês Kévin Vauquelin e 1.58 sobre o britânico Oscar Onley.

João Almeida, que em 2024 foi segundo, junta a Volta à Suíça aos triunfos na Volta à Romandia e ao País Basco e passa a integrar um grupo restrito de ciclistas que conseguiu três vitórias na mesma época em provas de uma semana do World Tour.

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