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Quinta-feira, Julho 2, 2026
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Pedidos em massa de nacionalidade levam Governo a propor nova lei com efeitos imediatos

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A proposta de alteração da lei da nacionalidade entregue no parlamento pelo Governo (PSD/CDS) tem efeitos a 19 de junho, para fazer face aos pedidos em massa entregues após as eleições legislativas.

No diploma ontem entregue e a que a Lusa teve acesso, “propõe-se em geral a aplicação do novo regime da nacionalidade apenas para o futuro, com uma importante exceção: os procedimentos do regime-regra da naturalização pendentes à data da futura publicação da lei, mas que tenham sido iniciados após o dia 19 de junho de 2025, data em que foi viabilizado o Programa do XXV Governo Constitucional”.

Segundo o texto do próprio diploma, o Governo considera que, “desde o período eleitoral que se sabia ser intenção da Coligação vencedora imprimir uma maior exigência ao regime da nacionalidade portuguesa, no sentido de garantir que a mesma tem sempre subjacente uma ligação efetiva e genuína à comunidade nacional”.

Na ocasião, “ficou claro para todos – cidadãos e imigrantes – que, entre outras modificações de relevo, os requisitos temporais e materiais da naturalização iriam ser elevados em densidade e alargados em número” pelo que, após a viabilização parlamentar do programa do executivo, “gerou-se um movimento de submissão massiva de pedidos de aquisição da nacionalidade por naturalização”, refere a proposta de lei.

Esses requerimentos, considera o Governo, “constituem antes uma tentativa de última hora de beneficiar dos requisitos altamente permissivos do regime jurídico cessante”, que previa um prazo de residência em Portugal de cinco anos para aceder à cidadania.

O novo diploma prevê um prazo mínimo de autorização de residência regular de sete anos no caso de cidadãos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e de dez nos restantes, impondo regras muito mais apertadas.

“Esse recurso abusivo e tardio” é prevenido pelo diploma ao considerar por base a “viabilização do Programa do Governo”.

O programa, refere a proposta, constitui “um documento eminentemente político, beneficia de ampla publicidade e ao qual a Constituição associa consequências jurídicas importantes, a começar pela entrada do Governo em plenitude de funções”.

Governo diz que atrasos no socorro a utente que morreu se devem a falta de zelo e não à greve

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

O Ministério da Saúde esclareceu que a demora no socorro que levou à morte de um utente em Pombal estão relacionadas com alegada falta de zelo de dois profissionais que intervieram no processo, e não com a greve no INEM.

Numa nota divulgada depois de ser conhecido o resultado do relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) relativo ao atraso no socorro a um utente de 53 anos, do Pombal, que morreu no dia 04 de novembro, em que se conclui que a morte do utente “poderia ter sido evitada caso tivesse havido um socorro, num tempo mínimo e razoável”, “que tornasse possível a retirada e transporte da vítima através de uma Via Verde Coronária para um dos hospitais mais próximo”, o Ministério da Saúde sublinha que o inquérito afasta qualquer relação com a greve no INEM.

Segundo a versão do relatório conhecida – diz o Ministério da Saúde – “a eventual demora na chegada do socorro do INEM, e ao contrário do que foi aventado por alguns, não é atribuída à existência de greve no INEM, nem sequer a uma demora no atendimento da chamada pelo CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes]”.

Na nota, citando a versão do relatório da IGAS que lhe foi enviado, o Ministério diz que “as causas da demora serão outras” e que estarão relacionadas “com a alegada “falta de zelo, de cuidado e de diligência” de dois profissionais que intervieram no processo de socorro”.

Sobre esses comportamentos, o relatório refere que os profissionais “não atua[ram] segundo as boas práticas da emergência médica” e que se lhes “exigia outra atitude mais célere e expedita, em concreto na triagem e despacho de meios”, acrescenta.

Afastando assim a relação da greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar do INENM com esta morte, o Ministério refere que, segundo o relatório a que teve acesso, as causas das falhas no socorro terão, alegadamente, sido “comportamentos individuais subsequentes ao atendimento da chamada de emergência”.

INEM abre processo disciplinar e acata recomendações da inspeção-geral da saúde

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O INEM assegurou que vai abrir um processo disciplinar na sequência do relatório da IGAS, que concluiu que a morte de um homem em novembro, quando decorreu uma greve no instituto, poderia ter sido evitada.

“O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) vai seguir as recomendações da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). Dados os indícios, vai ser aberto um processo disciplinar para aclarar a situação e tomar as medidas proporcionais”, adiantou o instituto em resposta à Lusa.

A IGAS divulgou hoje que a morte de um homem de 53 anos, em 04 de novembro de 2024, poderia ter sido evitada se tivesse sido socorrido num tempo mínimo e razoável.

“Concluiu-se que a morte do utente poderia ter sido evitada caso tivesse havido um socorro, num tempo mínimo e razoável, que tornasse possível a evacuação da vítima através de uma Via Verde Coronária para um dos hospitais mais próximos, onde poderia ser submetido a angioplastia coronária numa das respetivas unidades hemodinâmicas”, adiantou a inspeção-geral em comunicado.

De acordo com a IGAS, as conclusões do inquérito foram enviadas ao INEM, para que o conselho diretivo decidisse sobre a instauração de um procedimento disciplinar a uma técnica de emergência pré-hospitalar, por haver indícios da prática de conduta infratória na prestação de socorro à vítima, mas também sobre a manutenção da prestação de serviços a um médico, pela “gravidade dos factos praticados na prestação de socorro à vítima”.

Este caso remonta a 04 de novembro de 2024, dia em decorreu, em simultâneo, duas greves – uma dos técnicos de emergência pré-hospitalar às horas extraordinárias e outra da administração pública.

A inspeção-geral abriu vários inquéritos para apurar a eventual relação entre 12 mortes e os alegados atrasos no atendimento Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM durante a greve.

Na reação, o Ministério da Saúde afirmou hoje que a demora no socorro que levou à morte do homem em Pombal está relacionada com alegada falta de zelo de dois profissionais que intervieram no processo e não com a greve no INEM.

Numa nota divulgada depois de ser conhecido o resultado do relatório, ministério de Ana Paula Martins sublinha que o inquérito afasta qualquer relação com a greve no INEM.

Segundo a versão do relatório conhecida – diz o Ministério da Saúde – “a eventual demora na chegada do socorro do INEM, e ao contrário do que foi aventado por alguns, não é atribuída à existência de greve no INEM, nem sequer a uma demora no atendimento da chamada pelo CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes]”.

Na nota, citando a versão do relatório da IGAS que lhe foi enviado, o Ministério diz que “as causas da demora serão outras” e que estarão relacionadas com a alegada “falta de zelo, de cuidado e de diligência” de dois profissionais que intervieram no processo de socorro”.

Em 12 de novembro de 2024, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, anunciou que o INEM passaria a estar na sua dependência direta, alegando que o instituto assumia uma “prioridade enorme” devido ao alarme social que se verificou nessa altura e a necessidade de devolver a confiança à população no sistema de emergência pré-hospitalar.

Nessa altura, Ana Paula Martins afirmou, no parlamento, que assumiria a responsabilidade pelas consequências dos atrasos no atendimento de chamadas do INEM, comprometendo-se a tomar as medidas necessárias para refundar o instituto.

“Está na altura de os africanos pensarem pela sua própria cabeça” – Pepetela

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DR

O escritor angolano Pepetela apresentou na quarta-feira, em Luanda, o seu novo romance, “Tudo-Está-Ligado”, aproveitando o reencontro com os leitores para encorajar os angolanos e os africanos “a começarem a pensar pela sua própria cabeça”.

“Realmente já é a altura de, não só os angolanos, mas os africanos de modo geral, é altura de começarem a pensar e a trabalhar pela sua cabeça. Já é altura de não andarem a pedir sempre conselhos ao exterior”, disse o autor aos jornalistas, à margem da sessão de lançamento.

Conselhos esses que “antes eram impostos” e agora já não são, “mas acaba por se pedir, [porque] estamos habituados a isso”, afirmou Pepetela, frisando que “era bom olhar para dentro por uns tempos” e “pensar as nossas realidades”, partindo da experiência africana, sem receio de ficar isolado.

Na sessão de lançamento, o autor refletiu sobre o título do livro e o sentido de ligação entre lugares e memórias que percorre a narrativa.

“Tudo aquilo que acontece deve ser percebido sempre num contexto global”, afirmou, sublinhando que “Tudo-Está-Ligado” é uma expressão que ultrapassa o romance e serve também como chave de leitura do presente.

O livro, editado em Angola pela Kacimbo, do também autor Ondjaki, tem como protagonista o major Santiago, que, após um acidente, regressa à sua casa de infância em Benguela.

É ali, entre memórias familiares, encontros insólitos com um cão e um gato e a magia das tradições africanas que redescobre um passado interligado com o presente, numa viagem que vai desde a formação dos reinos no Planalto Central à atualidade de Angola.

Pepetela partilhou que o título do livro resultou de um debate interno durante o processo de escrita e que o romance esteve para se chamar “Santiago”, mas acabou por fazer a ligação entre as várias personagens e percebeu que estava tudo ligado.

Revelou ainda que os hífens do título geraram resistências nos editores de Portugal e no Brasil, mas decidiu mantê-los como elemento essencial.

A cidade de Benguela, onde nasceu e viveu até aos 17 anos, surge como espaço central da narrativa, ilustrando a ligação afetiva com a infância e o território angolano.

Pepetela, pseudónimo literário de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, destacou também a importância que dá à História e à Sociologia, que sempre serviram de instrumento à literatura, já que “conhecer o passado é fundamental para conhecer a sociedade atual.

A obra foi publicada em três versões distintas: a original angolana, a portuguesa e a brasileira (adaptadas ao Acordo Ortográfico). “Mas o verdadeiro livro é este”, disse, referindo-se à edição hoje lançada em Angola.

Questionado sobre o legado que deixa para o futuro, foi direto: “Os livros”.

Pepetela, nascido em Benguela, em 1941, é um dos nomes maiores da literatura angolana e lusófona.

Foi guerrilheiro do MPLA durante a luta de libertação e mais tarde desempenhou funções como vice-ministro da Educação no período pós-independência.

A sua obra literária, iniciada nos anos 1970, aborda temas centrais da história e identidade de Angola num estilo marcado pelo realismo histórico, crítica social e elementos do fantástico.

Pepetela foi distinguido com o Prémio Camões em 1997 e o Prémio Especial dos Críticos de São Paulo, em 1993, entre outras distinções literárias.

Proposta do Governo para descidas no IRS já deu entrada no Parlamento

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foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

O Conselho de Ministros aprovou na quarta-feira a proposta de lei para uma redução adicional no IRS no valor de 500 milhões de euros, a aplicar-se ainda este ano, medida que já deu entrada no Parlamento.

Em comunicado, o Conselho de Ministros destacou que a proposta aprovada “permite um novo alívio da carga fiscal, reduzindo adicionalmente as taxas marginais em todos os escalões, até ao 8.º escalão”.

A proposta do Governo prevê decréscimos das taxas de IRS de 0,5 pontos percentuais entre o primeiro e terceiro escalões, 0,6 pontos percentuais entre o quarto e sexto e 0,4 pontos percentuais no sétimo e oitavo.

Na mesma nota, o Conselho de Ministros sublinhou que o Governo quer “aproximar, o mais possível, o valor do imposto retido àquele que é devido no final”.

“Assim, serão aprovadas novas tabelas de retenção na fonte que refletirão a redução de taxas do IRS, com efeito retroativo a janeiro”, pode ler-se.

A medida tinha sido anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, em entrevista à RTP esta noite.

Luís Montenegro disse ainda que a proposta daria entrada “hoje mesmo na Assembleia da República para que possa ser discutido já na próxima semana”.

O primeiro-ministro destacou que esta será já a terceira descida do IRS em governos que lidera e prometeu “continuar a fazê-lo durante a legislatura”.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, esta redução de IRS em todos os escalões, à exceção do mais elevado, permite “aumentar o rendimento disponível, além do que já estava contemplado no Orçamento do Estado para 2025, beneficiando todas as famílias, em especial as da classe média”.

O Governo destacou ainda que, com a redução adicional, os escalões mais baixos e famílias da classe média vão sentir “um alívio fiscal ainda mais significativo face ao que estava previsto para o ano de 2024”.

Doze distritos sob aviso amarelo devido ao calor entre sexta-feira e sábado

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

Doze distritos de Portugal continental vão estar na sexta-feira e no sábado sob aviso amarelo devido ao tempo quente, adiantou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O aviso do IPMA, devido a “persistência de valores elevados da temperatura máxima”, é válido para Bragança, Viseu, Évora, Guarda, Faro, Vila Real, Setúbal, Santarém, Lisboa, Beja, Castelo Branco e Portalegre.

Estará em vigor a partir das 09:00 de sexta-feira, 27 de junho, até às 18:00 de sábado, 28 de junho.

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

Ângela Lourenço, meteorologista do IPMA, tinha adiantado na terça-feira à Lusa que as temperaturas vão subir gradualmente a partir de quinta-feira e até ao fim de semana na ordem dos 10 graus Celsius, prevendo-se em algumas regiões máximas de 40 graus.

De acordo com Ângela Lourenço, em Portugal continental o tempo vai ser influenciado por um anticiclone que deverá posicionar-se a norte da Península Ibérica e de um vale depressionário que vem do Norte de África.

“Esses dois centros de ação vão trazer uma massa de ar mais quente que vai afetar o continente gradualmente a partir de quinta-feira. Já para o final da semana vamos ter valores de temperatura elevados tipicamente de verão e deverão manter-se até ao início da próxima semana”, indicou.

Benfica vence Sporting em casa e empata final da Liga de futsal

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O Notícias Em Direto esteve presente neste jogo através da objetiva do repórter fotográfico Davide Puglisi

O Benfica venceu esta quarta-feira em casa o Sporting, por 7-5, após prolongamento, e igualou, no quarto jogo, a final da Liga portuguesa de futsal, que vai ser decidida no domingo, no recinto dos ‘leões’.

Chishkala, aos 44 e 47 minutos, marcou os dois golos decisivos dos ‘encarnados’, que repetiram o feito do primeiro jogo, então no recinto ‘verde e branco’, nos penáltis, e derrotaram os ‘leões, depois do empate 2-2 no intervalo e 4-4 no tempo regulamentar, igualando também a final 2-2.

O Sporting, que detém 19 títulos, incluindo os últimos quatro, e o Benfica, oito vezes campeão, que não conquista desde 2018/19, disputam o quinto e decisivo jogo no domingo, a partir das 19:00, no Pavilhão João Rocha, em Lisboa.

Israel/Irão: Ministro da Agricultura alerta para instabilidade que pode fazer subir preços

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O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, alertou hoje, no Luxemburgo, para a “dose de imprevisibilidade” trazida pela guerra entre Israel e o Irão, que pode fazer aumentar a inflação.

Referindo haver sempre o risco da subida da inflação, José Manuel Fernandes assegurou que o Governo está atento “e, se necessário, intervirá”, nomeadamente perante um grande aumento dos fatores de produção agrícola, como os combustíveis.

“Há, como todos sabemos, uma dose de imprevisibilidade neste momento e a guerra tanto pode agravar-se como, de repente, acabar”, argumentou o governante, defendendo a necessidade de ser assumida “uma atitude ponderada e não alarmista”.

O ministro referiu também que o auxílio dado aos agricultores – designadamente no âmbito da Política Agrícola Comum, cuja simplificação está a ser negociada – é também “um apoio indireto ao consumidor”.

“Face à instabilidade que é cada vez mais notória na situação geopolítica, a segurança alimentar é cada vez mais importante e, como tenho repetido tantas vezes, é também defesa”, acrescentou José Manuel Fernandes.

Escala que mede dependência dos jovens em videojogos acessível para Portugal

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© João Polónia / Notícias Em Direto

Uma equipa do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), de Coimbra, tornou acessível aos profissionais portugueses de saúde mental uma escala internacional que mede a dependência dos jovens em videojogos.

A adaptação e validação em português europeu da Game Addiction Scale-7 (GAS-7) – desenvolvida pelo investigador holandês Jeroen S. Lemmens e que avalia sete sinais de alerta – permitirá à comunidade clínica de psiquiatras e psicólogos ter uma nova escala para identificar comportamentos e níveis de dependência associados ao uso excessivo de videojogos entre os jovens.

“Esta escala não faz diagnóstico clínico, nenhuma escala ‘per si’ o faz, mas é um complemento à eventual necessidade de um diagnóstico clínico”, explicou à agência Lusa a professora e investigadora do ISMT Ilda Massano Cardoso, que liderou a equipa.

Para a investigadora, a adaptação da escala é importante numa perspetiva preventiva, até em termos em saúde pública, porque em Portugal “não existe uma prevalência muito bem definida da adição aos videojogos, que é um universo muito lato, com várias plataformas”.

“Nesta escala, as perguntas mais importantes relacionam-se com o deixar de ter o contacto social, o isolamento, o só se sentir feliz quando se está a jogar ou o facto de o jogar constituir alternativa à realidade”, acrescentou.

Com esta escala de avaliação da saúde mental será possível perceber “se o hábito de jogar está a causar, na vida dos mais jovens, problemas como o isolamento social, sintomas de abstinência, perda de interesse noutras atividades ou dificuldade em controlar o tempo passado a jogar”.

Os sete sinais de alerta avaliados por esta escala são saliência, tolerância, alteração do humor, recaída, abstinência, conflito e problemas do jogo.

“Permite avaliar com clareza se o tempo passado a jogar está a tornar-se excessivo ou prejudicial, ou seja, quando é que o jogo deixa de ser lazer e passa a tornar-se uma dependência”, referiu Ilda Massano Cardoso.

Na sua opinião, atendendo a que o uso intensivo de videojogos é cada vez mais comum entre adolescentes e jovens adultos, “é essencial que os profissionais de saúde mental tenham à sua disposição instrumentos fiáveis para prevenir e avaliar situações de risco”.

As perguntas feitas são diretas, como “pensaste em jogar jogos todo o dia” ou “descurou outras atividades, como ir à escola, ao trabalho ou praticar desporto, para jogar”.

“O maior sinal de alarme surge quando o utilizador começa a desligar-se da vida real, deixando que o jogo ocupe um lugar central na sua existência”, alertou Ilda Massano Cardoso.

A investigadora defendeu que a prevalência significativa deste problema deve motivar estratégias preventivas de saúde pública, como a regulação do uso saudável de tecnologias, programas educativos em escolas, sensibilização dirigidas a pais e educadores, apoio psicológico e formação e profissionais de saúde e educação.

“Se não conseguimos medir um problema, também não conseguimos acompanhá-lo nem tratá-lo. A GAS-7 – PT dá-nos finalmente esse ponto de partida em Portugal”, frisou.

Segundo o ISMT, “os resultados dos inquéritos exigidos pelo processo de validação em Portugal revelaram que os jovens do género masculino apresentam níveis significativamente mais altos de comportamentos aditivos ligados ao jogo do que as mulheres da mesma idade, um padrão que tem sido observado noutros países”.

O processo de validação da escala pela equipa do ISMT envolveu a auscultação de jovens portugueses e resultou no estudo “European Portuguese Version of the Game Addiction Scale-7: Factor Structure and Psychometric Properties”, publicado na revista científica European Addiction Research.

A investigação foi conduzida por Ilda Massano Cardoso, em colaboração com as investigadoras Filipa Nogueira, Sofia Carvalho Figueiredo e Ana Galhardo.

Portugal está entre os piores da Europa na redução das mortes nas estradas

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Portugal está entre os países europeus com pior desempenho na redução da mortalidade rodoviária, que praticamente estagnou na última década, segundo o Conselho Europeu de Segurança dos Transportes (ETSC).

O relatório anual do Índice de Performance de Segurança Rodoviária (PIN) do ETSC, hoje divulgado, indica que Portugal registou uma redução de 0,6% no número de mortos na estrada entre 2014 e 2024, passando de 638 para 634 mortes.

Ao longo da última década, o número de mortes nas estradas portuguesas praticamente estagnou, contrastando com os progressos registados pela maioria dos Estados-membros da União Europeia, precisa o documento.

Este desempenho coloca Portugal numa posição preocupante quando comparada com a média europeia, que conseguiu uma diminuição de 17,2% no mesmo período.

O ETSC é uma organização independente e sem fins lucrativos dedicada à redução do número de mortes e ferimentos nos transportes na Europa, da qual faz parte a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP).

O organismo, que ressalva que os dados referentes a Portugal são provisórios, indica que no ano passado morreram nas estradas portuguesas 634 pessoas, uma ligeira descida face às 642 vítimas de 2023, representando uma redução de apenas 1,2%.

“Estes valores ficam muito aquém da redução anual de 6,1% necessária para atingir a meta europeia de diminuir as mortes rodoviárias em 50% até 2030”, indica o índice.

A taxa de mortalidade rodoviária portuguesa situa-se nos 60 óbitos por milhão de habitantes, superior à média da União Europeia, que se fixa nos 45 mortos por milhão de habitantes.

De acordo com o relatório, esta diferença sublinha o fosso existente entre Portugal e os países com melhor desempenho em segurança rodoviária, como a Noruega (16 mortes por milhão) e a Suécia (20 por milhão).

O ETSC refere que no ano passado se registaram 20.017 mortes nas estradas da UE, uma diminuição coletiva de 2% em relação a 2023, “ficando muito aquém da redução anual de 6,1% necessária para alcançar a meta da UE de uma redução de 50 % até 2030”.

“Apenas a Lituânia reduziu para metade o número de mortes nas estradas na última década. Dezasseis outros países obtiveram reduções acima da média da UE de 17%, incluindo a Bélgica e a Noruega. No entanto, sete países experimentaram aumentos, como Israel e Holanda”, enquanto Portugal praticamente estagnou, indica o mesmo documento, divulgado pela Prevenção Rodoviária Portuguesa.

Além da estagnação no número de mortes, o índice mostra que Portugal enfrenta “um agravamento preocupante no que respeita aos feridos graves”, que aumentam 24,4% entre 2014 e 2024, uma tendência que contraria “os esforços europeus de redução da sinistralidade”.

O PIN do Conselho Europeu de Segurança nos Transportes indica ainda que este indicador revela que, mesmo quando os acidentes não resultam em morte, a gravidade das lesões tem vindo a intensificar-se.

Face a estes resultados, a PRP alerta, em comunicado, para a necessidade de Portugal reforçar o investimento em segurança rodoviária e acelerar a implementação de medidas preventivas, frisando que “a estagnação dos últimos dez anos não pode continuar se o país pretende alinhar-se com os padrões europeus e cumprir os compromissos assumidos no âmbito das políticas comunitárias de transportes”.

“O relatório PIN 2025 serve como um alerta inequívoco: sem uma mudança de paradigma na abordagem à segurança rodoviária, Portugal corre o risco de ficar progressivamente mais distante dos seus parceiros europeus na proteção dos cidadãos nas estradas”, refere a vice-presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, citada no comunicado.

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) entregou em 2023 ao Governo socialista a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária – Visão Zero 2030, que tem como meta a redução em 50% do número de mortos e feridos graves na estrada até 2030, documento que transitou para o anterior executivo da AD, mas até hoje não foi aprovado.

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