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Quinta-feira, Julho 16, 2026
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ASPP/PSP critica “aproveitamento político e mediático” dos tumultos na região de Lisboa

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) criticou recentemente o “aproveitamento político, jornalístico e mediático” dos tumultos que se seguiram à morte de Odair Moniz, pedindo mais investimento na polícia e no policiamento de proximidade.

“A ASPP/PSP deplora e condena todo o tipo de aproveitamento político, jornalístico e mediático que surgiram neste incidente e sempre que ocorrem outros idênticos”, lê-se num comunicado da estrutura sindical divulgado.

“Admitimos a legitimidade, a importância e a necessidade de informar e comentar, mas criticamos todo o ruído inqualificável, com rotulagens vazias, acusações infundadas, observações sem conhecimento factual dos incidentes e da missão policial, omissão e/ou deturpação da verdade, permanência de vários intervenientes a fazerem-se substituir à Direção Nacional da PSP na abordagem a questões operacionais e outras”, acrescenta o sindicato mais representativo da PSP.

No documento em que lamenta “qualquer perda de vidas”, a ASPP apela à “restituição da ordem e tranquilidade públicas” e manifesta solidariedade “para com os profissionais da PSP que enfrentam, mais uma missão difícil, arriscada, complexa e extremamente exigente”.

Este sindicato questiona também o que foi feito sobre matérias que podem estar “na base destes episódios”, nomeadamente ao nível do policiamento de proximidade.

“A ASPP/PSP não entende como se tem vindo a descurar a ligação fulcral entre as polícias e as comunidades, principalmente com os interlocutores certos, que promovam a uma compreensão e respeito mútuo. Não excluímos, no entanto, a necessidade de restituição da ordem pública, sempre que existam indícios e comportamentos que queiram comprometer essa mesma tranquilidade”, sustenta.

A estrutura sindical aponta que à falta de meios técnicos e operacionais, como os ‘tasers’, as ‘bodycams’, viaturas, instalações e falta de efetivas se juntam o “descurar de um policiamento comunitário”, políticas sociais que criam e mantêm guetos, questões remuneratórias, entre outras.

“A ASPP/PSP reitera que, após estes acontecimentos, deve deixar-se “respirar”- dar tempo ao tempo – aguardar pelas conclusões dos inquéritos e diligências e não reagir impetuosamente ou oportunisticamente. A mediatização em demasia pode fomentar o fenómeno de repetição e impulsos vários. A constante abordagem a agendas criminais e a discussão ou divulgação e comentário sobre o crime, de forma sensacionalista e desenquadrada, como tem acontecido há muito, apenas serve para criar um alarmismo e em nada ajudando ao equilíbrio social”, critica a associação sindical.

A ASPP/PSP manifesta disponibilidade para reunir com o Governo, autarquias, a direção nacional da PSP para uma “abordagem séria, responsável e construtiva”, e justifica a ausência do espaço mediático no que diz respeito a este episódio “enquanto o contexto se basear no ímpeto, no oportunismo, no ruído, no nervosismo, no radicalismo e populismo”, defendendo que esta é uma posição de “responsabilidade e na preservação do interesse dos visados, das instituições, do inquérito e dos processos em curso”.

Odair Moniz, cidadão cabo-verdiano de 43 anos e morador no Bairro do Zambujal, na Amadora, foi baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, no mesmo concelho, e morreu pouco depois, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

Segundo a PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial e “entrou em despiste” na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.

A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigiram uma investigação “séria e isenta” para apurar “todas as responsabilidades”, considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias.

A Inspeção-Geral da Administração Interna e a PSP abriram inquéritos e o agente que baleou o homem foi constituído arguido.

Desde a noite de segunda-feira registaram-se desacatos no Zambujal e, desde terça-feira, noutros bairros da Área Metropolitana de Lisboa, onde foram queimados autocarros, automóveis e caixotes do lixo. Mais de uma dezena de pessoas foram detidas, o motorista de um autocarro sofreu queimaduras graves e dois polícias receberam tratamento hospitalar, havendo ainda alguns cidadãos feridos sem gravidade.

Aktürkoglu marca três na goleada ao Rio Ave para a quarta vitória seguida do Benfica

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foto: Arlindo Homem

O turco Kerem Aktürkoglu marcou hoje três golos na goleada do Benfica na receção ao Rio Ave, por 5-0, em jogo da nona jornada da I Liga portuguesa de futebol.

Aktürkoglu assinou um ‘hat-trick’ na primeira parte do encontro, aos 12, 16 e 45+2 minutos, enquanto Schjelderup, aos 79, e Amdouni, aos 81, deram contornos de goleada ao quarto triunfo seguido dos ‘encarnados’, mantendo o pleno de vitórias no campeonato do treinador Bruno Lage.

O Benfica mantém o terceiro lugar, com 19 pontos, e ainda com a visita ao Nacional em atraso, a dois do FC Porto, segundo classificado, que visita o AVS na segunda-feira, e a oito do líder Sporting, enquanto o Rio Ave, que somou o quinto jogo sem vencer, segue no 13.º posto, com oito.

Governo quer que 40% do investimento do PT2030 seja dirigido a territórios de baixa densidade

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foto: Arlindo Homem

O primeiro-ministro anunciou recentemente a obrigatoriedade de 40% dos fundos comunitários para investimento do PT2030 serem destinados a territórios de baixa densidade, que terão também uma majoração de vinte pontos percentuais na parte a fundo perdido.

O anúncio foi feito por Luís Montenegro, num intevralo da reunião do Conselho de Concertação Territorial, em Faro.

PGR abre inquérito a declarações de Ventura e Pedro Pinto sobre morte de Odair Moniz

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu recentemente um inquérito após queixa-crime de um grupo de cidadãos, incluindo a ex-ministra Francisca Van Dunem, a declarações André Ventura e Pedro Pinto, líder e deputado do Chega, sobre a morte de Odair Moniz.

Em resposta à Lusa, a PGR confirmou “a instauração de inquérito” na sequência da queixa-crime, relativa a declarações dos responsáveis do Chega. Os autores da denúncia consideram ilícitas as declarações, defendendo que são “instigação à prática de crime”, apologia da prática de crime” e “incitamento à desobediência coletiva”.

De acordo com a PGR, o inquérito corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa.

Em causa estão declarações do líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, sobre os tumultos dos últimos dias relacionados com a morte de Odair Moniz, baleado pela polícia na Amadora, afirmando que se as forças de segurança “disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem”.

Também o presidente do Chega, André Ventura, disse sobre o agente da PSP que baleou Odair Moniz: “Nós não devíamos constituir este homem arguido; nós devíamos agradecer a este policia o trabalho que fez. Nós devíamos condecorá-lo e não constitui-lo arguido, ameaçar com processos ou ameaçar prendê-lo”.

Portugueses detidos na Indonésia por tráfico de droga condenados a 20 e 13 anos de prisão

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foto ilustrativa

Os dois portuguese detidos na Indonésia por tráfico de cocaína foram condenados a 20 e 13 anos e meio de prisão, confirmou à Lusa o advogado Miguel Matias, mandatário do arguido Rui Viana que teve a pena mais leve.

“Para o que temíamos, a pena de morte, estas penas, apesar de pesadas, foram um alívio”, comentou à Lusa Miguel Matias, a propósito do facto de o tráfico de droga poder ser punido com pena de morte na Indonésia.

Miguel Matias referiu que “agora, é trabalhar” para que os dois portugueses condenados na Indonésia venham a cumprir as penas em Portugal.

Os dois portugueses foram detidos em março passado na Indonésia por transportarem cocaína líquida dissimulada em frascos de champô.

Existe “risco sério de haver dois candidatos do PSD” às presidenciais

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PSD

O ex-ministro social-democrata Miguel Poiares Maduro considerou existir um “risco sério” do PSD ter dois candidatos às presidenciais, lançando como possibilidades os nomes de Luís Marques Mendes e Rui Rio.

“Eu acho que há, desta vez, o risco sério de haver dois candidatos do PSD. E não estou a pensar em Pedro Passos Coelho. Estou a pensar em Rui Rio e Marques Mendes”, defendeu o social-democrata numa mesa redonda organizada pela agência Lusa sobre estratégia e comunicação política que contou também com a participação do antigo consultor de comunicação Luís Paixão Martins.

O antigo ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional disse acreditar que “Leonor Beleza e Passos Coelho não querem mesmo ser candidatos presidenciais” e que o ex-líder do PSD Rui Rio, mesmo havendo uma escolha distinta da direção dos sociais-democratas, não se sentirá condicionado em avançar para a corrida a Belém.

Para o especialista em comunicação Luís Paixão Martins, a decisão de Luís Marques Mendes avançar não está nas suas mãos, mas sim à espera de uma decisão do seu partido.

Num debate em que foi também avaliada a hipótese de o almirante Gouveia e Melo se apresentar às eleições presidenciais, Luís Paixão Martins defendeu que o militar “era um bom candidato para o Chega” e que se estivesse “ligado a uma campanha do PSD, a primeira coisa que faria era associar o almirante Gouveia e Melo ao Chega”.

“Se o Chega tiver um candidato contra ele, a candidatura do almirante já é mais difícil de ter viabilidade. Se o Chega não tiver outro candidato, ele é o candidato do Chega. Corre, aliás, o risco de o Chega dizer isso. Porque, de facto, é um ativo muito interessante para um partido como o Chega, que coloca sérias dificuldades ao resto da direita”, acrescentou.

Poiares Maduro disse acreditar que Gouveia e Melo não assumirá esse apoio, mas será o “candidato informal” do partido de André Ventura.

“Se (nas presidenciais) houver Rui Rio e Marques Mendes do lado do PSD e o almirante Gouveia e Melo, a primeira volta no espaço (da direita) fica muito aberta”, podendo até resultar na presença de Gouveia e Melo numa segunda volta, disse.

Sobre a estratégia de comunicação do atual Governo PSD/CDS-PP, Poiares Maduro considerou que é “muito mais próxima do governo de António Costa do que do governo de Pedro Passos Coelho” ao fazer, por exemplo, previsões de crescimento “muito mais baixas do que estavam previstas” para depois, como o ex-primeiro-ministro socialista, se “vangloriar de superar as expectativas”.

Passos Coelho “era muito diferente” nesse aspeto, afirmou o seu ex-ministro.

Paixão Martins disse ter uma “opinião muito favorável” sobre a comunicação do executivo de Montenegro, argumentando que o primeiro-ministro pretende, quando comunica, agradar os “eleitores de oportunidade” de vários quadrantes políticos em momentos diferentes.

“Olha para os eleitores de oportunidade interesseiros à esquerda e fala com eles, com medidas interesseiras. Olha para os eleitores de oportunidade interesseiros da IL e toma medidas que têm a ver com os interesses. Depois olha para os eleitores à direita do PSD que são mais ideológicos e anuncia medidas mais programáticas e menos pragmáticas”, disse, acrescentando que, na sua opinião, foi também isso que Costa procurou fazer enquanto primeiro-ministro.

Paixão Martins deixou, porém, críticas às limitações que o Governo tem imposto às perguntas feitas por jornalistas em conferências de imprensa, classificando a decisão como “a coisa mais estúpida que existe”, uma vez que, defendeu, só as primeiras perguntas feitas é “que têm interesse” e as “outras já ninguém liga”.

Sobre o Presidente da República, o consultor de comunicação considerou que “traiu os eleitores” depois das duas idas às urnas, porque, na primeira vez, foi “eleito por eleitores de direita e, na prática, apoiou o Governo do PS” e, na segunda vez, “foi eleito por eleitores mais de esquerda e traiu-os outra vez”.

Mais de 6.000 médicos e enfermeiros estrangeiros trabalham em Portugal

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Perto de 4.800 médicos e mais de 1.300 enfermeiros estrangeiros trabalham atualmente em Portugal, um número que tem aumentado no caso dos clínicos, enquanto nos enfermeiros se mantém estável, segundo dados das respetivas ordens profissionais.

Dados da Ordem dos Médicos (OM) avançados à agência Lusa indicam que, em 2021, havia 4.360 médicos estrangeiros a exercer em Portugal, número que subiu para 4.503 em 2022, para 4.730 em 2023 e para 4.770 este ano.

Em 2024, as nacionalidades mais representadas entre esses médicos são: espanhola (35,4%), brasileira (26,9%), italiana (5,7%), ucraniana (3,9%), alemã (3,5%), cubana (3%), angolana (2%), colombiana (1,9%) e, com 1,5% cada, romena, francesa, cabo verdiana e guineense.

Comentando estes dados à Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, disse que para a OM não interessa a nacionalidade dos profissionais, mas sim as suas capacidades e habilitações para exercer a profissão.

“A ordem dos médicos tem inscrito um número crescente de médicos de outras nacionalidades e isso obviamente que é importante”, mas, defendeu, deviam ser dadas condições aos médicos portugueses a exercer no estrangeiro para que regressem ao Serviço Nacional de Saúde.

Anunciou a este propósito, que a OM vai remeter esta semana uma proposta à Assembleia da República, em que defende “condições especiais” de atratividade, além do programa Regressar, para estes médicos regressarem a Portugal.

Carlos Cortes defendeu ainda que há “um conjunto de esforços” que devem ser feitos para captar médicos para o SNS, independentemente da nacionalidade.

Sublinhou que a OM vê “com muito agrado” a presença de médicos estrangeiros em Portugal, mas vincou que têm de ser “médicos diferenciados”, com “as habilitações adequadas”, havendo um conjunto de mecanismos para fazer essa avaliação.

Os dados indicam que, em 2021, 122 médicos inscritos na OM necessitaram de requerer junto de uma universidade portuguesa o reconhecimento do título académico, número que subiu para 220 em 2022 e para 306 em 2023. Nos primeiros 10 meses deste ano, foram 212.

“Foram realizados 18 exames de especialidade em 2021 (um reprovado), 32 em 2022 (quatro reprovados), 35 em 2023 (quatro reprovados), e nove até ao momento em 2024 (dois reprovados)”, adiantam.

Trabalham também em Portugal 1.311 enfermeiros estrangeiros, a maioria do Brasil (469), seguidos de Espanha, com 294, segundo dados da Ordem dos Enfermeiros.

Há ainda profissionais dos países africanos de língua oficial portuguesa, nomeadamente de Angola (60), Cabo Verde (52), Guiné-Bissau (41), São Tomé (40) e Moçambique (5).

Os dados apontam também a existência de 55 profissionais oriundos da França, 39 da Ucrânia, 30 da Moldávia, 28 da Alemanha, 22 da Roménia, 18 da Inglaterra, 17 da Itália e outros 17 da Venezuela, entre outros países como a Rússia (17), Peru (15), Holanda (15), Polónia (12), Bélgica (8), Canadá (7) e EUA (7).

Em declarações à Lusa, o bastonário da OE, Luís Filipe Barreira, adiantou que o número de enfermeiros imigrantes se tem “mantido mais ou menos estável nos últimos anos”.

Questionado sobre a importância destes profissionais numa altura em que o SNS se debate com a falta de enfermeiros, o bastonário afirmou que o “mais importante” seria haver uma política de recursos humanos para fixar os enfermeiros portugueses.

“Formamos dos melhores enfermeiros do mundo” que depois emigram à procura de melhores condições de trabalho, lamentou, lembrando que faltam 14.000 enfermeiros no SNS, citando dados oficiais.

Para Luís Barreira, é preciso fazer um levantamento destas necessidades, “que são urgentes”, e delinear um plano de contratação.

“Este assunto tem sido alvo das reuniões pela senhora ministra da Saúde, que está sensibilizada para esta matéria, e espero que no ano de 2025 este levantamento venha a ser feito”, declarou, defendendo também ser necessário melhorar “as condições dos enfermeiros em Portugal” para que os que emigraram retornem.

Dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), publicados no documento “Plano de Recursos Humanos na Saúde 2030”, referem que o número de médicos estrangeiros no SNS aumentou de 902 em 2017 para 967 em 2023 (+7,2%) e o de enfermeiros de 515 para 684 (+32,8%).

A ACSS salienta que “o seu contributo pode ser determinante em certas regiões” como maiores dificuldade de recrutamento e da retenção de profissionais de saúde.

Manuscrito que contribuiu para mito da doçaria conventual pode ser uma falsificação

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

Um receituário de doces alegadamente produzido num convento feminino no século XVIII e que está guardado na Biblioteca Nacional poderá, afinal, ser uma falsificação que foi dando suporte histórico à ideia da doçaria conventual, concluiu uma investigação científica.

O “Livro das receitas de doces e cosinhados vários d’este convento de Santa Clara d’Évora”, datado de 1729, é um pequeno manuscrito com apenas dez receitas que está no espólio da Biblioteca Nacional desde 1959, que o comprou num leilão, e que foi várias vezes usado para dar suporte histórico à ideia e conceito de doçaria conventual e dos mitos a esta associada.

O manuscrito era dos poucos receituários que se conheciam do século XVIII, este com a particularidade de ter uma frase que apontava para um certo secretismo das receitas conventuais: “Este livro se não entregará a outrem que não seja pessoa desta casa, nem por empréstimo, por afetar os proveitos da feitura de doces que nesta casa são feitos”.

A sua autenticidade é agora posta em causa por uma investigação, cujos resultados preliminares foram apresentados na terça-feira, numa conferência na Biblioteca Nacional, pela professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Isabel Drumond Braga e pelo docente da Escola Superior de Educação de Coimbra João Pedro Gomes, ambos com trabalho académico em torno da História da alimentação e, em particular, da doçaria portuguesa.

Isabel Drumond Braga tinha usado no passado aquele manuscrito para um livro sobre receituários conventuais e, já em 2015, pensou, “mas não o disse”, que haveria “algumas coisas” naquele pequeno livro de receitas que lhe pareciam estranhas, mas que, na altura, entendeu “como pioneiras e não como uma fraude”.

Mais recentemente, João Pedro Gomes, quando fazia o seu doutoramento dedicado à história da doçaria portuguesa, no qual Isabel Drumond Braga era uma das coorientadoras, ousou questionar a autenticidade do documento.

“Conseguiu ser mais radical do que eu e em boa altura o fez”, disse à agência Lusa a historiadora.

Após a defesa da tese de João Pedro Gomes, em 2023, que, entre outras questões, defendeu que a ideia de doçaria conventual é um “mito construído”, os dois investigadores avançaram este ano para um trabalho mais detalhado e fundamentado para questionar a veracidade daquele manuscrito.

João Pedro Gomes, que tinha conseguido relacionar aquele documento com os outros manuscritos existentes entre os séculos XVI e XVIII, entendeu que o receituário era “completamente dissonante”, com elementos que pareciam fora do seu tempo e outros que o tornavam, no mínimo, peculiar.

O manuscrito tinha somente dez receitas e todas de doces (os manuscritos conventuais conhecidos são maiores e mais diversos nas receitas, contendo também referências a utilidades domésticas).

No entanto, o que denunciava o anacronismo e adensava as dúvidas dos investigadores sobre a sua autenticidade eram as expressões usadas nas receitas.

No receituário, há referências a “cacau em pó”, quando o cacau só se utilizava em barra e apenas para bebidas, “ralador de batata” ou “rolo de massa”, também palavras fora do seu tempo (rolo de massa era denominado de canudo).

Há ainda outras expressões anacrónicas, como “açúcar pilé” ou “chávena”, palavra que já existia, mas que não era usada na altura como unidade de medida, o mesmo acontecendo com “colher de sopa”.

Os investigadores procuraram vários caminhos para averiguar a autenticidade do manuscrito, como, por exemplo, perceber se a tinta poderia adensar as dúvidas, mas essa hipótese foi descartada (a tinta era ferrogálica, usada durante séculos).

Com essa ponta solta, os dois investigadores socorreram-se do trabalho de uma especialista em paleografia (estudo de manuscritos antigos), Susana Tavares Pedro, que concluiu que o receituário teria sido produzido na segunda metade do século XIX, quando o manuscrito tinha a data de 1729.

“É uma discrepância extremamente acintosa”, salientou a historiadora.

Na análise das receitas, outras questões se levantaram.

Há três que são tidas como especialidades de outros conventos, “o que já por si é estranho”, e várias surgem posteriormente, em livros impressos em 1780 e em 1788, quando o processo era o inverso, constatou João Pedro Gomes.

Entre essas receitas, há uma que chama a atenção – a de trouxas de ovos (que surge no livro “Cozinheiro Moderno”, do cozinheiro da rainha D. Maria I, Lucas Rigaud, em 1780).

“As trouxas de ovos de Lucas Rigaud estão escritas à maneira de Lucas Rigaud. Como é que alguém escreve exatamente como Lucas Rigaud e Lucas Rigaud só aparece 60 anos depois?”, perguntou o docente.

No entanto, há um dado que vinca ainda mais as dúvidas sobre a autenticidade do manuscrito.

Isabel Drumond Braga consultou os registos de entradas das religiosas no Convento de Santa Clara de Évora e cruzou com duas informações importantes que estão no manuscrito: as receitas teriam sido compiladas por ordem da abadessa Maria Leocádia do Monte do Carmo e o registo esteve a cabo da escrivã Inês Maria do Rosário.

O problema é que, com base na documentação do convento, não há nenhuma abadessa com esse nome em 1729 e nenhuma escrivã chamada Inês Maria do Rosário durante todo o século XVIII.

“Existe uma Maria Leocádia do Monte do Carmo, sim, mas que professou a 23 de janeiro de 1783, foi escrivã entre 1799 e 1807 e abadessa entre 1808 e 1811”, referiu a historiadora.

O documento, antes de ter integrado o espólio da Biblioteca Nacional, estava na posse de Francisco Lage, que pertenceu ao Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo.

Os investigadores não acreditam que Francisco Lage tenha sido o autor da falsificação, mas que terá adquirido o livro a pensar que seria autêntico.

“Parece-nos que ele terá sido enganado e que a Biblioteca Nacional, quando o adquiriu, foi crédula, tal como eu também fui e tantos outros foram-no durante muito tempo”, referiu Isabel Drumond Braga.

Governo e associações de comunidades da área de Lisboa reúnem-se na terça-feira

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O Governo vai reunir-se com associações representativas de comunidades da Área Metropolitana de Lisboa (AML) na próxima terça-feira, às 14:30, no Campus XXI, em Lisboa, anunciou o gabinete do Ministro da Presidência.

Num comunicado, destacou que este encontro para dialogar com associações representativas de comunidades da AML terá as presenças dos ministros da Presidência, da Administração Interna e da Juventude e Modernização.

Esta reunião contará também com dirigentes de algumas entidades públicas, como a GNR, a PSP, o Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) e a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

Entre as associações convidadas estão a Moinho da Juventude, Mundo Nôbu, Afrolink, Movimento Nu Sta Djuntu – Estamos Juntos, Associação Caboverdeana, Associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu, Academia do Johnson, Associação HELPO, Semear o Futuro, Djass – Associação de Afrodescendentes e a FEMAFRO – Associação de mulheres negras, africanas e afro descendentes em Portugal.

O Movimento SOS Racismo, a Plataforma Gueto, a Associação para a Mudança e Representação Transcultural, a Associação filhos e amigos de Farim, a Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos e a Associação Camba também foram convidadas, indicou o Governo.

O encontro surge na sequência dos desacatos no âmbito da morte de Odair Moniz, cidadão cabo-verdiano de 43 anos e morador no Bairro do Zambujal, na Amadora, que foi baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, no mesmo concelho, e morreu pouco depois, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

Segundo a PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial e despistou-se na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.

A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigiram uma investigação “séria e isenta” para apurar responsabilidades, considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias.

A Inspeção-Geral da Administração Interna e a PSP abriram inquéritos e o agente que baleou o homem foi constituído arguido.

Desde a noite de segunda-feira registaram-se desacatos no Zambujal e, desde terça-feira, noutros bairros da Área Metropolitana de Lisboa, onde foram queimados autocarros, automóveis e caixotes do lixo. A PSP registou 123 ocorrências, deteve 21 cidadãos e identificou outros 19. Sete pessoas ficaram feridas, uma das quais com gravidade.

Agências de viagens confiantes que congresso em Macau vai ser o melhor de sempre

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A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está confiante que o congresso de 2025 em Macau, “um destino turístico fabuloso” que vai acolher o evento pela sexta vez, vai ser o melhor de sempre.

“Macau não é apenas uma cidade. É um destino turístico fabuloso, pleno de diversidade, encontro de culturas, tradição e exotismo, história e inovação. A relação da APAVT com Macau não é apenas uma fantástica relação entre um mercado emissor e um destino turístico, é um caminho comum entre dois amigos, que se ajudam onde e quando podem”, disse o presidente da APAVT, em Huelva.

Pedro Costa Ferreira exemplificou esta ajuda com o apoio que dão “firmemente” à presença de Macau na Fitur, uma das maiores feiras de Turismo que se realiza em Madrid, isto depois de em 2023 a associação ter ido a Macau “com um significativo grupo de empresários espanhóis”, ou através, por exemplo, da marcação em 2025 de duas reuniões anuais da ECTAA (European Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations), em Macau, que será “o destino preferido” da confederação europeia das agencias de viagens.

“No ano em que, com setenta e cinco anos de idade, realizamos o nosso quinquagésimo congresso, decidimos fazê-lo numa cidade que não é só uma cidade, é também um destino turístico fabuloso, com uma equipa que não representa apenas um destino turístico, é também um grupo de amigos próximos (…)”, afirmou, prometendo que da parte da APAVT “vai ser o melhor congresso de sempre”.

O 50.º Congresso APAVT vai realizar-se de 02 a 04 de dezembro de 2025.

Em 01 de dezembro de 2023, no 48.º Congresso da APAVT no Porto, a associação anunciou que Macau tinha sido escolhido como o destino preferido internacional para 2024.

“O destino preferido da APAVT para nós é um passo muito importante porque estamos já neste momento a começar os preparativos para 2025, quando vamos acolher outra vez o congresso da APAVT”, disse, na altura, a diretora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes.

A escolha do “destino preferido” é um projeto anual da APAVT que tem como objetivo contribuir para dinamizar os fluxos turísticos para um determinado destino, através de um trabalho com a associação e os seus associados, sobretudo ao nível da promoção turística.

Antes, em 30 de junho de 2023, a APAVT tinha anunciado, em Macau, o 50.º congresso da organização em 2025 naquela região chinesa. Na altura, o presidente da APAVT disse à Lusa ser “com muita felicidade” que via o congresso regressar pela sexta vez a Macau, que se tornará na cidade que mais acolheu “a maior reunião do setor turístico português”.

“É um grande esforço da nossa parte junto da APAVT”, afirmou a diretora dos Serviços de Turismo de Macau, também na altura.

Maria Helena de Senna Fernandes disse esperar que “quase mil representantes” da indústria do turismo viajem de Portugal para o congresso da APAVT em Macau, em 2025, enquanto Pedro Costa Ferreira previu, “no mínimo 750, 800 pessoas”.

O 49.º Congresso da APAVT, que hoje termina, decorre desde 24 outubro, em Huelva, e conta com cerca de 750 congressistas.

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