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Quarta-feira, Julho 15, 2026
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Portugal entre o dilema de fechar portas a imigrantes e da falta de quadros

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foto ilustrativa: © João Polónia / Notícias Em Direto

Um papel onde se lê “Precisa-se de empregado” está colado na montra de uma pastelaria no centro de Lisboa há vários meses, um exemplo prático da necessidade de mão-de-obra, acentuada pelo fim da entrada de imigrantes regulares.

“Isto é um trabalho chato, eu sei. Tem de abrir e fechar, com uma paragem a meio do dia, mas mesmo pagando um pouco acima da tabela não consigo ninguém”, desabafa João Santiago, proprietário do pequeno comércio.

Problema semelhante tem Rui Santos, proprietário de uma oficina em Loures, que já recusou novos clientes porque não tem mão-de-obra.

“Dantes queria mecânicos com experiência. Agora já só quero quem queira aprender isto”, diz.

Estas queixas na Grande Lisboa repetem-se um pouco por todo o país, com particular incidência em zonas menos povoadas, e os imigrantes acabavam por suprir algumas dessas carências. Contudo, desde o início de junho que não é permitido trabalhar legalmente a quem chega sem visto de trabalho.

O país tem uma taxa de desemprego de 6,1%, apenas mais 1,3 pontos percentuais do que se classifica como pleno emprego, mas a falta de mão-de-obra em setores como o turismo, hotelaria, restauração, agricultura ou serviços é visível nos anúncios sem resposta.

As manifestações de interesse, suprimidas pelo Governo no início de junho, eram um mecanismo jurídico que permitia a quem chegasse a Portugal como turista pudesse começar a trabalhar e, ao fim de 12 meses de descontos para a segurança social, poderia pedir a sua regularização.

Hoje, esse recurso não existe e os pequenos negócios não podem recorrer a quem está nessa situação. Pelo contrário, precisam de notificar as suas associações setoriais, que irão solicitar ao governo a abertura de vistos de trabalho no exterior, numa rede consular portuguesa que ainda não foi reforçadas com os prometidos novos quadros pelo Governo em junho.

“Nem me atrevo a pensar na trabalheira que isso dá para contratar alguém que depois pode não se adaptar”, lamenta João Santiago.

Ao número de estrangeiros impedidos de entrar no mercado de trabalho português de modo direto soma-se a saída de quem trabalha cá há muitos anos, conseguiu regularizar-se, obteve a cidadania ou outro quadro jurídico estável.

Devido aos baixos salários no contexto europeu, Portugal é uma “plataforma giratória de mão-de—obra”, afirmou à Lusa João Carvalho, investigador do ISCTE, especialista em migrações, mobilidade e etnicidade, que integra o projeto europeu MirreM, que mede a imigração irregular.

“Nos inquéritos com trabalhadores agrícolas e outros, conclui-se que pouca gente projeta fixar-se em Portugal a longo prazo”, salientou o investigador.

Por isso, esta decisão do Governo de acabar com as manifestações de interesse e o desejo do partido à sua direita em bloquear qualquer entrada de imigrantes tem como consequência imediata impedir a fluidez do mercado laboral português.

Entretanto, “Portugal continua a receber dinheiro para a segurança social dos imigrantes irregulares” que já cá estão, salientou João Carvalho, que minimizou a importância das políticas públicas no controlo dos fluxos.

“Quando há crescimento, as pessoas vêm, seja de que modo for. Quando há crise, vão-se embora, como já aconteceu”, salientou.

Assim, o fim das manifestações de interesse “vai criar um grande segmento de trabalhadores irregulares, que até faz descontos, e não vai ter acesso ao estatuto regular”, salientou.

Por outro lado, a presença de imigrantes irregulares será sedutor para as empresas, porque são “uma concorrência mais barata” aos salários mais baixos.

“Os sindicatos sempre defenderam a regularização para não mandar os salários ainda mais para baixo”, recordou.

Por seu turno, o economista Eugénio Rosa defende maior controlo da imigração em Portugal, que deve “investir a sério” em recursos na captação de quadros e não “esperar apenas que as pessoas cheguem”.

“É evidente que a nossa economia precisa de imigrantes, mas não se pode de maneira alguma deixar entrar pessoas numa avalanche e depois termos uma situação em que os imigrantes não têm trabalho”, afirmou o economista, que criticou a polarização do discurso em torno do tema, à esquerda e à direita.

“Tem-se vendido uma ideia de que os imigrantes dão lucro, ora isso não pode ser visto assim desse modo”, porque se contribuem para as receitas da segurança social, para o crescimento populacional e para a economia, a sua presença em Portugal também pressiona outros setores como o sistema de saúde, a educação ou a habitação, salientou.

“Defendo que, de uma forma controlada, sejam criadas condições de integração humanas para quem chega” e, para tal, é necessário uma avaliação correta das necessidades do país.

“Há quem chegue e não tem emprego”, afirmou Eugénio Rosa, recordando o caso dos imigrantes timorenses que chegaram a Portugal há dois anos e ficaram numa “situação de total fragilidade”, depois das “promessas de um Eldorado feitas por políticos portugueses”.

Além disso, “há imigrantes qualificados que depois não conseguem a integração em Portugal de acordo com as suas qualificações”, devido à “desorganização e desumanização” do sistema de validação profissional em Portugal, disse.

O caminho, defendeu, deve ser “passo a passo” e não de “portas abertas”, para reduzir a taxa de desemprego entre os imigrantes.

“Há zonas no país, no Algarve, que votaram na extrema-direita por causa disso”, porque “vêm as pessoas nas ruas” e outras, “para sobreviverem aceitam qualquer salário e isso entra em concorrência com a mão-de-obra local”, disse o economista, que não tem dúvidas de uma política aberta à entrada de estrangeiros.

“Temos necessidade de imigrantes, a nossa taxa de natalidade não permite substituir a população que vai morrendo”, concluiu.

Mas, em Loures, não é isso que preocupa Rui Santos, que até é pai de três filhos.

Entre os “portugueses, ninguém quer trabalhar, todos querem cursos, mas depois ninguém quer fazer as coisas que até dão algum dinheiro”, desabafa.

“Vão lá para fora sujar as mãos, mas aqui em Portugal são os imigrantes que as sujam”, disse.

Líder do PS acusa primeiro-ministro de ser responsável por situação no INEM

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, acusou no sábado o primeiro-ministro de ser o principal responsável pelo que aconteceu na resposta do INEM no contexto da recente greve, rejeitando responsabilidades do anterior Governo.

“Quem fez uma campanha criando a expectativa nos portugueses, a ilusão nos portugueses, que os problemas da saúde se resolviam fácil e rápido foi Luís Montenegro, não foi a ministra da Saúde”, disse Pedro Nuno Santos.

O secretário-geral do PS falava aos jornalistas à entrada para o XX congresso da corrente sindical socialista da CGTP-IN, em Aveiro.

Questionado sobre se a ministra da Saúde tem condições para continuar no cargo, após os factos ocorridos no INEM, Pedro Nuno Santos respondeu que essa é uma avaliação que a própria e o primeiro-ministro têm de fazer.

“O PS não concentra a sua intervenção nos pedidos de demissão”, afirmou.

Embora reconheça que os problemas do INEM não são de agora, o líder dos socialistas entende que a gestão desta greve “não pode ser imputada ao Governo anterior”, defendendo que a consciência de que há problemas estruturais no INEM, por parte do atual Governo, torna ainda mais grave a forma como lidaram com a situação.

“Se o Governo achava que há problemas estruturais no INEM, isso significa que, perante um pré-aviso de greve, o cuidado e o alarme do Governo devia ser maior. O que nós tivemos? Negligência, desvalorização. E, portanto, a senhora ministra não ligou nenhuma ao pré-aviso de greve, deixou que essa greve acontecesse, num serviço que tem problemas estruturais e tivemos uma situação geradora de mortes”, sublinhou.

Pedro Nuno Santos comentou ainda uma eventual privatização do INEM, com base nas declarações da ministra da Saúde que, segundo o líder do PS, “disse que queria que o INEM fosse apenas um coordenador e não prestador”.

Para Pedro Nuno Santos, essa afirmação da ministra quer dizer que “ela desiste do INEM e a sua solução, aparentemente, é privatizar a prestação da emergência médica em Portugal”.

Referiu ainda que os problemas na saúde têm vindo a agravar-se com este Governo, alegando que houve mais urgências de obstetrícia fechadas neste verão do que no anterior, “um concurso de médicos que correu profundamente mal” e uma gestão da emergência médica que “é assustadora com graves consequências para os portugueses”.

“Isto não muda só com a senhora ministra. Há toda uma perspetiva em matéria de saúde que este Governo tem que é profundamente errada”, afirmou.

Na passada terça-feira, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse esperar que a Inspeção-Geral da Saúde faça uma “avaliação profunda” sobre se foram cumpridos os serviços mínimos na greve do INEM e garantiu que foi feito tudo o que era possível.

As mortes de 11 pessoas alegadamente associadas a falhas no atendimento do INEM motivaram a abertura de sete inquéritos no Ministério Público, um dos quais já arquivado. Há ainda um inquérito em curso da IGAS.

Espanha/Cheias: Sobe para 225 total de mortos em Valência e regiões vizinhas

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DR

O número de mortos na sequência das inundações de 29 de outubro em Valência, Espanha, e noutras regiões vizinhas, subiu para 225, mantendo-se desaparecidas 14 pessoas, revelou este sábado o governo espanhol.

Os dados indicam que 217 pessoas morreram na Comunidade Valenciana, sete em Castilla-La Mancha e uma na Andaluzia.

Foram efetuadas 225 autópsias (oito pessoas morreram de causas não relacionadas com a catástrofe) e 217 foram totalmente identificadas, ou seja, morreram de causas relacionadas com a catástrofe.

Segundo a atualização do governo espanhol, 209 corpos já foram entregues às suas famílias e 14 pessoas continuam desaparecidas.

As Forças Armadas realizaram 1.783 missões e, entre outras tarefas, está a ser prestado apoio ao reconhecimento de gases tóxicos nos coletores da rede de esgotos, tendo sido inspecionadas 617 garagens e caves.

Verificou-se uma diminuição acentuada dos pedidos de apoio por parte das localidades afetadas (46 das 72 localidades não solicitaram apoio), acrescenta a atualização.

Nas últimas 24 horas foram distribuídos 1.200 quilogramas de alimentos, 13.300 litros de água engarrafada e 11.000 quilogramas de produtos de higiene.

Em termos de infraestruturas, entre outros dados, foram recuperados até ao momento 148 quilómetros das 160 estradas estatais afetadas e foram removidos para pontos autorizados um total de 1.290 veículos.

Em termos de apoios e ajudas, foram registados 7.082 pedidos de ajuda direta, dos quais 5.221 correspondem a ajudas solicitadas por via eletrónica para danos em bens domésticos e habitações normais.

A população tem sido afetada pelas inundações causadas pela tempestade (conhecida localmente como DANA, ‘depressão isolada em níveis altos’).

O sistema de tempestades que afeta Espanha é causado por ar quente que colide com ar frio estagnado e forma poderosas nuvens de chuva.

Especialistas afirmam que os ciclos de secas e inundações estão a aumentar com as alterações climáticas.

Médio Oriente: Ataque israelita no Líbano deixa seis mortos, incluindo crianças

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foto ilustrativa: DR

Pelo menos seis pessoas, incluindo três crianças, foram mortas este sábado e 11 ficaram feridas num ataque israelita a uma localidade no leste do Líbano, anunciou o Ministério da Saúde libanês.

Segundo a agência noticiosa oficial ANI, os seis mortos são todos da mesma família.

“Um ataque do inimigo israelita a Khraybeh matou seis pessoas, três das quais crianças, uma com três anos, enquanto 11 pessoas, incluindo cinco crianças, ficaram feridas”, refere o comunicado do Ministério da Saúde libanês, precisando que dois feridos estão “em estado crítico”.

Entretanto o chefe do exército israelita, Herzi Halevi, afirmou hoje que os ataques ao movimento xiita Hezbollah no Líbano não vão parar enquanto não haja garantias de que os mais de 60.000 residentes retirados de localidades no norte de Israel, perto da fronteira com o Líbano, possam regressar “de forma segura”.

“O Hezbollah continua a disparar e nós continuamos a lutar, a implementar planos, a ir mais longe, a realizar ataques profundos e a atingir o Hezbollah com muita força. Vamos parar quando soubermos que o regresso dos residentes será em segurança”, afirmou.

As forças israelitas estão a bombardear incessantemente uma zona conhecida como Dahieh, nos subúrbios a sul de Beirute, considerada um dos bastiões do grupo libanês, onde se registaram pelo menos três vagas de ataques.

A cidade costeira de Tiro também tem sido alvo dos ataques israelitas de sábado.

Nas últimas semanas, as forças israelitas intensificaram os bombardeamentos contra o Hezbollah em vários pontos do Líbano e em zonas fronteiriças da Síria.

AVS oficializa treinador Daniel Ramos após rescindir unilateralmente com Campelos

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O AVS oficializou ontem a contratação de Daniel Ramos, adiantando que o técnico irá iniciar funções segunda-feira, em substituição de Vítor Campelos, com quem o clube da I Liga de futebol não chegou a acordo e rescindiu unilateralmente.

Em comunicado publicado nas redes sociais, o emblema nortenho anunciou “a contratação de Daniel Ramos”, argumentando que “o técnico vila-condense, de 53 anos, chega à Vila das Aves com uma vasta experiência na I Liga”.

“Daniel Ramos irá iniciar funções na próxima segunda-feira”, pode ainda ler-se no comunicado.

A equipa técnica ficará completa com Renato Pontes, João Moreira da Silva, Pedro Gonçalves e Tó Ferreira. Aos habituais adjuntos de Daniel Ramos, juntam-se Armando Roriz e Carlisson Fernandes, que já pertenciam aos quadros do clube.

Daniel Ramos, que estava sem clube há um ano, na sequência da saída do Arouca, em novembro de 2023, sucede no cargo a Vítor Campelos, a quem foi comunicada a sua saída na terça-feira.

“Não tendo sido possível chegar a um acordo com o treinador Vítor Campelos e sua equipa técnica, [o AVS] rescindiu unilateralmente os seus contratos de trabalho desportivo”, informou ainda o atual 13.º classificado da I Liga, com 10 pontos.

Esfaqueamento em escola na China faz 8 mortos e 17 feridos

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Um ataque com uma faca numa escola no leste da China fez hoje oito mortos e 17 feridos, disseram as autoridades, acrescentando que o autor do crime foi detido.

“Às 18:30 (10:30 GMT), ocorreu um ataque com uma faca no Instituto Profissional de Artes e Tecnologia de Wuxi”, na província de Jiangsu, que “deixou oito mortos e 17 feridos”, disse a polícia da cidade de Yixing, onde sucedeu a tragédia, refere a Agência France-Presse.

Segundo a força policial, o ataque foi perpetrado por um ex-aluno, que foi “detido no local”.

De acordo com os primeiros elementos da investigação, citados num comunicado de imprensa, o suspeito é um homem de 21 anos, aluno da turma de 2024.

“Por não ter obtido o diploma depois de ter falhado os exames e por estar insatisfeito com a remuneração durante o estágio, [jovem] regressou à escola para expressar a sua raiva e cometer estes homicídios”, disse a polícia de Yixing.

O suspeito “confessou tudo”, acrescentou o comunicado da polícia.

“Os serviços estão totalmente mobilizados para prestar cuidados aos feridos, gerir as consequências da tragédia e concluir a investigação deste acontecimento”, concluiu a polícia.

Estes atentados são pouco frequentes no país, mas este é o segundo do género na China esta semana, depois de um ataque com um carro.

Um homem de 62 anos conduziu um SUV contra pessoas que faziam exercício ao ar livre num complexo desportivo em Zhuhai, na província de Guangdong (sul), na noite de segunda-feira, matando 35 pessoas e ferindo cerca de 40.

Em Xangai, em outubro, um homem matou três pessoas e feriu outras 15 num ataque com uma faca num supermercado.

Em setembro, um estudante japonês foi morto à facada em Shenzhen (sul).

Liga Nações: Portugal goleia Polónia e apura-se para os quartos de final

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foto: Arlindo Homem

A seleção portuguesa de futebol garantiu hoje o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações e o primeiro lugar do Grupo A1, ao golear por 5-1 a Polónia, em jogo da quinta e penúltima jornada.

No Estádio do Dragão, no Porto, Rafael Leão (59 minutos), Cristiano Ronaldo (72, de grande penalidade, e 87), Bruno Fernandes (80) e Pedro Neto (83) marcaram os golos de Portugal, que passou a somar 13 pontos na liderança – mais seis do que a Croácia -, enquanto Marczuk (88) assinou o tento dos polacos.

Os croatas, que jogam com a seleção portuguesa na segunda-feira, em Split, perderam por 1-0 na Escócia, mas também seguem para a próxima fase, na segunda posição, face à vantagem no confronto direto com a Polónia, terceira, com quatro pontos, os mesmos da Escócia, quarta colocada.

Tendo em conta o primeiro posto já garantido, Portugal será cabeça de série no sorteio dos quartos de final, agendado para 22 de novembro, sendo que já sabe que jogará a primeira mão fora e a segunda em casa.

Óbito/Celeste Caeiro: Presidente da República manifesta tristeza e anuncia condecoração póstuma

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foto: Arlindo Homem

O Presidente da República manifestou esta sexta-feira tristeza pela morte de Celeste Caeiro, a mulher que tornou o cravo símbolo do 25 de Abril de 1974, e anunciou que a irá condecorar a título póstumo.

Em resposta a perguntas dos jornalistas, no fim da 29.ª Cimeira Ibero-Americana, em Cuenca, no Equador, Marcelo Rebelo de Sousa declarou ter recebido a notícia da morte de Celeste Caeiro “com muita tristeza”.

“Eu estive com ela, depois combinámos uma ida a Belém para a condecoração, ela não pôde, uma ou duas vezes, caiu doente. E será certamente condecorada a título póstumo. Mas ela soube disso, ficou muito feliz com a notícia, infelizmente não pode receber as insígnias em vida”, acrescentou o chefe de Estado.

Celeste Caeiro morreu hoje, aos 92 anos, no Hospital de Leiria, disse à agência Lusa a neta, Carolina Caeiro Fontela, lamentando que a sua avó nunca tenha sido homenageada em vida.

Em abril do ano passado, por ocasião das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, ambas, residentes em Alcobaça, no distrito de Leiria, esclareceram a história de como os cravos entraram na revolução.

“Há muita gente que ainda pensa que foi uma florista [que deu um cravo a um soldado], mas a minha avó não era florista”, afirmou a neta à agência Lusa, referindo que Celeste trabalhava num ‘self-service’ no edifício Franjinhas, na Rua Braamcamp, em Lisboa.

Com a mãe e uma filha de cinco anos a seu cargo, e a viver numa “casa humilde, sem rádio e sem televisão”, só quando chegou ao trabalho, no dia 25 de Abril de 1974, é que Celeste soube que estava a haver uma revolução.

Nesse dia, o ‘self-service’, que completava um ano, não iria abrir portas, e o patrão, “que tinha mandado comprar cravos para oferecer aos clientes e decorar o espaço, disse aos funcionários que levassem um ramo cada um”.

Celeste pegou no seu ramo de cravos – “vermelhos e brancos” – e rumou ao Rossio para ver “o que há tanto tempo esperava que acontecesse”.

Foi aí que perguntou a um soldado o que estavam ali a fazer e se precisava de alguma coisa.

O soldado, “de quem nunca soube a identidade, fez sinal de que queria um cigarro”, e Celeste, que sofria dos pulmões e nunca fumou, deu-lhe antes um cravo, que o militar colocou no cano da arma e que acabaria por se tornar o símbolo da revolução.

A história de Celeste Caeiro, entrelaçada com aspetos políticos e sociais da época, foi contada num documentário da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, com argumento original de Vilma Reis e Roberto Faustino e produção de Tino Navarro e MGN Filmes Lisboa.

Na sessão solene das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, o deputado do Livre e historiador Rui Tavares sugeriu que Celeste fosse homenageada com uma estátua no parlamento.

Por proposta do PCP, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade, no dia 07 de maio, homenagear-se Celeste Caeiro com a atribuição da medalha de honra da cidade de Lisboa e a realização de uma “intervenção evocativa, a ser implantada num espaço público”, o que ainda não aconteceu.

Ocupadas quase 80% das vagas no concurso para escolas com falta de professores

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foto ilustrativa: João Polónia/ Notícias Em Direto

Quase 80% (1.822) das 2.309 vagas do concurso direcionado para escolas das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, classificadas como carenciadas devido à falta de professores, foram ocupadas, adiantou esta sexta-feira o Ministério da Educação.

De acordo com dados da Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE), foram ocupadas 1.822 vagas, o que representa 78,9% das 2.309 vagas de Quadro de Zona Pedagógica (QZP) a concurso.

“As vagas que ficam por preencher não traduzem alunos sem aulas, já que são vagas de QZP e não de horários em escolas”, referiu o ministério na nota de imprensa.

A DGAE publicou na sexta-feira as listas definitivas de colocação do Concurso Externo Extraordinário, direcionado para as escolas classificadas como carenciadas, com dificuldade em atrair professores para os quadros.

O período de aceitação decorre entre segunda e sexta-feira da próxima semana, detalhou ainda.

No QZP 45 (que inclui os concelhos de Vila Franca de Xira, Loures, Sintra, Cascais, Oeiras, Amadora, Odivelas e Lisboa) e no QZP 46 (Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Palmela, Sesimbra e Setúbal) foram colocados 1.238 professores (estavam a concurso 1.658 vagas), pode ler-se.

“Estes dois QZP dizem respeito à zona do país onde persistia maior incidência de alunos sem aulas, contribuindo-se, com estas colocações, de forma estrutural para a resolução deste problema nas escolas públicas”, frisou o ministério liderado por Fernando Alexandre.

Nos QZP 47 a 58, que abrangem a zona do Alentejo, foram colocados 231 professores nas 333 vagas disponíveis, enquanto nos QZP do Algarve (QZP 59 a 63) entraram 203 docentes, tendo ficado por ocupar apenas 13 vagas, acrescentou.

Na terça-feira arranca o concurso de mobilidade interna, que visa a manifestação de preferências por escolas, tendo em vista a atribuição de um horário.

“Caso os docentes entrem nos quadros, em resultado do Concurso Externo Extraordinário, no QZP a que pertence o Agrupamento de Escolas ou a Escola Não Agrupada onde se encontram atualmente colocados, terão a possibilidade de manifestar a intenção de permanecer na escola onde exercem funções”, frisou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

Além deste concurso, o Governo lançou também como medida adicional para mitigar a situação dos alunos sem aulas um incentivo financeiro à deslocação de professores para as escolas carenciadas.

O Ministério da Educação sublinhou que foram identificadas 234 escolas carenciadas, permitindo aos seus docentes beneficiarem de um apoio à deslocação, que varia entre os 150 euros e os 450 euros, de acordo com a distância entre a residência fiscal e o estabelecimento de ensino onde o docente está colocado.

Este apoio será pago durante 11 meses e abrange todos os professores colocados naquelas escolas, independentemente do seu vínculo e do grupo de recrutamento.

O Governo definiu como meta, no âmbito do Plano “+Aulas+Sucesso”, reduzir, no final do primeiro período, em 90% o número de alunos sem aulas desde o início do ano letivo, em relação a 2023/2024.

OE2025: Partidos voltam a bater recorde com mais de 2.100 propostas de alteração

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foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

Os partidos com assento parlamentar entregaram 2.123 propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2025 (OE2025), voltando assim a bater o recorde de alterações ao documento, sendo que terminou esta sexta-feira o prazo.

No ano passado, tinha-se estabelecido um recorde, com os partidos a entregarem 1.864 propostas de alteração. Este ano, os deputados voltaram a atingir um novo máximo, com 2.123 propostas de alteração.

Segundo as propostas que já deram entrada no parlamento até às 20:30, o prazo definido, o partido que apresentou mais alterações foi o Chega, com 637 propostas de alteração, seguido pelo PCP, com 510 propostas, e o Bloco de Esquerda, com 301. Deram entrada no parlamento 251 propostas do Livre, 238 do PAN, 79 da Iniciativa Liberal, 41 do PS e 66 dos partidos que apoiam o Governo, PSD e CDS.

O PSD e o CDS-PP já tinham sinalizado que iriam entregar no parlamento uma proposta de alteração que eleva para 54,5 milhões de euros a dotação da área do Desporto, corrigindo a verba inscrita pelo Governo. Hoje, anunciaram que iriam entregar cerca de 40 propostas de alteração ao OE2025 que, entre perda de receita e aumento da despesa, vão ter um custo adicional de 40 milhões de euros.

Já o PS entregou um “conjunto restrito” de alterações que incluem a atualização de forma estrutural e permanente das pensões mais baixas, a criação de um regime de dedicação exclusiva ao Serviço Nacional de Saúde e investimento em habitação a preços acessíveis.

O Chega, por sua vez, propôs uma atualização adicional das pensões em 1,5% e uma redução da taxa de IRC em dois pontos percentuais, de 21% para 19% para a discussão na especialidade do OE2025.

O partido propõe ainda a atualização adicional de 1,5% para todas as pensões até 1.018,52 euros (o equivalente a duas vezes o IAS – indexante de apoios sociais), além da atualização já prevista para cobrir a inflação.

Entre as propostas da IL destaca-se a redução do IRC para 12% para a generalidade das empresas – com exceção das grandes multinacionais, que são abrangidas pelo regime do imposto mínimo global de 15%.

À esquerda, o BE propôs que as pensões sejam aumentadas pelo menos 50 euros no próximo ano e que o subsídio de refeição passe a ser universal, estendendo este direito aos trabalhadores do setor privado. Além disto, o BE avança com uma alteração à lei para que todas as pensões sejam atualizadas pelo menos pelo valor da inflação.

O Bloco de Esquerda defende também a taxação de fortunas acima dos três milhões de euros e a criação de um imposto “Elon Musk” para taxar grandes empresas de serviços digitais, no âmbito da discussão orçamental.

Já o PCP propôs a criação de um passe de 50 euros que dê acesso a todos os transportes entre uma área metropolitana e uma região limítrofe, por exemplo entre Lisboa e Santarém ou Porto e Braga.

Do lado do Livre avançaram propostas para um programa de incentivos para o regresso ao país de profissionais de saúde emigrados, aumentar os professores em início de carreira e estudar a criação de uma ajuda estatal à compra da 1.ª habitação.

O PAN apresentou mais de 200 propostas para o debate na especialidade do Orçamento do Estado entre as quais a exclusão de rendimentos acima dos 45 mil euros anuais do IRS Jovem e o alargamento deste regime a jovens dependentes.

As votações na especialidade arrancam na próxima sexta-feira, culminando na votação final global do documento a 29 de novembro.

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