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Quarta-feira, Julho 15, 2026
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Quatro em cada dez jovens passam mais de cinco horas por dia a navegar na Internet

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Quatro em cada dez jovens de 18 anos passa cinco ou mais horas por dia na internet, revela um inquérito recentemente divulgado, segundo o qual 41% tinham menos de 10 anos quando começarem a navegar na internet.

Segundo o estudo “Comportamentos Aditivos aos 18 anos”, promovido pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), a maioria (61%) usa, em média, a internet durante quatro ou mais horas por dia.

A percentagem dos jovens que utilizam a internet de forma “mais intensiva” (durante cinco horas ou mais) tem vindo a aumentar, passando de 29% em 2017, para 40% em 2023, refere o estudo baseado no “Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional 2023”, realizado anualmente desde 2015, com uma interrupção em 2020, devido à pandemia de covid-19.

Também aumentou o número de jovens que iniciaram a utilização da internet antes dos 10 anos, passando de 31% em 2017, para 41% em 2023.

Relativamente às redes sociais, o estudo conclui que 97% dos jovens de 18 anos as utilizam, sendo que 15% passa seis horas ou mais por dia nestas plataformas.

Pouco mais de um terço (37%) dos inquiridos dizem frequentar as redes sociais, em média, durante quatro horas ou mais por dia e 42% durante duas a três horas, sendo este o tempo de utilização mais comum.

Segundo o relatório, a prevalência de utilização de internet é semelhante em rapazes e raparigas, tendendo os rapazes a iniciar mais cedo.

Em média, as raparigas passam mais tempo na internet, sendo o equipamento de eleição para aceder à internet o smartphone (92% dos jovens), seguindo-se o computador portátil (51%).

Analisando os problemas associados à utilização da Internet, o inquérito aponta que o mais mencionado pelos jovens em 2023 é o das situações de mal-estar emocional (21%), seguindo-se as referências a problemas de rendimento na escola/trabalho (19%).

De acordo com o estudo, as prevalências de qualquer problema relacionado com a utilização da internet aumentaram de 23% em 2017, para 36% em 2023.

O inquérito também revela que 61% dos jovens de 18 anos jogam ‘online’.

Adianta que 28% jogam, em média, menos de duas horas por dia, 19% jogam entre duas e três horas, sendo estes os períodos de jogo mais comuns.

“Uma utilização mais intensiva, de seis horas ou mais por dia, é mencionada por 6% dos jovens”, refere o estudo.

Revela também que 16% dos jovens de 18 anos jogam em apostas ‘online’, sendo os rapazes quem mais apostam.

Outras conclusões do inquérito apontam que 94% dos jovens de 18 anos veem filmes, vídeos ou tutoriais na internet.

Comparando rapazes e raparigas, verifica-se que são mais as raparigas que veem filmes, vídeos ou tutoriais, sendo, contudo, a diferença muito ligeira, 92% e 95%, respetivamente.

O estudo indica ainda que 30% passam até uma hora por dia neste tipo de atividade, 44% entre duas e três horas, o tempo mais comum da utilização, e 6% dedicam seis horas ou mais por dia.

Ucrânia: Portugal entre dezenas de países que reafirmam na ONU apoio a Kiev

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foto: Arlindo Homem

Dezenas de países, incluindo Portugal, reafirmaram na sede das Nações Unidas (ONU) o seu apoio à “soberania, independência e unidade da Ucrânia” e exigiram a retirada imediata das forças russas do território ucraniano.

“Esta guerra tem de parar”, instou o embaixador ucraniano na ONU, Sergiy Kyslytsya, ao ler um comunicado em nome de cerca de cinquenta Estados e que assinalava o milésimo dia da invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Reafirmamos o nosso apoio à soberania, independência, unidade e integridade territorial da Ucrânia”, frisou o diplomata, rodeado por representantes de vários aliados de Kiev, incluindo dos Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, França, Japão, Austrália, Canadá, Suíça, Argentina, Coreia do Sul ou da União Europeia.

No comunicado, lido em Nova Iorque, foi repetida a exigência para que Moscovo cesse o uso da força contra a Ucrânia e retire “imediata, completa e incondicionalmente as suas forças militares do território ucraniano dentro das suas fronteiras internacionais reconhecidas”.

Os Estados condenaram ainda os contínuos ataques indiscriminados da Rússia a áreas residenciais densamente povoadas e a infraestruturas civis críticas na Ucrânia, que fazem elevar o número de mortos, deslocamentos e destruição diariamente.

“Mil dias de guerra são um lembrete trágico da necessidade de continuarmos empenhados em garantir que o direito internacional prevaleça não apenas na Ucrânia, mas onde quer que seja desafiado”, acrescentaram os signatários.

Questionado por jornalistas sobre a escalada do conflito nas últimas horas, o embaixador ucraniano advogou que a única forma de fazer com que Moscovo concorde com negociações é através da “força”.

“Temos de fazer com que os russos se sentem à mesa de negociações e a única maneira de fazer isso é pela força”, defendeu Kyslytsya.

“Temos que estar unidos para evitar a guerra. Não acredito que alguém na liderança russa seja corajoso o suficiente para cometer suicídio. As pessoas são muito fracas na Rússia”, acrescentou o diplomata, ao comentar a escalada da retórica sobre uso de armas nucleares.

O Presidente russo, Vladimir Putin, assinou ontem um decreto que alarga a possibilidade de utilização de armas nucleares, depois de os Estados Unidos terem autorizado Kiev a atacar solo russo com mísseis de longo alcance fornecidos por Washington.

A guerra na Ucrânia começou há mil dias com a invasão russa de 24 de fevereiro de 2022.

O conflito provocou a maior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial.

Rádios guineenses denunciam agressões a jornalistas pela polícia

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Imagem ilustrativa: DR

Duas rádios de Bissau denunciaram hoje que dois dos seus jornalistas foram vítimas de agressões por parte da polícia quando cobriam uma vigília de alguns professores em conflito com o Governo.

Através das redes sociais, as rádios Capital FM (emissora privada) e Sol Mansi (da Igreja Católica) denunciaram que os jornalistas Turé da Silva e Carabulai Cassamá (vulgo Alexandre) foram vítimas de agressões policiais.

“Turé da Silva, apesar de estar devidamente identificado, utilizando colete visível e crachá de serviço da Rádio Sol Mansi, foi alvo de socos e bofetadas, além de ter o telefone da rádio, utilizado na cobertura, confiscado pelas autoridades”, afirmou, em comunicado, a emissora católica.

A direção da rádio Capital FM relatou as circunstâncias da alegada agressão ao seu profissional, responsabilizando o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, pelo sucedido.

“Mais uma vítima do regime do general do Exército Umaro Sissoco Embaló. Carabulai Cassamá (Alexandre), jornalista da Rádio Capital FM, foi brutalmente espancado hoje por agentes da polícia”, adiantou a direção da rádio.

Segundo a estação, Carabulai Cassamá “é, por sinal, filho de um oficial do exército” guineense e “é a sexta vítima da agressão física” por parte da polícia aos profissionais da Capital FM nos últimos quatro anos.

“Estamos a contar aos dedos”, sublinha, em comunicado, a estação dirigida pelo jornalista Lassana Cassamá, correspondente da Voz da América na Guiné-Bissau.

A estação adiantou que o jornalista foi hospitalizado, recebeu assistência médica e encontra-se já na sua residência, em Bissau.

A rádio Sol Mansi lamentou que os dois profissionais tenham sido agredidos enquanto cumpriam sua missão de informar.

A Lusa tentou, sem sucesso, obter uma reação do Ministério do Interior.

Na quinta-feira, o Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs) e a Liga Guineense dos Direitos Humanos vão promover uma conferência para abordar o que classificam como “ataques criminosos deliberados” contra os dois jornalistas.

Atropelamento seguido de fuga provoca um morto em Montemor-o-Velho

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Um atropelamento seguido de fuga provocou a morte de um homem hoje de madrugada na zona de Tentúgal, concelho de Montemor-o-Velho, afirmou a GNR.

O atropelamento mortal ocorreu por volta das 04:58, na estrada municipal 577, em Portela, na freguesia de Tentúgal, disse à agência Lusa fonte do Comando Territorial da GNR de Coimbra.

De acordo com a mesma fonte, o condutor que atropelou mortalmente a vítima colocou-se em fuga, não tendo sido realizada qualquer detenção até ao momento.

O caso está a ser investigado pela GNR e PJ, acrescentou.

Segundo fonte da Proteção Civil, estiveram no local seis operacionais, apoiados por três viaturas, dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho, Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) e GNR.

O óbito foi confirmado no local.

Montenegro defende que Portugal e Brasil têm “oportunidade gigante” de aprofundar relações

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O primeiro-ministro defendeu que Portugal e Brasil têm “uma oportunidade gigante” de aprofundar relações, no domínio da língua, do ensino ou da economia devido ao elevado número de emigrantes portugueses no Brasil e vice-versa.

Na sua primeira visita ao Brasil, Luís Montenegro terminou a sua agenda oficial no Rio de Janeiro – depois de participar na reunião do G20 como observador a convite da Presidência brasileira – com uma receção à comunidade portuguesa e uma passagem pelo Real Gabinete Português de Leitura, ponto habitual das visitas de chefes de Governo e de Estado portugueses.

“Nesta ocasião em que temos tantos brasileiros em Portugal e tantos portugueses no Brasil, temos como pano de fundo uma oportunidade que é uma oportunidade gigante: uma oportunidade de aproveitarmos a nossa língua, que é uma língua comum, de a preservarmos, de a ensinarmos, de podermos trocar experiências, de podermos conviver uns com os outros”, afirmou.

O primeiro-ministro pediu aos emigrantes presentes que “continuam a acreditar em Portugal” e ajudem a abrir portas aos empresários lusos num mercado que reconheceu nem sempre ser fácil.

“Eu estou aqui há três dias e tenho sido abordado na rua por muita gente, tem sido para mim uma alegria ver turistas portugueses aqui, empresários a fazer negócios, representantes de instituições, até estudantes”, disse.

Montenegro fez depois uma revelação pessoal, dizendo que o seu filho mais novo deverá também vir estudar em breve para o Brasil, ao abrigo do programa Erasmus.

“Associações, empresas, famílias, universidades, estudantes, artistas, homens da cultura, das várias expressões, nós temos de facto uma relação que não pode ser desaproveitada, nós temos neste imenso Brasil um mar de oportunidades, e o Brasil também tem, no grande Portugal e na porta de entrada que Portugal é para a Europa, as oportunidades que podem fazer crescer muita da economia de cada um dos lados”, apelou.

O primeiro-ministro assegurou que o Governo tem vindo a “tentar modernizar a rede consular, dar-lhe mais equipamentos, dar-lhe mais meios humanos”, bem como apoiar o movimento associativo, que considerou “fundamental para estimular o ensino do português”.

“Eu sei que todos carregam nos vossos corações aquele sentimento que não é que é possível de ser descrito com exatidão (…) que é ser português. Ser português é uma coisa única, é uma coisa que em si mesma nos dá alegria, nos dá alento, nos dá força, nos dá motivação para levarmos os nossos projetos para a frente, projetos individuais, coletivos e os nossos projetos de governação”, defendeu

No Real Gabinete Português de Leitura, Montenegro já tinha destacado esse sentimento, agradecendo ao presidente desta instituição, Francisco Gomes da Costa, o trabalho que desenvolve.

“É muito raro e valioso encontrar tantos traços da nossa identidade e tantas referências da nossa caminhada e presença no mundo. Uma nação inovadora, corajosa e talentosa. Muitos parabéns, caro Francisco, em homenagem a todos que preservam aqui o ser português”, agradeceu.

O Real Gabinete Português de Leitura é uma instituição fundada em 1837 por emigrantes e refugiados portugueses e que guarda cerca de 500 mil livros.

Em 2022, quando Portugal fez parte das comemorações do 10 de Junho no Brasil, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o então primeiro-ministro António Costa assistiram à cerimónia de transferência para esta biblioteca do espólio do último chefe de Governo do Estado Novo, Marcello Caetano.

Durante a visita de Luís Montenegro, foi-lhe mostrada esta coleção, bem como uma das cinco primeiras edições de “Os Lusíadas” de 1572, que também foi apresentado ao chefe de Estado, quando por ali passou.

Montenegro quis saber se Marcelo Rebelo de Sousa tentou ler a obra de Luís de Camões e foi-lhe dito que “ficou uns cinco minutos” com o livro.

“Sabe que ele lê na diagonal”, comentou o primeiro-ministro, em tom bem-disposto.

No final, o primeiro-ministro recebeu uma medalha comemorativa dos 500 anos do nascimento de Camões e retribuiu com as obras completas do ensaísta Eduardo Lourenço, uma edição da Fundação Gulbenkian.

Demolição de muro do século XVIII no centro histórico de Évora participada à PSP

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O instituto público Património Cultural participou à PSP a demolição, sem a sua autorização, de um muro do século XVIII no centro histórico de Évora, ordenada pela câmara, que reconhece que uma “falha” impediu a comunicação.

“Houve, de facto, uma falha dos serviços do município e, naturalmente, enquanto presidente da câmara, assumo essa situação”, afirmou hoje o presidente do Município de Évora, Carlos Pinto de Sá (CDU), em declarações à agência Lusa.

O autarca revelou que a autarquia já transmitiu ao Património Cultural IP (Instituto Público) que “faria tudo o que fosse necessário para esclarecer a situação e, se houvesse necessidade de proceder a alguma reposição, trataria com o proprietário”.

Situado na Travessa da Palmeira e propriedade de uma unidade hoteleira, o muro foi parcialmente demolido no dia 04 deste mês, após o município ter notificado os donos para o fazerem, por “apresentar risco de derrocada”.

Numa resposta a questões colocadas pela Lusa através de correio eletrónico, o Património Cultural indicou que, em julho deste ano, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo pediu esclarecimentos à autarquia.

Este organismo do Estado queria obter mais informações junto do município sobre “a intenção tornada pública de demolir 1,5 metros do muro, a pretexto de questões de segurança, tendo sido envolvida a Proteção Civil no assunto”, salientou.

Porém, segundo o Património Cultural, não foi remetido a “este instituto qualquer relatório técnico sobre a estabilidade do muro, nem um pedido específico de proposta de demolição com medidas de salvaguarda patrimonial”.

No dia em que foi parcialmente demolido, o Património Cultural referiu que, após um alerta da CCDR, determinou “a imediata suspensão de movimentações e demolições do muro”, notificou o município e agendou, para o dia seguinte, uma vistoria.

Verificou-se na vistoria que “a estrutura murária tinha sido completamente desmantelada na sua integralidade a desrespeito da suspensão determinada, tendo sido efetuada a participação da ocorrência à Polícia de Segurança Pública”, frisou.

Este instituto público realçou que “notificou o proprietário e determinou à Câmara de Évora medidas urgentes a aplicar” para a salvaguarda dos elementos que restaram, admitindo tomar outras medidas “em função da importância” do “bem agora destruído”.

Questionado pela Lusa sobre este assunto, Pinto de Sá disse que o município foi alertado pela população e pela União de Freguesias de Évora para o risco de derrocada do muro, colocando “em causa a segurança de bens e, sobretudo, de pessoas”.

O Serviço Municipal de Proteção Civil, numa deslocação ao local, confirmou a existência de risco de queda e propôs a demolição do muro até 1,5 metros de altura, tendo a câmara municipal notificado o proprietário para o fazer, indicou.

“Assim que a máquina entrou no muro para cortar até 1,5 metros de altura, o muro caiu completamente. Ou seja, de facto, não tinha ligação com as fundações e, portanto, o risco de derrocada era até maior do que pensávamos”, descreveu o autarca.

Assinalando que “o processo foi acompanhado também pela Arqueologia do município”, o presidente da câmara precisou que este serviço “concluiu que o muro não tinha elementos históricos, nem patrimoniais significativos”.

Um relatório com as conclusões do Serviço de Arqueologia da Câmara de Évora e as medidas determinadas pelo Património Cultural e já adotadas pelo município vai agora ser remetido a este instituto público, acrescentou.

Na resposta à Lusa, o Património Cultural lembrou que “o centro histórico de Évora está classificado como Património da UNESCO e como Monumento Nacional, encontrando-se interdita qualquer intervenção sem autorização prévia da administração cultural”.

Quanto à estrutura, segundo o instituto, está “em cartografia do século XVIII (1750), correspondendo a muro de antiga delimitação de quinta”, o que o torna “um elemento estrutural das dinâmicas da morfologia urbana do centro histórico”.

PAN propõe projeto-lei para que ‘stealthing’ seja crime sexual

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O partido Pessoas Animais Natureza (PAN) entregou hoje no parlamento um projeto-lei para que o ‘stealthing’, a remoção de um preservativo sem consentimento num ato sexual, seja considerado crime, no âmbito do Código Penal português.

O PAN “pretende a criminalização do ‘stealthing’ como uma medida necessária e urgente para proteger adequadamente as vítimas e garantir que este ato seja punido de acordo com a sua gravidade”, lê-se na proposta assinada pela deputada única do PAN, Inês Sousa-Rel, e que deu entrada hoje na Assembleia da República.

De acordo com o PAN, a criminalização do ‘stealthing’ em Portugal “representaria um passo crucial para assegurar que o direito ao consentimento sexual seja sempre respeitado, independentemente da forma como o ato sexual se desenrola”.

A proposta de projeto-lei do PAN surge dias depois de ter sido lançada uma petição pública, que soma mais de 9.800 assinaturas, para que o ‘stealthing’ seja criminalizado, como já acontece noutros países.

Os peticionários pedem uma alteração da lei portuguesa de modo a que o ‘stealthing’ seja entendido como “uma violação do consentimento sexual” e que as vítimas tenham “um processo claro para oficializar a denúncia e buscar justiça”.

“Noutros países, como Espanha, Suíça, Alemanha e alguns estados dos Estados Unidos, o ‘stealthing’ já é reconhecido como uma forma de agressão sexual, com punições adequadas. Ao criminalizar o ‘stealthing’, Portugal dará um passo importante para proteger o direito ao consentimento sexual”, lê-se no texto da petição.

O ato de remover o preservativo durante um ato sexual sem o consentimento do/a parceiro/a “expõe as vítimas a riscos graves, como a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e danos emocionais significativos”, sublinham os peticionários.

A deputada Inês Sousa-Real lembra que Portugal assinou a Convenção de Istambul, um tratado do Conselho da Europa ratificado em 2013 sobre violência doméstica e violência contra as mulheres, “o que obriga o Estado a tomar medidas para proteger os direitos das vítimas de violência sexual, incluindo o fortalecimento da legislação penal para cobrir todas as formas de violação do consentimento”.

Aquele abaixo-assinado foi lançado no sábado depois de terem vindo a público, através da partilha de testemunhos nas redes sociais, denúncias de casos de violação, abuso sexual e assédio no meio artístico, nomeadamente na área da música, em particular no jazz.

A primeira denúncia foi feita pela DJ Liliana Cunha, que assina com o nome artístico Tágide, identificando o pianista de jazz João Pedro Coelho como o alegado agressor, acusando-o de violação e ‘stealthing’ alegadamente cometidos em 2023.

João Pedro Coelho, músico e antigo professor da escola do Hot Clube de Portugal, refutou as acusações e reclamou “total inocência”, numa publicação no Instagram.

Nas denúncias de assédio, abuso, violação e agressão foram identificadas pelo menos 27 pessoas do meio artístico, a larga maioria da área da música, segundo uma primeira contabilização das artistas Maia Balduz e Liliana Cunha revelada à agência Lusa.

As duas artistas têm estado a reunir, verificar e filtrar as denúncias e testemunhos que têm recebido através das redes sociais e de um ‘email’ (testemunhasdamusica@proton.me) que entretanto criaram.

Na sexta-feira passada, o Hot Clube de Portugal (HCP) anunciou a criação de uma comissão de inquérito interna para “apurar situações que possam ter ocorrido” de abuso ou assédio e que envolvam pessoas com ligação à instituição.

Embora tenha esclarecido que o caso denunciado por Liliana Cunha contra o pianista João Pedro Coelho não esteja relacionado com a instituição, o HCP revelou que já tinha identificado “duas situações de assédio” no ano letivo de 2021/22, que levaram “ao afastamento dos professores em causa”, e que foi criado um código de conduta, um gabinete de apoio ao aluno e um canal de denúncia.

Governo rejeita “relação de causa e efeito” entre alcoolemia e sinistralidade ferroviária

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O ministro das Infraestruturas e Habitação negou hoje qualquer “relação de causa e efeito” entre sinistralidade ferroviária e taxa de alcoolemia dos maquinistas, apontando a falta de investimento na infraestrutura como o principal motivo dos sinistros em Portugal.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita inaugural à 31ª edição da Concreta /Elétrica, que decorre até sábado na Exponor, em Matosinhos, Miguel Pinto Luz afirmou que a elevada taxa de sinistralidade ferroviária no país resulta da conjugação de várias causas, sendo que “o álcool não é uma delas”.

“Tem a ver com falta de investimento na infraestrutura, essa é a principal [causa]. Temos muitas passagens de nível, temos infraestrutura já muito envelhecida, mas também taxas de suicídio elevadas”, afirmou.

“Portanto, há muitas [causas] e o álcool não é uma delas, seguramente, e o Governo foi claro nisso. Se queremos criar um caso, podemos criá-lo, [mas] o Governo está absolutamente de consciência tranquila sobre isso”, acrescentou.

Em causa estão as declarações do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros de quinta-feira, na qual afirmou que “não é muito conhecido, mas Portugal tem o segundo pior desempenho ao nível do número por quilómetro de ferrovia de acidentes que ocorrem”, explicando que o Governo aprovou uma proposta de lei que reforça “as medidas de contraordenação para os maquinistas deste transporte ferroviário, criando uma proibição de condução sob o efeito de álcool”.

Entretanto, o Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) convocou uma greve geral para 06 de dezembro, por considerar que o Governo não clarificou a relação entre sinistralidade ferroviária e taxa de álcool dos maquinistas e para exigir condições de segurança adequadas.

Para Miguel Pinto Luz, que assumiu “um respeito profundo pelos maquinistas e pelo setor ferroviário”, o facto é que “não houve nenhuma relação estabelecida, de causa e efeito”, pelo Governo entre a sinistralidade ferroviária e a alcoolemia dos maquinistas, pelo que “não há pedidos de desculpa possíveis”.

“O Governo, pela voz do ministro da Presidência, no dia seguinte [às declarações após o Conselho de Ministros], voltou a tornar claro aquilo que já era claro do nosso ponto de vista. Portanto, o Sindicato dos Maquinistas faz a análise que faz. O direito à greve é absolutamente inalienável e nós estamos de consciência tranquila. Todos sabem o esforço, a vontade e o comprometimento que este Governo tem em investir em ferrovia”, enfatizou.

PCP diz que Governo não quer taxar super-ricos mas dá “super descontos” às grandes empresas

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foto ilustrativa: Arlindo Homem

O secretário-geral do PCP ironizou que o primeiro-ministro diz que Portugal não tem condições para decidir taxar os super-ricos, mas tem-nas sempre para dar “super descontos” às grandes empresas em sede de IRC.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma sessão pública em Lisboa, Paulo Raimundo foi questionado sobre como é que vê as palavras de Luís Montenegro, que manifestou na terça-feira abertura para debater um imposto sobre os super-ricos, mas admitiu que nem Portugal nem o G20 estão “ainda em condições de assumir uma decisão” sobre essa matéria.

“Eu compreendo. Este senhor primeiro-ministro e este Governo nunca estão prontos para isso. Estão prontos é para nos pedir para aguentar, para a contenção dos salários e das pensões, ou para a malta fazer mais um esforço, porque tem de pagar as taxas de juro ao banco”, ironizou Paulo Raimundo.

O secretário-geral do PCP considerou que são os “super-ricos que ficam de fora, os super lucros que ficam de fora, os super empreendimento que ficam de fora”.

“Curiosamente, há uma coisa que não fica de fora. Sabe o que é? É o super desconto que o Governo está fazer em IRC para as grandes empresas, para as tais dos 32 milhões de euros de lucros por dia. Para esses, há sempre um super desconto”, disse.

Sobre se o PCP pretende aprovar a alteração ao Orçamento do Estado apresentada pelo PS que prevê um aumento extraordinário das pensões em 1,25%, Paulo Raimundo considerou que “o PS, como sempre, é muito comedido”, defendendo que se deve antes perguntar aos socialistas se vão acompanhar a proposta do seu partido para aumentar em 5% as pensões, com um mínimo de 70 euros.

“Essa é que é a pergunta que têm de fazer ao PS, porque isso é que é de coragem. Não é agora uns pozinhos, desculpem-me a expressão. É claro que tudo o que venha para cima é melhor do que nada. Mas o que é que o PS faz? Pega nas contas do Governo, a partir da matriz do Governo, e procura ali um jeitinho. Não é disso de que o país precisa”, disse.

Nestas declarações, Paulo Raimundo foi ainda questionado sobre como é que vê os 1.000 dias de guerra na Ucrânia que se assinalam hoje, tendo respondido que, infelizmente, o conflito já dura há 10 anos e “são mais de mil dias de guerra”, numa alusão ao início dos conflitos militares na região ucraniana do Donbass, em 2014.

Para o secretário-geral do PCP, a guerra da Ucrânia “nunca devia ter começado, é preciso acabar” e todos devem empenhar-se na promoção da paz.

“E, no dia de hoje, com os acontecimentos recentes das últimas horas, é uma dor no coração a leviandade com que se fala de guerra, de possibilidade de confronto entre potências nucleares. É tão assustadora a leviandade como se fala, como a possibilidade de confronto entre potências nucleares”, disse.

Questionado especificamente sobre o facto de a Rússia ter decidido alargar a possibilidade de utilização de armas nucleares, após os Estados Unidos terem autorizado Kiev a atacar solo russo com os mísseis de longo alcance, Raimundo defendeu que é preciso “travar a escalada”.

“Que cada um se questione: onde é que isto vai parar? De escalada em escalada, onde é que isto vai parar? O que é que vai acontecer à humanidade? Alguém pensa que se vai sair entre os pingos da chuva de um confronto entre potências nucleares?”, perguntou.

Esta segunda-feira, à margem da cimeira do G20, cujos trabalhos Portugal integra pela primeira vez como observador a convite da presidência brasileira, Luís Montenegro respondeu a perguntas da comunicação social, designadamente sobre a hipótese de uma taxação global para as grandes fortunas.

“É uma questão que está, como estava em cima da mesa, que nós encaramos do ponto de vista conceptual com abertura, mas naturalmente não estamos ainda em condições – nem nós nem os nossos parceiros nesta cimeira, creio eu – para assumir uma decisão”, disse.

Ucrânia: “Sinceramente o que desejo é que não se vá mais longe do que já se foi” – Montenegro

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foto: Arlindo Homem

O primeiro-ministro manifestou o desejo de que “não se vá mais longe do que já se foi” na escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia, dizendo esperar que não se passe “das ameaças retóricas para operações no terreno”.

Luís Montenegro falava em conferência de imprensa, no final da cimeira do G20 no Rio de Janeiro, cujos trabalhos Portugal integrou pela primeira vez como observador a convite da presidência brasileira, e foi questionado sobre o decreto assinado pelo Presidente russo que alarga a possibilidade de utilização de armas nucleares, depois de os Estados Unidos terem autorizado Kiev a atacar solo russo com os mísseis de longo alcance.

“O que quero dizer em nome do Governo português é que vamos concentrar as nossas contribuições para que se criem condições para evitar qualquer escalada neste conflito, para um cessar-fogo nessa operação militar e para dar primazia á diplomacia”, disse.

“Sinceramente o que é o nosso desejo é que não se vá mais longe do que aquilo que já se foi e que as ameaças que põem em causa, não apenas a integralidade território ucraniano, mas valores muito altos de ofensa da dignidade humana possam ser apenas ameaças de retórica e não operações no terreno”, disse.

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