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Quarta-feira, Julho 15, 2026
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Trair cônjuge deixou de ser crime em Nova Iorque com revogação de lei de 1907

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Nova Iorque revogou na sexta-feira uma lei raramente utilizada há mais de um século que tornava crime trair o cônjuge, uma transgressão que anteriormente poderia levar os adúlteros à prisão durante três meses.

A governadora do Estado, Kathy Hochul, assinou um projeto de lei que revoga a lei, que remonta a 1907 e há muito que é considerada antiquada e difícil de aplicar.

“Embora tenha tido a sorte de partilhar uma vida amorosa de casada com o meu marido durante 40 anos – o que torna um pouco irónico para mim assinar um projeto de lei que descriminaliza o adultério – sei que as pessoas têm frequentemente relações complexas”, frisou a governadora.

“Estas questões deveriam claramente ser tratadas por esses indivíduos e não pelo nosso sistema de justiça criminal”, acrescentou.

A proibição do adultério é, na verdade, lei em vários estados e foi promulgada para tornar mais difícil o divórcio, numa época em que provar a traição do cônjuge era a única forma de obter a separação judicial.

As acusações têm sido raras e as condenações ainda mais raras. Alguns estados também agiram para revogar as suas leis sobre o adultério nos últimos anos.

Nova Iorque definiu o adultério como quando uma pessoa “tem relações sexuais com outra pessoa num momento em que tem um cônjuge vivo, ou a outra pessoa tem um cônjuge vivo”.

A lei estadual foi utilizada pela primeira vez algumas semanas depois de ter entrado em vigor, de acordo com um artigo do jornal New York Times, para prender um homem casado e uma mulher de 25 anos.

O congressista estadual Charles Lavine disse que cerca de uma dúzia de pessoas foram acusadas nos termos da lei desde a década de 1970, e apenas cinco desses casos resultaram em condenações.

A lei estadual parece ter sido utilizada pela última vez em 2010, contra uma mulher que foi apanhada a praticar atos sexuais num parque, mas a acusação de adultério foi posteriormente retirada como parte de um acordo judicial.

Nova Iorque esteve perto de revogar a lei na década de 1960, depois de uma comissão estatal encarregada de avaliar o código penal ter dito que era quase impossível aplicá-lo.

Na altura, os legisladores concordaram inicialmente com a remoção da proibição, mas acabaram por decidir mantê-la depois de um político ter argumentado que a revogação faria parecer que o Estado estava oficialmente a endossar a infidelidade, de acordo com um artigo do New York Times de 1965.

APAV regista 15 mil crimes de violência doméstica no 1.º semestre do ano

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A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou no primeiro semestre deste ano cerca de 15 mil crimes de violência doméstica, um aumento de 2% em relação ao período homólogo de 2023.

Estes 15 mil casos registados entre janeiro e julho de 2024 representam “78% dos processos apoiados na APAV” neste período, ou seja, é a “grande maioria dos processos da APAV”, salientou o responsável pelo setor da violência doméstica e violência de género na APAV, Daniel Cotrim.

Daniel Cotrim falava à Lusa no âmbito do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, que se assinala dia 25.

O aumento destes crimes que atingem mulheres, homens e crianças pode-se explicar, segundo Daniel Cotrim, por a APAV ter “aumentado o número de campanhas de sensibilização”, bem como ter “criado mais serviços de proximidade com as pessoas”, designadamente através de estruturas itinerantes que vão a concelhos e localidades, onde normalmente não há este tipo de serviços.

“Quanto mais próximos estiverem estes serviços de apoio das comunidades, também é mais fácil para as pessoas poderem denunciar”, defendeu.

Os dados estatísticos relativos ao ano de 2023 da APAV indicam que houve registo de 31.117 vítimas de violência doméstica apoiadas e 64.899 crimes de violência doméstica registados.

Quase metade (48,3%) das vítimas que chegaram à APAV pelos crimes de violência doméstica fizeram-no por iniciativa própria e 46,6% apresentou queixa/denúncia na Polícia de Segurança Pública.

A maioria dos utentes em 2023 (25.240) eram vítimas do sexo feminino e a maioria dos autores dos crimes (21.498) eram do sexo masculino.

A maioria das vítimas (23.919) era de nacionalidade portuguesa e mais de metade (62,6%) foram agredidas na residência comum com o agressor.

Em 2023 registaram-se 16.952 casos de vítimas alvo de “vitimação continuada”, sendo 4.895 casos de vítimas com vitimação entre dois a seis anos.

Relativamente a 2024, os dados mais recentes da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG)indicam que entre janeiro e setembro deste ano, ocorreram 18 homicídios (15 mulheres e três homens).

No 1.º trimestre deste ano há registo de nove pessoas mortas (oito mulheres e um homem), o que representa um aumento em mais três vítimas comparativamente ao 1.º trimestre de 2023.

No 2.º trimestre de 2024 ocorreram três homicídios (duas mulheres + um homem).

No 3.º trimestre de 2024 ocorreram seis homicídios (cinco mulheres + um homem).

Os dados relativos a crimes ocorridos em contexto de violência doméstica e homicídios em contexto de violência doméstica são recolhidos pela Polícia Judiciária, PSP, GNR, Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e CIG, a entidade coordenadora da Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica.

Na passada quarta-feira também o Observatório das Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) contabilizou 25 mulheres assassinadas em Portugal, entre o início do ano e 15 de novembro, das quais 20 femicídios.

Cristo Rei no Porto

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O ano litúrgico católico termina hoje com a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.

Todos conhecem o monumento a Cristo Rei erigido em Almada cumprindo a promessa feita pelos bispos portugueses para agradecer o facto de Portugal ter sido poupado à Segunda Guerra Mundial.

No Grande Porto, contudo, existe um estátua de Cristo Rei na freguesia de Penamaior, em Paços de Ferreira, junto da capela de Nossa Senhora do Pilar e do radar da base da Força Aérea, no ponto mais alto da serra da Agrela e monte Córdova bem perto da nascente do rio Leça.

A imagem do Cristo Rei, da autoria do escultor Henrique Moreira foi erigida em 1940 com consagração do concelho de Paços de Ferreira a Jesus Sacramento. Abençoa todo o vale do Leça e região do Porto, pois está no ponto mais alta da região.

Na Invicta Cidade do Porto, existe, também, desde os anos 50 do século XX, uma igreja dedicada a Cristo Rei, próxima da avenida Marechal Gomes da Costa e de Serralves, anexa ao convento dos Padres Dominicanos. Em 1979 foi criada a paróquia experimental, que o atual bispo do Porto, Dom Manuel Linda elevou a paróquia definitiva.

Outrora, contaram-me os antigos, esta solenidade era grandiosa, nos tempos áureos da Ação Católica Portuguesa, quando os seus militantes faziam as suas promessas e renovação de votos. Eram os tempos da JAC, juventude agrária católica; JEC, juventude estudantil católica; JIC, juventude independente católica; JOC, juventude operária católica e a JUC, juventude universitária católica. Além dos Ramos juvenis havia a Liga dos adultos: LAC, LEC, LIC, LOC e LUC.

Sérgio Carvalho

Benfica marca sete golos ao Estrela da Amadora e segue na Taça de Portugal

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Foto: Notícias Em Direto | Arlindo Homem

O Benfica apurou-se este sábado para os oitavos de final da Taça de Portugal de futebol, ao golear em casa o Estrela da Amadora, por 7-0, em jogo da quarta eliminatória em que Di María marcou três golos.

O internacional argentino inaugurou o marcador logo aos dois minutos, ampliou a vantagem aos cinco, numa ‘bicicleta’, e assinou o terceiro aos 18, alcançando o seu segundo ‘hat-trick’ ao serviço dos ‘encarnados’, 14 anos depois do primeiro, que remontava a fevereiro de 2010, diante do Leixões.

O turco Akturkoglu, aos 59 minutos, o suíço Amdouni, aos 81, e o brasileiro Arthur Cabral, com um ‘bis’, aos 86 e 90, marcaram os restantes tentos das ‘águias’, recordistas de troféus da Taça de Portugal (26), mas que não vencem a prova desde 2017.

Nos oitavos de final, o Benfica vai visitar o Farense, que hoje eliminou o Arouca (2-1).

Nomeados por Trump representam perigo para Saúde e Segurança

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Se forem confirmados pelo Senado, vários dos nomeados pelo presidente eleito Donald Trump para o seu governo representam perigos para a Saúde e Segurança dos Estados Unidos, devido à falta de formação, experiência e promessas alarmantes, disseram à Lusa analistas políticos.

“Trump quer nomear pessoas na base da lealdade e de poderem abalar os sistemas, mas o que está a fazer é a nomear pessoas que não são qualificadas e que não têm qualquer experiência a gerir os vastos departamentos de que serão encarregados”, defendeu o cientista político Thomas Holyoke, professor na Universidade Estadual da Califórnia em Fresno.

“Dizer que algumas destas pessoas não têm qualificações é um eufemismo”, continuou, apontando para Robert F. Kennedy Jr. nos Serviços de Saúde e Humanos, Tulsi Gabbard na direção da Inteligência Nacional e Pete Hegseth como secretário da Defesa, além de Matt Gaetz, cuja nomeação para procurador-geral foi tão controversa que este acabou por se retirar de consideração.

“Em grande parte, parece que foram buscar o carro dos palhaços”, opinou.

Holyoke considera que a nomeação de RFK Jr. é a mais perigosa, uma vez que colocará à frente dos serviços de saúde um advogado radicalmente anti-vacinas que quer suspender a investigação sobre o cancro e doenças infecciosas e eliminar várias agências.

“Se ele tentar realmente cancelar o apoio federal ao desenvolvimento de vacinas, é um perigo para o interesse público. As vacinas salvam muitas vidas”, apontou. “Também quer retirar o flúor da água, algo que sabemos que ajuda a saúde oral das pessoas”.

Sobre Tulsi Gabbard, o analista referiu que paira suspeição devido à proximidade da ex-democrata a ditadores, como Bashar al-Assad da Síria e Vladimir Putin da Rússia.

“Se houver qualquer fundamento nisso, ela deve absolutamente ser desqualificada”, salientou. “Não faz sentido colocar à frente do aparelho de inteligência dos Estados Unidos alguém que está ligada às pessoas que estamos a tentar espiar”.

Com estas e outras nomeações polémicas, está em dúvida a disponibilidade do Senado, que será controlado pelos republicanos, para confirmar os candidatos escolhidos por Trump.

Para a cientista política Daniela Melo, a retirada de Matt Gaetz é um aviso de que o Senado não está disposto simplesmente a carimbar as escolhas e Trump terá mais dificuldade que o esperado em constituir o governo que deseja.

“Tornou-se absolutamente óbvio que ele não tinha votos suficientes da bancada republicana”, disse à Lusa a professora da Universidade de Boston. “É uma sinalização forte do Senado de que há nomeados que são inaceitáveis e que não estão dispostos a abdicar das funções do Senado de avaliar os nomeados”.

Com a saída de Gaetz, disse Melo, a nomeação de Tulsi Gabbard também deve estar em risco.

A analista antecipa um braço de ferro entre o novo líder do Senado, John Thune, e o presidente eleito Donald Trump, que tem falado publicamente de querer obrigar o Senado a suspender a sessão legislativa para fazer confirmações diretas.

“Há uma tendência que é absolutamente iliberal de Trump, isso está patente”, apontou a especialista. “Estamos aqui a ver uma manobra ‘a la’ Hungria, em que há uma intimidação ou aviso, um torcer do braço a todos os que fazem parte da bancada republicana para que eles entrem na linha”.

Thomas Holyoke considera “altamente improvável” que o Senado aceite essa imposição, mas nota que Trump está muito empenhado em conseguir os seus nomeados e não é conhecido por desistir de desafios.

“Isto coloca os republicanos numa posição terrível. Se cederem, são vistos como covardes obsequiosos e invertebrados; se resistirem, estarão a entrar numa luta com o líder do seu partido”, disse o professor. “É uma situação em que perdem sempre, especialmente para o senador Thune”.

Reportagem: Jogo de madeira feito à mão na Terceira é procurado por locais e turistas

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A marralhinha, um jogo de tabuleiro feito à mão, na ilha Terceira, nos Açores, é procurada pelos locais, mas também pelos turistas, mesmo pelos que nem sabem como se joga.

Pelas mãos de José Linhares já passaram mais de 4.000 marralhinhas, um jogo feito em madeira, para quatro jogadores, em que o objetivo é colocar cinco peças (berlindes) em casas específicas, esculpidas no tabuleiro, avançando consoante o número que o dado dita.

“Cá na terra, julgo que vai ser muito raro uma família não ter uma marralhinha”, afirma, em declarações à Lusa, o artesão.

O jogo tornou-se popular em 2012 e passou a fazer parte dos serões e convívios de muitas famílias na ilha Terceira, mas muitas das marralhinhas feitas por José Linhares saíram do arquipélago.

“Já mandámos 50 para a América”, conta, acrescentando que o jogo também já chegou, por exemplo, à Rússia e à Noruega.

São vários os artesãos na Terceira a fazer o jogo, que já faz parte da oferta das lojas de lembranças para turistas da ilha.

José Linhares participa, com a mulher Lúcia, em feiras de artesanato, onde se depara com muitos olhares curiosos de quem chega de fora. “Ensinamos a jogar a muitas pessoas. Algumas acham graça e compram”, revela.

Com regras fáceis de aprender, a marralhinha conquista pessoas de todas as idades e, por isso, é muitas vezes jogada em família.

“Em São Miguel, entrou uma senhora na feira e disse: ainda ontem estive aqui com a minha mãe, que tem 90 anos. Estivemos a jogar até à meia-noite”, recorda José Linhares.

Já houve mesmo quem lhe dissesse que não tinha interesse em jogar, mas queria uma marralhinha para decorar a sala: “As nossas marralhinhas são um bocadinho diferentes e as pessoas gostam de ver. Têm madeiras que vêm do Brasil e de África e embutidos de osso de baleia.”

Carpinteiro durante toda a vida, José Linhares trabalhou em empresas de construção de civil, mas quando a crise conduziu ao fecho da empresa em que trabalhava viu-se, pela primeira vez, parado, em casa, sem nada com que se ocupar.

Foi o médico que lhe recomendou que arranjasse “alguma coisa para se distrair” e voltou a dedicar-se à carpintaria, numa pequena oficina nas traseiras de casa.

Em 2012, um amigo deu-lhe um molde de uma marralhinha para reproduzir. As duas tábuas de madeira, que encaixadas formam uma cruz, eram bem maiores do que as que molda hoje em dia, mas depressa chegaram os pedidos de amigos e familiares.

“Houve pessoas aqui a vir buscar, durante algum tempo, 30 ou 40 marralhinhas”, conta.

Com a ajuda dos filhos, começou a aperfeiçoar as marralhinhas. Tornou-as mais pequenas, para que pudessem ser mais facilmente transportadas, e começou a combinar madeiras diferentes, para criar padrões.

Não passa um dia sem ir à carpintaria e a maior parte do tempo é dedicada ao jogo, que quase todos conhecem na ilha.

“Há marralhinhas que podem demorar duas horas a fazer, há outras que podem levar 12 horas. Depende dos embutidos que têm”, explica.

Quando o amigo lhe deu o primeiro molde, José regressou aos bancos da escola primária do Porto Judeu, recordando um jogo semelhante da sua infância.

Na década de 1960, a Força Aérea norte-americana, colocada na Base das Lajes, distribuía brinquedos pelas crianças da ilha Terceira.

“Davam bonecas, lápis de cor, havia uma cartolina quadrada, com uns 40 e poucos centímetros, que tinha umas bolinhas como os furos que estão na marralhinha. Não era com berlindes, era uma peça pequenina, que se jogava”, lembra o artesão.

O jogo de madeira e berlindes pode até ser semelhante, com uma ou outra regra diferente, mas tornou-se mais popular na Terceira, substituindo até, por vezes, os jogos de cartas e dominó nos serões dos cafés da ilha.

José Linhares sabe de cor as regras e já foi convidado para os muitos torneios que se organizam na ilha, mas é na carpintaria que se sente mais confortável perto das marralhinhas.

“Não gosto de jogar. Tenho dois filhos. Já jogámos e eu quase sempre acho que vou ganhar e depois perco”, explica, com uma gargalhada.

Encontrada terceira vítima mortal nos escombros de pensão que ardeu no Porto

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Os restos mortais de uma terceira vítima do incêndio que destruiu uma pensão no Porto foram encontrados ao final da noite de sábado, confirmou hoje à Lusa fonte dos Bombeiros Sapadores do Porto.

Segundo aquela fonte, o corpo foi detetado pelas 23:15 e no local continuam duas viaturas daquela corporação e seis operacionais.

Na passada quarta-feira, um incêndio num prédio na rua Cimo de Vila destruiu uma pensão que ali funcionava, tendo causado sete desalojados e dois feridos por inalação de fumos.

Na quinta-feira iniciaram-se buscas por uma mulher que tinha sido vista dentro do edifício e que estava dada por desaparecida, havendo ainda dois homens que costumavam pernoitar no edifício que não tinha sido possível localizar.

Na sexta-feira, apareceu o corpo daquela mulher e no sábado pelas 17:00 foi encontrado mais um corpo entre os escombros, que não foi possível verificar ainda se de um homem ou de uma mulher.

Com o corpo encontrado na noite de sexta sobem para três o número de vítimas mortais daquele incêndio.

A PJ já esteve no local a recolher elementos.

Violência doméstica deve ter campanhas permanentes e ser lecionado em Cidadania aos alunos

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A investigadora Rosa Monteiro defende que é fundamental implementar campanhas informativas permanentes e levar o tema da violência doméstica e no namoro às aulas de Cidadania.

Em entrevista à Lusa no âmbito do Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, que se assinala a 25 de novembro, a investigadora e ex-secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, diz que é essencial “apostar massivamente em campanhas de divulgação e disseminação dos apoios e desconstrução da ideia de que não existem respostas e de que existe uma impunidade e que não adianta ir procurar ajuda”.

Rosa Monteiro, investigadora em políticas públicas de apoio às vítimas de violência e docente na Faculdade de Economia da Universidade Coimbra diz que o tema da violência sexual e violência no namoro é “absolutamente urgente e fundamental” ser trabalhado na disciplina de Cidadania nas escolas porque os casos de “violação e violência no namoro estão a aumentar em Portugal”.

“É fundamental começar a trabalhar na educação para a igualdade, para a dignidade, para os Direitos Humanos e para a não violência desde tenras idades. Temos, e todos os anos é assinalado, verificado que nas escolas portuguesas (…), os jovens e as jovens continuam a ter ideias e conceções completamente erradas do que é que é o namoro, do que é que são relações de intimidade protegidas, seguras, confiantes, com dignidade”, alerta a especialista.

A investigadora do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia considera que o tema da violência doméstica esteve na agenda política até 2022, na sequência de um “conjunto de homicídios no início de 2019” e também por causa da pandemia da covid-19 e do risco mais intensificado das situações de violência” relacionada com o confinamento.

É “importantíssimo falar do tema para que ele não caia no esquecimento”, asseverou, lamentando que nos últimos dois anos o tema da violência doméstica tenha sido esquecido e que nem sequer haja uma campanha em 2024 a alertar para a problemática.

Rosa Monteiro lamenta ainda que o tema pareça estar esquecido.

A violência contra as mulheres deve ser uma responsabilidade coletiva e por isso deve “haver campanhas permanentes de informação acerca de respostas existentes em todo o país”, disse.

“Ainda há muitas pessoas que não sabem onde se dirigir em casos de violência doméstica” e, por isso, é fulcral continuar a apostar na divulgação da existência das estruturas de acolhimento (casas de abrigo e de emergência), mas também nas equipas de atendimento especializadas que trabalham em rede, com forças de segurança, justiça, saúde e educação”.

Ainda sobre a problemática da violência no namoro, Rosa Monteiro avisa é preciso intervir através da educação.

“Se não se intervier na Educação para a Cidadania e na Cidadania e Desenvolvimento na vida adulta é muito mais difícil verificar alteração de comportamentos. A educação é a raiz, é fundamental e isto não tem nada de ideológico”, concluiu.

O Observatório das Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) anunciou esta semana 25 mulheres assassinadas em Portugal entre janeiro e 15 de novembro deste ano, das quais 20 femicídios.

OE2025: Aprovadas 39 propostas de alteração, PS é o único partido sem ‘vitórias’

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foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

No primeiro dia da ‘maratona’ de votações do Orçamento do Estado para 2025 (OE2025) foram aprovadas 39 propostas de alteração ao documento entregue pelo Governo, 33 das quais da oposição, com o PS a ser o único partido sem uma ‘vitória’.

No arranque das votações na especialidade do OE2025, que durou cerca de cinco horas, o partido com mais propostas aprovadas foi o PAN, com 13 medidas viabilizadas.

Segue-se o BE e, conjuntamente, os partidos que apoiam o Governo, PSD/CDS-PP, que conseguiram cada um seis propostas com ‘luz verde’ dos deputados. Já o PCP viu aprovadas cinco medidas que alteram o documento entregue pelo executivo de Luís Montenegro.

Com quatro propostas viabilizadas está o Chega, seguido do Livre com três e a IL com duas.

O PS saiu do primeiro dia de votações sem nenhuma proposta aprovada, sendo que entre as medidas chumbadas encontrava-se a dedicação exclusiva no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que foi uma das contrapropostas pedidas por Pedro Nuno Santos nas negociações que terminaram sem acordo com o Governo.

Do partido com o maior número de propostas de alteração viabilizadas, destaca-se a ‘luz verde’ a iniciativas que alargam o programa Porta 65+ a vítimas de violência doméstica que precisem de sair de casa ou a atualização de abonos a funcionários do MNE em serviços externos.

As propostas do PAN que visam assegurar “despesas inerentes à melhoria dos dados oficiais” sobre crimes de devassa ou que sinalizam o início dos trabalhos necessários para a elaboração de um guia de proteção contra o assédio que indique às vítimas os seus direitos e os mecanismos de apoio disponíveis estão também entre as viabilizadas.

Entre as principais conquistas do partido liderado por Mariana Mortágua está a proposta que trava a redução de publicidade na RTP durante o próximo ano, que tinha sido anunciada pelo Governo como parte do plano para os media, assim como uma proposta que condiciona a atribuição de benefícios aos media que contratem os serviços da Lusa ao cumprimento de obrigações de transparência e manutenção ou incremento de emprego.

Foi também viabilizada uma proposta do Bloco de Esquerda para comparticipar a 100% os sistemas híbridos de perfusão subcutânea de insulina.

Os partidos que suportam o Governo (PSD e CDS-PP) também viram algumas das suas propostas de alteração serem viabilizadas pela oposição, nomeadamente duas que prometem estudar a possibilidade de equiparar o regime contributivo das bordadeiras da Madeira (profissão considerada de desgaste rápido) às tapeteiras de Arraiolos e aos artesãos/barristas dos Bonecos de Estremoz e outra que permite contornar os atrasos na emissão de atestados médicos de incapacidade multiúso no acesso à Prestação Social de Inclusão (PSI).

O reforço de verbas para a proteção às vítimas de violência doméstica e programas dirigidos a agressores foi uma das propostas do PCP que foi aprovada, bem como a proteção social e valorização das tapeteiras de Arraiolos e dos artesãos dos bonecos de Estremoz.

Do Chega, foi aprovada uma proposta que contempla o reforço dos meios técnicos para a proteção dos cabos submarinos de telecomunicações e uma medida que prevê que o Governo reveja a carreira especial de técnico de emergência pré-hospitalar no primeiro trimestre de 2025.

O Livre viu serem viabilizadas uma proposta que autoriza o Governo a transferir verbas para ações de eliminação de barreiras arquitetónicas e de adaptação do edificado a pessoas como mobilidade reduzida e ainda uma outra para que se façam as alterações orçamentais necessária para assegurar as despesas inerentes às operações de crédito bonificado.

A IL aprovou duas propostas relativas à Administração Pública, uma para criar o programa Poupar e Premiar, de prémios a atribuir aos trabalhadores do setor público, quando concretizem poupanças de despesas, e outra para um programa de racionalização da administração consultiva do Estado.

Contas de 2023/24 e nova fundação do FC Porto aprovados por larga maioria em AG

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foto: Tiago Miguel de Araújo Vieira / Notícias Em Direto

As contas do FC Porto na temporada 2023/24 e a criação da fundação do clube da I Liga de futebol foram este sábado aprovados por larga maioria pelos associados em Assembleia Geral (AG), informaram os ‘dragões’.

No pavilhão Dragão Arena, no Porto, 1.178 sócios estiveram presentes na primeira reunião magna do clube decorrida na presidência de André Villas-Boas, dos quais 1.042 exerceram o seu direito de voto sobre os dois principais pontos da ordem de trabalhos.

O relatório de gestão e as contas individuais e consolidadas do FC Porto, que rendeu um resultado líquido negativo de 2,434 milhões de euros (ME) entre 01 de julho de 2023 e 30 de junho de 2024, foi aprovado por 839 associados (80,5%), havendo ainda 104 votos desfavoráveis, oito em branco e 96 abstenções.

Já a constituição e dotação da fundação do clube, uma das promessas eleitorais de André Villas-Boas, teve 825 votos a favor (79,17%), 134 contra, 17 em branco e 61 abstenções, ficando a direção ‘azul e branca’ mandatada para proceder à sua constituição como exclusiva entidade instituidora.

A AG ordinária do FC Porto arrancou às 11:00 e começou por reprovar um pedido de impugnação dos trabalhos submetido por um associado, com 709 votos desfavoráveis, 76 a favor e 92 abstenções.

Seguiu-se a apreciação, discussão e ratificação dos dois principais pontos da ordem de trabalhos, que motivaram diversas intervenções de sócios e de elementos dos órgãos sociais dos ‘dragões’, contemplando um horário alargado e ininterrupto de votação.

“Foi uma assembleia muito participada. Os associados estiveram presentes em força e quiseram manifestar a sua preocupação e confiança na liderança do clube. Quase todos puderam exercer o direito de voto no âmbito desta nova metodologia aplicada e o resultado é extremamente estimulante”, avaliou o presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG), António Tavares, em declarações citadas pelos meios de comunicação oficiais do FC Porto.

A reunião magna terminou pouco antes das 17:00, após a apresentação sem votação de outros assuntos de interesse para o clube, bem como a aprovação por unanimidade de um voto de confiança à elaboração da ata pela MAG.

“Tivemos expressões de vários estados de circunstância e pudemos ver algo muito importante: um grande orgulho no passado do clube, uma grande confiança no presente e um grande foco no futuro. Sempre sob duas palavras de ordem: unidade e vitória, porque é isso que está inscrito no ADN do FC Porto. Quem ganhou hoje foram os sócios”, terminou António Tavares, que conduziu pela primeira vez uma AG ‘azul e branca’.

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