23.2 C
Caldas da Rainha
Terça-feira, Julho 14, 2026
Início Site Página 209

Ordens dos Médicos e Psicólogos propõem à DGS norma para prática de psicoterapia

0

A Ordem dos Médicos e a Ordem dos Psicólogos Portugueses defenderam que a psicoterapia é “uma especialização clínica” que deve ser praticada por profissionais da área da Saúde, propondo à Direção-Geral da Saúde a elaboração de uma norma.

Num comunicado conjunto esta quarta-feira divulgado, as ordens esclarecem que o mecanismo vai permitir que todos os profissionais de saúde que exercem psicoterapia “possuam a formação adequada e se rejam por padrões éticos e deontológicos”, de modo a assegurar “a prestação de serviços de qualidade, baseados em evidência científica”, e salvaguardar os riscos para a saúde.

Para a elaboração da norma, as entidades recomendam criação de um grupo de trabalho.

“A psicoterapia não é uma profissão, mas antes um conjunto de intervenções, médicas ou psicológicas, e uma especialização clínica”, indicam no documento enviado à Direção-Geral da Saúde (DGS).

A Ordem dos Médicos (OM) e a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) explicam que a psicoterapia “corresponde a um conjunto de métodos, técnicas e procedimentos, baseados na evidência científica e eticamente informados, que têm como objetivo orientar a pessoa na compreensão das diferentes dimensões da sua vida, de uma forma refletida, e em promover a sua transformação na relação com o meio, no sentido de reduzir o sofrimento psicológico e/ou promover o desenvolvimento pessoal e o bem-estar”.

“A psicoterapia deve apenas ser praticada por profissionais da área da saúde, devidamente habilitados para a prática da psicoterapia. Estes profissionais, para além da sua formação base, adquirem competências específicas em psicoterapia através de diferentes programas formativos”, sustentam.

Os organismos defendem ainda que a “prática da psicoterapia deve estar sempre enquadrada no âmbito de uma profissão de saúde autorregulada, sujeita ao controlo normativo, ético e científico da respetiva ordem profissional”.

Citado no comunicado, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, disse que “a saúde mental deve ser uma prioridade” e que “é fundamental que o seu acompanhamento e tratamento […] seja feito exclusivamente por profissionais qualificados”.

“A nossa preocupação é a segurança e a saúde das pessoas”, realçou o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Francisco Miranda Rodrigues.

Ambas as ordens alertaram também para alguns dos riscos da prática da psicoterapia por profissionais não qualificados, como a ausência das competências técnicas e científicas necessárias, a prestação de serviços baseados em teorias e modelos que carecem de validação científica, o aumento de situações de risco, as intervenções ineficazes, a falta de competências ao nível da tomada de decisão ética e profissional e de regulação legal perante más práticas profissionais.

Vacinação sazonal está “longe de atingir metas ideais”

0
DR

A associação que representa as Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) alertou na quarta-feira que a campanha de vacinação sazonal “está longe de atingir as metas ideais” e que persistem falhas na disponibilização de vacinas aos centros de saúde.

“Apesar do aparente sucesso, muito por mérito do esforço e dedicação dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o processo de vacinação sazonal está longe de atingir as metas ideais”, afirmou a USF-AN em comunicado.

A associação alegou que, para além da campanha nos cuidados de saúde primários ter começado mais tarde, têm ocorrido “falhas persistentes” na disponibilização de vacinas aos centros de saúde, “que não parecem estar a acontecer nas farmácias”.

Essa situação está a “comprometer o total sucesso da campanha, com desgaste dos profissionais e da confiança dos utentes, sem falar do impacto na gestão da doença”, salientou a USF-AN.

De acordo com a associação, apesar da falta de `stock´ em algumas unidades do SNS, a maior taxa de cobertura vacinal contra a covid-19 e a gripe foi registada entre os idosos com 85 anos ou mais, que são vacinados exclusivamente nos centros de saúde.

Além disso, os centros de saúde estão a vacinar mais do que as farmácias há três semanas consecutivas, “denotando o esforço para alcançar os objetivos propostos e dar a melhor resposta à população, mesmo em condições menos favoráveis”, referiu a associação que representa as unidades de saúde familiar.

Alertou também que a situação nos grupos-alvo abaixo dos 60 anos, cuja vacinação é também da responsabilidade exclusiva dos cuidados de saúde primários, permanece sem informação pública atualizada nos relatórios da Direção-Geral da Saúde (DGS), o que leva a que não se considere estes milhares de vacinas para avaliação da campanha.

Segundo o último relatório da DGS, entre 20 de setembro e 01 de dezembro, foram vacinadas 1.444.120 pessoas com o reforço sazonal contra a covid-19 e 2.158.165 pessoas contra a gripe.

Os dados indicam ainda que 2.018.832 foram vacinadas nas farmácias que integram a campanha sazonal e 1.582.863 optaram por tomar as vacinas nas unidades do SNS.

A cobertura contra a gripe dos idosos com 85 anos ou mais, que são vacinados apenas no SNS, está nos 80,65%, baixando para os 62,60% no caso do reforço contra a covid-19.

Mais de uma centena de artistas perguntam ao Governo se entende que “a Cultura é estúpida”

0
foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

Mais de uma centena de artistas, do teatro à música, passando pelas artes visuais e dança, acusam o Governo de “desapego e desinteresse pelas artes performativas”, na carta aberta “E a Cultura é estúpida?”, esta quarta-feira divulgada.

Entre os subscritores da carta, disponível ‘online’ e difundida na área de opinião do jornal Público, estão atores como João Reis, Isabel Abreu, Beatriz Batarda, Zia Soares, Cristina Carvalhal e Mónica Garnel, músicos como Sérgio Godinho, Lena D’Água, Filipe Sambado e Alex D’Alva Teixeira, encenadores como Raimundo Cosme, André e. Teodósio e Marco Paiva, o maestro Martim Sousa Tavares, coreógrafos como Francisco Camacho, João Fiadeiro, Victor Hugo Pontes, Vera Mantero, Clara Andermatt, Diana Niepce e Olga Roriz.

A carta aberta é também subscrita por companhias como a Cão Solteiro, Dançando com a Diferença, Teatro Praga, Teatro Griot, O Rumo do Fumo, a Plataforma 285 e o Festival Alkantara.

Os subscritores defendem que “o desapego e desinteresse pelas artes performativas demonstrados pelo Ministério da Cultura até ao momento têm acentuado a crónica incerteza e instabilidade no setor artístico”.

“O recuo no orçamento da cultura para as artes performativas ou as exonerações em equipamentos centrais para o meio (o exemplo mais recente é a exoneração da presidente do Centro Cultural de Belém, Francisca Carneiro Fernandes) afetam redes de cooperação nacionais e internacionais essenciais para a manutenção de estruturas artísticas precárias”, alertam.

Além disso, referem também a “especulação sobre a exoneração da direção da Direção-Geral das Artes (DGArtes), um organismo que tem sofrido profundas mudanças e que beneficia com a estabilidade”.

Questionando “o que pretende a Ministra da Cultura” para o setor, os subscritores avisam que a “indefinição afeta desde logo as estruturas quadrienais que continuam sem saber se o decreto-lei que regula a possibilidade de renovação dos apoios quadrienais [atribuídos pela DGARtes], aprovado pelo Governo anterior, será cumprido”.

“Acresce que à data, tirando os concursos que ainda decorrem nos moldes definidos pelo Governo anterior, o orçamento aprovado para estas artes é bastante menor do que o dos anos anteriores”, referem.

Os subscritores abordam também “o fim dos concursos previstos na declaração anual da DGArtes, como Arte pela Democracia, Arte e Coesão Territorial, Rede Portuguesa de Arte Contemporânea”, decisão que os leva “a reconhecer que o atual Governo e o seu Ministério da Cultura claramente trabalham para uma desvalorização das artes performativas, recuando no crescimento que estava em curso”.

Numa altura em que o setor tem “menos orçamento, menos estabilidade, mais desconhecimento e mais fragilidade”, existe também “desqualificação de quadros de direção de equipamentos fundamentais para a colaboração com as artes performativas contemporâneas, festivais, estruturas e artistas”.

“Notamos um desinteresse por parte da ministra da Cultura em dialogar com tutelas de equipamentos estatais (o conselho de administração do Teatro Nacional D.Maria II está em gestão há um ano e com um vogal em falta) ou conhecer no terreno a realidade das múltiplas atividades culturais que, no momento, encontram na DGArtes um interlocutor que não se pode comprometer”, referem.

No momento em que se vive “de novo um ciclo de abandono das artes performativas, que se tem concentrado em exonerações e mudanças de chefia”, os subscritores acreditam que este faz parte de “um trajeto de terraplanagem de um setor de arte contemporânea que compete proteger”.

“Exigimos que se garanta a independência de missão e programa dos equipamentos e organismos (presidentes e administrações) sem interferência dos gostos e interesses do Estado”, lê-se na carta.

Exigindo “respostas e visibilidade” para o setor, os subscritores entendem ser “agora” o momento em que devem falar e manifestar-se, até porque o Ministério da Cultura, “até ao momento, não manifestou interesse em ouvir o setor, os seus profissionais e as suas estruturas”.

A carta aberta, disponível ‘online’ para subscrição, foi enviada hoje para a ministra da Cultura, para o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, tem sido alvo de críticas, nomeadamente após a exoneração, na sexta-feira, da presidente da Fundação CCB, Francisca Carneiro Fernandes, no cargo há menos de um ano, anunciando a nomeação para o cargo de Nuno Vassallo e Silva e justificando a decisão com a “necessidade de imprimir nova orientação à gestão da Fundação CCB, para garantir que a fundação assegura um serviço de âmbito nacional, participando num novo ciclo da vida cultural portuguesa”.

A Comissão de Trabalhadores do CCB lamentou a exoneração, horas depois de ter sido anunciada, recordando a “abertura de diálogo” e a “reestruturação fundamental” que empreendeu ao longo do ano em que esteve em funções.

Entretanto, no sábado, foi divulgada uma petição em forma de carta aberta dirigida ao primeiro-ministro a exigir explicações sobre a exoneração.

A petição ‘online’ reunia, pelas 19:00 de hoje, cerca de 2.100 assinaturas, incluindo as de Aida Tavares, diretora artística para as artes performativas do CCB, e Nuria Enguita, diretora artística do MAC/CCB, o antigo administrador do CCB Miguel Lobo Antunes, entre muitos outros.

A saída de Francisca Carneiro Fernandes teve ainda eco internacional, com a União dos Teatros da Europa (UTE), que reúne 12 grandes teatros europeus, a reagir “com surpresa” à “súbita exoneração”.

Numa carta aberta publicada no domingo, a UTE assinala que a exonerada presidente do CCB “tem sido vital” para a instituição “pela sua força criativa e pela sua habilidade excecional em juntar pessoas de origens, países e tradições teatrais muito diferentes”.

A UTE congrega companhias históricas como o Piccolo Teatro di Milano, o Teatro de Roma, os teatros nacionais da Catalunha, da Grécia, Hungria, Luxemburgo e da Sérvia, os teatros de Praga, na Chéquia, o SNG Drama Ljubljana, da Eslovénia, o Hungarian Theatre of Cluj, da Roménia, e o Teatro Laboratório Sfumato, da Bulgária, assim como Teatro Nacional S. João.

Entretanto, foi aprovada na terça-feira a ida da ministra da Cultura ao parlamento para uma audição sobre a exoneração de Francisca Carneiro Fernandes, requerida pelo PS e o Bloco de Esquerda (BE).

Também na terça-feira, o ator e encenador Tiago Rodrigues, diretor do Festival d’Avignon e antigo diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, num artigo de opinião no jornal Público escreveu sobre o que definiu como “atuação inaceitável” do Ministério da Cultura ao exonerar a presidente da Fundação CCB, “antes sequer de cumprir um ano em funções, sem explicação substantiva por parte do Ministério da Cultura, interrompendo um projeto que, embora no início, já dava um novo fôlego à tão necessitada instituição”.

A mudança da equipa de Évora Capital Europeia da Cultura 2027 é também referida por Tiago Rodrigues no artigo de opinião, e levou sete programadores e comissários de Capitais Europeias da Cultura a escreverem à Comissão Europeia, manifestando preocupação pela mudança na gestão de Évora2027, considerando difícil executar o programa em dois anos.

Governo francês destituído por moção de censura aprovada pela esquerda e extrema-direita

0
DR

O Governo francês, liderado por Michel Barnier, foi hoje destituído por uma moção de censura com 331 votos favoráveis da coligação de esquerda Nova Frente Popular e da extrema-direita, União Nacional.

Michel Barnier (centro-direita) terá agora que apresentar a sua resignação ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que terá que nomear um novo chefe de Governo, já que está impossibilitado de convocar novas eleições legislativas.

Barnier estava a governar em minoria até agora e, perante a dificuldade de aprovar o orçamento, recorreu na segunda-feira ao artigo 49.3 da Constituição francesa, que prevê a possibilidade de aprovar leis, evitando uma votação parlamentar em troca de ter de se submeter a uma moção de censura.

A Assembleia Nacional tem 577 lugares, pelo que, para que uma moção seja aprovada, era necessária a aprovação por pelo menos 289 deputados. A Nova Frente Popular conta com 182 deputados na câmara baixa francesa, enquanto a União Nacional tem 143 eleitos.

A queda do executivo agrava a crise política criada pela dissolução da Assembleia Nacional pelo Presidente Emmanuel Macron, em junho, na sequência da vitória da extrema-direita nas eleições europeias.

As eleições legislativas no mês seguinte deram origem a uma Assembleia Nacional muito fragmentada e Barnier só tomou posse como primeiro-ministro em 05 de setembro, sucedendo a Gabriel Attal, após 60 dias de impasse.

Embora nenhum dos dois blocos consiga uma maioria sozinho, a fragmentação parlamentar resultante das eleições de julho deu origem à possibilidade de uma aliança entre os grupos da oposição.

Ao contrário de outros sistemas parlamentares, em França a moção de censura não é utilizada como um instrumento construtivo, pelo que os seus proponentes não têm de apresentar um candidato alternativo à chefia do Governo.

O único objetivo da moção passa por derrubar o Governo atual, razão pela qual, neste caso, não foi apresentado qualquer potencial substituto para Barnier.

Com o atual cenário, o país corre o risco de uma crise financeira ligada ao nível de confiança dos mercados na capacidade das autoridades públicas de contrair empréstimos a taxas baixas.

Macron não pode voltar a convocar eleições antecipadas, uma vez que a Constituição estabelece que a Assembleia Nacional não pode ser dissolvida antes de ter decorrido pelo menos um ano desde as eleições anteriores, ou seja, em julho de 2025.

Macron, que nas últimas semanas sempre excluiu a hipótese de se demitir, deve agora procurar uma nova figura política com capacidade para reunir uma maioria mais ampla do que Barnier, que se apoiou principalmente na direita clássica.

A esquerda, sob a bandeira da Nova Frente Popular (NFP), é o grupo com mais deputados, mas após as eleições o Presidente descartou a possibilidade de propor um primeiro-ministro deste bloco, argumentando que não receberia apoio de outras famílias políticas.

Nos últimos dias, vários nomes têm surgido nos meios de comunicação social, sem que haja um favorito claro e com a possibilidade de um Governo de tecnocratas, uma situação a que a França nunca teve de recorrer.

Porto, Norte e Galiza assinam manifesto para avanço da alta velocidade Vigo-Porto

0

O Norte de Portugal, o Porto e a Junta da Galiza assinaram hoje um manifesto a reivindicar, ao governo Espanhol, o avanço das empreitadas necessárias para uma ligação ferroviária de Alta Velocidade entre Porto e Vigo em 2030.

“Queremos a linha em 2030 e é possível. A fachada atlântica é a mais densa da Península Ibérica, estima-se uma procura de 11 milhões de passageiros [entre Lisboa e Vigo]. Também a ligação Porto Vigo, segundo dados do Governo português, é de 1,5 milhões de passageiros, o mesmo número da ligação Lisboa – Madrid. Temos passageiros, temos eurorregião. É tempo de ter investimentos nestes territórios”, defendeu Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto.

Para o autarca, em Portugal o investimento “parece solidificado”, pelo que o problema se coloca “do lado espanhol”, estando em causa “uma questão política, porque a Junta da Galiza é do PP, de direita, e o governo espanhol é de esquerda”.

O manifesto foi assinado em Vigo pelo presidente da Câmara do Porto, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), o presidente da Junta da Galiza e o presidente da deputación de Pontevedra, perante um auditório com centenas de pessoas, nomeadamente representantes de empresários nortenhos e galegos.

O presidente da Junta da Galiza, Afonso Rueda, manifestou confiança na possibilidade de concluir a ligação Vigo – Valença até 2030, ou levando “mais um ou dois anos”, sublinhando que “o que não pode ser é em 2040”.

Parques de Sintra honrada com classificação da Arte Equestre Portuguesa pela UNESCO

0
DR

A Parques de Sintra, que gere a Escola Portuguesa de Arte Equestre, considerou ontem “uma honra muito grande” a inscrição da Arte Equestre Portuguesa na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO, partilhando o feito “com todos os cavaleiros”.

“A arte equestre em Portugal é um complexo cultural, social e artístico, singularizado pela utilização deste cavalo excecional que é o puro sangue lusitano, com características únicas e exclusivas. E estamos muito orgulhosos”, disse Luís Calaim, da Parques de Sintra, em declarações à Lusa por telefone, a partir de Assunção, onde o Comité Intergovernamental para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Organização das Nações para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) está reunido desde segunda-feira.

A candidatura da Arte Equestre Portuguesa à lista do Património Imaterial da UNESCO foi apresentada em parceria pela Associação Portuguesa de Criadores de Cavalo Puro-Sangue Lusitano, pela Parques de Sintra e pela Câmara Municipal da Golegã.

“Gostávamos de felicitar e partilhar esta inscrição da UNESCO com todos os cavaleiros da arte equestre”, referiu Luís Calaim, recordando haver “milhares de cavaleiros, não só em Portugal mas em todo o mundo, que montam no cavalo lusitano”.

A Equitação Portuguesa é uma prática “que se traduz na excelência do ensino do cavalo expressa na realização dos andamentos e ares de alta escola, que deriva do ensino praticado nas academias de arte equestre europeia, com particularidades que a distinguem, fundamentalmente as que advêm da equitação de trabalho de alaceamento e lide do touro, em campo ou em arena, ou nos jogos equestres”, indica a descrição patente no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, do qual consta desde 2021.

O mesmo texto lembra que esta prática “encontra-se plasmada no trabalho realizado desde o século XVIII na Real Picaria, tendo atingido uma difusão contínua que chegou [à atualidade] e congrega numerosos indivíduos e grupos de praticantes”.

A comunidade de praticantes vai desde os amadores aos profissionais, encontrando-se o maior grupo na Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), embora haja praticantes espalhados por 20 países em cinco continentes, como recorda o texto patente na candidatura à classificação pela UNESCO.

“Estamos convictos que a manutenção deste património [Arte Equestre Portuguesa] neste inventário vai depender da sabedoria coletiva de todos. E não podemos esquecer que a única constante na história da humanidade é a mudança, e é muito importante para nós termos isto ciente no nosso dia-a-dia”, referiu hoje Luís Calaim à Lusa.

Várias manifestações culturais portuguesas estão inscritas na lista do Património Imaterial da UNESCO, como o fado, o cante alentejano, o barro negro de Bisalhães e a dieta mediterrânica.

Autarca diz que alertas de programadores europeus confirmam preocupações sobre Évora2027

0
foto: Magali Guimarães

O presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, considerou que os alertas de sete programadores e comissários de Capitais Europeias da Cultura (CEC) sobre a gestão de Évora2027 confirmam as preocupações manifestadas pelo município.

“Essa tomada de posição vem confirmar as preocupações que nós já tínhamos manifestado, quando, em termos práticos, foi afastada a Equipa de Missão da Associação Évora2027”, afirmou o autarca alentejano, está terça-feira, em declarações à agência Lusa.

Pinto de Sá falava a propósito das preocupações expressas por sete programadores e comissários de CEC numa carta enviada ao diretor de Cultura, Criatividade e Desporto na Comissão Europeia, George Hausler, na sequência da demissão de Paula Mota Garcia da coordenação da Equipa de Missão Évora_27.

“Essa carta mostra bem a preocupação que estas alterações tiveram no âmbito europeu”, sublinhou, realçando que a então Equipa de Missão tinha “o ‘know-how’ e os principais contactos, ligações e relações com os vários projetos e a família das CEC”.

Lembrando que as decisões sobre Évora2027 estão agora nas ‘mãos’ da associação e do Governo, o presidente do município disse esperar que, pelo menos, “esta carta alerte os responsáveis para a situação que está criada”.

“É também necessário garantir o financiamento à Capital Europeia da Cultura o mais rapidamente possível”, advertiu, por outro lado, o autarca.

Segundo Pinto de Sá, a iniciativa tem garantidos, até agora, 15 milhões de euros do Orçamento do Estado e quatro milhões de euros do Fundo de Turismo.

“Mas ainda não estão identificados, apesar de ter havido avanços nesse sentido, os 15 milhões de euros que devem vir de fundos da União Europeia”, referiu.

Quanto ao financiamento para a construção do novo Pavilhão Multiusos e do futuro Centro Nacional de Dança Contemporânea, previstos no ‘bid book’, acrescentou o presidente da Câmara de Évora, “nem sequer ainda há qualquer perspetivas”.

Paula Mota Garcia demitiu-se por considerar que “não estavam reunidas as condições” para continuar, e apontou atrasos na constituição da associação gestora da CEC, formalizada apenas em fevereiro de 2024.

Dias depois da demissão de Paula Mota Garcia, tomou posse a direção da associação gestora de Évora_27, tendo sido escolhida a jurista Maria do Céu Ramos para a presidir.

A dois anos de Évora ser Capital Europeia da Cultura, está ainda por anunciar o concurso público para escolher as direções artística e executiva.

Esta mudança levantou questões entre os responsáveis de outras sete CEC – atuais e futuras -, que escreveram uma carta à Comissão Europeia, noticiada no domingo passado no jornal Público, também numa altura em que está em curso uma revisão do atual modelo Capital Europeia da Cultura (CEC) que termina em 2033.

Os programadores e comissários de CEC que subscreveram a missiva, como dois deles contaram à Lusa, manifestaram preocupação com a mudança na gestão de Évora2027 e consideram difícil executar o programa em dois anos.

A carta enviada à Comissão Europeia foi assinada por Elisabeth Schweeger (Bad Ischl 2024, Áustria), Pascal Keiser (Bourges 2028, França), Henrik Dagfinrud (Bodo 2024, Noruega), Mija Lorbek (Nova Gorica e Gorizia 2025, Eslovénia), Piia Rantala-Korhonen (Oulu 2026, Finlândia), Lukas Cerny (Ceske Budejovice 2028, República Checa) e Rafal Kozinski (Lublin 2029, Polónia).

Lucros da IP cresceram mais de 17 vezes para 88,8 ME até setembro

0
© Infraestruturas de Portugal (IP)

A Infraestruturas de Portugal (IP) registou, até setembro deste ano, lucros de 88,8 milhões de euros, um valor mais de 17 vezes (1.641%) superior ao registado em igual período do ano passado, segundo um relatório publicado pela empresa.

No documento, que visa monitorizar o Plano de Atividades e Orçamento 2024-2026 (PAO 2024-2026) da empresa, o grupo revelou que “no final do 3.º trimestre de 2024 a IP apresenta um resultado líquido positivo de 88,8 milhões de euros, o que representa uma variação positiva de 45,8 milhões euros face ao valor previsto em PAO”, sendo que o resultado de setembro de 2023 foi de 5,1 milhões de euros.

No mesmo período, a IP registou vendas e serviços prestados de 915,8 milhões de euros, um aumento de 2% em termos homólogos, mas inferior ao previsto no PAO em 73,6 milhões de euros.

“Este desvio, face ao previsto, decorre de variações negativas nos rendimentos associados, nomeadamente, nos contratos de construção, em menos 50,4 milhões de euros, na receita de portagens, com menos 27,4 milhões de euros e nos ganhos associados aos serviços ferroviários, com uma variação de menos 10,6 milhões de euros”, explicou a IP.

Por outro lado, “o valor referente à Consignação do Serviço Rodoviário, encontra-se, no 3.º trimestre de 2024, alinhado com o previsto, tendo registado um aumento de 2%”, indicou.

As indemnizações compensatórias da IP cresceram, até setembro, 62% para cerca de 67 milhões de euros, um valor, ainda assim, inferior ao previsto no PAO, de 98,1 milhões de euros.

Segundo a IP, em termos de investimento nas redes ferroviária e rodoviária, “no período em análise foi realizado um valor de 440,9 milhões de euros, o que representa uma execução de 61% do valor previsto em PAO para 3.º trimestre de 2024”.

A IP destacou “a execução global dos investimentos incluídos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) Rodoviário, no valor de 56,4 milhões de euros”, bem como “a execução dos investimentos no âmbito do Ferrovia 2020 no montante de 250,7 milhões de euros e do PNI2030, no montante de 13,6 milhões de euros”.

Segundo o grupo, os encargos com as concessões e subconcessões rodoviárias no período em análise “foram cerca de 810,4 milhões de euros, 11,7 milhões de euros superior ao previsto em PAO”.

“Durante o 3.º trimestre, foram realizadas operações de aumento de capital num total de 232.085.000 euros, das quais 138.673.738 euros para cobertura dos encargos com investimento ferroviário, 69.533.103 euros para cobertura orçamental das PPP [parcerias público-privadas], e 23.878.159 euros para cobertura do serviço da dívida”, disse ainda a IP.

Assim, “a 30 de setembro de 2024, o capital social realizado totalizava 13.634.545.000 euros”.

DGArtes: Apoiados 33 projetos de Teatro com 10,08ME em 2025/26

0

A Direção-Geral das Artes (DGArtes) vai apoiar 33 candidaturas na área do Teatro, com 10,08 milhões de euros, no âmbito do Programa de Apoio Sustentado 2025/26, anunciou na terça-feira aquela organismo.

De acordo com a DGArtes, em comunicado, foram propostas para apoio mais de metade (57%) das 58 candidaturas que foram admitidas a concurso.

Os resultados esta terça-feira anunciados são provisórios, seguindo-se agora um período de audiência de interessados.

O montante financeiro global disponível neste concurso é de 10,08 milhões de euros, a repartir por dois anos, valor que representa um aumento de 68% em relação ao ciclo anterior (2023/2024), em que a dotação foi de seis milhões de euros, refere a DGArtes.

Em termos geográficos, onze das candidaturas propostas para apoio são de entidades artísticas da Grande Lisboa, outras onze do Norte, três do Algarve e outras três do Centro, duas da região Oeste e Vale do Tejo e uma de cada uma das seguintes regiões: Alentejo, Península de Setúbal e Região Autónoma dos Açores.

Das 33 candidaturas propostas para apoio, seis são do domínio das Ações Estratégicas de Mediação, 26 da Criação e uma de Formação.

Os concursos do Programa de Apoio Sustentado, na modalidade bienal, abriram em maio e encerraram em julho, com um valor global de 35,6 milhões de euros, para os anos de 2025 e 2026.

No total são seis concursos que abrangem as áreas do Teatro, Cruzamento Disciplinar, Artes de Rua e Circo, Artes Visuais, Dança, Música e Ópera e Projetos de Programação.

Na área de Programação o concurso mobiliza 9,24 milhões de euros.

As áreas de Música e Ópera dispõem de um global de 4,92 milhões de euros, com 3,72 milhões para Música e 1,2 milhões para Ópera, e as de Cruzamento Disciplinar, Circo e Artes de Rua mobilizam 4,4 milhões de euros.

O concurso na área das Artes Visuais tem reservados 3,6 milhões de euros e o da Dança um montante financeiro global de 3,4 milhões de euros.

Os concursos visam atividades calendarizadas entre 01 de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2026.

80% dos casos reportados pelo Mecanismo Anticorrupção foram arquivados, maioria envolve autarquias

0
DR

O presidente do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC) revelou que, no primeiro semestre de 2024, 80% das 277 comunicações judiciais feitas pela agência foram arquivadas, sendo mais de metade dessas comunicações relacionadas com autarquias.

Numa audição no âmbito da Comissão Eventual para o acompanhamento integrado da execução e monitorização da Agenda Anticorrupção no parlamento, António Pires Henriques da Graça detalhou que, entre os 277 casos reportados à justiça pelo MENAC no primeiro semestre de 2024, 223 foram arquivados, 44 resultaram em acusações e dez culminaram em condenações.

O presidente do MENAC explicou ainda que o tipo de crimes mais investigado é o de corrupção, correspondente a 45% das comunicações judiciais, seguidos pelos casos de prevaricação, peculato, abuso de poder e participação económica em negócio, correspondentes, em conjunto, a 40% dos casos que seguiram para a justiça.

O antigo juiz António Pires Henriques da Graça defendeu ainda no parlamento que o crime de falsificação deveria ser incluído no âmbito da atuação do MENAC, por considerar que é um dos crimes conexos à corrupção, uma vez que corresponde “ao contrário da verdade das coisas e da realidade e deturpa-as”.

Nos primeiros seis meses do ano, 50% a 60% das comunicações à justiça feitas pelo MENAC envolviam o universo autárquico, sobretudo municípios, seguindo-se as investigações que envolveram entidades da administração central, correspondentes a cerca de 18% dos casos reportados.

Através do seu canal de denúncias online, o MENAC recebeu 102 notificações, sendo 86 de natureza pública e 16 privadas. Destas, 42 foram arquivadas, 46 encaminhadas para inspeções gerais competentes e 14 remetidas ao Ministério Público.

Na sua intervenção inicial na audição, o presidente do Mecanismo Anticorrupção lamentou a “escassez de recursos humanos e a dificuldade do seu recrutamento” referindo que, desde março de 2023, o MENAC realizou 24 concursos para mobilidade interna, mas apenas 11 lugares foram ocupados até agora, com perto de metade destas posições a serem desocupadas prematuramente por recusa do seu serviço de origem para a mudança de posto.

“Quanto ao futuro, a agenda anticorrupção aprovada pelo atual governo e que esteve em consulta em público até 12 de agosto, assume o compromisso de operacionalizar a situação do MENAC, dotando-o da eficácia, designadamente através de uma redefinição da sua estrutura interna e modelo de governação, bem como da separação de condicionantes no recrutamento para o seu mapa pessoal”, salientou o líder da agência.

Optimized by Optimole