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Terça-feira, Julho 14, 2026
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Reportagem: Síria: Cidade ancestral cristã já conheceu os extremistas islâmicos e receia era pós-Assad

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As igrejas de Maalula, uma cidade ancestral cristã síria, reabriram hoje, uma semana após o fim do regime de Bashar al-Assad, que traz um novo ciclo de incerteza aos seus habitantes e medo do regresso dos extremistas islâmicos.

Às primeiras horas de uma manhã gelada, os sinos das igrejas ortodoxas e greco-católicas de uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo tocaram a rebate, em simultâneo com o chamamento nos altifalantes da mesquita para a oração dos muçulmanos, que, ao contrário do resto do país, em Maalula estão em minoria.

Na pequena cidade de menos de dois mil habitantes, a cerca de 60 quilómetros a norte de Damasco e encravada a 1.500 metros de altitude num vale rochoso do Rif Dimashq, dezenas de fiéis confluem vagarosamente para o interior da Igreja de São Jorge, decorada com frescos de motivos bíblicos coloridos, mas que não chega a encher.

A missa de hoje vem carregada do simbolismo acrescido de ser a primeira desde a queda da dinastia Assad, que governou o país nas últimas décadas com mão de ferro, embora tolerasse a presença de confissões minoritárias e fomentasse divisões entre elas, antes de sucumbir no passado domingo à operação relâmpago de uma coligação de grupos de oposição armados. Nesse dia, enquanto o ex-Presidente sírio fugia para Moscovo, a maioria dos templos cristãos encerrou.

Nas forças de oposição vitoriosas, pontifica a Organização pela Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham (HTS), liderada por Abu al-Jolani, um homem com um passado ligado aos movimentos extremistas Estado Islâmico e Al-Qaida e ao seu grupo associado Frente al-Nusra, que os cristãos de Maalula conheceram bem, quando em 2013 foram expulsos pelos ‘jihadistas’ que procuravam depor Bashar al-Assad.

Mais de uma década depois, há uma sensação de ameaça entre os fiéis na Igreja de São Jorge, reunidos para a missa rezada em árabe, embora a maioria fale aramaico, a língua de Jesus, presidida pelo padre Jalel Razel, 58 anos: “Quando a guerra começou em 2011, os muçulmanos começaram a perseguir e a matar cristãos e agora temos esta situação nova e muito especial, tanto para uns como para os outros”, comenta à agência Lusa.

Neste ciclo histórico que agora começou na Síria, “é claro que as pessoas têm memória e têm medo”, segundo o religioso natural de Alepo, no norte do país, e todas as fontes de receio apontam para o retorno da violência dos grupos radicais catalogados como terroristas pelas potências ocidentais e que no passado tentaram impor na Síria um estado islâmico e suas leis baseadas no Corão.

O padre Razel recorda que, quando os combatentes da Frente al-Nusra entraram em Maalula, em outubro de 2013, em plena guerra civil, mais de uma dezena de pessoas foram mortas e muitas outras ficaram feridas, levando à fuga da população, “incluindo os muçulmanos”, na maioria para a capital. O Exército regular sírio ainda retomou a cidade uma semana mais tarde, mas voltou a perdê-la para os ‘jihadistas” em dezembro, que ali permaneceram até abril do ano seguinte.

Nesse período, o sacerdote greco-católico relata ainda que 13 freiras foram sequestradas pelos militantes islamitas num convento ortodoxo e levadas para a cidade de Yabroud, nas imediações de Maalula, até serem envolvidas numa negociação com as autoridades de Damasco de troca de prisioneiros.

“Antes do fim de Assad, não havia liberdade nem paz”, observa Jalel Razel, debaixo da sua túnica preta, que compreende as grandes manifestações de festa dos últimos dias nas cidades sírias e que, mesmo perante a incerteza, está pronto para conceder “um período de tolerância de um a três meses” até tirar conclusões se as palavras de reconciliação das novas autoridades “são honestas ou não”.

Numa entrevista à cadeia televisiva CNN, durante o seu percurso triunfante para Damasco, al-Jolani abordou o seu passado de militância em grupos radicais e argumentou que “uma pessoa na casa dos vinte anos terá uma personalidade diferente de alguém na casa dos trinta ou quarenta, e certamente de alguém na casa dos cinquenta”. E o padre de Maalula está pronto a dar-lhe esse benefício da dúvida.

“Todos têm um passado e todos têm um futuro. Se o dele for numa bela Síria em paz, os cristãos vão apoiá-lo”, afirma.

O receio é facilmente demonstrado no pátio fronteiro da Igreja de São Jorge, no fim da missa. Várias pessoas não querem identificar-se e muito menos falar de política. Abu Nassir, 70 anos, entende que, depois de tudo o que experimentaram e de todo o terreno novo que se abre à sua frente, as pessoas sejam evasivas.

“Tenho medo de tudo”, declara sem rodeios este habitante cristão de Maalula, na praça central da cidade, onde se mantêm os vestígios dos combates entre a Frente al-Nusra e o Exército sírio nas paredes do casario em tijolo cru e cimento claro, dos conventos e mosteiros ao longo das encostas íngremes, que são dominadas por cruzes e imagens de figuras bíblicas.

Abu Nassir diz conservar uma “grande desconfiança” em relação a al-Jolani e ao seu governo de transição, que “vão trazer muitos problemas”, e também não está convencido de que a guerra esteja acabada na Síria, apontando os ataques israelitas, que, desde a queda do regime, segundo a televisão Al-Jazeera, ascenderam a cerca de 800 em território sírio, ainda que as duas partes declarem não ter interesse em abrir hostilidades uma contra a outra. Mas no final e tudo somado, o cristão desabafa: “Que Deus nos ajude!”.

Há uma semana, o outro padre greco-católico de Maalula, Fadi al-Barjil, 44 anos, saiu da cidade mal recebeu a notícia da deposição de al-Assad e um alerta de um clérigo muçulmano de Damasco de que a sua vida corria perigo. De imediato, o religioso cristão fechou a Igreja e o Mosteiro de Mar Sarkis, um dos mais antigos da Síria e erguido no século V sobre um templo pagão, e pôs a família a salvo. Mas voltou no mesmo dia.

Durante vários dias, a população muçulmana da cidade, maioritariamente sunita, festejou com tiros o fim do regime, relata, mostrando vídeos no telemóvel em que se escuta uma incessante orquestra de rajadas para o ar. “Liguei para o líder deles a pedir para pararem, porque as pessoas estavam assustadas. E pararam”.

No entanto, na primeira sexta-feira de oração pós-Assad, dia em que al-Jolani convocou os sírios para uma grande celebração sem tiros nem intimidação, as rajadas voltaram. E hoje cessaram de novo.

“Não precisamos de reescrever o passado nem precisamos criar um estado islâmico, há espaço para todos”, sustenta o sacerdote greco-católico, que espera conhecer a nova autoridade da cidade designada pelo governo de transição sírio e que era aguardada ainda hoje ou na segunda-feira. A anterior e os elementos da polícia partiram entretanto para lugar incerto. Do mesmo modo, tal com o padre da Igreja de São Jorge, tenciona dar um prazo de tolerância num máximo de três meses ao atual executivo e, “logo a seguir, tem de marcar eleições”.

E do seu resultado, Nura Mulem, 70 anos, uma das fiéis desta comunidade, espera que todas as minorias do país “saiam representadas e que os cristão se mantenham unidos” para atingir esse objetivo.

Ao longo dos últimos anos, os cristãos de Maalula têm-se esforçado por recuperar o valioso património danificado da sua longa herança, ainda que tenham sido pilhados, vandalizados e em alguns casos perdidos vários ícones e outros artefactos, durante a ocupação da Frente al-Nusra. Quando os seus combatentes foram expulsos pelo Exército sírio e para celebrar a sua partida, foi colocada uma imagem da Virgem Maria no corte de uma montanha a zelar pelos habitantes e que ainda lá está.

No ambiente tenso que se apoderou desde há uma semana da cidade, sai música muito alta da única mesquita de Maalula e do seu minarete danificado nos combates, o que alguns cristãos interpretam como uma provocação. Mas Samer Zeiner, um residente muçulmano, diz que não há nada a temer e que todos os dias reza por eles e por uma Síria em paz.

“Não podemos cair na armadilha de Assad, que tentou virar-nos uns contra os outros para permanecer no poder”, recomenda junto da mesquita e da praça central, onde se começou a erguer esta manhã, o dia em que a maioria das igrejas e das escolas do país reabriu, uma grande árvore de natal em tela verde: “E eu vou ajudar a montá-la e celebrar com os meus irmãos cristãos”.

Arouca volta a vencer três meses depois e deixa último lugar da I Liga

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foto: Cristina Mendes / Notícias Em Direto

O Arouca deixou hoje o último lugar da I Liga portuguesa de futebol, ao conquistar o primeiro triunfo em quase três meses, na receção ao Santa Clara, por 1-0, em jogo da 14.ª jornada.

O espanhol Jason marcou, aos 67 minutos, o golo que deu o triunfo aos arouquenses, que não sabiam o que era vencer no campeonato desde 22 de setembro, quando bateram o Farense no Algarve, na sexta ronda.

Com esta vitória, o Arouca passou a somar 11 pontos na 17.ª e penúltima posição, e entregou a lanterna-vermelha da I Liga precisamente aos algarvios, que têm nove, enquanto o Santa Clara, que tem surpreendido esta época, viu terminar uma série de três vitórias consecutivas e mantém-se no quarto posto, com 27.

Portugal arranca qualificação para o Europeu de futsal com goleada em Andorra

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foto: Tiago Miguel de Araújo Vieira / Notícias Em Direto

A seleção portuguesa de futsal, bicampeã europeia em título, iniciou a fase de qualificação para o Campeonato da Europa de 2026 com uma goleada por 7-2 em Andorra, na estreia no Grupo 7.

Lúcio Rocha (07, 29 e 31 minutos), Hugo Neves (15 e 37), Silvestre (24) e Kutchy (38) marcaram os golos de Portugal, depois de Torres Domenjo (05) ter adiantado os andorrenhos, que voltaram a ‘faturar’ por Adrià Blat (26).

A equipa das ‘quinas’ lidera o Grupo 7, com três pontos, os mesmos dos Países Baixos, que hoje venceram a Macedónia do Norte (4-0), enquanto macedónios e Andorra não têm qualquer ponto.

Portugal, que venceu as duas últimas edições do Europeu de futsal, em 2018 e 2022, volta a jogar na quarta-feira, diante dos Países Baixos, às 20:15, na Póvoa de Varzim, em encontro da segunda jornada.

Os vencedores dos 10 grupos de qualificação garantem presença direta na fase final, juntando-se aos anfitriões Letónia e Lituânia, enquanto os oito melhores segundos colocados irão disputar um play-off para definir os últimos quatro apurados.

O próximo Europeu de futsal vai decorrer entre 18 de janeiro e 08 de fevereiro de 2026.

PCP/Congresso: João Ferreira aponta necessidade de atrair eleitores do PS e de “projetos reacionários”

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O dirigente do PCP João Ferreira defendeu este sábado que, para concretizar a política alternativa que o partido defende, é essencial “alterar a correlação de forças”, atraindo tradicionais eleitores do PS e quem está a votar em “projetos reacionários”.

Num discurso no 22.º Congresso do PCP, em Almada, João Ferreira salientou que “não basta enunciar os conteúdos da política alternativa” que o partido defende, “nem reconhecer a sua justeza e pertinência”, mas “demonstrar a sua viabilidade, apontar o caminho que possibilite a sua concretização”.

“Num tempo de soluções fáceis, prontas a servir ao virar da esquina, não nos podemos iludir: esta política que transformará profundamente a situação económica e social, pressupõe ela própria, para se realizar, uma alteração substancial da atual situação política”, avisou.

O também ex-eurodeputado do PCP salientou que a construção dessa alternativa “é um processo exigente, complexo, potencialmente longo, que não será fruto de atos isolados, proclamatórios ou voluntaristas, mas sim de uma ação determinada e persistente” que irá requerer “a confluência de vários fatores”.

Entre esses fatores, João Ferreira destacou em particular “o desenvolvimento da luta social de massas, impulsionada por objetivos concretos e imediatos”, considerando que essa luta é “essencial para alterar a correlação e a arrumação das forças no campo político”.

“Deslocando para a esquerda amplos setores da sociedade, seja na base social e eleitoral de outros partidos, como o PS, com gente que esteja disposta a trocar a alternância pela alternativa, seja captando o descontentamento e a revolta que os projetos reacionários procuram instrumentalizar a seu favor”, afirmou.

Governo quer resolver problemas do SNS “com telefonemas”

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, disse no sábado que o Governo da AD “desistiu do Serviço Nacional de Saúde” e procura “resolver os problemas com telefonemas”, a propósito do novo funcionamento das urgências de ginecologia.

“Este encerramento das portas às nossas grávidas e às nossas mulheres que precisam de recorrer aos hospitais e aos serviços de obstetrícia é muito preocupante”, afiançou o líder do PS, em Évora.

Em declarações aos jornalistas, Pedro Nuno Santos considerou que, “claramente”, tal significa que “este é um Governo que desistiu do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e julga que pode resolver os problemas com telefonemas”.

As questões da saúde, em particular o novo modelo de funcionamento das urgências de ginecologia e obstetrícia, foram abordadas pelo secretário-geral socialista à margem de uma sessão em Évora para apresentação dos cabeças de lista do partido ao distrito nas eleições autárquicas de 2025.

Na sexta-feira, foi publicada uma portaria do Ministério da Saúde que estabelece a necessidade de um contacto telefónico prévio com a linha SNS 24 antes do acesso às urgências de Obstetrícia e Ginecologia.

Este novo modelo arranca, a partir de segunda-feira, em fase-piloto em algumas unidades locais de saúde de Lisboa e Vale do Tejo e Leiria, com previsão de alargamento a todo o país após três meses.

Para Pedro Nuno Santos, o executivo liderado por Luís Montenegro é “incapaz” de resolver problemas do SNS, como o da falta de médicos ou das urgências.

“A linha SNS Grávida [já] mostrou é que a maioria das mulheres que liga é encaminhada na mesma para as urgências. Portanto, é mais uma decisão que nos preocupa”, disse.

“[A saúde] era uma área para a qual o Governo tinha feito muitas promessas. Infelizmente, cada dia que passa é a prova de que o Governo é incapaz de resolver aquela que é uma área onde nós temos mais necessidades e também temos problemas”, criticou.

Aludindo ainda a serviços de urgência encerrados, Pedro Nuno Santos considerou que “a situação na saúde em Portugal é preocupante” e frisou que a equipa do Ministério da Saúde “já mostrou que não tem capacidade para resolver os problemas”.

A necessidade de submeter a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) as obras de ampliação do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, anunciada hoje pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), foi outro dos assuntos abordados pelo líder do PS, para deixar críticas ao executivo de Montenegro.

Argumentando que “O PS sempre disse” que este passo era necessário, Pedro Nuno Santos ironizou que este caso, “mais uma vez, mostra a diferença entre a apresentação de um ‘powerpoint’ ou de uma decisão e a sua concretização”.

“Este Governo, quando tomou posse, quis passar a ideia de era capaz de decidir e decidia rápido. E tanto decidia rápido como decidiu mal”, argumentou, opinando que “muito dificilmente” será possível “uma declaração de impacto ambiental”.

O que “prova que a solução transitória” do Governo “até haver novo aeroporto em Alcochete não funciona, não é viável. E mais uma vez se prova aqui a incompetência e a incapacidade do Governo de perceber a diferença entre um anúncio e a concretização”, insistiu.

Marcelo pede aposta urgente na habitação para pessoas sem-abrigo

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O Presidente da República apelou este sábado a uma aposta urgente na habitação apoiada pelo Estado para as pessoas em situação de sem-abrigo, assinalando que muitas delas estão a trabalhar, mas sem dinheiro suficiente para ter casa.

“É uma nova situação que precisa urgentemente de uma aposta na habitação, com o apoio do Estado, com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e com o papel fundamental dos municípios, das autoridades”, defendeu Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava aos jornalistas durante o almoço de Natal promovido pela associação Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (CASA), em instalações do Metropolitano de Lisboa, em que tem participado anualmente.

Nesta ocasião, o Presidente da República reiterou que espera que o Governo PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro, em funções desde abril, “seja relativamente rápido” a apresentar a sua a estratégia para a integração das pessoas em situação de sem-abrigo.

Marcelo Rebelo de Sousa quer “ver o que é que o Governo vai apresentar como solução, se é atirar isso para as câmaras e que dinheiro dá para a parte da habitação, do PRR, sobretudo”, ou se “se o Governo assume diretamente” a resolução do problema.

Para o chefe de Estado, é importante “saber se o Estado mete muito a cabeça ou não, quanto é que vai financiar os municípios, se os municípios têm planos municipais de habitação, sim ou não, como é que vão desenvolver isso, nas situações mais precárias”.

“A senhora ministra [do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho], no dia 29 de outubro, salvo erro, no parlamento disse que ia ser rápida. E, portanto, espero que em janeiro, fevereiro – porque estamos num buraco, quer dizer, foi um ano em que a estratégia que era para ser aplicada não foi e houve mudança de Governo – venha aí uma nova estratégia”, referiu.

“As metas que tinham sido sonhadas em 2016, 2017, 2018, com a pandemia e com o efeito económico das guerras, foram à vida. Agora vamos ver que metas é que são e, sobretudo, se os portugueses continuam empenhados nisso”, acrescentou.

O Presidente da República mencionou que o número atual estimado de pessoas em situação de sem-abrigo em Portugal é de “13 mil e tal” e voltou a considerar que, com a pandemia de covid-19, não será possível ver o fim deste problema durante os seus mandatos, como pretendia.

No seu entender, “é um falhanço que era inevitável, desde o momento em que pararam atividades económicas, a certa altura, a pique, como a hotelaria, a restauração, com a pandemia”.

“E depois muita gente com a inflação passou a não ter dinheiro, trabalha, mas não tem dinheiro para ter casa”, assinalou.

Autárquicas: PSD quer todos os candidatos aprovados até março e pode apoiar independentes

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

O PSD quer todos os candidatos autárquicos homologados até ao fim do primeiro trimestre do próximo ano, abre a porta a apoiar candidaturas independentes e, nos municípios maiores, fixa uma “concertação obrigatória” com a direção nacional.

Estes princípios estão expressos no documento de orientação estratégica para as autárquicas a que a Lusa teve acesso e que reitera o objetivo de o PSD se “tornar a força política mais representativa do país” nas eleições que decorrerão em setembro/outubro de 2025.

“Aumentar a presença e a influência do partido em todas as freguesias e municípios com o objetivo de alcançar a liderança da Associação Nacional dos Municípios e da Associação Nacional de Freguesias”, aponta-se no documento, já aprovado pela Comissão Política Nacional.

Nas capitais de distrito e municípios com mais de cem mil eleitores, a escolha dos candidatos a presidentes de Câmara terá de passar por “uma concertação prévia obrigatória entre as lideranças das secções, das distritais e a direção nacional do PSD”.

“Este procedimento tem como objetivo garantir uma avaliação criteriosa e estratégica destas candidaturas, fortalecendo a unidade partidária e assegurando que as decisões tomadas refletem o interesse coletivo e a visão do partido”, refere o documento, salvaguardando que este mecanismo “não retira as competências estatutárias atribuídas às secções e distritais”.

De acordo com os estatutos do PSD, cabe às distritais do partido “aprovar as listas de candidaturas aos órgãos das autarquias locais sob proposta da Comissão Política da Secção”.

No cronograma definido, refere-se que a Comissão Política Nacional (CPN) deve tomar conhecimento até final deste ano das decisões de recandidatura dos presidentes de Câmara Municipal em exercício.

“A homologação de todas as candidaturas devem ser concluídas pela CPN até ao final do 1º trimestre”, estipula-se.

Por regra, estabelece-se que o PSD deverá concorrer em listas próprias, “sem prejuízo do estabelecimento de alianças partidárias decorrentes da vontade conjugada ao nível local, distrital e nacional”.

“Sublinha-se que devem ser continuadas as coligações atualmente existentes que se tenham revelado positivas quer eleitoralmente, quer em termos de desempenho autárquico”, lê-se.

Além de incentivar a participação de cidadãos independentes nas listas do PSD, este documento também admite o apoio dos sociais-democratas a esse tipo de candidaturas: “Em circunstâncias muito específicas e decorrentes de avaliação de todos os intervenientes (Coordenadora Autárquica e Órgãos Concelhios, Distritais e Nacional), poderá o PSD decidir pelo apoio a candidaturas independentes”.

Nos casos de coligações ou apoio a candidaturas independentes as propostas deverão ser apresentadas pelas distritais à Comissão Coordenadora Autárquica, “com a fundamentação clara das suas vantagens políticas, até ao final do primeiro trimestre”.

O documento aponta ainda como regra o apoio à recandidatura dos atuais presidentes de Câmara e de Junta de Freguesia “a menos que existam situações que contrariem os princípios estratégicos” do partido ou “indiquem uma falta de reconhecimento popular que possa comprometer os resultados eleitorais”.

A Comissão Coordenadora Autárquica é composta pelo coordenador nacional autárquico, Pedro Alves, pelo vice-presidente do PSD Rui Rocha e pelo presidente dos Autarcas Sociais-Democratas, Pedro Pimpão.

Nos princípios gerais, o documento refere que os candidatos do PSD devem ter compromissos com “a transparência e integridade” na gestão dos recursos públicos, com a “idoneidade e a ética”, devendo apresentar “uma conduta .rrepreensível”, ou com a descentralização,

O PSD compromete-se ainda com “uma maior participação feminina efetiva nas listas”, “não para efeitos de cumprimento das quotas legais, mas para assegurar que não deixa de identificar as melhores candidatas de cada estrutura para participarem no processo eleitoral em lugares efetivamente elegíveis”. A

PCP/Congresso – “Queriam-nos derrotados e em debandada, mas encontraram-nos firmes e unidos”

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O eurodeputado do PCP João Oliveira afirmou que o partido conseguiu enfrentar um período “difícil e exigente” nos últimos quatro anos, salientando que o queriam “derrotado e em debandada”, mas o encontram “firme e unido”.

Num discurso no 22.º Congresso do PCP, João Oliveira salientou que o período que decorreu desde a última reunião magna do partido, em 2020, “foi difícil e exigente”, devido à “degradação das condições de vida, à agudização das desigualdades e injustiças sociais, os preocupantes desenvolvimentos da situação internacional, em especial a pandemia e a escalada de confrontação e guerra”.

A esses elementos “particularmente negativos”, o eurodeputado do PCP referiu que se acrescentou ainda uma “violenta ofensiva contra o partido”, “com o objetivo de condicionar ou mesmo impedir” a sua ação e afirmação das suas posições políticas.

João Oliveira defendeu que o partido enfrentou “todas essas batalhas com a coragem e a determinação que caracterizam o PCP e a luta de mais de 100 anos dos comunistas portugueses”.

“Queriam-nos derrotados e em debandada, mas encontraram-nos firmes e unidos. Queriam-nos calados, encolhidos e isolados, mas encontraram-nos inconformados, determinados, a apontar o caminho ao encontro das massas e a confirmar, com elas, a força e a razão de ser das nossas condições”, afirmou, numa intervenção que levantou os delegados presentes no Congresso.

A intervenção de João Oliveira foi das mais aplaudidas do Congresso, só superada pelo discurso de abertura do secretário-geral, Paulo Raimundo, na sexta-feira, e do antigo líder Jerónimo de Sousa.

Justiça dos EUA nega pedido da TikTok para suspender potencial proibição

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A justiça dos Estados Unidos rejeitou um recurso da ByteDance e confirmou que a TikTok será proibida no país caso a empresa chinesa não venda a plataforma de vídeos até 19 de janeiro.

A ByteDance tinha pedido a um tribunal federal para suspender a implementação da lei, assinada pelo Presidente norte-americano Joe Biden em abril, até o Supremo Tribunal analisar a questão.

O Tribunal de Recurso da capital, Washington, rejeitou o pedido, considerando-o injustificado.

Os queixosos “não identificaram nenhum caso em que um tribunal, depois de rejeitar uma contestação constitucional a uma lei do Congresso, tenha proibido a lei de entrar em vigor enquanto a revisão é solicitada no Supremo Tribunal”, referiu a decisão.

No recurso, apresentado na semana passada, os advogados da empresa chinesa acrescentaram que o “atraso modesto” na aplicação da lei iria permitir ao presidente eleito, Donald Trump, “determinar a sua posição” sobre o assunto.

O republicano Trump vai tomar posse a 20 de janeiro, um dia depois do limite dado à TikTok pelo antecessor, o democrata Joe Biden.

Há cerca de um mês, Trump nomeou Brendan Carr, o principal representante republicano na Comissão Federal de Telecomunicações, como novo presidente do regulador da radiodifusão, das telecomunicações e da Internet.

Carr posicionou-se publicamente contra o TikTok e insistiu que deveria ser removida das lojas de aplicações da Apple e da Google devido a riscos de segurança e violação de privacidade dos utilizadores.

Isto porque uma lei chinesa de 2017 exige que as empresas locais entreguem dados pessoais que possam interessar à segurança nacional da China, mediante pedido das autoridades.

O Partido Republicano acusou também a plataforma de vídeos de permitir a Pequim espiar e manipular os norte-americanos.

Em abril, a ByteDance garantiu não ter intenção de vender o TikTok.

O TikTok disse que uma eventual interdição da plataforma nos Estados Unidos ia “violar a liberdade de expressão” dos 170 milhões de utilizadores no país.

Um porta-voz da aplicação acrescentou que a lei ia “devastar sete milhões de empresas e fechar uma plataforma que contribui com 24 mil milhões de dólares (22,4 mil milhões de euros) por ano para a economia norte-americana”.

Com vídeos de curta duração, o TikTok atraiu mais de 1,5 mil milhões de utilizadores em todo o mundo.

Mas a aplicação tem sido alvo de críticas, nomeadamente depois de, em 06 de dezembro, o Tribunal Constitucional da Roménia ter anulado as eleições presidenciais.

Isto após o Presidente Klaus Iohannis ter desclassificado informações que alegavam que a Rússia tinha levado a cabo uma campanha, com 25 mil contas no TikTok, para promover um candidato eurocético, Calin Georgescu.

No final de março, Taiwan declarou a plataforma uma “ameaça à segurança nacional”, devido ao “controlo substancial” de “atores estrangeiros hostis”.

Explosão de botija de gás numa habitação causa nove mortos na Venezuela

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imagem ilustrativa: DR

Nove membros da mesma família, incluindo sete crianças, morreram devido à explosão de uma botija de gás numa casa em Caracas, capital da Venezuela, anunciaram as autoridades venezuelanas.

“[Na sexta-feira] à tarde ocorreu um incêndio numa casa, onde (…) nove compatriotas perderam infelizmente a vida”, apesar dos “esforços para controlar as chamas”, anunciou o Ministério do Interior e da Justiça, num comunicado de imprensa, sem adiantar pormenores sobre os falecidos.

De acordo com os bombeiros, citados pelo jornal ‘El Nacional’, o incêndio terá deflagrado por volta das 15:00 de sexta-feira (19:00 em Lisboa).

A autarca de Caracas, Carmen Meléndez, tinha anteriormente anunciado a existência de oito mortos e especificou que as vítimas eram uma rapariga de 20 anos e sete menores, incluindo um recém-nascido com apenas 15 dias.

De acordo com os bombeiros, a explosão ocorreu no rés-do-chão de uma habitação no bairro operário de Coche, no município de Libertador.

As vítimas, que se refugiaram na parte superior da casa, morreram asfixiadas, lamentou um funcionário municipal.

No local estiveram bombeiros de Caracas, agentes da Polícia Nacional Bolivariana e funcionários do Corpo de Investigação Científica, Criminal e Criminal, que estão a investigar a causa da explosão.

Meléndez e o chefe do governo de Caracas, Nahum Fernández, manifestaram solidariedade aos familiares das vítimas e à comunidade.

De acordo com Fernández, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou que as autoridades deem “apoio sem limites” à população do bairro, “neste momento infeliz para todas as famílias”.

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