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Segunda-feira, Julho 13, 2026
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Governo admite constrangimentos no arranque de pré-triagem telefónica de grávidas

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A secretária de Estado da Saúde admitiu esta segunda-feira a existência de constrangimentos no arranque da pré-triagem telefónica obrigatória para grávidas acederem aos hospitais e garantiu que o objetivo da medida “não é poupar dinheiro”.

“Obviamente que há sempre constrangimentos no início, mas a situação está a ser acompanhada para garantir a qualidade e o acesso aos cuidados de saúde”, afirmou Ana Povo, no Porto, à margem da inauguração do edifício da Escola de Medicina e Ciências Biomédicas da Universidade Fernando Pessoa.

A governante salientou que a medida que entrou hoje em vigor “é um piloto” e que estará sujeita a avaliação, recusando que aquela seja uma medida economicista.

“Eu compreendo algumas das reclamações, mas nós temos a obrigação de garantir cuidados e segurança aos nossos concidadãos e isso é o nosso principal objetivo. (…) Não estamos a querer poupar dinheiro com estas medidas, estamos a querer é que não se passe o que vimos no passado, com urgências fechadas”, assegurou.

Ana Povo aproveitou ainda a ocasião para enaltecer os profissionais de saúde envolvidos na vacinação da gripe e da covid e deixou um pedido: “Amanhã vamos alargar a vacinação a partir dos 50 anos. Apelo a que todos se vão vacinar, idealmente antes de nos juntarmos no jantar de Natal”.

Desde a meia-noite de hoje que as grávidas têm de ligar para a Linha SNS Grávida (808 24 24 24) antes de recorrerem à urgência hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia.

O novo modelo das urgências arrancou em fase piloto em 11 ULS de Lisboa e Vale do Tejo e no Hospital de Leiria e em três unidades que aderiram voluntariamente ao projeto (Hospital de Gaia, Hospital de Portalegre e Centro Materno Infantil do Norte).

Segundo o Ministério da Saúde, “ao final de três meses haverá lugar a uma avaliação do impacto, para que o plano possa ser estendido a todo o país”.

As ULS envolvidas nesta primeira fase são Santa Maria, São José (Maternidade Alfredo da Costa), Lisboa Ocidental (Hospital S. Francisco Xavier), Amadora Sintra, Odivelas/Loures (Hospital Beatriz Ângelo), Estuário do Tejo (Hospital Vila Franca de Xira), da Lezíria (Hospital de Santarém), Médio Tejo (Hospital de Abrantes), Oeste (Hospital das Caldas da Rainha), ULS Leiria e Hospital de Cascais.

A pré-triagem telefónica deverá ser feita preferencialmente por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, indica a portaria, acrescentando que os hospitais usarão os mesmos algoritmos da Linha SNS Grávida/Ginecologia na triagem presencial da urgência, que prevalecerá sobre a triagem telefónica.

Os hospitais poderão adicionalmente criar uma pré-triagem telefónica própria, em articulação direta com a linha SNS Grávida/Ginecologia, acrescenta.

Mas há exceções para situações com forte suspeita de poderem representar risco iminente de vida, designadamente a perda de consciência, convulsões, dificuldade respiratória, hemorragia abundante, traumatismo grave ou dores muito intensas.

A portaria estabelece ainda condições para hospitais que possam querer juntar-se a este projeto-piloto, como, por exemplo, terem consulta aberta hospitalar para situações obstétricas e ginecológicas em horário adaptável à procura, mas em funcionamento todos os dias úteis, assim como criarem um mecanismo para agendamento célere na consulta aberta hospitalar, nas consultas abertas nos Cuidados de Saúde Primários e em consultas regulares no hospital.

Golos a abrir e a fechar garantem vitória do FC Porto sobre Estrela da Amadora

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O Notícias Em Direto este presente no jogo através da objetiva do repórter fotográfico Tiago Miguel de Araújo Vieira

Um golo no princípio da partida e outro a fechar permitiram esta segunda-feira ao FC Porto vencer na receção ao Estrela da Amadora por 2-0, resultado que mantém os ‘dragões’ no segundo posto da I Liga de futebol.

O golo de Nico González, aos 12 minutos, tranquilizou os portistas, que vinham de um empate na última ronda em casa do Famalicão, tendo os ‘azuis e brancos’ sentenciado a partida já aos 90+3, por Gonçalo Borges, perante um Estrela que voltou às derrotas, depois de na última jornada ter vencido o Arouca, e que acabou reduzido a 10, com a expulsão, por duplo amarelo, de Danilo Veiga.

A vitória permite ao FC Porto fechar a jornada no segundo lugar, com 34 pontos, menos dois do que o campeão nacional e líder, Sporting, e mais dois do que o Benfica, terceiro, mas com menos um jogo, enquanto o Estrela é 15.º, com 12.

Benfica empata com AVS e atrasa-se na perseguição ao líder Sporting

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foto ilustrativa: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

O Benfica pôs este domingo fim a uma série de oito triunfos consecutivos, ao empatar 1-1 com o AVS, na 14.ª jornada da I Liga de futebol, e atrasou-se na perseguição ao líder Sporting.

Na Vila das Aves, os ‘encarnados’, que perderam os primeiros pontos desde de que Bruno Lage substituiu Roger Schmidt no comando técnico, abriram o marcador com um golo de Amdouni, aos 17 minutos, mas o AVS empatou a partida já nos descontos (90+4), por intermédio de Devenish.

O Benfica segue na segunda posição, com 32 pontos, menos quatro do que o Sporting, mas pode reduzir a diferença, caso pontue na quinta-feira, no terreno do Nacional, no jogo em atraso da oitava jornada.

A formação lisboeta soma mais um ponto do que o FC Porto, terceiro, que na segunda-feira recebe o Estrela da Amadora, em jogo da 14.ª jornada.

Marcelo transmite condolências a Macron por vítimas do ciclone Chido

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O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, transmitiu este domingo condolências e solidariedade ao Presidente francês, Emmanuel Macron, pelas vítimas e desalojados provocados pelo ciclone Chido no território insular de Mayotte, no Índico.

“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa enviou ao Presidente Emmanuel Macron uma mensagem de condolências e profunda solidariedade pelas consequências devastadoras provocadas pelo ciclone que afetou as ilhas Mayotte, que resultaram na perda de numerosas vidas humanas e pessoas desaparecidas, desalojados e significativos prejuízos materiais”, lê-se numa nota da Presidente da República Portuguesa.

O número de mortos neste departamento francês devido ao ciclone Chido é de várias centenas e pode estar perto de mil, segundo François-Xavier Bieuville, responsável do governo local.

O governante considerou “extremamente difícil” indicar, por enquanto, um número exato de vítimas do ciclone, que causou destruição generalizada neste território no Oceano Índico, que é o mais pobre departamento de França.

O ciclone tropical Chido atravessou o sudeste do Oceano Índico na sexta-feira e no sábado e hoje atingiu Moçambique, onde provocou cortes de eletricidade e pelo menos uma morte, na província de Nampula.

Seca: Governo está a estudar abastecimento de água ao Algarve a partir do Alqueva

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A ministra do Ambiente anunciou no domingo que está a ser estudado o abastecimento de água ao Algarve a partir do Alqueva, ligando esta barragem à de Santa Clara, também no Alentejo, e esta à da Bravura, no Algarve.

Numa intervenção pública em Faro, Maria da Graça Carvalho adiantou que a interligação entre aquelas barragens e a barragem da Bravura, em Lagos, no Barlavento (oeste) algarvio, será possível na sequência da autorização de Espanha para a utilização de 60 hectómetros cúbicos do Rio Guadiana.

“Desde que os caudais ecológicos do Rio Guadiana estejam garantidos, permite utilizar 30 hectómetros cúbicos para a tomada de água do Pomarão e 30 hectómetros cúbicos para reforçar o Alqueva. Assim, através deste reforço do Alqueva, será possível, e é isso que estamos a estudar neste momento, fazer a ligação do Alqueva à Bacia de Mira, portanto a Santa Clara, e de Santa Clara à Barragem da Bravura”, avançou a governante.

A ministra do Ambiente e Energia discursava em Faro, na cerimónia do anúncio de lançamento do concurso de construção da obra para a tomada de água do Pomarão, no Sotavento (leste) algarvio, ocasião na qual foram também assinados protocolos que irão permitir implementar soluções de acesso a água às populações da Mesquita e do Espírito Santo, em Mértola (Beja).

“Estaremos, assim, a fornecer água ao Barlavento e ao Sotavento. O reforço da ligação Barlavento – Sotavento, na horizontal, que já existe, mas está a ser reforçada, irá dar uma maior resiliência hídrica ao Algarve”, sublinhou.

Segundo Maria da Graça Carvalho, está ainda prevista uma intervenção integrada nas rias e ribeiras do Baixo Alentejo e do Algarve – com financiamento do Programa Operacional Regional, no valor de 40 milhões de euros -, através da criação de duas reservas fluviais, uma no Rio Vascão, no sotavento algarvio, um dos afluentes do Guadiana, e outra na Ribeira de Odeceixe, no barlavento.

“Estas serão duas reservas fluviais importantíssimas para o nosso país”, sublinhou, acrescentando que, além disso, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em articulação com a Câmara Municipal de Mértola, no distrito de Beja, está a preparar os estudos para a renaturalização das margens do Guadiana.

De acordo com a governante, esse projeto inclui-se na reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), estando a ser proposto à Comissão Europeia uma verba de 10 milhões de euros para tornar o Guadiana “bonito e renaturalizado”, não usando a sua água apenas “para fins socioeconómicos”.

Na sessão de hoje, em Faro – que coincidiu com a inauguração do Pavilhão da Água, uma exposição organizada pela Águas do Algarve -, foram ainda assinados dois protocolos, um dos quais entre a Câmara de Mértola, a Águas do Algarve e a Águas Públicas do Alentejo, que “também só foi possível” na sequência do acordo com Espanha e graças à nova tomada de água no Pomarão, referiu a ministra.

Em causa está a construção de uma ligação ao ponto de entrega da Águas do Alentejo, na localidade de São Bartolomeu da Via da Glória, tendo em vista o abastecimento de água para o consumo humano.

“Trata-se de um projeto que permitirá finalmente resolver as questões de abastecimento de água potável às populações das localidades de Mesquita e de Espírito Santo e os territórios limítrofes. Falamos de uma população de cerca de 300 pessoas que, embora com bastante água, porque estão entre o Alqueva e o Pomarão, portanto têm água imensa atrás e à frente, dependiam há muito de soluções precárias, designadamente o abastecimento por autotanques”, esclareceu.

O segundo protocolo foi assinado entre a Câmara de Castro Marim e a Águas do Algarve para promover a reabilitação da rede de saneamento de Castro Marim “com o objetivo de reduzir as afluências indevidas de água salobra e, assim, promover a disponibilidade de água para a reutilização pelos setores agrícolas e pelo golfe”, concluiu a governante.

Preço do leite sobe com custos de produção e trajetória pode continuar em 2025

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O preço do leite e dos produtos lácteos tem subido nos últimos meses, uma trajetória que pode manter-se em 2025 se o valor dos fatores de produção continuar a aumentar, apontou a Fenalac, esperando respostas da tutela.

“Estas subidas têm a ver com a lei da oferta e da procura. Sazonalmente, é normal que taL aconteça, mas este ano está a haver esta correção em toda a fileira porque os fatores de produção também estão mais caros, nomeadamente os custos associados à energia, gasóleo e eletricidade”, afirmou o presidente da Fenalac – Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite, Idalino Leão, em declarações à Lusa.

Para a Fenalac, o elo mais fraco da cadeia de produção é sempre o produtor, o primeiro a sentir o impacto do aumento dos fatores de produção.

Assim, defende que é necessária previsibilidade e estabilidade para os três elos deste negócio – produção, distribuição e consumidores -, tal como tem vindo a acontecer.

Sem sustentabilidade económica, o abandono da atividade vai aumentar o que, consequentemente, põe em causa a soberania alimentar do país.

Idalino Leão referiu ainda que este é “um momento importante para se tomarem decisões”, tendo em conta que uma grande parte dos produtores está numa faixa etária elevada, sendo necessária uma renovação geracional, o que não acontece se o negócio não for rentável.

Apesar de os valores que, atualmente, estão a ser pagos aos produtores estarem acima daquilo que se verificava há uns anos, existem Estados-membros e “outras geografias” que praticam valores superiores.

Contudo, Idalino Leão reforçou ser importante existir um equilíbrio e unir esforços para que o setor e os seus trabalhadores tenham perspetiva de futuro.

“Não gostaria que a distribuição fosse tentada a ceder a alguma oferta de leite mais barato que, neste momento, também é difícil”, apontou.

A Fenalac disse que os consumidores, que são decisivos nas escolhas do setor, continuam a “reagir de forma positiva” ao consumo de lácteos.

Ainda assim, notou que o contexto geopolítico é complicado e que o setor leiteiro não é alheio a esta questão.

Questionado sobre a possibilidade de os preços para o consumidor final voltarem a aumentar no próximo ano, Idalino Leão referiu que se os fatores de produção registarem aumentos significativos, o valor dos produtos também vai subir.

“Espero e desejo que as nossas tutelas acautelem que todos os elos tenham as devidas seguranças para produzir bens seguros e saudáveis para todos, mas também que esteja assegurada a sua venda e aquisição por parte dos consumidores”, acrescentou.

O índice mundial de preço dos alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu em novembro de 2024 para o nível mais elevado desde abril de 2023, mais 0,5% do que em outubro.

Segundo a agência, o índice de preços atingiu uma média de 127,5 pontos em novembro, mais 5,7% do que há um ano, mas ainda 20,4% abaixo do seu pico em março de 2022.

O índice de preços dos produtos lácteos manteve uma trajetória ascendente e aumentou 0,6% em relação a outubro, uma tendência marcada pela “recuperação da procura mundial de importações de leite em pó gordo”.

O aumento também se regista nos preços da manteiga, que atingiram um novo nível recorde num contexto de forte procura e de oferta escassa na Europa Ocidental, enquanto os preços do queijo aumentaram devido à disponibilidade limitada de produtos para exportação.

O preço do leite comprado a produtores individuais do Continente atingiu em outubro (últimos dados) 0,458 euros por quilograma (kg), o valor mais alto desde janeiro, segundo dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP).

Por sua vez, o queijo flamengo (à saída da fábrica) tocou, em novembro, o valor mais alto do ano, fixando-se em 687,18 euros por 100 quilogramas (kg).

Já o preço médio semanal da manteiga (à saída da fábrica) situou-se, em 25 de novembro, nos 711,13 euros por 100 kg, acima dos 682,15 euros contabilizados em 18 de novembro.

Cantora iraniana detida por atuação sem usar véu na cabeça

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A cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi detida depois de ter feito uma atuação online, a meio da semana, em que apareceu sem lenço na cabeça e com os ombros à mostra.

O advogado da artista, Milad Panahipur, disse que as autoridades iranianas tinham detido no sábado a cantora no norte do país e também dois dos seus companheiros de banda no seu estúdio de música na capital do país, Teerão.

Panahipur disse que não sabia onde se encontravam os detidos e que tinham sido privados de qualquer “contacto com o mundo exterior”, segundo o portal de notícias Emtedad.

A notícia causou agitação dentro e fora do país, com muitos meios de comunicação a elogiarem a “ação corajosa” de Parastoo Ahmadi ao desafiar os códigos de vestuário para mulheres impostos pelas autoridades iranianas com base na sua interpretação da lei islâmica.

Esta ação surge na sequência de repetidos protestos contra o regime iraniano nos últimos anos devido à repressão das mulheres no país, onde uma onda de manifestações em massa eclodiu após a morte de Mahsa Amini às mãos da polícia da moralidade do país por alegadamente usar um véu de forma incorreta.

PCP/Congresso: Raimundo afirma que “não é momento para desânimos” e pede confiança no partido

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foto ilustrativa: Arlindo Homem

O secretário-geral do PCP defendeu este domingo que este “não é momento para desânimos” e pediu confiança no partido, salientando que “vai resistir, acumular forças e criar condições para avançar e crescer”.

No discurso de encerramento do 22.º Congresso Nacional do PCP, em Almada, Paulo Raimundo salientou que a situação o partido enfrenta é “de grande exigência, o inimigo tem muita força e muitos meios”.

“Mas este não é o momento para desânimos e, àqueles que perdem esperança, lhes dizemos olhos nos olhos: olhem para este Congresso, confiem neste partido e juntos, ombro a ombro, vamos resistir, vamos acumular forças e vamos criar condições para avançar e para crescer”, frisou.

Paulo Raimundo defendeu “que há forças e forças suficientes, se organizadas e mobilizadas, para travar a minoria que capturou o país, ajoelhou o poder político e domina a economia ao saber dos grupos económicos”.

“Há forças e forças suficientes, se organizadas e mobilizadas, para enfrentar a política de classe ao serviço dos poderosos e pôr fim às desculpas esfarrapadas de que nunca há dinheiro para aumentar salários e reformas”, frisou.

Dois mortos e dois feridos graves em colisão na EN2 junto ao Sardoal

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Duas pessoas morreram e outras duas sofreram ferimentos graves na colisão entre duas viaturas ligeiras que obrigou este domingo ao corte da circulação na Estrada Nacional (EN) 2, junto ao Sardoal, distrito de Santarém, disse fonte da Proteção Civil.

Segundo disse à Lusa fonte do comando sub-regional do Médio Tejo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pelas 18:44 ocorreu, na EN2, junto ao Sardoal, no distrito de Santarém, uma “colisão frontal entre duas viaturas ligeiras de passageiros”, que resultou em “dois mortos e dois feridos graves”.

A circulação na EN2 esteve cortada nos dois sentidos, para assistência às vítimas, e a mesma fonte admitiu, pelas 21:30, que estavam em curso trabalhos de limpeza e remoção dos restos dos veículos para a reabertura do tráfego naquela via.

Um helicóptero ainda foi acionado, mas a operação acabou por ser abortada, tendo os dois feridos sido transportados para o Hospital de Abrantes.

No local estiveram 38 operacionais, apoiados por 16 viaturas dos bombeiros do Sardoal, Vila de Rei, Mação e Abrantes, além de quatro veículos da GNR, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Médio Tejo e a ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tomar.

Reportagem: Síria: Cidade ancestral cristã já conheceu os extremistas islâmicos e receia era pós-Assad

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As igrejas de Maalula, uma cidade ancestral cristã síria, reabriram hoje, uma semana após o fim do regime de Bashar al-Assad, que traz um novo ciclo de incerteza aos seus habitantes e medo do regresso dos extremistas islâmicos.

Às primeiras horas de uma manhã gelada, os sinos das igrejas ortodoxas e greco-católicas de uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo tocaram a rebate, em simultâneo com o chamamento nos altifalantes da mesquita para a oração dos muçulmanos, que, ao contrário do resto do país, em Maalula estão em minoria.

Na pequena cidade de menos de dois mil habitantes, a cerca de 60 quilómetros a norte de Damasco e encravada a 1.500 metros de altitude num vale rochoso do Rif Dimashq, dezenas de fiéis confluem vagarosamente para o interior da Igreja de São Jorge, decorada com frescos de motivos bíblicos coloridos, mas que não chega a encher.

A missa de hoje vem carregada do simbolismo acrescido de ser a primeira desde a queda da dinastia Assad, que governou o país nas últimas décadas com mão de ferro, embora tolerasse a presença de confissões minoritárias e fomentasse divisões entre elas, antes de sucumbir no passado domingo à operação relâmpago de uma coligação de grupos de oposição armados. Nesse dia, enquanto o ex-Presidente sírio fugia para Moscovo, a maioria dos templos cristãos encerrou.

Nas forças de oposição vitoriosas, pontifica a Organização pela Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham (HTS), liderada por Abu al-Jolani, um homem com um passado ligado aos movimentos extremistas Estado Islâmico e Al-Qaida e ao seu grupo associado Frente al-Nusra, que os cristãos de Maalula conheceram bem, quando em 2013 foram expulsos pelos ‘jihadistas’ que procuravam depor Bashar al-Assad.

Mais de uma década depois, há uma sensação de ameaça entre os fiéis na Igreja de São Jorge, reunidos para a missa rezada em árabe, embora a maioria fale aramaico, a língua de Jesus, presidida pelo padre Jalel Razel, 58 anos: “Quando a guerra começou em 2011, os muçulmanos começaram a perseguir e a matar cristãos e agora temos esta situação nova e muito especial, tanto para uns como para os outros”, comenta à agência Lusa.

Neste ciclo histórico que agora começou na Síria, “é claro que as pessoas têm memória e têm medo”, segundo o religioso natural de Alepo, no norte do país, e todas as fontes de receio apontam para o retorno da violência dos grupos radicais catalogados como terroristas pelas potências ocidentais e que no passado tentaram impor na Síria um estado islâmico e suas leis baseadas no Corão.

O padre Razel recorda que, quando os combatentes da Frente al-Nusra entraram em Maalula, em outubro de 2013, em plena guerra civil, mais de uma dezena de pessoas foram mortas e muitas outras ficaram feridas, levando à fuga da população, “incluindo os muçulmanos”, na maioria para a capital. O Exército regular sírio ainda retomou a cidade uma semana mais tarde, mas voltou a perdê-la para os ‘jihadistas” em dezembro, que ali permaneceram até abril do ano seguinte.

Nesse período, o sacerdote greco-católico relata ainda que 13 freiras foram sequestradas pelos militantes islamitas num convento ortodoxo e levadas para a cidade de Yabroud, nas imediações de Maalula, até serem envolvidas numa negociação com as autoridades de Damasco de troca de prisioneiros.

“Antes do fim de Assad, não havia liberdade nem paz”, observa Jalel Razel, debaixo da sua túnica preta, que compreende as grandes manifestações de festa dos últimos dias nas cidades sírias e que, mesmo perante a incerteza, está pronto para conceder “um período de tolerância de um a três meses” até tirar conclusões se as palavras de reconciliação das novas autoridades “são honestas ou não”.

Numa entrevista à cadeia televisiva CNN, durante o seu percurso triunfante para Damasco, al-Jolani abordou o seu passado de militância em grupos radicais e argumentou que “uma pessoa na casa dos vinte anos terá uma personalidade diferente de alguém na casa dos trinta ou quarenta, e certamente de alguém na casa dos cinquenta”. E o padre de Maalula está pronto a dar-lhe esse benefício da dúvida.

“Todos têm um passado e todos têm um futuro. Se o dele for numa bela Síria em paz, os cristãos vão apoiá-lo”, afirma.

O receio é facilmente demonstrado no pátio fronteiro da Igreja de São Jorge, no fim da missa. Várias pessoas não querem identificar-se e muito menos falar de política. Abu Nassir, 70 anos, entende que, depois de tudo o que experimentaram e de todo o terreno novo que se abre à sua frente, as pessoas sejam evasivas.

“Tenho medo de tudo”, declara sem rodeios este habitante cristão de Maalula, na praça central da cidade, onde se mantêm os vestígios dos combates entre a Frente al-Nusra e o Exército sírio nas paredes do casario em tijolo cru e cimento claro, dos conventos e mosteiros ao longo das encostas íngremes, que são dominadas por cruzes e imagens de figuras bíblicas.

Abu Nassir diz conservar uma “grande desconfiança” em relação a al-Jolani e ao seu governo de transição, que “vão trazer muitos problemas”, e também não está convencido de que a guerra esteja acabada na Síria, apontando os ataques israelitas, que, desde a queda do regime, segundo a televisão Al-Jazeera, ascenderam a cerca de 800 em território sírio, ainda que as duas partes declarem não ter interesse em abrir hostilidades uma contra a outra. Mas no final e tudo somado, o cristão desabafa: “Que Deus nos ajude!”.

Há uma semana, o outro padre greco-católico de Maalula, Fadi al-Barjil, 44 anos, saiu da cidade mal recebeu a notícia da deposição de al-Assad e um alerta de um clérigo muçulmano de Damasco de que a sua vida corria perigo. De imediato, o religioso cristão fechou a Igreja e o Mosteiro de Mar Sarkis, um dos mais antigos da Síria e erguido no século V sobre um templo pagão, e pôs a família a salvo. Mas voltou no mesmo dia.

Durante vários dias, a população muçulmana da cidade, maioritariamente sunita, festejou com tiros o fim do regime, relata, mostrando vídeos no telemóvel em que se escuta uma incessante orquestra de rajadas para o ar. “Liguei para o líder deles a pedir para pararem, porque as pessoas estavam assustadas. E pararam”.

No entanto, na primeira sexta-feira de oração pós-Assad, dia em que al-Jolani convocou os sírios para uma grande celebração sem tiros nem intimidação, as rajadas voltaram. E hoje cessaram de novo.

“Não precisamos de reescrever o passado nem precisamos criar um estado islâmico, há espaço para todos”, sustenta o sacerdote greco-católico, que espera conhecer a nova autoridade da cidade designada pelo governo de transição sírio e que era aguardada ainda hoje ou na segunda-feira. A anterior e os elementos da polícia partiram entretanto para lugar incerto. Do mesmo modo, tal com o padre da Igreja de São Jorge, tenciona dar um prazo de tolerância num máximo de três meses ao atual executivo e, “logo a seguir, tem de marcar eleições”.

E do seu resultado, Nura Mulem, 70 anos, uma das fiéis desta comunidade, espera que todas as minorias do país “saiam representadas e que os cristão se mantenham unidos” para atingir esse objetivo.

Ao longo dos últimos anos, os cristãos de Maalula têm-se esforçado por recuperar o valioso património danificado da sua longa herança, ainda que tenham sido pilhados, vandalizados e em alguns casos perdidos vários ícones e outros artefactos, durante a ocupação da Frente al-Nusra. Quando os seus combatentes foram expulsos pelo Exército sírio e para celebrar a sua partida, foi colocada uma imagem da Virgem Maria no corte de uma montanha a zelar pelos habitantes e que ainda lá está.

No ambiente tenso que se apoderou desde há uma semana da cidade, sai música muito alta da única mesquita de Maalula e do seu minarete danificado nos combates, o que alguns cristãos interpretam como uma provocação. Mas Samer Zeiner, um residente muçulmano, diz que não há nada a temer e que todos os dias reza por eles e por uma Síria em paz.

“Não podemos cair na armadilha de Assad, que tentou virar-nos uns contra os outros para permanecer no poder”, recomenda junto da mesquita e da praça central, onde se começou a erguer esta manhã, o dia em que a maioria das igrejas e das escolas do país reabriu, uma grande árvore de natal em tela verde: “E eu vou ajudar a montá-la e celebrar com os meus irmãos cristãos”.

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