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Segunda-feira, Julho 13, 2026
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Oficiais de Justiça dizem que proposta para carreira é “gozar com quem trabalha” e voltam à luta

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A proposta para revisão da carreira de oficial de justiça é “gozar com quem trabalha”, defende o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), que põe fim ao “benefício da dúvida” a este Governo e anuncia o regresso à luta.

Numa mensagem em vídeo divulgada no ‘site’ do sindicato, o presidente do SFJ, António Marçal, afirma que a proposta enviada pelo Ministério da Justiça (MJ) de revisão da carreira no âmbito das negociações do novo estatuto “não tem qualificação que não seja: é gozar com quem trabalha”.

“Esta proposta é inaceitável, quer porque divide a carreira em duas e transforma-a em duas carreiras, ainda por cima unicategoriais, o que quer dizer que impõe as comissões de serviço, e depois porque nem sequer existe uma verdadeira revalorização salarial”, criticou António Marçal, anunciando que o secretariado nacional do sindicato vai reunir “de imediato” para elaborar uma contraproposta, mas também para deixar uma garantia ao Governo.

“Caso não haja efetivamente uma verdadeira negociação, uma verdadeira melhoria negocial então não nos resta outra solução que não partir para a luta. E é isso que iremos fazer. Na próxima semana iremos divulgar já o nosso calendário de luta que poderá também passar por uma concentração nacional em Lisboa de todos os oficiais de justiça para, todos juntos, demonstrarmos ao Governo que não temos medo de ir à luta”, disse.

Segundo adiantou no início da semana o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), o Governo, na primeira reunião de revisão do Estatuto dos Funcionários Judiciais, exigiu paz social para arrancar com as negociações, mas o SFJ, perante a concretização da proposta da tutela, vem agora admitir exatamente o contrário e anunciar o regresso à luta sindical.

“Demos o benefício da dúvida a este Governo, à equipa desta ministra, mas perante este desrespeito, que foi a proposta agora enviada, não nos resta outra solução que não partir para a luta”, garantiu o presidente do SFJ.

A proposta do Governo divide a carreira em duas, diferenciando licenciados dos não licenciados, colocando-os em carreiras com níveis de complexidade funcional diferentes.

Para a carreira de nível funcional 3, corresponde à carreira de técnico superior na administração pública, e para a qual é exigida, no mínimo, uma licenciatura, o MJ propõe que transitem “o secretário de tribunal superior, secretário de justiça, escrivão de direito e técnico de justiça principal (cargos chefia), bem como todos aqueles que estão atualmente a exercer estas funções de chefia em regime de substituição”.

Transitam ainda “o escrivão adjunto e o técnico de justiça adjunto com grau de licenciatura ou com 15 ou mais anos de experiência na categoria de adjunto”.

Já para a carreira de categoria 2, corresponde ao nível de assistente técnico, para a qual apenas é exigido o 12.º ano, transitam “o escrivão adjunto e o técnico de justiça adjunto, sem grau de licenciatura, com menos de 15 anos de experiência na categoria de adjunto; escrivão auxiliar definitivo e o técnico de justiça auxiliar definitivo”, segundo a proposta remetida aos sindicatos pelo gabinete da secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Maria Clara Figueiredo.

Quanto aos níveis salariais, a proposta define que na transição de carreiras, em ambos os níveis funcionais os funcionários devem ser colocados “no nível remuneratório superior mais próximo do detido atualmente”.

“Todos os que transitaram para o nível 2 e que, nos quatro anos seguintes, através de procedimento concursal/movimento excecional e mediante a realização de uma prova de conhecimentos especifica sejam admitidos à carreira de nível 3, são posicionados no nível remuneratório superior mais próximo do detido atualmente”, refere ainda a proposta.

Na mensagem vídeo divulgada, António Marçal rejeitou que o sindicato esteja disponível para aceitar estas condições.

A primeira reunião ficou agendada para 16 de janeiro, num processo que tem data de conclusão prevista para 26 de fevereiro.

Abastecimento de água na prisão do Linhó foi restabelecido após sucessivas ruturas

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O abastecimento de água no Estabelecimento Prisional do Linhó, em Cascais, que estava condicionado desde domingo, foi restabelecido hoje depois de resolvidas as sucessivas ruturas, adiantou a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).

Em comunicado, a DGRSP especificou que o abastecimento foi reposto às 16:30.

A fuga principal teve origem numa conduta improvisada há alguns anos numa canalização principal, com ferro em junção com PVC, que não respeitava as normas técnicas, revelou.

Desde segunda-feira que esta prisão estava com problemas no abastecimento de água, tendo a situação sido parcialmente resolvida na quarta-feira, retomando o fornecimento canalizado, mas de forma seccionada por terem sido detetadas novas falhas na canalização que não permitiam uma pressão de água constante em toda a prisão em simultâneo.

A DGRSP referiu que uma sucessão de ruturas em condutas obrigou à utilização faseada e seccionada da água aos reclusos durante vários dias, sobretudo em duas áreas.

“Contudo, foram sempre encontradas alternativas para assegurar o fornecimento de água para consumo próprio, para a higiene pessoal e para a limpeza dos espaços comuns”, garantiu.

Apesar dos constrangimentos, a DGRSP frisou que a normalidade no quotidiano na prisão foi garantida graças, não só à disponibilização aos reclusos de água engarrafada e à permissão de acesso às torneiras dos pátios para uso sanitário, mas também à prestação permanente de informação por parte da direção e da chefia dos guardas sobre a situação e sobre as diligências em curso.

Na nota, a DGRSP contou que na segunda-feira a redução da pressão da água no estabelecimento prisional indiciou a existência de uma rutura, tendo sido iniciados os trabalhos para a localizar.

E, desde esse dia, verificaram-se diversas ruturas que foram sendo reparadas, sem que o problema ficasse resolvido, frisou.

No estabelecimento prisional, onde existem cerca de 500 reclusos e um efetivo de 116 guardas prisionais, decorre uma greve dos guardas até 10 de janeiro em protesto por falta de condições de segurança, estando a funcionar em serviços mínimos, onde se inclui a distribuição de refeições, que não foi afetada pela questão da falta de água.

PCP não estranha silêncio da ministra sobre Martim Moniz e diz que Montenegro se pôs “em bicos de pés”

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foto ilustrativa: Arlindo Homem

O PCP disse este sábado que o silêncio da ministra da Administração Interna sobre a operação policial no Martim Moniz não é uma “situação nova”, e considerou que o primeiro-ministro “assumiu para si” o papel de dar explicações.

“Não estamos propriamente perante uma situação nova, da ministra da Administração Interna não é propriamente um posicionamento novo”, afirmou o secretário-geral do PCP em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, após uma reunião do Comité Central.

Paulo Raimundo considerou que, a partir da declaração do primeiro-ministro na residência oficial, na noite de 27 de novembro, após os tumultos que se seguiram à morte de Odair Moniz, Luís Montenegro escolheu “ser o primeiro a ter de responder sobre estas questões”. “Não sei se foi para libertar a ministra de o fazer, se foi para assumir esse protagonismo, o que é certo é que fazendo isso, assumiu para si esse papel principal de dar explicações”, considerou.

O comunista considerou que não basta mudar o responsável pela pasta da Administração Interna para resolver a situação.

“Nada disso, mas de qualquer maneira temos de sinalizar os silêncios da ministra e temos de sinalizar os bicos de pés em que o senhor primeiro-ministro se meteu sobre estas matérias”, criticou.

Sobre o Presidente da República, Raimundo disse que “não seria de estranhar” que Marcelo Rebelo de Sousa “também se pronunciasse sobre esta matéria”.

“Já agora, um pormenor que não é um pormenor, não é só o senhor Presidente da República, eu próprio, os órgãos de soberania, é bom que não nos esqueçamos que estamos todos obrigados a cumprir e a fazer cumprir a Constituição da República”, assinalou.

Paulo Raimundo voltou a defender que o que se passou na quinta-feira, na zona do Martim Moniz, em Lisboa, foi uma “operação de propaganda, de utilização das forças de segurança para propaganda política, para alimentar uma perceção e conceções reacionárias, perigosíssimas” e considerou que “os últimos responsáveis são naturalmente as forças de segurança”.

O secretário-geral do PCP disse também que o “problema não é o PSD e o CDS estarem a ceder à agenda de outros”, mas sim que “a agenda que está em curso é a agenda do PSD, do CDS e da correlação de forças institucionais que existe hoje na Assembleia da República”, considerando que existe uma “tentativa de imposição de conceções e práticas reacionárias” para “desviar a atenção dos reais responsáveis dos problemas”.

O comunista alertou igualmente que as pessoas que vivem naquela zona, muitas das quais estrangeiras, precisam de “melhores condições de vida”.

Ainda na quinta-feira, o primeiro-ministro afirmou que a operação da PSP no Martim Moniz foi “muito importante” para criar “visibilidade e proximidade” no policiamento e para aumentar a sensação de tranquilidade dos cidadãos portugueses. Já a ministra da Administração Interna ainda não se pronunciou sobre esta ação, que motivou críticas por parte de vários partidos, que querem chamar Margarida Blasco ao parlamento.

No dia seguinte, o Presidente da República disse querer ver as imagens da operação policial, para a comentar, mas defendeu como princípio geral que a segurança deve ser exercida com recato.

FC Porto vence em Moreira de Cónegos e assume liderança provisória

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foto: Tiago Miguel de Araújo Vieira / Notícias Em Direto

O FC Porto assumiu no sábado a liderança isolada provisória da I Liga de futebol, ao vencer por 3-0 em casa do Moreirense, em jogo da 15.ª jornada da prova.

Um golo de Samu, aos 16 minutos, adiantou os ‘azuis e brancos’, que voltaram a ganhar fora depois de dois jogos consecutivos sem vencer em reduto alheio, tendo Rodrigo Mora (66) e André Franco (88) sentenciado o encontro, frente a um Moreirense que perdeu pela primeira vez em casa esta temporada.

Com este triunfo, o FC Porto assumiu provisoriamente o comando, com 37 pontos, mais um do que o campeão em título Sporting, que, no domingo, se desloca a Barcelos para defrontar o Gil Vicente, enquanto o Moreirense é para já oitavo classificado, com 20.

Militar do Exército ferido após “incidente com arma de fogo”

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Um militar do Exército que estava de serviço na Academia Militar, em Lisboa, ficou este sábado ferido, com “prognóstico muito reservado”, após um incidente com uma arma de fogo, informou aquele ramo, que vai averiguar o que se passou.

“O Exército informa que ocorreu um incidente com arma de fogo, na Academia Militar, Lisboa, ao final da manhã do dia de hoje, envolvendo um militar de serviço”, lê-se num comunicado enviado às redações.

De acordo com aquele ramo, o militar foi levado para o Hospital de São José, após “estabilização no local pelo INEM”.

O Exército informa que “foi aberto um processo de averiguações, tendo em vista o apuramento das causas do sucedido”, e que também foi notificada a Polícia Judiciária Militar.

O comunicado refere ainda que a família está a receber apoio psicológico, bem como os restantes militares de serviço.

Contactado pela Lusa, o porta-voz do Exército disse que o “prognóstico ainda é muito reservado quanto ao estado do militar” que é um homem “com menos de 25 anos”, da categoria de praças.

“Aparentemente terá sido acidente com a arma de serviço, mas não sabemos o que sucedeu. Ao que consta, o militar estava sozinho”, indicou o tenente-coronel Hélder Parcelas.

Polícia ferido após ter sido atropelado por condutor em ação de fiscalização em Lisboa

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Um agente ficou ferido depois de ter sido atropelado por um condutor numa ação de fiscalização no Parque das Nações, em Lisboa, disse à Lusa fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP).

O incidente aconteceu num posto de combustível e o agente teve de receber tratamento hospitalar devido aos ferimentos sofridos, mas “já se encontra bem”, adiantou o comissário de serviço, acrescentando que o condutor, de 21 anos, foi detido por crime contra a autoridade pública.

Em comunicado emitido posteriormente, a PSP adianta que a situação ocorreu pelas 02h15 deste sábado, depois de a polícia se dirigir ao posto de combustível para verificar uma viatura pertencente a uma empresa privada envolvida na prática de um crime de abuso de confiança.

Já no local, a PSP interpelou o condutor da viatura, que reagiu com uma manobra para fugir do local, “arrastando o polícia que estava a efetuar a abordagem, que acabaria por ser projetado contra uma outra viatura que ali se encontrava parqueada”.

A PSP localizou a viatura e o suspeito a cerca de um quilómetro e meio do local, sendo que o indivíduo ainda tentou fugir a pé, tendo sido intercetado e detido, devendo comparecer em tribunal na segunda-feira.

Junto à viatura foram encontrados 87,7 gramas de haxixe.

“Vocês são uma honra para Portugal”, disse Marcelo a militares com quem almoçou na Eslováquia

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foto: Arlindo Homem

O Presidente da República afirmou este sábado que os militares portugueses na Eslováquia são “uma honra para Portugal” e “um orgulho”, depois de um almoço de Natal no qual a ementa contou com caldo verde e pastéis de nata.

“Vocês são uma honra para Portugal. São um orgulho para Portugal. São um orgulho para o Presidente português. Estou tão orgulhoso destes jovens que vêm de Portugal aqui para a Eslováquia e que estão em todo o mundo. Estou orgulhoso como pessoa, como cidadão, como Presidente da República, como Comandante Supremo das Forças Armadas”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado português falava na área militar de treino de Lešť, na Eslováquia, onde a 1.ª Força Nacional Destacada, composta por 26 militares, integra uma brigada multinacional da NATO, na qual participam Portugal, Eslováquia, Espanha, Roménia, República Checa e Eslovénia.

À chegada a Lešť, o Presidente da República cumprimentou os militares portugueses um a um, e perguntou-lhes de onde eram naturais, antes do almoço de Natal, que foi caldo verde, alguns enchidos, arroz de pato e pastéis de nata para a sobremesa.

Nesta interação com os militares portugueses antes do almoço, Marcelo Rebelo de Sousa, que de manhã teve um breve encontro de cerca de meia hora com o seu homólogo eslovaco, adiantou que Peter Pellegrini “louvou imenso a participação portuguesa” no país – que é recente, começou em julho – considerando-a “pioneira e promissora para o futuro”.

No final da refeição natalícia, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu algumas palavras aos militares portugueses, num almoço no qual também estiveram participantes de outras nacionalidades da brigada multinacional da NATO e ainda a um representante dos Estados Unidos da América, que não integra esta brigada mas está em serviço naquele local.

Numa pequena intervenção que variou entre o português e o inglês, Marcelo Rebelo Rebelo de Sousa disse estar ciente de que no período do Natal, e apesar de esta força estar de partida para Portugal daqui a cerca de um mês, “a falta da família é mais forte”.

O chefe de Estado português tentou explicar de seguida aos presentes de outras nacionalidades o significado da palavra saudade.

“Saudade significa que vocês estão longe, mas nunca esquecem as suas raízes, pensam na vossa família, no vosso país. Saudade é isso. Nós sentimos a falta dos nossos, mas estamos com eles, com as nossas raízes, com a nossa força, com as nossas tradições, com os nossos valores. E queria saudar-vos porque o vosso exemplo é um exemplo excecional”, enalteceu.

Marcelo Rebelo de Sousa salientou ainda o orgulho que tem nestes militares deslocados.

“Estou muito orgulhoso, muito, muito orgulhoso. São o exemplo dos nossos valores, são do melhor que temos em Portugal. São o melhor do melhor de Portugal. Do nosso povo, dos nossos valores, princípios, das nossas tradições, do nosso passado e do nosso futuro. São ao mesmo tempo, o passado, o presente e o futuro”, rematou.

De seguida, Marcelo Rebelo de Sousa cortou um bolo e brindou “à Eslováquia, à NATO”, aos países representados nesta brigada e, por fim, “a Portugal”, perante vários militares que este ano vão passar o Natal em missão, longe das suas famílias.

O chefe de Estado tirou a tradicional fotografia de família, com a Força Nacional Destacada, o ministro da Defesa Nacional, e os chefes militares, tendo dois carros de combate Leopard 2A6 como pano de fundo, e visitou algumas das instalações.

Marcelo terminou a sua visita num pequeno espaço frequentado por estes militares e batizado como “Casa de Portugal”, assinou o livro de honra, e recebeu uma lembrança do comandante da brigada multinacional, o coronel espanhol Martinez, e dos militares portugueses.

Depois de ter ouvido o grito do Exército ao almoço, pediu desta vez para ouvir o grito da Cavalaria: “Ao galope, galope, galope. À carga!”, exclamaram os militares perante o chefe de Estado.

“Muito bem, muito bem, muito bem. Mais uma vez obrigado e sempre ao galope, galope, galope. Pela NATO, pela Aliança Atlântica. O mesmo quer dizer: pela Europa, pela defesa da liberdade, da democracia, do direito internacional, dos direitos humanos, daquilo que é o que nos une e explica a nossa presença aqui na Eslováquia”, realçou.

Reportagem: Viticultores votaram hoje por uma Casa do Douro “forte” e que os defenda

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Viticultores que hoje fizeram questão de ir votar defendem uma “Casa do Douro forte”, que defenda os pequenos e médios produtores e que ajude a impedir que mais uvas fiquem por vindimar.

Hoje decorrem as eleições para a direção e conselho regional da Casa do Douro, as primeiras depois da sua restauração, pelo parlamento, como associação pública de inscrição obrigatória.

Há dois candidatos à direção, a lista A é liderada por Manuela Alves e a lista B por Rui Paredes. Em simultâneo os 18.655 viticultores/eleitores inscritos elegem 51 conselheiros do conselho regional.

“Não se admite passarmos todo ano de roda das uvas para depois chegar a altura e ficar com ela penduradas nas videiras”, afirmou Alfredo Fernandes, de 80 anos e residente na Magalhã, concelho de Sabrosa, que falava à Lusa em São Martinho de Anta, concelho de Sabrosa.

O viticultor disse que na última vindima deixou uvas na vinha e até deu algumas a amigos e vizinhos da aldeia. “Tenho 30 pipas, só posso meter 10, perdi muito dinheiro e os sulfates é preciso pagá-los”, frisou.

O filho, José Carlos Teixeira, 58 anos, reside em Vila Real e ia votar também a São Martinho de Anta mas ao chegar à mesa de voto percebeu que não era ali o local certo e teve que ir à vila sede de concelho.

O pequeno viticultor defendeu que seria “muito mais prático” se todos pudessem votar onde quisessem. “Assim não, temos que andar a saltaricar e as pessoas chegam a um certo ponto, chateiam-se e não votam. Desmotiva”, referiu.

Também José Carlos Teixeira disse que é “importante mudar para ver se o Douro vai para a frente”.

“Isto está muito mal a nível de viticultura, este ano ficaram uvas na vinha, preço não se sabe a como é que vão pagar, está uma lástima. Era preciso uma Casa do Douro entregue aos lavradores (…) Este ano houve pessoas a venderem a pipa de vinho a 80 euros, isso é alguma coisa? Não dá para o sulfate, quanto mais para o corte ”, defendeu.

Filipe Brigas, presidente da Junta de Freguesia de Abaças, em Vila Real, também teve de ir votar a São Martinho de Anta.”Por incrível que pareça sou habitante de Abaças, tenho vinhas em Abaças, mas como tenho a maior área em Paradela de Guiães tenho que ir votar a São Martinho, é incrível”, frisou, salientando que nem conhece os candidatos pelo seu local de voto.

São Martinho de Anta tem 115 eleitores inscritos. Em Abaças há 321.

Purificação Varela, 70 anos, foi das primeiras a votar em Abaças. “Eu acho muito importante vir votar para ver se há alguém que defenda a gente e os do Estado não façam tudo o que eles querem”, frisou, salientando que os seus pais criaram sete filhos com os rendimentos da agricultores e que “hoje nem dá para comer”.

Arménio Lopes, 72 anos é de Vilarinho do Tanha e foi também votar a Abaças com a esperança que a situação no Douro melhore. “Era bom que a coisa se compusesse porque na minha aldeia, ali em baixo, houve muito lavrador que deixou as uvas nas videiras e isso é mau para a economia, afeta tudo”, afirmou.

A organização do processo eleitoral foi muito criticada, quer pelos candidatos, quer também por eleitores e alguns autarcas. A maior parte das 76 mesas de voto estão instaladas nas juntas de freguesia.

Filipe Brigas disse que, até hoje, este foi o ato eleitoral “mais confuso” a que assistiu, apontando a falta de informação, de coordenação, a indefinição na composição das mesas e até mesmo os cadernos eleitorais que só foram entregues na sexta-feira às 16:00, quando lhe foi dito que seriam três dias antes.

Considerou ainda que a comissão eleitoral empurrou “tudo para as juntas”.

“No início houve um bocadinho de falta de organização, como iam ser feitas as eleições, as pessoas para as mesas, mas também é verdade que já não há eleições para a Casa do Douro há muitos anos e é normal que isso aconteça”, referiu José Gonçalves, presidente da Junta de São Martinho de Anta.

Entre as reclamação apresentadas hoje, segundo fontes das candidaturas, está documentação a informar que a mesa encerra às 17:00, quando o horário é das 14:00 às 18:00.

A Lusa questionou a comissão eleitoral, por escrito, sobre como está a decorrer o processo eleitoral, mas até ao momento não obteve resposta.

Depois de votar no Candedo, Murça, Manuela Alves, que encabeça a lista A, disse esperar que com o cair do dia a afluência às urnas aumente, depois dos viticultores terminarem os trabalhos no campo, voltando a criticar a “falta de empenho e desinteresse total” da comissão eleitoral por este ato eleitoral.

Rui Paredes, pela lista B, votou em Favaios, Alijó, e apelou à participarão dos viticultores nas eleições de hoje, considerando que a Casa do Douro precisa “do respaldo” de uma forte votação para se reerguer.

Criada em 1932 para defender os viticultores, a organização viu alterados os estatutos para associação privada de inscrição voluntária em 2014 e, dez anos depois, volta a ter uma dimensão pública.

Cravos de várias cores em ação de solidariedade com imigrantes em Lisboa

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Mais de uma centena de pessoas percorreu hoje a Rua do Benformoso, no Martim Moniz, em Lisboa, recordando os valores de Abril, em solidariedade com a população imigrante residente na zona.

A ação cívica foi organizada em reação à operação policial realizada na quinta-feira no Martim Moniz, condenada por vários partidos políticos e organizações de defesa dos direitos humanos.

Distribuindo cravos de diversas cores, pessoas de vários quadrantes da sociedade, entre as quais representantes do PS, BE, PCP e Livre, explicaram o significado destas flores para a democracia portuguesa.

Moradores e comerciantes da zona – onde vivem e trabalham muitos imigrantes, sobretudo oriundos do subcontinente asiático – acolheram o gesto com alegria e sublinharam a simpatia e o acolhimento da população portuguesa em geral.

De um dos muitos restaurantes bengalis existentes na rua saiu um tabuleiro com jalebi, um doce popular em países asiáticos e africanos, neste caso feito de lentilhas e embebido em xarope de açúcar.

Os manifestantes receberam a oferta entoando o lema “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!” e a canção “Grândola, vila morena”, de Zeca Afonso, que já não é uma desconhecida para Roni Hussain.

Empresário originário do Bangladesh, há já nove anos em Lisboa, diz que é “muito importante” receber apoios como o de hoje. “Dão-nos mais energia”, agradece.

“Nós ficámos em Portugal só para trabalhar e ter uma vida boa”, resume.

Os imigrantes do Benformoso pertencem a “minorias desprotegidas, que a sociedade do 25 de Abril tem de proteger”, vincou o capitão de Abril Carlos Matos Gomes, que marcou presença na marcha.

A intervenção de quinta-feira – em que imigrantes foram encostados à parede, de mãos no ar, e revistados – lembrou-lhe “a polícia de choque a entrar pelas universidades” quando Portugal era uma ditadura.

“O nazismo e o sionismo começaram exatamente pela discriminação racial, política, religiosa”, recorda o historiador, denunciando “as falsidades” utilizadas pela extrema-direita para associar a imigração à insegurança.

Presente na iniciativa, Isabel Moreira (PS) considera que “há um antes e um depois das imagens antidemocráticas” da operação de quinta-feira, que resultou na detenção de duas pessoas, portuguesas, e na apreensão de quase 4.000 euros em dinheiro, bastões, documentos, uma arma branca, um telemóvel e uma centena de artigos contrafeitos.

“Estrangeiros existem muitos”, por exemplo no Príncipe Real e no Restelo, mas a polícia visou “imigrantes pobres, que trabalham muito e com uma determinada cor”, distinguiu.

A deputada gostava de ver “um sobressalto cívico” e promete não esquecer “a brutalidade” que aconteceu, porque não cabe num Estado de Direito.

“Não é assim que se constrói um país, não é assim que se honra Abril”, recusa, acusando o Governo de impulsionar “o fantasma” da insegurança e de “virar uns contra os outros”.

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, quis transmitir “segurança” à comunidade de imigrantes do Benformoso, que tem o direito de “não viver com medo”.

“Não é aceitável o que aconteceu. (…) Foi um ato inédito, (…) foi desproporcional, foi direcionado a uma comunidade em específico”, criticou.

No bairro, “as pessoas estão assustadas, (…) são trabalhadores frágeis, são pessoas muitas vezes que lutaram muito por obter uma regularização ou estão à espera dela”, lembra, saudando a iniciativa cívica “espontânea” e o trabalho dos movimentos sociais contra o racismo e em defesa dos imigrantes.

Lisboa é “cidade de Abril”, onde o direito à segurança “não pode sacrificar outros direitos, liberdades e garantias, de ninguém”, realçou João Ferreira (PCP), lembrando que é preciso aprender com a história, porque todos podemos ser as vítimas de amanhã.

“A ação a que assistimos há dois dias suscita muitas dúvidas e reservas”, assinalou o eurodeputado, criticando o “alarme social totalmente injustificado” gerado pela operação policial.

“São os nossos vizinhos” – lembrou Rui Tavares, deputado do Livre que vive ali perto – e “foram injustamente alvo de uma ação policial que não teve nenhum critério” justificável.

“Estas pessoas também pedem mais policiamento e também pedem mais segurança, agora certamente não pedem é para, no decurso de um dia normal de trabalho, serem encostadas à parede e serem revistadas”, condenou, afirmando que o mesmo não acontece “aos estrangeiros dos “bairros finos da cidade”.

Pela Rua do Benformoso, Rita ofereceu uma mão cheia de cravos, enquanto ia reconhecendo o direito dos imigrantes a trabalharem e a viverem em paz. Cristina explicou o significado do cravo para a democracia portuuesa a um dos muitos estafetas que por ali moram, que pendurou a flor na sua moto.

Trocaram-se abraços, apertos de mão e contactos e uma professora ofereceu aulas de português gratuitas a um grupo de jovens.

Presidente da Associação de Defesa dos Direitos Humanos, Laura Vasconcelos classificou como “intolerável” a operação policial de quinta-feira.

“Não na minha cidade, não no meu país. Não se encostam as pessoas contra a parede, parecia um pelotão de fuzilamento”, lamentou.

“Os portugueses estão a apoiar-nos e agradecemos muito, sabemos que a generalidade dos portugueses gosta de nós e nós também gostamos deles”, vincou Nasser Shahid, dono de um restaurante bengali na rua.

“A polícia está a tentar encontrar alguns criminosos, mas aquela não é a forma certa de os encontrar”, considera, realçando que a comunidade está disponível para ajudar.

“Nós também queremos encontrar os criminosos, podem pedir a nossa ajuda (…). Nós vivemos aqui, temos negócios aqui, vemos e conhecemos muitos deles”, afiançou.

“Mas nós não somos criminosos, somos gente pacífica”, realçou, enquanto segurava um cravo, do qual não sabia o nome, mas tinha a certeza de que “é um símbolo de amor”.

Fábrica da Tupperware fecha em Constância e deixa 200 trabalhadores no desemprego

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A fábrica da Tupperware instalada em Montalvo, Constância (Santarém), vai encerrar a atividade no dia 08 de janeiro e despedir os cerca de 200 trabalhadores, informou esta sexta-feira o presidente da Câmara Municipal.

“A Câmara Municipal de Constância tomou conhecimento que no dia de ontem [quinta-feira] foi comunicado aos trabalhadores da empresa que a mesma encerrará a 8 de janeiro de 2025. Face a esta situação difícil para o nosso concelho e para a nossa região, deixamos uma palavra de solidariedade a todos os trabalhadores e respetivas famílias”, escreveu o autarca Sérgio Oliveira, na página oficial do município.

A fábrica da multinacional Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980, dependia a 100% da casa-mãe norte-americana, com o anúncio do pedido de declaração de insolvência a ter consequências diretas na unidade portuguesa, ontem conhecidas, e que vai deixar no desemprego os 200 trabalhadores que ali eram efetivos.

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