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Segunda-feira, Julho 13, 2026
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Reportagem: Manifestação à margem dos sindicatos reuniu sapadores de todo o país

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📷 Notícias Em Direto (imagem ilustrativa)

A manifestação de bombeiros sapadores que hoje percorreu o centro de Lisboa até à Assembleia da República foi organizada à margem dos sindicatos, tendo reunido profissionais de todo o país.

“Não há plataformas sindicais, não há política nenhuma à volta. Isto é o descontentamento ao longo dos anos”, salientou, à Lusa, Paulo Carvalho, de 48 anos e há 24 integrado no Regimento de Sapadores Bombeiros do Porto, desvalorizando o facto de os mais de cem manifestantes se terem apresentado com barretes pretos de pai-natal e camisolas com frases alusivas ao protesto.

“Somos uma organização organizada em Portugal, por isso estamos preparados para tudo. […] Foi desta forma simbólica que viemos até à Assembleia da República apelar, uma vez mais, que, ao fim destes 23 anos, olhem para esta profissão com a dignidade que merece e o respeito que nós merecemos”, afirmou, em frente à Assembleia da República.

Junto à grade colocada na escadaria do Palácio de São Bento, foram colocados presentes de Natal destinados ao Governo. Dos embrulhos, constam inscrições que contestam o que tem sido proposto pela tutela, nomeadamente a atribuição de um subsídio de risco fixo de 50 euros em 2025, de 75 em 2026 e de 100 em 2027.

Questionados pelos jornalistas sobre quem lidera a manifestação, os bombeiros foram unânimes em assegurar que a “organização foi de todos”.

“Isto é aleatório, não há aqui ninguém que esteja a liderar isto. Existe uma insatisfação que é representativa de todos os elementos que aqui estão. Há várias pessoas que nos dão esclarecimentos sobre as negociações [com o Governo], nomeadamente pessoas dos sindicatos, e, assim que nos dão as informações, fazemos estas ações de luta que nada têm a ver com os sindicatos”, resumiu, à Lusa, Jorge Santos, de 49 anos, 30 dos quais a trabalhar no Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa.

O protesto surge 20 dias após uma outra manifestação de sapadores bombeiros no centro de Lisboa ter ficado marcada pelo rebentamento de petardos e o lançamento de tochas e fumos, levando o Governo a suspender as negociações. Hoje, Paulo Carvalho alegou que a imagem deixada foi apenas “de descontentamento e de tristeza” dos profissionais.

O desfile desta manhã, acompanhado de músicas natalícias e distribuição de rebuçados e desejos de “feliz Natal” a quem passava na rua, decorreu sem incidentes.

“Nós fazemos sempre de forma pacífica. Somos ordeiros. Hoje, [o protesto] foi trazermos umas prendas ao Governo, […] para sensibilizar para a data que estamos a comemorar – amanhã é o Natal – e para o Governo nos dar mais do que está a dar”, defendeu Pedro Ferreira, bombeiro sapador no Porto, de 46 anos.

Frederica Pires, de 42 anos e bombeira sapadora em Lisboa, promete “estar sempre presente quando for para lutar pela dignificação da carreira”.

“Exigimos uma regulamentação da carreira, que há 22 anos que não é regulamentada, um subsídio de risco plausível, uma carreira atrativa, e respeito da parte do Governo quando se senta à mesa de negociações e quando fala de sapadores”, sustentou, lembrando que, só na cidade de Lisboa, é dada resposta a mais de 21 mil ocorrências por ano.

O descontentamento é acentuado pelo que os manifestantes acreditam ser o tratamento diferenciado face a outras profissões. “Sempre tivemos alguma compreensão, porque quando está mal, está mal para a toda a gente. E agora, nos últimos tempos, vimos que outras carreiras foram valorizadas, e bem, mas a nossa ficou esquecida”, resumiu Jorge Santos.

Além do Porto e de Lisboa, participaram ainda na manifestação bombeiros de Coimbra.

Os sapadores são funcionários das autarquias, mas a sua carreira é regulada pelo poder central, o que acrescenta complexidade às negociações.

O Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores (SNBS) já agendou uma greve nacional a 15 de janeiro e uma manifestação para junto da Assembleia da República.

Morreu padre Agostinho Jardim Gonçalves, aos 92 anos

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O padre Agostinho Jardim Gonçalves, figura ligada a movimentos operários católicos portugueses, morreu no domingo à noite, disse fonte da Liga Operária Católica (LOC), que lamentou a perda de um “símbolo do ativismo social” da igreja.

A morte de Agostinho Jardim Gonçalves, antigo chefe de gabinete do cardeal-patriarca José Policarpo, foi divulgada pelo jornal Sete Margens e confirmada pela agência Lusa junto da LOC, organização a que esteve associado durante muitos anos.

Américo Oliveira, coordenador da LOC, explicou à Lusa que Jardim Gonçalves “é uma das figuras mais relevantes do ativismo e da Igreja em Portugal” e, “em tudo o que ele se meteu, era uma figura relevantíssima”.

Em particular, Américo Oliveira recorda o seu papel na promoção da pastoral operária, onde foi “fundamental ainda antes do 25 de abril [de 1974]”, lamentando que o tema hoje já não seja uma prioridade da discussão dentro da igreja e entre os católicos.

“Ele faz muita falta”, nos dias de hoje, porque, “em Portugal, as grandes questões ficam diluídas nos ritos, e no muito medo de arriscar desafios novos”, considerou.

As questões operárias e sociais devem ser, no seu entender, uma prioridade da igreja católica, como oportunidade de concretizar a fé na sociedade.

No passado, com outros sacerdotes da mesma geração, o padre Jardim Gonçalves “deu um contributo essencial à reflexão sobre o mundo do trabalho” em Portugal.

Irmão do banqueiro Jorge Jardim Gonçalves, ligado a movimentos conservadores da igreja católica e à Opus Dei, Agostinho Jardim Gonçalves, 92 anos, era considerado um oposicionista do regime salazarista, tendo chefiado a redação do Jornal da Madeira e acabou por sair para o estrangeiro, onde desempenhou cargos no Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos, no Comité Católico contra a Fome e pelo Desenvolvimento na América Latina ou na Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos portugueses.

Pedro Nuno promete combater quem usa o medo para implementar agenda extremista

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foto: Arlindo Homem

O líder do PS, Pedro Nuno Santos, prometeu esta segunda-feira combater quem se aproveita das preocupações das pessoas ou usa o medo para “implementar uma agenda extremista”, defendendo diálogo e união em vez de intimidação e divisão.

Na mensagem de Natal e Ano Novo difundida nas redes sociais, Pedro Nuno Santos afirmou, quando se assinalam os 50 anos do 25 de Abril, que “o país sofreu transformações profundas” mas que o processo democrático é “por definição inacabado”.

“2025 é o primeiro dos próximos 50 anos que devemos aproveitar para corrigir o que fizemos menos bem e para responder às aspirações dos portugueses”, defendeu.

Afirmando que “muito mudou” no país, o líder do PS ressalvou que “Portugal continua a ser uma comunidade nacional conhecida pelos valores da tolerância, da empatia, do humanismo”, considerando importante que, perante “os desafios sociais e económicos”, estes traços continuem a fazer parte do modo de vida do país.

“Sabemos que na política há sempre quem, de forma oportunista, se queira aproveitar das preocupações do povo. Há sempre quem queira usar o medo para fomentar o ódio e a insegurança para implementar uma agenda extremista”, condenou.

A promessa de Pedro Nuno Santos é combater “sempre esta forma de estar na política”.

“Onde outros apostam na intimidação, nós defenderemos o diálogo. Onde outros espalham a divisão, nós estaremos do lado da união. Onde outros semeiam o medo, nós lutaremos para dar confiança”, prometeu.

A confiança, segundo o líder do PS, é para que em Portugal seja “possível viver em segurança, em liberdade e com esperança”.

“A segurança não é apenas a segurança do nosso corpo ou da nossa propriedade, mas a segurança no emprego, na saúde, na educação, na habitação, na reforma. São estas diferentes faces da segurança que nos dão liberdade”, apontou.

A liberdade para defender ideias, um projeto de vida e perseguir sonhos “são as diferentes faces da liberdade” que permitem ter esperança, de acordo com Pedro Nuno Santos, deixando votos de bom Natal e um feliz Ano Novo.

Nove serviços de urgência fechados na terça-feira e 12 no dia de Natal

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foto ilustrativa: © João Polónia / Notícias Em Direto

Nove serviços de urgência de Ginecologia e Obstetrícia e de Pediatria estarão encerrados na terça-feira, número que sobe para 12 no dia de Natal, segundo as Escalas de Urgência do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na véspera de Natal está previsto o encerramento das urgências de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira, do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e do Hospital de Portimão (Obstetrícia), segundo dados consultados pela agência Lusa às 16:30 no Portal do SNS.

Estarão também encerrados os serviços de urgência Pediátrica dos hospitais de Faro, do Barreiro, de Loures, do Hospital Distrital de Águeda e do Serviço de Urgência Básica de São Pedro do Sul, unidade que também terá encerrada a urgência geral.

Segundo as escalas de urgência do SNS, no total irão estar fechados na véspera de Natal nove serviços, oito vão estar com restrições e 191 estarão abertos.

No dia de Natal, somam-se a estes encerramentos o fecho da urgência Pediátrica do Hospital de Faro, assim como a urgência de Ginecologia e a urgência geral e pediátrica do Serviço de Urgência Básica de Vila Nova de Foz Côa.

Neste período, o Hospital Amadora-Sintra tem a urgência Pediátrica reservada, entre as 00:00 e as 20:00, aos casos de urgência internos ou referenciados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e pela linha SNS24 (808242424).

Este hospital também tem referenciado o serviço de urgência de Ginecologia e Obstetrícia, assim como o Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, o Hospital Beatriz Ângelo, o Hospital Santa Maria, em Lisboa e o Centro Materno Infantil do Norte.

O serviço de urgência destas especialidades no Hospital Garcia de Orta, em Almada, está referenciado apenas para as urgências internas e casos encaminhados pelo CODU.

No total, estarão abertos no Dia de Natal 188 serviços de urgência, enquanto 12 estão fechados e oito referenciados.

Desde há uma semana que as grávidas têm de ligar para a linha SNS Grávida antes de recorrerem à urgência de obstetrícia e ginecologia dos hospitais que aderiram ao projeto que arrancou em fase piloto em 11 Unidades Locais de Saúde (ULS), maioritariamente em Lisboa e Vale do Tejo, e em três unidades que aderiram voluntariamente ao projeto.

Desafiada hoje a fazer um balanço da primeira semana do novo modelo de funcionamento destas urgências, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse ser preciso um “histórico maior”, de várias semanas, para apresentar esses dados.

Adiantou, contudo, que foi possível identificar “pequenos constrangimentos e resolvê-los”, comentando que o processo está a ser feito com “muita calma, com muita prudência, com muito bom senso”.

“Vamos avaliar como é que vão correr estes meses e depois faremos o nosso balanço e veremos se é algo que podemos alargar também a todo o país”, disse a ministra aos jornalistas, à margem da cerimónia de entrega do edifício do novo Hospital de Sintra pela Câmara de Sintra ao SNS.

Na sua intervenção na cerimónia, Ana Paula Martins afirmou que, no âmbito do plano de inverno, o ministério está a gerir com os hospitais de todo o país os serviços de urgência e os cuidados de saúde primários, sendo o objetivo que ninguém fique sem acesso ao SNS.

Mas esse acesso é através de um modelo de funcionamento em rede e acautelando que “os meios adequados estão disponíveis onde e quando é preciso”.

“É uma grande transformação, talvez a terceira maior transformação que a área de obstetrícia e ginecologia já teve nestes últimos 45 anos ou mais”, comentou.

Essa “grande transformação” começou com os anteriores governo e Direção Executiva do SNS, mas agora está a ser expandida ao país em áreas como a Obstetrícia e “daqui a muito pouco tempo também à pediatria”.

Infarmed manda retirar do mercado três lotes do antidepressivo Duloxetina

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A autoridade nacional do medicamento (Infarmed) ordenou a suspensão imediata de três lotes do medicamento Duloxetina, indicado no tratamento da depressão, devido à deteção de um resultado acima dos limites para uma impureza.

Em causa estão os lotes 221.556, 230.408 e 240.672 do medicamento do medicamento Duloxetina toLife, cápsula, 28 unidades, 30mg e 60 mg, refere o Infarmed numa circular informativa publicada hoje na página da Internet.

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde adianta que a empresa Towa Pharmaceutical irá proceder à recolha voluntária dos lotes “por ter sido detetado um resultado analítico acima dos limites aceitáveis para uma impureza”.

Na sequência da suspensão imediata da comercialização dos lotes, as entidades que os tenham em ‘stock’ devem proceder à sua devolução.

“Os doentes que estejam a utilizar medicamentos pertencentes a estes lotes não devem interromper o tratamento. Logo que possível, devem contactar o médico para substituir por outro lote ou um medicamento alternativo”, acrescenta a nota.

“Loja do Cidadão de Santarém” assinala o 8º aniversário no dia da inauguração do “Espaço Cidadão de Póvoa da Isenta”

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No dia em que a Loja do Cidadão de Santarém comemorou o oitavo aniversário, quinta-feira, 19 de dezembro, foi também dia de festa na Póvoa da Isenta, com a inauguração do seu “Espaço Cidadão”, na sede da Junta de Freguesia. Um evento que contou com a participação especial de Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Juventude e da Modernização, em ambos os momentos.

Na celebração do oitavo aniversário da Loja do Cidadão, que conta já com mais de 1,02 milhões de atendimentos ao público (1 027 353), João Teixeira Leite, Presidente da Câmara Municipal de Santarém (CMS), e Margarida Balseiro Lopes fizeram o descerramento da placa alusiva à data. Um momento abrilhantado pela Tuna Académica Feminina “Sal e Tuna”, da Escola Superior de Desporto, do Instituto Politécnico de Santarém, que tocaram e cantaram vários temas da música tradicional portuguesa. Um evento que contou com a presença, entre outros, de Beatriz Martins, Vice-presidente da CMS, Carlos Martinho, Vereador da CMS, João Moutão, Presidente do Instituto Politécnico de Santarém, e de José João Pedro, Presidente da Junta de Freguesia de Póvoa da Isenta.

Seguiu-se a inauguração do Espaço Cidadão de Póvoa da Isenta, com o descerramento da placa alusiva. Na sua intervenção, João Teixeira Leite começou por congratular o “trabalho desenvolvido em diversas áreas tão fundamentais, como a modernização administrativa, que permite colocar as novas tecnologias ao serviço e a responder de uma forma eficaz e eficiente à população. Mas também no âmbito das políticas públicas de juventude, pilar fundamental da nossa sociedade e que tão bem o Governo e a pasta que a Senhora Ministra tutela têm desenvolvido em tão poucos meses, medidas importantes para ajudar concelhos como o nosso a fixar os nossos jovens e a permitir criar oportunidades para que eles possam, aqui no nosso país, desenvolver as suas capacidades”, referiu. O Presidente da CMS reforçou ainda que “Santarém vive um momento único na dinâmica do investimento privado, que é fundamental que exista. São as empresas que criam o emprego, o emprego é condição fundamental para fixar as populações, fixar os jovens nos nossos territórios”.

A Ministra da Juventude e da Modernização adiantou que “as autarquias têm sido parceiras incríveis nesta jornada, simplificando a vida das pessoas num único Espaço. Muitas vezes, sei que nestes Espaços e nas Lojas, as questões e os problemas que estas pessoas ajudam a responder, vão muito além do catálogo que consta de serviços, onde temos cerca de 70 serviços de 15 entidades diferentes”, lembrou. Margarida Balseiro Lopes sublinhou que “vamos continuar a apostar no digital, mas a crescer também no contacto presencial, levando mais serviços para estes Espaços Cidadão”, concluiu.

Na sua intervenção, José João Pedro afirmou que “a abertura do Espaço Cidadão de Póvoa da Isenta representa um marco significativo no compromisso das nossas instituições públicas com a proximidade, a modernização e a acessibilidade, a importância da descentralização de serviços públicos para as gentes desta terra”. Considerando que “o Espaço Cidadão nasce com o objetivo claro de facilitar a vida de todos os munícipes. Neste local, encontrarão um ponto de apoio onde poderão aceder uma variedade de serviços, desde a renovação de documentos, bem como o esclarecimento de questões frequentes. Tudo num único local, com tecnologia moderna e uma equipa preparada para auxiliar na melhor maneira possível”. José João Pedro lembrou que “este espaço é mais do que uma estrutura física, é um símbolo do esforço conjunto entre o Governo, as Autarquias Locais e as comunidades. Representa a aposta na descentralização e na democratização de acesso aos serviços públicos, assegurando que ninguém é excluído”, concluiu.

Ordem dos Médicos ao lado dos profissionais que desobedecerem a restrições do SNS para estrangeiros

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O bastonário da Ordem dos Médicos manifestou hoje a sua solidariedade aos profissionais que recusarem limitar o acesso de estrangeiros não residentes ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e prometeu dar apoio jurídico a eventuais atos de desobediência.

Em declarações à Lusa, Carlos Cortes afirmou que os médicos devem colocar a vida acima de qualquer questão economicista e lembrou os riscos para a saúde pública caso não sejam tratados setores da população.

Hoje, mais de 800 profissionais de saúde disseram que não vão obedecer às alterações à Lei de Bases da Saúde aprovada na generalidade no dia 19 de dezembro, que consideram discriminatórias, e admitem praticar atos de desobediência civil.

“Eu já expressei a minha solidariedade para com os princípios invocados no abaixo-assinado”, afirmou Carlos Cortes, considerando que, antes do mais, está em causa “uma questão ética e de deontologia médica” e um “imperativo moral”.

“Perante um doente que necessita de cuidados de saúde, temos que sempre intervir e fazer o nosso melhor para poder tratar esse doente”, independentemente da “sua condição, nacionalidade, raça, etnia ou religião”, afirmou.

Por outro lado, a exclusão de imigrantes irregulares do SNS levanta “questões de saúde pública”, porque aumenta o risco de transmissão de doenças, já que uma franja da população está sem tratamento.

“Para poder cuidar da minha saúde, eu tenho que cuidar da saúde de todos e nós vimos isso na pandemia”, exemplificou.

As questões financeiras correspondem a “um aspeto administrativo que tem que ser resolvido na área administrativa”, que pode passar por seguros de saúde ou protocolos entre países, mas “em nenhuma circunstância, nenhuma mesmo, esse aspeto pode interferir com o tratamento do doente e com a prática dos atos médicos são absolutamente necessários”, acrescentou o bastonário.

“Não me passa pela cabeça, um único segundo, que haja um único médico neste país que possa ponderar, por exemplo, que, perante uma pessoa que tem um problema de saúde, por causa de questões administrativas, não preste socorro”, acrescentou Carlos Cortes.

A Ordem irá comunicar formalmente a sua oposição “junto de quem de direito” e está disponível a dar apoio jurídico aos clínicos que recusarem cumprir esta decisão do parlamento.

Numa carta aberta, um “total de 840 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de diagnóstico e terapêutica e outros profissionais” consideram que estas alterações condicionam o acesso dos imigrantes em situação irregular, pelo que se comprometem “a continuar a prestar cuidados a todas as pessoas, sem discriminação, considerando que a proteção da saúde da população visada, no âmbito da ética e a deontologia que regem as [suas] profissões, poderá justificar ações de desobediência civil”.

Acusando o Governo de promover desigualdades e dificultar o combate a doenças transmissíveis, os subscritores recordam que, em França, uma medida semelhante não avançou devido à oposição de 3.500 médicos.

“Utentes daqui e de outros lados, a nossa porta está aberta para todos. E assim continuará”, prometem.

Para os subscritores, a alteração é discriminatória, viola a constituição e tratados internacionais e “agravará desigualdades, sobrecarregará os serviços de urgência e comprometerá a saúde pública, ao dificultar o acesso a cuidados de saúde em segurança e à prevenção e tratamento de doenças transmissíveis”.

Segundo um levantamento estatístico, “a população não-residente em Portugal que recorre ao SNS é residual”, escrevem os subscritores, recordando que este tipo de medidas noutros países mostra “os impactos negativos a nível de saúde pública, mortalidade e custos económicos”.

Na sexta-feira, foram aprovados projetos de Lei do Chega e do PSD e CDS-PP sobre as condições de acesso de cidadãos estrangeiros não residentes ao SNS.

O projeto do Chega altera a Lei de Bases da Saúde de 2019 para limitar o acesso ao SNS a estrangeiros que não residam em Portugal, só lhes permitindo aceder aos cuidados de saúde públicos em casos de emergência ou mediante pagamento.

Também o projeto de lei apresentado por PSD e CDS-PP visa alterar a Lei de Bases da Saúde para travar a “utilização abusiva” do Serviço Nacional de Saúde por estrangeiros não residentes em Portugal, exigindo documentação extra a estes cidadãos.

Dois feridos graves por inalação de fumos em incêndio urbano em Cacilhas

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Duas pessoas ficaram hoje gravemente feridas, por inalação de fumos, na sequência de um incêndio urbano em Cacilhas, no concelho de Almada, distrito de Setúbal, disse à agência Lusa fonte da Proteção Civil.

Fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Península de Setúbal indicou que o alerta para o incêndio, que ocorreu na Rua Carvalho Freirinha, foi dado pelas 09:05.

A mesma fonte acrescentou que o incêndio foi extinto pelas 09:52 e que os feridos graves foram transportados para o hospital Garcia de Orta, em Almada.

Nas operações de socorro estiveram envolvidos 18 operacionais, entre os quais bombeiros de Almada e de Cacilhas, elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e PSP, auxiliados por sete veículos, entre os quais a uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER) do hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

ANA alerta para constrangimentos nos aeroportos devido a greve dos trabalhadores de ‘handling’

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A ANA alertou para a possibilidade de se verificarem constrangimentos nos aeroportos entre 22 e 26 de dezembro e entre 31 do mesmo mês e 01 de janeiro devido à greve dos agentes de assistência em terra.

“A ANA Aeroportos de Portugal informa que, devido à greve convocada por alguns sindicatos das empresas de prestação de assistência em escala (agentes de ‘handling’) nos dias 22, 23, 24, 25, 26, 31 de dezembro e 01 de janeiro, nos aeroportos de Lisboa, Porto Faro, Funchal e Porto Santo poderão existir alguns constrangimentos”, avisou, em comunicado.

A gestora aeroportuária aconselhou assim os passageiros com viagens marcadas para estas datas a confirmarem o estado do seu voo junto da companhia aérea ou da agência de viagens.

O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins (SIMA) reafirmou a greve dos trabalhadores da Menzies Portugal (antiga Groundforce) entre 22 e 26 de dezembro, após uma reunião com responsáveis da empresa sem resposta às reivindicações.

A greve é de duas horas nas entradas e/ou saídas dos turnos no período compreendido entre as 00:00 do dia 22 e as 24:00 do dia 26 de dezembro.

Na origem desta paralisação está a existência de vencimentos base inferiores ao valor do salário mínimo nacional – SMN (820 euros em 2024), o incumprimento do pagamento das horas noturnas pelo valor previsto no acordo de empresa e o facto de a empresa pretender que os trabalhadores, nomeadamente os de assistência em terra, paguem o parque de estacionamento.

A empresa de ‘handling’ Portway e os sindicatos Sindav, STHAA, Sitava e Simamevip também não se entenderam numa reunião que ocorreu em 17 de dezembro, mantendo-se a greve convocada pelas estruturas para o período de Natal e fim de ano.

A greve convocada pelos sindicatos abrange todo o trabalho suplementar, com início às 00:00 do dia 24 de dezembro de 2024 e até às 24:00 de dia 01 de janeiro de 2025.

Decorrerá ainda a partir das 00:00 horas do dia 24 de dezembro de 2024 até às 24:00 do mesmo dia e a partir das 00:00 horas do dia 31 de dezembro até às 24 horas deste último dia do ano.

A paralisação irá também abranger o trabalho em dia feriado que seja dia normal de trabalho, a partir do dia 24 de dezembro e até 02 de janeiro de 2025.

Um em cada três veículos de emergência do INEM estavam na oficina em outubro

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Um em cada três veículos de emergência médica do INEM estavam parados na oficina em outubro, segundo a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), que destaca a antiguidade da frota.

Segundo o projeto do relatório da auditoria pedida pela ministra da Saúde à IGAS, a que a Lusa teve acesso, a frota de emergência médica do INEM era no início de outubro composta por 524 veículos, 170 dos quais estavam na oficina, o que representa 33%.

Dos 524 veículos de emergência médica,76,7% têm data de matrícula até 2015 (inclusive), refere a IGAS, para quem a antiguidade da frota, bem como a utilização em condições bastante exigentes, “causa constrangimentos operacionais e aumento da despesa pública”, tendo em conta a frequência e o valor da reparação e manutenção.

No período em análise, o Serviço de Helitransporte de Emergência Médica esteve operacional em 97,30 % das horas de funcionamento previstas.

A IGAS refere, contudo, que o tempo de inoperacionalidade aumentou no período entre 2021 e o final do primeiro semestre deste ano. Para isto contribuíram fatores como a avaria de aeronaves e de equipamentos, inspeção, manutenção, limpeza e troca de aparelho, assim como a falta de tripulação, ou seja, de equipa médica (médico e enfermeiro) e de piloto e o excesso de horas de voo.

A IGAS diz ainda que não ficou evidente “a realização de uma análise periódica das horas de indisponibilidade do serviço de helicópteros de emergência médica e dos respetivos motivos”, de modo a que possam ser ponderadas “medidas mitigadoras”, bem como a informação possa ser considerada na preparação dos procedimentos de contratação pública relativos a estes serviços.

A auditoria avaliou quatro grandes áreas: meios de emergência médica, compras públicas, formação profissional e atração e retenção de trabalhadores em áreas críticas.

O projeto de relatório da auditoria, que ficou concluído hoje, vais ser remetido ao INEM, para o exercício do contraditório, tendo a IGAS emitido 44 recomendações.

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