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Domingo, Julho 12, 2026
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Ativistas de extrema-direita ocupam espaço para onde se prevê manifestação “Não nos encostem à parede”

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Uma hora antes do início da manifestação agendada pelo movimento “Não nos encostem à parede”, um grupo de ativistas de extrema-direita ocupou o lado poente da Alameda, em Lisboa, para onde está agendado o protesto contra a atuação da PSP.

Espaçados, com faixas e grandes bandeiras de Portugal e da sigla partidária, os apoiantes do partido Ergue-te e do movimento Habeas Corpus ocuparam uma área substancial do espaço, levando mesmo um vendedor de livros anarquistas que estava no local a mover-se para um passeio mais afastado.

Em silêncio, querem fazer a sua oposição à manifestação contra a atuação da PSP nos locais de grande concentração de imigrantes e na periferia da Grande Lisboa.

Milhares de pessoas são esperadas hoje em Lisboa numa manifestação contra o racismo e xenofobia, denominada “Não nos encostem à parede”, em protesto contra a atuação da polícia na zona do Martim Moniz que visou imigrantes.

Na sequência da intervenção da PSP no dia 19 de dezembro na rua do Benformoso, perto do Martim Moniz, em Lisboa, e das imagens de dezenas de imigrantes encostados às paredes dos prédios, para serem revistados, vários ativistas de esquerda e uma centena de organizações subscreveram um apelo contra a atuação das forças policiais junto das periferias e dos imigrantes.

Hoje, ao ver o aparato do partido de extrema-direita, um casal de idosos comentou à Lusa a tensão existente.

“Estes só vêm aqui provocar. Eu nem sou contra ou a favor da polícia, mas estes só estão aqui para provocar”, afirmou Afonso Sousa, reformado da função pública.

O anúncio da manifestação, que tem início pelas 15:00 junto à Alameda e termina no Martim Moniz, motivou a resposta de grupos da extrema-direita e o partido Chega organizou uma vigília de apoio à PSP na Praça da Figueira para a mesma tarde, denominada “Pela autoridade e contra a impunidade”.

Já o Ergue-te e elementos do Habeas Corpus optaram por estar presente na Alameda, no local da partida da manifestação, onde são esperados representantes de todos partidos da esquerda parlamentar.

Para o local começaram a acorrer, de modo discreto, motas e veículos da PSP de modo a criar um perímetro entre os dois grupos.

Já os manifestantes do movimento “Não nos encostem à parede” optaram por se concentrar um pouco mais abaixo, no limite sul da Alameda com a avenida Almirante Reis.

Registos mostram que dezembro foi o mês mais seco de sempre

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Foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto (arquivo)

Dezembro foi o mês mais seco desde que há registos, com Portugal a ter uma precipitação que foi de “apenas 12% do valor médio” contabilizado no período entre 1981 e 2010, revelou fonte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Segundo dados avançados pela fonte da APA à agência Lusa, Braga foi o ponto do país onde “choveu mais”, com 65,5 milímetros, valor que fica, contudo, “muito abaixo da média”, enquanto o valor mais baixo de precipitação foi registado em Portimão, no distrito de Faro, com 1,7 milímetros.

“A precipitação acumulada desde 01 de outubro de 2024, 231,7 milímetros, corresponde a 64% do valor normal 1981-2010”, assinalou a fonte da agência responsável pela proteção ambiental em Portugal, frisando que a seca meteorológica “aumentou em toda a região sul”, com particular destaque para o litoral (alentejo e barlavento algarvio), mas também em “alguns distritos da região Centro”, como Lisboa, Santarém e Setúbal.

Os registos mostram também que, no final de dezembro, 55% do território continental estava em seca meteorológica” fraca e moderada e que, na última década, tem havido cada vez menos chuva no último mês do ano, tendência que só não se verificou em 2022 e que está a ser acompanhada por um aumento da temperatura, advertiu.

Quanto às reservas de água nas albufeiras, os dados da APA indicam que estão com 71% da capacidade total, valor que representa “uma ligeira redução face aos 74% registados no período homólogo” de 2023.

As bacias hidrográficas do Sado – Monte da Rocha (11%) e Campilhas (20%) – e do Arade – Bravura (13%) e Arade (16%) – são as que tinham em dezembro barragens em “estado crítico”, ou seja, com capacidade igual ou menor a 20%, sinalizou.

No Algarve, uma das regiões do país onde os efeitos da seca mais se têm feito sentir e onde já foram aplicadas restrições ao consumo de água, as seis principais albufeiras “acumulam 151 hectómetros cúbicos de água armazenada, correspondendo a 34% da capacidade total”, valor que, mesmo assim, reflete um “aumento de 39 hectómetros cúbicos face ao período homólogo”.

“Apesar deste aumento, o barlavento [oeste] e a bacia do Arade permanecem em seca hidrológica extrema”, alertou a fonte da APA, esclarecendo que o sotavento está “em seca hidrológica severa”.

Com mais 39 hectómetros cúbicos armazenados nas barragens em dezembro, comparativamente com o mesmo mês de 2023, o Algarve está numa situação “melhor” e tem “reservas de água para um ano de consumo urbano”, no caso de não se registar mais chuva até lá, assegurou a fonte da APA.

Governo inicia roteiro da Agenda Nacional de Inteligência Artificial

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O Governo inicia na próxima semana um roteiro para auscultar diferentes entidades e recolher contributos para a Agenda Nacional de Inteligência Artificial, anunciou esta sexta-feira, em Leiria, a ministra da Juventude e Modernização.

Margarida Balseiro Lopes disse que o digital é um desafio não apenas do Governo ou do Estado, mas do país: “Temos de ter a capacidade de envolver a administração pública, as empresas, a academia e, sobretudo, as pessoas, porque é para elas que as ações e a tecnologia servem”.

A governante revelou que vai iniciar na próxima semana um roteiro para ouvir o país, “na construção daquela que virá a ser a Agenda Nacional de Inteligência Artificial”.

“Vamos começar ouvindo um grupo de peritos que convidámos para aquilo que é o comité de acompanhamento da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, presidida pelo professor Arlindo Oliveira, que dispensa apresentações, e que integrará mais pessoas no caso, a Daniela Braga, o Paulo Dimas e a Gorete Marreiros, presidente na Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial”, apontou.

O roteiro vai iniciar-se com sessões presenciais – “porque o presencial também é relevante” – e públicas em Lisboa, Évora e Porto.

“Vamos ouvir quem se quiser inscrever e contribuir na construção desta agenda. Vamos, obviamente, correr o país presencialmente e permitir ainda que, durante este mês, as pessoas iniciem o envio dos seus contributos para aquilo que deve ser o posicionamento do Estado português em matéria de inteligência artificial”, reforçou.

Margarida Balseiro Lopes, que falava durante a inauguração da loja inteligente Bom Dia São Romão, em Leiria, sublinhou que o Governo fará este caminho enquanto líder “na adoção da tecnologia” e utilizando-a para o país ser “mais competitivo, produtivo e conseguir criar soluções que melhorem, simplifiquem e facilitem a vida das pessoas”.

“Para fazermos isto, temos de ter a capacidade de ouvir os especialistas, as empresas, a academia e as pessoas, e trabalhar em parceria”, insistiu.

A governante acrescentou que outra das preocupações do Governo é a “necessidade que o país tem em vários domínios em utilizar de forma inteligente os dados que recolhe”.

“Esta é uma grande preocupação do Governo que, na Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes, tinha como objetivo envolver 75 municípios. Fomos tão bem-sucedidos que envolvemos quase 300 municípios, o que obviamente vai obrigar o Governo a reforçar [o programa] financeiramente, mas pelas melhores razões, porque significa que vamos chegar a todo o país, como era o objetivo do Governo”.

O grande modelo de linguagem (LLM) português Amália, que tem por trás a mesma tecnologia do ChatGPT, tem “previsto um investimento de 5,5 milhões de euros”, anunciou o Ministério da Juventude e Modernização, em 29 de novembro de 2024.

“É uma prioridade do Governo português o desenvolvimento e lançamento do primeiro LLM de língua portuguesa de Portugal, o Amália, ‘Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial'”, uma iniciativa que “é a primeira divulgada no âmbito da Agenda Nacional de Inteligência Artificial que será apresentada de forma consolidada no primeiro trimestre de 2025”, referia o Governo, em comunicado, naquela ocasião.

Marcelo espera compromisso para reforçar estatutos dos bombeiros antes de nova tragédia

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou, perante a ministra da Administração Interna, que espera um compromisso dos responsáveis políticos para reforçar estatutos e meios dos bombeiros antes de uma nova tragédia.

Durante uma cerimónia de homenagem aos bombeiros falecidos em serviço, na sede da Liga dos Bombeiros Portugueses, em Lisboa, o chefe de Estado apontou a presença de Margarida Blasco como sinal de que a ministra “fará tudo para que o ano de 2025 seja melhor que o ano de 2024, e o de 2026 melhor do que 2025, naquilo que depender das suas decisões ou omissões”.

“Mas quer dizer que todos nós, os senhores deputados, os responsáveis a todos os níveis, todos nós faremos, cada qual na nossa posição, tudo a pensar nesses bombeiros. Não será necessário esperar a notícia de um drama ou de uma tragédia”, afirmou.

“Antes de haver o drama e a tragédia previne-se, cria-se condições, cria-se o ambiente, mudam-se as regras, reforça-se os estatutos, dotam-se os meios, alimenta-se esta mentalidade. É o nosso compromisso”, acrescentou o Presidente da República.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, tem havido na sociedade portuguesa “uma evolução na mentalidade” em relação aos bombeiros, com uma “preocupação acrescida quanto à criação das condições para que possam servir ainda melhor a comunidade”.

“Devemos isso também à comunicação social, devemos isso também aos responsáveis políticos: a noção de que é importante ter melhores capacidades, é importante melhor estatuto, é importante melhor enquadramento em aspetos fundamentais para a vida deles próprios, das famílias e das instituições. Isto foi uma revolução de mentalidade”, considerou.

No fim da sua intervenção, o chefe de Estado pediu a todos que olhassem para as medalhas pelos homens e pelas mulheres que morreram em serviço, 255 nos últimos 45 anos: “Não os podemos esquecer, não os podemos abandonar, não os podemos trair. É esse o nosso compromisso, sempre a pensar naquilo que é importante para Portugal”.

Madeira: Manuel António Correia acusa direção regional do PSD de manipulação para impedir internas

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O antigo secretário do Ambiente e Recursos Naturais da Madeira Manuel António Correia acusou a direção regional do PSD, liderada por Miguel Albuquerque, de manipulação dos órgãos do partido para impedir a realização de eleições internas.

“Após 19 dias do requerimento para a realização de um congresso extraordinário e eleições internas, os órgãos do PSD/Madeira continuam a adiar uma decisão simples: convocar o Conselho Regional [do partido] para se pronunciar”, refere em comunicado, sublinhando que “os 540 militantes que assinaram este pedido merecem ser ouvidos”.

O antigo secretário regional nos governos liderados por Alberto João Jardim, que já disputou – e perdeu – a liderança do PSD/Madeira duas vezes com Miguel Albuquerque (em 2014 numas eleições com duas voltas e em março de 2024), entregou em 23 de dezembro mais de 500 assinaturas reivindicando a convocação de um congresso extraordinário do partido, antes da eventual marcação de eleições regionais antecipadas.

O Governo Regional minoritário social-democrata, liderado por Miguel Albuquerque, foi derrubado em 17 de dezembro de 2024, com a aprovação, na Assembleia Legislativa, de uma moção de censura apresentada pelo Chega.

Na terça-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ouviu os sete partidos representados no parlamento regional – PSD, PS, JPP, Chega, CDS-PP, IL e PAN – e convocou o Conselho de Estado para o dia 17 de janeiro, para analisar a crise política na Madeira e decidir sobre a eventual marcação de eleições.

Manuel António Correia defende, por isso, que deve haver novas eleições internas no PSD/Madeira, às quais pretende candidatar-se.

“Desde as últimas eleições internas, os militantes têm sido condicionados, enfrentando dificuldades no pagamento de quotas, perseguições e exonerações”, refere no comunicado, sublinhando que, agora, se soma “a manipulação dos órgãos do partido para impedir a realização do congresso”.

Para Manuel António Correia, a responsabilidade é do atual presidente da estrutura regional do partido, Miguel Albuquerque, que “a todo custo tenta bloquear a expressão legítima dos militantes”.

“É inaceitável que a democracia interna do partido seja manipulada desta forma. O PSD/Madeira não é de um homem nem de um pequeno grupo, mas sim dos seus militantes. O partido precisa de eleições internas livres, transparentes e democráticas”, defende.

O antigo governante madeirense defende que Miguel Albuquerque deve demitir-se da liderança, para assim permitir o “processo democrático” e a “construção de uma estratégia para as eleições regionais”.

“O caos político e a instabilidade não são apenas causados pela falta de liderança, mas também pela falta de renovação e abertura ao diálogo. O PSD/Madeira precisa de uma regeneração urgente”, afirma.

Já Miguel Albuquerque tem rejeitado reiteradamente a possibilidade de realização de um congresso extraordinário e de eleições internas, mas, por outro lado, manifesta-se disponível para entendimentos com o seu adversário interno.

Manuel António Correia recusa, no entanto, qualquer participação no projeto liderado por Albuquerque.

“Não trocamos projetos estruturais por tachos, cargos ou uma falsa união que não funcionaria”, refere no comunicado emitido hoje, para logo acrescentar: “Os projetos, as ideias, os valores e a coerência com que nos distinguimos são opostos aos atuais.”

De acordo com os estatutos do PSD/Madeira, a realização de um congresso extraordinário pode ser requerida por pelo menos 300 militantes, mas a convocação de eleições internas está dependente do Conselho Regional, o órgão máximo da estrutura regional entre congressos, que decide “da justificação ou não” do sufrágio.

Entretanto, o Conselho de Jurisdição do partido reuniu-se na quinta-feira para analisar o requerimento apresentado por Manuel António Correia e emitir um parecer, mas não foi ainda prestada qualquer informação.

Gouveia e Melo rejeita falar sobre candidatura a Belém mas diz que Defesa deve ser tema de campanha

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O almirante Henrique Gouveia e Melo defendeu que o investimento em Defesa no país e na Europa deve ser um tema da campanha das eleições presidenciais de janeiro de 2026, continuando sem esclarecer se será ou não candidato.

O antigo chefe do Estado-Maior da Armada e nome falado para uma potencial candidatura à Presidência da República participou hoje no festival de ‘podcasts’ do semanário Expresso, que decorre na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa (UNL), na gravação do programa “Expresso da Manhã” moderado pelo jornalista Paulo Baldaia e no qual também participou o jornalista Vítor Matos.

Interrogado sobre se desde que passou à reserva, no passado dia 27 de dezembro, está mais perto de uma eventual candidatura, Gouveia e Melo respondeu: “Desde que passei à reserva estou mais perto de tirar umas merecidas férias e depois logo se vê”.

“Tive anos muito intensos, três anos a comandar a Marinha, o ano anterior relacionado com a pandemia [covid-19], e portanto acho que mereço umas férias pelo menos durante uns tempos”, acrescentou.

Na primeira vez em público depois de deixar a vida militar, e à civil, Gouveia e Melo rejeitou que os resultados das sondagens que o dão como favorito na corrida presidencial representem um fator de maior pressão para tomar uma decisão.

“Encaro as sondagens, o que elas significam, agradeço aos portugueses a simpatia que manifestam muitas vezes até na rua e a confiança que têm em mim e para mim é só isso”.

Durante o programa, sobre a defesa militar de Portugal e da Europa no contexto internacional, Gouveia e Melo considerou “urgente e necessário” debater o assunto na campanha para as presidenciais, considerando que o país não se pode alhear de um problema que “pode afetar” não só a segurança mas também a prosperidade.

Gouveia e Melo afirmou que a Rússia tenta “mudar regimes [europeus] que são democráticos e convertê-los em regimes protodemocráticos, para não chamar outra coisa” e alertou que a liberdade, a prosperidade e a segurança da Europa estão em risco.

“O que é que nós vamos fazer? Vamos fingir que o problema não existe? Não discutimos? Fechamos os olhos?”, questionou.

O almirante defendeu que no contexto atual as leis internacionais “estão em causa” e a soberania que Portugal tem sobre algumas zonas marítimas pode ficar comprometida se esse sistema internacional colapsar.

Depois de esta semana o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ter defendido que a contribuição dos Estados-membros da NATO deveria corresponder a 5% dos respetivos produtos internos brutos (PIB), mais do dobro dos atuais 2% estabelecidos pela Aliança Atlântica, Gouveia e Melo foi interrogado sobre se este investimento pode significar cortes em políticas sociais.

Gouveia e Melo admitiu que, “de alguma forma, vai haver alguma afetação nas despesas sociais” com um maior investimento em Defesa. “Mas o que interessa também ter despesas sociais se não tivermos país? Ou se tivermos que obedecer a uma autoridade exterior, ainda por cima, ditatorial? Portanto, isto é um conjunto de pesos e contrapesos que temos que medir”, afirmou.

Reportagem: Protesto em jeito de velório na despedida à estação ferroviária de Coimbra que vai fechar

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Mais de 100 pessoas participaram ontem num protesto em forma de velório, com direito a um caixão de cartão, contra o fim da Estação Nova (Coimbra-A), que encerra definitivamente na noite de sábado para domingo.

No velório, que partiu na sexta-feira à tarde da Praça 8 de Maio rumo à Estação Nova, mais de 100 pessoas entoaram palavras de ordem contra o fim da estação, fecho que está marcado para as 00:20 de domingo, no âmbito da empreitada do Sistema de Mobilidade do Mondego, que vai substituir os carris até Coimbra-B por asfalto, onde futuramente irão circular autocarros elétricos articulados.

No caixão de cartão levado ao longo do percurso, lia-se “Governo e Câmara mataram a estação e a ferrovia”. O protesto foi organizado pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), União dos Sindicatos de Coimbra, Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários e Associação Juvenil Projeto Ruído.

Filipa Alegrete, de 40 anos, viajou de comboio de Pombal para marcar presença na manifestação.

“Uso regularmente a estação e venho até Coimbra com alguma frequência”, contou.

Apesar de ter o passe ferroviário verde e, por isso, não ter de pagar pela viagem até Coimbra, fez questão de comprar o bilhete com destino até Coimbra-A para ter uma recordação de uma despedida que lhe custa fazer.

“Nunca pensei que este dia pudesse chegar. Sempre achei que pudessem voltar atrás e é com algum dó que o digo”, disse Filipa.

Guedes Lima, de 65 anos, também viajou de propósito de Vila Nova de Gaia para marcar presença na manifestação contra uma estação que acaba ao fim de 140 anos de atividade.

Ferroviário que esteve no ativo durante 40 anos – “um dia ferroviário sempre ferroviário” -, lamentou a decisão de fechar a estação, onde nunca trabalhou, mas por onde passou em lazer.

Este não é o primeiro enterro que vê de linhas ou troços de linhas ferroviárias.

“Vi o Tâmega, o Tua, o Corgo, o Sabor, a Estrela de Évora, o Vouga, ou em Viseu, em que derrubaram uma estação em cantaria que é uma vergonha”, enumerou.

Apesar de terem já sido muitos os funerais de ferrovia que viu, mesmo assim surpreendeu-se com o fecho da Estação Nova.

“A CP, quando foi criada e feita, foi para servir a população, mas acho que alguns políticos estão a servir-se da CP e isso é que está mal”, afirmou Guedes Lima, com uma t-shirt com um comboio onde se lê “Pare! Escute! Lute!”.

António Coelho, do MUSP, foi distribuindo folhetos contra o fim da estação e ainda houve quem fosse apanhado de surpresa com o fecho.

“Umas não sabem, outras pensam que é provisório, mas é quase toda a gente contra. Ainda não apanhei ninguém que estivesse a favor do fim da estação”, notou.

Habitante de Montemor-o-Velho, António usava o comboio diariamente e admitiu que lhe custa ver “uma estação que servia tanta gente a encerrar”.

Maria Vieira, de 78 anos, decidiu ir ao velório marcado para a tarde de hoje para protestar contra o fim da estação, que usava, sobretudo, para ir até à Figueira da Foz.

“Vai fazer bastante falta. Fecham tudo, estragam tudo o que é bom. É um monumento bem bonito, mas o que é que é que se há de fazer? É o que temos”, desabafou.

No final do protesto, já na Estação Nova, Luísa Silva, da União dos Sindicatos de Coimbra, desafiou todos os presentes a apanharem o último comboio, na noite de sábado para domingo, deixando também o desafio ao presidente da Câmara, José Manuel Silva, para estar presente.

Enfermeiros sob “pressão inaceitável” devido às condições de trabalho

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A Ordem dos Enfermeiros (OE) alertou na sexta-feira para a “pressão inaceitável” a que estão sujeitos esses profissionais de saúde, devido às suas condições laborais, e defendeu o reconhecimento da profissão como de risco e desgaste rápido.

Esta posição da ordem surge no dia em que foi divulgado um estudo que concluiu que 30% dos enfermeiros portugueses apresentam sintomas de depressão grave e 45% reportam sofrer de pelo menos uma doença física ou mental.

Estes resultados demonstram que os enfermeiros “enfrentam níveis devastadores de desgaste físico e mental”, salientou a OE em comunicado, um cenário que considerou agravado pela falta de 14 mil profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), uma “carência estrutural que compromete a qualidade dos cuidados de saúde”.

Segundo a ordem, que apoiou o estudo NursesMH#Survey2024, a sobrecarga de trabalho, associada a turnos sucessivos, ausência de descanso adequado e os contratos precários estão a colocar os enfermeiros “sob uma pressão inaceitável”.

A entidade liderada por Luís Filipe Barreira lamentou ainda que cerca de metade dos enfermeiros trabalhem mais de 70 horas semanais, muitos dos quais sem fins de semana livres, uma situação que alega não ser só do foro laboral, já que também “compromete a segurança e o bem-estar dos doentes”.

“O Ministério da Saúde já tinha mostrado abertura à proposta da OE de fazer um levantamento urgente das necessidades do SNS e de criar um plano estruturado de contratação de enfermeiros, substituindo os contratos precários de curta duração por vínculos estáveis e dignos. Precisamos começar este caminho o mais rápido possível”, avisou o bastonário.

A ordem realçou ainda que são necessárias ainda outras medidas, como o reconhecimento da enfermagem como profissão de risco e desgaste rápido, a implementação de um subsídio de risco e a antecipação da idade da reforma.

“É preciso também que haja um acesso efetivo a apoio psicológico, bem como medidas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, assegurando a proteção física e emocional dos enfermeiros”, referiu a OE, que se disponibilizou para colaborar com o Governo na definição e implementação de “medidas adequadas para inverter este problema”.

Casas de duas famílias portuguesas arderam nos incêndios em Los Angeles

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As casas de duas famílias portuguesas residentes na área de Los Angeles arderam por completo em consequência dos incêndios que devastam há vários dias a região, disse esta sexta-feira à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A fonte acrescentou que as duas famílias não pediram apoio e que o Consulado Geral de Portugal em são Francisco está a procurar contactá-las.

Na área afetada pelos incêndios residem mais famílias portuguesas ou lusodescendentes pelo que é de prever que mais casos de portugueses afetados pelos incêndios venham ser contabilizados, disse ainda a fonte.

Não há informações de portugueses feridos em consequência dos incêndios, que já provocaram um total de 10 mortos, segundo as autoridades norte-americanas.

As autoridades locais de Los Angeles anunciaram hoje que as zonas afetadas pelos incêndios, e que se tornaram alvo de pilhagens, encontram-se sob recolher obrigatório.

“Não se pode estar nestas zonas afetadas. Se estiverem, podem ser detidos. Estamos a fazer isto para proteger os edifícios e as casas que as pessoas abandonaram porque lhes foi ordenado”, afirmou hoje o xerife do condado de Los Angeles, Robert Luna, numa conferência de imprensa.

Los Angeles tem estado a ser devastada ao longo da semana por cinco incêndios diferentes, que já causaram 10 mortos e a destruição de cerca de 10.000 edifícios, obrigando 180.000 pessoas a abandonar as suas casas.

Presidenciais: Ferro diz ser urgente PS definir forma de escolher candidato e pede primárias

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O antigo líder socialista Ferro Rodrigues considerou urgente definir a metodologia para escolher o candidato presidencial apoiado pelo PS e propôs primárias abertas, defendendo que há duas décadas que os eleitores do partido se sentem perdidos nestas eleições.

Esta proposta de realização de primárias abertas para as presidenciais de 2026, replicando o modelo de 2014 que escolheu António Costa como candidato a primeiro-ministro do PS, foi avançada esta sexta-feira pelo Expresso.

Em declarações à agência Lusa, o antigo presidente da Assembleia da República considerou que havendo primárias abertas para escolher entre as pessoas “que quiserem ser apoiadas pelo PS, sejam estas do partido ou não”, os militantes e simpatizantes do PS “é que decidem e não um pequeno comité ou uma Comissão Nacional”.

“Eu acho que não é o tempo para decidir quem é o candidato apoiado pelo PS, mas é o tempo – e é cada vez mais urgente – para decidir a metodologia para haver um candidato do PS, com um apoio que venha a ser substancial e com possibilidades de ganhar ou pelo menos de ir à segunda volta”, defendeu.

Ferro Rodrigues concorda com a decisão do líder do PS, Pedro Nuno Santos, de o partido apoiar um candidato presidencial em 2026, ao contrário do que tem acontecido.

“Desde há mais de 20 anos os eleitores do PS se sentem um pouco perdidos quando há eleições presidenciais porque há ou ausências ou excessos de candidatos”, justificou.

Segundo o socialista, este apelo que faz não é especialmente dirigido a Pedro Nuno Santos, mas sim “um apelo ao PS”, partido que “terá a suas formas internas de responder a esse apelo”.

“Eu não tenho nenhuma função nem no PS nem em nenhum órgão de estado. Estou completamente livre para exprimir as minhas posições, mas o facto de me ter reformado da intervenção ao nível de estado não quer dizer que me tenha reformado do pensamento e da intervenção política”, justificou.

O antigo líder do PS explicou que a sua proposta não tem nada a ver com a do referendo interno para esta escolha de candidato a apoiar pelo PS, e que também foi hoje conhecida, um manifesto subscrito por uma centena de militantes socialistas, entre os quais ex-candidato à liderança do partido, Daniel Adrião.

“Deve haver primárias abertas, e abertas é no duplo sentido: na admissão de candidatos e de haver não apenas militantes do PS a votar. É uma proposta de primárias como houve em 2014 quando foi a opção para escolher o candidato a primeiro-ministro entre o António José Seguro e o António Costa”, disse.

Na opinião de Ferro Rodrigues o aparecimento de “não sei quantos nomes em sondagens só serve para criar confusão”.

“Estamos num momento em que os partidos democráticos estão sob ataque e em que a ideia anti-partido vai fazendo o seu caminho e portanto é necessário que os partidos, e neste caso concreto o PS, saiba responder a esses desafios novos porque a situação é muito diferente hoje do que era há 25 anos e mesmo do que era há 10”, avisou, considerando que perante “esta ofensiva” é fundamental “tomar a iniciativa”.

Esta manhã, à saída do plenário do parlamento e questionado sobre estes desafios, Pedro Nuno Santos considerou que ainda não é o momento da decisão dos socialistas sobre o apoio ao candidato presidencial e recusou sentir-se pressionado ou que venha a ser uma imposição sua.

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