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Sábado, Julho 11, 2026
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PJ detém três homens suspeitos de usar identidades falsas e empresas fictícias

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

A Polícia Judiciária (PJ) deteve três homens por suspeitas de criação de identidades falsas e empresas fictícias para abertura de contas bancárias, anunciou hoje esta polícia.

Em comunicado, a PJ explicou que a operação aconteceu na segunda-feira, em Lisboa, e foi feita pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção.

Em causa estão suspeitas da prática dos crimes de branqueamento de capitais, burla qualificada, falsificação de documentos e fraude fiscal.

Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca, incluindo duas buscas domiciliárias, e dois dos homens foram detidos em flagrante delito.

Além das detenções, a PJ apreendeu ainda documentação relacionada com os crimes que estão a ser investigados, “nomeadamente documentos de identificação falsos, utilizados no âmbito da atividade criminosa”.

A investigação continua, acrescentou a PJ em comunicado, e os três detidos serão apresentados a um juiz de instrução para interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação.

Mau tempo: Proteção Civil registou 71 ocorrências até às 07:00 devido à chuva e vento

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou entre as 00:00 e as 07:00 de hoje 71 ocorrências devido à chuva e ao vento fortes, a maioria inundações, mas sem causarem vítimas

“Tivemos 71 ocorrências no território nacional relacionadas com o mau tempo, 51 das quais inundações. As zonas mais afetadas foram o Algarve com 14, a Península de Setúbal com 13, Grande Lisboa com oito e as restantes foram repartidas pelo restante território em número menor”, adiantou à agência Lusa, Elísio Pereira da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Entre as ocorrências, a proteção civil destaca uma situação de vento extremo, na Península de Setúbal.

“Registámos um [caso] de vento extremo na Estrada Nacional 253 entre Alcácer do Sal e Comporta, numa zona onde não há habitações. Registaram-se aqui quedas de árvores e de linhas elétricas. A circulação rodoviária já foi restabelecida entretanto e neste momento as empresas de comunicação avaliam os danos nas suas infraestruturas. Não temos informação de pessoa e habitações afetadas”, disse.

A ANEPC emitiu na segunda-feira um alerta à população para o agravamento do estado do tempo em Portugal continental até hoje, com chuva forte, acompanhada de trovoada e granizo, e alerta para medidas preventivas.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto sob amarelo devido à previsão de chuva, por vezes forte, acompanhada de trovoada, e ocasionalmente granizo até às 18:00 de hoje.

Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Portalegre, Évora, Setúbal, Beja e Faro estão sob aviso amarelo até às 00:00 de quinta-feira.

Por causa da agitação marítima, os distritos de Lisboa, Faro, Setúbal e Beja sob aviso laranja até às 09:00 de hoje, passando depois a amarelo até às 15:00 de hoje.

Também o arquipélago da Madeira está com aviso amarelo até às 15:00 de quinta-feira por causa do estado do mar e até às 03:00 de quinta-feira devido à chuva por vezes forte.

O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe situação meteorológica de risco moderado a elevado e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

Polícia Judiciária investiga cartas com pó suspeito enviadas a várias instituições

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imagem ilustrativa (DR)

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou que está a investigar, após um pedido da PSP, a origem de várias cartas com um pó suspeito no interior enviadas a instituições e órgãos de soberania.

A PJ referiu em comunicado que “face aos factos, encontra-se a investigar, em estreita articulação com a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR), a origem dos vários subscritos enviados, com idêntica missiva e conteúdo”.

Fonte policial adiantou à Agência Lusa que as cartas foram enviadas à Assembleia da República, presidência do Conselho de Ministros, Campus XXI (a designação da nova sede do Governo), Ministério da Administração Interna e Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

“A investigação destina-se a identificar a origem e autoria das cartas, bem como a natureza da substância incluída nas mesmas”, adiantou a PJ no comunicado.

A direção nacional da PSP informou também em comunicado que “hoje, pelas 14:40, respondeu a diversas chamadas de remessa de envelopes suspeitos, designadamente para alguns órgãos de soberania e entidades públicas”.

A PSP adiantou que, através do Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo da Unidade Especial de Polícia e do Comando Metropolitano de Lisboa, “reagiu de imediato com equipas especializadas, treinadas e capacitadas para este tipo de ameaça, tendo tido a colaboração da Guarda Nacional Republicana, da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)”.

Não houve danos materiais nem lesões pessoais a registar, sublinhou a PSP.

Angola com mais de 600 casos de cólera mas sem registo de mortes nas útimas 24 horas

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O Ministério da Saúde angolano disse honesta segunda-feira que foram notificados mais 36 casos de cólera nas últimas 24 horas, sem registo de mortos, aumentando o total para 612 casos distribuídos por quatro províncias.

Luanda continua a ser a província mais atingida, com 23 novos registos nas últimas 24 horas, dos quais 18 no município de Cacuaco, epicentro do surto declarado a 07 de janeiro.

Foram também notificados dez casos na província de Icolo e Bengo e três na província de Bengo, enquanto Malanje não teve novos registos.

Atualmente, estão internadas 80 pessoas com cólera.

No total estão contabilizados desde o início do surto 612 casos, com idades compreendidas entre os 2 e os 81 anos, sendo o grupo etário mais afetado o dos 2 aos 9 anos de idade com 155 casos e 10 dos 29 óbitos ocorridos já devido à doença.

No fim de semana, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, afirmou que pretende ter o surto de cólera controlado até março, através da concretização de trabalho comunitário e promoção da saúde, abastecimento de água potável, eliminação dos focos de lixo, tratamento precoce dos casos e aquisição de vacinas.

Entidades governamentais e as Forças Armadas Angolanas montaram pequenos centros de hidratação nas áreas mais críticas, bem como centros de tratamento da cólera.

Presidenciais: Assis afirma que há campanha organizada no PS para impedir Seguro de ser candidato

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O eurodeputado socialista Francisco Assis afirmou que há no PS uma campanha organizada para impedir a candidatura de António José Seguro às eleições presidenciais, considerando que o antigo secretário-geral está a ser atacado de modo inaceitável.

Na sexta-feira, em entrevista à RTP2, Augusto Santos Silva, ex-presidente da Assembleia da República, manifestou a opinião de que António José Seguro não cumpre “os requisitos mínimos de uma candidatura que possa ser apoiada pelo PS e por um vasto campo de forças democráticas”, porque “se fica pelas banalidades”.

Na nota que enviou à agência Lusa, no entanto, Francisco Assis não aponta situações em concreto nem nomeia qualquer dirigente socialista.

“O debate democrático pressupõe o respeito por regras de civilidade mínimas, sob pena de se transformar numa lamentável troca de insultos e de acusações abjetas. Aos principais responsáveis políticos exige-se elevação e contenção”, escreveu o eurodeputado do PS.

A seguir, Francisco Assis disse não poder “deixar de recriminar o modo como algumas figuras do PS se têm vindo a referir ao antigo secretário-geral do partido António José Seguro”.

“Parece estar em curso uma campanha devidamente organizada com um único intuito: impedir uma candidatura presidencial do António José Seguro. É legítimo não apoiar essa eventual candidatura, é inaceitável o modo que está a ser utilizado para a tentar inviabilizar”, acusou.

Francisco Assis defendeu depois que António José Seguro “é um homem de caráter, condição que deveria ser imprescindível para o exercício de funções públicas”.

“Ao longo do seu percurso tem revelado qualidades que fazem falta na nossa vida política: Não troca convicções por oportunidades, antepõe as causas à carreira, coloca o interesse geral acima das ambições grupais, cultiva a independência e rejeita o servilismo próprio de quem visa apenas sobreviver”, sustentou ainda.

O antigo presidente do Grupo Parlamentar do PS acredita que “a maioria dos militantes e dos simpatizantes do PS têm respeito e admiração pelo António José Seguro e repudiam estes comportamentos impróprios e que atentam contra o melhor da tradição do PS”.

Portugal com avisos até quarta-feira devido à chuva e agitação marítima

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

Dezasseis distritos do continente e os arquipélagos da Madeira e Açores vão estar até quarta-feira com avisos laranja e amarelo devido à previsão de chuva e agitação marítima forte, devido aos efeitos da depressão Garoe, segundo o IPMA.

No domingo, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) avançou que a depressão Garoe que afeta os Açores e a Madeira vai estender-se também o continente a partir de hoje, com chuvas fortes acompanhadas de trovoada e granizo.

Apenas os distritos de Bragança e Guarda escapam aos avisos.

A previsão levou o IPMA a pôr os distritos de Faro e Beja com aviso laranja devido à previsão de chuva, por vezes forte, acompanhada de trovoada, e ocasionalmente de granizo, entre as 09:00 e as 15:00 de hoje, passando a amarelo até às 06:00 de quarta-feira.

Estes dois distritos vão também estar sob aviso laranja por causa da agitação marítima forte entre as 00:00 e as 09:00 de quarta-feira.

Devido à agitação marítima, Faro e Beja vão estar sob aviso amarelo entre as 15:00 de hoje e as 00:00 de terça-feira e depois entre as 09:00 e as 15:00 de quarta-feira.

Também os distritos de Setúbal, Lisboa e Leiria vão estarão a laranja entre as 00:00 e as 09:00 de quarta-feira face à previsão de agitação marítima.

Igualmente devido à agitação no mar, os três distritos vão estar com aviso amarelo entre as 15:00 de terça-feira e as 00:00 de quarta-feira e depois entre as 09:00 e as 15:00 de quarta-feira.

O IPMA emitiu também aviso amarelo para os distritos de Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga por causa da chuva, por vezes forte, acompanhada de trovoada, e ocasionalmente granizo entre as 15:00 de hoje e as 06:00 de quarta-feira.

Évora, Setúbal, Santarém, Lisboa e Portalegre também estão sob aviso amarelo por causa da chuva até às 06:00:00 de quarta-feira.

Leiria, Castelo Branco e Coimbra também vão estar sob aviso amarelo devido à chuva entre as 12:00 de hoje e as 06:00 de quarta-feira.

O IPMA colocou também os distritos do Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga sob aviso amarelo entre as 00:00 e as 09:00 de quarta-feira por causa da agitação marítima forte.

Também as costas norte e sul da ilha da Madeira e o Porto Santo estão sob aviso laranja entre as 03:00 e as 18:00 de terça-feira, passando depois a amarelo até às 06:00 de quarta-feira por causa da agitação marítima forte.

A costa sul e as regiões montanhosa da ilha da Madeira também estão sob aviso laranja até às 18:00 de hoje, passando a amarelo entre as 00:00 e as 21:00 de terça-feira por causa da chuva por vezes forte.

A costa e as regiões montanhosas da ilha da Madeira e o Porto Santo estão também sob aviso amarelo por causa do vento forte com rajadas até 100 km/h, aumentando até 110 km/h na terça-feira.

O aviso de vento vai estar em vigor até às 15:00 de terça-feira.

As nove ilhas dos Açores estão com avisos laranja e amarelo devido aos efeitos da depressão Garoe.

As ilhas do grupo Ocidental (Flores e Corvo) estão sob aviso laranja devido ao vento até às 17:00 locais (mais uma hora em Lisboa) de hoje e devido à agitação marítima até às 20:00 de hoje.

Flores e Corvo estão também sob aviso amarelo devido ao vento (das 17:00 às 21:00 de hoje) e agitação marítima (das 20:00 de hoje às 05:00 de terça-feira).

No grupo Central (Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial), o IPMA emitiu aviso laranja devido à agitação marítima (até às 17:00 de hoje).

Para as ilhas Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial também vigora o aviso amarelo devido à chuva até às 08:00 de hoje, vento (até às 05:00 de terça-feira) e agitação marítima (entre as 17:00 de hoje e as 05:00 de terça-feira).

Para o grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria), foi emitido um aviso laranja devido ao vento e por agitação marítima, que vai vigorar até às 08:00 de hoje.

São Miguel e Santa Maria estão ainda sob aviso amarelo devido à chuva forte (até às 11:00 de hoje), por vento e agitação marítima (até às 23:00 de hoje).

Sentimento de insegurança é gerado pela desinformação e não se confirma

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

Falando em Lisboa na conferência sobre os 160 anos do Diário de Notícias, subordinado ao tema “O Portugal que temos e o que queremos ter”, Luís Neves criticou a imagem de que o país está numa situação “sem rei e sem roque” no que à segurança diz respeito, contestando a “polarização da discussão” em torno do tema, arrancando aplausos da plateia.

“Estamos a assistir a um momento de desinformação, ‘fake news’ e ameaças hibridas e é isso tudo que leva a fundamentar a perceção de insegurança”, afirmou o dirigente, colocando também a responsabilidade nos media por esse sentimento.

“Temos hoje vários canais de televisão que passam uma e outra vez aquilo que é notícia de um crime”, explicou, reconhecendo que isso vem “criar uma ideia de insegurança que não tem a ver com a insegurança plena do crime” existente do ponto de vista estatístico.

Luis Neves lembrou os “ataques aos ATM com explosivos” ou o “programa posto de abastecimento seguro”, criado por causa dos assaltos existentes.

“Alguém se recorda dos anos 80 e 90 do consumo de heroína em que não havia família que não tivesse um familiar que tivesse sofrido?” Ou “Arroios e Intendente em que não se poderia lá entrar?” – questionou o diretor da PJ, acrescentando ainda: “Querem comparar esses períodos com o período que hoje em que vivemos e dizer que hoje é que é mau?”

Luís Neves recordou números de 2009, quando se verificaram 888 ataques a carinhas de segurança e transportes de valores, bancos ou postos de combustíveis.

“Hoje não temos 4% desses ataques”, disse.

Hoje, o motivo para a detenção – cumprimento de pena ou prisão preventiva – tem como crime mais comum o furto simples e qualificado, seguido da violência doméstica, explicou o dirigente da PJ, que também recusou a ideia de que os estrangeiros sejam responsáveis por níveis relevantes de criminalidade.

“Em 2009 tínhamos 631 estrangeiros” num universo de 400 mil imigrantes e no ano passado, perante mais de um milhão de estrangeiros residentes em Portugal, o “rácio de detidos é o segundo mais baixo” desde que há este tipo de contabilidade, explicou.

Sobre os estrangeiros e a criminalidade, Luís Neves distinguiu os casos que estão relacionados com “organizações criminosas transnacionais, cibercrime ou estupefacientes”, bem como “criminalidade contra o património” que tem conexões internacionais.

“Não são imigrantes” os envolvidos nesses casos, explicou, salientando ainda que Portugal é porta de entrada da UE para quem vem da América Latina e África e as prisões portugueses refletem a presença de “mulas” de transporte de droga que, normalmente, “são pessoas pobres”.

“Prendemos por ano [este tipo de casos] às dezenas e às vezes às centenas”, explicou.

Olhando para os detidos em Portugal, Luís Neves salientou que, excluindo os oriundos de países extra-europeus, África e América Latina que estão relacionados com crimes que nada têm a ver com imigrantes, os valores são muito baixos.

Há “120 pessoas de outros países que estão presas num universo de mais de 10 mil”, explicou.

“Qualquer número de crime é um número preocupante e é um número que nos faz a todos pensar quais são os melhores modelos para mitigarmos” a criminalidade, em particular a criminalidade violenta, salientou ainda.

Confrontado por jornalistas, o diretor da PJ admitiu que é necessário controlar quem está cá: “os Estados de receção dos imigrantes têm o direito e, mais do que o direito, têm a obrigação de saber quem cá está, porque sabendo-se quem cá está, as políticas públicas de integração e todas as outras que são instrumentais ou adjacentes a essa integração ficam beneficiadas”, bem como o “próprio imigrante”.

Este tipo de pessoas “muitas vezes é vítima das garras dos traficantes de pessoas, dos tráficos de seres humanos, das organizações criminosas e da imigração ilegal”, afirmou.

E com informação atualizada, essas redes “deixam de ter área para explorar estas pessoas”, acrescentou.

Presidente da Anafre satisfeito com “justiça” na reposição de 302 freguesias

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© João Polónia/Notícias Em Direto

O presidente da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), Jorge Veloso, congratulou-se com a reposição de 302 freguesias por desagregação de uniões de freguesias criadas pela reforma administrativa de 2013, considerando ter sido “feita justiça”.

“Vejo com muita alegria, vejo com alegria também para milhares de portugueses, milhares de pessoas, algumas delas que estiveram aqui hoje, deram essa prova e finalmente foi reposta justiça”, disse Jorge Veloso em declarações à Lusa.

De acordo com o responsável, que assistiu das bancadas à discussão em plenário e à aprovação do projeto-lei que desagrega as uniões de freguesia, tratou-se de fazer justiça a uma lei que “foi mal feita em 2013, não ouvindo as populações, não ouvido os autarcas e fazendo [as uniões de freguesia] nos gabinetes a regra e esquadro, dividindo o país”.

Jorge Veloso deu o exemplo de, em 2013, ter sido criada uma união de freguesia em Alcácer do Sal, que “era maior que a ilha da Madeira” porque reunia quatro freguesias e, quando um idoso precisava de fazer “prova de vida ou algo do género, tinha de andar 20 quilómetros porque a sua freguesia antiga tinha sido encerrada”.

O responsável frisou também não ser verdade quando “algumas pessoas” dizem que as desagregações vão aumentar os custos para o erário público.

Jorge Veloso lembrou ainda que hoje em dia “há muitas pessoas” nas freguesias agregadas “que não têm elo de ligação ao mundo, já nem é só ao país”.

“Não têm uma caixa multibanco, não têm um centro de saúde, não têm outras valências que deviam ter e não têm, e é o próprio presidente da junta que, às vezes, pega nelas e anda 20 quilómetros para ajudar a fazer um movimento no multibanco”, exemplificou.

Nesse sentido, acredita que agora a qualidade de vida daquelas populações “aumentará e muito”, salientando que “a proximidade é um fator muito importante para que as pessoas se sintam bem, se sintam apoiadas”.

Apesar de sair satisfeito da Assembleia da Republica, o presidente da Anafre sublinha que o processo de desagregação “não termina hoje”.

“Mas daqui para a frente, a Lei-quadro existe e muitos mais processos vão aparecer para desagregação. Há muita freguesia que vai fazer, estou convencido disso”, sublinhou.

O parlamento aprovou na passada sexta-feira a reposição de 302 freguesias por desagregação de uniões de freguesias criadas pela reforma administrativa de 2013, com muitos autarcas de freguesias a assistir à votação nas galerias do parlamento e na Sala do Senado, e que aplaudiram de pé quando a proposta foi aprovada.

O projeto de lei teve os votos a favor dos proponentes PSD, PS, BE, PCP, Livre e PAN, e ainda do CDS-PP, o voto contra da Iniciativa Liberal (IL) e a abstenção do Chega na generalidade, na especialidade e em votação final global.

O parlamento aprovou ainda um recurso apresentado pela IL para retirar da votação na especialidade uma proposta do PCP para reconsiderar mais de meia centena de pedidos de desagregação de freguesias, muitos dos quais rejeitados por terem entrado na Assembleia da República além do prazo limite.

Estas freguesias que agora vão ser repostas foram agregadas em 135 uniões de freguesia ou extintas e os seus territórios distribuídos por outras autarquias durante a reforma administrativa que em 2013 reduziu 1.168 freguesias do continente, de 4.260 para as atuais 3.092, por imposição da ‘troika’.

Obra de eletrificação da Linha do Douro do Marco à Régua contratada por 110 ME

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A Infraestruturas de Portugal (IP) contratou por 110 milhões de euros o projeto de execução da eletrificação da Linha do Douro entre Marco de Canaveses e Peso da Régua, consultou a Lusa.

De acordo com um contrato publicado no portal de contratação pública Base no início da semana, e assinado em novembro do ano passado, a IP contratou ao consórcio das empresas de construção civil Casais e Somafel a execução da empreitada, por 110,7 milhões de euros.

Em causa está a eletrificação da Linha do Douro entre Marco de Canaveses (distrito do Porto) e Peso da Régua (distrito de Vila Real).

A IP lançou o concurso público de 118 milhões de euros da eletrificação Marco – Régua em junho de 2023, e prorrogou os prazos de submissão de propostas várias vezes: em setembro desse ano prorrogou o prazo por mais um mês e depois por mais 120 dias.

A eletrificação da Linha do Douro está atualmente concluída Marco de Canaveses.

Em setembro de 2023, o antigo secretário de Estado das Infraestruturas, Frederico Francisco, previa que a obra de eletrificação da Linha do Douro, entre Marco de Canaveses e Peso da Régua, se iniciasse ainda durante 2024 e ficasse concluída em 2027.

A intervenção prevê a eletrificação integral do troço, com cerca de 47 quilómetros, a instalação do sistema de retorno de corrente de tração, terras e proteções (RCT+TP) e a execução de trabalhos acessórios para garantir as condições de eletrificação, nomeadamente a adequação/modernização dos ‘layouts’ (disposição das linhas) das estações, com substituição de material de via.

Inclui também o alteamento ou relocalização das plataformas de passageiros das estações e apeadeiros, o rebaixamento da plataforma dos túneis e a reabilitação/reforço pontual das estruturas e do revestimento e tratamento e reformulação do sistema de drenagem.

Ao nível das estações e apeadeiros, a IP já adiantou que serão considerados cais de passageiros com 150 metros de comprimento e 0.76 metros de altura.

No caso particular da Estação da Régua está previsto um cais com 200 metros de comprimento, possibilitando a utilização para o serviço intercidades.

Estão ainda previstas intervenções em seis túneis existentes no troço (Juncal, Riboura, Loureiro, Má Passada, Santinho e Régua) e trabalhos de estabilização de um total de 40 taludes existentes ao longo do troço.

Em curso estão também os estudos e projetos necessários à eletrificação e modernização das infraestruturas do subtroço Régua/Pocinho.

Em 2024 avançou também o contrato para a elaboração do estudo prévio e projeto de execução para a reabilitação e reabertura do troço Pocinho/Barca D’Alva.

A Linha Ferroviária do Douro atualmente liga o Porto ao Pocinho (171,522 quilómetros) e há vários anos que é defendida a eletrificação da via, bem como a reabertura do troço entre o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d’Alva (Figueira de Castelo Rodrigo), desativado em 1988.

ONG apresenta queixa contra Portugal, Espanha e França por não controlarem frotas de pesca

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A organização francesa Bloom, de preservação do ambiente marinho e espécies, apresentou quinta-feira na Comissão Europeia uma queixa contra Portugal, Espanha e França, por não controlarem a suas frotas de pesca.

A queixa tem a ver com pesca ilegal em áreas protegidas e refere-se a mais de 400 casos de suspeitas de fraude, de acordo com uma investigação de mais de um ano conduzida pelas organizações “Deep Sea Conservation Coalition” (DSCC) e “Marine Conservation Institute” e publicada na revista científica “Science Advances”.

Segundo a investigação, também divulgada na quinta-feira pela organização não-governamental portuguesa de defesa do meio marinho, a Sciaena, navios portugueses, espanhóis e franceses continuam a pescar em zonas que estão proibidas devido à extrema fragilidade dos ecossistemas.

Existem duas regulamentações europeias sobre a proteção dos fundos oceânicos, um regulamento de pesca de profundidade, adotado em dezembro de 2016, que proíbe a pesca de arrasto de fundo além dos 800 metros de profundidade nas águas do Atlântico Nordeste, e o encerramento, em novembro de 2022, de 87 zonas situadas entre os 400 e os 800 metros de profundidade, para proteger ecossistemas marinhos particularmente vulneráveis e ricos em biodiversidade.

Nos dois casos a investigação fala de fraude maciça nas zonas de proibição de pesca. Nas zonas protegidas e sensíveis, interditas, foram contabilizadas 3.500 horas de pesca com artes de fundo quando o número de horas devia ser zero. Dessas, 500 horas foram atribuídas a barcos portugueses. E foram ainda contabilizadas 19.200 horas de pesca de arrasto de fundo além dos 800 metros, entre novembro de 2021 e outubro de 2023.

Trata-se, diz a Bloom, de “violações claras e deliberadas da lei” que significam “destruição silenciosa” dos ecossistemas marinhos mais frágeis, que abrigam corais com milhares de anos e espécies também com muitos anos e vulneráveis, como tubarões de profundidade, esponjas delicadas e polvos orelhudos.

As 87 zonas interditas à pesca, pela Comissão Europeia em 2022, representa apenas 16.000 quilómetros quadrados, pontos minúsculos num mapa que mesmo assim não são respeitados, diz a organização, recordando que a investigação identificou 306 navios a pescar em zonas interditas para proteção dos ecossistemas marinhos vulneráveis (VME) e 152 arrastões de fundo a pescar além de uma profundidade de 800 metros. E só foram tidos em conta navios além de 15 metros, com instrumentos e geolocalização obrigatórios.

A análise indica que apenas 33 arrastões de fundo foram responsáveis por 95% das horas de pesca em águas de profundidade superior a 800 metros. E mais de metade desta pesca ilegal foi feita por três arrastões de fundo semi-industriais portugueses, o Carabineiro (24,5 metros), o Cristaceo (23,6 metros) e o Avo Nico (18,8 metros).

Em relação às zonas VME 32 navios representaram metade das horas de pesca em zonas fechadas à pesca. E destes apenas três arrastões de fundo semi-industriais portugueses foram responsáveis por quase 20% da pesca ilegal, os navios Praia Lusitana (17,7 metros), Florimax (24,8 metros) e Avo Nico (18,8 metros).

Os dados em horas não refletem o impacto ambiental das embarcações, muito diferentes se for um navio de 15 metros que lança armadilhas ou um arrastão industrial de 80 metros. O Lodairo, arrastão de fundo de 86 metros, espanhol, esteve mais de 30 horas em ecossistemas vulneráveis e mais de 470 horas além dos 800 metros de profundidade.

A investigação denuncia ainda a atividade de outros navios, como o francês Claude Coulon II (arrastão de 46 metros), que pertence ao grupo do Intermarché, ou outras empresas de pesca, da Bretanha ou do País Basco.

Afirmando que os navios industriais cometem fraudes impunemente, sabendo que estão a prevaricar, “graças à cumplicidade das autoridades públicas”, lembrando que Espanha e França foram os grandes opositores às duas restrições de pesca, a Bloom diz que Portugal, Espanha e França “fecharam os olhos” às ações das frotas de pesca.

A investigação surge quando se está a preparar a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, em Nice, França, em junho. Natasha Mallet, investigadora da Bloom e coautora do estudo pede que a Comissão Europeia encerre mais zonas à pesca e que os Estados reforcem a vigilância e adotem sanções, em vez de transigir com os pescadores industriais.

A redução de 81% do esforço de pesca nas 87 zonas que contêm VME demonstra o potencial da nova regulamentação, dizem os responsáveis da Bloom, que lamentam a proatividade de três países na destruição das VME, a Espanha, a que mais pescou nas 87 zonas, a França e Portugal.

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