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Quinta-feira, Julho 9, 2026
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Secretário de Estado da Cultura diz ter cedido quota em empresa antes de tomar posse

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foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, negou ter participações em empresas imobiliárias, após informação divulgada pelo Bloco de Esquerda, acrescentando que cedeu a quota numa empresa comercial antes de tomar posse dia 13 de fevereiro.

“A declaração da coordenadora do Bloco de Esquerda de que sou detentor de uma sociedade imobiliária não corresponde à verdade. Antes de tomar posse, o que só aconteceu há menos de duas semanas (dia 13 de fevereiro), cedi a quota que detinha numa empresa comercial, tendo igualmente suspendido de imediato a minha inscrição na Ordem dos Advogados”, pode ler-se, num comunicado enviado pelo Ministério da Cultura.

Também a ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, negou hoje à noite ter participações em empresas imobiliárias, sublinhando que as suas fontes de rendimentos são públicas e que “em política não vale tudo”.

“A declaração da coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, acusando-me de ser detentora de empresas imobiliárias é mentira e o seu âmbito constitui uma falsidade atentatória do meu bom nome”, destacou Dalila Rodrigues, numa nota divulgada pelo Ministério da Cultura.

Dalila Rodrigues sublinhou que “à data da tomada de posse não era titular de qualquer participação social em qualquer sociedade comercial”.

“Tive no passado participação societária numa sociedade cujo objeto social é a prestação de serviços na área de arquitetura. Todavia, antes da tomada de posse, procedi à cedência da quota, facto que foi devidamente inscrito no registo comercial”, frisou.

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, avançou hoje que oito membros do Governo, incluindo a ministra e o secretário de Estado da Cultura, detêm empresas imobiliárias.

Mortágua lembrou ainda o caso do ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, apontando-o como o episódio mais grave do atual executivo.

“O ministro Castro Almeida, quando era autarca e presidente de Câmara, fez adjudicações por ajuste direto a uma empresa que era de um sócio do próprio ministro, o que coloca em causa a idoneidade de um político, de um ministro, para poder ocupar funções executivas”, justificou.

O partido indicou ainda que há 20 deputados com participações em empresas imobiliárias – 13 do PSD, quatro do Chega e três do PS – para sublinhar a importância de se escrutinar os interesses de quem legisla.

Mariana Mortágua apelou ao Presidente da República para que vete uma eventual mudança à lei dos solos que venha à sair do processo de apreciação parlamentar do diploma.

“O apelo que fazemos é também ao Presidente da República para que aprenda com os seus erros – parece-me que é isso que quer dizer a sua declaração – e que vete qualquer alteração à lei dos solos, no sentido de abrir mais as regras, que possa sair da Assembleia da República”, disse.

Papa Francisco descansou bem durante a noite

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foto: Vatican Media

O Papa Francisco, de 88 anos, que está hospitalizado em estado crítico com pneumonia em ambos os pulmões, descansou bem durante a noite, informou hoje de manhã o Vaticano.

“O Papa descansou bem durante toda a noite”, disse o Vaticano num breve comunicado no 12.º dia da hospitalização de Francisco, a mais longa desde a sua eleição em 2013.

Na segunda-feira, o boletim clínico da tarde indicava que as condições clínicas do Papa Francisco registaram uma leve melhoria, com os médicos a lembrarem, tendo em conta a complexidade do quadro clínico, ser necessária prudência e a manterem um prognóstico reservado.

O Papa foi hospitalizado em 14 de fevereiro, na sequência de uma pneumonia nos dois pulmões e teve uma crise respiratória na sexta-feira, que agravou o seu estado de saúde.

Tesla anuncia implementação de funções avançadas de condução autónoma na China

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O fabricante de veículos elétricos norte-americano Tesla anunciou hoje o lançamento de funções avançadas de condução autónoma para os seus carros na China, incluindo o Autopilot, nas ruas das principais cidades.

O anúncio surge após vários anos de tentativas da empresa norte-americana para ultrapassar os obstáculos regulamentares que impediam esta atualização no mercado automóvel chinês.

A Tesla explicou que vai lançar gradualmente uma atualização de ‘software’ que inclui a “condução automática assistida por Autopilot nas ruas das cidades” e uma função no espelho retrovisor que deteta se os condutores estão ou não a prestar atenção.

Estas características são semelhantes às do sistema FSD (‘full self-driving’) que o fabricante oferece nos Estados Unidos.

Os automóveis equipados com este ‘software’ não são, de facto, totalmente autónomos, e destinam-se a ser utilizados sob o controlo de um condutor.

A atualização “foi lançada para certos modelos de automóveis e será gradualmente alargada a outros modelos adequados”, afirmou a empresa, num comunicado publicado na rede social chinesa WeChat.

Segundo a agência de notícias financeiras Bloomberg, o plano permite que os utilizadores que pagaram o equivalente a 8.800 dólares (8.400 euros) pelo pacote FSD o utilizem em estradas urbanas.

Segundo fontes citadas pela Bloomberg, a Tesla terá oferecido aos seus funcionários na China a possibilidade de participarem num teste-piloto destes sistemas antes de serem lançados ao público.

Musk deslocou-se em abril a Pequim, onde se reuniu com dirigentes governamentais, incluindo o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, para discutir a viabilidade do FSD na China.

A Tesla fechou um acordo de cartografia e navegação com a tecnológica chinesa Baidu e cumpriu os requisitos locais em matéria de segurança dos dados e de privacidade.

No entanto, em janeiro, durante uma chamada com analistas após a divulgação dos resultados, Musk reconheceu que a Tesla ainda enfrentava desafios para lançar o FSD na China, culpando as limitações que tanto Pequim como Washington impuseram à forma como a empresa treina o seu sistema para reconhecer as estradas locais.

De acordo com Musk, os engenheiros da Tesla estavam a resolver o problema utilizando vídeos da Internet que mostravam ruas na China para dar instruções ao sistema.

As tecnologias de assistência ao condutor estão a tornar-se cada vez mais comuns no país asiático, onde a empresa local BYD, o maior fabricante de automóveis elétricos do mundo, anunciou recentemente um sistema conhecido como “God’s Eye” que será incorporado em veículos com preços a partir do equivalente a 9.630 dólares (9.190 euros).

A China é um mercado importante para a Tesla, que tem duas fábricas no país e está a tentar competir com os fabricantes locais de veículos elétricos em rápido crescimento.

“Motivos de ordem técnica” dificultam acesso ao portal para validar faturas do IRS

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O acesso ao portal e-fatura esteve indisponível durante vários períodos, quando está a aproximar-se o final do prazo para os contribuintes validarem as faturas para efeitos de IRS.

“Por motivos de ordem técnica não nos é possível responder ao seu pedido. Por favor, tente mais tarde” foi a mensagem que muitos contribuintes foram recebendo ao longo do dia de hoje quanto tentavam aceder ao e-fatura, no Portal das Finanças, segundo relatos chegados à Lusa.

A Lusa questionou o Ministério das Finanças sobre o motivo destas dificuldades de ordem técnica, mas ainda não obteve resposta.

A dificuldade no acesso acontece na véspera de terminar o prazo para os contribuintes validarem as faturas de despesas efetuadas ao longo de 2024 e que são relevantes para o apuramento das deduções ao IRS.

O prazo para a validação termina na terça-feira, sendo esta ‘tarefa’ relevante, sobretudo, para os casos em que as faturas ficam pendentes (porque o contribuinte passa recibos verdes ou porque, por exemplo, quem emite a fatura tem mais do que um registo de atividade – CAE) ou quando houve falhas na comunicação da fatura ao Portal das Finanças pelos emitentes.

Reportagem: Ucrânia: Comunidade ucraniana em Nova Iorque pede ao mundo que “não desvie olhar” da guerra

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A comunidade ucraniana em Nova Iorque reuniu-se esta segunda-feira na Times Square para assinalar três anos da invasão russa, pedindo ao mundo que “não desvie o olhar” deste conflito e que “não aceite negociar com os terroristas de Moscovo”.

No protesto, que reuniu centenas de pessoas no centro de Manhattan, os ucranianos defenderam “que não pode haver negociações de paz sem a Ucrânia “, depois dos Estados Unidos e da Rússia se terem reunido recentemente na Arábia Saudita para iniciar conversações, mas sem a presença de Kiev ou líderes europeus.

“O único acordo que funciona é aquele em que a Rússia sai derrotada. Não pode haver negociações com terroristas”, lia-se num dos cartazes erguidos durante o protesto.

Noutro cartaz, junto à imagem de Donald Trump podia ler-se a frase:” Eu vendi a Ucrânia”.

Trump surpreendeu Kiev e os aliados europeus ao anunciar recentemente uma conversa telefónica de cerca de 90 minutos com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, acabando por abalar a unidade ocidental e a estratégia de isolamento de Moscovo.

Ao telefonema seguiram-se conversações russo-americanas em Riade, nas quais os dois países se comprometeram em restabelecer as relações entre as duas potências e em iniciar conversações de paz para a Ucrânia, num encontro sem a presença de europeus ou de Kiev, o que gerou descontentamento junto do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Mas as relações entre Washington e Kiev estremeceram ainda mais quando Donald Trump acusou esta semana Zelensky de ser um “ditador” e responsabilizou a Ucrânia pelo início da guerra.

“A Rússia é um Estado terrorista”, gritavam duas ucranianas, que seguravam fotografias de soldados ucranianos mortos em combate.

Perto da multidão, um homem que usava as cores da bandeira norte-americana gritava: “vocês não podem lutar para sempre. Não queremos a terceira guerra mundial”, mas acabou ignorado pelos ucranianos.

“Paz sem justiça é apenas uma pausa” e a “Ucrânia vai prevalecer” podia ler-se em outros dois cartazes erguidos.

O protesto de hoje foi convocado pela Svitanok, uma organização pró-democracia com sede em Nova Iorque, focada em combater a desinformação sobre a guerra e defender a soberania e os ideais democráticos da Ucrânia.

A comunidade ucraniana teve de reformular a sua mensagem para este protesto após as polémicas declarações de Trump, com os ucranianos a verem-se obrigados agora a reforçar que foi a Rússia a começar esta guerra quando invadiu a Ucrânia e que Zelensky foi democraticamente eleito pelo seu povo.

Os ucranianos pedem também que a comunidade internacional continue a apoiar Kiev e a enviar armamento que ajude a Ucrânia a derrotar Moscovo no campo de batalha.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

O conflito, que hoje atingiu a marca dos três anos, provocou a destruição de importantes infraestruturas em várias áreas na Ucrânia, bem como um número por determinar de vítimas civis e militares.

Reportagem: Milhares juntam-se a cardeais na Praça de São Pedro para rezar pelo Papa

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foto: Vatican Media

Milhares de fiéis juntaram-se esta segunda-feira a três centenas de cardeais, bispos, sacerdotes e leigos que trabalham na Cúria romana para rezarem pela saúde do Papa Francisco.

“Oremos pelo nosso pontífice Francisco, que Deus o conserve”, cantou o coro, no final do rosário, num dia em que o líder da Igreja Católica apresentou sinais de alguma melhoria do estado clínico.

O presidente da celebração, o secretário de Estado Pietro Parolin, um dos mais próximos colaboradores de Francisco, pediu no final a oração de um Pai Nosso e de uma Avé Maria pelo restabelecimento do Papa.

Apesar do frio e da chuva que caía ocasionalmente, os fiéis encheram o primeiro conjunto de cadeiras colocadas na praça de São Pedro e muitos assistiram nas colunatas e noutras zonas mais protegidas.

“Estou aqui para rezar pelo Papa. Ele é argentino como eu, mas ele deixou de o ser. Agora é de todos nós, os católicos”, disse Juan Vigó, imigrante em Espanha que quis estar em Roma por estes dias.

Com um boné da Argentina que o denunciou entre os fiéis, Juan diz-se “um católico pouco praticante” que “quer voltar mais à Igreja graças ao Papa”, antigo cardeal de Buenos Aires.

“A Igreja é de todos e ele está sempre a dizer isso”, afirmou.

No perímetro da praça, meia centena de equipas televisivas de diversos países faziam diretos da cerimónia do rosário, celebrada em italiano.

“Eu não entendo bem o que eles dizem, mas rezo com eles. Todos sabemos o rosário”, explica Juan Vigo.

Os cardeais residentes na cidade, “com todos os colaboradores da Cúria Romana e da Diocese de Roma, recolhendo os sentimentos do povo de Deus” reúnem-se esta noite “para a recitação do Santo Rosário pela saúde do Santo Padre”, refere o Vaticano.

Entre os cardeais previstos na cerimónia estava José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, que celebrou a eucaristia dominical do passado dia 16, depois de o Papa ter sido internado com pneumonia bilateral.

As condições clínicas do Papa Francisco registaram hoje uma leve melhoria, com os médicos a lembrarem, tendo em conta a complexidade do quadro clínico, ser necessária “prudência” e a manterem um “prognóstico reservado”.

No mais recente boletim clínico divulgado pelos médicos que seguem o Papa no Hospital Gemelli, em Roma, é indicado que Francisco mostrou hoje uma leve melhoria nos exames laboratoriais, que lhe permitiram retomar o trabalho.

“Hoje não se registaram episódios de crise respiratória asmática: alguns exames laboratoriais melhoraram. A monitorização de insuficiência renal ligeira não é preocupante. A oxigenoterapia continua, embora com débito e percentagem de oxigénio ligeiramente reduzidos”, lê-se no boletim médico.

Nesse sentido, os médicos, “tendo em conta a complexidade do quadro clínico, mantêm ainda, com prudência, o prognóstico [reservado]”.

O boletim adianta que Francisco recebeu hoje de manhã a Eucaristia e, à tarde, retomou as suas atividades profissionais.

“À noite, telefonou ao pároco da paróquia de Gaza para lhe manifestar a sua proximidade paterna. O Papa Francisco agradeceu a todo o povo de Deus que se reuniu para rezar pela sua saúde nos últimos dias”, termia o boletim médico.

No domingo, o Vaticano disse que o Papa continuava em estado crítico e que alguns exames de sangue indicavam uma insuficiência renal leve, mas sob controlo.

O Papa, de 88 anos, foi hospitalizado em 14 de fevereiro, na sequência de uma pneumonia nos dois pulmões e teve uma crise respiratória na sexta-feira, que agravou o seu estado de saúde.

Ucrânia: Putin aceita europeus em acordo de paz e investimento dos EUA em territórios ocupados

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O Presidente russo, Vladimir Putin, mostrou-se esta segunda-feira favorável à participação dos europeus na resolução do conflito na Ucrânia e a investimento norte-americano para explorar minerais estratégicos nos territórios ucranianos ocupados pelo exército russo.

“Estamos prontos para atrair parceiros estrangeiros para os nossos novos territórios históricos que foram devolvidos à Rússia. Há aqui certas reservas. Estamos prontos para trabalhar com os nossos parceiros, incluindo os americanos, nas novas regiões”, disse Putin numa entrevista televisiva.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho; anunciou em setembro desse ano a anexação das províncias de Donetsk e Lugansk (leste) e de duas outras – Kherson e Zaporijia – cujo território é em parte controlado por forças ucranianas.

A entrevista foi divulgada no dia em que se assinalam três anos sobre o início da invasão russa e enquanto decorrem contactos diretos entre Washington e Moscovo sobre um acordo de paz na Ucrânia, excluindo o bloco europeu e Kiev.

Putin afirmou que os europeus “podem participar” na resolução do conflito na Ucrânia.

Em relação ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que hoje recebeu líderes europeus em Kiev, o líder russo sustentou que está a tornar-se uma “figura tóxica” na Ucrânia.

FC Porto empata com Vitória de Guimarães e fica a seis pontos dos dois líderes

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foto: Tiago Miguel de Araújo Vieira / Notícias Em Direto

O FC Porto perdeu hoje a oportunidade de se colocar a quatro pontos da liderança da I Liga portuguesa de futebol, ao empatar 1-1 na receção ao Vitória de Guimarães, no encontro de encerramento da 23.ª jornada.

Fábio Vieira adiantou, aos 67 minutos, os ‘dragões’, que só ganharam um dos últimos sete jogos na prova, mas, aos 86, o suplente Umaro Embaló restabeleceu a igualdade.

O ‘onze’ de Martín Anselmi é terceiro, com os mesmos 47 pontos do Sporting de Braga, quarto, e a seis de Sporting (2-2 fora com o AVS) e Benfica (3-0 ao Boavista), enquanto o Vitória, que só ganhou um dos últimos 11 jogos, é oitavo, com 32.

Reportagem: Em Roma, as orações pelo Papa ainda não convencem os turistas

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Na entrada da Praça de São Pedro, cidade de Roma, o “amigo” do cardeal Saraiva Martins está desiludido com as vendas dos terços com a imagem de Francisco, porque os turistas “não estão preocupados” com a doença do Papa.

Numa segunda-feira em que a chuva incomoda mas não afasta as filas de turistas que visitam o Vaticano, Alfredo possui uma das poucas bancas de venda de artigos religiosos ainda dentro do perímetro da Praça, logo após os primeiros separadores.

Em cadeiras de plástico, junto à pequena banca, estão dezenas de terços com a imagem do Papa Francisco, mas o negócio já não é o que era. “No tempo do João Paulo II é que se vendia muito. Agora não”, diz, recordando as semanas de doença terminal do pontífice polaco, em 2005.

“É só um euro mas poucos compram. Isso também é porque as notícias são melhores. Ele está num limbo e as pessoas acreditam que ele vai melhorar”, afirma.

Esta noite, a noite de Francisco foi mais calma, segundo os serviços de imprensa. “Passou bem a noite, dormiu e está a repousar”, declarou o Vaticano num breve comunicado.

No domingo, o Vaticano disse que o Papa continua em estado crítico no hospital Gemelli, em Roma, e que alguns exames de sangue indicavam uma insuficiência renal leve, mas sob controlo.

O Papa, de 88 anos, foi hospitalizado no dia 14 de fevereiro, na sequência de uma pneumonia nos dois pulmões e teve uma crise respiratória na sexta-feira, agravando o seu estado de saúde.

Nas ruas adjacentes à Praça de São Pedro e ao hospital estão dezenas de jornalistas e repórteres de imagem, fazendo diretos televisivos ou falando com quem passa, sempre com a abóbada da Basílica em fundo de ecrã.

“Falei o que vim aqui fazer, rezar pela minha família e ver a capela Sistina”, diz o suíço Jerome, entrevistado instantes antes por um canal do seu país.

Não é a primeira vez que está em Roma e “não será a última”, porque é um sítio “onde se sente a paz que tanto precisamos no mundo”, afirma.

A partir desta noite, as orações vão-se sentir mais nas ruas de Roma. Os cardeais residentes na cidade, “com todos os colaboradores da Cúria Romana e da Diocese de Roma, recolhendo os sentimentos do povo de Deus, reunir-se-ão na Praça de S. Pedro às 21:00, para a recitação do Santo Rosário pela saúde do Santo Padre”, refere o Vaticano.

A oração será presidida pelo secretário de Estado, Pietro Parolin.

Entre os peregrinos que prometem estar presente encontra-se Ivania, ucraniana que veio há três dias de Lviv, para rezar pela paz no seu país e pela saúde do Papa.

“Ele foi muito nosso amigo, tentou sempre ajudar-nos. Estou a rezar por nós e por ele. Que possamos os dois sobreviver”, diz a jovem, que tem o marido a combater no Donbass há dois anos.

“Vamos resistir os dois. Mesmo que haja quem não queira”, afirma Ivania, que tenciona regressar a casa na quarta-feira.

“Não quero ficar longe da minha Ucrânia. Se tivermos de perder, perdemos juntos”, diz.

A alguns metros, perto da ponte de Santo Ângelo, mãe e filho português vieram a Roma pela primeira vez.

“Estamos a fazer um cruzeiro que incluía Roma”, diz a mulher, que sabia da situação clínica do líder da Igreja Católica.

“Ele está mal. Esperemos que se recupere, porque tem sido um grande homem”, afirma.

Já Micha, uma japonesa de 38 anos que está a fazer uma viagem alargada pela Europa, não sabia sequer que o Papa estava doente.

“Eu não leio muito as notícias. É uma pena, gostava de o ter visto”, diz a professora de informática de Tóquio, que incluiu Roma numa viagem que a leva a cinco capitais europeias.

“Mas não Lisboa”, diz, sorrindo.

A poucos metros, junto à sua banca de artigos religiosos, que incluem também frasquinhos com água das fontes de Roma, Alfredo nunca foi a Lisboa, mas sabe onde fica a Guarda.

“É a terra do meu grande amigo, o cardeal Saraiva Martins. Um bom homem, um servo de Deus”, diz, apontando para uma janela defronte da Praça de São Pedro, onde vive o cardeal emérito, nascido em Gagos de Jarmelo, Guarda, há 93 anos, agora já muito doente.

“Teria sido um grande Papa, mas Deus não quis”, desabafa Alfredo.

Quatro mulheres diagnosticadas com cancro da mama a cada minuto

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Quatro mulheres são diagnosticadas com cancro de mama a cada minuto no mundo e uma acaba por morrer devido à doença, estima um estudo publicado hoje na revista científica Nature Medicine.

A investigação sobre os padrões e tendências globais da incidência e mortalidade do cancro da mama em 185 países indica que uma em cada 20 mulheres no mundo é diagnosticada com este tipo de cancro e que uma em cada 70 provavelmente morrerá da doença.

Coordenado por Miranda Fidler-Benaoudia, investigadora do Cancer Epidemiology and Prevention Research (CEPR) de Alberta, no Canadá, o estudo apurou que, a nível global, ocorreram 2,3 milhões de novos casos e 670 mil mortes por cancro da mama feminino em 2022.

De acordo com as conclusões, as taxas de mortalidade diminuíram em 29 países com um índice de desenvolvimento humano (IDH) muito elevado, mas apenas sete países – Malta, Dinamarca, Bélgica, Suíça, Lituânia, Países Baixos e Eslovénia – estão a atingir a meta da Iniciativa Global contra o Cancro da Mama de, pelo menos, uma redução de 2,5% por ano.

A manterem-se as taxas atuais, “em 2050, os novos casos e mortes terão aumentado 38% e 68%, respetivamente, impactando desproporcionalmente os países com baixo IDH”, correspondendo a uma estimativa de 3,2 milhões de novos casos e 1,1 milhões de mortes, alerta ainda o estudo sobre o tipo de cancro mais diagnosticado entre as mulheres.

As taxas globais variam, porém, entre países e continentes, com a possibilidade de um diagnóstico ao longo da vida a ser maior em França (um em cada nove) e na América do Norte (um em cada dez), enquanto o risco de morrer de cancro da mama ao longo da vida é mais elevado nas ilhas Fiji (um em cada 24) e em África (um em cada 47).

“As tendências emergentes no cancro da mama também trazem a consciencialização para uma incidência crescente em idades mais jovens e chamam a atenção para os sucessos na redução da mortalidade, mas apenas nos países mais desenvolvidos”, refere o estudo.

Os sistemas de saúde robustos que “facilitam o acesso a um diagnóstico atempado e a um tratamento de alta qualidade significam que o prognóstico é geralmente bom e a sobrevivência a cinco anos pode atingir mais de 90%”, refere ainda a investigação, alertando que, nos países com um IDH baixo e médio, as taxas de incidência do cancro da mama continuam a ser relativamente baixas, mas são acompanhadas por uma elevada mortalidade.

Isso deve-se, de acordo com o estudo, a atrasos no diagnóstico e a baixas taxas de início do tratamento, que são atribuídas a fatores sistémicos, económicos e sociais.

Perante isso, os autores defendem ações urgentes, particularmente em países com pontuações mais baixas no IDH, uma métrica utilizada para medir a qualidade de vida global de um país, considerando fatores como a esperança de vida, os níveis de educação e o nível de vida.

Segundo os últimos dados do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas da Direção-Geral da Saúde, em Portugal o rastreio do cancro da mama está implementado em todas as regiões, com uma cobertura geográfica de 100% das Unidades Funcionais de Portugal continental e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

De acordo com a mesma fonte, em 2023, o país superou a meta prevista pelo European Beating Cancer Plan, com 99% da população convidada, tendo-se registado uma taxa de adesão ao rastreio de 56%, num total de 440.298 mulheres.

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