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Quinta-feira, Julho 9, 2026
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Líder do PS diz que inspeção a greves no INEM reforça suspeita de “responsabilidades políticas”

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, defendeu na quarta-feira que o relatório preliminar da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) reforça a suspeita de “responsabilidades políticas” do ministério da Saúdo nas falhas de informação ao INEM.

“O relatório preliminar da IGAS vem reforçar a suspeita de responsabilidades políticas do ministério da Saúde na falha de informação ao INEM”, escreveu o Pedro Nuno Santos na rede social X.

Segundo o relatório preliminar da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), hoje divulgado, o INEM “não recebeu atempadamente a comunicação de pré-avisos das greves gerais convocadas para os dias 31 de outubro e 4 de novembro”.

O líder do Partido Socialista diz que “a confirmar-se” este impedimento do INEM em definir serviços mínimos por não ter recebido atempadamente do Ministério da Saúde os pré-avisos dos sindicatos, “é algo que se reveste da maior gravidade”

Nesse sentido, “não tendo conhecimento dos detalhes neles constantes quanto ao tipo e duração das greves, bem como dos serviços mínimos propostos, ficou inviabilizada a possibilidade de eventual contestação dos serviços mínimos tendente à sua negociação”.

Esse pedido de negociação por parte do INEM “apenas poderia ter sido feito nas primeiras 24 horas seguintes à respetiva emissão de cada pré-aviso”, segundo a IGAS.

Ao INEM só chegou o pré-aviso da greve às horas extraordinárias convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH).

Já os pré-avisos das greves da função pública para o dia 31 de outubro e dia 4 de novembro “não foram comunicados diretamente ao INEM, mas sim à Secretaria-Geral do Ministério da Saúde (SGMS) e aos gabinetes dos membros do governo (que, no caso da saúde, os remeteram à SGMS no dia 24 de outubro”.

Na sequência destes factos, a IGAS emitiu à SGMS uma recomendação específica para “definir, através de um procedimento, o reencaminhamento imediato de todos os pré-avisos de greve recebidos de entidades sindicais ou dos gabinetes ministeriais às entidades tuteladas pelo Ministério da Saúde”.

Sobre as greves gerais e a operacionalização de serviços mínimos, a IGAS refere que o INEM apenas teve conhecimento da paralisação de 31 de outubro no próprio dia, tendo sido “atingidos 80% dos trabalhadores escalados”.

Já na greve de 04 de novembro, apesar de impossibilitado de definir atempadamente serviços mínimos, estes apenas não foram cumpridos no turno da tarde, entre as 16:00 e as 24:00.

A IGAS refere ainda que na sequência dos “primeiros sinais de degradação da atividade, do dia 04 de novembro, foram desencadeadas medidas de contingência que se revelaram dentro do possível adequadas” e dois dias depois, a 06 de novembro, o Conselho Diretivo do INEM decidiu “ações que estabilizaram o funcionamento dos CODU (Centros de Orientação de Doentes Urgentes).

Essas ações “permitiram debelar as fragilidades procedimentais” no planeamento da greve geral da função pública de 06 de dezembro.

O relatório preliminar da IGAS, que será ainda remetido às entidades envolvidas para exercício do contraditório, reconhece a existência de diversos “constrangimentos pré-existentes” na atividade do INEM ao nível de escassez de recursos humanos, nomeadamente nos CODU e o elevado peso do trabalho suplementar para assegurar a atividade normal.

A 04 de novembro, apontou a IGAS, às “carências operacionais existentes” somou-se uma “procura extraordinariamente elevada” num dia em que a greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência se juntou às greves gerais da função pública e a “capacidade operacional dos CODU não foi acautelada” por não terem sido acionados os mecanismos legais para definir serviços mínimos.

“Ainda assim, durante a greve de 04 novembro foram implementadas medidas adequadas para, dentro das limitações existentes, minimizar o seu impacto”, lê-se no relatório.

Trump diz que a Ucrânia “pode esquecer” adesão à NATO

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DR

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia “pode esquecer” a adesão à NATO, pretensão a que atribuiu o atual conflito entre este país e a Rússia.

“Podem esquecer a NATO (…) acho que essa é provavelmente a razão porque tudo começou”, afirmou hoje Trump, referindo-se ao conflito em território ucraniano, pelo qual se tem escusado a responsabilizar a Rússia, que invadiu o país vizinho há três anos.

Numa conferência de imprensa após a primeira reunião do seu executivo, Trump afirmou ainda que espera encontrar-se em breve com o Presidente russo, Vladimir Putin, na tentativa de chegar a um acordo para acabar com o conflito.

O Presidente norte-americano recusou-se a detalhar que concessões pediria aos dois lados, sublinhando considerar inaceitável a aspiração da Ucrânia de ingressar na Aliança Atlântica.

Trump e Zelensky assinam na sexta-feira na Casa Branca um acordo sobre minérios exigido pelo líder norte-americano em troca da ajuda dos EUA a Kiev.

Também hoje, Zelensky tinha anunciado que a base de um acordo económico com os Estados Unidos está pronta, embora tenha referido que esse acordo não oferece garantias de segurança dos EUA que Kiev considera vitais para resistir à invasão russa.

Um acordo completo pode depender das negociações previstas para terem lugar em Washington já na sexta-feira, disse Zelensky durante uma conferência de imprensa em Kiev.

A base acordada é um passo preliminar em direção a um pacote abrangente que estará sujeito à ratificação do Parlamento ucraniano, explicou.

Na Casa Branca, Trump assegurou que está determinado a conseguir um acordo com a Ucrânia sobre as terras raras (minérios), por forma a obter de volta muito do dinheiro que os Estados Unidos enviaram para Kiev.

“[O ex-Presidente, Joe] Biden gastou cerca de 350 mil milhões de dólares [cerca de 320 mil milhões de euros] e não obteve nada de volta. Eu vou garantir que vamos ter esse dinheiro de volta e muito mais”, assegurou Trump, dizendo que espera obter um bom acordo com Zelensky quando este visitar a Casa Branca.

Zelensky já tinha rejeitado ofertas iniciais dos EUA, argumentando que não continham garantias de segurança adequadas para a Ucrânia e que o preço proposto de 500 mil milhões de dólares (cerca de 480 mil milhões de euros) iria sobrecarregar gerações de ucranianos com dívidas.

Contudo, Kiev mostrou interesse em usar os investimentos norte-americanos como forma de prender os EUA ao destino da Ucrânia.

A versão mais recente do acordo diz que os Estados Unidos “apoiam os esforços da Ucrânia para obter garantias de segurança necessárias para estabelecer uma paz duradoura”, mas não especifica qualquer compromisso dos EUA em fornecer essa segurança.

Hoje, na conferência de Imprensa, Trump clarificou que alguns líderes europeus – incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer – já tinham prometido enviar forças de paz para a Ucrânia, no âmbito de um acordo de paz na Ucrânia.

Starmer e Macron, elogiaram na terça-feira a “liderança” do Presidente norte-americano em prol de uma “paz duradoura” na Ucrânia, que “deve estar no centro de quaisquer negociações”.

Segundo o gabinete do chefe de governo britânico, Starmer e Macron concordaram, numa conversa telefónica, ser oportuna “a liderança do Presidente Trump no trabalho em prol de uma paz duradoura na Ucrânia”.

“Ambos reiteraram que a Ucrânia deve estar no centro de quaisquer negociações, e o Reino Unido e a Europa estão prontos para fazer a sua parte”, refere ainda o comunicado de Downing Street.

Starmer estará nos Estados Unidos quinta-feira para uma reunião bilateral com Trump, com quem irá discutir a iniciativa para a paz na Ucrânia e o aumento dos gastos com defesa.

Macron e Trump encontraram-se em Washington, D.C. na segunda-feira, dia do terceiro aniversário do início da invasão russa da Ucrânia, que foi a principal questão abordada.

Enquanto decorrem contactos diretos entre Washington e Moscovo sobre um acordo de paz na Ucrânia, excluindo o bloco europeu e Kiev, Trump defendeu a política de conciliação em relação ao Presidente russo, Vladimir Putin.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

Pavlidis coloca Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal

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foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

O Benfica, recordista de troféus na competição, com 26, qualificou-se esta quarta-feira para as meias-finais da Taça de Portugal em futebol, ao vencer o Sporting de Braga por 1-0, nos quartos de final, no Estádio da Luz, em Lisboa.

O avançado grego Pavlidis marcou o único golo do encontro, aos 39 minutos, passando a somar 11 tentos nos últimos 10 jogos.

Nas meias-finais, o Benfica vai medir forças com o Tirsense, primeira equipa do quarto escalão do futebol português a marcar presença nesta fase, com primeira mão em Santo Tirso e segunda na Luz, em encontros previstos para abril.

Quase dois terços de alunos do secundário veem leituras obrigatórias como aborrecidas

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Quase dois terços dos alunos do ensino secundário encaram as leituras obrigatórias como aborrecidas ou distantes daquilo que lhes interessa, de acordo com um estudo do Observatório Português das Atividades Culturais para o Plano Nacional de Leitura.

O estudo “Práticas de leitura dos alunos dos ensinos básico e secundário – Barómetro’23” incidiu sobre uma amostra de mais de 31 mil alunos e foi feito em parceria com a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência e a Rede de Bibliotecas Escolares, contando com a Associação de Restaurantes McDonald’s como mecenas.

Se no 3.º ciclo há 45,1% de alunos a dizer que os livros de leitura obrigatória são interessantes, essa percentagem desce para 33,8% no secundário, nível de ensino onde 62,7% dos alunos classificam as leituras obrigatórias como aborrecidas ou que não lhes dizem nada.

No secundário, 3,5% dos alunos consideram os livros de leitura obrigatória como divertidos.

“Esta constatação convida, uma vez mais, à reflexão sobre a escolha dos livros de leitura obrigatória, abrindo espaço para posicionamentos mais flexíveis sobre as leituras e os materiais de leitura. Importa no quadro deste debate não perder de vista o objetivo principal: a promoção da leitura e o incremento das práticas de leitura”, escrevem os autores do estudo, coordenado por João Trocado da Mata e José Soares Neves.

No 10.º ano, a lista de obras e textos para “educação literária” inclui a poesia trovadoresca, Fernão Lopes (1380-1460), Gil Vicente (1465-1536) e Luís de Camões (1524-1580), enquanto no ano seguinte a lista vai do padre António Vieira (1608-1697) a Cesário Verde (1855-1886), passando por Almeida Garrett (1799-1854), Eça de Queirós (1845-1900) e Antero de Quental (1842-1891), entre outros.

No 12.º ano, aborda-se Fernando Pessoa (1888-1935), contos de autores como Manuel da Fonseca (1911-1993), Maria Judite de Carvalho (1921-1998) e Mário de Carvalho, e um romance de José Saramago (“Memorial do Convento” ou “O Ano da Morte de Ricardo Reis”), para além de vários nomes da poesia do século XX como Miguel Torga, Alexandre O’Neill, António Ramos Rosa, Herberto Helder ou Ana Luísa Amaral, entre outros.

O estudo recorda a frase do sociólogo João Teixeira Lopes, segundo a qual existe um “curioso paradoxo: aparentemente a escola mata a leitura”.

De acordo com o estudo, a percentagem de alunos que diz possuir os seus próprios livros em casa ultrapassa os 90% em todos os escalões de ensino, com uma diminuição gradual à medida que o nível sobe, ou seja, no 1.º ciclo 97% dos alunos dizem ter livros em casa, praticamente a mesma do 2.º ciclo, descendo para 93,5% no 3.º ciclo e para 90,3% no secundário.

Também o gosto pela leitura cai à medida que avança o ensino: de acordo com o estudo, os alunos portugueses passam de 73,3% que dizem gostar de ler no 1.º ciclo para 35,4% no secundário.

“Os resultados apontam para a importância do capital cultural e das dinâmicas familiares na associação às práticas de leitura entre alunos do ensino não superior. A presença de livros em casa e a relação familiar com a leitura são os fatores mais fortemente associados à leitura dos alunos, superando a escolaridade dos pais, cuja força da correlação não é tão expressiva quanto a das restantes variáveis”, pode ler-se no documento.

O objetivo do estudo era proceder “à construção de um sistema de recolha regular de informação sobre a evolução das práticas de leitura dos alunos do ensino não superior, respondendo a uma necessidade há muito diagnosticada pelas principais entidades com responsabilidades na promoção da leitura em Portugal”.

Novos Tempos: A primavera das Nações deu lugar ao inverno dos Povos

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

«Não mudarás os limites do teu vizinho, que os antigos demarcaram na herança que te couber na terra que o Senhor, teu Deus, te há de dar para dela tomares posse.» – Deuteronómio 19, 14

«Amarás o estrangeiro, porque foste estrangeiro na terra do Egito.» – Deuteronómio 10, 19

Os momentos históricos que vivemos são, na verdade, tempos de grandes incógnitas e incertezas. Segundo alguns líderes mundiais, recentemente eleitos, parece que o Direito Internacional, os Direitos Humanos, a Carta das Nações Unidas, a Convenção de Genebra, já nada valem ou são letra morta.

Num abrir e fechar de olhos, voltamos aos tempos dos impérios, das conquistas e da lei do mais forte. São lançados ultimatos sobre as nações, elaboram-se acordos sem ouvir as partes interessadas e envolvidas, fazem-se ameaças de ocupação e até se tenta reescrever a História, rebatizando terras e mares.

O mais surreal é que muitas destas investidas provêm de pessoas que, ao tomarem posse como presidentes, juram sobre as Sagradas Escrituras, invocam o nome de Deus a cada momento e até promovem orações antes das reuniões do seu governo.

Desde a Segunda Guerra Mundial, o mundo livre e democrático tinha como segura a sacralidade das fronteiras estabelecidas, não havendo tolerância nem espaço para imperialismos e invasões pela força. O respeito pela autodeterminação dos povos e pela liberdade eram sagradas. Tudo isso parece ter acontecido num passado longínquo. A primavera das Nações deu lugar ao inverno dos Povos.

O novo presidente americano, de maneira provocatória, ameaça ocupar o Canal do Panamá, anexar o Canadá como 51.º Estado norte-americano, transformar Gaza numa estância de turismo e comprar a Gronelândia à Dinamarca. Além de ousar rebatizar o Golfo do México como Golfo da América.

Parece não ter limites, pois negoceia com os invasores russos e apelida de «ditador» o presidente da Ucrânia, país que só não teve eleições livres porque está em estado de guerra há três anos. Exige direitos comerciais e tributos para continuar a apoiar a causa dos justos.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, enquanto se afirma como católico e faz o sinal da cruz em público, permite que o seu presidente, Donald Trump, diga ao Papa para se preocupar apenas com a Igreja e deixar os americanos em paz e a decidir o que eles quiserem, da forma que entenderem.

O Papa Francisco apesar de debilitado, nunca deixou de se preocupar com aqueles que sofrem o drama da guerra, da agressão e da discriminação devido à sua proveniência e pobreza, seja em Gaza, na Ucrânia ou nas fronteiras norte-americanas. É, na verdade, uma das poucas vozes que se levanta, com autoridade moral para denunciar as injustiças e pedir o respeito pela pessoa humana.

Como dizia o Papa Leão XIII (1810-1903): “A audácia dos maus alimenta-se da covardia e da omissão dos bons”. Por isso, não podemos ficar calados, mesmo sabendo da pequenez e da humildade da nossa voz. Mas, assim como uma cigarra, numa noite de verão, quase não se ouve se estiver sozinha. Mas, se forem centenas ou milhares, o silêncio da noite será quebrado pela sinfonia do seu canto e todos as escutarão.

Juntemos as nossas vozes, denunciemos aqueles que atiram a pedra e escondem a mão, apoiemos os mais fracos e desprotegidos, pois como diz o Salmo 34, 7: «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o e liberta-o das suas angústias.»

Sérgio Carvalho

SNS gastou quase 231 milhões de euros em 2024 com prestadores de serviço, mais 12,3% que em 2023

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Os gastos do Serviço Nacional de Saúde com a contratação de prestações de serviço atingiram quase 231 milhões de euros em 2024, mais 12,3% do que em 2023, revelam dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

“O SNS registou, durante o último ano, um aumento da necessidade de recursos a horas extra e contratação de prestações de serviço, um reflexo direto dos desafios enfrentados pelo sistema de saúde”, refere a ACSS numa resposta enviada hoje à agência Lusa.

A maior despesa foi com a contratação de médicos tarefeiros para prestarem serviço nas unidades do SNS, totalizando 213,30 milhões de euros, mais 11,2% que em 2023.

A estes somam-se 10,38 milhões de euros com enfermeiros e 7,27 milhões de euros com outros profissionais de saúde, perfazendo um total de 230,97 milhões de euros, representando um aumento de 12,3% relativamente aos 205,62 milhões de euros de 2023 e de 35,8% face aos 170,06 milhões de euros de 2022, referem os dados provisórios da ACSS.

Em 2024, a prestação de serviços feita por médicos traduziu-se em 5.147.859 horas, enquanto os serviços prestados por enfermeiros totalizaram 589.033 horas e a de outros profissionais de saúde 586.333 horas, totalizando 6,32 milhões de horas contratadas, mais 3,7% do que em 2023 e mais 11% relativamente a 2022.

Os dados revelam também que os médicos do SNS realizaram no ano passado 6,39 milhões de horas extraordinárias, o que representou uma despesa de 277,42 milhões de euros, um valor inferior aos 311,70 milhões de euros de 2023, ano em que os clínicos trabalharam 6,58 milhões de horas fora do horário normal.

De acordo com os dados da ACSS, os enfermeiros do SNS realizaram 5,61 milhões de horas extraordinárias em 2024, o que obrigou a um gasto de 107,78 milhões de euros, mais 20% que no ano anterior.

Relativamente aos outros profissionais de saúde, o SNS gastou 79,10 milhões de euros com 5,80 milhões de horas extras realizadas em 2024, mais 25,3% comparativamente a 2023.

No total, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde do SNS realizaram 17,82 milhões de horas extraordinárias em 2024, mais 5,1% que em 2023, que custaram ao Estado 464,30 milhões de euros, menos 0,05 face a 2023 e mais 15,4% comparando com 2022.

A ACSS divulgou também dados sobre o regime de dedicação plena no SNS que entrou em vigor em 1 de janeiro de 2024, assinalando “uma evolução positiva do número de aderentes durante o ano”.

No final de 2024 trabalhavam em dedicação plena 9.839 médicos, dos quais 5.690 nos cuidados de saúde hospitalares e 4.149 nos cuidados de saúde primários.

A Administração Central do Sistema de Saúde recorda que ao nível hospitalar, exceto para cargos de chefia, a adesão ao regime é voluntária.

Jovens portugueses começam a beber mais cedo e com mais situações de embriaguez severa

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foto ilustrativa: Notícias Em Direto

A idade de início do consumo de álcool entre os jovens portugueses agravou-se em 2023, assim como as situações de embriaguez severa, dos consumos de risco elevado e da dependência, segundo um relatório hoje divulgado.

Os dados constam do relatório anual sobre a situação do país em matéria de drogas e toxicodependências e álcool referente ao ano de 2023, do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), que hoje é apresentado na Assembleia da República.

Segundo o documento, que analisa dados de 2022 e 2023, “verificaram-se agravamentos ao nível das idades de início dos consumos, das prevalências do consumo recente e atual, das de embriaguez severa e dos consumos de risco elevado/nocivo e da dependência”, o que reforça “a tendência de aumento da dependência desde 2012, que quase quadruplicou em dez anos”.

O ICAD refere que relativamente ao álcool, e apesar de um aumento da abstinência face a 2017, não houve melhorias na maioria dos indicadores.

Os números apontam que entre os jovens de 18 anos houve “uma descida do consumo recente e atual em 2023” (normalmente contabilizam os dados referentes ao ano e último consumo), embora os valores da embriaguez severa nos últimos dois anos (2022 e 2023) tenham sido os mais altos desde 2015, salienta o documento.

O relatório destaca também que a experiência de problemas relacionados com o consumo de álcool sofreu, nos últimos três anos, “um aumento relevante” face aos anos pré-pandemia, havendo um agravamento nas mulheres.

Segundo o documento, o número de pessoas que iniciaram tratamento por problemas relacionados com o uso de álcool atingiu nos últimos dois anos os valores mais elevados da última década.

Em 2023 verificou-se, segundo os dados, uma diminuição das mortes por intoxicação alcoólica, de vítimas mortais de acidentes de viação sob a influência desta substância e nos internamentos hospitalares com diagnóstico principal atribuível à ingestão de álcool, mas aumentou o número de internamentos com um diagnóstico secundário de consumo.

No que respeita ao volume de vendas de bebidas alcoólicas, o relatório dá conta que, após descidas em 2020, houve uma recuperação posterior, com os valores de 2022 e 2023 a ultrapassarem já os níveis pré-pandémicos em quase todos os segmentos de bebidas alcoólicas.

Citando dados da Autoridade Tributária, o ICAD refere que em 2023 venderam-se em Portugal continental cerca de 612,5 milhões de litros de cerveja, 42,0 milhões de litros de outras bebidas fermentadas, 17,3 milhões de produtos intermédios e 10,0 milhões de litros de bebidas espirituosas.

O relatório anual sobre a situação do país em matéria de drogas e toxicodependências e álcool visa dar a conhecer a situação dos consumos no país e avaliar e monitorizar a evolução das metas definidas no Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências 2021-2030, numa lógica de saúde em todas as políticas.

Nicolás Maduro agradece ao Papa por canonizar “médico dos pobres” venezuelano

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O Presidente Nicolás Maduro agradeceu ao papa Francisco por ter autorizado a canonização do “médico dos pobres” venezuelano, José Gregorio Hernández, que será o primeiro santo da Venezuela.

“O papa Francisco está a lutar pela sua saúde e pela sua vida. E, no meio da sua luta pela vida, assinou a canonização do nosso santo José Gregorio Hernández. Que gesto tão grande, de caráter histórico”, disse.

Nicolás Maduro falava no palácio presidencial de Miraflores, na terça-feira, durante uma reunião com a Comissão Nacional para Reformar a Constituição, transmitida pela televisão estatal VTV.

“Quero felicitar todo o povo católico, o povo cristão, todo o nobre povo da Venezuela, porque há um século que estávamos à espera que fosse reconhecido e foi reconhecido”, disse.

Nicolás Maduro frisou que ele próprio se sentiu comovido com a notícia, que se transformou num dia de júbilo nas ruas da Venezuela, e acrescentou ter ouvido falar de dezenas de milagres atribuídos a José Gregorio Hernández.

“José Gregorio é o santo do povo da Venezuela, mas também de muitos outros lugares. Pedem [milagres] a José Gregório, é venerado e têm fé na Colômbia, no Panamá, no Equador, no Peru, no Chile, na Argentina. E mais além. José Gregorio pertence aos povos. A Venezuela venera-o porque é um dos seus filhos mais brilhantes. Sim, e eu estou feliz”, disse.

Maduro recordou a ação solidária de José Gregorio Hernández, sublinhando que como médico “não se limitava a atender os pobres sem cobrar-lhes nada, saía depois à procura de medicamentos que levava às pessoas nas suas casas humildes”.

“Era um homem de uma fé sem limites, que quis ser frade, sacerdote, mas não pôde”, frisou.

Nicolás Maduro convocou todos os venezuelanos a realizar uma “oração ecuménica” pela saúde do papa Francisco, às 19:00 horas de hoje (23:00 em Lisboa)

O Papa, hospitalizado desde 14 de fevereiro na sequência de uma pneumonia, autorizou na terça-feira a canonização de José Gregorio Hernandez.

“Chegou o dia tão esperado. O Papa Francisco assinou o decreto de canonização do nosso Beato José Gregorio Hernandez”, anunciou o cardeal venezuelano Baltazar Porras, num vídeo publicado nas redes sociais.

A data da canonização ainda não foi decidida num consistório, mas a Igreja Católica venezuelana já designa Hernández como “São José Gregorio”.

Na Venezuela, José Gregorio Hernandez (1864-1919) é considerado um herói nacional, e suscita devoção que ultrapassa clivagens políticas, religiosas e sociais.

O médico venezuelano distinguiu-se por ajudar os mais necessitados durante a epidemia da gripe espanhola, no início do século XX, que matou cerca de 1% da população.

José Gregorio Hernandez faleceu em 1919, aos 54 anos, atropelado por um carro em Caracas.

As imagens e estatuetas do beato, acompanhadas por velas e um copo de água, são comuns nas casas dos venezuelanos.

Hernandez foi beatificado em abril de 2021 perante um comité reduzido, devido à pandemia da covid-19.

A Igreja Católica considerou que lhe podia ser atribuída a realização de um milagre, nomeadamente por ter curado uma menina de 10 anos que havia sido atingida por um tiro na cabeça em 2017.

Segundo a Igreja, a criança sobreviveu após a mãe ter rezado ao médico falecido.

Papa Francisco continua em estado crítico mas estável

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foto: Vatican Media

O Papa Francisco continua em estado crítico, mas estável, ao entrar no 12.º dia de internamento no hospital Gemelli, em Roma, devido a uma pneumonia nos dois pulmões, informou o Vaticano.

“As condições clínicas do Santo Padre permanecem críticas, mas estáveis. Não se registaram episódios respiratórios agudos e os parâmetros hemodinâmicos continuam estáveis”, refere o boletim médico divulgado hoje à noite pelo Vaticano.

O Papa Francisco está a receber oxigénio e a ligeira insuficiência renal que sofreu no domingo “não é motivo de preocupação”.

Segundo o Vaticano, o Papa, de 88 anos, foi submetido a uma tomografia computadorizada para verificar o estado da infeção pulmonar, mas os resultados do exame ainda não foram divulgados.

Os médicos afirmam que o prognóstico continua a ser reservado.

“De manhã, depois de ter recebido a Eucaristia, retomou as suas atividades profissionais”, referiu o Vaticano.

De acordo com a Santa Sé, Francisco estava hoje suficientemente bem para se reunir no Hospital Gemelli, em Roma, com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e respetivo adjunto para aprovar novos decretos de candidatos a possíveis santos.

Na segunda-feira à noite, os médicos haviam dito que Francisco continuava em estado crítico com pneumonia dupla, mas relataram uma “ligeira melhoria” em alguns resultados laboratoriais.

No boletim mais otimista dos últimos dias, o Vaticano disse que Francisco tinha retomado o trabalho a partir do seu quarto de hospital, telefonando para uma paróquia na cidade de Gaza com a qual tem mantido contacto desde o início da guerra.

No domingo, o Vaticano disse que o Papa continuava em estado crítico e que alguns exames de sangue indicavam uma insuficiência renal leve, mas sob controlo.

O Papa Francisco foi hospitalizado em 14 de fevereiro, na sequência de uma pneumonia nos dois pulmões e teve uma crise respiratória na sexta-feira, que agravou o seu estado de saúde.

Secretário de Estado da Cultura diz ter cedido quota em empresa antes de tomar posse

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foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, negou ter participações em empresas imobiliárias, após informação divulgada pelo Bloco de Esquerda, acrescentando que cedeu a quota numa empresa comercial antes de tomar posse dia 13 de fevereiro.

“A declaração da coordenadora do Bloco de Esquerda de que sou detentor de uma sociedade imobiliária não corresponde à verdade. Antes de tomar posse, o que só aconteceu há menos de duas semanas (dia 13 de fevereiro), cedi a quota que detinha numa empresa comercial, tendo igualmente suspendido de imediato a minha inscrição na Ordem dos Advogados”, pode ler-se, num comunicado enviado pelo Ministério da Cultura.

Também a ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, negou hoje à noite ter participações em empresas imobiliárias, sublinhando que as suas fontes de rendimentos são públicas e que “em política não vale tudo”.

“A declaração da coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, acusando-me de ser detentora de empresas imobiliárias é mentira e o seu âmbito constitui uma falsidade atentatória do meu bom nome”, destacou Dalila Rodrigues, numa nota divulgada pelo Ministério da Cultura.

Dalila Rodrigues sublinhou que “à data da tomada de posse não era titular de qualquer participação social em qualquer sociedade comercial”.

“Tive no passado participação societária numa sociedade cujo objeto social é a prestação de serviços na área de arquitetura. Todavia, antes da tomada de posse, procedi à cedência da quota, facto que foi devidamente inscrito no registo comercial”, frisou.

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, avançou hoje que oito membros do Governo, incluindo a ministra e o secretário de Estado da Cultura, detêm empresas imobiliárias.

Mortágua lembrou ainda o caso do ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, apontando-o como o episódio mais grave do atual executivo.

“O ministro Castro Almeida, quando era autarca e presidente de Câmara, fez adjudicações por ajuste direto a uma empresa que era de um sócio do próprio ministro, o que coloca em causa a idoneidade de um político, de um ministro, para poder ocupar funções executivas”, justificou.

O partido indicou ainda que há 20 deputados com participações em empresas imobiliárias – 13 do PSD, quatro do Chega e três do PS – para sublinhar a importância de se escrutinar os interesses de quem legisla.

Mariana Mortágua apelou ao Presidente da República para que vete uma eventual mudança à lei dos solos que venha à sair do processo de apreciação parlamentar do diploma.

“O apelo que fazemos é também ao Presidente da República para que aprenda com os seus erros – parece-me que é isso que quer dizer a sua declaração – e que vete qualquer alteração à lei dos solos, no sentido de abrir mais as regras, que possa sair da Assembleia da República”, disse.

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