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Quarta-feira, Julho 8, 2026
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Alunos de Instituto Superior de Coimbra manifestam-se em Lisboa pela continuidade da instituição

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foto: © Felippe Vaz

Alunos do Instituto Superior Miguel Torga, de Coimbra, vão manifestar-se na quarta-feira, em Lisboa, para defender a continuidade da instituição e contestar a sua não acreditação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, revelou a associação de estudantes.

“Hoje temos as comemorações do 42.º aniversário da Associação de Estudantes e entendemos fazer, como primeiro ato destes 42 anos, um ato de manifestação, uma mobilização a Lisboa em defesa do Instituto Superior Miguel de Torga. Não vamos a Lisboa contra a A3ES [Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior], mas para defender a boa imagem e o bom nome do Instituto, como estudantes que estão ao lado da sua própria casa”, disse o presidente da Associação de Estudantes, Rui Morais.

Alunos do Instituto Superior Miguel Torga vão manifestar-se pelas 11:00 de quarta-feira, em frente à sede da A3ES, na Praça de Alvalade, em Lisboa.

Segundo os estudantes, a manifestação visa defender a continuidade desta instituição de ensino superior e contestar a sua não acreditação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), apesar de as suas dez licenciaturas e dois mestrados estarem acreditados pela própria A3ES.

Em 04 de setembro de 2024, a A3ES tomou a decisão de não acreditar o Instituto Superior Miguel Torga, determinando o seu encerramento.

A decisão, “somente sustentada em questões administrativas, ignorava a recente acreditação dos cursos do ISMT pela própria A3ES”, o que levou a que a instituição de Coimbra interpusesse uma ação e uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa.

A suspensão da eficácia da decisão da A3ES tem permitido ao instituto continuar a funcionar e a ministrar os seus cursos, tendo aberto vagas para o ano letivo 2025-2026.

“Queremos chamar a atenção para um paradoxo difícil de entender, que é quererem fechar uma instituição que tem um bom ensino e bons cursos acreditados pela A3ES. Ou seja, o Instituto Superior Miguel Torga tem 12 cursos – 10 licenciaturas e 2 mestrados – todos eles acreditados com excelência pela A3ES. No entanto, o Instituto que ministra esses mesmos cursos não é acreditado pela agência que acredita aos seus cursos”, lamentou Rui Morais.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Miguel Torga explicou que com esta mobilização pretendem demonstrar que esta “é uma instituição riquíssima e que acrescenta imenso, não só à Região de Coimbra, como ao país, e até ao próprio mundo”.

“Temos uma investigação riquíssima, enriquecedora para todas as áreas, essencialmente para a Psicologia e para o Serviço Social. Queremos defender não só os atuais 1.200 estudantes que temos, mas também os milhares de diplomados, licenciados, mestres e pós-graduados pelo Instituto Superior Miguel de Torga”, acrescentou.

Embora a manifestação em Lisboa seja uma iniciativa da exclusiva responsabilidade dos estudantes, a direção do Instituto Superior Miguel Torga diz compreender e respeitar plenamente a sua decisão.

“Os alunos do Miguel Torga sabem bem a escola que têm: os alunos são, ao longo dos 90 anos da história desta escola, os reais avaliadores da qualidade e da excelência do ensino, década após década, aqui ministrado”, afirmou o seu presidente, Manuel Castelo Branco.

Para o presidente da direção do ISMT, não faz qualquer sentido quererem encerrar uma instituição que “tem qualidade pedagógica e científica comprovada”.

“Não temos qualquer dúvida que os tribunais reconhecerão a qualidade dos cursos, anulando a iníqua, parcial e intencional decisão de uma entidade que, continuando a violar a lei e a ignorar decisões judiciais como até agora, não tem lugar num Estado de direito e democrático”, destacou.

O Instituto Superior Miguel Torga é propriedade da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra.

Publicado regime que permite seis conjuntos de provas de acesso ao ensino superior

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As instituições de ensino superior vão poder definir, a partir do próximo ano letivo, seis conjuntos de provas de ingresso como combinações para entrada num curso, duplicando o número de opções previstas.

A alteração ao regime de ingresso no ensino superior foi publicada hoje em Diário da República e prevê que “o número de elencos alternativos de provas fixado para cada par instituição/ciclo de estudos não pode ser superior a seis”.

No texto do diploma, o Governo justifica a mudança de três para seis conjuntos de provas de ingresso como forma de assegurar maior flexibilidade aos estudantes e potenciar o acesso ao ensino superior.

Com esta alteração, os candidatos ao ensino superior vão ter mais opções de exames nacionais que podem escolher como prova de ingresso, podendo as instituições fixar até seis elencos de disciplinas de provas para acesso a ciclos de estudo de licenciatura ou mestrado integrado.

Foi também publicada em Diário da República uma alteração ao estatuto do estudante internacional no que diz respeito aos critérios de exceção à noção de estudante internacional relacionados com a autorização de residência.

O decreto-lei publicado hoje estabelece para os estudantes com autorização de residência para estudo que o tempo de residência “releva durante o período em que (…) se encontre a frequentar o ensino secundário em Portugal”, situação que não estava contemplada nas regras anteriores.

O objetivo é “permitir que os estudantes que frequentem o ensino secundário em Portugal estejam nas mesmas condições, para o efeito da candidatura ao ensino superior, em que se encontram aqueles que tenham obtido autorização de residência por outras razões”.

Por outro lado, os estudantes nacionais dos Estados Partes no Acordo sobre o Espaço Económico Europeu passam a ser equiparados aos alunos oriundos dos Estados-Membros da União Europeia, constituindo igualmente exceções à noção de estudante internacional.

As novas regras aplicam-se nas candidaturas ao ingresso no ensino superior a partir do ano letivo de 2025/2026, mas não aos estudantes que já beneficiem do estatuto de estudante internacional.

Ministério Público acusa uma antiga ama da Marinha Grande de um crime de maus-tratos

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O Ministério Público (MP) acusou uma antiga ama, filmada em novembro de 2024 a dar palmadas a uma criança na Marinha Grande, de um crime de maus-tratos, segundo o despacho ao qual a agência Lusa teve hoje acesso.

No documento lê-se que a ama, de 63 anos, recebeu menores na sua residência, na Marinha Grande, pelo menos de janeiro de 2023 a 20 de novembro de 2024, que “ficaram ao seu cuidado e responsabilidade, durante o período temporal acordado com os pais, recebendo um valor monetário mensal” por tais funções que variou entre os 200 e os 300 euros.

O MP elenca depois as seis crianças que a mulher teve a seu cargo, incluindo a alegada vítima, que foi entregue “aos cuidados da arguida desde setembro de 2023, entre as 17:30 e as 10:00 do dia seguinte”, recebendo uma mensalidade de 300 euros.

“Tendo os referidos menores a seu cargo e à sua responsabilidade, deveria a arguida assegurar aos menores cuidados individualizados ao nível de alimentação, saúde, higiene, descanso, motivando os menores para uma relação afetiva que garantisse um desenvolvimento saudável e equilibrado”, refere-se no despacho de acusação da Secção de Pombal do Departamento de Investigação e Ação Penal.

De acordo com o despacho de acusação, em 17 de novembro de 2024, pelas 18:00, a criança foi entregue à arguida, com o pai a informar que “a menor tinha alguma febre”.

Na manhã seguinte, a ama, após a criança, que ainda não tinha completado dois anos, se ter sujado, colocou-a na banheira e desferiu-lhe “várias pancadas, de mão aberta”.

“Ato contínuo, ligou o chuveiro e lavou a menor com água fria enquanto gritava para a menor”, adianta o MP, relatando as expressões da arguida.

O MP sustenta que “a arguida desferiu cerca de 20 palmadas, com força, que atingiram a menor na zona lombar e anca, antes de lhe dar banho, enquanto lhe dava banho com água fria e depois de lhe dar banho”.

A menor “chorou muito, sofreu dores”, além de apresentar equimoses e um eritema, que lhe determinaram dois dias de doença.

Para o MP, a arguida “sabia do estado debilitado da menor”, pois telefonou à mãe desta “pedindo-lhe autorização para lhe administrar paracetamol”, tendo agido com o “propósito concretizado de molestar o corpo” daquela, “desferindo-lhe várias pancadas com a mão aberta e dando-lhe banho de água fria, amedrontando-a e causando-lhe dores e as referidas lesões”.

Ainda segundo o despacho, a arguida demonstrou “um total desrespeito e desconsideração pela menor, ciente das suas debilidades físicas inerentes à sua idade, maltratando, assim, a sua saúde física e psicológica, o que representou e quis”.

O MP, que requer o arbitramento de indemnização para a criança, pede que se mantenham as medidas de coação à arguida: proibição de contactar menores de 14 anos, com exceção de familiares, e apresentações periódicas em posto policial no concelho onde agora reside.

Segundo informação do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a ama não tinha atividade licenciada.

O julgamento realiza-se na Marinha Grande e a arguida incorre numa pena de prisão de um a cinco anos.

“Vale a pena enfrentar ondas contestatárias” para cumprir uma convicção – Montenegro

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foto: Arlindo Homem

O primeiro-ministro apontou hoje a privatização da OGMA como um exemplo de que, por vezes, “vale a pena enfrentar algumas ondas contestatárias” para cumprir uma convicção, reiterando que não deve ser o Estado a escolher as áreas onde investir.

Luís Montenegro presidiu à cerimónia que assinalou os 20 anos de privatização da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, localizada em Alverca (Lisboa), que contou também com os ministros da Defesa Nacional, Nuno Melo, da Economia, Pedro Reis, e do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general João Cartaxo Alves.

Na sua intervenção, recordou que cumpria o seu primeiro mandato como deputado quando foi decidida a privatização da OGMA e salientou que “não era nada consensual a decisão que se estava a tomar”: “Havia dúvidas, muitos manifestavam o seu pessimismo relativamente ao modelo que estava a ser sugerido e que viria depois a ser decidido, desta autêntica Parceria Pública Privada”, referiu.

“Às vezes, de facto, vale a pena enfrentar algumas ondas contestatárias, vale a pena arriscar, vale a pena ousar, ir à procura de cumprir uma convicção, um modelo, claro, com sustentação. Não estamos a falar de aventuras, estamos a falar de projetos sustentados, estudados, alicerçados”, afirmou, numa altura em que o país enfrenta uma crise política e se preparar para ir novamente para eleições antecipadas a 18 de maio.

O primeiro-ministro demissionário aproveitou ainda a sua intervenção para voltar a criticar, sem dizer destinatários, uma proposta que tem sido defendida pelo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos.

“Nesta altura em que alguns sustentam a ideia de que o Estado deve definir as áreas económicas nas quais o país deve alocar os seus recursos, nós temos uma filosofia diferente. O país é que escolhe as áreas onde é competitivo e depois o Estado, naturalmente, está cá para ajudar (…) A economia gera-se por si própria e o Estado não deve atrapalhar”, defendeu.

O Estado português detém 35% desta empresa de indústria aeronáutica, através da idD Portugal Defence, sendo a acionista maioritária a brasileira Embraer, com 65% do capital.

Três detidos em operação de combate à exploração laboral de imigrantes em Almada e Sesimbra

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Pelo menos três pessoas foram detidas e apreendidas embarcações, viaturas, droga, armas e munições na operação de combate à angariação e exploração de mão-de-obra estrangeira que está a decorrer em Almada e Sesimbra, revelou hoje a GNR.

“Neste momento já foram detidas três pessoas, dois homens e uma mulher, de idades entre os 43 e os 62 anos, foram identificados 16 imigrantes e apreendidas várias embarcações e viaturas, 200 doses de haxixe e cinco armas e 300 munições”, disse à agência Lusa o major Ilídio Barreiros, 2º Comandante do Grupo de Guarda de Fronteiras da GNR.

“Estes dados ainda são provisórios porque a operação ainda está a decorrer e não sabemos o que poderá resultar das buscas que ainda estão em curso e que incidem sobre empresas, embarcações, armazéns comerciais e de aprestos e escritórios de contabilidade”, acrescentou o responsável da GNR.

Na operação de combate à angariação e exploração de mão-de-obra estrangeira para a pesca profissional local e costeira, estava prevista a execução de um total de 41 mandados de busca, seis domiciliárias e 35 não domiciliárias, para recolha de elementos de prova complementares, em Almada e Sesimbra, no distrito de Setúbal.

De acordo com a GNR, algumas das embarcações e armazéns de aprestos, sem condições mínimas de higiene e de segurança, serviam de alojamento a mais de uma dezena de imigrantes.

Em comunicado hoje divulgado, a GNR esclarece que a operação policial está a ser desenvolvida pela Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF), no âmbito de um inquérito criminal tutelado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Évora, que investiga os crimes de angariação de mão-de-obra ilegal, fraude fiscal, falsificação de documentos e falsidade informática.

O comunicado adianta que as diligências policiais em curso resultaram da identificação de cidadãos estrangeiros em situação irregular no país, a viver em situações degradantes e explorados como mão-de-obra ilegal.

A GNR salienta ainda que a operação, batizada com o nome `Dignitas´, envolve “mais de 130 militares, que contam com o apoio da Autoridade Tributária (AT), da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), de equipas multidisciplinares especializadas para a assistência a vítimas de tráfico de seres humanos da Associação para o Planeamento da Família (APF), contando ainda com a presença de magistrados do Ministério Público”.

Ano de 2024 com maior volume de apostas desportivas de sempre

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O ano de 2024 teve o maior volume de apostas desportivas online de sempre (2.053,2 milhões de euros), de acordo com o relatório trimestral do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos do Turismo de Portugal divulgado.

O quarto trimestre do ano passado registou um volume de jogo em apostas desportivas à cota de 533,7 milhões de euros (ME), o segundo maior de sempre, apenas atrás dos 573,9 ME dos primeiros três meses de 2024.

O montante calculado no último trimestre do ano passado é ligeiramente superior ao período homólogo de 2023, quando o volume de apostas desportivas se saldou em 532,1, mas 9,5% superior quando comparado com os três meses anteriores (484,4 ME).

Feitas as contas anualmente, estes dois mil milhões do ano passado são o mais elevado volume de apostas desportivas online de sempre, mais 331,6 ME do que o total de 2023 (1.721,6 ME) e mais meio milhão do que o de 2022 (1.482,1 ME).

Já em 2021 o volume de apostas ascendeu a 1.402,9 ME, a que, juntando os 808,1 de 2020, totaliza em 7.467,9 ME o total dos últimos cinco anos.

Este maior volume de apostas anual corresponde também ao de maior valor de receita bruta, de 433,4 ME, superando também o anterior máximo, registado em 2023 (324,4 ME), de acordo com o relatório do quarto trimestre de 2024, do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos do Turismo de Portugal.

Os 138,3 ME da receita bruta das apostas desportivas à cota dos três últimos meses de 2024 são também o montante mais elevado de sempre, num ano em que apenas o terceiro trimestre ficou abaixo dos 100 ME neste capítulo – 100,6 ME no primeiro, 103,3 ME no segundo e 91,2 no terceiro.

Mais uma vez, entre outubro e dezembro de 2024, o futebol foi a modalidade preferida dos apostadores, com 75%, superando, novamente, o ténis (10,5%) e o basquetebol (10,2%), enquanto as restantes foram alvo de 4,3% das apostas.

A Liga dos Campeões e a I Liga foram as competições com mais apostas no futebol, com 10,7 % em cada, seguindo-se a Premier League (10,1%).

No ténis, os apostadores investiram nos Masters 1.000 de Paris e Xangai, com 13,4% do total de apostas da modalidade nestes dois torneios, enquanto a Liga norte-americana (NBA) foi a preferida, representando 51,6% das apostas no basquetebol.

Rui Moreira diz que país “está capturado” por entidades intermédias do Estado

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O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, afirmou que o país “está capturado” pelos serviços e entidades intermédias da administração pública, que “corroem as democracias” e sobre as quais “não há escrutínio”.

“O país está capturado pelos níveis intermédios [do Estado] e os níveis intermédios, em termos de transparência, não são escrutinados”, afirmou Rui Moreira, durante a Assembleia Municipal do Porto, que decorreu na segunda-feira à noite.

As críticas do autarca surgiram no decorrer da discussão sobre a construção de unidades de produção de eletricidade de fonte renovável para autoconsumo coletivo em bairros sociais.

Aos deputados municipais, Moreira esclareceu que, depois de dois anos à espera da autorização da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) para criar a primeira comunidade energética no bairro do Agra do Amial, que envolve 70 famílias, o município aguarda agora que sejam aprovados os contratos com mais 28 famílias que vivem nas proximidades.

“Em junho já tínhamos baterias instaladas, mas estamos à espera da autorização para as usar”, referiu, dizendo que o país é governado “por um conjunto de burocratas cujos interesses objetivos não são avaliados”.

“Alguém manda e esse quem manda não está devidamente escrutinado. Isto corrói a democracia. Essa transparência não é avaliada”, reforçou, defendendo que se deveriam retirar poderes a estas entidades.

“Incomoda-me que a comunicação social não se preocupe com esta matéria, que o Ministério Público não se preocupe com esta matéria e que os partidos não se preocupem com esta matéria. Era muito fácil, extingue-se a DGEG e certifica-se ‘a posteriori’, mas objetivamente não querem. O país continua a assobiar para o lado e preocupado com novelas mexicanas”, afirmou.

As críticas estenderam-se à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com o autarca a criticar a falta do plano de praia, assim como o futuro do Edifício Transparente e outras infraestruturas face ao Programa da Orla Costeira Caminha-Espinho.

Sobre a APA, o autarca deu ainda como exemplo um problema que o município enfrenta “com a remoção das terras que estão a ser escavadas” na obra de requalificação da Biblioteca Pública Municipal do Porto.

“O entendimento da APA é que, quando se escavam terras, essas terras têm de ser levadas e só há duas empresas em Portugal que tratam dessas terras. Nós não as podemos utilizar quando precisamos de terras ali ao lado (…). O nosso azar é que as terras não são raras porque senão o sr. [Vladimir] Putin e o sr. [Donald] Trump já estavam a negociar”, afirmou, em referência aos presidentes da Rússia e dos Estados Unidos, respetivamente.

Para Rui Moreira, as competências destas instituições deveriam passar para as Comunidades Intermunicipais, Áreas Metropolitanas ou municípios de maior dimensão, acabando-se com “estes níveis intermédios” da administração central.

O município do Porto instalou em 2022 dois sistemas fotovoltaicos distintos, com vista a criar uma comunidade energética renovável entre as habitações das mais de 180 famílias do Bairro de Agra do Amial e a Escola Básica da Agra, no âmbito do projeto Asprela + Sustentável.

O projeto foi aprovado em 2021 no âmbito do programa Ambiente, Alterações Climática e Economia de Baixo Carbono, promovido pelo EEA Grants (mecanismo financeiro do espaço económico europeu).

Novos Tempos: Há que ensinar e viver as virtudes cardeais

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

Na Constituição Pastoral «Gaudium et Spes», sobre a Igreja no mundo atual, o Concílio Vaticano II afirma, logo no proémio que «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.»(GS 1)

A partir desta afirmação, nenhum cristão pode ficar indiferente ou calado diante de tudo aquilo que acontece no mundo e tem de reagir, de acordo com a sua consciência e sentido crítico.

Para agir corretamente, o ser humano precisa de exercitar, na sua vida, as chamadas «virtudes cardeais» que devem ser, como o nome indica, o eixo da sua ação. Em latim, «cardo» significa eixo central e até a rua principal a partir da qual se fazia o planeamento urbano, nas cidades do império romano.

As virtudes cardeais são, assim, capacidades humanas, eixos, que através do seu exercício, possibilitam ao ser humano a capacidade de uma vida em sociedade mais humana. As quatro virtudes cardeais são a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança.

Penso que nunca, como nos dias de hoje, foi tão necessário ensinar e praticar estas virtudes. Olhamos para o panorama internacional e para o interior de muitas nações e observamos, como tudo isto faz falta e está tão alheado da esfera pública.

A prudência é necessária para saber escolher entre o bem e o mal, ou até, na falta de um bem, o mal menor. A justiça capacita-nos para dar a cada um o que lhe é devido e a colocar as coisas no seu devido lugar. A fortaleza é a virtude que nos permite resistir às contrariedades e perseverar no caminho do bem. E a temperança dá-nos a capacidade de usar os bens existentes, sem excessos ou consumismos, nunca escravizando ninguém ou destruindo aquilo que está ao nosso dispor.

Como seria útil para o bem comum e a vivência em sociedade se cada um nós praticasse estas virtudes e se as ensinasse pelo seu exemplo e palavra em todos os espaços e meios de que dispõe.

Veríamos que os mais fortes não humilhariam os mais simples e fracos; os corruptos não ousavam vangloriar-se das suas fraudes, nem desviar para paraísos fiscais as riquezas de todos nós; os bons teriam coragem e meios para reagir e repor a justiça. E os bens materiais seriam sabiamente distribuídos e estariam acessíveis a todos.

Tudo isto pode parecer uma utopia, mas tem de ser uma realidade que devemos procurar e fazer germinar. Não podemos ficar em silêncio, diante dos imperialismos, dos clientelismos, dos extremismos e dos populismos. Temos de reagir com virtuosidade e combater tudo aquilo que na sociedade contemporânea faz sofrer tantos e tantos seres humanos.

Será que podemos compactuar com os caprichos de quem tem mais riqueza pessoal do que muitos países soberanos? Será que é justo alguém ter uma fortuna, a qual se fosse dividida por cada ser humano caberia a cada pessoa um milhão de dólares? Será que acordos assinados com as armas apontadas à cabeça são acordos justos? Será que é lícito perguntar ao agressor se concorda que a sua vítima pare de se defender?

Se calhar não era mal pensado tornar o ensino das virtudes uma matéria obrigatória nos programas escolares e todos terem de resolver situações práticas, em casos da vida, para construírem a sua consciência ética e moral, baseada na reta razão.

Sérgio Carvalho

Agitação marítima em Supertubos suspende prova do circuito mundial de surf

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foto: João Polónia/Notícias Em Direto

A competição da etapa de Peniche do circuito principal da Liga Mundial de Surf (WSL) foi hoje interrompida, encurtado o terceiro dia de espera, face ao agravamento das condições meteorológicas e da agitação marítima.

Durante a manhã, a organização foi adiando o arranque da prova devido às condições do mar, com a ondulação a ‘crescer’, permitindo o arranque dos quartos de final do quadro feminino às 11:05, ficando definidas em duas horas as quatro as semifinalistas.

A norte-americana Caroline Marks, campeã mundial em 2023 e campeã olímpica em 2024, vencedora da etapa lusa em 2019, vai discutir a primeira meia-final com a australiana Molly Picklum, enquanto a canadiana Erin Brooks e a havaiana Gabriela Bryan vão disputar a segunda semifinal.

Quando começou a competição masculina, a ondulação estava já com ondas muito grandes e tubulares, graças ao vento leste que é favorável para a sua formação na Praia de Supertubos.

Mas começou a chover com grande intensidade e, pouco depois, houve uma mudança drástica na direção do vento, que levou a WSL a suspender a prova após a conclusão de apenas três das 16 baterias previstas.

Enquanto durou a prova masculina, o australiano Jack Robinson foi o grande destaque, com dois ‘tubos’ de grande dimensão, que lhe valeram a vitória sobre o havaiano Ian Gentil, logo na primeira bateria da terceira ronda.

Depois, foi a vez de o australiano Liam O’Brien bater o norte-americano Crosby Colapinto, e de o ‘canarinho’ Yago Dora afastar o compatriota Samuel Pupo, antes de a competição ser suspensa.

A forte ondulação aliada ao pico da maré cheia (pelas 16:30) levou mesmo à retirada preventiva dos espetadores do areal, por segurança.

Isto, enquanto a organização do evento retirava as estruturas que podiam ser potencialmente afetadas pelas ondas cada vez maiores.

A próxima chamada do Meo Rip Curl Pro Portugal, terceira das 12 etapas do circuito mundial, cujo período de espera arrancou no sábado e decorre até 25 de março, está marcada para terça-feira, às 06:45.

MP de Braga acusa casal de burlas com negócios de veículos publicitados em ‘sites’

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O Ministério Público (MP) na Comarca de Braga acusou um casal da coautoria de 10 crimes de burla qualificada, relacionados com a compra e venda de veículos e outros bens publicitados em ‘sites’, foi hoje anunciado.

Em nota publicada na sua página, a Procuradoria-Geral Regional do Porto acrescenta que um dos arguidos está ainda acusado dos crimes de ofensa à integridade física e ameaça agravada.

O MP considerou indiciado que os arguidos, que viviam em união de facto desde 2019, “engendraram um esquema para obterem vários bens e valores”, que puseram em prática entre 2021 e 2022.

“Apresentavam-se como compradores credíveis e bem-intencionados para adquirirem veículos automóveis e outros produtos, fazendo com que os vendedores, confiando na seriedade do negócio, lhes entregassem esses bens, esperando o pagamento do preço acordado, que os arguidos nunca tiveram intenção de satisfazer”, refere a nota.

Ainda segundo o MP, os arguidos “demonstravam interesse na compra de veículos automóveis e outros produtos, publicitados em ‘sites’, e para a concretização dos negócios exibiam comprovativos de alegadas transferências bancárias, que na verdade nunca realizavam, nem podiam realizar, pois não tinham saldo bancário que permitisse essa transação”.

As vítimas, munidas dos comprovativos, que não passavam de agendamentos de operações bancárias, assinavam os documentos necessários para o registo de propriedade dos veículos, figurando como adquirentes os arguidos, ou entregavam-lhes os bens, como uma “playstation” e um conjunto de peças de vestuário no valor de 620 euros.

Durante a investigação, os veículos automóveis foram recuperados e o Ministério Público requereu a perda a favor do Estado de outras vantagens obtidas pelos arguidos, no valor global de 4.340 euros.

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