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Sábado, Junho 27, 2026
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Garrafas e latas ficam 10 cêntimos mais caras a partir de sexta-feira — mas pode recuperar o dinheiro

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Desde da passada sexta-feira, comprar bebidas em garrafa de plástico ou lata vai implicar pagar mais 10 cêntimos por embalagem, no âmbito do novo sistema nacional de depósito e reembolso “Volta”. O valor, no entanto, não é um aumento definitivo: pode ser recuperado se devolver a embalagem vazia.

O novo sistema aplica-se a embalagens de uso único até três litros, feitas de plástico, metal ou alumínio, como garrafas de água, sumos, refrigerantes, cervejas ou bebidas energéticas. No momento da compra, o depósito de 10 cêntimos surgirá separado na fatura e não está sujeito a IVA.

Para recuperar o valor, os consumidores terão de devolver as embalagens em mais de 2.500 máquinas automáticas espalhadas pelo país, além de milhares de pontos de recolha manual. As embalagens têm de estar vazias, inteiras, com tampa (nas garrafas), código de barras legível e, sobretudo, apresentar o símbolo “Volta” no rótulo.

Até 9 de agosto, haverá um período de transição, durante o qual ainda coexistirão no mercado embalagens com e sem o símbolo “Volta”. As embalagens antigas não dão direito a reembolso, porque não pagaram o depósito no momento da compra.

O objetivo do sistema é aumentar a reciclagem e ajudar Portugal a atingir a meta de 90% de recolha seletiva até 2029, reduzindo o lixo nas ruas, praias e aterros.

Presidente da República visita Leiria e mostra preocupação e solidariedade

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António José Seguro começou por visitar as casas modulares, nos Pousos, onde conversou com algumas das pessoas realojadas, depois de terem perdido as suas habitações com a depressão Kristin.

No Jardim Luís de Camões, percorreu a exposição fotográfica que retrata os efeitos do mau tempo no nosso concelho.

Depois de reuniões com familiares das vítimas e com empresários, o Presidente da República testemunhou o impacto na EB 2 de Marrazes e no Pavilhão Desportivo de Marrazes.

Esta visita reforça a importância nacional dos desafios que enfrentamos e incentiva a que continuemos a ReErguer Leiria.

Euro Winners Cup regressa à Nazaré em junho

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O areal da Nazaré volta a ser palco da Euro Winners Cup. Entre os dias 5 e 14 de junho, o Estádio do Viveiro “Jordan Santos” recebe, pelo décimo ano consecutivo, esta competição de referência internacional.

A realização desta prova de futebol de praia resulta de um acordo de colaboração entre o Município da Nazaré, a empresa municipal Nazaré Qualifica e a Pro Beach Soccer, entidade internacional organizadora, reforçando uma parceria sólida que tem projetado o nome da Nazaré além-fronteiras.

Mais do que competição, a Euro Winners Cup é espetáculo, emoção e identidade. É o encontro dos melhores clubes europeus, nas vertentes masculina e feminina, num cenário único onde o desporto se cruza com o mar, a paixão e a energia do público.

Este evento continua a afirmar-se como um motor de dinamização económica e turística, atraindo milhares de visitantes e contribuindo para a projeção internacional da marca Nazaré.

Bata Branca ultrapassa as 69 mil consultas e reforça cuidados de saúde de proximidade em Leiria

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O projeto Bata Branca, promovido pelo Município de Leiria, já realizou 69 547 consultas desde o seu início, em janeiro de 2024, afirmando-se como uma resposta relevante no acesso a cuidados de saúde primários no concelho.

Atualmente presente em 15 freguesias, o programa dirige-se sobretudo às populações que vivem em zonas onde os centros de saúde estão encerrados ou onde não existe médico de família disponível, garantindo assim uma resposta mais próxima e acessível.

O Bata Branca assegura cuidados de saúde primários a utentes sem médico de família, funcionando de forma complementar ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e contribuindo para melhorar o acesso aos cuidados médicos no território.

Neste momento, o projeto conta com 25 médicos, que, desde o arranque da iniciativa, já asseguraram 34 773 horas de consultas, reforçando a capacidade de resposta às necessidades da população.

O investimento realizado ascende a 556 368 euros, sendo o financiamento partilhado entre a Administração Central do Sistema de Saúde e o Município de Leiria. A gestão e execução do projeto estão a cargo da Santa Casa da Misericórdia.

Com o Bata Branca, o Município de Leiria reforça o seu compromisso com a promoção da saúde e do bem-estar da população, apostando em soluções que garantem maior proximidade e equidade no acesso aos cuidados de saúde.

Festival de Teatro Juvenil regressa para a 31.ª edição

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Entre os dias 19 de abril e 14 de junho realiza-se a 31.ª edição do Festival de Teatro Juvenil (FTJ), uma iniciativa que promove o teatro e a expressão dramática junto da comunidade escolar, através da apresentação de peças produzidas pelas escolas participantes.

O festival decorrerá no Teatro Miguel Franco, no Teatro José Lúcio da Silva e na Black Box, reunindo cerca de 500 participantes, entre alunos, professores e colaboradores de vários ciclos de ensino.

Com a participação especial de estudantes dos concelhos de Ansião, Batalha, Marinha Grande e Ourém, e também de Grupos de Teatro, o Festival de Teatro Juvenil proporcionará ao público um programa desafiante e diversificado.

Esta é uma iniciativa que assume o teatro como uma importante atividade complementar de ação educativa e de enriquecimento cultural, incentivando a criatividade, o espírito crítico, o trabalho em equipa e a expressão artística dos jovens participantes.

A sessão de abertura terá lugar no dia 19 de abril, às 16h00, no Teatro José Lúcio da Silva, com a peça HEQET, pela Companhia Absurda, seguindo-se várias apresentações de escolas até ao dia 14 de junho (programa em anexo). A entrada é gratuita e aberta ao público em geral.

Com mais de três décadas de existência, o Festival de Teatro Juvenil continua a afirmar-se como um espaço de encontro entre escolas, alunos, professores e comunidade, promovendo o teatro como uma forma de expressão artística e de desenvolvimento pessoal e cultural.

As reservas de bilhetes podem ser efetuadas na Divisão de Programas Educativos através do email: educacao@cm-leiria.pt, ou do telefone: 244 839 640 (Chamada para a rede fixa nacional).

“500 Anos Depois: Memória, Justiça e Pontes de Futuro para o Povo Cigano”

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Assinalam-se, a 8 de abril de 2026, os 500 anos do alvará promulgado por D. João III, em 1526, que determinou a expulsão e perseguição das comunidades ciganas em Portugal. Meio milénio depois, esta data impõe-se não apenas como memória de um passado marcado pela exclusão, mas sobretudo como um apelo à consciência coletiva, à justiça histórica e à construção de um futuro mais digno e inclusivo.

Nesta entrevista, Hélder Afonso, diretor da Pastoral Nacional dos Ciganos, reflete sobre o peso dessa herança, ainda visível nas desigualdades e no preconceito persistente, mas também sobre os sinais de esperança que emergem da resiliência e da riqueza cultural do povo cigano. Num diálogo que cruza história, sociedade e Igreja, emerge um desafio claro: transformar a memória em compromisso, derrubar muros de desconfiança e construir pontes de fraternidade.

Mais do que revisitar o passado, esta conversa convida-nos a olhar o presente com lucidez e o futuro com responsabilidade, reafirmando que a inclusão não é uma concessão, mas um direito fundamental de toda a pessoa humana.

Sérgio Carvalho (SC) – Que significado tem esta data para a comunidade cigana em Portugal?

Hélder Afonso: O marco deste meio milénio não deve ser apenas uma memória de sofrimento, de políticas repressivas e de anticiganismo estrutural, mas sim um ponto de viragem. Como salientei na Mensagem para o Dia Internacional dos Ciganos de 2026, esta efeméride reveste-se de um simbolismo marcante. É o momento de reconhecermos o contributo inestimável de mais de meio milénio de vida cigana para a cultura e identidade nacionais. Apesar de cinco séculos de convivência forçada e muitas vezes dolorosa, as portuguesas e os portugueses ciganos têm demonstrado uma força inabalável e uma resiliência notável face à adversidade.

SC – Este documento marcou o início de séculos de marginalização. De que forma essa herança histórica ainda se faz sentir na vida das comunidades ciganas hoje?

Hélder Afonso: O preconceito é, infelizmente, uma herança pesada que se transmite de geração em geração. O anticiganismo continua profundamente enraizado na nossa sociedade. Os dados são elucidativos e preocupantes: um inquérito recente revelou que mais de metade das pessoas de etnia cigana em Portugal já sofreu discriminação, um número dramaticamente superior ao da população em geral. Esta exclusão manifesta-se de forma concreta no acesso à habitação, na educação e no mercado de trabalho, perpetuando ciclos de pobreza que aprisionam sucessivas gerações e mantêm grande parte desta comunidade à margem da sociedade.

SC – A Igreja tem refletido cada vez mais sobre a memória histórica e as feridas do passado. Considera que este é também um momento de exame de consciência para a sociedade e para a própria Igreja?

Hélder Afonso: Sem dúvida. A Igreja Católica iniciou um caminho de aproximação e reconciliação perante o peso desta história de sofrimento. Recordo o histórico encontro de Pomezia, em 1965, quando o Papa Paulo VI mudou o paradigma da exclusão ao afirmar aos ciganos: “Vós na Igreja não estais às margens, vós estais no centro, vós estais no coração. Vós estais no coração da Igreja”. Mais recentemente, em 2019, na Roménia, o Papa Francisco sentiu a necessidade de pedir perdão em nome da Igreja, reconhecendo que, ao longo da história, os discriminámos e maltratámos “com o olhar de Caim em vez do de Abel”. Este exame de consciência é imperativo para toda a sociedade.

SC – Que papel tem tido a Pastoral dos Ciganos na promoção da dignidade, inclusão e reconhecimento cultural do povo cigano?

Hélder Afonso: A Pastoral dos Ciganos procura ser um construtor de pontes, seguindo o apelo do Papa Francisco na encíclica Fratelli Tutti. O nosso papel é promover o diálogo, escutar e respeitar. Trabalhamos para que a integração seja defendida para todos, sem exceção, compreendendo que dialogar com “o outro” não exige que este abdique da sua própria identidade ou renegue os seus princípios culturais. Procuramos dar visibilidade aos exemplos inspiradores de superação na comunidade e reiterar o compromisso de combater o anticiganismo em todas as suas frentes, lembrando sempre que a inclusão é um direito e o respeito mútuo é um dever.

SC – Muitas vezes, o desconhecimento gera preconceito. Quais são, na sua perspetiva, os maiores estereótipos que ainda persistem em relação aos ciganos em Portugal?

Hélder Afonso: Os estereótipos são usados para excluir e levantar fronteiras. O medo do outro, quando se transforma em rejeição e hostilidade, torna-se um problema social corrosivo. O anticiganismo, reconhecido pelo Conselho da Europa como uma forma específica de racismo, alimenta-se do desconhecimento. Muitas vezes, a sociedade associa a comunidade cigana à marginalidade, ignorando a riqueza da sua cultura e a sua capacidade de integração. No entanto, como vemos hoje, há cada vez mais jovens a quebrar barreiras, a frequentar o ensino superior, a assumir cargos de representação política e a destacar-se nas artes, provando que o futuro pode e deve ser diferente.

SC – Como pode a Igreja, nas suas paróquias e comunidades, contribuir concretamente para uma maior integração e acolhimento das famílias ciganas?

Hélder Afonso: A Igreja e a sociedade civil são chamadas a imitar a pureza das crianças, que não conhecem o preconceito e procuram apenas conviver em paz, superando as distinções que os adultos tantas vezes impõem. Concretamente, as paróquias devem ser espaços de acolhimento incondicional. Como sublinhou o Papa Leão XIV no Jubileu dos Ciganos de 2025, devemos respeitar a fraternidade universal, lembrando que “todo ser humano nasce à imagem de Deus” e que “somos todos irmãos e irmãs”. É fundamental promover a educação inclusiva e apoiar as famílias no acesso equitativo à habitação e ao emprego, recusando os estereótipos fáceis e educando para a convivência.

SC – Este aniversário pode ser também uma oportunidade pedagógica. Que iniciativas estão previstas (ou deveriam ser promovidas) para assinalar esta data de forma construtiva?

Hélder Afonso: Esta data deve ser um catalisador para a ação política e social. É inadmissível que, em 2026, Portugal ainda não tenha uma Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas. A ausência deste instrumento perpetua desigualdades históricas e a segregação habitacional e escolar. Como Diretor Nacional da Pastoral dos Ciganos, apelo urgentemente aos decisores políticos para que avancemos com esta Estratégia Nacional . Devemos também promover espaços de diálogo, partilhar a riqueza da cultura cigana e celebrar os exemplos de sucesso que nos inspiram a construir um país verdadeiramente inclusivo.

SC – A cultura cigana é rica em valores como a família, a solidariedade e a espiritualidade. Que contributo específico pode oferecer à Igreja e à sociedade portuguesa?

Hélder Afonso: A cultura cigana tem um contributo inestimável a oferecer. A figura do Beato Zeferino Giménez Malla reflete perfeitamente estes valores: a promoção da vida, a centralidade da família, o acolhimento incondicional e a alegria de viver. As comunidades ciganas são verdadeiras peritas na fraternidade e na solidariedade. O Papa Leão XIV exortou os ciganos a fazerem “conhecer a beleza da sua cultura”, partilhando a fé, a oração e o pão fruto do trabalho honesto. Estes valores são essenciais para construir uma convivência verdadeira e pacífica, lembrando-nos de que as diferenças culturais não podem servir de desculpa para o afastamento ou a desconfiança.

SC – O Papa tem insistido numa Igreja “em saída” e inclusiva. Como se concretiza este apelo junto das comunidades ciganas?

Hélder Afonso: Concretiza-se sendo “protagonistas da mudança de época em curso”, como pediu o Papa Leão XIV. Significa ir ao encontro das periferias, não apenas geográficas, mas existenciais. O Papa Francisco lembrou-nos que devemos ter “um coração maior, ainda mais amplo: sem ressentimentos”, para seguir em frente com a dignidade da família, do trabalho e da oração. Uma Igreja “em saída” é aquela que não espera que os marginalizados venham até ela, mas que vai ao seu encontro, reconhecendo o valor incondicional de cada ser humano e trabalhando ativamente para derrubar os muros da desconfiança e do medo através do respeito e da solidariedade.

SC – Que mensagem gostaria de deixar, neste marco dos 500 anos, tanto à comunidade cigana como à sociedade em geral?

Hélder Afonso: À comunidade cigana, deixo uma mensagem de esperança e encorajamento: que a dignidade do trabalho e da oração sejam a vossa força para derrubar os muros da desconfiança, como nos pediu o Santo Padre. Continuem a ser exemplos de resiliência e superação. À sociedade em geral e aos decisores políticos, o meu apelo é claro: a inclusão não é um privilégio, é um direito; o respeito mútuo não é uma opção, é um dever. Que saibamos olhar para o futuro com esperança inabalável, construindo pontes de diálogo e promovendo uma convivência pacífica e justa para todos. Em nome da humanidade, só a justiça e a igualdade!

Notas biográficas

Hélder Albertino Carneiro Afonso, natural da Paróquia de Mouçós, em Vila Real, é um profissional com um percurso sólido e diversificado nas áreas da educação, intervenção social e pastoral.

Licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa – Porto e em Serviço Social pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, é ainda Mestre em Ciências Religiosas pela Universidade Católica Portuguesa – Braga. Exerce funções como professor do Ensino Básico e Secundário, nas áreas da Educação Especial e da Educação Moral e Religiosa Católica, conciliando a prática pedagógica com uma forte sensibilidade social e humana.

Ao longo do seu percurso, destacou-se também pelo seu envolvimento cívico e comunitário, sendo atualmente Presidente da Junta de Freguesia de Mouçós e Lamares, em Vila Real. A sua experiência profissional inclui o exercício de funções como Assistente Social e Coordenador de diversos projetos sociais na Cáritas Diocesana de Vila Real, instituição onde também integrou a Direção.

No âmbito eclesial, desempenhou responsabilidades relevantes como delegado da Diocese de Vila Real para as áreas das Migrações e do Turismo, bem como coordenador dos departamentos das Migrações e Minorias Étnicas. Desde 2013, colabora com a Pastoral Nacional dos Ciganos, evidenciando um compromisso contínuo com a inclusão, o diálogo intercultural e a promoção da dignidade humana.

Pela sua formação académica, experiência profissional e dedicação ao serviço da comunidade, Hélder Afonso reúne competências relevantes para integrar uma equipa de entrevista, contribuindo com uma visão humanista, ética e socialmente comprometida.

Novos Tempos: Guerra, paz e consciência cristã

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

Entre a retórica da guerra e o apelo à paz

Num mundo saturado de discursos inflamados, alianças frágeis e ameaças veladas, a palavra “paz” corre o risco de se tornar apenas um ornamento diplomático, muitas vezes repetida, mas raramente assumida. É neste contexto que a recente mensagem pascal do Papa Leão XIV ganha particular relevância: não como mais um apelo genérico, mas como uma interpelação direta à consciência do mundo.

Na sua mensagem, o Papa foi claro: “é urgente acabar com as guerras e procurar a paz com o diálogo”. A frase, simples e desarmante, expõe a evidência que tantas vezes é ignorada: a guerra não é inevitável, é uma escolha. E, como todas as escolhas humanas, carrega responsabilidade moral.

A guerra como falência ética

A tradição cristã nunca romantizou a guerra. Mesmo quando admitiu, em contextos históricos específicos, a doutrina da “guerra justa”, fê-lo com critérios exigentes que hoje parecem quase impossíveis de cumprir. No cenário atual, marcado por interesses económicos, manipulação informativa e desumanização do adversário, a guerra revela-se cada vez mais como uma falência ética global.

O Papa denuncia precisamente essa distorção ao afirmar que há uma “idolatria do lucro que alimenta a violência da guerra”. Esta expressão é particularmente incisiva: não se trata apenas de conflitos entre nações, mas de sistemas que lucram com a instabilidade, com o medo e com a destruição.

Aqui, a consciência cristã não pode permanecer neutra. Não basta lamentar as vítimas; é necessário questionar as causas. Quem beneficia com a guerra? Que interesses se escondem por detrás das decisões políticas? E que papel tem cada cidadão (também o cristão) neste sistema?

A tentação da polarização

Outro traço marcante do nosso tempo é a polarização. As guerras não se travam apenas com armas, mas também com narrativas. Cada lado constrói a sua verdade, demoniza o outro e legitima a violência como defesa ou justiça.

Neste contexto, a advertência do Papa sobre ameaças internacionais, consideradas por ele “verdadeiramente inaceitáveis”, aponta para um perigo crescente: a normalização da escalada. Quando a linguagem política se torna agressiva, prepara o terreno para a violência concreta.

A fé cristã, porém, recusa esta lógica binária. O Evangelho não reconhece inimigos absolutos, mas pessoas feridas, errantes, mas sempre humanas. A paz cristã não é ingenuidade; é uma escolha exigente que passa pelo reconhecimento da dignidade do outro, mesmo quando ele é adversário.

Consciência cristã: entre o silêncio e a responsabilidade

Perante este cenário, impõe-se uma pergunta incómoda: onde estão os cristãos? Em muitos casos, encontram-se divididos, absorvidos por debates ideológicos ou simplesmente resignados. A paz torna-se um ideal abstrato, distante da vida concreta.

Mas a mensagem pascal recorda que a fé não é evasão, mas compromisso. Se Cristo ressuscitado é a vitória da vida sobre a morte, então cada forma de violência é uma negação dessa vitória. Ser cristão implica, por isso, formar uma consciência crítica, capaz de discernir e de agir.

Isso significa: recusar discursos de ódio, mesmo quando parecem justificados; promover o diálogo nas pequenas e grandes esferas da vida; educar para a paz, começando nas famílias e comunidades; exigir responsabilidade aos líderes políticos.

A paz como tarefa espiritual e política

A paz não é apenas ausência de guerra; é construção ativa de justiça. E, aqui, a Igreja tem um papel insubstituível: recordar que não há verdadeira paz sem verdade, sem justiça e sem conversão do coração.

Ao insistir no diálogo como caminho, o Papa não propõe uma solução ingénua, mas profundamente realista. A História mostra que todas as guerras terminam à mesa das negociações. A grande questão é saber quantas vidas são perdidas até lá.

Conclusão: escolher a paz

Num tempo em que a guerra parece, para muitos, uma fatalidade, a voz da Igreja surge como um contraponto necessário. Não com soluções técnicas, mas com uma exigência moral clara: a paz é possível e é uma responsabilidade.

A frase do Papa ecoa como um desafio direto: “é urgente acabar com as guerras”. Não amanhã, não quando for conveniente, mas agora.

A questão que permanece é simples e inquietante: estaremos dispostos a pagar o preço da paz, ou continuaremos a aceitar o custo — sempre mais alto — da guerra?

Lisboa com nota máxima na adaptação às alterações climáticas

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

Lisboa alcançou nota máxima na concretização de medidas para mitigar o impacto das alterações climáticas e alcançar a neutralidade carbónica. Distinção é da C40, a principal organização mundial do clima para as cidades.

De acordo com o relatório anual da C40, a capital portuguesa alcançou o estatuto de “compliant”, o mais elevado dos seis níveis nas três áreas em avaliação: ações para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa; capacidade do orçamento municipal em responder aos compromissos climáticos; capacidade de liderança dos autarcas em matéria de clima.

Para tal, terão contribuído medidas como os transportes públicos gratuitos para os jovens (menores de 23 anos) e os mais velhos (maiores de 65 anos).

Um outro projeto considerado emblemático é o Plano Geral de Drenagem de Lisboa, um investimento de 250 milhões de euros e que constitui hoje o maior projeto de adaptação às alterações climáticas na Europa. Os primeiros resultados foram já mostrados neste inverno, com a cidade a conseguir evitar as cheias que assolaram outras zonas do país.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, “os lisboetas têm razões para estar orgulhosos da sua cidade. A C40 é a principal organização do clima para as cidades, com critérios muito exigentes, onde apenas as melhores cidades alcançam a nota máxima”

“É um sinal de que estamos no caminho certo e que as medidas que tomámos nos últimos anos funcionaram.”

Lisboa faz hoje parte das 100 cidades, selecionadas pela Comissão Europeia, capazes de antecipar as metas de neutralidade climática para 2030.

Cabaz alimentar atinge novo máximo e já custa mais 66 euros do que há quatro anos

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foto: D.R.

O preço do cabaz alimentar voltou a atingir máximos em Portugal e está agora mais caro em cerca de 66 euros face ao valor registado há quatro anos, refletindo o impacto contínuo do aumento do custo de vida.

De acordo com dados recentes, o cabaz de bens essenciais — que inclui produtos como carne, peixe, frutas, legumes e mercearia — tem vindo a subir de forma consistente desde 2022. Atualmente, o custo ultrapassa os 250 euros, registando um dos valores mais elevados de sempre.

Especialistas apontam vários fatores para esta subida, incluindo o aumento dos custos de produção, energia e transportes, bem como a inflação generalizada que tem afetado o setor alimentar. Esta evolução tem pressionado o orçamento das famílias, sobretudo as de rendimentos mais baixos.

O agravamento dos preços alimentares surge num contexto em que muitos portugueses já enfrentam dificuldades financeiras, reforçando preocupações sobre o poder de compra e a capacidade das famílias para fazer face às despesas essenciais.

Escuteiros reúnem-se em Lisboa para o Acarádio 2026 com foco na comunicação e ambiente

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Escuteiros de várias regiões do país participaram no Acarádio 2026, uma atividade nacional de radioescutismo que decorreu nos dias 21 e 22 de março, em Lisboa, promovida pela Fraternidade de Nuno Álvares (FNA).

A iniciativa teve lugar nas instalações da Junta de Freguesia de Moscavide e reuniu participantes de diferentes associações escutistas, incluindo o Corpo Nacional de Escutas (CNE), a FNA e outros grupos, além de radioamadores envolvidos no Jamboree no Ar.

Durante o encontro, foram abordados diversos temas ligados à comunicação e ao ambiente, como a utilização de energia alternativa (fotovoltaica) em atividades escutistas, programas de comunicações de emergência em situações de intempérie e a reutilização de sondas meteorológicas.

A atividade incluiu ainda uma visita ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), onde os participantes tiveram oportunidade de assistir ao lançamento de um balão meteorológico, reforçando a componente prática e educativa do evento.

O Acarádio é uma atividade anual que visa promover o radioescutismo e preparar os escuteiros para iniciativas internacionais como o Jamboree no Ar (JOTA/JOTI), reforçando a partilha de conhecimentos e o espírito de cooperação entre participantes.

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