A situação caótica vivida no concelho de Almada com a falta de água, tem duas causas principais: a insuficiência de investimento num serviço essencial e as elevadas perdas de água, roturas, avarias, furtos e consumos não faturados, que representam mais de 35% da água produzida e tratada.
A Ministra do Ambiente teve a coragem de colocar o dedo na ferida. Maria da Graça Carvalho sugeriu ao município de Almada que recorra aos fundos disponíveis para reduzir perdas e modernizar as infraestruturas.
Eu acrescento: use os resultados da faturação e as receitas geradas pelo turismo para investir no que realmente faz falta. Sem água, nada feito.
É urgente construir novas captações, reforçar condutas, modernizar estações elevatórias e de tratamento e substituir as redes mais degradadas e vulneráveis.
O caso de Almada deve levar-nos a valorizar quem fez o trabalho de casa e investiu milhões de euros nas redes de abastecimento de água e saneamento. São obras que não se veem, não dão votos imediatos, mas são absolutamente essenciais. Sem água, nada feito.
A Águas do Ribatejo investiu cerca de 160 milhões de euros em sete concelhos ao longo dos últimos 17 anos. Não quero imaginar qual seria hoje a situação dos seus 150 mil consumidores se não tivesse existido a visão estratégica e a coragem dos autarcas que assumiram esses investimentos.
Ainda assim, não existem sistemas infalíveis nem recursos hídricos inesgotáveis.
Todos nós temos de ser consumidores responsáveis e vigilantes. Cabe-nos denunciar desperdícios, furtos e desvios de água destinada ao consumo humano, protegendo um bem cada vez mais precioso e indispensável à vida.
Porque a água não pode faltar. E sem água, nada feito.


