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Ex-motorista de Cabrita diz que desconhece velocidade do carro no atropelamento mortal na A6

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O ex-motorista do antigo ministro Eduardo Cabrita alegou esta quinta-feira que desconhece a velocidade a que conduzia o veículo, aquando do atropelamento mortal de um trabalhador na A6, e que se apercebeu das obras momentos antes do embate.

Na primeira sessão do julgamento no Tribunal de Évora, o ex-motorista do então ministro da Administração Interna Marco Pontes, que responde pelo crime de homicídio por negligência grosseira, disse não ter noção da velocidade a que seguia o carro.

E, quando questionado pela juíza Vanda Simões sobre a velocidade de 155 quilómetros por hora apurada por uma perícia, referiu que não tem a perceção de que ia a essa velocidade e que até “circulava devagar nas condições em que ia”.

O arguido esclareceu o tribunal que ninguém lhe deu instruções sobre a velocidade do carro, onde seguia o então ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita, após uma deslocação a Portalegre, e que não tinha pressa para chegar a Lisboa.

A audiência de julgamento arrancou com uma declaração do advogado de defesa, António Samara, que salientou que o peão circulava de costas para o trânsito e que o condutor travou e buzinou, concluindo que “não houve tempo para o motorista evitar o embate, nem o peão o conseguiu evitar”.

Depois, questionado pela magistrada que está a julgar o caso, Marco Pontes descreveu a forma como ocorreu o acidente, salientando que foi surpreendido pela presença do peão “a meio da faixa” da esquerda da autoestrada, em que seguia.

“Vejo o peão, travo e buzino”, mas “o peão, ao ouvir, vira-se e tenta ir para a sua esquerda, para a berma da autoestrada”, mas depois, acaba por se dirigir “para o separador central e é quando se dá o embate”, relatou.

O antigo motorista explicou que o carro que conduzia circulava na faixa da esquerda da autoestrada e à frente de outros dois da mesma comitiva, numa formação triangular, o que justificou com as regras estabelecidas pela segurança.

“Das milhares de comitiva em que participei como motorista, é esta a formação usada e são as indicações que nos dão”, sublinhou.

Questionado sobre se havia sinalização dos trabalhos na autoestrada, Marco Pontes respondeu que “os únicos sinais eram os que estavam acoplados na carrinha” de transporte dos trabalhadores.

“Vi a carrinha na altura do embate, naqueles milésimos de segundo”, argumentou.

Já em relação ao trabalhador atropelado, o arguido disse que vestia “farda cinzenta, que estava suja”, e admitiu que pudesse ter “algumas faixas refletoras na roupa”.

Marco Pontes, que deixou de ser motorista do Ministério da Administração Interna em 2022, admitiu que, olhando agora para o que aconteceu, “não teria feito nada de diferente para evitar o embate”.

O único arguido do processo contou que, após o atropelamento, os elementos da segurança transportaram o ministro noutro veículo e que ele se manteve dentro do carro por estar “em choque e transtornado”

“Pensei logo que aquele acontecimento me tinha destruído a minha vida”, confessou Marco Pontes, que tem, desde então, acompanhamento psicológico e psiquiátrico após lhe ter sido diagnosticado ‘stress’ pós-traumático.

Nesta sessão de julgamento, a mulher e as duas filhas prestaram declarações em tribunal sobre as consequências da morte do homem para a família.

No final da sessão, o advogado da família, José Joaquim Barros, revelou aos jornalistas que vai haver uma tentativa para um acordo entre a família do trabalhador que morreu e uma seguradora sobre o pedido de indemnização cível.

O caso remonta a 18 de junho de 2021, quando a viatura oficial em que seguia Eduardo Cabrita, conduzida por Marco Pontes, atropelou mortalmente Nuno Santos, de 43 anos, trabalhador de uma empresa que fazia a manutenção da A6, ao quilómetro 77,6 da via, no sentido Estremoz-Évora.

O Ministério Público acusou, no dia 03 de dezembro de 2021, Marco Pontes de homicídio por negligência, tendo, nesse mesmo dia, o então ministro da Administração Interna apresentado a sua demissão do cargo.

Grandes intérpretes, músicas do mundo e concertos participativos na ‘Gulbenkian 2025/26’

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Os pianistas Grigory Sokolov, András Schiff e Elisabeth Leonskaja, o maestro Jordi Savall, o ensemble Il Pomo d’Oro, os quartetos Belcea e Casals estão entre os “grandes intérpretes” da Temporada Gulbenkian Música 2025/26, apresentada hoje em Lisboa.

Mitsuko Uchida, Christian Zacharias e Alexander Melnikov, Piotr Anderszewski e Javier Perianes, Isabelle Faust, Peter Mattei e os quartetos Leipzig, Modigliani e Quiroga são outros nomes, para os ciclos de Piano, Grandes Intérpretes e Música de Câmara.

Numa programação com mais de 120 espectáculos, em que o Coro e a Orquestra Gulbenkian são “os pilares”, constam ainda os Concertos Participativos, que reúnem músicos amadores a profissionais, num trabalho recorrente, e o ciclo Músicas de Mundo, com testemunhos do Afeganistão, Arménia, Bulgária, Índia, Senegal e das tradições corsa e persa.

O Ciclo de Piano abre com a estreia portuguesa do pianista japonês Mao Fujita, em 19 de outubro, no Grande Auditório da Palhavã. Revelação internacional dos últimos anos, Fujita interpretará em Lisboa compositores como Beethoven, Wagner, Alban Berg, Mendelssohn, Schönberg, Brahms e Liszt.

O cartaz deste ciclo conta ainda com os ‘regulares’ Elisabeth Leonskaja (24 de maio), Arcadi Volodos (26 de abril), Nikolai Lugansky (16 abril), Grigory Sokolov (23 de março), Piotr Anderszewski (09 de março), András Schiff (28 de fevereiro) e Javier Perianes (07 de dezembro).

A pianista Mitsuko Uchida atuará no âmbito do Ciclo de Grandes Intérpretes, em 10 de maio, num recital cujo programa adianta a Sonata para piano em sol maior, D.894, de Franz Schubert.

Este ciclo também inclui o barítono Peter Mattei, com o pianista Daniel Heide, em “O Canto do Cisne”, o derradeiro ciclo de canções composto por Schubert (01 de fevereiro), a violinista Isabelle Faust com o cravista Kristian Bezuidenhout (12 de abril), com as Seis Sonatas BWV 1014-1019, de Bach, e o violoncelista Nicolas Altstaedt, em obras de Dutilleux, Kodály e Bach (21 de outubro).

Nos Grandes Intérpretes encontra-se igualmente o músico Jordi Savall, que regressará à Gulbenkian, em 22 de fevereiro, com as suas formações Hespèrion XXI e Orpheus 21, no projeto “Um Diálogo de Almas”, reunião de músicos cristãos, judeus e muçulmanos, em torno da música do Mediterrâneo e do Oriente, à semelhança do seu álbum de 2023.

No âmbito deste ciclo serão ainda apresentadas, no dia 13 de outubro, versões semi-encenadas das obras “Il Ballo delle Ingrate”, “Il Combattimento di Tancredi” e “Clorinda”, de Claudio Monteverdi, pelo ensemble Il Pomo d’Oro, sob a direção de Francesco Corti, com a participação das sopranos Ana Quintas, Carlotta Colombo e Jin Jiayu.

O Ciclo de Música de Câmara inclui os quartetos Casals, com o pianista Alexander Melnikov, que interpretará o Quinteto op. 57, de Dmitri Chostakovitch (04 de novembro); Leipzig, com o pianista Christian Zacharias, em Gade, Brahms e no Quinteto de Robert Schumann (27 de novembro); Modigliani, com o clarinetista Pablo Barragán, em Kurtág, Haydn e Brahms (02 de fevereiro); Quiroga e “As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz”, de Haydn (23 de fevereiro); e o Belcea, com o Quarteto “Das dissonâncias”, de Mozart, o 2.º Quarteto, de Benjamin Britten, e o Quarteto op. 135, de Beethoven (04 maio).

O “Quarteto para o Fim dos Tempos”, de Olivier Messiaen, escrito no campo de concentração nazi Stalag XIII, em Gorlitz, e aí estreado em 1941, durante a II Guerra Mundial, será interpretado por Sharon Kam, em clarinete, Liza Ferschtman, em violino, Christian Poltéra, violoncelo, e Enrico Pace, em piano, no dia 07 de abril, cerca de 85 anos após a primeira audição. O quarteto composto por Messiaen como “um grande ato de fé” será acompanhado por obras de Erwin Schulhoff e Béla Bartók.

O ciclo dedicado às Músicas do Mundo apresentará, no Grande Auditório da Palhavã, tradições musicais de diferentes geografias, das “Memórias do Afeganistão”, pelo Ustad Daud Khan Ensemble, em rubab, sarinda, delruba e tabla (25 de outubro), ao “Mistério das Vozes Búlgaras” (15 de novembro) e à revisitação de três séculos de música arménia, com o Gurdjieff Ensemble, sob a direção artística de Levon Eskenian (23 de maio).

Neste ciclo incluem-se ainda a dupla franco-senegalesa Ablaye Cissoko & Cyrille Broto (29 de novembro), música tradicional persa, pela voz de Sara Eghlimi, acompanhada por tarm, santour e tombak (21 de março), a música clássica indiana em sarod (11 de abril), e cantos da Córsega, pelo ensemble A Filetta (09 de maio).

Os Concertos Participativos, nos quais coralistas amadores se juntam ao Coro e à Orquestra Gulbenkian, trabalham este ano a “Paixão Segundo São Marcos”, de Osvaldo Golijov, que terá apresentação pública em 12 de janeiro, sob a direção do maestro Jean Paul Buchieri.

Esta obra, composta em 2000, foi uma das quatro “Paixões” encomendadas pela International Bach Academy, para assinalar os 250 anos da morte do Mestre de Leipzig.

A Temporada Gulbenkian Música 2025/26 começa a 06 de setembro, com um concerto ao ar livre, na Vale do Silêncio, nos Olivais, em Lisboa, e tem o primeiro concerto no Grande Auditório dois dias depois, com a abertura do ciclo dedicado a Pierre Boulez, no ano do centenário do compositor – um recital, de entrada gratuita, com a pianista Tamara Stefanovich, que conjuga a 2.ª Sonata para piano de Boulez, com obras para instrumentos de tecla, desde o Barroco até à primeira metade do século XX.

A programação completa da temporada fica disponível no ‘site’ da fundação, em gulbenkian.pt/musica/.

Novos Tempos: A diplomacia é a força da Santa Sé

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

As primeiras palavras que o Papa Leão XIV dirigiu à Igreja e à humanidade foram: «A paz esteja com todos vós! (…) Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz que desarma, que é humilde e perseverante. Que vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente. (…) Deus nos ama, Deus vos ama a todos, e o mal não prevalecerá! (…) Ajudai-nos também vós e, depois, ajudai-vos uns aos outros a construir pontes, com o diálogo, o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo sempre em paz.»

O Papa Leão XIV mostrou assim que vai ser o rosto e a voz da maior rede diplomática do mundo, pois a Santa Sé, que está sediada na Cidade Estado do Vaticano, mantém relações diplomáticas com a maioria dos países do mundo. A Santa Sé é diferente do Estado da Cidade do Vaticano: o primeiro é a entidade diplomática e religiosa, reconhecida internacionalmente; o segundo é o território soberano. A Santa Sé também tem status de observador permanente na ONU, como uma entidade não-membro.

Atualmente, a Santa Sé mantém relações diplomáticas plenas com 184 Estados soberanos (181 dos 193 membros das Nações Unidas), além de relações com a União Europeia e a Ordem Soberana e Militar de Malta. Esses dados foram atualizados em janeiro de 2025, por ocasião da tradicional audiência do Papa com o corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé.

Existem alguns países com os quais não mantém relações diplomáticas plenas, devido à perseguição política ou religiosa, como a China (República Popular) onde há apenas um acordo provisório sobre nomeação de bispos, mas sem embaixada plena, conseguido do pontificado do Papa Francisco. E os casos do Afeganistão, da Coreia do Norte, das Maldivas e da Somália. Com o Brunei existe algum contato, mas não relações diplomáticas plenas e com a Arábia Saudita há diálogo inter-religioso, mas sem embaixada.

A Santa Sé reconhece ainda o Estado da Palestina, que é observador na ONU; a República da China (Taiwan); e as Ilhas Cook, em livre associação com a Nova Zelândia. Além disso, mantém relações com organizações internacionais com a Liga dos Estados Árabes; a Organização Internacional para as Migrações; e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados além da União Europeia e a Ordem Soberana e Militar de Malta.

Desde o primeiro momento, o Sumo Pontífice tem nomeado especificamente a guerra da Ucrânia, do Myanmar, da Terra Santa e o Sudão. Temos assistido a pequenos passos, mas dados na direção certa desde a sua eleição em 8 de maio: a Índia e o Paquistão cessaram as hostilidades; a Rússia decretou um cessar-fogo de três dias e enviou delegações à Turquia para negociações com a Ucrânia, tendo alcançado a troca de mil prisioneiros entre os beligerantes; e o presidente americano que propõe o Vaticano como o mediador e o palco para as negociações de paz definitivas, após encontros com o presidente da Ucrânia e o vice-presidente dos Estados Unidos da América. Depois do apelo do Papa para a urgência da situação de Gaza, a Europa parece ter acordado para a questão e iniciado os esforços para forçar Israel a deixar entrar ajuda humanitária e a conter a invasão.

Que a voz de Leão XIV seja ouvida e os seus embaixadores em todo o mundo, os núncios apostólicos, usem a sua influência para terminar todas as guerras e todos os povos viverem em paz e harmonia. Foi a diplomacia da Santa Sé que permitiu o reconhecimento da independência de Portugal, por isso, uma das primeiras visitas que os nossos chefes de estado fazem sempre, quando são eleitos, é ao Vaticano.

O Papa deixou, na sua primeira audiência das quartas-feiras, a 21 de maio, «neste mês mariano, gostaria de repetir o convite da Nossa Senhora de Fátima: «rezem o terço todos os dias pela paz». Juntamente com Maria, peçamos que os homens não se fechem a este dom de Deus e que desarmem o seu coração. O Senhor vos abençoe!»

Sérgio Carvalho

Sismo com magnitude 6,1 atinge as ilhas gregas de Creta e Santorini

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DR

Um sismo de magnitude 6,1 na escala de Richter atingiu hoje as ilhas gregas de Creta e Santorini, sem causar danos ou vítimas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

O epicentro do sismo foi localizado a 82 quilómetros a nordeste da capital de Creta, Heraklion, com uma profundidade de 64 quilómetros, de acordo com o USGS.

Em fevereiro, a região foi atingida por uma série de sismos, provocando um êxodo da população local e dos turistas, especialmente de Santorini, um dos destinos mais populares da Grécia.

A atividade sísmica parece dever-se ao movimento das placas tectónicas ao longo da falha subaquática de Nydros, localizada entre Santorini e Amorgos, e não aos dois vulcões da zona.

“No entanto, isto não significa que os tremores não possam reacender a atividade vulcânica”, alertam os especialistas.

A 14 de maio, foi registado outro sismo de magnitude 6 a leste da ilha de Creta, que foi sentido também noutras ilhas próximas, bem como em Atenas e na Turquia, que não causou qualquer dano.

Costa quer África com lugar no Conselho de Segurança da ONU e noutras instituições

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foto: Arlindo Homem

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje que África tenha um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e “representação justa” nas instituições financeiras internacionais, pedindo uma “parceria para o futuro” com a Europa.

“Sem uma representação justa da comunidade internacional nas nossas instituições comuns, as frustrações só irão aumentar e a legitimidade das instituições só diminuirá”, disse António Costa discursando na capital da Costa do Marfim, em Abidjan.

“África deve ter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, África deve ter uma representação justa nas instituições financeiras internacionais porque, sem reformas no sistema internacional, o seu declínio apenas se acelerará, a distribuição da riqueza será ainda mais injusta e a resolução de conflitos será ainda mais difícil”, acrescentou.

No dia em que recebe o prémio de paz da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) na capital costa-marfinense, António Costa vincou que, “perante um mundo fragmentado, com regras postas em causa e inúmeros dilemas internacionais, é necessário recordar a força destes valores”.

“Devemos, África e Europa, promovê-los juntos de mãos dadas, numa parceria para o futuro”, vincou.

Realçando que o mundo “não necessita de conflitos inúteis”, o presidente do Conselho Europeu considerou ser “inaceitável que os direitos humanos sejam violados diariamente, como em Gaza”, quando se assinalam quase dois anos da guerra de Israel contra o grupo islamita Hamas, que já causou milhares de mortos e centenas de feridos devido aos ataques israelitas.

“Devemos pôr fim a esta catástrofe humanitária e trabalhar para implementar a solução dos dois Estados no Médio Oriente”, apelou.

De igual forma, o responsável português adiantou ser “inaceitável que as fronteiras sejam redesenhadas pela força das armas, como acontece na Ucrânia”, apelando a uma “paz justa e duradoura”.

Além disso, classificou como “inaceitável que a guerra se sobreponha ao diálogo, como no Sudão e na República Democrática do Congo”, apelando à “boa vontade dos líderes para acabar com a guerra e iniciar uma era de paz”.

António Costa recebeu hoje, em Abidjan, o prémio da paz Félix Houphouet-Boigny da UNESCO.

Na ocasião, o líder da instituição que junta os chefes de Governo e de Estado da UE indicou que “receber este prémio representa uma enorme responsabilidade”, sendo esta “ainda maior devido às novas funções” europeias, nas quais prometeu que irá “continuar a defender estes valores”.

António Costa doou 150 mil dólares (cerca de 130 mil euros) ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados devido ao “trabalho que desenvolve para garantir a vida, a dignidade, a segurança e os direitos fundamentais de milhões de pessoas deslocadas e refugiadas em todo o mundo”, adiantou, durante a cerimónia.

Nomeado em honra do primeiro chefe de Estado costa-marfinense, o galardão distingue pessoas ou instituições que tenham dado um contributo significativo para a causa da paz.

António Costa foi premiado em 07 de outubro de 2024.

Luís Godinho vai arbitrar final da Taça de Portugal entre Benfica e Sporting

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foto: Arlindo Homem

O árbitro Luís Godinho vai dirigir a final da Taça de Portugal entre Benfica e Sporting, no domingo, no Estádio Nacional, em Oeiras, anunciou na quarta-feira, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

O ‘juiz’, de 39 anos, da associação de Évora, vai arbitrar pela primeira vez uma decisão da prova ‘rainha’, na qual vai ter como assistentes Rui Teixeira e Pedro Mota, enquanto Sandra Bastos desempenhará as funções de quarto árbitro e Tiago Martins será o videoárbitro (VAR).

Benfica e Sporting disputam a final da 85.ª edição da Taça de Portugal no domingo, a partir das 17:15, no Estádio Nacional, em Oeiras.

Fátima recebe festival que quer contrariar preconceito com filmes de temática religiosa

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Fátima vai receber em setembro de 2026 a primeira edição do CineFé – Festival Internacional de Cinema de Temática Religiosa Cristã, que procura mudar a atitude do público para com os filmes de temática religiosa, anunciou a organização.

No sábado, há uma sessão especial de antevisão do novo festival, com exibição de dois filmes nos Missionários da Consolata em Fátima, concelho de Ourém, no distrito de Santarém, onde a associação de artes cinematográficas Ensaio Imperdível apresentará o projeto que “pretende acabar com o preconceito de que filmes de temática cristã só são destinados a pessoas religiosas”.

O festival CineFé terá uma programação exclusivamente constituída por obras audiovisuais de temática religiosa, procurando “fomentar a produção audiovisual de temática religiosa cristã” e ser “um veículo de intercâmbio cultural e de diálogo, usando a linguagem cinematográfica e audiovisual”, antecipou a organização em comunicado.

“Pretendemos mostrar que o Festival CineFé não só se propõe a derrubar preconceitos sobre o cinema de temática religiosa, mas também a criar uma plataforma inovadora para novos realizadores e para a promoção de um intercâmbio cultural enriquecedor”, acrescentou a Ensaio Imperdível, que tem sede em Ourém.

Em 2026, o projeto levará a Fátima um conjunto de propostas que, além dos filmes, inclui ‘workshops’, ‘masterclasses’ e palestras, para “enriquecer o diálogo cultural e promover os valores que sustentam a iniciativa”.

A sessão de apresentação nos Missionários da Consolata tem início às 16:00 de sábado e inclui a exibição da curta-metragem “New tomorrow”, de estudantes da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, e do documentário “Angelo”, realizado com o apoio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, e que retrata a perseguição aos cristãos pelo estado ateu da Albânia entre 1945 e 1990.

Dona do primeiro modelo IA da China focado no português prepara entrada em bolsa

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A empresa que desenvolveu o primeiro modelo linguístico da China que usa inteligência artificial (IA) para o português está a planear listar-se em bolsa e expandir-se nos mercados lusófonos, disse o fundador à Lusa.

Lin Yuchu disse que a Deeptranx, com sede em Zhuhai (cidade adjacente a Macau), tem planos para entrar na bolsa de valores da região semiautónoma chinesa de Hong Kong ou na vizinha metrópole de Shenzhen.

Mais de dez empresas de Portugal e do Brasil já investiram três milhões de yuan (mais de 371 mil euros) para poderem usar o DeeCo-model, um modelo linguístico de grande dimensão especializado em conteúdos em língua portuguesa.

Mas o presidente-executivo da Deeptranx sublinhou que a empresa quer ir mais longe.

“No futuro, vamos aproveitar Macau como porta de entrada através da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ para nos expandirmos para os mercados lusófonos”, referiu Lin.

A iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” é uma estratégia global de desenvolvimento de infra-estruturas adoptada pelo Governo da China em 2013 e que já investiu em mais de 150 países.

Lin começou a trabalhar na tradução automática entre chinês, português e inglês em 2012, quando ainda era estudante na Universidade de Macau.

Já após fundar a Deeptranx, em 2018, o empresário identificou oportunidades no mercado lusófono e criou o primeiro grande modelo de IA da China focado no português, “uma vez que os setores de IA em chinês e inglês já estavam saturados”.

“Em 2022, atualizámos para um modelo linguístico completo e de grande dimensão após avanços nos algoritmos de IA”, acrescentou.

O DeeCo-model suporta processamento de texto, imagem, áudio e vídeo, abrangendo 17 setores, incluindo finanças, tecnologia e cultura.

“É mais especializado e profissional do que outros modelos tradicionais para conteúdos locais”, sublinhou Lin, dando como exemplo “consultas sobre as leis de Macau ou a história e cultura lusófonas”.

O sistema também consegue diferenciar entre o português europeu e o português brasileiro, identificando variações gramaticais, lexicais e fonéticas.

A Deeptranx emprega 40 trabalhadores a tempo inteiro e 3.800 linguistas em regime ‘freelance’, especializados em variantes do português e 100 mil colaboradores de dados multilingues em todo o mundo.

“Até à data, obtivemos 30 milhões de yuan [3,7 milhões de euros] em financiamento”, disse Lin.

O investimento veio de empresas como as gigantes tecnológicas chinesas Tencent e Baidu e a dona da maior plataforma chinesa de literatura na Internet, China Literature Ltd, “além de pequenas e médias empresas em Zhuhai”, acrescentou o líder da Deeptranx.

O interesse pela língua portuguesa na China cresceu de forma acelerada nos últimos 25 anos, alimentado pela evolução das trocas comerciais entre a China e a lusofonia, que só em 2024 ultrapassaram 225 mil milhões de dólares (quase 208 mil milhões de euros).

Segurança: Governo responde sobre relatório e diz estar preocupado com movimentos extremistas

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foto: Arlindo Homem

O Governo admitiu na quarta-feira estar preocupado com os movimentos extremistas e adiantou, em resposta ao Bloco de Esquerda sobre o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que as polícias estão a usar inteligência artificial para analisar dados.

O Bloco de Esquerda fez 12 perguntas ao Governo sobre a eliminação de um capítulo dedicado a organizações extremistas na versão final do RASI e, numa das respostas dadas, o gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro, explicou que “mostra preocupação e tem estado atento” aos movimentos extremistas.

“Estão a ser implementadas, por parte das polícias, técnicas avançadas, como o uso de inteligência artificial e a análise de dados em larga escala, que facilitará a identificação de padrões e a interligação de operações criminosas que se desenvolvem em múltiplos territórios”, lê-se no documento publicado hoje no ‘site’ do Parlamento.

As questões do Bloco de Esquerda centraram-se no capítulo do RASI retirado da versão final, sobre “extremismos e ameaças híbridas”, e que alertavam para a existência de uma representação de uma organização extremista internacional em Portugal, classificada em vários países como organização terrorista.

Esta organização, acrescentava o relatório preliminar, promove encontros através de eventos musicais, incluindo em território nacional, e que funcionam como método de recrutamento de militantes e como forma de financiamento para produção de material de propaganda, por exemplo.

Sobre este assunto, o gabinete de Luís Montenegro voltou a dizer o que já tinha sido explicado pelo Sistema de Segurança Interna (SSI) e pelo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, voltando a sublinhar que “só existe uma versão do RASI, a final, que resulta do Conselho Superior de Segurança Interna” e que a informação divulgada antes da versão oficial fazia parte de versões de trabalho.

Luís Montenegro referiu ainda que “o documento a que os senhores jornalistas tiveram acesso não foi, nem nunca poderia ter sido, oficialmente divulgado à comunicação social, uma vez que se tratava de um documento de trabalho classificado, de caráter ‘reservado’”.

Dezenas de países suspenderam compras de frango ao Brasil devido a gripe aviária

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Pelo menos 21 países ou blocos económicos, incluindo a União Europeia, proibiram a compra de carne de frango proveniente do Brasil devido à deteção de um surto de gripe aviária no país, informou esta quarta-feira o Governo brasileiro.

Num comunicado, o Ministério da Agricultura do país sul-americano divulgou uma atualização das restrições temporárias impostas às exportações brasileiras de carne de aves, devido a um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no município de Montenegro, no estado do Rio Grande do Sul, confirmado no último dia 16.

Até ao momento, decidiram pela suspensão total das exportações brasileiras de frango a União Europeia, União Euro-asiática e países como a China, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, África do Sul, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka, Paquistão, Filipinas e Jordânia.

O Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedónia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e a Ucrânia suspenderam as importações de frango produzidas no estado do Rio Grande do Sul.

Já o Japão e a Arábia Saudita suspenderam compras de frango produzido apenas no município de Montenegro, onde foi detetado o primeiro caso de gripe aviária numa exploração comercial.

Em junho de 2023, o país relatou a deteção do primeiro caso de gripe aviária numa ave de criação, no município de Serra, no estado do Espírito Santo, somando-se a outros 52 surtos detetados em aves selvagens em sete estados naquele ano.

Atualmente, o Brasil e o maior fornecedor mundial de frango. No ano passado, as exportações de frango do Brasil (considerando todos os produtos, entre ‘in natura’ e processados) totalizaram 5,294 milhões de toneladas, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Entre os principais mercados internacionais do frango brasileiro destacam-se a China, que comprou 562,2 mil toneladas em 2024, Emirados Árabes Unidos, com 455,1 mil toneladas, Japão, com 443,2 mil toneladas, Arábia Saudita, com 370,8 mil toneladas.

De acordo com a ABPA, a China foi o maior destino das exportações brasileiras de frango no ano passado, com 562,2 mil toneladas, enquanto a União Europeia foi o sétimo maior, com 231,9 mil toneladas.

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