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Metro do Porto diminui prejuízos em 70% para 13,4 milhões de euros em 2024

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foto: Metro do Porto

A Metro do Porto diminuiu os seus prejuízos em 70,3% em 2024, para 13,4 milhões de euros, depois de ter registado um resultado negativo de 45,4 milhões de euros em 2023, segundo o Relatório e Contas.

De acordo com o documento, a que a Lusa hoje teve acesso, nos últimos anos a Metro do Porto tem registado uma trajetória de melhoria das suas contas, já que em 2019 registou prejuízos de 91,1 milhões de euros, em 2020 de 90,7 milhões, em 2021 de 64,7 mihões, em 2022 de 46,1 milhões e em 2023 de 45,4 milhões.

Num comunicado enviado às redações, a transportadora refere ainda que os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) foram de 61,9 milhões de euros em 2024, mais 17% que em 2023.

No ano passado a empresa liderada por Tiago Braga realizou também “um investimento superior a 202 milhões de euros”, consubstanciado na conclusão da extensão da Linha Amarela a Vila d’Este (17,3% do investimento na expansão), na continuidade da empreitada da Linha Rosa (43,9%), na consignação e arranque da empreitada de construção da Linha Rubi (25,9%) e na conclusão da empreitada do metrobus/BRT na ligação Boavista – Império.

“Os benefícios ambientais e sociais da operação da Metro do Porto atingiram em 2024 os 274,5 milhões de euros”, calcula a empresa.

Para este ano prevê-se a “prossecução das várias empreitadas de expansão em curso”, a “consignação e arranque da empreitada da fase II do metrobus/BRT, ligação Boavista – Anémona”, ou a “preparação e lançamento do Concurso Público Internacional para a seleção do próximo subconcessionário para a Operação e Manutenção do Sistema”.

No Plano de Atividades e Orçamento para 2025 está ainda prevista a “aquisição de 22 novos veículos (com mais 10 de opção) para a frota do Metro do Porto, destinados, especificamente, à Linha Rubi”, a “continuidade dos estudos prévios e estudos de impacto ambiental relativos à expansão da rede nas linhas Estádio do Dragão – Gondomar II e ISMAI – Trofa” e o “desenvolvimento dos estudos técnicos relativos à expansão da rede nas linhas de S. Mamede e Maia II”.

Em fevereiro, já tinha sido conhecido que a Metro do Porto teve em 2024 o melhor ano de sempre em termos de validações, com 89,78 milhões, mais 10,64 milhões (13,3%) que os 79,14 milhões de 2023.

De acordo com dados da Metro do Porto, no ano passado registaram-se “89,78 milhões de validações (+13,3% do que os 79,14 milhões em 2023)” e realizaram-se “9,18 milhões de quilómetros (+9,8% do que em 2023)”.

“Em 2024, os clientes de assinatura representaram 33,7% do total de clientes e foram responsáveis por 76,5% do total de validações (68,71 milhões contra 21,06 milhões de validações de títulos ocasionais)”, de acordo com a Metro do Porto.

Em 2023, a Metro do Porto já tinha batido o recorde anual de validações, com 79 milhões, um aumento de 21,30% face aos 65,2 milhões registados em 2022 e aos 71,3 registados em 2019.

Em outubro de 2023, o presidente da Metro do Porto, Tiago Braga, fixou os 150 milhões de validações anuais como objetivo para a empresa até ao final da década.

Atualmente, a Metro do Porto conta com seis linhas em operação, aguardando-se a conclusão das obras da linha Rosa (G), entre São Bento e Casa da Música (Porto) e da linha Rubi (Santo Ovídio – Casa da Música).

Esperança de vida à nascença estimada em 81,49 anos

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A esperança de vida à nascença da população portuguesa foi estimada em 81,49 anos, em 2022- 2024, aumentando 3,8 meses face ao triénio anterior, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Estes números ultrapassam pela primeira vez, desde a pandemia de covid-19, o valor de 2018-2020 (81,22 anos), segundo a mesma fonte. 

O aumento foi de 4,3 meses para os homens e de 3,5 meses para as mulheres.

A esperança de vida à nascença foi, assim, calculada em 78,73 anos para os homens e 83,96 anos para as mulheres.

“No espaço de uma década, verificou-se um aumento de 1,17 anos na esperança de vida à nascença para o total da população, sendo de 1,49 anos para os homens e de 0,84 anos para as mulheres”, destacou o INE.

O aumento, segundo a mesma fonte, resultou sobretudo da redução na mortalidade em idades iguais ou superiores a 60 anos.

“A contribuição das idades mais idosas foi mais significativa para as mulheres do que para os homens”, de acordo com a análise apresentada.

A esperança de vida aos 65 anos, no período 2022-2024, foi estimada em 20,02 anos para o total da população.

Aos 65 anos, os homens podiam esperar viver 18,30 anos e as mulheres 21,35 anos, o que corresponde a um aumento de 0,30 anos para os homens e de 0,24 anos para as mulheres relativamente a 2021-2023. 

Nos últimos dez anos, a esperança de vida aos 65 anos aumentou 11,5 meses para os homens e 8,5 meses para as mulheres.

Novos Tempos: A nobreza da prática desportiva

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

Desde a eleição do Papa Leão XIV temos tido conhecimento do valor que o novo Sumo Pontífice dá à prática desportiva. Ele é um praticante de ténis, além de aficionado pelo basebol e basquetebol, desportos tipicamente norte-americanos. Frequentava um ginásio em Roma e tinha um Personal Trainer que o orientava na prática desportiva. Vemos que valoriza a máxima latina «mens sana in corpore sano», «uma mente sã num corpo são».

Nos últimos dias, o Papa recebeu a equipa de futebol do Nápoles, a propósito da sua vitória no campeonato italiano. Na audiência que concedeu proferiu palavras muito oportunas, para os momentos que vivemos a nível desportivo, dizendo que «ganhar o campeonato é um objetivo alcançado ao final de um longo caminho, onde o que mais conta não é o feito de um momento, nem a performance extraordinária de um campeão. O campeonato é vencido pela equipa, e quando digo “equipa” quero dizer tanto os jogadores quanto o treinador, além de toda a comissão técnica e a associação desportiva.»

O Papa Leão XIV salientou, ainda, o aspeto educacional do desporto em geral e do futebol em particular. Pois, dizia ele, «infelizmente, quando o desporto se torna um negócio, ele corre o risco de perder os valores que o tornam educativo, podendo até se tornar “não educativo”. Esse aspeto exige vigilância, principalmente quando se trata de adolescentes. Apelo aos pais e aos líderes desportivos: devemos prestar muita atenção à qualidade moral da experiência desportiva competitiva, porque o que está em jogo é o crescimento humano dos jovens. »

A prática desportiva, a inserção numa coletividade, o exercício físico e a capacidade de cumprir as regras do jogo, bem como trabalhar em equipa, podem fazer maravilhas na construção da personalidade de uma criança, adolescente ou jovem.

Confirmo, por conhecimento próprio, que o desporto quando é saudável, pode incutir valores, criar autodomínio e prazer por alcançar objetivos. Observei muitos e muitos jovens, os quais não teriam um futuro muito promissor, devido à instabilidade familiar, à inserção em meios desfavorecidos ou ao risco de contacto com a toxicodependência, o alcoolismo e a delinquência, que foi a prática desportiva que os resgatou e os tornou bons e honestos cidadãos.

Nos meus tempos de animador e dirigente do Centro Juvenil Dom Bosco, em Pinto Bessa, no Porto, associação ligada aos Salesianos, via o orgulho que tínhamos ao olhar a nossa vitrina de honra, onde figuravam recordações e recortes de jornais de glórias do futebol que o nosso humilde Centro deu a Portugal e ao mundo desportivo, como Fernando Gomes (FC Porto e bi-bota de ouro); Pedro Barbosa (Sporting Club de Portugal); Luisinho (SL Benfica) e João Pinto (Boavista e SL Benfica). Todos eles passaram pelo nosso humilde campo de terra batida… por lá cresceram como jogadores e homens até que alguém dos grandes clubes os observou e os levou às ribaltas, sem nunca esquecerem as origens. O bom exemplo que viram veio muitas vezes à tona nas suas atitudes desportivas. E centenas de jovens sonhavam ser um dia como eles.

São Paulo, na primeira Carta aos Coríntios afirmava: «Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível. Assim, também eu corro, mas não às cegas; dou golpes, mas não no ar. Castigo o meu corpo e mantenho-o submisso, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu próprio a ser eliminado.»

As palavras convencem, mas os exemplos convertem os corações. Se as nossas associações desportivas, os seus dirigentes, empresários, jogadores e árbitros vivessem as virtudes éticas que o Papa Leão XIV aconselha, como seria diferente o ambiente nos estádios e veríamos a nobreza da prática desportiva.

Sérgio Carvalho

Colisão entre camião e autocarro escolar faz sete feridos na A8 em Alcobaça

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Uma colisão entre um camião e um autocarro, que transportava alunos de uma escola de Coimbra, causou hoje sete feridos ligeiros na autoestrada A8, em Alfeizerão, Alcobaça, disse fonte do Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste.

O acidente, ao quilómetro 94 da A8, no sentido norte-sul, provocou sete feridos ligeiros, seis dos quais ocupantes do autocarro, sendo o sétimo o condutor do veículo pesado, segundo a mesma fonte.

Três das vítimas foram transportadas para a urgência de Torres Vedras da Unidade Local de Saúde do Oeste e as restantes aguardam ser encaminhadas para terem assistência hospitalar.

Segundo a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil na Internet, para as operações de socorro foram mobilizados 73 elementos, apoiados por 33 veículos e um helicóptero.

Sérgio Conceição deixa de ser treinador do AC Milan

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foto: Arlindo Homem

O português Sérgio Conceição deixou o comando do AC Milan, anunciou hoje o clube italiano de futebol, agradecendo o profissionalismo e a dedicação do treinador nos últimos meses.

“AC Milan e Sérgio Conceição não vão continuar a sua jornada conjunta na próxima época. O clube quer agradecer ao Sérgio e à sua equipa pelo compromisso, profissionalismo e dedicação que demonstraram nos meses em que lideraram a equipa principal”, salientam os ‘rossoneri’ em comunicado.

Conceição, de 50 anos, foi oficializado como treinador dos milaneses em 30 de dezembro, sucedendo no banco ao também português Paulo Fonseca e assinando um contrato válido até junho de 2026.

“A família do AC Milan separa-se do treinador que conquistou o 50.º troféu da história do clube desejando-lhe o melhor no futuro”, conclui o comunicado.

Uma semana após ter assumido o comando da equipa, o treinador luso ganhou a Supertaça italiana, ao derrotar o Inter Milão, por 3-2, na final.

Contudo, no campeonato, o antigo treinador do FC Porto não conseguiu levar os ‘rossoneri’ além do oitavo lugar, posição que ocupavam quando chegou ao clube, e perdeu a final da Taça de Itália, frente ao Bolonha.

Conceição orientou o AC Milan em 31 jogos, nos quais somou 16 vitórias, cinco empates e 10 derrotas.

Em 21 jogos na Serie A, ganhou 11 (sete derrotas e três empates), enquanto na Liga dos Campeões alcançou apenas uma vitória, contra duas derrotas e um empate, com os milaneses a caírem diante do Feyenoord no play-off de acesso aos oitavos de final.

De acordo com a imprensa italiana, Massimiliano Allegri, que já orientou o clube entre 2010 e 2014, será o sucessor do português.

O técnico luso assumiu o AC Milan em dezembro, depois de ter deixado o FC Porto no verão passado, ao fim de sete temporadas.

Nos ‘dragões’, conquistou três campeonatos, quatro Taças de Portugal, três Supertaças Cândido de Oliveira e uma Taça da Liga, sendo o técnico com mais títulos, mais jogos (379) e mais vitórias (274) da história do clube ‘azul e branco’.

Antes, o antigo extremo internacional português já tinha treinado Olhanense, Académica, Sporting de Braga, Vitória de Guimarães e os franceses do Nantes.

Portugal vence Itália nos penáltis e está na final do Europeu de sub-17

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foto: Tiago Miguel de Araújo Vieira / Notícias Em Direto

Portugal apurou-se hoje para a final do Campeonato da Europa de futebol de sub-17, ao vencer a Itália por 4-3, no desempate por grandes penalidades, após a igualdade 2-2 no tempo regulamentar da meia-final.

Em Tirana, os transalpinos estiveram por duas vezes em vantagem, com golos de Samuele Inacio (20 minutos) e Alessio Baralla (59), mas a seleção portuguesa respondeu sempre com o empate, através de Stevan Manuel (28) e Tomás Soares (67), antes de se impor nos castigos máximos.

A seleção lusa, campeã em 2003, em Portugal, e em 2016, no Azerbaijão, deixa pelo caminho a detentora do troféu, que no ano passado tinha batido precisamente a equipa das ‘quinas’ na decisão da competição.

Na final do Euro de sub-17, marcada para domingo, a partir das 19:30 (hora em Lisboa), em Tirana, Portugal vai defrontar a França, que hoje venceu a Bélgica na outra meia-final, por 3-2.

Deputados franceses votam a favor de “direito à assistência na morte”

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Os deputados franceses aprovaram na generalidade a criação de um direito à ajuda na morte, primeira etapa de uma importante reforma da presidência Macron sobre um tema que divide França há décadas, para lá das clivagens partidárias.

O chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, saudou a votação do diploma pela câmara baixa da Assembleia Nacional como um “passo importante”.

“Respeitando as sensibilidades, as dúvidas e as esperanças de cada um, o caminho da fraternidade que eu desejava abre-se progressivamente. Com dignidade e humanidade”, escreveu Macron, na rede social X.

O seu primeiro-ministro, o centrista François Bayrou, historicamente reticente em relação à ajuda para morrer, expressou hoje de manhã as suas dúvidas sobre o texto e disse que, se fosse deputado, se absteria.

Duas propostas de lei estavam hoje na ordem de trabalhos: a primeira, sobre a criação de um “direito passível de oposição” aos cuidados paliativos, foi aprovada por unanimidade, mas o destino da segunda, sobre o “direito à assistência na morte”, era mais incerto.

Votaram a favor 305 deputados e contra 199, sendo aprovada a reforma que Macron propôs em 2022 e que a ministra da Saúde, Catherine Vautrin, espera que seja promulgada antes das eleições presidenciais de 2027.

Este “direito à assistência na morte”, outra designação para o suicídio assistido e a eutanásia, será concedido a pessoas que sofram de “uma doença grave e incurável”, que “ponha em risco a sua vida, que esteja em estado avançado ou terminal” e que envolva “um sofrimento físico ou psicológico permanente”.

O objetivo é criar um “modelo francês” de ajuda para morrer, “rigoroso e controlado”, afirmou o ministro da Saúde francês, Yannick Neuder, no fim de semana, referindo-se aos doentes “a cujo sofrimento os cuidados paliativos já não conseguem dar resposta”.

Se o diploma for definitivamente adotado, França tornar-se-á o oitavo país europeu a legalizar a morte assistida.

Tal aproximará França de alguns países europeus onde o suicídio assistido – autoadministração da substância letal – e a eutanásia – induzida por um prestador de cuidados a pedido de um doente – são autorizados, como os Países Baixos, a Bélgica e o Luxemburgo.

Mas o texto irá mais longe do que a legislação em vigor na Suíça e na Áustria, onde apenas o suicídio assistido é autorizado em determinadas condições, sendo este a regra e a eutanásia, a exceção.

Atualmente, o fim da vida em França é regido pela lei Claeys-Léonetti, de 2016, que permite a “sedação profunda e contínua até à morte” para os doentes em fase terminal.

Em França, esta questão sensível voltou regularmente ao debate público, na sequência de casos concretos que desencadearam uma forte reação popular e dividiram até a classe médica.

Uma questão sobre a qual os deputados chegaram a um consenso é que qualquer prestador de cuidados de saúde que não queira prestar assistência na morte poderá invocar objeção de consciência.

“O fim da vida é certamente um assunto íntimo. Envolve experiências pessoais que, por vezes, são de partir o coração. (…) Mas legislar sobre o fim da vida não é apenas uma questão de liberdade pessoal”, escreveu o diário católico La Croix no seu editorial de segunda-feira.

Os debates realizados durante 15 dias na Assembleia Nacional resultaram na aprovação de várias alterações e foram bastante tranquilos.

O hemiciclo dividiu-se ‘grosso modo’ entre esquerda e “bloco central”, maioritariamente a favor do texto, e direita e extrema-direita, contra.

Após esta votação, há ainda um longo caminho a percorrer: o diploma deve ainda ser analisado pelo Senado – onde a direita tem a maioria – antes de voltar à Assembleia Nacional, no início de 2026, na melhor das hipóteses, podendo ainda ser alvo de vários ajustamentos.

O seu relator, Olivier Falorni (do grupo centrista MoDem), procurou manter o “equilíbrio” do texto, resistindo aos pedidos da esquerda para estender o direito à morte assistida a menores ou a pessoas que tenham manifestado esse desejo nas suas diretivas antecipadas.

Os opositores não ficaram convencidos. Philippe Juvin, deputado de direita d’Os Republicanos (LR), considerou insuficientes as salvaguardas existentes e manifestou, no sábado, à rádio franceinfo, a sua preocupação com a possibilidade de os doentes recorrerem “ao suicídio assistido por falta de acesso aos cuidados”.

No sábado, cerca de 300 pessoas com doenças ou deficiências reuniram-se junto à Assembleia para chamar a atenção para “os perigos” do diploma.

“Esta lei parece uma arma carregada colocada em cima da minha mesa-de-cabeceira para que eu possa pôr termo à vida no dia em que disser a mim própria que sou um fardo demasiado pesado para os meus entes queridos ou que a sociedade me diga que sou demasiado cara”, afirmou Edwige Moutou, de 44 anos, que tem doença de Parkinson.

Crise de natalidade no Japão atinge o seu pico

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O Japão registou, em 2024, a taxa de natalidade mais baixa de sempre, segundo estimativas governamentais e, no momento em que a geração “baby boom” faz 75 anos, o país confronta-se com o “Problema 2025”, segundo especialistas.

De acordo com estimativas preliminares do Ministério da Saúde, do Trabalho e do Bem-Estar do Japão, apenas 721.000 crianças nasceram, em 2024, o número mais baixo de que há registo desde que se iniciaram os estudos estatísticos no país, há 75 anos, quando foi registado o um “baby boom” com o número recorde de 2,69 milhões de nascimentos.

Hoje esses “bebés” têm 75 anos e o Japão, que vive uma crise endémica de natalidade, alertam os especialistas, atingirá uma massa crítica a partir deste ano, naquilo que descrevem como o “Problema de 2025”.

“Problema 2025” é o nome dado por especialistas como Takao Komine, do Instituto de Estudos de Política Internacional do Japão (IEPI), à crise multifacetada – económica, social e até de âmbito internacional – que o Japão começará a enfrentar este ano, quando os ‘baby boomers’ entrarem na “velhice”.

Será o início de um efeito dominó que começará nos lares de idosos e afetará progressivamente a segurança social, os programas de assistência e, em última análise, a economia nacional, e que surge no momento em que o primeiro-ministro do país, Shigeru Ishiba, advertiu no início desta semana que a situação financeira do Japão “é pior do que a da Grécia”.

De acordo com um inquérito realizado em 2021 pelo Instituto Nacional de Estudos da População, oito em cada dez casais consideram que o custo da educação dos filhos é o principal obstáculo para ter mais do que um filho.

A segunda razão mais proeminente é a falta de espaço.

Seis em cada dez inquiridos consideram também extremamente difícil conciliar a vida profissional e familiar e os horários de trabalho longos desencorajam os casais.

Existem agora subsídios de 200 euros por mês por criança até aos 18 anos e os pais vão poder candidatar-se a serviços de acolhimento de crianças com menos de três anos mesmo que não estejam a trabalhar, mas o cavalo de batalha é o teletrabalho.

A partir de abril deste ano, entrará gradualmente em vigor uma série de medidas destinadas a transformar o regime de trabalho: as empresas serão obrigadas a permitir que os trabalhadores com filhos em idade pré-escolar com três anos ou mais escolham entre pelo menos duas opções de estilo de trabalho, como o teletrabalho, a redução do horário de trabalho ou o escalonamento do horário de trabalho, e a permitir que os trabalhadores com filhos menores de três anos trabalhem a partir de casa.

Os serviços de cuidados de enfermagem a idosos serão os primeiros a sentir os efeitos do “Problema 2025”. A partir deste ano, segundo o relatório do IEPI, “é quase certo que haverá um aumento súbito” do número de pessoas que necessitam destes cuidados.

A segurança social é já o principal fator subjacente ao défice orçamental do Japão.

Um terceiro problema é de caráter geográfico. “O Problema 2025 é uma crise nas grandes áreas urbanas”, como Tóquio, Osaka e Nagoya, “onde o aumento da população idosa se fará sentir mais fortemente”, refere o relatório.

O Japão está a ficar sem tempo para resolver o problema da queda da taxa de natalidade, segundo investigadores que estimam que o país terá perdido 30% da sua população até 2070.

O professor Yamaguchi Shintaro, da Universidade de Tóquio, aplaudiu as medidas adotadas pelo Governo, mas considera que são insuficientes.

“As mulheres gastam cinco vezes mais tempo em tarefas domésticas e no cuidado dos filhos do que os homens”, disse o professor à emissora estatal japonesa NHK.

“Se os homens se envolvessem mais no cuidado das crianças, como nos países ocidentais, estaríamos mais perto da solução”, acrescentou.

Andrea Bocelli em Leiria com maior lotação de sempre num concerto de música clássica no país

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Município de Leiria (foto)

O concerto do tenor italiano Andrea Bocelli, no sábado, no Estádio Municipal de Leiria, deverá ter a maior audiência de sempre num concerto de música clássica em Portugal, disse o promotor.

“Ainda não está esgotado, mas a caminho de esgotar. Portanto, estamos convencidos de que vamos ter a maior audiência de sempre num concerto de música clássica em Portugal”, afirmou Tiago Castelo Branco, diretor executivo da empresa promotora MOT – Espetáculos e Entretenimento Lda., à agência Lusa.

Segundo Tiago Castelo Branco, “num mesmo concerto, num mesmo dia, é a maior lotação de sempre”.

Anunciado em outubro de 2024, com uma lotação de 25 mil lugares, uma orquestra sinfónica com 80 músicos e um coro com 70 vozes, o promotor antecipou “mais um grande concerto de Andrea Bocelli e que celebra os 30 anos de carreira do artista”.

“É um concerto especial, que vai trazer grandes convidados para o acompanhar neste concerto e é um momento grande na carreira do artista que está muito ligado a Portugal, tem uma relação muito próxima com Portugal e com o público português”, referiu, lembrando os últimos concertos que fez no país e a receção do público.

O diretor executivo da MOT adiantou que Andre Bocelli “traz a Portugal um alinhamento diferente, uma abordagem um pouco diferente”, acreditando que “vai proporcionar ao público um concerto mesmo muito memorável”.

“O coro que vai acompanhar Bocelli é o coro que foi formado em 2021, para o concerto de Coimbra. São todos músicos amadores que integram três coros de Coimbra e, como estamos a fazer o concerto em Leiria, convidámos dois coros de Leiria”, adiantou.

Participam os coros do Orfeão de Leiria e Ninfas do Lis, de Leiria, e o Coro Misto da Associação Académica de Coimbra, Coro Coimbra Vocal e o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra.

O concerto começa às 21:30.

As portas do Estádio Municipal dr. Magalhães Pessoa abrem às 19:00, com o promotor a apelar às pessoas para chegarem a Leiria “o mais cedo possível”, lembrando que nas imediações está a decorrer a Feira de Leiria, pelo que há diversos condicionamentos ao nível da mobilidade.

“As pessoas que não tentem chegar ao estádio [de carro], porque o perímetro está fechado, estacionem nos parques e usem o ‘shuttle’, e venham o mais cedo possivel para o concerto”, pediu Tiago Castelo Branco, acrescentando que se espera uma noite quente, pelo que recomenda também às pessoas que se hidratem.

De acordo com informação da Câmara de Leiria, há vários parques de estacionamento nas imediações, gratuitos e pagos, podendo as pessoas deslocar-se para o estádio a pé, de ‘shuttle’ ou de táxi/TVDE.

O serviço de ‘shuttle’ é gratuito e disponibilizado pelo município entre as 17:00 e as 22:00 e das 23:30 às 02:00, a partir do Mercado do Falcão, Escola Superior de Tecnologia e Gestão, e Olhalvas (hospital), sendo que todos têm como destino a entrada norte do estádio (próxima da Nerlei).

Ainda segundo a autarquia, “o evento contará com videovigilância, ‘drones’ e a colaboração das forças de segurança, bombeiros e proteção civil, no recinto do espetáculo, no recinto da Feira de Leiria e em toda a área envolvente”.

No estádio vão estar disponíveis bares, para compra de comida e bebida.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) recomenda às pessoas que planeiem antecipadamente a deslocação para o concerto, tendo em conta as condicionantes inerentes ao evento e à Feira de Leiria, avisando que a partir das 14:00 de sábado várias vias nas imediações do estádio vão estar interditadas ao trânsito.

A PSP aconselha ainda que não comprem bilhetes a desconhecidos nas imediações do recinto, para evitar burlas, e para terem atenção aos objetos pessoais que transportam ou que deixam nas viaturas.

Judocas lusos nos Mundiais, mas sem bandeira após suspensão de Portugal

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A participação dos judocas portugueses nos Mundiais de Budapeste não está em risco, competição na qual os seis judocas lusos podem ter de competir sem a bandeira portuguesa, disse à agência Lusa o presidente da Federação.

“Desde a primeira hora que os atletas estão salvaguardados de todo este problema. A única situação que pode ocorrer é terem de participar sob a égide da FIJ [Federação Internacional de Judo], com os dorsais da FIJ. Com a certeza de que vamos ter medalhados e campeões do mundo e o hino também será o da FIJ. Esta será uma penalização caso não se consiga reverter isto e que irá durar um ano”, disse à Lusa Sérgio Pina.

Estão apurados para os Mundiais, que decorrerão entre 13 e 18 de junho em Budapeste, os judocas lusos Catarina Costa, Taís Pina, Patrícia Sampaio, Miguel Gago, Otari Kvantidze e Jorge Fonseca.

O cenário surge depois de a Federação Portuguesa de Judo ter sido notificada na terça-feira da suspensão por um ano pelo organismo internacional da modalidade, devido a uma dívida de 800.000 euros.

Em vários momentos, a Federação Internacional notificou a FPJ, que ainda tentou proceder a um pagamento simbólico de 50.000 euros, mas um erro no código de transferência bancária, acabou por levar a decisão mais extremada da instância do judo mundial.

A situação levou a FPJ a estabelecer contactos imediatos com o presidente do Instituto Português do Desporto (IPDJ), Ricardo Gonçalves.

“Ontem [terça-feira], falei com o IPDJ, irão ser conversas que, garantidamente, serão retomadas, assim como pedi ajuda a Fernando Gomes, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), e já falei e irei continuar a falar com o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, no intuito, se não for a totalidade, mas pelo menos que haja um apoio, para que, se for possível, possamos definir um plano de pagamento com a Federação Internacional de Judo. Se não for possível na totalidade, que haja algum valor com que se possa fazer isso”, disse ainda à Lusa Sérgio Pina.

O dirigente enquadrou que foram conversas breves, na tentativa de explicar a situação em que a FPJ se encontra, e que hoje pensa que conseguirá falar melhor sobre o assunto.

Na decisão disciplinar da FIJ a que a Lusa teve acesso, o organismo internacional detalha o histórico da dívida, que ascende a 800.000 euros e que engloba a contratualização de dois dos quatro Grand Prix que Portugal (2023 e 2024) tinha feito, no valor de 500.00 euros, acrescidos de uma verba de 300.000 euros referente aos Mundiais de juniores de 2023.

Na sua decisão, a FIJ lembra que “uma Federação membro cujas taxas de adesão ou quaisquer outras taxas, ‘royalties’ ou dívidas para a IJF ou União Continental à qual pertence não forem pagas até 31 de maio de cada ano, não será autorizada a participar nos Jogos Olímpicos, campeonatos mundiais ou qualquer outro evento realizado sob os auspícios da IJF”.

Na decisão, a Federação Internacional esclarece os avisos sucessivos à FPJ em relação aos valores em dívida, em fevereiro, março e abril, junto com a carta enviada por Sérgio Pina ao organismo, com o enquadramento de dificuldades financeiras no judo nacional.

O presidente da FPJ explicou que a Federação depende exclusivamente de um apoio estatal, na ordem dos 1,2 milhões de euros anuais.

“O orçamento da FPJ depende exclusivamente do apoio estatal, e o montante anual não ultrapassa os 1,2 milhões de euros, que são necessariamente canalizados para as suas atividades, o que torna impossível para a FPJ pagar a sua dívida com a IJF sem apoio extra das instituições estatais”, indica a Federação Internacional na defesa que lhe foi apresentada pela FPJ.

Na mesma carta, Pina lembrou as eleições no organismo em outubro do último ano, após os Jogos Olímpicos de Paris2024, e que a esperança na resolução do problema teve ainda a circunstância de eleições legislativas em Portugal, em 18 de maio, que acabaram por dificultar esse reforço de um apoio financeiro.

“Esta circunstância tem condicionado fortemente os processos de tomada de decisão e concessão de apoio às federações desportivas, uma situação que acreditamos será resolvida em breve, logo após as eleições, se não antes”, disse então o presidente da FPJ à Federação Internacional.

Posteriormente, a FIJ deu um prazo até 13 de maio à Federação Portuguesa, que, ainda sem um reforço de apoio estatal, procurou transferir 50.000 euros, que o organismo internacional não recebeu.

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