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Segunda-feira, Junho 29, 2026
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Novos Tempos: Entre o direito e a vida: França e Mónaco em contraste

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

A Europa viveu, nos últimos meses, dois acontecimentos simbólicos que revelam caminhos opostos no modo de compreender o aborto no espaço público. Na França, a decisão histórica de inscrever o aborto como um direito constitucional foi celebrada como vitória do progressismo jurídico. No Principado do Mónaco, pelo contrário, o príncipe Alberto II usou o direito de veto para bloquear a legalização plena do aborto, defendendo a proteção da vida nascente como fundamento ético da identidade do principado. A proximidade geográfica dos dois Estados contrasta com a distância ideológica que os separa nesta matéria. A «filha primogénita da Igreja», a terra dos Francos, tem dois rumos contrastantes.

A incorporação deste suposto direito na constituição francesa não é apenas uma mudança legislativa; é uma mudança antropológica. Ao elevar o aborto ao mais alto nível da hierarquia jurídica, o Estado transmite a ideia de que a interrupção voluntária da gravidez não só é permitida, mas simbolicamente protegida como expressão máxima da autonomia individual. Trata-se de uma vitória para aqueles que consideram que a maternidade deve ser sempre uma escolha reversível até certo ponto da gestação.

Porém, ao inscrever o aborto na Constituição, cria-se também um novo parâmetro de pressão social: qualquer discordância passa a ser vista como oposição a um “direito fundamental”. O espaço para a objeção de consciência — médica e institucional — tende a reduzir-se, e o debate ético é facilmente substituído por slogans ideológicos.

No extremo oposto, o Mónaco apresenta um gesto raro na Europa ocidental: a afirmação de que a lei não deve transformar em normal aquilo que é, no mínimo, um drama humano. O veto de Alberto II não resulta de uma visão punitiva, mas de uma convicção moral segundo a qual a sociedade deve procurar proteger a vida mais frágil e acompanhar a mulher em dificuldade, sem apresentar o aborto como solução fácil ou inevitável. Num continente onde a pressão cultural tende a uniformizar legislações e valores, a posição monegasca mostra que uma pequena nação pode, ainda assim, afirmar uma identidade ética própria.

A visão católica, frequentemente caricaturada, encontra aqui um contributo para a reflexão pública. A Igreja não ignora a dor, o medo, a violência ou o abandono que podem marcar uma gravidez inesperada. Mas lembra que o valor da vida humana não depende do estágio de desenvolvimento, nem do desejo ou da circunstância. Ao defender a dignidade dos nascituros, a tradição cristã não proclama uma verdade “confessional”, mas uma intuição universal: a vida merece ser acolhida, não descartada. O Papa Francisco repetiu muitas vezes que não se trata de “impor” doutrinas, mas de proteger os vulneráveis, inclusive a mãe, que muitas vezes vive o aborto em profunda solidão emocional.

Entre a França e o Mónaco, a Europa vê refletida a sua própria encruzilhada: um continente que oscila entre a liberdade entendida como autonomia absoluta e a liberdade que inclui responsabilidade pelo outro. A cultura contemporânea tende a afirmar direitos, mas raramente fala de deveres; enaltece escolhas, mas quase nunca acompanha quem sofre para escolher bem.

O debate sobre o aborto continuará a dividir opiniões. Mas é legítimo perguntar qual o tipo de sociedade que estamos a construir quando celebramos como conquista civilizacional a interrupção de uma vida que começa. Talvez o contributo mais sensato da visão católica para o espaço público seja este: recordar que o progresso não se mede apenas por direitos proclamados, mas sobretudo pela capacidade de cuidar de cada pessoa, no ventre materno e para lá dele.

Residentes contestam narrativa de “invasão” em Óbidos e alertam para riscos de sobrelotação na Vila Natal

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A Associação Segredos de Óbidos contestou esta terça-feira a forma como foi comunicado o incidente que envolveu um veículo dentro das muralhas durante a Vila Natal, afirmando que o carro não “invadiu” o evento, mas pertencia a residentes com direito legal de circulação. Em comunicado, a associação esclarece que os moradores continuam a ter acesso às suas casas e que a situação apenas se tornou perigosa devido à “sobrelotação extrema” das ruas.

Segundo a associação, o risco vivido no momento não foi provocado pelo condutor, mas pela “multidão muito acima da capacidade suportável do espaço histórico”, que terá bloqueado a mobilidade dentro da vila. O comunicado alerta ainda que o congestionamento tem comprometido a circulação de emergência, citando um episódio recente em que uma ambulância não conseguiu aceder rapidamente a uma residência.

A Segredos de Óbidos acusa ainda a atual gestão de eventos de estar a transformar os moradores em “intrusos na sua própria vila”, defendendo que o modelo de grandes eventos no interior das muralhas é “insustentável” e afeta a segurança, a qualidade de vida e a preservação do património. A associação apela a limites de lotação, melhor planeamento, comunicação transparente e diálogo com a comunidade local.

IPO do Porto confirma falha de todos os tratamentos e caso de Ângela torna-se urgente

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O IPO do Porto divulgou um comunicado oficial a esclarecer o estado clínico de Ângela Pereira, a jovem de 23 anos cujo apelo viral emocionou o país. Segundo o hospital, a paciente desenvolveu uma aspergilose invasiva resistente aos antifúngicos disponíveis, após vários tratamentos oncológicos e um transplante de medula que não produziram o efeito esperado.

A instituição afirma que “todas as opções terapêuticas possíveis foram utilizadas”, mas a evolução da doença manteve-se negativa, levando o hospital a classificar o prognóstico como “muito reservado”. A infeção por Aspergillus, comum em doentes imunodeprimidos, torna-se altamente grave quando não responde à medicação, explicou o IPO.

O caso ganhou dimensão nas redes sociais depois de Ângela pedir ajuda para obter transferência ou segunda opinião médica. A publicação mobilizou milhares de pessoas e motivou o IPO a esclarecer a situação publicamente para evitar desinformação, garantindo que continua a acompanhar a jovem e está disponível para cooperar com outras unidades caso surjam alternativas.

Trabalho. Governo considera greve “injustificada” e rejeita críticas da Esquerda

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foto: Arlindo Homem

O debate quinzenal desta sexta-feira na Assembleia da República ficou marcado por fortes trocas de acusações entre o Governo e os partidos da Esquerda, que contestaram o pacote laboral e as medidas relativas à deportação de imigrantes ilegais. A oposição classificou algumas propostas como “medidas imorais”, acusando o Executivo de promover retrocessos sociais.

Em resposta, o primeiro-ministro rejeitou as críticas e afirmou que a greve marcada por estruturas da Esquerda “não faz sentido”, garantindo que o Governo está a cumprir o programa definido para a legislatura. Montenegro defendeu ainda o reforço do controlo migratório, reiterando que quem atuar fora dos princípios legais “terá de regressar ao seu país de origem”.

O debate prolongou-se com várias intervenções sobre proteção laboral, condições de trabalho e políticas migratórias, temas que dividiram o plenário e deverão continuar no centro da agenda política nas próximas semanas.

“Tenho 23 anos e estou a morrer aos poucos”: apelo desesperado de jovem após complicações de transplante

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Uma jovem de 23 anos recorreu às redes sociais para pedir ajuda na obtenção de uma segunda opinião médica e uma transferência hospitalar, depois de ter sido diagnosticada com um fungo grave e de difícil tratamento na sequência de um transplante de medula.

Ângela Pereira, de 23 anos, explicou numa publicação que, após realizar um transplante de medula óssea e enfrentar várias complicações, foi diagnosticada com um aspergiloma — uma infeção provocada por um fungo associado a elevados riscos para pessoas com o sistema imunitário fragilizado. Segundo a jovem, a equipa médica que a acompanha terá informado que já não existem opções terapêuticas disponíveis e que apenas lhe resta “dar tempo ao tempo”.

No texto emotivo partilhado no Instagram, Ângela afirma que está “sem forças”, mas mantém “uma grande vontade de viver” e esperança de que ainda exista tratamento possível noutro local. A jovem pede apenas “ajuda, partilhas e uma segunda opinião”, sublinhando que a transferência para outro hospital poderá ser decisiva para tentar combater a infeção. A publicação, que rapidamente se tornou viral, tem mobilizado milhares de mensagens de apoio e solidariedade.

“Não quero dizer que me enraiveceu”: Mourinho reage a golo do Sporting com cautela

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SL Benfica registou recentemente um golo do Sporting CP durante o jogo, e o treinador José Mourinho recusou reagir de forma emocional. O técnico admitiu a frustração natural, mas preferiu manter a compostura: “Não quero dizer que me enraiveceu, porque cada lance é diferente — o importante é manter foco e preparar a equipa para o próximo desafio.”

Mourinho destacou que a sua experiência em dérbis e jogos de pressão não retira a emoção ou a vontade de vencer: “Um dérbi é sempre especial, não se trata só de técnica ou estratégia — há muito em jogo, e isso requer serenidade e preparação mental.”

Para o treinador, mais importante do que emoções momentâneas é garantir estabilidade no coletivo e foco na próxima partida. Ele alertou para o risco de decisões precipitadas motivadas por nervosismo e apelou à calma e profissionalismo dos jogadores.

Alerta em Óbidos: carro atravessa multidão em plena Vila de Natal

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Um carro entrou este domingo dentro das muralhas do Castelo de Óbidos e tentou avançar entre a multidão que visitava a Vila de Natal, gerando momentos de tensão e obrigando várias pessoas a afastarem-se rapidamente. O incidente foi registado em vídeo e partilhado nas redes sociais, onde se tornou viral.

Segundo testemunhas, o condutor tentou prosseguir pela zona pedonal, mas acabou por ficar bloqueado devido ao elevado número de visitantes. A organização do evento e a GNR foram acionadas para remover o veículo e repor a normal circulação no recinto.

O presidente da Câmara de Óbidos classificou a situação como “inadmissível”, garantindo o reforço imediato da segurança para evitar que veículos não autorizados voltem a aceder ao interior das muralhas durante o evento.

Novos Tempos: Entre Ruínas e Esperança

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A primeira viagem internacional do Papa Leão XIV, à Turquia e ao Líbano, revelou muito mais do que um itinerário diplomático bem composto; mostrou um programa de pontificado. Num mundo fatigado por polarizações e medos identitários, Leão XIV ousou começar precisamente onde as feridas são mais visíveis — entre cristãos divididos, religiões em tensão e povos marcados pela tragédia. A escolha não foi neutra: ir a Niceia no aniversário dos 1700 anos do primeiro concílio ecuménico é tocar o coração da fé cristã, mas também lembrar que a unidade não é um luxo espiritual — é um mandato. A sua presença em İznik evoca a necessidade de reencontrar fundamentos comuns num cristianismo tantas vezes fragmentado em disputas que obscurecem o essencial. Proclamar, junto das ruínas da basílica submersa de São Neófito, o Credo com os «irmãos separados», mostra o desejo de reerguer a Igreja de Cristo.

Mas foi no Líbano que a viagem ganhou o tom mais humano e mais profético. A oração silenciosa no porto de Beirute não foi apenas um gesto pastoral; foi um protesto contra a indiferença. Naquele silêncio, o Papa falou mais alto do que muitos discursos políticos: a memória das vítimas exige justiça, não apenas compaixão ritualizada. A missa celebrada junto aos escombros tornou-se símbolo de um pontificado que quer aproximar-se das periferias reais, não apenas das metafóricas.

Igualmente relevante foi o modo como Leão XIV se dirigiu ao mundo ocidental. Ao criticar a islamofobia e o medo do migrante, o Papa rompeu com a prudência calculada que tantas vezes marca os discursos institucionais. Fê-lo num momento sensível, consciente de que estas palavras gerariam resistência, mas convencido de que a Igreja não pode ceder ao discurso da desconfiança. Entrar numa mesquita em atitude de respeito, encontrar líderes ortodoxos orientais longe dos holofotes e assinar uma declaração que confirma o desejo de todos celebrarem a Páscoa no mesmo dia; escutar comunidades cristãs feridas, como os arménios e os maronitas — tudo aponta para um estilo que privilegia a construção de pontes, mesmo quando o mundo parece empenhado em erguer muros.

Esta viagem inaugural, por isso, não foi apenas uma visita. Foi um manifesto. A Igreja de Leão XIV parece querer ser menos o centro e mais o caminho; menos defensiva e mais dialogante; menos fechada em si e mais comprometida com a dor concreta dos povos. Se o futuro confirmar este início, estaremos diante de um pontificado que procura devolver ao cristianismo a sua vocação original: ser presença reconciliadora no meio das ruínas, anunciar esperança onde o mundo só vê fatalidade, e lembrar que a fé começa sempre pelo encontro — com Deus, com o outro e com o sofrimento que pede cuidado.

Montenegro quer salário mínimo de 1.600€ e salário médio a caminho dos 3.000€

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foto: Arlindo Homem

O primeiro-ministro Luís Montenegro defendeu este sábado que Portugal precisa de um “salto histórico” nos salários, apontando para um salário mínimo de 1.600 euros e um salário médio nacional entre 2.500 e 3.000 euros.

Montenegro afirmou que os valores atualmente discutidos já não acompanham o custo de vida e garantiu que o Governo vai apresentar novas medidas económicas no início do próximo ano para apoiar esta evolução.

A oposição considera as metas ambiciosas, sindicatos pedem medidas concretas e confederações empresariais alertam para o impacto nas pequenas e médias empresas.

Jovem de 21 anos detido por suspeita de dupla tentativa de homicídio em Loulé

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Um jovem de 21 anos foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), suspeito de dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada, depois de ter disparado contra dois homens na via pública no concelho de Loulé.

O ataque ocorreu a 30 de novembro, alegadamente na sequência de uma disputa por motivos fúteis. As vítimas — de 31 e 36 anos — foram baleadas. Um dos feridos foi transferido para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa; o outro permanece internado no Hospital de Faro.

O suspeito, que fugiu após os disparos, foi localizado e detido 48 horas depois. Está em prisão preventiva e o inquérito está a cargo do Ministério Público de Loulé.

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