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Terça-feira, Julho 14, 2026
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Marcelo condecora Mário Soares a título póstumo com o Grande Colar da Ordem de Camões

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foto: Arlindo Homem

O Presidente da República condecorou hoje o antigo chefe de Estado Mário Soares, a título póstumo, com o Grande Colar da Ordem de Camões, distinção honorífica que foi entregue aos seus filhos Isabel e João.

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a entrega desta insígnia no final da sessão evocativa dos 100 anos do nascimento de Mário Soares, fundador e primeiro líder do PS, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

No seu discurso, que encerrou a sessão, o chefe de Estado considerou que o centenário do nascimento de Mário Soares “é um grande momento democrático” que “contribui para a “unidade dos portugueses”.

Tendo a ouvi-lo o antigo Presidente da República Cavaco Silva e o anterior primeiro-ministro e atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que o centenário de Mário Soares “não invoca apenas um grande português, não invoca apenas um grande político, um grande lutador, um grande visionário do futuro, um grande construtor do futuro, cria condições únicas para unir os portugueses e unir Portugal”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “a grande força” de Mário Soares era ser “um homem apaixonado pelas suas causas”.

“Mário Soares viveu com paixão a luta contra a ditadura, viveu com paixão a revolução, o início da democracia, as derrotas e as vitórias da democracia, sempre pronto para começar, nos momentos mais improváveis, nas idades mais improváveis, nas circunstâncias mais improváveis”, disse.

FNAM apela a escusas de responsabilidade massivas e admite endurecer luta dos médicos

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Os médicos devem apresentar “escusas de responsabilidade” sempre que se deparem com “equipas insuficientes” e “sem condições de trabalho”, defendeu hoje a FNAM, que também decidiu o prolongamento da greve às horas extraordinárias nos centros de saúde.

Na sequência da reunião desta manhã do Conselho Nacional da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), a presidente do organismo, Joana Bordalo de Sá, adiantou à Lusa estar ainda em cima da mesa o “endurecimento da luta” caso continuem sem respostas da tutela até ao final do ano.

Qualificando como “extremamente insuficiente” o plano de inverno, a FNAM considerou ainda ser “ilegal” a tentativa “nos hospitais de desviar os médicos da sua atividade programada para o serviço de urgência” além de deixar a “atividade programada de consultas e cirurgias a descoberto”.

Já o plano em relação aos médicos de família é uma “violação” por “tentar impor que mais utentes sejam colocados nas listas”, traduzindo uma “interferência na gestão da lista dos utentes dos médicos de família (…) e na autonomia das unidades de saúde familiar, das USFs”, acrescentou.

“Portanto, o que a FNAM deliberou é que estamos a apelar a que sejam colocadas escusas de responsabilidade de forma massiva sempre que os médicos se encontrem em situações com equipas insuficientes e sem condições de trabalho”, anunciou a responsável à Lusa.

Joana Bordalo de Sá notou que essa situação já ocorre entre os médicos de pediatria do Algarve, do Hospital de Faro, garantindo que esta é uma “forma de proteger o médico, mas acima de tudo proteger também o utente”.

A FNAM também decidiu prolongar a greve ao trabalho extraordinário nos cuidados primários, ou seja, nos centros de saúde, cujo fim estava previsto para o final de dezembro, admitindo agora poder durar durante o primeiro semestre de 2025.

“Ainda aguardamos uma resposta do Ministério da Saúde de Ana Paula Martins, a quem nós enviámos uma missiva [a 02 de dezembro], sobre a questão de continuar a negociação” em termos salariais e de melhoria das condições de trabalho, referiu a dirigente, notando que, se “nada for feito, e eventualmente em 2025, agora no início, pode endurecer a nossa luta”.

“Poderão estar em cima da mesa novas greves, novos protestos, porque, de facto, nós estamos a lutar para que os médicos tenham melhores condições de trabalho, mas, acima de tudo, estamos a lutar para que o Serviço Nacional de Saúde também consiga dar resposta à população e que o Serviço Nacional de Saúde se mantenha público, universal, acessível a toda a população e isso não está a acontecer”, argumentou.

Depois da aprovação do Orçamento do Estado “não há razão para não haver reunião e não haver negociação até ao fim do ano”, notou.

Novos Tempos: Portugal, Terra de Santa Maria

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

Todos os povos e países têm as suas marcas identitárias e distintivas que os tornam únicos e com características que unificam as suas sociedades. Portugal, não é exceção. Mesmo sendo uma democracia pluralista que proclama a liberdade de consciência e de credo, respeitando todas as religiões, Portugal é um país de matriz cristã, profundamente mariano.

Se por um lado, muitos dos nossos compatriotas são uma espécie de «catolaicos», um híbrido de católicos e laicos, caracterizados por participar em momentos chave da vida humana e social nas celebrações religiosas, como batizados, casamentos e funerais; por realizarem peregrinações a pé a diversos santuários e incorporarem procissões carregando andores e bandeiras. Ao mesmo tempo não se comprometem com as comunidades cristãs da sua localidade, nem assumem funções públicas nas paróquias, olhando de soslaio para tudo o que a Igreja institucional diz ou faz na pessoa dos seus membros mais ativos.

Temos de ser sinceros e reconhecer que, desde os alvores da nacionalidade, Portugal, é conhecido como a Terra de Santa Maria. Vê-se isso pela toponímia das freguesias e localidades; pela dedicação de quase todas as catedrais a Nossa Senhora; pela frequência do nome «Maria» ou «Miriam» e outros títulos marianos; pela construção de inúmeros santuários que são verdadeiros polos congregadores dos portugueses, como o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, o Santuário Nacional de Vila Viçosa e o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, entre muitos outros de norte a sul.

O próprio Papa São João Paulo II, na sua primeira visita a Portugal, de 12 a 15 de maio de 1982, quis demonstrar esta característica específica do povo português: a sua grande devoção mariana. Por esta razão, o Papa visitou o Santuário de Fátima, local que, com as suas aparições e mensagem, marca profundamente o século XX do catolicismo em Portugal. Nossa Senhora, segundo as Memórias da Irmã Lúcia, terá dito na aparição de 13 de julho de 1917 que: «Em Portugal, se manterá sempre o dogma da Fé…».

O passo seguinte daquela visita apostólica foi o Santuário de Vila Viçosa, o Solar da Padroeira, onde está a imagem da Imaculada Conceição que o Condestável D. Nuno Álvares Pereira terá adquirido em Inglaterra no século XIV e que foi coroada como Padroeira e Rainha de Portugal, por D. João IV, em 25 de março de 1646, agradecendo a independência de Portugal.

De Vila Viçosa, o Papa dirigiu-se para a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa, onde os lentes e professores, tinham de fazer o juramento de crer e defender o dogma da Imaculada Conceição. Não esqueçamos que o dogma só foi definido pelo Papa Pio IX no século XIX.

O destino, depois da cidade dos doutores, foi a cidade dos Arcebispos – Braga. Aqui visitou o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, dedicado à Imaculada Conceição, para celebrar a proclamação do dogma da Concepção Virginal de Maria. Um verdadeiro ex libris da capital do Minho.

A sua viagem terminou, na cidade da Virgem, o Porto, onde ele enalteceu a enorme devoção mariana do povo português, dizendo: «A Portugal, a Virgem Maria reservou um modo de tratar de singular predileção, que é título de honra e, ao mesmo tempo, particular motivo de firme coerência na fidelidade ao Evangelho. Todos os fiéis devem ter uma consciência viva disto e empenhar-se em cultivar aqueles valores humanos e cristãos que tornaram grande esta Nação. Nestes dias pude verificar pessoalmente os tesouros de bondade, de cordialidade e de fé que distinguem este povo forte e amável. Em particular, em Fátima, aos pés de Maria, senti vibrar à minha volta a alma de toda a Nação.»

Celebramos, no dia 8 de dezembro, um dos feriados nacionais e religiosos, dedicado à Imaculada Conceição. Os santuários marianos de norte a sul, enchem-se de peregrinos e fiéis. Até há pouco tempo, este era o dia da Mãe. Foi uma pena termos cedido ao oportunismo e mercantilismo e transferido a evocação do dia da Mãe para maio. Porque não voltar a repor a ordem das coisas: se o Dia do Pai é o dia de São José, a 19 de março; o Dia da Mãe deveria voltar a ser o dia de Nossa Senhora da Conceição, a 8 de dezembro.

Se calhar também era altura de equacionar a elevação do 13 de maio a feriado nacional, pois se há data que é comemorada por milhões de portugueses, em Portugal e na diáspora, é o dia de Nossa Senhora de Fátima. Se os feriados valessem pela forma como são comemorados, mais de metade seria suprimida, pois ninguém ou quase ninguém os celebra e comemora. E este move multidões.

Sérgio Carvalho

Autárquicas: Pizarro eleito candidato do PS à Câmara do Porto

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A concelhia do PS/Porto elegeu hoje, por maioria, o antigo ministro da Saúde, Manuel Pizarro, como cabeça-de-lista do partido à Câmara do Porto nas autárquicas do próximo ano.

A candidatura de Pizarro foi eleita com 61 votos a favor, quatro contra e sem abstenções.

“O Manuel Pizarro é o candidato que reúne as melhores condições para liderar uma candidatura vencedora em 2025”, afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da concelhia socialista, Tiago Barbosa Ribeiro.

Destacando que o partido “está unido e determinado a recuperar a Câmara do Porto”, Tiago Barbosa Ribeiro afirmou que este foi “um processo exemplar” que permitiu “uma escolha ponderada e atempada”.

Para o líder da concelhia, Pizarro é um candidato “capaz de mobilizar o PS” e de agregar pessoas.

“O Porto precisa de um projeto autárquico transformador, liderado pelo PS, mas que vá além dele, envolvendo toda a cidade”, sustentou.

A escolha será agora remetida para a Distrital do PS Porto que se reunirá no dia 17 de dezembro para aprovar o nome dos candidatos às autarquias do distrito.

Esta é a terceira vez que Pizarro se candidata à Câmara do Porto, tendo a primeira sido em 2013, ano em que o atual presidente Rui Moreira conquistou a autarquia e atribuiu os pelouros da Habitação e Ação Social a Pizarro, no âmbito de um acordo de governação.

Nas autárquicas de 2017, o movimento de Rui Moreira recusou o apoio do PS à sua recandidatura devido a uma alegada tentativa de interferência nos lugares que os socialistas ocupariam na lista, o que levou o PS a apresentar Pizarro como candidato.

Desde 2001, ano em que Nuno Cardoso perdeu as eleições para o social-democrata Rui Rio, que o PS não está à frente dos destinos do município.

Manuel Pizarro nasceu em 1964 em Coimbra, mas residiu sempre no Porto, cidade em que foi médico no Centro Hospitalar e Universitário de São João e diretor clínico do Hospital da Ordem da Trindade.

No plano político, Manuel Pizarro foi escolhido em 2022 para ministro da Saúde, cargo que ocupou até 2024, tendo sido responsável pela criação da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e das Unidades Locais de Saúde (ULS).

Entre 2008 e 2009 foi secretário de Estado da Saúde e, entre 2009 e 2011, secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

Foi eurodeputado entre 2019 e 2022, e presidente da delegação socialista portuguesa no Parlamento Europeu, substituindo no cargo Carlos Zorrinho.

Manuel Pizarro tem no currículo múltiplas publicações científicas na área da sua especialidade, nomeadamente sobre hipertensão e doenças autoimunes.

Foi deputado do PS na Assembleia da República (2005-2013), tendo integrado a Comissão Parlamentar de Saúde.

A Câmara do Porto é atualmente liderada pelo independente Rui Moreira, que não poderá recandidatar-se por atingir o limite de mandatos permitido por lei.

As eleições autárquicas deverão decorrer no segundo semestre de 2025.

Em Portugal há 308 municípios (278 no continente, 19 nos Açores e 11 na Madeira) e 3.092 juntas de freguesia (2.882 no continente, 156 nos Açores e 54 na Madeira).

PSP distribuiu em 12 anos mais de 605 mil pulseiras para sinalizar crianças desaparecidas

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A PSP distribuiu mais de 605.500 pulseiras em 12 anos de existência do programa “Estou Aqui!”, o que permitiu encontrar com “maior rapidez” 57 crianças desaparecidas, indicou hoje aquela polícia, anunciando uma nova edição em janeiro de 2025.

Criado em 2012, o programa “Estou Aqui! Crianças” é uma iniciativa da Polícia de Segurança Pública que consiste na distribuição de pulseiras gratuitas que facilitam a sinalização de crianças desaparecidas entre os dois e os 15 anos.

Em comunicado, a PSP diz que, em 12 anos de existência, já foram atribuídas mais de 605.500 pulseiras, das quais 66.891 este ano, o que permitiu à polícia, desde o início do programa, “solucionar com maior rapidez 57 ocorrências de crianças cujas famílias desconheciam o seu paradeiro”.

A PSP refere também que se tem registado um “aumento gradual” de adesão ao programa todos os anos, à exceção 2020 devido à pandemia de covid-19.

Uma vez que atualmente cada edição do programa tem a validade de um ano civil, a PSP avança que as pulseiras atribuídas em 2024 perdem a validade no início do ano, aconselhando que, a partir de janeiro de 2025, seja feita uma nova inscrição ou pedido na página da internet do programa: https://estouaqui.mai.gov.pt/Pages/Home.htm

A PSP refere que este programa tem como principal objetivo “agilizar o trabalho de sinalização de uma criança desaparecida e promover o seu rápido retorno à família”.

“Caso a criança portadora da pulseira se perca, qualquer adulto que a encontre somente necessita contactar a PSP por intermédio do número de emergência nacional (112) e comunicar onde se encontra e qual o código da pulseira que a criança tem consigo. A Polícia de Segurança Pública tratará de informar a família e assegurar de imediato o reencontro familiar”, explica esta força de segurança, em comunicado.

A PSP sublinha que as pulseiras, destinadas a crianças com idades entre os 2 e os 15 anos, possuem um código alfanumérico, único, sem qualquer relação com dados pessoais.

As pulseiras são válidas em todo o país e podem ser solicitadas, tanto para crianças residentes em Portugal como não residentes, nomeadamente em férias.

Aguiar-Branco propõe busto de Mário Soares na Sala do Senado do parlamento

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foto: Município de Santarém

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, propôs hoje que o busto de Mário Soares, fundador e primeiro líder do PS, fique instalado na Sala do Senado do parlamento.

Esta proposta foi apresentada pelo antigo ministro social-democrata no discurso que proferiu na sessão solene evocativa dos cem anos do nascimento de Mário Soares, Presidente da República entre 1986 e 1996 e primeiro-ministro de três governos constitucionais (1976/1978, 1978 e 1983/1985).

José Pedro Aguiar-Branco recordou que na sessão solene de 1990, na Assembleia da República, Mário Soares, então chefe de Estado, evocou Francisco Sá Carneiro e defendeu que o fundador do PPD deveria ser lembrado “na galeria dos bustos que honram os grandes parlamentares do passado e que honram o parlamento”.

“Há poucas semanas, os serviços iniciaram o processo para termos, em 2025, um busto de Mário Soares na Assembleia da República. Sei que ele apreciaria o gesto, mas tomo a liberdade de sugerir onde deverá ficar colocado: na Sala do Senado. Especificamente na Sala do Senado”, defendeu o presidente da Assembleia da República.

Depois, numa nota de humor, José Pedro Aguiar-Branco referiu-se ao republicanismo de Mário Soares, observando: “Sei que ele não apreciaria especialmente a companhia de condes e duques”.

“Mas aquela nobre sala precisa mesmo de alguém laico, republicano e até socialista. Por uma questão de equilíbrio. É o último serviço ao país que lhe pedimos”, justificou o presidente da Assembleia da República.

Pedro Nuno defende que Soares “esteve sempre do lado certo das lutas” e recusa contradições

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foto: Arlindo Homem

O líder do PS defendeu hoje que a vida política de Mário Soares “vale como um todo” e recusou que o seu percurso seja marcado por contradições, considerando que “esteve sempre do lado certo das lutas” em que participou.

Na intervenção em nome do PS na sessão solene evocativa do centenário do nascimento de Mário Soares, no parlamento, Pedro Nuno Santos, que se afirmou socialista desde que nasceu, referiu que o antigo Presidente da República foi a sua “referência política” e o político português que “mais admirava” e com quem mais se identificava.

“Quem dedicou sete décadas da sua vida à política expressou, em momentos distintos, diferentes opiniões e tomou diferentes posições, mas tal não significa que o seu percurso seja marcado por contradições”, defendeu.

Segundo o secretário-geral do PS, “Mário Soares esteve sempre do lado certo das lutas em que tomou parte”.

“Em tempos sombrios, Soares esteve do lado certo na luta contra a longa noite da ditadura, batendo-se com toda a sua inteligência e coragem. Gabava-se, e tinha esse direito, de nunca ter cedido perante a tortura de sono a que foi submetido”, enalteceu.

Pedro Nuno Santos deu como exemplos do “lado certo” onde considera que o fundador do PS sempre esteve a “prioridade dada ao processo de descolonização”, a adesão de Portugal à CEE, o empenho na fundação do SNS, a revisão constitucional de 1982, que “pôs fim à tutela militar do regime democrático”, a “crítica feroz” à austeridade durante a ‘troika’ ou a procura da união da “esquerda contra um direita radicalizada”.

“Se, aos olhos de muitos, entrou em contradição ao longo do tempo, a minha convicção é a oposta. É minha convicção que o mundo mudou, nestas décadas, muito mais do que Mário Soares e que as inflexões no seu posicionamento resultam mais dos efeitos do pêndulo da História do que de incoerências no seu pensamento”, afirmou.

Para o líder do PS, “Soares viveu a História não como espetador, mas como protagonista e lutador incansável”, considerando que “contra a ditadura, foi resistente, conspirador, agitador”.

Segundo Pedro Nuno Santos, “a vida política de Soares vale como um todo”, recusando que, para a avaliar, se escolha o período que “mais convém ou mais agrada”, de acordo com a conjuntura do momento ou a posição que se quer defender.

Nascido em 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1986 e 1996.

Treinador do Vitória pede “energia e rigor” para tentar derrotar Benfica na Luz

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foto ilustrativa: Tiago Vieira / Notícias Em Direto

O treinador Rui Borges afirmou hoje que um Vitória de Guimarães com “energia e rigor” pode vencer no terreno do Benfica, a equipa “em melhor forma” na I Liga portuguesa de futebol, para a 13.ª jornada.

Imbuída de uma “confiança diferente” no rescaldo da goleada caseira sobre o Gil Vicente (4-0), a formação vimaranense preparou a visita aos ‘encarnados’ disposta a “manter o ADN”, assente na posse de bola e na pressão à defesa adversária, mas com a noção de que pode ser penalizada ao cometer erros, face à qualidade adversária.

“O mínimo erro contra equipas desta qualidade pode fazer a diferença. E convém sermos eficazes, porque poderemos ter menos oportunidades. Mas podemos ter dois lances e fazer dois golos. O futebol é imprevisível. Se mantivermos a energia apresentada e jogarmos com rigor, acredito que faremos um grande jogo e sairemos com a vitória”, disse Rui Borges, na antevisão ao encontro marcado para sábado, às 18:00.

Reconhecendo que o internacional argentino Di María, autor de seis golos e três assistências nos últimos quatro jogos das ‘águias’, é “um jogador acima da média, na finalização ou no passe”, o técnico dos minhotos considerou que a equipa treinada por Bruno Lage é “a melhor em jogo jogado”, face às recentes derrotas do líder Sporting, pela “intensidade alta” que exibe em campo.

Rui Borges lembrou ainda que, face ao desaire dos ‘leões’ na quinta-feira, com o Moreirense (2-1), o Benfica se vai apresentar “muito motivado” em busca de uma vitória que lhe abra a hipótese de subir mais tarde à liderança, quando realizar o jogo em atraso da oitava ronda, com o Nacional.

Apesar do rendimento ofensivo ‘encarnado’, materializado em 47 golos em 15 jogos desde que Bruno Lage assumiu o comando técnico, em setembro, o técnico do Vitória considerou que os lisboetas também são competentes a defender, com uma dupla de centrais completa nos vários aspetos do jogo e uma postura normalmente pressionante no meio-campo contrário.

Para contrariar esses atributos das ‘águias’, Rui Borges espera que o Vitória se apresente na Luz com dinamismo e mobilidade e com “decisões simples”, que exponham o Benfica a problemas diferentes a que está habituado.

“Não mudamos a nossa ideia de jogo, independentemente do adversário. Não deixaremos de ser Vitória e de tentar ganhar, que será sempre o nosso objetivo. (…) Não vamos fugir ao que temos sido. Quando estivermos mais baixos, será porque o adversário estará melhor”, vincou.

Com Borevkovic ainda em dúvida, depois de sofrer uma fratura no nariz perante o Gil Vicente, o treinador afirmou que o restante plantel vitoriano está disponível e mostrou-se agradado com “as dores de cabeça” no meio-campo, face ao regresso de Tiago Silva e às recentes exibições de Manu Silva.

O Vitória de Guimarães, sexto classificado da I Liga, com 21 pontos, defronta o Benfica, terceiro, com 28, em partida agendada para sábado, às 18:00, no Estádio da Luz, em Lisboa, com arbitragem de Miguel Nogueira, da associação de Lisboa.

Sem Soares a liberdade e a democracia teriam esperado mais

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foto: Arlindo Homem

O Presidente da República homenageou hoje “a vida singular, irrepetível” de Mário Soares, “sempre livre, sempre igualitário, sempre anti-xenófobo”, e considerou que sem ele a liberdade e a democracia em Portugal teriam esperado mais.

Marcelo Rebelo de Sousa, que discursava na sessão solene evocativa dos cem anos do nascimento de Mário Soares, na Assembleia da República, que se completam no sábado, apontou essa sessão como exemplo da liberdade que o antigo chefe de Estado ajudou a criar.

“Sem ele, Mário Soares, não seria possível uma sessão evocativa tão livre como a de hoje: uns livremente evocando mais os seus méritos, outros evocando livremente os seus deméritos. Uns louvando a democracia que ajudou a construir, outros querendo outro futuro que não o que ele sonhou”, afirmou.

“Foi isso, a liberdade e a democracia, que ele ajudou a criar. Foi isso que permitiu este parlamento livre e a sessão solene que estamos a viver”, acrescentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, sem Mário Soares “a sua coragem e as suas convicções, que eram de um partido, nos ultrapassavam em muito um partido, a liberdade, a democracia e a Europa teriam esperado mais, ou vivido atalhos mais penosos, ou conhecido mais sobressaltos ou empecilhos, ou mesmo conflitualidades internas, autoritarismos ou desvios não democráticos”.

O Presidente da República questionou “quem esteve, como Mário Soares, tão presente e tão decisivamente presente nos três tempos políticos: o tempo da ditadura, o tempo da revolução, o tempo do nascimento da democracia, o tempo das duas primeiras décadas dessa democracia”.

“Do universo partidário, nenhum. Do universo militar, sim, largamente um: o primeiro Presidente da República português eleito em democracia, decisivo no fim da revolução, no início da democracia, na civilização do regime, no regresso dos militares aos quartéis e na abertura da governação à direita”, considerou, realçando em seguida, porém, que Ramalho Eanes “não tinha participado na resistência à ditadura, em que Mário Soares tinha intensamente militado durante 30 anos”.

Greve na saúde fecha serviços e adia cirurgias, consultas e exames

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

Cirurgias e exames adiados, consultas e serviços encerrados são resultado da greve de hoje dos trabalhadores de saúde, que no período da noite registou uma adesão a rondar os 80%, disse à Lusa uma dirigente sindical.

A greve foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (Fesinap) e está incluída na greve geral de trabalhadores da administração pública.

Fazendo um ponto da situação às 09:00 de hoje em frente ao Hospital Santa Maria, em Lisboa, Elisabete Gonçalves, da comissão executiva da Fesinap, adiantou que o impacto da paralisação vai sentir-se “a partir de agora” com o encerramento de serviços e cuidados de saúde, como cirurgias e exames, adiados.

“Já começamos a receber dados nesse sentido. Ou seja, já temos consultas encerradas, como é o caso no Hospital de Santa Maria e em Faro e noutros hospitais da região Metropolitana de Lisboa começam também a surgir dados do encerramento de consultas e a não realização de exames e de cirurgias programadas”, disse a dirigente sindical à Lusa.

Sobre a adesão à greve, entre as 00:00 e as 08:00 de hoje, Elisabete Gonçalves indicou que na área Metropolitana de Lisboa rondou os 85%, no Norte os 90% e no Centro os 80%.

No sul do país (Algarve, Beja e Portalegre), rondou os 75% a 80%, referiu, rematando que, “até ao momento, tem sido uma boa adesão à greve”.

Os trabalhadores do setor da saúde reivindicam a abertura dos processos negociais, contratação de mais trabalhadores e valorização profissional.

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