Carlos Moedas quer o fim imediato do sistema de depósito de embalagens. Maria da Graça Carvalho garante que o Governo não vai recuar e admite alterações para evitar lixo espalhado nas ruas.
O Governo não vai acabar com o sistema Volta. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, rejeitou o pedido de Carlos Moedas para suspender de imediato o mecanismo que permite receber 10 cêntimos por cada garrafa de plástico ou lata devolvida.
O presidente da Câmara de Lisboa tem associado o sistema aos problemas que se têm verificado junto dos contentores, onde algumas pessoas procuram embalagens para obter o respetivo reembolso. Para o autarca, a situação está a agravar os problemas de higiene urbana e a criar um novo problema social.
Maria da Graça Carvalho tem uma leitura diferente. A ministra considera que a situação está sobretudo ligada à pobreza e às pessoas sem-abrigo e defende que o fenómeno não pode ser atribuído ao Volta.
Ainda assim, o Governo admite que é preciso atuar. Uma das soluções em análise passa pela criação de recipientes específicos para a colocação das embalagens com valor de retorno, impedindo que sejam misturadas com o lixo comum e reduzindo a necessidade de remexer nos contentores.
Enquanto Lisboa pede o recuo da medida, o Executivo aponta para os resultados obtidos na reciclagem. Desde o lançamento do sistema, a 10 de abril, já foram devolvidas cerca de 304 milhões de garrafas, segundo os dados apresentados pela ministra.
A taxa de devolução chegou aos 44%, acima dos 40% previstos como objetivo para o final deste ano. O Governo recorda também que Portugal tem enfrentado penalizações financeiras por não cumprir as metas europeias de reciclagem de embalagens.


