Com o intuito de ouvir a opinião dos portugueses relativamente às Eleições Legislativas de 2024, o Notícias em Direto foi até à Praça da Fruta, nas Caldas da Rainha, para perceber o ponto de vista dos cidadãos e as expectativas em relação aos partidos políticos.
No período que antecede as eleições em Portugal, cidadãos de diferentes idades e géneros expressaram as suas opiniões sobre os desafios e problemas que o país enfrenta, bem como as expectações para o dia 10 de março.
Beatriz e Margarida Viola, irmãs de 28 e 21 anos, foram as primeiras a compartilhar as suas preocupações. Da corrupção à questão da habitação, foram imensos os temas que contestaram: “Infelizmente Portugal tem muita gente corrupta, há muita gente que enche os bolsos à nossa custa, dos contribuintes”, afirma Beatriz Viola.
“A habitação está cara. É impossível! A alimentação ainda mais impossível está, e a nossa geração quer construir, quer independência e não conseguimos (…) eu acabei uma licenciatura, quero procurar trabalho, ninguém me aceita. Como é que eu vou criar a minha própria independência? Como é que eu vou comprar uma casa ou alugar sequer?”, lamenta Margarida.
Mostraram ainda um total desagrado com os debates políticos transmitidos na televisão: “Os debates que eu tenho acompanhado tem sido uma palhaçada. O que se tira de lá é só memes e porcaria, porque eles só se interrompem uns aos outros, e gozam uns com os outros, isso não é um debate”, critica Margarida. “Não falam do essencial… que é o estado do país, quais as medidas para correção, eles simplesmente atacam se entre si e levam aquilo a nível pessoal. Não falam do que é importante no nosso país”, julga Beatriz.
Com um olhar mais maduro, José Martins, português que esteve em Angola durante 30 anos, propõe uma abordagem unificada para a política nacional, argumentando que o país deve priorizar o trabalho e a disciplina para alcançar o progresso.
“Acabarem com as políticas de esquerda e de direita, haver uma política ao país. O país é que era o principal, porque se o país tiver bem, nós não estamos muito mal”, sugere José.
Assume ter sempre votado no partido mais à direita e desta vez não será diferente, segundo o próprio. Num tom encorajador José Martins afirma “Vou votar no dia 10. A mudança já há muito tempo que devia existir, não é de agora. E não é com as teorias de políticas que vão lá, é com trabalho, ordem e disciplina”.
Tal como José, Cristina Henriques, vendedora na Praça da Fruta, acusa os partidos de “prometerem tudo aos portugueses e não fazerem nada”, no entanto, toca num ponto diferente, a imigração. Cristina apela que haja um maior controlo das entradas em Portugal: “Devíamos parar de deixar entrar tanta gente… daqui a uns anos vai se ver muita diferença, porque talvez vamos perder a nossa soberania… Se formos a algumas das grandes cidades, o país já não é nosso, já não temos a nossa identidade. Eu acho que se não travarmos isso agora, já não vamos ter mão nisso”, lamenta Cristina.
Esta vendedora caldense assume que para que Portugal ande para a frente é necessária uma grande mudança e que para isso “deveríamos escolher uma coisa radical para se notar uma grande diferença”, bem como não haver tanta abstenção: “Digo-lhe a verdade, nem sempre vou (votar), mas este ano vou e toda a gente devia ir”, aconselha Cristina.
Susana Santos, após fazer umas compras nas bancas da Praça da Fruta, compartilhou a sua incerteza sobre os partidos políticos e o processo eleitoral, enfatizando a importância da saúde e do transporte público para o desenvolvimento do país, e deixando clara a seguinte frase: “prometem, prometem e não fazem nada”.
Já os jovens que o Notícias em Direto abordou destacaram questões relativas ao custo elevado da habitação e o aumento dos custos de vida relativamente ao tempo dos seus pais: “As rendas… especialmente, para nós estudantes, que não é, a certo ponto, andamos um bocadinho à custa dos pais devido aos custos absurdos. Se não formos procurar lá fora… nós não conseguimos comprar casas, não conseguimos construir uma vida, como antes se conseguia com a nossa idade”, explica Carina lamentando. Esta jovem, que se mudou para as Caldas da Rainha para continuar estudos, acaba a sua entrevista com uma frase que foi ouvida várias vezes ao longo da manhã: “Eles prometem, prometem, mas nunca conseguem fazer certas evoluções”.
Estes testemunhos refletem a diversidade de opiniões e preocupações dos cidadãos portugueses diante das eleições. Com o futuro do país em jogo, muitos esperam por mudanças significativas e soluções concretas para os desafios enfrentados pela sociedade portuguesa. O dia 10 de março promete ser um momento crucial para definir o rumo político de Portugal e moldar o destino das próximas gerações, por isso não fique em casa, faça como todos estes testemunhos e vá votar.


