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Segunda-feira, Junho 1, 2026

Politécnico de Tomar e Câmara de Abrantes querem candidatar-se a apoio para requalificar escola

O Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Câmara de Abrantes querem apresentar uma candidatura conjunta ao Fundo de Transição Justa para a requalificação da Escola Superior de Tecnologia (ESTA), num investimento de 8 milhões de euros.

O anuncio foi feito hoje pelo instituto e pela autarquia do distrito de Santarém.

A proposta, a ser submetida ao Fundo de Transição Justa através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), pretende reabilitar a ESTA e agregar todas as valências da escola que atualmente se encontram dispersas em vários edifícios no centro da cidade.

“Não é uma nova escola, porque nós efetivamente já temos parte da escola (ESTA), a parte laboratorial e de investigação científica, integrada no TagusValley – Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes. O que queremos é agora, adicionalmente, reabilitar e juntar espaços que estão disponíveis para formação profissional”, indicou o presidente do Instituto Politécnico de Tomar, João Coroado.

O objetivo deste investimento é “mitigar os efeitos sociais e económicos decorrentes do fecho da produção de energia a carvão” na central do Pego, em Abrantes (Santarém).

O IPT e a autarquia visam assim dotar “a sub-região do Médio Tejo de instalações adequadas e cursos superiores que possibilitem formação especializada através de capacitação destes ex-ativos [da central do Pego] para novas atividades e ajudem a captar, fixar pessoas e a criar emprego”, indicou à agência Lusa o presidente do IPT.

Para João Coroado, há uma “mais-valia” em “juntar à atividade docente e à atividade de graduação superior uma atividade profissional dirigida às necessidades decorrentes do impacto do fecho da atividade de produção de energia a partir do carvão”.

Questionado sobre o montante de investimento necessário, o responsável do IPT disse que os cerca de 8 milhões de euros (ME) previstos “não servem só para a reabilitação da infraestrutura (edifício), como também para a necessidade de equipar espaços para a formação”.

“Portanto, a este valor está associado quer a infraestrutura de base, quer as linhas programáticas relacionadas com as energias renováveis, que são as prioritárias, com a metalomecânica e com a mecatrónica, que são essenciais para requalificar os ativos que estavam associados à produção de energia a partir do carvão e à atividade decorrente da central” do Pego, indicou, lembrando que o IPT e a Câmara de Abrantes já tinham um projeto em mãos para concentrar no Parque de Ciência e Tecnologia todas as valências da ESTA.

João Coroado disse ainda à Lusa ver “com muitos bons olhos” a candidatura ao Fundo de Transição Justa para esta pretensão de financiamento, afirmando que tal “permite, a curto médio prazo, ter o projeto desenvolvido” e poder avançar.

“Porque o que está preparado, está licenciado, e já temos autorização por parte da Direção-Geral do Ensino Superior, da DGES (…) Efetivamente falta-nos o financiamento que as duas instituições por si não têm disponível”, indicou.

“Isto é uma mais-valia significativa para toda a região, naturalmente dirigida principalmente para a microrregião de Abrantes, mas nós não podemos esquecer que o encerramento de uma atividade tão importante como a produção de energia a partir do carvão teve efeitos colaterais que se se estenderam a todo o Médio Tejo”, notou.

O presidente da Câmara de Abrantes, por sua vez, disse à Lusa que “o encerramento da Central Termoelétrica a carvão deixou um rasto de perda significativa na economia” local e regional, que estimou em “muitos milhões de euros”, tendo defendido que “uma das formas de mitigar os prejuízos para toda a região será, seguramente, através do ensino superior, da capacitação de pessoas, do conhecimento, da ciência e da tecnologia”.

Nesse sentido, Manuel Jorge Valamatos, que também preside à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, disse que é “uma excelente oportunidade aproveitar o Fundo de Transição Justa, um fundo europeu que pretende mitigar o impacto do encerramento da central”, para submeter a candidatura ao projeto.

“O Fundo de Transição Justa esteve muito focado, numa fase inicial, para as empresas (…), mas nós também entendemos que o impacto maior do encerramento da central foi precisamente aqui no nosso concelho, em Abrantes, e olhamos para isto como uma excelente oportunidade do FTJ deixar em Abrantes essa marca de um fundo que se destinou a minimizar os impactos do encerramento da central, em termos da economia, e seguramente marcaria muito a diferença e daria muita justiça a todo este processo”, defendeu.

O projeto para a requalificação da ESTA vai ser submetido e apresentado para aprovação na reunião de Câmara Municipal de Abrantes até ao final de janeiro.

Segundo o projeto, os edifícios afetos à nova Escola Superior de Tecnologia de Abrantes do Instituto Politécnico de Tomar (ESTA.IPT) estarão concentrados no espaço do Parque de Ciência e Tecnologia, que se situa em Alferrarede, no concelho de Abrantes, agregando todas as valências que atualmente se encontram dispersas em vários edifícios no centro da cidade.

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