16.5 C
Caldas da Rainha
Sábado, Maio 23, 2026

Polícias e guardas em “manifestação simpática” contra negligência e injustiça

Polícias e guardas que participaram na manifestação desta quarta-feira em Lisboa, uns do norte e outros do sul do país, acusam o governo de “negligência e injustiça” e dizem que vão continuar a participar em protestos.

Uns de Aveiro, outros de Elvas, uns PSP outros GNR, as queixas de todos ultrapassam o atual Governo, apontam os dedos a outros anteriores, e dizem que “a injustiça é muita”.

“Quando a tensão vem crescendo chega a um ponto que é insuportável”, diz à Lusa um manifestante, da PSP, de forma calma, como foi calma a manifestação desta quarta-feira, segundo os organizadores uma das maiores, ao contrário de outras quase silenciosa, sem palavras de ordem ou cartazes, apenas para mostrar que as forças de segurança estão unidas.

A manifestação desta quarta-feira foi organizada pela plataforma composta por sete sindicatos da Polícia de Segurança Pública e quatro associações da Guarda Nacional Republicana.

Esta plataforma foi criada para exigir a revisão dos suplementos remuneratórios nas forças de segurança e o protesto surge na sequência “da luta pela dignificação das carreiras da PSP e GNR, que os sindicatos e associações consideram que têm sido desconsideradas pelo Governo, com a ‘machadada final’ a ser a secundarização da PSP e GNR na atribuição do suplemento de missão da PJ”.

Em frente da Assembleia da República os manifestantes cantaram o hino nacional, acenderam isqueiros, gritaram “Portugal”, “Justiça” e “Polícia unida, jamais será vencida”, terminando assim o protesto, na presença de um efetivo policial fardado mínimo e sem que estivesse visível sequer a polícia de intervenção.

Ao longo do percurso da marcha, do Largo do Carmo à Assembleia, o trânsito foi cortado pela Polícia Municipal e também não foi visível qualquer força policial fardada.

“Vai ser muito tranquilo, esta é uma manifestação simpática e simbólica”, assegurava à Lusa um elemento da GNR, de Elvas, explicando que todos estavam em Lisboa para “lutar pela igualdade e pelos direitos que não têm nestas anos todos”.

É “lutar pela dignidade da GNR e da PSP”, com condições de trabalho abaixo da média europeia, é “mostrar à sociedade civil o nosso descontentamento”.

Foi o que fizeram a descer a Calçada do Combro, a meio do percurso, entoando o hino e recebendo acenos de algumas janelas. No meio deles um polícia de Aveiro queixava-se da injustiça, outro dizia que o Governo tem sido negligente, que os carros da PSP estão mesmo “nas lonas”, e que, dizia outro, a PSP corre muitos mais riscos do que a Polícia Judiciária.

“Só vestir uma farda já é uma situação perigosa”, acrescentava o primeiro polícia, afirmando: “se somos um braço do Estado devíamos ter o apoio dele, e não temos”.

Com garantias de que vai continuar a participar nas manifestações, como o GNR já fizera antes, e já quase na Assembleia da República, deixa um lamento o polícia: “tudo o que se passa é um grande fator de desmotivação”.

Também local de encontros, de cumprimentos, de abraços e de alguma cerveja, a manifestação terminou pelas 21:00 como começara: tranquila, quase sem cartazes e palavras de ordem, sem barulho e sem discursos.

Artigos Relacionados

Últimas Notícias

Optimized by Optimole