O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, defendeu esta quinta-feira, na abertura do FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, a valorização dos «livros feitos por humanos» e o reforço dos hábitos de leitura entre crianças e jovens, alertando para os riscos da substituição da leitura por resumos automatizados através de inteligência artificial.
O governante manifestou também estranheza perante a aparente passividade do país face à recente quebra de competências dos alunos portugueses identificada pelo estudo PISA, defendendo uma utilização disciplinada dos ecrãs e a preservação do tempo e da sensibilidade associados à criação literária.
A sessão inaugural ficou ainda marcada pelo anúncio do Galardão José Pinho, criado pelo município para homenagear o livreiro e mentor do festival. A primeira distinção será entregue ao editor Zeferino Coelho, reconhecido pelo seu papel na edição de autores de língua portuguesa, incluindo José Saramago. A cerimónia de encerramento contará com a presença do Presidente da República.
Sob o tema «Para além da pele», a edição deste ano inclui interpretação em Língua Gestual Portuguesa nas 13 mesas-redondas de autores, numa aposta na acessibilidade e na participação alargada do público. A curadora Joana Pinho destacou a importância da literatura como instrumento de resistência ética e de promoção da empatia, num contexto internacional marcado por conflitos armados e crises humanitárias.
O presidente da Câmara de Óbidos, Filipe Daniel, destacou o impacto do festival no concelho e o investimento municipal na atribuição de vales de 20 euros para a compra de livros a todos os alunos do agrupamento escolar local, com o objetivo de democratizar o acesso à leitura.
O vereador da Cultura, Ricardo Duque, e o presidente da Óbidos Criativa, Pedro Rodrigues, salientaram o caráter gratuito da programação e o contributo do Plano Estratégico 2025-2035 para consolidar a afirmação literária da vila, diversificar públicos e promover o debate.
A vice-presidente da Fundação INATEL, Maria Eduarda Marques, parceira na organização e na curadoria do programa FOLIA, destacou a cooperação institucional que sustenta o festival há mais de uma década, bem como o contributo da instituição para a descentralização artística e a salvaguarda do património imaterial.
Leitão Amaro elogiou ainda o percurso de Óbidos como Cidade Criativa da Literatura da UNESCO, considerando relevante a continuidade de um projeto cultural desenvolvido fora dos grandes centros metropolitanos.


