16.9 C
Caldas da Rainha
Terça-feira, Julho 7, 2026
Início Site Página 824

Ucrânia combate para evitar assimilação pela Rússia – Entrevista

0
Foto: D.R.

O diplomata grego Vassilis Papadopoulos, ex-embaixador em Kiev, considera que os ucranianos estão a combater pela manutenção da independência do seu país, evitar uma assimilação pela Rússia e a imposição de um regime indesejado.

“Acredito na Ucrânia, sei exatamente o que se passou quando lá estive, asseguro que Maidan [no decurso inverno de 2013/2014] foi uma revolta genuína e o motivo é simples: os ucranianos aprenderam nas duas ou três últimas décadas que preferem viver num regime democrático e liberal, que [o Presidente da Rússia Vladimir] Putin condena, face a um regime semelhante ao que existe em Moscovo”, indicou em entrevista à Lusa Vassilis Papadopoulos, 63 anos, que assumiu funções em Lisboa em dezembro passado.

Diplomata, escritor e poliglota – para além da sua língua materna domina o francês, inglês, espanhol e russo – esteve destacado na Ucrânia por duas ocasiões, entre 1994 e 1996 como primeiro secretário, e como embaixador de 2013 a 2016, sendo testemunha das alterações políticas radicais que se sucederam após Maidan e que determinaram logo em 2014 a anexação da Crimeia pela Rússia e o início da rebelião secessionista russófona no Donbass.

“Por um lado lutam pela independência da sua terra, do seu país, e por outro lutam para não serem assimilados pela Rússia e serem forçados a viver num tipo de regime que não querem”, prosseguiu.

“Simpatizo muito com eles, não acredito que países estrangeiros possam impor o tipo de regime em que se quer viver, que presidente vão eleger, em quem votar e como vão viver a sua vida. Nunca encontrei nenhum ucraniano que pretendesse que o seu filho fosse estudar para Moscovo, todos queriam enviá-los para Londres, Alemanha, Itália… se tivessem essa hipótese, claro”, disse à Lusa.

A sua passagem pela Ucrânia – que serviu de inspiração para o seu romance “Olya. Dois invernos e uma primavera”, publicado em Atenas em 2007 – é considerada determinante para entender a atual situação no país na sequência da invasão militar russa em larga escala de fevereiro de 2022.

“Tinha muitos amigos em Kiev de origem russa e ajudaram-me a perceber mais que ninguém sobre o que se passava na Ucrânia. Os que pertenciam à minoria russa disseram-me que iriam apoiar a Ucrânia apesar de serem russos ‘de sangue’, porque queriam um melhor futuro. E a Ucrânia pretende um futuro melhor, enquanto a Rússia caminha para um futuro horrível devido à situação política e económica”, sustentou.

O diplomata e escritor, com formação em Direito e estudioso de temas filosóficos, aproveitou para esclarecer a forma como considera ser possível “especificar uma identidade”, que na sua perspetiva não se relaciona apenas com a origem ou a história familiar.

“Também tem que ver com a forma como encara o seu futuro. E como gostaria de definir esse futuro. Esse era o principal argumento dos meus amigos russos que eram cidadãos ucranianos em Kiev e Mariupol”, para onde diz ter viajado muitas vezes devido à comunidade grega instalada nesta cidade do sul e atualmente controlada pelas forças secessionistas russófonas e pelo Exército russo.

A abordagem do diplomata e ensaísta face à Rússia é dúplice, ao condenar por um lado a natureza do regime liderado por Putin, mas também sublinhar o decisivo contributo do vasto país para a cultura europeia.

“Não dou muita importância ao que diz Putin ou a liderança russa. A partir do momento em que disseram, tantas vezes e a tantos líderes, que estava excluída uma invasão da Ucrânia, e depois invadiram, a partir desse momento deixei de prestar muita atenção às suas declarações públicas”, assinalou.

“Mas sou um grande admirador da cultura russa. Acredito absolutamente que a Rússia possui alguns dos melhores escritores na história da civilização humana, alguns dos melhores compositores…”, frisou.

“E acredito firmemente que todas essas pessoas pertencem à cultura europeia. A Rússia é e deve ser parte da cultura europeia. As escolhas políticas do atual regime, que pensa poder construir outra coisa, são na minha opinião contra a natureza das coisas, contra a história da Rússia e contra a alma russa, tal como é descrita por esses grandes escritores e compositores. Julgo tratar-se de um lapso temporário”, afirma o diplomata.

Vassilis Papadopoulos tem-se centrado em particular no que define de “ataques à democracia orquestrados na Rússia” ou aos “seus argumentos contra a democracia liberal”, indicando que leu diversos livros em russo sobre esta questão que considera fulcral.

“Cometem um erro básico, a democracia não é um objetivo estático. Não podemos dizer que hoje atingimos a democracia, a democracia é uma luta constante, sempre em construção, não existe uma dádiva, tem de se tentar sempre. Os princípios fundamentais da democracia são o Estado de direito, uma luta diária de juízes, legisladores, etc., e a garantia de direitos políticos, humanos e sociais para todos os cidadãos, incluindo as minorias”, argumentou.

Um processo que considera progressivo e no qual sempre surgirão “problemas”, mas que exige na sua perspetiva uma “comparação” com outros regimes em vigor. E neste raciocínio, o diplomata optou por assumir antes a sua condição de escritor e pensador.

“Acredito firmemente na natureza humana e Aristóteles disse que a natureza humana tende a dirigir-se para a autoindulgência, no sentido em que a natureza humana pretende prosperidade, melhoria da sua forma de vida, da condição humana, a necessidade de garantir um futuro onde possam comer, beber, ter segurança, dormir sob um teto. Coisas simples”, refletiu.

“E acredito que nesta questão da Ucrânia para um futuro melhor, corresponde a uma profunda necessidade da natureza humana tal como foi descrita por Aristóteles, e acredito que os russos também o pretendem. Mais tarde ou mais cedo vão exigir mais liberdade, mais prosperidade, um futuro melhor”, reforça o diplomata.

Neste sentido, Papadopoulos acredita que a Rússia acabará por regressar à “esfera da civilização europeia ocidental à qual pertence”, mesmo admitindo que também esteja a ser construída uma “imagem idílica da Europa”, a miragem de muitos refugiados, incluindo os ucranianos.

Nos seus estudos ensaísticos, Papadopoulos tem-se também centrado na obra de Giorgos Seferis, diplomata e “um grande poeta e um grande ensaísta”, sempre em busca do significado da Grécia e da herança grega, após ter perdido em definitivo a sua cidade natal, Esmirna, no rescaldo da guerra greco-turca em 1922.

“Para mim, Seferis representa Ulisses, a Odisseia, representa um diplomata que de muda de país para país, como eu fiz, mas sempre nostálgico com o seu país, tenta defender o seu país, promover o seu país, e encontrar qual é exatamente a herança deste país. E na Grécia este fenómeno é muito mais intenso porque possui uma longa tradição”.

Uma reflexão inserida no seu último livro “O Fantasma de Ulisses”, título proveniente de uma citação de um dos poemas de Seferis.

Detido homem suspeito de importunação sexual de menores em praia da Caparica

0

Um homem, de cerca de 50 anos, foi hoje detido numa praia da Costa da Caparica, em Almada, por suspeita de importunação sexual e atos exibicionistas perante menores, disse à agência Lusa fonte da Polícia Marítima de Setúbal.

A detenção ocorreu pelas 13:00 na praia do Tarquínio-Paraíso, na Costa da Caparica, segundo adiantou à Lusa o comandante da Polícia Marítima de Setúbal, Marco Serrano Augusto.

De acordo com a mesma fonte, o homem, de cerca de 50 anos, praticou atos exibicionistas e de cariz sexual perante a presença de menores, tendo sido denunciado à Polícia Marítima.

O suspeito foi constituído arguido e será presente a tribunal na segunda-feira para a aplicação das respetivas medidas de coação.

Torrense arrecada o segundo triunfo consecutivo e ‘afunda’ o Sporting da Covilhã

0

Os golos de Patrick Fernandes, Cícero Alves e Santiago Godoy permitiram ao Torreense vencer o Sporting da Covilhã por 3-1, em jogo da 27.ª jornada da II Liga de futebol, disputado hoje em Torres Vedras.

Com este resultado, o Torreense, que arrecadou a segunda vitória consecutiva, é oitavo classificado, com 37 pontos, ao passo que os covilhanenses, que carregam a lanterna-vermelha do campeonato, com 21 pontos, averbaram o terceiro desaire seguido e têm a tarefa ainda mais complicada na luta pela permanência.

Já depois de Patrick Fernandes ter ficado próximo de inaugurar o marcador através de golo com nota artística, a formação da Covilhã desperdiçou a melhor oportunidade de que dispôs na primeira parte.

Aos 23 minutos, Gustavo Marques protagonizou uma entrada imprudente sobre Aponza dentro da área do Torreense, mas, na conversão da grande penalidade, Gilberto Silva não teve engenho para bater Vágner, que adivinhou o lado e segurou o empate.

Quem não marca sofre e foi mesmo o que aconteceu instantes depois: aos 34 minutos, Cícero Alves desmarcou Patrick Fernandes e o avançado, na cara de Bruno Bolas – que podia ter feito melhor –, desviou para o primeiro tento da tarde.

No recomeço da etapa complementar, o treinador Alexandre Costa colocou Kukula para tentar alterar o rumo dos acontecimentos, mas foi a formação comandada por Pedro Moreira a obrigar a nova mexida no marcador: aos 47 minutos, o médio Cícero Alves surgiu em zona de finalização e, a passe de Frédéric Maciel, dilatou a diferença.

Aos 68 minutos, o avançado Aponza reduziu para os ‘leões da Serra’, e, 10 minutos depois, o empatou só não chegou porque Vágner esteve novamente em grande plano e defendeu o cabeceamento de Lucão.

Aos 88 minutos, Juan Balanta intercetou um passe do guarda-redes Bruno Bolas e ‘disparou’ à barra, sendo que, já na compensação, Santiago Godoy teve melhor pontaria e sentenciou o resultado final a favor da formação de Torres Vedras.

Jogo no Estádio Manuel Marques, em Torres Vedras.

Torreense – Sporting da Covilhã, 3-1.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores:

1-0, Patrick Fernandes, 34 minutos.

2-0, Cícero Alves, 47.

2-1, Aponza, 68.

3-1, Santiago Godoy, 90+1.

Equipas:

  • Torreense: Vagner, Nuno Campos, João Afonso, Gustavo Marques, Simão Rocha, Diego Raposo (Neneco Renteria, 70), Jovan Lukic (Juan Balanta, 70), Cícero Alves, Frédéric Maciel (Renato Santos, 79), João Vieira (Harramiz, 79) e Patrick Fernandes (Santiago Godoy, 63).

(Suplentes: Carlos Henriques, Santiago Godoy, Harramiz, Juan Balanta, João Paulo, Picas, Renato Santos, Neneco Renteria e Keffel Resende).

Treinador: Pedro Moreira.

  • Sporting da Covilhã: Bruno Bolas, Jaime Simões, Ângelo Meneses (João Traquina, 55), Lucão, Gilberto Silva (Diogo Cornélio, 83), Lucho Vega, Zimbabwé, Nkanyiso Shinga, Nuno Rodrigues (Zé Tiago, 55), Gildo Lourenço (Kukula, 46) e Wilinton Aponza.

(Suplentes: Igor Araújo, Pedro Casagrande, Sena Yang, Kukula, Zé Tiago, Jorginho, Diogo Cornélio, Agustin Marsico e João Traquina).

Treinador: Alexandre Costa.

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Lucho Vega (65), Aponza (69) e Lucão (75).

Assistência: 1.218 espetadores.

ANIMAL organiza marcha anual pedindo direitos dos animais na Constituição

0

A associação ANIMAL vai realizar a marcha anual no dia 15 de abril, pedindo que a proteção dos animais seja “inequivocamente” inserida na Constituição Portuguesa, no âmbito da revisão em curso.

A associação tem uma petição a correr, que já recolheu 27.784 assinaturas, “Pela inclusão da protecção dos animais na Constituição da República Portuguesa”, e este será o mote da marcha deste ano, uma vez que “embora a Marcha seja sobre a protecção dos animais em geral, a cada ano há um foco especial na campanha da altura”.

Em comunicado, a ANIMAL recorda que a primeira marcha aconteceu em 2000 e que, “salvo raras exceções”, acontece todos os anos em Lisboa, contando com a participação de “dezenas de grupos de proteção dos animais de todo o país, bem como partidos políticos e, claro, com sociedade civil”.

“A marcha surgiu precisamente para juntar pessoas da causa, uma vez por ano, de forma simbólica, em Lisboa. Assim, convidamos toda a gente a estar connosco no próximo sábado. Pelos animais, sempre, sem esquecer a importância do respeito e inclusão dos direitos de todas e todos”, disse, citada no comunicado, a presidente da ANIMAL.

Rita Silva sublinhou que sem o apoio da sociedade civil, o trabalho pelos animais não seria possível e agradeceu a todas as pessoas que apoiam a ANIMAL há quase 30 anos.

O ponto de encontro para a marcha é, como habitualmente, frente ao Campo Pequeno, pelas 15:00, seguindo depois em direção à Assembleia da República, onde “haverá música e convívio entre ativistas”.

Parque Laudato Si, um “oásis de tranquilidade” em plena cidade de Lisboa – Reportagem

0
© João Polónia/ Notícias Em Direto

Em plena cidade de Lisboa, perto de locais de grandes aglomerações, existe um “oásis” de tranquilidade, preparado para o descanso, usufruto da natureza ou reflexão sobre a necessidade de “cuidar da Casa Comum”, respondendo ao apelo do Papa Francisco.

Trata-se do Parque Laudato Si, criado no complexo do Convento da Luz, na freguesia de Carnide, aproveitando o jardim secular do antigo palácio neoclássico mandado construir em 1878 por Jacinto José de Oliveira e que os frades da Ordem Franciscana adquiriram em 1939.

Com árvores centenárias, desde dezembro de 2022 que o espaço está transformado num parque inspirado na encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco, na qual são feitos alertas para os efeitos do aquecimento global na vida dos mais pobres e apelos a que “a humanidade tome consciência da necessidade de mudar modos de vida, produção e consumo” para o combater.

No texto, Francisco critica também, entre muitas outras ideias, um sistema económico que aposta na mecanização para reduzir custos de produção e faz com que “o ser humano se vire contra si próprio”, defendendo que o valor do trabalho tem de ser respeitado numa “ecologia integral”.

O parque, “com inspiração do Papa Francisco, que também se inspira em São Francisco de Assis, concretamente no Cântico das Criaturas, o que faz é o convite aos leitores, quer do poema de Francisco de Assis, quer do Francisco de Roma, do Papa (…). Esta encíclica, no fundo, traz para o nosso tempo esta inspiração que Francisco de Assis nos convida a sintonizar, a encontrarmo-nos verdadeiramente com todos os seres, com toda a realidade”, explica frei Hermínio Araújo, um dos responsáveis e dinamizador de atividade no parque.

Para este franciscano de 52 anos, nascido na arquidiocese de Braga e atualmente integrando a comunidade franciscana de Varatojo, Torres Vedras, o que se faz no parque do Convento da Luz “não é apenas uma experiência unicamente religiosa (…). Propomos uma experiência espiritual. E esta é a parte mais significativa, para crentes e não crentes, para gente da ciência, por exemplo, para gente com preocupações ambientais”.

Segundo o religioso, “a experiência espiritual é, essencialmente, a relação da pessoa com ela, com os outros, com tudo, com todos e, se é crente, com Deus”, sublinhando que ali se pode praticar “um exercício dos sentidos”.

Todo o contacto com o parque, onde existem um pequeno lago, uma réplica de gruta com uma imagem de Nossa Senhora, bancos em pequenos recantos para a leitura ou a reflexão – que pode ser orientada por pequenas citações da Laudato Si inscritas em placas distribuídas pelo espaço – permite às pessoas “não pensarem apenas na natureza, nas criaturas, no criador, nos problemas ambientais, teoricamente ou sentados no gabinete”.

“É um espaço privilegiado no meio da cidade de Lisboa, é um oásis no meio de um deserto. Com as correrias do nosso dia a dia, às vezes nem temos tempo para parar, para pensar, para sintonizar até connosco próprios”, avisa frei Hermínio, para quem é necessário haver consciência de que o cuidar da Casa Comum deve começar no cuidado de cada um por si próprio.

“Nós somos também esta Casa Comum e, às vezes, na azáfama, no cansaço, na falta de atenção do nosso dia a dia, no stress do dia a dia, é importante termos espaços de paragem”, sublinha.

Para frei Hermínio Araújo, que já viveu na comunidade do Convento da Luz, o parque está aberto a crentes de todas as religiões, bem como a não crentes.

É um espaço “não só de ecumenismo, porque quando nós dizemos ecumenismo é da aproximação entre as igrejas cristãs, mas é também de diálogo inter-religioso (…), e mesmo um espaço intercultural das diferentes tradições, diferentes culturas, diferentes sensibilidades”, afirma.

Quanto à população da freguesia de Carnide, frei Hermínio frisa que “a comunidade conhece o convento já há muito tempo”.

“Já estamos aqui há muitas décadas e muitas pessoas conhecem já este espaço. Ainda não o conhecem, certamente a maioria, para esta atividade [da meditação e do usufruto do Parque Laudato Si], porque começou há pouco tempo. É uma oferta que os franciscanos aqui têm, sobretudo a dois níveis: um tipo de atividade está sobretudo ligado aos nossos irmãos da Ordem Franciscana Secular que trabalham neste espaço, mais em termos quase de formação, de contacto até com algumas fontes de reflexão, como o caso da Encíclica (…)”, explica.

“Os outros tipos de atividade, que eu tenho desenvolvido mais, têm a ver mais com a dimensão contemplativa. Aí, já não trabalho fundamentalmente a inteligência racional, mas mais a inteligência emocional e a inteligência espiritual”, afirma o frade franciscano.

Também os jovens vão ter oportunidade de experimentar as atividades no Parque Laudato Si no período até à Jornada Mundial da Juventude.

O espaço vai ser aproveitado, “mas nós sabemos que a Jornada Mundial da Juventude é ponto de chegada de uma caminhada que já se tem vindo a fazer. Dentro de dias, eu tenho aqui um grupo e outros que, entretanto, vão aparecer, e depois vão participar na jornada”, diz frei Hermínio, para quem é essencial perceber o que “fazer na pós-jornada”.

“Precisava, não apenas nestes dias mais próximos da jornada, chamar a atenção até para isto, para a importância do auto cuidado que pode ser feito a partir, por exemplo, da meditação contemplativa, muito em contacto com estes ambientes”, conclui.

O parque pode ser visitado diariamente, entre as 09:00 e as 18:00, e as visitas, individuais ou em grupo, devem ser marcadas através do número de telefone 217140515. Todos os primeiros sábados de cada mês, há atividade a partir das 15:00.

Portugal com 7.700 pedidos de compensação de militares das ex-colónias, apenas oito em análise

0

A Direção-Geral de Recursos da Defesa recebeu 7.762 pedidos de compensação pela prestação de serviço militar de antigos combatentes recrutados nas ex-colónias portuguesas, dos quais apenas oito estão em análise.

Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, o Ministério da Defesa Nacional refere que a “esmagadora maioria” de pedidos de antigos combatentes – cujo dia é assinalado no domingo – diz respeito a ex-combatentes do recrutamento local que “não têm registos de carreira contributiva em Portugal, seja no Regime Geral de Segurança Social, seja na Caixa Geral de Aposentações, sendo considerados como não abrangidos”, por não reunirem os requisitos legais para a atribuição de complementos especiais de aposentação ou reforma.

Do total de pedidos, “apenas oito estão em análise, podendo levar à atribuição de compensação”.

Estes números constam de uma base de dados da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, que ressalva que pode haver pedidos repetidos por terem sido efetuados pelo mesmo requerente.

Em março, a comissão parlamentar de Defesa apreciou uma informação do gabinete da ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, elaborada pela direção-geral, sobre o seguimento dado a uma resolução do parlamento (apresentada pelo CDS-PP na legislatura passada) que recomendava ao Governo o estudo de compensações para antigos militares recrutados nas ex-colónias portuguesas, “sem registos de carreira contributiva”.

Em causa estão cidadãos naturais de países como Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau que estiveram ao serviço das Forças Armadas portuguesas durante a guerra colonial.

A iniciativa do CDS insistia que o governo desse cumprimento a uma outra resolução conjunta apresentada por PS, PSD, PCP e CDS, já aprovada em 2019, com o objetivo de elaborar “um estudo sobre a forma como poderão ser atribuídos os benefícios constantes na Lei n.º 3/2009” a estes antigos combatentes.

Esta lei define os procedimentos necessários à atribuição dos benefícios decorrentes dos períodos de prestação de serviço militar em condições especiais de dificuldade ou perigo.

Segundo o Ministério da Defesa, a lei, bem como o Estatuto do Antigo Combatente (aprovado em julho de 2020), não afasta estes ex-militares do direito aos complementos especiais de reforma e aposentação, no entanto, é exigido “o registo de uma carreira contributiva nos sistemas de Segurança Social portugueses ou do país com quem tenha sido estabelecido acordo internacional”.

Tal acontece porque a lei não confere o direito a uma prestação autónoma apenas pela prestação de serviço militar.

A tutela sublinha que o facto de se estar abrangido pelo Estatuto do Antigo Combatente não dispensa o cumprimento “dos requisitos especiais fixados por cada diploma para efeito de acesso aos benefícios”.

Isto significa que poderá haver antigos combatentes qualificados como tal pelo Estatuto, “com direito ao cartão”, mas que não terão acesso aos complementos especiais de aposentação ou reforma se não preencherem os requisitos fixados na lei.

Na informação enviada ao parlamento, a Direção-Geral de Recursos da Defesa sugere que, caso seja considerada uma alteração à legislação atual, o benefício a atribuir seja o Suplemento Especial de Pensão (SEP), “uma vez que a aplicação dos restantes benefícios previstos na legislação acarretaria encargos ainda mais avultados”.

No entanto, aquela entidade alerta no texto que o Arquivo Geral do Exército teria “sérias dificuldades” em fazer as respetivas contagens de tempo de serviço militar ou em certificar o cumprimento do serviço militar, “uma vez que apenas dispõe de uma pequena parte dos processos individuais do universo desses antigos combatentes, os quais por razões de vária ordem ou foram destruídos, ou perderam-se”.

A direção-geral salienta ainda que não se sabe se “o pagamento do eventual benefício, por parte da Segurança Social portuguesa, seria ou não exequível, uma vez que o universo a ser abrangido não tem quaisquer registos naquela entidade”.

Durante a guerra colonial, Portugal recrutou milhares de soldados entre as populações locais e, em vários teatros de operações, a maior parte dos efetivos eram constituídos por militares africanos.

Após a guerra, muitos desses soldados foram deixados nos territórios e registaram-se várias execuções extra-judiciais por parte das forças de libertação.

Bienal Internacional de Arte Gaia inicia hoje 5.ª edição em Vila Nova de Gaia

0
Direitos Reservados

A 5.ª Bienal Internacional de Arte Gaia, que começa hoje em Vila Nova de Gaia e tem África como continente convidado, inclui vinte exposições que reúnem mais de 300 artistas de vários países.

O continente convidado desta edição está representado na exposição coletiva do Projecto Manoueuvre, com curadoria de Jorge Salgueiro, que reúne obras de artistas como Alberto Chissano, Gonçalo Mabunda, Kheto Lualuali, Lulu Maparangue, Malangatana, Mapfara, Nino Trindade, Reinata Sadimba, Samuel Muankongue e Simbraz.

“Num pavilhão dedicado, a Bienal Internacional de Arte Gaia acolhe uma mostra de diferentes perspetivas que marcam os percursos artísticos do continente iniciático da história da Humanidade, onde integra ‘ateliers’ de pintura e escultura que, em permanência, juntam artistas portugueses e africanos para a criação conjunta de novas expressões”, destacou a organização.

A um ano do 50.º aniversário do 25 de Abril de 1974, a Bienal apresenta a exposição “Desenhos da Prisão”, que inclui 18 trabalhos realizados entre 1951 e 1959 pelo histórico líder do PCP Álvaro Cunhal “nas cadeias da Penitenciária de Lisboa, onde passou sete anos de rigoroso isolamento, e do Forte de Peniche, de onde se evadiu em 03 de janeiro de 1960”.

A programação inclui também a mostra coletiva de pintura, escultura e desenho “Revolução – 50 anos, 50 artistas”, com curadoria de Ilda Figueiredo, que inclui trabalhos de Rui Ferro, Norberto Jorge, Henrique do Vale, Isabel Lhano, Fernanda Vilas Boas, Diogo Goês e Manuela Bronze, entre outros.

O projeto Manicómio, “pioneiro na promoção de trabalhos de artistas com experiência de doença mental”, também marca presença na bienal com a exposição coletiva “Da cintura para cima sou triste e daí para baixo uma praia”, que inclui obras de Claúdia R. Sampaio, Joana Ramalho e Micaela Fikoff, “para mostrar diferentes olhares sobre a realidade”.

Entre as 20 exposições que integram a bienal, “mais de metade são individuais assinadas por artistas consagrados”, entre os quais Nazaré Álvares, Avelino Rocha, Cristina Ataíde, Eurico Gonçalves, Isabel Cabral e Rodrigo Cabral.

Na mostra dedicada aos artistas convidados, com curadoria de Agostinho Santos, são apresentadas obras de Albuquerque Mendes, Nadir Afonso, Valter Hugo Mãe, Paulo Neves, Luzia Lage, Balbina Mendes, Dalila D’Alte ou António Macedo, entre outros.

Nesta edição, o Concurso Internacional resultou numa exposição coletiva de 38 trabalhos, “selecionados entre os mais de 250 participantes de vários países”.

Além de Vila Nova de Gaia, onde decorre na antiga fiação de Crestuma, em Lever, a bienal terá polos noutras 14 localidades portuguesas: Alfândega da Fé, Amarante, Esposende, Gondomar, Lisboa, Mirandela, Oliveira do Hospital, Paços de Ferreira, Paredes, Paredes de Coura, Peso da Régua, Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora e Funchal, para além de Ferrol, na Galiza.

A programação inclui ainda duas exposições “desenvolvidas em parceria com a Universidade do Porto, que se materializam na Galeria da Biodiversidade – Centro de Ciência Viva, onde artistas e cientistas se cruzam na abordagem para mostrar talento e receber a comunidade escolar, e na Faculdade de Medicina Dentária, onde um grupo de artistas aborda a estrutura facial em diferentes ângulos”.

A 5.ª Bienal Internacional de Arte Gaia decorre até 08 de julho.

Habitação: Concelho de Leiria com mais três mil novos fogos previstos

0
© Município de Leiria

O concelho de Leiria vai ter mais três mil novos fogos a curto e médio prazos, um aumento de habitação que se deve ao crescimento populacional, disse hoje à agência Lusa o vereador Ricardo Santos.

“Neste momento, decorrem processos de licenciamento de obras de habitação que totalizam cerca de três mil fogos. Estamos a falar em diferentes fases de licenciamento, quer seja de pedidos de informação prévia, quer seja de aprovação da arquitetura ou até mesmo já em fase de licenciamento e isto é um número que tem vindo a crescer nos últimos meses”, explicou Ricardo Santos.

O vereador que, entre outros, tem o pelouro das operações urbanísticas, referiu que, “em boa verdade, sempre se poderá dizer que praticamente todos estes três mil fogos têm condições para vir a ser licenciados”.

Esclareceu ainda que a Câmara, “com a devida antecedência, reúne com os interessados”, projetistas ou investidores, “no sentido de avaliar as condições dos terrenos para a construção de habitação”.

Nesse sentido, quando o processo entra na autarquia, “já existem muitas garantias da respetiva viabilidade”, precisou.

“Mas poderia dizer que, em regra geral, estamos a falar de três mil fogos que no curto, médio prazo, poderão vir a ser edificados em Leiria”, declarou.

Segundo Ricardo Santos, a necessidade de mais habitação deve-se ao aumento da população, “não só em Leiria cidade, mas também um pouco por todo o concelho”.

“Aliás, poderia dizer que isto não é uma particularidade de Leiria, é um pouco por todo o país que temos esta pressão em termos de necessidades de habitação”, assinalou.

Para o vereador, o aumento da população, incluindo de imigrantes, explica o crescendo de pedidos de licenciamento para novos fogos, apontando a “atratividade” que o concelho oferece.

“A grande maioria dos pedidos de licenciamento para os novos fogos é para habitação coletiva, sendo que é de destacar, também, a reabilitação do edificado, que carece, igualmente, de licença municipal, com oferta de mais habitação”, afirmou Ricardo Santos.

Ainda de acordo com o vereador, dos três mil fogos em processo de licenciamento, “uma boa parte é da zona urbana, sendo que um pouco por todo o concelho, em praticamente todas as freguesias, existe também uma grande dinâmica em termos de construção”.

“Poderia dizer que em qualquer localidade do concelho por onde nós passamos vemos sempre uma grua no ar”, acrescentou.

Leiria foi o concelho do distrito que maior crescimento populacional teve na última década (1,35%), de acordo com os resultados definitivos dos censos 2021. A população de Leiria era então de 128.603 pessoas.

Marcelo pede que não se esqueça comunidade cigana no atual contexto de crise

0

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou hoje a que não se esqueça a comunidade cigana no atual contexto de crise, alertando para a sua situação vulnerável devido à falta de representação e discriminação.

“Num momento em que o país e o mundo enfrentam múltiplas crises, com consequências económicas e sociais diretas na vida dos nossos compatriotas, não podemos esquecer aqueles cuja situação é porventura mais vulnerável, em virtude de falta de representação, de discriminação e dificuldade de integração”, lê-se numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na internet, a propósito do Dia Internacional do Cigano.

Marcelo Rebelo de Sousa associou-se à celebração da diáspora cigana e recordou “os laços seculares que a une a Portugal”.

O chefe de Estado deixou ainda um alerta sobre a primeira Estratégia Nacional para Integração das Comunidades Ciganas 2013-2020, “que tem sido sistematicamente prorrogada”, considerando que esta “exige uma avaliação das medidas implementadas nos planos da igualdade, inclusão, participação, educação, emprego, saúde e habitação, tendo em vista melhorias e maior eficácia”.

“É por isso também que o Presidente da República sublinha, neste dia, a importância do envolvimento das portuguesas e dos portugueses ciganos e das suas associações na vida do nosso país. ‘But Baxt thaj Sastipen!’ [expressão que significa ‘Muita sorte e saúde’]”, conclui a nota.

Greves na CP levaram à supressão de 31 comboios dos 137 programados

0

As greves que afetam o serviço da CP – Comboios de Portugal levaram à supressão de 31 dos 137 comboios que estavam programados para o período das 00:00 às 08:00 de hoje, informou a transportadora.

De acordo com a CP, neste período circularam 106 comboios, o que se traduziu numa supressão de 22,6% em relação ao que estava programado.

No serviço de longo curso, de nove comboios previstos não se realizaram dois, enquanto no regional de 42 programados foram suprimidos 12.

Nos urbanos de Lisboa não se realizaram 13 comboios em 59 estimados e no Porto de 25 programados não circularam três.

Nos urbanos de Coimbra, circulou um dos dois comboios que estavam previstos.

Depois de vários dias, a greve na CP e na Infraestruturas de Portugal (IP) é agora a partir da oitava hora de serviço.

Além disso, até final do mês, “na CP, os trabalhadores cujo período normal de trabalho abranja mais de três horas durante o período compreendido entre as 00:00 e as 05:00, entrarão em greve a partir da sétima hora de serviço” e, entre 10 e 30 de abril, na IP, “os trabalhadores cujo seu período normal de trabalho abranja mais de três horas durante o período compreendido entre as 00:00 e as 05:00, entrarão em greve a partir da sétima hora de serviço”.

Estas greves foram decretadas por uma plataforma de sindicatos composta pela ASCEF – Associação Sindical das Chefias Intermédias de Exploração Ferroviária; o SINFB – Sindicato Nacional dos Ferroviários Braçais e Afins; o SINFA – Sindicato Independente dos Trabalhadores Ferroviários, das Infraestruturas e Afins; o FENTECOP – Sindicato Nacional dos Transportes Comunicações e Obras Públicas; o SIOFA – Sindicato Independente dos Operários Ferroviários e afins; a ASSIFECO – Associação Sindical Independente dos Ferroviários de Carreira Comercial e os STF – Serviços Técnicos Ferroviários.

Também o Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) anunciou uma nova greve na CP, durante todo o mês de abril, face à “atitude de desconsideração” de que acusa a empresa.

Entre as reivindicações dos trabalhadores estão “aumentos salariais efetivos”, a “valorização da carreira da tração” e a melhoria das condições de trabalho nas cabines de condução e instalações sociais e das condições de segurança nas linhas e parques de resguardo do material motor.

Ainda reclamada é uma “humanização das escalas de serviço, horas de refeição enquadradas e redução dos repousos fora da sede”, um “efetivo protocolo de acompanhamento psicológico aos maquinistas em caso de colhida de pessoas na via e acidentes” e o “reconhecimento e valorização das exigências profissionais e de formação dos maquinistas pelo novo quadro legislativo”.

Optimized by Optimole