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Terça-feira, Julho 14, 2026
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Benfica parece em melhores condições, mas futebol é volátil”

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foto: Arlindo Homem

O Benfica parece a equipa em melhores condições para a conquista do título nacional, disse esta segunda-feira o antigo médio ‘encarnado’ Diamantino Miranda, que alertou, no entanto, para a volatilidade do futebol.

O antigo jogador benfiquista falava durante a inauguração da exposição temporária “Um por Todos e Todos pelo Estádio – Memórias do Estádio da Luz (1954-2003)”, no âmbito das celebrações dos 70 anos da inauguração do antigo Estádio da Luz, que decorreu no Museu do Benfica.

“O Benfica parece a equipa em melhores condições, mas o futebol é sempre muito volátil e o que hoje é verdade, amanhã é mentira”, disse a antiga glória ‘encarnada’, reconhendo ainda que o Benfica teve sorte “com a debacle do Sporting nas últimas semanas, porque seria muito difícil vencer o Sporting se este não tivesse alterado as suas condições”.

Campeão pelo Benfica em quatro ocasiões, tendo ainda conquistado cinco Taças de Portugal e duas Supertaças pelas ‘águias’, Diamantino diz guardar mais boas recordações do que más, num estádio “mítico, que fazia os jogadores serem melhores”, e lembra que a sua melhor recordação é a meia-final da Taça UEFA de 1988 na receção ao Steaua Bucareste, que permitiu a ida à final, perdida nos penáltis para os neerlandeses do PSV Eindhoven.

A pior foi mesmo a demolição do estádio em 2003, tendo o antigo jogador confidenciado que, na altura, era mais a favor de uma remodelação do recinto.

A cerimónia contou com diversas figuras ‘encarnadas’ que pisaram o relvado do antigo recinto benfiquista, com destaque para Toni, Vítor Paneira, Carlos Manuel, Abel Xavier, Diamantino, Delgado, José Henrique, José Augusto, Shéu, Humberto Coelho, José Carlos, Veloso, Vítor Martins, Artur Moraes, entre outros.

A exposição temporária “Um por Todos e Todos pelo Estádio – Memórias do Estádio da Luz (1954-2003)” vai estar patente no Museu Benfica – Cosme Damião até ao final da presente época futebolística, tendo a inauguração de ontem contado ainda com a presença do presidente ‘encarnado’, Rui Costa, também ele antiga glória do clube.

Detidos relacionados com tumultos em Lisboa terão agredido e coagido motoristas de TVDE

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Os dois jovens detidos por suspeitas de estarem envolvidos nos tumultos ocorridos na Área Metropolitana de Lisboa terão usado força física e utilizado armas brancas, para agredir e coagir motoristas de TVDE para lhes entregarem as viaturas.

Em comunicado divulgado ao final da tarde de balanço da operação “Ares”, que decorreu a partir das 07:00 nos concelhos de Oeiras e da Amadora, no distrito de Lisboa, a PSP adianta que os jovens, de 18 anos, são suspeitos de estarem envolvidos em crimes de roubo agravado, praticados durante os tumultos que ocorreram na Área Metropolitana de Lisboa em outubro, na sequência da morte de Odair Moniz.

Tal como já tinha sido referido à Lusa ao início da tarde pelo comissário Thó Monteiro, da Polícia de Segurança Pública (PSP), esses crimes terão sido praticados nos bairros da Portela e dos Barronhos, em Carnaxide, no concelho de Oeiras.

Os suspeitos, lê-se no comunicado do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, “socorrendo-se da força física e de utilização de armas brancas”, terão agredido condutores TVDE, coagindo-os a “entregarem as suas viaturas, fazendo posteriormente uso das mesmas”.

Ainda segundo a PSP, um dos suspeitos terá estado até há relativamente pouco tempo preso preventivamente pela prática de crimes semelhantes.

O primeiro jovem a ser detido estava em casa, no concelho da Amadora, enquanto o outro foi detido mais tarde, pelas 11:00, na zona de Carnaxide, no concelho de Oeiras.

Na nota, a PSP recorda também que, no âmbito da operação “Ares” foram executados sete mandados de busca domiciliária e quatro mandados fora de flagrante delito, no âmbito de dois processos de investigação da Esquadra de Investigação Criminal da Divisão Policial de Oeiras.

A operação envolveu agentes das equipas de Investigação Criminal e Intervenção Rápida e Trânsito e visou sete habitações: três no Bairro da Portela, em Carnaxide; um no Bairro dos Barronhos, também em Carnaxide; um no Bairro dos Navegadores, em Porto Salvo; um na Quinta da Formiga, em Algés; e um no concelho da Amadora.

Além do processo relativo aos crimes de roubo agravado praticados durante os tumultos que ocorreram na Área Metropolitana de Lisboa, a operação teve também por base um processo em que estão envolvidos dois homens de 30 anos.

Neste segundo processo, um dos homens é suspeito de homicídio qualificado na forma tentada, roubo agravado e condução sem habilitação e foi detido na Quinta da Formiga, em Algés.

Na busca domiciliária efetuada foram apreendidas “duas armas, tipo pistola, que irão ser peritadas por parte do Núcleo de Armas e Explosivos da PSP, uma munição de calibre .12, uma parte essencial de uma arma de fogo tipo caçadeira, material para pesagem de produto estupefaciente, uma faca e várias notas num total de 360 euros”, segundo a PSP.

O outro homem é suspeito de “roubo agravado, com recurso a arma branca (faca), em conluio com o primeiro [suspeito]”, e foi detido no Bairro da Portela, em Carnaxide, tendo também sido apreendida cocaína e uma faca “ponta e mola”.

Estes dois suspeitos têm antecedentes criminais, de acordo com a PSP.

No comunicado, a PSP reitera que os quatro detidos serão agora presentes a primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação.

Ao início da tarde, o comissário Thó Monteiro indicou à Lusa que os detidos serão presentes a tribunal na terça-feira.

O cabo-verdiano Odair Moniz, de 43 anos e morador no Bairro do Zambujal, na Amadora, foi baleado por um agente da PSP na madrugada de 21 de outubro, no Bairro da Cova da Moura, no mesmo concelho, e morreu pouco depois.

Durante várias noites registaram-se tumultos em vários bairros da Grande Lisboa após a morte de Odair Moniz.

Investigadores criam ‘checklist’ para acelerar aprovação de tratamentos com psicadélicos

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Um grupo de investigadores, entre eles um português, desenvolveram uma ‘checklist’ que garanta todos os dados necessários para reproduzir com eficácia e segurança a psicoterapia com psicadélicos, tentando acelerar a análise pelos reguladores e a aprovação dos tratamentos.

Esta ‘checklist’ resultou de uma investigação publicada na The Lancet Psychiatry, desenvolvida por especialistas da Fundação Champalimaud e do Centro Médico Universitário de Gröningen (UMCG), que encontrou falhas na forma como é descrita a psicoterapia dos tratamentos com psicadélicos.

Os investigadores consideram que estas lacunas podem dificultar a aplicação deste método com eficácia e segurança, chamam a atenção para a urgência de haver descrições mais padronizadas nestas intervençőes psicoterapêuticas e propõem uma ‘checklist’ de tudo o que é preciso descrever em projetos futuros.

“A questão que se coloca é ao nível da definição do protocolo e ao nível da descrição suficiente para se poder cumprir o protocolo”, explicou à Lusa Albino Maia, investigador da Fundação Champalimaud e um dos autores do estudo.

A psicoterapia com psicadélicos tem vindo a ganhar terreno enquanto abordagem promissora para tratar doentes com perturbações psiquiátricas quando os tratamentos convencionais são insuficientes.

Estas substâncias – como a psilocibina (encontrada nos ‘cogumelos mágicos’), MDMA (mais conhecida como ‘ecstasy’), LSD (conhecida como ‘ácido’) e a ayahuasca (usado como chá) – já mostraram potencial no tratamento de perturbações depressivas, stress pós-traumático ou dependência de algumas drogas.

Apesar do interesse crescente, até à data, nenhuma grande agência reguladora aprovou os psicadélicos para uso médico específico.

Por isso, o acesso a estes tratamentos permanece limitado a ensaios clínicos, prescrições ‘off-label’ (uso para outro fim diferente daquele para o qual foi aprovado) ou programas de acesso especial.

No Serviço Nacional de Saúde, já há hospitais a fazer tratamentos com uso de substâncias psicadélicas, por exemplo, para casos de depressão resistente.

Os investigadores realizaram uma revisão sistemática de 45 estudos envolvendo 1.464 participantes, para avaliar quão bem as intervenções psicológicas foram relatadas.

À Lusa, Albino Maia explicou que quando a descrição da intervenção psicoterapêutica é insuficiente, não se consegue perceber “se os instrumentos para aplicação de um protocolo padrão existem” e quem quiser reproduzir o que está descrito “não tem instrumentos para o fazer”.

O investigador sublinhou também a importância da eficiência e, sobretudo, segurança nestes tratamentos: “Estamos a falar de substâncias que provocam alterações do estado da consciência e que, como tal, têm um impacto extraordinariamente importante sobre a fragilidade que é induzida no indivíduo”.

Reconheceu que nalguns domínios “a descrição é um bocadinho melhor”, dando como exemplo o tratamento da perturbação de stress pós-traumático com MDMA: “Por detrás desses estudos há um único promotor e um único manual”, justifica.

Neste caso, uma vez que era usado o mesmo manual nos diversos estudos, “os procedimentos eram mais parecidos (…) e a qualidade do reporte era melhor”.

“Mas mesmo essa, não era uma qualidade de reporte muito boa, era média”, explicou, acrescentando que “continuavam a faltar muitos elementos”, o que levou a agência reguladora norte-americana (Food and Drug Administration – FDA) a recusar no verão passado a aprovação da terapia assistida por MDMA para a perturbação de stress pós-traumático.

Esta decisão estará relacionada com a forma como a psicoterapia foi administrada nos estudos apresentados à FDA.

E, segundo o investigador, é precisamente o facto de a psicoterapêutica ser relatada de forma clara e consistente que pode fazer avançar este tipo de tratamentos.

Apesar de tudo, disse, o reporte está a melhorar, mas insistiu na importância de se poder avançar mais rapidamente, sobretudo para bem de quem beneficia destes tratamentos, os doentes: “Estamos a falar de estudos que estão a ser feitos para tentar responder a circunstâncias em que há muito poucas alternativas. E os doentes e as doenças não esperam”.

Relação corrige acórdão com alegado uso de IA mas não altera decisão

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O acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) que alegadamente terá sido proferido com recurso a inteligência artificial foi corrigido, mas sem qualquer impacto na pronúncia dos arguidos, confirmou a presidente daquele tribunal.

De acordo com a desembargadora presidente do TRL, Guilhermina Freitas, o tribunal proferiu na passada quinta-feira a sua decisão relativa às reclamações apresentadas por vários arguidos no processo em causa relativas ao acórdão no qual alegadamente se recorreu a inteligência artificial.

“Foram corrigidos lapsos existentes, ao abrigo do artigo 380.°, do Código de Processo Penal (CPP), e manteve-se a pronúncia dos arguidos nos termos do acórdão reclamado”, confirmou a juíza desembargadora.

O artigo 380.º do CPP, relativo à correção de sentença, determina que esta deve acontecer quando não cumpra os requisitos formais para a sua elaboração ou “contiver erro, lapso, obscuridade ou ambiguidade cuja eliminação não importe modificação essencial”.

O jornal ‘Correio da Manhã’ noticiou em 24 de novembro que um acórdão dos desembargadores Alfredo Costa, Hermengarda do Valle-Frias e Margarida Ramos de Almeida no processo que envolveu a antiga deputada do PSD Helena Lopes da Costa e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa terá alegadamente recorrido a ferramentas de inteligência artificial, citando legislação e jurisprudência inexistentes.

Rui Patrício e Catarina Martins Morão, advogados de Helena Lopes da Costa, contestaram junto do coletivo de desembargadores a validade do acórdão, num requerimento a que a Lusa teve acesso, em que pediram que fosse declarado inexistente.

Na altura, Guilhermina Freitas garantiu que lhe foi transmitido pelo juiz desembargador relator, Alfredo Costa, “que a argumentação do recurso à inteligência artificial é completamente descabida”.

A 04 de dezembro, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) deliberou ser “intempestiva a intervenção do Conselho” relativa à queixa de 12 advogados sobre o alegado uso de inteligência artificial no acórdão, mas considerou urgente uma reforma legislativa sobre a matéria.

DGS recomenda medidas de proteção face ao frio até ao final de semana

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendou na segunda-feira medidas preventivas face às previsões de continuação do tempo frio e seco, em especial nas regiões do interior do país até ao final da semana.

Tendo em conta as previsões meteorológicas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a DGS refere que, para proteção dos efeitos negativos das baixas temperaturas na saúde, deve ser evitada a exposição prolongada ao frio e a mudanças bruscas de temperatura.

Em comunicado, a direção-geral recomenda que se preste atenção aos grupos mais vulneráveis, como as crianças nos primeiros anos de vida, doentes crónicos, pessoas idosas ou em maior isolamento, trabalhadores que exerçam atividade no exterior e pessoas em situação de sem abrigo.

Aconselha ainda que se mantenha o corpo quente, utilizando várias camadas de roupa adaptada à temperatura ambiente, a proteger as extremidades do corpo, e a ter atenção à hidratação, ingerindo sopas e bebidas quentes e evitando o consumo de álcool, que proporciona uma falsa sensação de calor.

Perante as previsões para os próximos dias, a DGS pede ainda cautela na prática de atividades no exterior, no sentido de se evitar esforços excessivos, mas também que se siga as recomendações do médico assistente, garantido a toma adequada da medicação para doenças crónicas.

Já nas habitações, o comunicado alerta para a necessidade de se verificar o estado de funcionamento dos equipamentos de aquecimento e para uma “especial atenção” aos aquecimentos com combustão (braseiras e lareiras), que podem causar intoxicação devido à acumulação de monóxido de carbono e levar à morte.

Além disso, deve ser evitado o uso de dispositivos de aquecimento durante o sono e, nas deslocações em viaturas, deve ser adotada uma condução defensiva, uma vez que poderão existir locais na estrada com acumulação de gelo.

OE2025: Eurogrupo pede que Portugal adote recomendações da UE para retirar apoios na energia

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O Eurogrupo pediu esta segunda-feira que os países do euro que, como Portugal, têm planos orçamentais com “riscos”, tomem “medidas necessárias para cumprirem os compromissos”, após alertas de Bruxelas sobre o Orçamento do Estado para 2025 (OE2025).

“O Eurogrupo congratula-se com os projetos de planos orçamentais considerados conformes com as recomendações orçamentais. Convidamos os Estados-membros com projetos de planos orçamentais que apresentem riscos de cumprimento, com base na avaliação da Comissão, a estarem prontos para tomar as medidas necessárias, em função da natureza dos riscos, e a cumprirem os compromissos orçamentais”, refere o grupo informal dos ministros das Finanças da zona euro numa posição hoje divulgada.

“Tomamos nota dos pareceres da Comissão sobre os projetos de planos orçamentais individuais para 2025. O Eurogrupo debateu os diferentes graus de risco no que respeita ao cumprimento das recomendações orçamentais”, acrescenta.

Hoje, em Bruxelas, os ministros das Finanças da zona euro discutiram, na reunião do Eurogrupo, o OE2025 e os planos orçamentais dos outros países da moeda única, bem como as perspetivas económicas da região.

O encontro surgiu depois de, no final de novembro, o executivo comunitário ter feito alertas sobre o OE2025 relacionados com o previsto apoio português aos combustíveis, nomeadamente no que toca a reduções no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP).

Na altura, a Comissão Europeia divulgou que o OE2025, entretanto aprovado, “não está totalmente em linha” com as recomendações da União Europeia (UE) por continuar a prever reduções no ISP, descongelando apenas a taxa de carbono.

Em concreto, estima-se que estes apoios de emergência do Estado português ainda em vigor, nomeadamente a redução geral do ISP, pesem 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 e 0,1% do PIB em 2025, segundo cálculos de Bruxelas, para quem “este valor não está em conformidade com o recomendado pelo Conselho”.

Questionado pela Lusa na altura, o executivo comunitário insistiu que o Governo retroceda no benefício relativo ao ISP, indicando que vai supervisionar tal pedido.

Hoje mesmo, o Governo garantiu que os avisos da Comissão Europeia, de que o OE2025 não está em conformidade com as regras comunitárias pelas reduções no ISP, “não beliscam” a posição orçamental do país.

“Nós continuaremos a dialogar com a Comissão Europeia sobre essas matérias, mas é importante que […], sendo uma matéria relevante, em nada belisca a avaliação da Comissão Europeia de que Portugal está numa posição orçamental muito confortável e cumpre de forma plena as regras orçamentais europeias”, declarou o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas, o governante admitiu a “pressão grande da Comissão Europeia para que todos os países normalizem essa situação”, de retirada de apoios atribuídos devido à situação de crise energética, que no caso de Portugal diz respeito a reduções no ISP.

“Portugal entregou o seu [plano orçamental] no dia 11 de outubro e teve uma avaliação bastante positiva por parte da Comissão Europeia”, uma vez que o país “cumpre as duas regras orçamentais para os próximos quatro anos, [no que toca à] variação do saldo primário estrutural e ao máximo de variação da despesa líquida”, disse ainda Joaquim Miranda Sarmento, frisando que “o essencial” está em conformidade.

Todos os anos, os países do euro apresentam projetos de planos orçamentais à Comissão Europeia, que são depois avaliados no âmbito do processo comunitário de monitorização e coordenação de políticas públicas, o Semestre Europeu.

Cientistas descobrem nova espécie de peixe na bacia do Sado

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Cientistas descobriram uma nova espécie de peixe que vive na bacia do rio Sado, revelou hoje o CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Embora o escalo-do-Sado só tenha sido descoberto agora, a sua “existência pode estar já a ser posta em causa pelas ameaças que o ecossistema [em que vive] enfrenta”, adianta o CE3C em comunicado.

O estudo sobre a descoberta, que tem como primeira autora Sofia Mendes, doutoranda do CE3C, foi publicado hoje na revista científica Limnetica.

O escalo-do-Sado (Squalius caetobrigus), cujo nome científico pretende homenagear a região de Setúbal, designada de Caetobriga pelos romanos, “é o mais recente representante dos peixes nativos de água doce de Portugal”.

Da mesma família são o escalo-do-Arade (Squalius aradensis), que existe apenas nos rios do sudoeste algarvio, o escalo-do-Mira (Squalius torgalensis), que habita apenas nesse rio, ou o bordalo (Squalius alburnoides), cuja genética é há décadas estudada.

Os investigadores recolheram peixes nos afluentes do Sado e analisaram também espécimes das coleções do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN, Madrid), tendo a par dos dados genéticos recorrido à Tomografia Computadorizada para examinar os seus ossos e comparar com as espécies já conhecidas.

“Estas comparações revelaram que a nova espécie do Sado tem características únicas que se distinguem das restantes espécies de escalos da Península Ibérica, por exemplo ao nível do número de escamas da linha lateral ou de certas características dos ossos do crânio”, refere Sofia Mendes, citada no comunicado.

“O futuro do escalo-do-Sado parece, contudo, incerto, já que a circunscrição dos peixes de água-doce às linhas de água que habitam os tornam particularmente vulneráveis às ameaças”, alerta o CE3C.

Segundo o centro de investigação, “a bacia hidrográfica do Sado partilha as pressões (ambientais) com outras da região mediterrânica, estando fadada a um regime de intermitência no caudal das ribeiras que secam no verão – reduzindo-se a pequenas poças desconectadas – e esperam pela próxima época chuvosa para se restabelecerem”.

Chama ainda a atenção para o facto de as alterações climáticas estarem a “aumentar a severidade e duração dos períodos de seca”.

Além disso, “a biodiversidade aquícola do Sado vê-se ainda a braços com a degradação do seu ‘habitat’ devido à poluição, captação excessiva de água para a agricultura e introdução de espécies exóticas invasoras”.

A investigação foi coordenada por Ignacio Doadrio (MNCN, Madrid) e integrou, além de Sofia Mendes, os cientistas Silvia Perea (MNCN, Madrid), Vítor Sousa (CE3C) e Carla Sousa Santos (MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente).

Combate à corrupção depende de vontade real do poder político

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O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), Paulo Lona, considerou hoje que o combate à corrupção depende de vontade real do poder político para dotar esta magistratura e as polícias de meios.

Nas comemorações do Dia Internacional contra a Corrupção que, este ano, decorrem na Marinha Grande (Leiria), Paulo Lona afirmou que o combate efetivo à corrupção depende, “em primeiro lugar de uma vontade real e efetiva do poder político que o leve a dotar o Ministério Público (MP), titular da ação penal, e as polícias dos meios” para o fazerem.

Além dos meios, esse combate depende, também, de “pequenas alterações, algumas legislativas, que agilizem o processo e eliminem entropias existentes”.

Ao abordar a temática “Eficácia no combate à corrupção”, Paulo Lona salientou que “o atual Governo colocou como prioridade o combate à corrupção”, mas este exige um MP “institucionalmente independente e magistrados funcionalmente autónomos”, e recursos materiais, humanos e tecnológicos.

Por outro lado, impõe “polícias, técnicos, peritos e magistrados especializados, que possam trabalhar em equipas multidisciplinares, por vezes em exclusividade de funções”.

Contudo, os magistrados do MP “são insuficientes para dar a resposta que a sociedade e os cidadãos merecem”, pelo que fica comprometido um efetivo combate, sustentou o dirigente do SMMP.

O problema dos recursos humanos estende-se à falta de oficiais de justiça, registando-se um “enorme e persistente défice de preenchimento dos quadros dos funcionários de justiça nos serviços do MP”, faltando “mais de 500”.

Paulo Lona advertiu ainda que, “sem polícias especializados que no terreno, em tempo útil, realizem as diligências de recolha de prova necessárias, é fácil comprometer o sucesso de qualquer investigação”, defendendo, entre outros aspetos, o reforço de meios para a Polícia Judiciária e Inspeção-Geral das Finanças, ou o aumento de magistrados nos tribunais administrativos e fiscais, para “garantir a celeridade em decisões com impacto económico-financeiro”.

Após elencar também necessidades ao nível dos recursos materiais e tecnológicos, o dirigente do SMMP lembrou que a autonomia financeira do MP é uma recomendação europeia, mas o Estado “continua a fazer depender os meios necessários para o exercício das [suas] funções” das opções políticas do Ministério da Justiça.

“Isto compromete a autonomia financeira e, consequentemente, a independência do MP”, declarou o presidente do SMMP.

Paulo Lona enumerou depois algumas alterações, que “podem tornar mais eficiente o combate à corrupção”, enviadas à tutela e grupos parlamentares.

Entre as sugestões está a possibilidade de conferir o acesso do MP aos contribuintes da Autoridade Tributária, o acesso à central de responsabilidade de créditos e contratos de seguro, acesso às bases de dados do Banco de Portugal e acesso irrestrito ao Portal Base.

A concentração da legislação relativa à criminalidade económico-financeira e a revisão do regime da instrução, para evitar que se torne num pré-julgamento, “arrastando os processos para além do razoável e necessário ao exercício do direito de defesa”, estão entre as propostas.

Outros aspetos passam pela consagração de um regime que permita a aplicação de uma taxa de justiça similar àquela que é aplicada pelo Tribunal Constitucional às situações de requerimentos, incidentes e recursos efetuados com intenção manifestamente dilatória, e a criminalização do enriquecimento ilícito, enumerou.

Ao nível da prevenção, Paulo Lona defendeu a “incorporação de um módulo específico sobre os efeitos nefastos da corrupção na disciplina de educação cívica no sistema de ensino”, assim como a “definição de um apertado regime de incompatibilidades para os titulares de cargos públicos” e a regulamentação da atividade de ‘lobbying’.

Paulo Lona apontou, igualmente, a regulamentação, de “forma geral e absoluta”, em todos os setores, “da questão dos presentes e ofertas”, e das “transições entre cargos públicos e setor privado bem como associações, fundações e similares”.

“Continua a faltar o essencial, isto é o real, sério e efetivo investimento nos meios humanos, materiais e tecnológicos necessários, sem o qual tudo o resto é escasso e insuficiente”, acrescentou o presidente do SMMP.

Pesca de bacalhau numa área da NAFO reabre após 32 anos

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O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, anunciou este domingo a reabertura, após 32 anos, de uma zona pesca de bacalhau junto ao Canadá, e garante que os dados científicos atuais contrariam a proposta de corte no goraz.

Em declarações à Lusa, José Manuel Fernandes referiu que o corte de 35%, para as 399 toneladas, das capturas de goraz em águas dos Açores, proposto em 31 de outubro pelo executivo comunitário, se baseia em dados científicos de 2021.

“Esse corte é baseado em dados científicos de 2021 e não refletem a recuperação” do goraz entretanto observada, salientou o ministro, falando à Lusa, em Bruxelas.

“Se fosse para decidir só com base em pareceres científicos, um algoritmo e a inteligência artificial dispensavam aquelas reuniões e decidia-se com base num algoritmo, sem uma intervenção política”, destacou José Manuel Fernandes.

O pilar ambiental tem de estar ligado ao social e ao económico, quando se discutem as pescas, referiu, lembrando que nos Açores se usam muitas técnicas tradicionais de pesca.

O ministro anunciou ainda que, nas negociações internacionais, uma zona de pesca de bacalhau junto ao Canadá, nas águas NAFO, reabriu a pesqueiros da UE após 32 anos de pesca interdita.

As grandes dificuldades para Lisboa serão, para além dos cortes propostos, a separação entre a costa ocidental, onde a frota pesqueira portuguesa maioritariamente opera, e o estreito de Gibraltar (águas dominadas pela Espanha), da qual considera que Portugal sairá prejudicado.

Os ministros com a tutela das Pescas na UE iniciam na segunda-feira uma reunião que inclui o acordo sobre os TAC e quotas de várias unidades populacionais (‘stocks’) geridos por Bruxelas, negociações habitualmente difíceis.

Portugal está representado por José Manuel Fernandes e a secretária de Estado das Pescas, Cláudia Monteiro de Aguiar.

JPP anuncia voto contra Orçamento da Madeira para 2025

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O JPP anunciou no domingo que vai votar contra o Orçamento da Madeira para 2025, cujo debate decorre entre segunda e quarta-feira, considerando que a proposta do executivo social-democrata minoritário é despesista e coloca a região no caminho da bancarrota.

“Nós fizemos uma análise cuidada desse Orçamento, das contas e, infelizmente, com este caminho de despesismo, de esbanjamento de dinheiro por parte de Miguel Albuquerque [presidente do executivo], de distribuição de subsídios a torto e a direito, podemos estar à beira de uma nova bancarrota”, disse o secretário-geral do partido, Élvio Sousa.

O também líder do grupo parlamentar do Juntos Pelo Povo (JPP) falava em conferência de imprensa, no Funchal, após reunião da comissão política nacional do partido, que aprovou por unanimidade o voto contra o Orçamento da Madeira para 2025.

Élvio Sousa sublinhou o facto de Miguel Albuquerque e quatro secretários regionais, incluindo o das Finanças, terem sido constituídos arguidos em processos relacionados com suspeitas de corrupção e prevaricação, alertando que em causa está uma proposta de Orçamento na ordem dos 2.600 milhões de euros.

“Perante uma clara e inequívoca falta de confiança, de credibilidade, de rigor e transparência nas contas, pergunto se os madeirenses querem deixar 2.600 milhões de euros nas mãos de Albuquerque e de Rogério Gouveia [secretário das Finanças]?”, questionou.

A confirmarem-se as intenções de voto já manifestadas, as propostas de Orçamento e Plano de Investimento da Madeira para 2025 serão chumbadas com votos contra do JPP (nove deputados), PS (11 deputados) e Chega (quatro deputados).

O parlamento da Madeira conta ainda, além do PSD (19 deputados), com o CDS-PP (dois deputados), a IL e o PAN (cada um com um deputado).

Os democratas-cristãos, que assinaram um acordo de incidência parlamentar com o PSD, indicaram que votarão a favor, mas os dois partidos juntos não têm maioria absoluta. Já a IL e o PAN apontam para a abstenção.

“Nós fazemos este alerta: com este Orçamento continuará a pouca-vergonha do costume, continuará o compadrio, as transferências de dinheiro do povo para os amigos do partido e para alimentar os monopólios, milhões de euros em nomeações políticas de arguidos e de clientelas, dinheiros de fundos comunitários para corporativas de ex-secretários e nem um tostão desde Orçamento para apoiar a habitação a preços reduzidos, nem tão pouco para a redução do custo de vida”, declarou Élvio Sousa.

O líder do JPP considera que “nem três orçamentos salvarão as contas públicas”.

“Como sempre, e uma vez mais, serão os madeirenses a pagar a fatura”, avisou, vincando que “urge fazer uma verdadeira limpeza de toda esta situação e trazer uma nova esperança”.

Élvio Sousa reconheceu que “o cenário sem Orçamento não é o ideal”, mas assegurou que “também não é a catástrofe e a desgraça que Albuquerque anda a semear”.

“Ainda este ano estivemos, por decisão de Albuquerque, quase oito meses sem Orçamento [devido à queda do executivo e à realização de eleições antecipadas em maio] e a economia regional continuou a crescer”, lembrou, para logo reforçar: “Depois vieram os retroativos nos salários dos funcionários públicos, nas pensões e até no IRS”.

Em 22 de novembro o Governo Regional entregou na Assembleia Legislativa as propostas de Orçamento para 2025, no valor de 2.611 milhões de euros (ME), e de Plano de Investimentos, orçamentado em 1.112 ME, os valores “mais elevados de sempre”.

Essas propostas serão debatidas entre segunda e quarta-feira e, uma semana depois, em 17 de dezembro, será discutida e votada a moção de censura apresentada pelo Chega.

A confirmarem-se as intenções de voto divulgadas, a moção será aprovada com os votos do preponente (Chega), PS, JPP e IL, que juntos têm maioria absoluta.

A aprovação da moção de censura implica a demissão do Governo Regional e a permanência em funções até à posse de uma nova equipa.

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