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Quinta-feira, Julho 9, 2026
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Capitão de navio que colidiu com petroleiro no mar do Norte fica em prisão preventiva

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imagem ilustrativa: DR

O capitão russo de um navio porta-contentores registado na Madeira e que colidiu na segunda-feira com um petroleiro no mar do Norte, na costa inglesa, ficou hoje em prisão preventiva, após ser acusado de homicídio por negligência grave.

Vladimir Motin, de 59 anos, natural da cidade russa de São Petersburgo, que tinha sido acusado na sexta-feira de homicídio involuntário por negligência grave, foi presente este sábado ao Tribunal de Magistrados de Hull, no nordeste de Inglaterra, segundo noticia a agência France-Presse.

A mesma fonte refere que não foi feito qualquer pedido de libertação e que ficou agendada uma nova sessão de julgamento para 14 de abril, em Londres.

O cargueiro Solong, registado em Portugal, colidiu na segunda-feira no mar do Norte, ao largo do leste de Inglaterra, com o Stena Immaculate, um petroleiro norte-americano que transportava combustível para as forças armadas norte-americanas, provocando explosões e enormes incêndios em ambos os navios.

Os 23 membros da tripulação do Stena Immaculate foram transportados para terra, assim como 13 dos 14 tripulantes do Solong. Um membro da tripulação do Solong, um filipino de 38 anos identificado como Mark Angelo Pernia, terá morrido.

De acordo com a sua página eletrónica, dos 33 navios que a empresa alemã Ernst Russ possui, total ou parcialmente, 22 estão registados na Madeira, em Portugal.

Motin foi detido no nordeste de Inglaterra na terça-feira, um dia após a colisão com o MV Stena Immaculate.

A empresa de navegação Ernst Russ, proprietária do Solong, disse anteriormente que os 14 tripulantes do navio eram uma mistura de cidadãos russos e filipinos.

As autoridades do Reino Unido disseram que não há nada até ao momento que indique que o incidente esteja relacionado com a segurança nacional.

O Departamento de Investigação de Acidentes Marítimos do Reino Unido está também envolvido na investigação sobre o que terá levado o Solong, que viajava de Grangemouth, na Escócia, para Roterdão, nos Países Baixos, a atingir o petroleiro, que estava ancorado a cerca de 16 quilómetros da costa inglesa.

A investigação está a ser liderada pelos EUA e por Portugal, os países onde os navios têm pavilhão.

Os documentos de inspeção portuária mostram que o Solong falhou as verificações de segurança relacionadas com a condução em Dublin, na Irlanda, em julho, com as “comunicações de posição de condução de emergência/leitura da bússola” da embarcação ilegíveis.

Uma inspeção na Escócia, em outubro, encontrou outras duas deficiências. O navio não foi retido após nenhuma das inspeções.

Ucrânia: Costa diz que Rússia tem de mostrar “real vontade política” para acabar com guerra

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foto: Arlindo Homem

O presidente do Conselho Europeu defendeu hoje que a Rússia tem de mostrar “real vontade política” para acabar com o conflito na Ucrânia e disse que a Europa quer garantir que os ucranianos tenham uma posição forte em futuras negociações.

“Agora, a Rússia precisa de mostrar real vontade política para acabar com a guerra”, escreveu António Costa na rede social X, depois de uma reunião de 25 países, por videoconferência.

Na publicação, António Costa diz que a Europa está empenhada em “assegurar que a Ucrânia tem uma posição forte em futuras negociações de paz”.

“A União Europeia contribui ativamente para fortalecer a Ucrânia e aumentar a sua capacidade de defesa, através de apoio político, financeiro e militar, para alcançar uma paz completa, justa e duradoura”.

António Costa participou nesta reunião de cerca de duas horas a partir de Lisboa, do Ministério da Defesa Nacional, onde esteve também o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.

No X, o presidente do Conselho Europeu agradece ainda ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por organizar esta reunião virtual para debater “os progressos e considerar próximos passos” com vista ao cessar-fogo na Ucrânia.

Líderes de 25 países estiveram hoje reunidos por videoconferência, entre os quais Portugal, a debater o apoio à Ucrânia e a necessidade de garantias para manter um futuro acordo de paz.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, representou Portugal, tendo também participado vários países europeus, a Ucrânia, Canadá, Austrália e a Nova Zelândia.

A União Europeia e a NATO também estiveram representados.

Fábrica de hidrogénio na Marinha Grande “no caminho certo para descarbonização”

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A associação ambientalista Zero considerou que a fábrica de produção de hidrogénio verde projetada para a Marinha Grande, investimento da Rega Energy na ordem dos 100 milhões de euros, “está no caminho certo para a descarbonização”.

O projeto, denominado ‘Nazaré Green Hydrogen Valley’, que “visa a produção de hidrogénio e oxigénio verdes” na região de Leiria e tem “como principais clientes indústrias da fileira vidreira e cimenteira, que são muito difíceis de eletrificar”, esteve em consulta pública até quinta-feira, adianta a Zero.

“O ‘Nazaré Green Hydrogen Valley’ propõe-se a substituir combustíveis fósseis no setor vidreiro e cimenteiro através da produção de hidrogénio verde por eletrólise da água cuja eletricidade é toda proveniente de fontes renováveis. Este processo terá como subproduto o oxigénio, que poderá ser utilizado para melhorar a eficiência da combustão industrial”, explica a associação numa nota de imprensa.

Para a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, investimentos como este, “ao darem visibilidade a formas eficientes de produção e uso de hidrogénio e oxigénio verdes junto aos setores industriais em que a eletrificação não é viável, demonstram na prática qual o caminho que o país deve seguir na descarbonização da indústria”.

“A par do aproveitamento do biometano sustentável, a produção local de hidrogénio e oxigénio e o seu uso em processos que exigem altas temperaturas é a alternativa que coloca menos pressão sobre as redes elétricas, os recursos naturais e os sistemas ecológicos”, destaca.

A associação admite mesmo que este investimento “tem potencial para impulsionar o desenvolvimento industrial e a criação de empregos qualificados na região, sobretudo se, usando o conceito de ‘condomínio industrial’, as áreas adjacentes à unidade de eletrólise puderem ser objeto de incentivos que atraiam projetos industriais que dele possam beneficiar”.

Na nota, a Zero reconhece, contudo, que o projeto “ainda pode ser melhorado, para reduzir alguns impactes”, assinalando que “interseta, de forma ligeira, áreas de Reserva Ecológica Nacional”, preconizando, também, que “deve incluir um plano eficaz de recuperação paisagística e monitorização dos ecossistemas afetados”.

A associação alerta ainda que, embora a água utilizada para a produção de hidrogénio provenha sobretudo de águas residuais tratadas, prevê-se o uso episódico de águas subterrâneas, o que deve ter limites claramente definidos.

Reconhecendo o potencial do projeto para contribuir da forma o mais eficiente possível para os objetivos climáticos nacionais e europeus, a Zero alerta para a necessidade de garantir que a energia utilizada cumpre “integralmente os critérios” da Diretiva RED III, quadro jurídico que estabelece o desenvolvimento de energias limpas em todos os setores da economia da União Europeia.

“Ao evitar o transporte de hidrogénio a longa distância, este projeto, com elevado potencial económico e social, reduz significativamente os custos para o erário público e o impacto ambiental e territorial das indústrias em causa”, sustenta.

Nesse sentido, realça que “não devem ser desperdiçados dinheiros públicos em projetos que visem exclusivamente a injeção de hidrogénio verde na Rede Nacional de Transporte de Gás Natural”, dada a perda de eficiência nesse transporte e a perpetuação do uso de gás natural fóssil.

“Pior ainda, projetos que visem a exportação de hidrogénio impedem que o mesmo esteja disponível para a descarbonização da indústria portuguesa”, adianta a Zero, que espera a revisão da Estratégia Nacional para o Hidrogénio.

À Lusa, o responsável comercial e de comunicação da Rega Energy, João Rosa Santos, diz ser expectável que a construção da fábrica, na zona industrial Casal da Lebre, arranque este ano, assim que obtidos os licenciamentos, num investimento na ordem dos 100 milhões de euros.

“O prazo de execução é de cerca de 18 meses”, afirma João Rosa Santos.

Ensino Superior Privado queixa-se à Comissão Europeia por discriminação no acesso a fundos

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A Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado apresentou uma queixa à Comissão Europeia por “discriminação reiterada” na aplicação de fundos comunitários em Portugal que deixam de fora os privados e apelou a uma “intervenção urgente” que corrija a situação.

A ação foi anunciada à Lusa pelo diretor executivo da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP), Miguel Copeto, que explicou que os concursos para aceder a fundos comunitários têm impedido as instituições privadas de se candidatar, “contrariando as regras que definem que estes apoios são dirigidos a todos”.

O caso mais recente diz respeito ao programa Algarve 2030, cujo aviso de abertura não exclui nenhum tipo de instituição, mas depois a plataforma só aceita candidaturas de instituições de ensino superior estatais, disse.

“Estivemos recentemente reunidos com representantes da Comissão Europeia (CE) em Portugal que mostraram que no acordo para a aplicação dos fundos não existe nem poderia existir qualquer tipo de restrição”, afirmou Miguel Copeto, acrescentando que os fundos servem para “privilegiar a qualidade do projeto e não ser uma forma encapotada de financiar o estatal”.

Na segunda-feira, a APESP enviou uma queixa à CE. O ministro da Coesão Territorial e a entidade gestora do Portugal 2030 foram outros dos responsáveis que também foram contactados pela associação por causa das regras do concurso aberto para o Algarve 2030.

“No aviso de abertura estava escrito que se poderiam candidatar todas as instituições, quer fossem estatais ou sociais e cooperativas, mas afinal as instituições privadas estavam impedidas de o fazer”, acusou Miguel Copeto, acrescentando que também nos programas Norte 2030 e Alentejo 2030 as instituições privadas ficaram excluídas logo no aviso de candidatura.

A situação levou a APESP a apresentar uma outra queixa no final do ano passado à Provedoria da Justiça alegando que “a alocação de recursos deve ser feita com base no mérito e na qualidade dos projetos apresentados” e “não na natureza pública ou privada das instituições”. À Lusa, Miguel Copeto disse ainda não ter resposta da provedoria.

Já na missiva enviada esta semana para a CE, a APESP fala em “discriminação sistemática na aplicação de fundos comunitários em Portugal, que viola os princípios fundamentais da União Europeia, nomeadamente os de igualdade, equidade e não discriminação”: “Em Portugal, verifica-se um padrão reiterado de exclusão das instituições de ensino superior do setor particular e cooperativo do acesso a estes financiamentos, contrariando quer a legislação nacional, quer as normas europeias”, lê-se no documento a que a Lusa teve acesso.

A APESP pede à CE que avalie a aplicação dos fundos comunitários e “interceda junto das autoridades portuguesas para que sejam revistos os critérios dos avisos de financiamento, assegurando que todas as instituições de ensino superior possam concorrer em condições de igualdade” e, no caso de se confirmarem as práticas discriminatórias na aplicação de fundos, então que “determine medidas corretivas”.

O programa Algarve 2030 por exemplo, prevê a atribuição de fundos para projetos relacionados com infraestruturas e equipamentos tecnológicos e científicos, mas também para incubadoras de base tecnológica.

“Esta exclusão reiterada das instituições particulares e cooperativas representa um desrespeito pelas obrigações de Portugal enquanto Estado-Membro na aplicação dos fundos europeus”, salienta a APESP na queixa enviada à Comissão Europeia.

MP pede internamento do homem que matou duas mulheres no Centro Ismaili

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O Ministério Público (MP) insistiu na sexta-feira no julgamento que o homem que confessou ter matado, em 2023, duas mulheres no Centro Ismaili, em Lisboa, é inimputável e dever ser internado por um mínimo de três anos.

“É manifesta a perigosidade do arguido”, sublinhou, nas alegações finais, a procuradora.

A magistrada acrescentou que, segundo a lei, a medida de segurança é revista anualmente ao fim de três anos, podendo prolongar-se até à pena máxima do crime mais grave imputado a Abdul Bashir, homicídio agravado.

A procuradora não especificou qual é esse limite.

O cidadão afegão está acusado de dois crimes de homicídio agravado, seis de homicídio agravado na forma tentada, dois de resistência e coação sobre funcionário e um de posse de arma proibida.

Na primeira sessão do julgamento, em 05 de dezembro de 2024, Abdul Bashir alegou que agiu em legítima defesa e que existia uma conspiração para o matar, o que não é sustentado por qualquer indício no processo.

As vítimas mortais no ataque de 28 de março de 2023 foram duas mulheres portuguesas, de 24 e 49 anos, que trabalhavam no serviço de apoio aos refugiados do Centro Ismaili.

Transplante com dador vivo de rim aumenta e representou 12% da transplantação renal em 2024

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O transplante com dador vivo de rim tem registado um crescimento sustentado, representando, em 2024, 12,5% na atividade de transplantação renal, segundo dados divulgados pela Coordenação Nacional de Transplantação.

De acordo com os dados divulgados no “Dia Mundial do Rim”, “o máximo número absoluto” foi atingido em 2017 com 77 dadores vivos de rim.

“A consistência do número de transplantes renais com dador vivo, especialmente a partir de 2015 deve-se fundamentalmente ao trabalho de sensibilização para a doação realizada pelos profissionais, concomitantemente com a implementação de técnicas médicas diferenciadas que permitem a realização de transplantes que no passado não seriam possíveis”, refere a coordenação nacional num comunicado enviado à agência Lusa.

Com o intuito de sensibilizar e consciencializar a população sobre a importância dos rins e do transplante renal, como tratamento possível na doença renal terminal, o “Dia Mundial do Rim” tem como tema este ano “Como estão os seus rins? Faça um teste para descobrir!”.

A Coordenação Nacional de transplantação do Instituto Português do Sangue e da Transplantação assinala que foi no transplante renal, que Portugal deu os seus primeiros passos na área da transplantação, quando em 1969 o Professor Linhares Furtado realizou, em Coimbra, o primeiro transplante renal com dador vivo.

Desde esta data, foram transplantados mais de 1.230 doentes renais em Portugal.

Realça que todos os anos se regista “um número muito expressivo na atividade de transplantação, sendo sem margem para dúvidas” o transplante renal o que mais se destaca, não só pelo seu número, mas também pela possibilidade de doação em vida”.

De acordo com os dados do Conselho da Europa de 2023, Portugal é o 6.º país com maior taxa de transplante renal, na ordem dos 53.6 transplantes renais por milhão de habitante.

“Estes números colocam-nos no grupo dos centros de alto volume de transplantação renal, com reflexo na sobrevida dos doentes por nós transplantados, positivamente com os números reportados pelas sociedades internacionais”, realça a coordenação nacional.

Nesta atividade, destaca também o Programa Nacional e Internacional de Doação Renal Cruzada, que proporcionam “uma oportunidade aos pares de dador vivo e recetor, que entre si não são conseguem fazer o ‘match perfeito’ da compatibilidade imunológica”.

Atualmente, existem em Portugal sete unidades de Transplantação Renal, das quais seis têm implementado programas de doação renal com dador vivo.

“Estas unidades são compostas por profissionais de excelência, que se reinventam diariamente para uma adequada e atualizada resposta científica aos seus doentes com indicação para transplante renal”, sublinha a Coordenação Nacional do Transplante, que expressa o seu reconhecimento “a todos os que de forma benévola permitem o sucesso da transplantação em Portugal, devolvendo a esperança de vida a muitos doentes”.

Para assinalar a data, a Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou hoje o documento “Percurso de Cuidados Integrados para a Pessoa com Doença Renal Crónica” no Serviço Nacional de saúde, desenvolvido no contexto da Estratégia Nacional para a Doença Renal Crónica 2023-2026.

Este documento visa reforçar a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento desta doença, assegurando uma abordagem integrada desde os cuidados de saúde primários até às fases mais avançadas da doença, com o objetivo de melhorar a qualidade dos cuidados de saúde prestados e, consequentemente, aumentar a funcionalidade e qualidade de vida do doente.

O objetivo é conseguir, em 2025, reduzir para menos de 30% as induções não planeadas de diálise, aumentar para 20% os doentes a iniciar terapias domiciliárias e incrementar em 5% ao ano o número de transplantes renais, maximizando o acesso a dador falecido e promovendo dadores vivos.

Visa ainda garantir que mais de 80% de cirurgias de acesso vascular sejam realizadas dentro dos tempos de resposta garantidos.

Identificada proteína diretamente ligada à doença de Parkinson

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Uma equipa de cientistas resolveu um mistério relacionado com a doença de Parkinson ao identificar uma proteína que poderá ser a chave para ajudar a desenvolver novos medicamentos para tratar a doença neurodegenerativa

A PINK1 é uma proteína diretamente ligada à doença de Parkinson, a doença neurodegenerativa que mais cresce no mundo e a mais comum depois da doença de Alzheimer.

Nunca ninguém tinha visto o aspeto desta proteína humana, a forma como se liga à superfície das mitocôndrias danificadas ou como é ativada, mas agora uma equipa de investigadores australianos do Centro de Investigação da Doença de Parkinson do Walter and Eliza Hall Institute (WEHI) conseguiu fazê-lo.

O trabalho, descrito na quinta-feira na revista Science, poderá ajudar a encontrar novos tratamentos para a doença, que atualmente não tem cura nem medicamentos para travar a sua progressão.

A doença de Parkinson, cujo diagnóstico demora muitas vezes anos ou décadas, está associada a tremores, mas tem cerca de 40 outros sintomas, incluindo perturbações cognitivas, problemas de fala e de visão e de regulação da temperatura corporal.

A prevalência global é de 0,3% da população, embora seja uma doença relacionada com a idade e afecte cerca de 2% das pessoas com mais de 65 anos.

As mitocôndrias produzem a energia necessária às células de todos os seres vivos, pelo que as células podem conter centenas ou milhares de mitocôndrias.

O gene PARK6 codifica a proteína PINK1, que ajuda à sobrevivência das células, detetando as mitocôndrias danificadas e marcando-as para serem removidas.

Numa pessoa saudável, quando as mitocôndrias são danificadas, a PINK1 junta-se às membranas mitocondriais e sinaliza, através de uma pequena proteína chamada ubiquitina, que as mitocôndrias danificadas devem ser removidas.

O sinal de ubiquitina do PINK1 é exclusivo das mitocôndrias danificadas e, quando o PINK1 sofre mutação nos doentes, as mitocôndrias danificadas acumulam-se nas células.

Embora o PINK1 tenha sido associado à doença de Parkinson, e especialmente ao início da doença, como ninguém tinha sido capaz de o visualizar até agora, não se compreendia como se liga às mitocôndrias e é ativado.

Mas a equipa do professor David Komander do WEHI conseguiu: “Este é um marco importante para a investigação da doença de Parkinson. É espantoso ver finalmente a PINK1 e perceber como se liga às mitocôndrias.

A autora principal do estudo, Sylvie Callegari, explica que o PINK1 atua em quatro etapas distintas, as duas primeiras das quais nunca tinham sido vistas antes.

O PINK1 deteta primeiro os danos nas mitocôndrias, depois liga-se às mitocôndrias danificadas e, uma vez ligado, marca a ubiquitina, que se liga a uma proteína chamada Parkin para que as mitocôndrias danificadas possam ser recicladas.

“É a primeira vez que vemos a PINK1 humana acoplar-se à superfície das mitocôndrias danificadas e descobrimos um conjunto notável de proteínas que atuam como locais de acoplamento. Também vimos, pela primeira vez, como as mutações presentes nas pessoas com doença de Parkinson afetam a PINK1 humana”, afirma Callegari.

A equipa espera utilizar estes conhecimentos para encontrar um medicamento que abrande ou pare a doença de Parkinson em pessoas com uma mutação PINK1.

Eleições legislativas marcadas para 18 de maio

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

As eleições legislativas antecipadas vão realizar-se a 18 de maio, na sequência da crise política que levou à demissão do Governo PSD/CDS-PP, anunciou esta quinta-feira o Presidente da República.

Numa comunicação ao país após uma reunião do Conselho de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa pediu um “debate claro, digno” nos 65 dias que faltam para o ato eleitoral.

Segundo a lei eleitoral da Assembleia da República, em caso de dissolução, o chefe de Estado marca a data das eleições legislativas com a antecedência mínima de 55 dias.

Governo/Crise: Pedro Nuno defende que “saúde da democracia” será decidida entre PS e PSD

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foto: Arlindo Homem

O líder socialista, Pedro Nuno Santos, defendeu esta quinta-feira que a confiança num projeto político depende da confiança na liderança, antecipando que será entre PS e PSD que se vai decidir “a saúde da democracia” e o desenvolvimento do país.

Após a declaração do país do Presidente da República, na qual foi anunciada a decisão de dissolver o parlamento e convocar legislativas antecipadas, Pedro Nuno Santos afirmou que o “PS não desejava eleições”, mas que estas são a única forma de clarificar a situação e que “não podem ser consideradas um estorvo”.

Para o secretário-geral do PS, a confiança num projeto político “depende da confiança na liderança” e “será entre o PS e o PSD que se vai decidir a saúde da democracia e o desenvolvimento do país”.

O Presidente da República afirmou hoje que “não havia meio caminho” nem consenso possível entre a posição do Governo e da oposição na atual crise, considerando que “não é possível confiar e desconfiar” ao mesmo tempo do primeiro-ministro.

Numa comunicação ao país a partir da Sala das Bicas no Palácio de Belém, em que anunciou a terceira dissolução da Assembleia da República nos seus mandatos, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a crise sugeriu “inesperadamente” em fevereiro “com questões levantadas quanto ao Governo e a seguir ao primeiro-ministro”.

Governo/Crise: Marcelo pede “debate digno” na campanha que não enfraqueça democracia

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foto: Arlindo Homem

O Presidente da República apelou na quinta-feira a que haja “um debate digno e elevado” na próxima campanha eleitoral que fortaleça a democracia, avisando que seria “um desperdício imperdoável” não discutir os problemas do país.

Numa comunicação ao país a partir da Sala das Bicas no Palácio de Belém, em que anunciou a terceira dissolução da Assembleia da República nos seus mandatos e a convocação de eleições antecipadas para 18 de maio, Marcelo Rebelo de Sousa considerou “inevitável” que o tema que originou a crise política – a vida patrimonial e profissional do primeiro-ministro – ocupe parte do debate eleitoral, “em particular nas primeiras semanas”.

“Debate que pode e deve pesar, e pesar bem, os sinais e riscos para a democracia de situações de confrontos em que não é possível haver consenso, nem que parcial seja, porque se trata de conduzir a becos de natureza pessoal e ética, que não têm saída que não sejam as eleições”, avisou.

No entanto, defendeu, “seria um desperdício imperdoável não discutir aquilo que tanto preocupa o dia-a-dia dos portugueses nestes e nos próximos tempos”.

“Impõe-se que haja um debate eleitoral. Claro, frontal, esclarecedor, mas sereno. Digno, elevado, tolerante, respeitador da diferença e do pluralismo”, pediu.

O Presidente da República alertou para o risco de outro tipo de discussão poder enfraquecer a democracia e abrir “ainda mais à porta as experiências que se sabe como começam e se sabe como acabam”.

“É o apelo para todos e, creio, de todos os portugueses. Um debate que dê força a quem nos vier a representar na Assembleia da República. Que dê força a quem nos vier a governar. Que dê força aos portugueses para controlarem os seus representantes e os seus governantes”, disse.

Na sua comunicação de cerca de dez minutos, avisou que só a democracia tem “capacidade de enfrentar e superar crises”, ao contrário da ditadura.

Marcelo Rebelo de Sousa prometeu ainda dar condições ao Governo em gestão para que “se não pare a execução do Plano de Recuperação e Resiliência”.

“Sem atropelo, claro, das regras eleitorais. Qual o objetivo? Permitir uma transição, se possível, tão pacífica como a vivida em 2024. Só que agora em dois meses e meio e não em cinco como então”, afirmou.

Entre os temas que quer ver discutidos na campanha, apontou o crescimento económico, os salários e os rendimentos, a saúde, a habitação, a educação ou a segurança, bem como as desigualdades, a justiça ou “o lugar dos jovens e dos menos jovens na sociedade”.

“E, claro, a transparência e o combate à corrupção. Tudo num quadro de paz e de guerra e de uma muito difícil situação económica internacional”, disse.

O Presidente da República começou a sua comunicação ao país precisamente enfatizando a situação internacional, recordando que já disse, por várias vezes, que “o mundo mudou imenso nos últimos meses e tudo indica que irá mudar mais”.

“Os Estados Unidos da América parecem distanciar-se de aliados europeus. A Federação Russa pode aumentar o seu papel internacional. A União Europeia tem de se unir ainda mais, recuperar na economia, melhorar na defesa, sem perder o apoio social dos europeus e evitar ficar descartável ou enfraquecida entre americanos e russos”, considerou.

O chefe de Estado alertou que, em tempos de instabilidade, “a economia mundial fica imprevisível e isso poderá cair sobre países mais sensíveis às mudanças internacionais”, deixando elogios sobre a atual situação económico-financeira do país.

“Portugal soube, nos últimos anos, equilibrar as contas do Estado, reduzir a dívida externa, crescer na economia, reduzir o desemprego, atrair grandes projetos como o novo da AutoEuropa, subir nas classificações das agências financeiras”, disse.

Ainda assim, o Presidente alertou que o país continua a enfrentar desafios: “Não desperdiçar fundos que vêm lá de fora e são únicos, gerir melhor a saúde e a educação, acelerar na habitação”, apontou.

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