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Terça-feira, Julho 7, 2026
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Cinemas com menos espectadores e um pouco mais de receita no 1.º trimestre face a 2024

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Os cinemas portugueses perderam mais de 56 mil espectadores no primeiro trimestre deste ano, face a igual período de 2024, mas registaram um ligeiro aumento, de 50.720 euros, de receita de bilheteira, foi anunciado.

De acordo com os dados de exibição divulgados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), as receitas brutas de bilheteira registaram um saldo positivo no trimestre (de 0,3%), comparando com o primeiro trimestre de 2024, para um total de 16,7 milhões de euros.

Esta ligeira subida do trimestre aconteceu por conta da boa prestação do mês de janeiro, com 6,8 milhões de euros de receitas de bilheteira, ou seja, mais 1,6 milhões de euros do que em janeiro de 2024.

Em termos de audiência, entre janeiro e março, os cinemas acolheram 2.640.438 espectadores, com uma perda de 2,1% face ao primeiro trimestre de 2024.

Apesar de janeiro deste ano ter ultrapassado um milhão de entradas nos cinemas (1.079.282), a prestação dos meses de fevereiro e de março ficaram, cada um, abaixo dos 800 mil espectadores, o que faz com que, no total, a audiência em sala tenha sido inferior ao trimestre de 2024.

Nos primeiros três meses de 2025, o filme mais visto pelos portugueses foi a produção brasileira “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, com 374.811 espectadores e 2,5 milhões de euros de receita de bilheteira.

O filme português mais visto no trimestre, mesmo tendo estreado a 27 de março, foi “On Falling”, de Laura Carreira, com 3.323 espectadores e 20.444 euros de receita bruta de bilheteira.

De acordo com o ICA, os filmes de produção portuguesa tiveram, no primeiro trimestre, 17.265 espectadores e 68.230 euros de receita de bilheteira, o que representa uma quota de mercado de apenas 0,7% e 0,4%, respetivamente.

Entre os dez filmes que o ICA considera portugueses, por terem coprodução nacional, mesmo que seja minoritária, figuram “Nome”, do realizador guineense Sana Na N’Hada, “O império”, de Bruno Dumont, e “Misericórdia”, de Alain Guiraudie, ambos cineastas franceses, e “Caixa de resistência”, dos espanhóis Concha Barquero Artés e Alejandro Alvarado Jódar.

A NOS Lusomundo Cinemas, líder da exibição em Portugal com 218 salas, totalizou 10,9 milhões de euros de receita de bilheteira no primeiro trimestre (detém 65,3% do mercado), mas registou uma perda de 2,6% face ao primeiro trimestre de 2024.

Em termos de audiência, aquela empresa detém uma quota de 62,5% do mercado, com um total de 1,6 milhões de bilhetes emitidos, mas este valor representa uma perda de 4,2%, comparando com igual período do ano passado.

FPF espera que reunião com Governo marque “início de uma nova era”

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A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) espera que a reunião desta quinta-feira com o Governo português marque “o início de uma nova era na relação e articulação em matérias verdadeiramente relevantes para o futuro” da modalidade.

“A Federação Portuguesa de Futebol e o seu presidente, Pedro Proença, congratulam-se com o espírito construtivo da reunião, que, espera, marcará o início de uma nova era na relação com o Governo na articulação em matérias verdadeiramente relevantes para o futuro do futebol português”, pode ler-se numa nota publicada no sítio oficial na internet do organismo que rege o futebol no país.

A direção da FPF tinha anunciado o pedido de uma “audiência com caráter de urgência ao Governo para avaliação dos impactos face aos compromissos assumidos, nomeadamente, a candidatura à organização do Europeu feminino de 2029 e a organização do Campeonato do Mundo de 2030”, tendo marcado presença o ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, e o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias.

“Numa nova era que se pretende ser de estreita ligação com todos os agentes e entidades, o presidente da FPF abordou com os membros do Governo os desenvolvimentos relativos ao Mundial2030, que Portugal organizará em conjunto com Espanha e Marrocos, retomando desta forma as conversas em torno de um evento que permitirá o desenvolvimento do futebol, nas suas mais variadas valências”, descreve ainda a FPF, no comunicado.

Em 29 de março, Pedro Proença revelou ter o apoio de Fernando Gomes para a sua candidatura ao Comité Executivo da UEFA, algo que, horas mais tarde, o recém-eleito líder do COP negou, numa carta enviada aos presidentes das 55 federações europeias de futebol, na qual confessou não partilhar “uma visão comum para o futebol e o desporto” com o seu sucessor no organismo, com o presidente da FPF a terminar sendo o candidato com menos votos obtidos.

“Abordada nesta reunião foi também […] a forma como a Federação Portuguesa de Futebol e o Governo podem contornar o impacto da perda de um representante português no Comité Executivo da UEFA no recente ato eleitoral desse organismo”, referiram.

Outro tópico mencionado por Pedro Proença na reunião foi a proposta relativa às verbas provenientes das receitas das apostas desportivas, “que representa uma inegável mais-valia para todas as federações desportivas e todos os agentes”.

Ciclista João Almeida diz que plano correu “na perfeição” no País Basco

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

O ciclista português João Almeida (UAE Emirates) disse esta quinta-feira que o plano que o levou a vencer a quarta etapa da Volta ao País Basco e assumir a liderança da classificação geral correu “na perfeição”.

“Têm sido dias difíceis, mas estamos felizes por vencer. O plano era dar o meu melhor na última subida e tentar isolar-me. Correu na perfeição”, revelou, pouco depois de cruzar a meta em primeiro.

Almeida, de 26 anos, completou os 169,6 quilómetros entre Beasain e Markina-Xemein, num dia com sete contagens de montanha, em 3:52.39 horas, numa etapa em que chegou isolado à meta, com 28 segundos de vantagem sobre o mexicano Isaac Del Toro, seu colega de equipa, e o alemão Maximilian Schachmann (Soudal Quick-Step), segundo e terceiro classificados, respetivamente.

Na classificação geral, o português, que atacou a 13 quilómetros da meta, vestiu a camisola amarela, com 30 segundos de vantagem sobre Schachmann, anterior líder, e 38 face ao também germânico Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe).

“Estou muito contente. A verdade é que não me sentia muito bem hoje, não tinha as melhores pernas, mas dei tudo o que tinha. Consegui o primeiro lugar, estou muito contente, agradecer à equipa pelo trabalho efetuado, que foi perfeito”, disse João Almeida.

O ciclista luso passou para a frente do grupo na última subida do dia, de primeira categoria e quando faltavam cerca de 13 quilómetros para a chegada, tendo colocado um ritmo forte, que ninguém conseguiu acompanhar, e chegado ao topo com 26 segundos de avanço sobre o grupo perseguidor.

Almeida conseguiu manter a vantagem na descida de Izua, superado um ‘muro’ de 3.500 metros a 10,6% de pendente média de inclinação, assegurando o triunfo, com Del Toro ainda a fechar a ‘dobradinha’ da UAE Emirates, agora bem posicionada para que Almeida suceda a Juan Ayuso na lista de vencedores da ‘Itzulia’.

“Na parte final estava bem, não estava ‘super’, porque acho que todos estavam cansados do dia anterior, mas foi o suficiente. Os próximos dois dias vão ser duros. Agora é desfrutar da vitória e depois pensar nos próximos dias”, salientou o português, que também lidera a classificação por pontos.

Depois de um erro tático e de posicionamento o ter feito ceder quatro segundos para Schachmann na quarta-feira, o português das Caldas da Rainha respondeu hoje da melhor forma com uma exibição de elite que o comprova como um dos trepadores mundiais em melhor nível, além de uma agressividade pouco vista em outros anos.

Almeida chega às 15 vitórias como profissional na carreira, a segunda em 2025, depois de ter erguido os braços também no Paris-Nice, e posiciona-se como principal favorito a vencer o que seria a maior prova por etapas do palmarés, que conta já com triunfos na Volta a Polónia (2021) e Volta ao Luxemburgo (2021), numa época em que tem como objetivos principais a Volta a França e a Volta a Espanha.

O outro português em prova, Nelson Oliveira (Movistar), foi 59.º na etapa, seguindo agora no 32.º posto da geral, a 7.33 minutos do compatriota.

Na sexta-feira cumpre-se a quinta e penúltima etapa, com uma ligação de 172,3 quilómetros entre Urduña e Gernika-Lumo, com quatro contagens de terceira categoria, perfil ondulante que é repetido sábado na sexta tirada, com partida e chegada em Eibar – essa conta com três subidas de primeira categoria, uma de segunda e três de terceira.

MEO multada em meio milhão por violações dos contratos e práticas comerciais desleais

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A Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) aplicou uma coima superior a meio milhão de euros à MEO, por violações de regras dos contratos e práticas comerciais desleais, foi esta quinta-feira anunciado.

“A Anacom decidiu aplicar à MEO uma coima no valor de 559.500 euros, por violações das regras aplicáveis à celebração e cessação dos contratos por iniciativa dos assinantes, […] e por adoção de práticas comerciais desleais”, informou o regulador, em comunicado.

Aquela autoridade concluiu que a MEO teve como objetivo “colocar entraves injustificados e não permitidos nos procedimentos de cessação dos contratos por iniciativa dos assinantes, de modo a dificultar, atrasar ou até a levar à desistência de processos de alteração de prestador de serviços, obstando, dessa forma, ao desenvolvimento da concorrência no mercado das comunicações eletrónicas”.

O regulador disse ainda que a empresa prestou informações falsas a assinantes consumidores, relacionadas sobretudo com a existência de períodos de fidelização ou o pagamento de encargos devidos pela cessação antecipada do contrato, “as quais eram suscetíveis de levar tais consumidores a tomarem uma decisão de transação que de outro modo não tomariam, adotando, dessa forma, práticas comerciais desleais legalmente proibidas”.

A MEO já apresentou recurso de impugnação judicial contra a decisão da Anacom, junto do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, avançou o regulador.

Acesso ao Cais do Ginjal, no concelho de Almada, vedado pelo menos até 01 de maio

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A presidente da Câmara Municipal de Almada anunciou hoje que a interdição de circulação de pessoas no Cais do Ginjal, em Cacilhas, vigora até 01 de maio, mas pode ser prolongada em função das soluções encontradas até essa data.

A presidente da Câmara de Almada, no distrito de Setúbal, deu esta manhã uma conferência de imprensa para anunciar que hoje ficou concluída a criação da barreira que encerra o acesso ao cais do Ginjal e que todas as pessoas que vivem naquela zona terão de sair.

Além disso, a autarquia decidiu ativar uma Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP) para acolher, durante cerca de duas semanas, as 50 pessoas que vivem em vários edificados da zona do Ginjal.

As zonas de concentração e apoio à população são áreas criadas pela Proteção Civil para acolher temporariamente pessoas deslocadas de zonas não seguras, garantindo entre várias valências a dormida e a alimentação durante um determinado período.

“Não é de ânimo leve que, como é público, a Câmara Municipal da Almada se viu obrigada a decretar a situação de alerta no âmbito da Lei de Bases de Proteção Civil e que, a partir de hoje, será interditada a circulação de pessoas no Cais do Ginjal”, disse Inês de Medeiros.

Segundo a autarca, o estado de degradação extrema desta zona do domínio público hídrico, e tendo em conta as avaliações técnicas do Serviço Municipal de Proteção Civil da Almada, não deixou outra opção que não a interdição de circulação no espaço de forma a garantir a segurança de pessoas e bens naquela zona.

“Estamos a tentar encontrar uma solução que permita reabrir aquele acesso o mais rapidamente possível, desde que estejam garantidas as condições de segurança”, frisou.

A autarca adiantou que tem já agendada uma reunião com a Administração do Porto de Lisboa (APL) para o dia 14 de abril, entidade que tem a jurisdição daquele território e que, numa resposta enviada à agência Lusa, disse não ser da sua competência intervir no Cais do Ginjal, considerando que essa é uma responsabilidade da autarquia e dos proprietários privados.

“Devo dizer que até agora a APL não rejeitou que tem jurisdição sobre aquela questão, apenas rejeita que tenha de pagar qualquer fatura. É isso que nós iremos clarificar com a APL”, disse adiantando que ficou surpreendida com a posição da APL.

Relativamente às pessoas que vivem em edificados degradados naquela zona, a autarca avançou que a interdição de circulação e a necessidade de emparedamento dos edifícios faz com que as pessoas deixem de ter acesso a estes locais, tendo por isso sido acionada a ZCAP para onde serão deslocadas caso o desejam.

Nos últimos dias, explicou, os serviços da autarquia têm mantido contacto com estas pessoas com o objetivo de as ajudar a encontrar, desde já, uma solução definitiva.

“Nalguns casos, devo dizer, já tínhamos encontrado soluções e depois de terem aceitado serem, desde já, realojadas em alojamentos temporários, foram dissuadidas”, disse adiantando que tomará todas as medidas necessárias contra quem colocar as pessoas em risco.

O movimento Vida Justa emitiu um comunicado a criticar a autarquia pelos despejos no Cais do Ginjal não assegurarem uma solução de alojamento a longo prazo.

Segundo o movimento, os moradores do Ginjal “estão em risco de ser brutalmente retirados da sua rotina, sendo obrigados a faltar ao trabalho ou à escola, acumulando problemas pelos quais serão depois penalizadas”.

Os moradores o Cais do Ginjal e o movimento Vida Justa exigem a suspensão de todos os despejos e demolições sem alternativas dignas, uma intervenção no caminho pedonal do Ginjal – que se encontra ao abandono há vários anos – e que seja feito um apuramento sério da situação social das famílias, encontrando soluções dignas para as pessoas desalojadas, tendo em conta, igualmente, a existência de crianças e a necessidade de acautelar a sua estabilidade.

Tarifas: UE suspende aplicação de taxas aos EUA por 90 dias para negociações

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foto: Arlindo Homem

A União Europeia (UE) decidiu fazer uma pausa de 90 dias na introdução de taxas aduaneiras em resposta às adotadas por Washington para “dar tempo uma oportunidade à negociações”, anunciou a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Tomámos nota do anúncio feito pelo Presidente [dos EUA, Donald] Trump. Queremos dar uma oportunidade às negociações. Enquanto finalizamos a adoção das contramedidas da UE, que receberam um forte apoio dos nossos Estados-Membros, vamos suspendê-las durante 90 dias”, afirmou, numa curta declaração escrita.

A presidente do executivo comunitário salientou também que “se as negociações não forem satisfatórias”, as contramedidas “entrarão em vigor”, acrescentando que os trabalhos preparatórios prosseguem.

“Como já referi, todas as opções permanecem em cima da mesa, reiterou.

O porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio Olof Gill explicou, na habitual conferência de imprensa diária, que o executivo – que tutela a política comercial da UE – “carregou no botão de pausa para dar espaço às negociações”, referindo ainda que se estas não forem satisfatórias, as tarifas europeias entrarão em vigor.

Novos Tempos: Incoerência entre fé e atos…

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

«Haverá uma só lei para o natural e para o estrangeiro residente que habite no meio de vós.» (Êxodo 12, 49)

«Portanto, já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus…» (Efésios 2, 19)

No dia 8 de abril, assinalou-se o Dia Internacional dos Ciganos. No mesmo dia, o Governo de Portugal divulgava, também, o número oficial de estrangeiros a viver, legalmente, no nosso país, e que atingiu pela primeira vez a fasquia dos 1,55 milhões de pessoas. Ambos os assuntos não têm a ver um com o outro, mas foi curiosa a sua coincidência.

O povo cigano vive há séculos entre nós e, atualmente, são cidadãos portugueses de pleno direito, enquanto os imigrantes são aqueles que não possuindo a cidadania portuguesa têm a autorização de habitar e trabalhar em território nacional. São duas realidades diferentes.

Na mensagem que a Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos publicou pela efeméride referiu que «esta data é também uma ocasião para reconhecer e valorizar a história, a cultura e a identidade do povo cigano, parte integrante da riqueza e diversidade da nossa sociedade. Ao mesmo tempo, é essencial lembrar os desafios persistentes que muitas pessoas ciganas ainda enfrentam no acesso a direitos fundamentais como a educação, a saúde, a habitação e o emprego.»

Os ciganos são uma etnia, um povo, com costumes e cultura próprios, mas são cidadãos portugueses. Têm direito à diversidade e muitos esforçam-se por viver como qualquer cidadão, nas suas localidades. A maioria adotou a religião cristã, seja católica ou evangélica.

Trago este assunto, porque nos últimos tempos foi noticiada a construção e entrega de casas camarárias, no concelho de Paredes, a pessoas da comunidade cigana. E o que mais me escandalizou foi ver o aproveitamento político da questão a nível nacional, por um partido radical, cheio de gente piedosa, tão santa como os fariseus e doutores da lei dos tempos bíblicos.

Lembrei-me a este propósito do primeiro bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, que nos anos 90 do século passado, denunciava as freguesias «ultra-cristãs» que tocavam os sinos da igreja a rebate para expulsar os ciganos das suas localidades. A sua denúncia profética mostrava a incoerência entre a fé e os atos que praticavam.

O mesmo se passa com estes novos radicais que, através de preconceitos, baseados no ódio e até racismo, querem capitalizar e ganhar votos à custa da perseguição a outros seres humanos. Existe gente boa ou má em todos os povos e etnias. Não se pode medir o todo pela parte.

Há alguns anos, lecionava numa escola do Porto onde havia um grande número de alunos ciganos. Quando lá fui colocado, nenhum deles frequentava a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, pois quase todos eram cristãos evangélicos. Contudo, um dia, tudo mudou.

Ouvindo eu o barulho de uma grande confusão no corredor, vim ver o que se passava. Um aluno falava muito alto e não acatava as instruções da auxiliar de ação educativa. Batia nos armários e cacifos. Tive de agir. Disse ao aluno que se moderasse e que respeitasse a funcionária pois ela até já poderia ser sua avó. Ele respondeu-me que eu era apenas «um padreco que ensinava os betinhos». Informei-o, com firmeza, que por acaso não era padre, e que era casado e pai de família, não admitindo a ninguém que faltasse ao respeito a alguém dentro da escola, muito menos a uma senhora.

Sanada a situação, a funcionária veio dizer-me «ó professor, porque se meteu? Sabe que ele era cigano? Vai ter problemas».

No dia seguinte, ao chegar à escola tinha o patriarca da comunidade e muitos homens da comunidade cigana à minha espera. O patriarca dirigiu-se a mim dizendo: «o senhor é o professor da religião moral?». «Sou, sim senhor», respondi. «O senhor chamou à atenção o meu neto ontem?». «Chamei, sim senhor, porque ele estava a ser indelicado com uma senhora e eu não posso ver e ficar calado».

O ancião ficou a olhar para mim e acrescentou: «Nós não somos da religião católica, somos evangélicos. Mas, como aqui na escola não há professor da nossa religião, e o senhor mostrou coragem e força na fé, e eu quero que os meus respeitem toda a gente e sejam respeitados, a partir de amanhã, todos os alunos ciganos vão passar a ir às aulas de religião moral!»

Dito e feito. Nos dias seguintes, as turmas aumentaram de número passando toda a comunidade cigana a estar nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica. Sempre se comportaram bem e eram assíduos. Ficavam orgulhosos quanto partilhavam as suas tradições e convicções. O conhecimento destrói os preconceitos.

Tratemos todas as pessoas como seres humanos, e que haja uma só lei para todos: a lei da sã convivência e do respeito.

Sérgio Carvalho

Guardas prisionais arguidos suspensos e com processo disciplinar

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

Os guardas prisionais que sejam constituídos arguidos no âmbito da operação policial desta quarta-feira em várias prisões, por suspeitas de facilitarem a entrada de droga, vão ser suspensos de funções e alvo de processos disciplinares, anunciou o Governo.

Em declarações aos jornalistas em Évora, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, elogiou a operação levada a cabo pela Polícia Judiciária (PJ) em diversos estabelecimentos prisionais do país, considerando que foi “uma intervenção muito importante”.

“Se a droga é um flagelo, nas prisões é inaceitável. Estamos mesmo comprometidos e muito satisfeitos de ver a ação da PJ”, afirmou, após a inauguração da ampliação do edifício da Unidade Local de Investigação Criminal (ULIC) de Évora desta polícia.

A governante revelou ter a garantia da parte da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) de que “todos os visados que sejam constituídos arguidos serão imediatamente suspensos e objeto de um processo disciplinar”.

“A droga nas cadeias é um tema que tem estado em cima da mesa e todos os dias lutamos contra essa realidade”, assumiu.

Rita Alarcão Júdice disse que não confunde os guardas prisionais visados na operação com o Corpo da Guarda Prisional, mas admitiu que, a existirem elementos entre os suspeitos, “não é algo que deixe a ministra da Justiça orgulhosa”.

Questionada pelos jornalistas se considera uma mudança no Código de Execução de Penas, a ministra recusou avançar com alterações “em função de acontecimentos esporádicos em determinadas situações”.

“Uma mudança no Código de Execução de Penas tem de ser ponderada e pensada e estamos a fazer essa reflexão, estamos a trabalhar nessa mudança e, quando for o tempo, direi os concretos”, acrescentou.

Também em declarações aos jornalistas, o diretor nacional da PJ, Luís Neves, considerou “intolerável que quem está a cumprir pena tenha acesso a produtos estupefacientes e a anabolizantes”, pois “põe em causa a segurança e a estrutura própria de cada estabelecimento prisional”.

“Não é possível haver produtos estupefacientes dentro dos estabelecimentos prisionais”, reiterou, adiantando que, nesta investigação, estão em causa “crimes de corrupção, ativa e passiva e tráfico de estupefacientes e de produto anabolizante”.

Segundo o responsável, durante a operação policial, foram detidos “muitos intervenientes que não são guardas prisionais” e que são suspeitos de, com as suas práticas, introduzirem “produtos ilícitos no meio prisional”.

“As suspeitas existem, os factos ocorrem, há produto apreendido e, por isso, a nossa missão neste dia está duplamente cumprida”, congratulou-se.

Treze pessoas, duas delas guardas prisionais, foram detidas hoje na operação Mercado Negro – que visou estabelecimentos prisionais de Lisboa, Alcoentre, Carregueira, Sintra e Funchal (Madeira) – por suspeitas de introduzirem droga nas prisões.

No âmbito da mesma operação, a PJ desmantelou um laboratório clandestino de produção de drogas que funcionava num apartamento em Lisboa.

Quanto à ampliação do edifício da ULIC de Évora da PJ, a ministra realçou que as obras permitem dar melhores condições às vítimas e a quem ali trabalha, destacando o novo laboratório, que vai “permitir maior celeridade e segurança na prova obtida”.

“O país não é Lisboa e não é o litoral. Os alentejanos, sobretudo, as vítimas daqui, merecem ter uma polícia próxima, uma resposta eficaz”, prosseguiu o diretor nacional da PJ, assumindo que a ULIC de Évora “pode, a médio prazo, passar a ser um Departamento de Investigação Criminal”.

Benfica defende liderança com Arouca e Sporting tem visita difícil aos Açores

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foto: Arlindo Homem | Notícias Em Direto

O Benfica defende no domingo a liderança na I Liga portuguesa de futebol, com uma receção ao Arouca, na 29.ª jornada, um dia depois de o Sporting visitar o Santa Clara, equipa revelação do campeonato.

Depois de ter chegado à liderança na última ronda, com uma goleada em casa do FC Porto (4-1), beneficiando do empate do Sporting com o Sporting de Braga (1-1), o Benfica, que tem mais dois pontos do que os ‘leões’, recebe no domingo o Arouca, 12.º classificado.

Dias depois de ter goleado o Tirsense (5-0), na primeira mão das meias-finais da Taça, o Benfica joga com os arouquenses, que vêm de duas derrotas seguidas, num dos melhores momentos da temporada no campeonato, com nove vitórias consecutivas, com dúvidas na utilização de Tomás Araújo, que saiu lesionado no jogo do Dragão.

Em oito encontros no Estádio da Luz, em Lisboa, para o campeonato, o melhor que o Arouca conseguiu foi um empate em 2013/14, sua época de estreia na I Liga, seguindo-se sete derrotas, todas por mais de um golo de diferença.

Em teoria mais complicada será a visita do Sporting ao Santa Clara, equipa que venceu, na estreia de João Pereira em Alvalade, impondo a primeira derrota da temporada aos ‘leões’ (0-1), embora em Ponta Delgada apenas tenha um triunfo e um empate em oito jogos para o campeonato frente aos ‘verde e brancos’, que podem recuperar provisoriamente o primeiro posto.

O encontro de sábado poderá marcar o regresso de Pedro Gonçalves à competição, depois de o médio do Sporting se ter lesionado na 11.ª jornada, tendo regressado aos treinos sem limitações na terça-feira.

O Santa Clara procura segurar o quinto lugar, que pode dar acesso às competições europeias da próxima temporada, tendo apenas um ponto de avanço sobre o Vitória de Guimarães, que, na sexta-feira, visita o Gil Vicente (14.º), na abertura da ronda.

Depois do choque da pesada derrota em casa com o rival Benfica, o FC Porto procura recuperar o terceiro lugar, mesmo que provisoriamente, depois de ter ficado a um ponto do Sporting de Braga.

Os ‘dragões’, que não vão contar com o defesa argentino Nehuén Peréz, castigado, visitam no sábado o ‘tranquilo’ Casa Pia, oitavo classificado, antes de, no dia seguinte, o Sporting de Braga receber o ‘aflito’ AVS, 16.º e antepenúltimo.

Em Rio Maior, onde os ‘gansos’ já bateram o Benfica (3-1), o FC Porto vai tentar repetir o triunfo da última temporada, quando interrompeu uma série de três jornadas consecutivas sem vencer, partindo então para um final de temporada com quatro vitórias e apenas um empate com o Sporting.

Motivado pelo empate em casa do Sporting, o Sporting de Braga, já a 11 pontos do líder Benfica, quer segurar o terceiro lugar, que deverá acesso à fase de grupos da Liga Europa da próxima temporada, e recebe no domingo o AVS, que ocupa o 16.º lugar, de acesso ao play-off de manutenção.

Os avenses, com 23, estão a três pontos do Estrela da Amadora (15.º), primeira equipa em lugar de manutenção direta e que tem no domingo um importante duelo na luta pela permanência, ao receber o Farense, 17.º e penúltimo, já a oito pontos da equipa da Reboleira e sem qualquer vitória ainda em 2025.

Com os mesmos 18 pontos dos algarvios, o lanterna-vermelha Boavista, ainda sob o comando do interino Jorge Couto, tenta a segunda vitória consecutiva, na receção ao Nacional, que já está num mais ‘tranquilo’ 13.º lugar, com 29 pontos.

No sábado, o Famalicão (sétimo posicionado) recebe o Estoril Praia (nono), com a receção do Moreirense (10.º) ao Rio Ave (11.º) a fechar a ronda no domingo.

Programa da 29.ª jornada:

  • Sexta-feira, 11 abr:

Gil Vicente – Vitória de Guimarães, 20:15

  • Sábado, 12 abr:

Boavista – Nacional, 15:30

Famalicão – Estoril Praia, 15:30

Santa Clara – Sporting, 17:00 locais (18:00, em Lisboa)

Casa Pia – FC Porto, 20:30

  • Domingo, 13 abr:

Estrela da Amadora – Farense, 15:30

Benfica – Arouca, 18:00

Sporting de Braga – AVS, 18:00

Moreirense – Rio Ave, 20:30

Médicos da emergência, saúde militar e prisões podem aderir à dedicação plena

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Os médicos da emergência pré-hospitalar e os que exercem funções no sistema de saúde militar e nas prisões vão poder aderir ao regime de dedicação plena no Serviço Nacional de Saúde, segundo um despacho hoje publicado.

O despacho publicado em Diário da República vem alterar o regime jurídico de dedicação plena, alargando a faculdade de adesão individual aos médicos dos estabelecimentos e serviços abrangidos pelo regime da carreira especial médica.

Assim, o regime de dedicação plena pode ser aplicado aos trabalhadores médicos das áreas dos cuidados de saúde primários, hospitalar e emergência pré-hospitalar, que manifestem interesse em aderir individualmente ao regime, designadamente nas situações em que não seja possível integrarem uma Unidade de Saúde Familiar (USF) ou um Centro de Responsabilidade Integrado (CRI).

Aplica-se também aos trabalhadores da carreira especial médica que exerçam funções no Sistema de Saúde Militar, bem como nos estabelecimentos prisionais da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

Os especialistas de medicina geral e familiar que prestem atividade assistencial em unidades orgânicas integradas no SNS que não correspondam a USF ou Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados, nomeadamente nas áreas dos cuidados paliativos e das dependências e comportamentos aditivos, também passam a poder aderir à dedicação plena.

O decreto-lei publicado em 07 de novembro de 2023 tinha estabelecido o regime jurídico da dedicação plena no SNS, aplicável a equipas multiprofissionais em unidades de saúde familiar e em centros de responsabilidade integrados.

Previa, ainda, a possibilidade de adesão individual de médicos dos cuidados de saúde primários e hospitalares que manifestassem interesse nesse sentido, designadamente quando não possam integrar uma USF ou um CRI.

“Não obstante essa previsão, subsistem dúvidas sobre a aplicabilidade dessa adesão individual relativamente a alguns médicos”, lê-se no diploma hoje aprovado.

Neste contexto, o Governo entendeu “ser indispensável proceder a uma alteração pontual ao Decreto-Lei n.º 103/2023, de 7 de novembro”, para garantir que esses profissionais possam aderir ao regime de dedicação plena.

“A alteração permitirá, ainda, definir claramente as obrigações decorrentes dessa adesão”, refere o despacho, sublinhando que foram ouvidas as estruturas representativas dos trabalhadores médicos.

A adesão individual ao regime de dedicação plena faz-se mediante declaração do trabalhador médico, a dirigir ao órgão máximo de gestão do estabelecimento ou serviço de saúde, e produz efeitos no primeiro dia do mês seguinte ao da sua apresentação.

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