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Terça-feira, Julho 7, 2026
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PSP está a fazer nova avaliação de risco sobre manifestações no dia 25 de Abril

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foto ilustrativa: João Polónia / Notícias Em Direto

A PSP está a fazer uma nova avaliação de risco sobre as várias manifestações previstas para o dia 25 de Abril, em Lisboa, tendo em conta os “objetivos distintos e antagónicos” e a localização, segundo aquela polícia.

“Face à diversidade e proximidade de manifestações em Lisboa no dia 25 de Abril, com marcação para a mesma hora, algumas com desfile e com objetivos distintos e antagónicos, a PSP está a fazer nova avaliação do risco, analisando todas as dinâmicas que possam perturbar a ordem e tranquilidade públicas, pronunciando-se brevemente junto da autoridade administrativa competente”, refere a Polícia de Segurança Pública, numa resposta enviada à Lusa.

Inicialmente, a PSP tinha dado um parecer positivo, considerando que não implicava qualquer risco de desordem pública a concentração que os militantes da extrema-direita tem marcada para sexta-feira no Martim Moniz, em Lisboa. Mas depois de ter conhecimento da realização de outras manifestações antagónicas para a mesma hora e local, decidiu fazer uma nova avaliação de risco cujo resultado será depois enviado para a câmara de Lisboa, segundo esta polícia.

O partido Ergue-te e o movimento Habeas Corpus anunciaram uma manifestação com “porco no espeto” a realizar no Martim Moniz, na tarde de sexta-feira, concentração que é apoiada pelo grupo de extrema-direita 1143, liderado por Mário Machado.

Nas redes sociais, o evento é intitulado “Portugal desce ao califado” numa celebração que diz ser nacionalista.

Contactada pela Lusa, a Câmara de Lisboa indicou que “como sempre acontece nestes casos a avaliação de risco e eventuais decisões sobre as condições de segurança para a sua realização são definidas pela PSP”, sendo com base “nos pareceres das forças de segurança que são definidas as condições para a realização de manifestações na cidade”.

Incêndios: Bombeiros voluntários e profissinais votaram contra diretiva de meios de combate

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foto: João Polónia / Notícias Em Direto

A Liga dos Bombeiros Portugueses e a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais votaram hoje contra a Diretiva Operacional Nacional (DON) que estabelece os meios previstos para o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano.

A DON foi hoje aprovada na Comissão Nacional de Proteção Civil numa reunião que decorreu na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e foi presidida pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Paulo Simões Ribeiro.

Em declarações à Lusa, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) afirmou que votou contra por não concordar com o documento, sendo uma das principais razões a não valorização dos bombeiros, que são o principal elemento no combate aos fogos.

“A diretiva financeira tem implicações na DON e, como a Liga não está de acordo com os valores estabelecidos para os bombeiros que integram o DECIR, votou contra”, disse António Nunes, frisando que há ainda outros pontos do documento que merecem reparos, como não incluir um quadro global de meios com todas as forças no terreno e questões relacionadas com a logística para fornecimento de refeições quando há grandes incêndios.

O responsável sublinhou que a LBP definiu o sentido do seu voto como um “não construtivo”, explicando: “Não, porque não evoluiu no sentido das propostas da Liga, incluindo o ressarcimento aos bombeiros pelo empenhamento no combate aos incêndios florestais. Construtivo, porque a Liga entende haver formas de fazer evoluir o modelo da DON para um novo paradigma, mais ágil, mais evoluído de acordo com as necessidades e os novos desafios”.

António Nunes contestou também o facto de o documento não ter sido discutido e analisado com a LBP antes da reunião, além de apresentar quadros sobre os meios terrestres envolvidos no combate serem confusos que “só servem para baralhar” e levar o Governo a dizer que há mais operacionais.

O presidente da LBP disse ainda que há menos operacionais a combater este ano os incêndios, mas a DON deste ano é feita de maneira diferente e deixou de contabilizar os meios envolvidos na vigilância e prevenção.

Depois de a Lusa ter noticiado que o DECIR de 2025 prevê menos operacionais em combate e mais meios aéreos, o ministro da Presidência esclareceu que este ano “mudou o critério de contabilização” dos operacionais envolvidos no combate aos incêndios rurais, passando o dispositivo a contar apenas com os elementos que “estão efetivamente disponíveis”.

Também a ANPEC refere que a DON deste ano “deixou de contemplar os meios e recursos afetos à vigilância e deteção, os quais são objeto de diretiva própria da responsabilidade da Guarda Nacional Republicana”, tendo também sido “alterado o critério de apresentação dos meios (humanos e materiais)”.

Segundo a Proteção Civil, o DECIR deste ano apresenta “somente os meios, permanentes e mobilizáveis, efetivos em cada momento”.

O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, disse à Lusa que há uma diminuição de meios este ano e que os quadros apresentados na DON “ninguém os percebe”.

Fernando Curto sublinhou que a ANBP votou contra porque “os bombeiros têm ser tratados de igual modo, concretamente aos elementos do INEM, que recebem mais” no âmbito do DECIR, frisando que a questão financeira é fundamental e os bombeiros “não podem ser menosprezados”.

O mesmo responsável criticou também que a DON não inclua os bombeiros sapadores, considerando que devem existir protocolos que estabeleçam a forma de atuação, uma vez são requisitados para intervir quando há grandes incêndios florestais.

Apesar de a LBP e a ANBP criticarem a questão financeira, a diretiva financeira 2025, que estabelece a comparticipação do Estado às despesas resultantes das intervenções dos corpos de bombeiros nos diferentes dispositivos operacionais da proteção civil, nomeadamente no DECIR, estabelece que os bombeiros voluntários que integram o combate aos incêndios vão receber este ano 75 euros por dia, mais 7,7 euros do que em 2024.

Segundo o Governo, trata-se do “maior aumento dos últimos 10 anos”,

Para Fernando Curto, este aumento “não corresponde às necessidades”.

Na fase considerada mais crítica de incêndios rurais, entre 01 de julho e 30 de setembro, vão estar operacionais 15.024 combatentes, 2.572 equipas e 3.416 viaturas, além de 76 meios aéreos. Segundo a ANEPC, neste período haverá mais 873 combatentes do que no mesmo período do ano passado.

Óbito/Papa: Vaticano decreta luto de nove dias até 04 de maio e antes do conclave

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O luto no Vaticano dedicado a Francisco, o tradicional período conhecido como “novendiales” após a morte de um papa, começa no sábado e termina em 04 de maio, antecedendo o conclave do Colégio Cardinalício.

O mestre de Celebrações Litúrgicas Pontifícias do Vaticano, arcebispo Diego Ravelli, explicou em comunicado que a primeira missa em memória de Francisco terá lugar no sábado, às 10:00 (09:00 em Lisboa), na Basílica de São Pedro.

A nona e última celebração será realizada a 04 de maio, às 17:00 (16:00 em Lisboa) no mesmo local, presidida pelo cardeal francês Dominique Mamberti.

O “novendiales” (do latim ‘novem diem’, que significa nove dias) terá início depois do funeral do papa Francisco, que morreu na passada segunda-feira, aos 88 anos.

A urna ficará exposta na basílica do Vaticano para permitir que milhares de fiéis se despeçam do papa, que será sepultado na basílica romana de Santa Maria Maior, no sábado.

Decorrido o prazo de nove dias, o conclave dos cardeais eleitores pode ser convocado para escolher um sucessor, num prazo que não poderá exceder os 20 dias a contar da morte do papa, pelo que o início está previsto para ocorrer entre 05 e 10 de maio.

As celebrações do “novendiales” exigem a participação de cardeais que vão oficiar o rito, como o decano do Colégio Cardinalício, Giovanni Battista Re, que vai presidir ao funeral, e o atual secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, pelo que o conclave só pode ter início em data posterior.

O papa Francisco morreu na segunda-feira, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), depois de 12 anos de pontificado.

Nascido em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta e primeiro latino-americano a chegar à liderança da Igreja Católica.

A última aparição pública aconteceu no domingo de Páscoa, no Vaticano, na véspera de morrer.

O papa esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março.

Apoio a peregrinos de Fátima começa na sexta-feira e vai até 13 de maio

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A Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou hoje medidas de proteção e apoio aos peregrinos de Fátima, a partir de sexta-feira e até 13 de maio, com ações de sensibilização e com condicionamentos de trânsito no Itinerário Complementar 2.

Segundo a IP, a campanha “Peregrinação Segura – Fátima 2025” vai decorrer nas estradas dos distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Santarém, e incluirá ações de sensibilização e apoio direto junto dos peregrinos e ações conjuntas de informação, em coordenação com diversas entidades, no sentido de implementar medidas preventivas que reduzam o risco de acidentes rodoviários, em particular, o risco de atropelamento.

Fonte da IP disse à agência Lusa que este ano a campanha foi antecipada devido aos feriados (25 de abril e 01 de maio), sendo expectável que os peregrinos iniciem a caminhada para Fátima mais cedo, e à morte do Papa Francisco, face à possibilidade de serem em maior número.

“As vias utilizadas pelos peregrinos têm volume de tráfego significativo, onde nalguns casos se verificam velocidades de circulação elevadas, aumentando substancialmente a sua exposição ao risco, potenciando a gravidade das consequências de um eventual acidente”, referiu a IP, realçando ser “fundamental a adoção de comportamentos seguros e utilização de percursos alternativos através de vias secundárias e com menor tráfego rodoviário”.

A IP adiantou que “colabora na criação e informação dos caminhos alternativos aos troços de maior tráfego rodoviário e procede à implementação de um conjunto de condicionamentos rodoviários nos principais itinerários utilizados na peregrinação ao Santuário de Fátima”.

Além destes condicionamentos, a empresa vai “estar no terreno com equipas que irão percorrer os principais percursos”, sendo que “estas equipas terão como missão prestar apoio aos peregrinos, dar informação aos condutores e reforçar a sinalização dos desvios implementados e, em caso de necessidade, adaptar ou criar condicionamentos em função dos momentos de maior ou menor afluência de peregrinos”.

De acordo com a mesma fonte, vão estar envolvidos cerca de 30 trabalhadores da IP.

Na informação enviada à agência Lusa, na qual elenca os condicionamentos de vias e desvios de trânsito no Itinerário Complementar 2 nos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria, a IP esclareceu que, no que se refere ao distrito de Santarém, “atendendo às características das vias utilizadas pelos peregrinos, não serão efetuados condicionamentos em vias de lentos”.

“Contudo, uma vez que o número de peregrinos que percorre a rede de estradas neste distrito é normalmente elevado, haverá um reforço do acompanhamento por parte das equipas da IP”.

A IP apelou ainda para o cumprimento das regras estradais e adoção de comportamentos seguros por parte dos peregrinos que se deslocam a pé e dos automobilistas.

Aos primeiros recomenda, por exemplo, que caminhem por estradas alternativas aos itinerários complementares e principais e usem sempre vestuário refletor, de dia ou de noite, sendo que o percurso a pé deve ser feito “sempre pela berma, em fila indiana, o mais afastado possível da faixa de rodagem e em sentido contrário ao trânsito”.

Já para os automobilistas, aconselha, entre outros aspetos, atenção redobrada na estrada e redução de velocidade ao avistar grupos de caminhantes.

A peregrinação de 12 e 13 de maio ao Santuário de Fátima vai ser presidida pelo cardeal brasileiro Jaime Spengler, arcebispo metropolita de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e do Conselho Episcopal Latino-Americano.

Esta é a primeira grande peregrinação do ano ao maior templo mariano do país e ocorre três semanas após a morte do Papa Francisco, que esteve no santuário em 2017 (centenário dos acontecimentos na Cova da Iria e canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto) e em 2023 (no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa).

Reportagem: Peregrinos brasileiros desejam que o novo Papa fale português

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O sucessor do Papa Francisco, que morreu na segunda-feira, já é motivo de conversa entre os peregrinos em Roma, cada um a defender o seu país ou a sua língua.

“Já tivemos um que falava espanhol. Percebo que não pode continuar na América, mas e se o novo Papa falasse português?” – questionou João Pellegrini, de Belo Horizonte, que está em Roma num grupo de peregrinos da diocese brasileira.

O grupo concorda com a proposta e questiona a Lusa sobre quais as hipóteses dos cardeais portugueses na bolsa dos ‘papabilli’ (cardeais com possibilidade de serem eleitos papas).

“Há um que está cá e que é bom não é? Ele é um poeta muito conhecido. A minha irmã já leu umas coisas deles”, insistiu Ana Francisca, do mesmo grupo, que estava na fila para os Museus do Vaticano.

Ana Francisca referia-se ao madeirense Tolentino de Mendonça, 59 anos, Prémio Pessoa e Eduardo Lourenço e prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, um cargo que mostra a sua importância na Cúria romana e um percurso emergente junto do Papa Francisco, passando de padre a cardeal em pouco mais de um ano.

Andrea, 32 anos, tem outra opinião: “Já houve uma boa escolha com um argentino, deveriam continuar por cá e escolher outro latino”, diz a chilena, que vive em Roma e está a acompanhar conterrâneos pelas ruas adjacentes da Praça de São Pedro.

Francisco tem nome de papa mas apenas 47 anos e vive em Roma. “A cadeira de Pedro deveria voltar a um italiano. Somos hoje uma igreja progressista que é hoje muito diferente do tempo de Ratzinger”.

A sua escolha, se pudesse, seria Matteo Zuppi, cardeal-arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana, considerado o mais progressista de todos os ‘papabili’.

O sul-sudanês Ibrahim quer um africano. “Pode ser um qualquer, mas é importante que África seja ouvida através da Igreja”.

Já o filipino Manoel reza pela eleição de Luis Antonio Tagle, um dos mais próximos de Francisco.

“Se houver um Papa asiático, terá de ser filipino. Somos o maior país católico daqui”, justificou.

Mas no grupo de brasileiros, o sonho continua a ser que João Braz de Avis seja eleito, um nome que não consta das listas de quem segue a Santa Sé.

O prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada é defensor da teologia da libertação, um movimento católico de esquerda que foi duramente reprimido por Bento XVI quando estava à frente da Congregação para a Doutrina da Fé.

“Seria a continuação natural de Francisco. Uma Igreja para os mais pobres que foi como Cristo quis”, resumiu João Pellegrini.

O Papa Francisco morreu na segunda-feira aos 88 anos, de AVC, após 12 anos de pontificado.

Na quarta-feira, o seu corpo será colocado na basílica de São Pedro para que os fiéis o possam velar antes das cerimónias fúnebres de sábado.

Por isso, independentemente de quem será o candidato preferido, os peregrinos querem ainda homenagear o jesuíta argentino.

“Claro que vou lá estar. Ele foi o nosso Papa. E olhe que, para mim, é difícil dizer isto de um argentino”, disse João Pellegrini.

Papa/Óbito: Treze cardeais lusófonos ajudam a escolher sucessor de Francisco

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foto: Arlindo Homem/Patriarcado de Lisboa

O próximo Papa será eleito por 135 cardeais, entre os quais estão sete brasileiros e quatro portugueses, a que se juntam, entre os lusófonos, um de Timor-Leste e outro de Cabo Verde.

De acordo com os dados da Santa Sé, o sucessor do Papa Francisco será escolhido também com a contribuição de 16 eleitores africanos, do total de 28 cardeais africanos que integram o colégio cardinalício.

O Brasil é o país que, no universo da lusofonia, mais contribui para a escolha: João Braz de Avis, Odilo Pedro Scherer, Orani João Tempesta, Leonardo Ulrich, Sérgio da Rocha, Jaime Spengler e Paulo Ceza Costa são os sete cardeais que vão votar no próximo Conclave, no qual vão participar também o timorense Virgílio do Carmo da Silva e o cabo-verdiano Arlindo Gomes Furtado, ambos com direito de voto, ao contrário do cardeal moçambicano Júlio Duarte Langa, que não é eleitor.

Os portugueses eleitores são os cardeais António Marto, Manuel Clemente, José Tolentino de Mendonça e Américo Alves.

De África, o cardeal cabo-verdiano é o único representante da lusofonia, de entre os 16 eleitores africanos que vão contribuir para a escolha do sucessor do papa Francisco.

Entram em Conclave para eleger o Papa apenas os cardeais que não tenham já cumprido 80 anos de idade no primeiro dia da Sé vacante, pelo que, dos 252 membros do Colégio Cardinalício, apenas 135 serão chamados a votar, já que 117 têm mais de 80 anos.

O Papa Francisco morreu na segunda-feira aos 88 anos, de AVC, após 12 anos de pontificado.

Nascido em Buenos Aires (Argentina), em 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta e primeiro latino-americano a chegar à liderança da Igreja Católica.

A sua última aparição pública foi no domingo de Páscoa, no Vaticano, na véspera de morrer.

O Papa Francisco esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março.

Portugal decretou três dias de luto nacional.

Papa Francisco: pai, profeta e pontífice

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Sérgio Carvalho (Professor e Jornalista)

Muito se diz e escreve após a notícia do falecimento do Papa Francisco. Não vou cair em palavras de circunstância, nem em discursos eruditos. Apenas escolhi três palavras para o recordar: pai, profeta e pontífice.

Mais que um pai, ele foi como um pai dos pais, um avô do mundo contemporâneo. Através do seu exemplo, tentou devolver o lugar dos anciãos, que lhes pertence por direito. As pessoas não podem ser descartadas porque são idosas, limitadas pela velhice ou incapacitadas pela doença. Vejam-se as suas recentes aparições surpresa, numa cadeira de rodas, transportando a botija do oxigénio, revestido com um simples manto. O Papa Francisco foi um verdadeiro pai, como o título de Papa significa, um «papá», como pode ser carinhosamente tratado pelos seus filhos espirituais. Quis ir ao encontro dos seus filhos mais distantes e dispersos, principalmente aos locais onde sofrem ou são minoritários. Amou a todos, todos, todos. Foi até às periferias físicas e morais.

O Papa Francisco foi um profeta, literal e cristãmente falando. Literalmente, porque profeta é o “intérprete” ou “porta-voz”, “inspirado pregador ou professor”, de pro – “à frente, mais adiante” ou “para, em nome de”, mais a raiz phanai – “falar”. Ou seja, uma pessoa que falava “o que ia acontecer mais adiante” ou “em nome de alguém”. Através dos seus gestos e escritos, da sua forma de olhar e interpretar os sinais dos tempos, deixou pistas e alertas ao mundo contemporâneo. Denunciou os deuses do dinheiro e das armas. Em tudo mostrou que o centro são as pessoas e que o amor é a chave para todos os problemas do mundo. Do ponto de vista cristão, mostrou onde se encontrar Cristo e qual o caminho para estar com o Mestre: no coração de cada ser humano.

Ele foi o pontífice. Nos seus títulos até lhe chamam o Sumo Pontífice. Este título outrora pertença dos imperadores romanos, dos Césares, foi adotado pelo bispo de Roma. O Papa é aquele que faz as pontes entre Deus e os homens, bem como entre os seres humanos entre si. O Papa Francisco fez pontes entre o norte e o sul do planeta, entre os ricos e os pobres, entre crentes e não crentes, entre humildes e os poderosos deste mundo. Denunciou os que, em vez de pontes, erguem muros. Aqueles que não acolhem quem precisa de ajuda, e criam portagens e barreiras que nunca se abrem e cobram com sangue e suor aqueles que as querem transpor.

O Papa Francisco foi o 266.º sucessor de São Pedro, aquele que Cristo fez pescador de homens e pedra-alicerce da Igreja Católica. Não sabemos quem vai calçar as «sandálias do pescador», mas para os crentes será, certamente, o Papa certo para o momento que vivemos, indicado pelo Espírito de Deus. Para todos os outros, homens e mulheres de boa vontade, que seja um farol neste mundo que está órfão de pais, profetas e construtores de pontes.

Sérgio Carvalho

Reportagem: Óbito/Papa: Roma prepara-se para funeral e eleição do sucessor de Francisco

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foto: Vatican Media

Roma acordou hoje com mais polícia nas ruas e mais funcionários municipais a prepararem a cidade para a grande afluência de peregrinos e turistas, após a morte do papa Francisco, na segunda-feira.

“Vamos começar a fechar as ruas. Vem sempre muita gente ver o papa e depois o conclave”, explicou Francesco, um dos polícias que esticava, pela manhã de hoje, fitas amarelas nas ruas adjacentes à Praça de São Pedro.

O corpo do líder da Igreja Católica está agora a ser velado na Casa de Santa Marta, onde Francisco viveu, e a partir de quarta-feira a urna será transferida para a Basílica de São Pedro, para que os fiéis possam rezar diante dos restos mortais.

Para hoje, está agendada também a primeira congregação de cardeais no período de Sede Vacante, em que a Igreja está sem líder até à nova eleição, na qual será estipulada a liturgia fúnebre de Francisco.

Durante este período, o funcionamento essencial da Cúria será administrado pelo camerlengo Kevin Farrell enquanto as reuniões dos cardeais serão lideradas pelo cardeal decano, o italiano Giovanni Battista Re.

Mas se a Igreja se prepara para os próximos dias, as autoridades civis estão preocupadas com as próximas quatro a cinco semanas, entre os ritos fúnebres e o conclave eleitoral do sucessor.

“Nós fomos informados para cancelar as férias para este período. Já estávamos à espera que nos pedissem isso e é para isso que cá estamos”, afirmou Giulia, operadora de comunicação da proteção civil italiana, que está junto a um dos pontos laterais da Praça de São Pedro.

A praça de São Pedro começou a ter algumas zonas condicionadas, os jornalistas de televisão ficaram confinados a um espaço lateral e já estão a ser colocados ecrãs gigantes na rua da Conciliação, defronte da Praça.

“Vem sempre muita gente, muitos turistas, muitos peregrinos, muitos curiosos. E até nós queremos ver quem vai ser o novo Papa”, afirma Luisa Ferraro, funcionária de uma loja de venda de artigos religiosos.

“Mas o que morreu era muito bom. Melhor que muitos dos italianos que cá andam”, sussurrou, entre sorrisos.

“Ele chegou a vir aqui e viu uma imagem dele, como esta aqui”, apontando para um calendário A4, que compete no escaparate com fotos de Roma e de João Paulo II.

E “disse-nos que a foto o favorecia”, recorda Luísa.

O Papa Francisco morreu na segunda-feira aos 88 anos, de AVC, após 12 anos de pontificado.

Nascido em Buenos Aires, a 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta e primeiro latino-americano a chegar à liderança da Igreja Católica.

A sua última aparição pública foi no domingo de Páscoa, no Vaticano, na véspera de morrer. O papa Francisco esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março.

Mas se Roma se prepara para o funeral e a eleição do sucessor esse é um problema que não se coloca a quem hoje faz grande parte das filas para os museus do Vaticano.

“Estou cá de férias, dos Estados Unidos. Para ver Roma e rezar pelo meu país”, afirma Stanley Finn, que veio de Seattle à Europa antes que o “mundo entre num caos ainda maior”.

“Estou cá só hoje e amanhã. É uma pena que ele tenha morrido, era um bom homem e vai-nos fazer muita falta”, diz.

A morte de Francisco não chegou aos guias turísticos de Roma. “As pessoas não falam nisso. Querem ver Roma, independentemente do Papa”, resume Daniel Espinal, enquanto segura uma bandeira e guia um pequeno grupo por outras ruas, para fugir aos condicionamentos impostos pelas autoridades.

Óbito/Papa: Luto nacional em princípio de 24 a 26 de abril, com sessão na AR a 25

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foto: Arlindo Homem / Notícias Em Direto

O Presidente da República anunciou hoje que o luto nacional de três dias pela morte do Papa Francisco, em princípio será de 24 a 26 de abril, dia do funeral, mantendo-se a sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República.

“O luto nacional vou assiná-lo agora, estou à espera do diploma do Governo, e será, em princípio, do dia 24 ao dia 26, que é o dia do funeral”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, à porta da Nunciatura Apostólica da Santa Sé em Lisboa, onde assinou o livro de condolências pela morte do Papa.

O chefe de Estado referiu que este período de luto nacional inclui a data de 25 de Abril – feriado do Dia da Liberdade em Portugal – e acrescentou que “a ideia da Assembleia da República é manter a sessão, começando por um voto de pesar pela morte do Papa Francisco”.

Nos termos do artigo 42.º da Lei das Precedências do Protocolo do Estado, “o Governo declara o luto nacional, sua duração e âmbito, sob a forma de decreto”, que está previsto ser “declarado pelo falecimento do Presidente da República, do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro e ainda dos antigos presidentes da República” e também “pelo falecimento de personalidade, ou ocorrência de evento, de excecional relevância”.

O Papa Francisco morreu na segunda-feira, aos 88 anos, após 12 anos de pontificado.

Há 20 anos, quando morreu o Papa João Paulo II, foram também decretados três dias de luto nacional. O então Presidente da República, Jorge Sampaio, esteve presente no funeral de João Paulo II, realizado em 08 de abril de 2005, seis dias após a sua morte.

O luto nacional mais recente em Portugal foi em 20 de setembro do ano passado, um dia de luto, pelas vítimas dos incêndios.

Em setembro de 2022, o Governo decretou três dias de luto nacional pela morte da Rainha Isabel II do Reino Unido.

Quanto morreram os antigos chefes de Estado Jorge Sampaio, em setembro de 2021, e Mário Soares, em janeiro de 2017, o Governo decretou também três dias de luto nacional.

Óbito/Papa: Três mais altas figuras do Estado português no funeral

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foto: Vatican Media

O Presidente da República anunciou hoje que vai ao funeral do Papa Francisco, no sábado, e que estão também previstas as presenças do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro – as três mais altas figuras do Estado português.

Além de Marcelo Rebelo de Sousa, José Pedro Aguiar-Branco e Luís Montenegro, a delegação portuguesa incluirá ainda o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

O chefe de Estado, que falava aos jornalistas à porta da Nunciatura Apostólica da Santa Sé em Lisboa, onde assinou livro de condolências pela morte do Papa Francisco, afirmou que irá partir de Lisboa na tarde de 25 de Abril, depois da sessão solene na Assembleia da República.

“Partirei logo a seguir, ao começo da tarde. Em princípio, se tudo correr como previsto, irá o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros”, acrescentou.

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