“O amor de Deus não é salário, é graça”. Foi a partir desta afirmação que o padre Mário Faria Silva conduziu a reflexão sobre a parábola dos trabalhadores chamados para a vinha, durante a Eucaristia de domingo, na Igreja Matriz de Santa Maria de Óbidos.
A celebração, presidida pelo pároco das paróquias de Óbidos, de A-dos-Negros e Gaeiras, no 25.º Domingo do Tempo Comum, teve como centro o Evangelho segundo São Mateus, que apresenta o proprietário de uma vinha a sair ao longo do dia para chamar trabalhadores para a sua missão.
Na homilia, o sacerdote destacou a lógica de gratuidade presente na parábola e contrapôs-a à tendência humana para comparar aquilo que cada um recebe com aquilo que é dado aos outros.
O padre Mário Faria Silva convidou, por isso, os fiéis a “abandonar a inveja e a comparação”, recordando que a bondade de Deus para com cada pessoa não deve ser entendida como uma perda para os restantes.
“A misericórdia de Deus para alguém não é injustiça para comigo”, afirmou.
A parábola dos trabalhadores da vinha, acrescentou, desafia uma forma de viver a fé baseada na contabilização dos méritos e das recompensas, colocando antes em evidência a gratuitidade do amor de Deus.
“O amor de Deus não é salário, é graça”, sublinhou o pároco.
A reflexão estendeu-se também à forma como os cristãos vivem o serviço e a participação na comunidade. Para o sacerdote, o chamamento à “vinha do Senhor” deve ser acolhido com alegria, e não como motivo de ressentimento perante o trabalho ou os dons dos outros.
“Não sejamos trabalhadores amargurados, mas felizes porque Deus convida a todos para a sua vinha”, afirmou.
A liturgia do domingo colocou, deste modo, no centro a universalidade do convite de Deus e a necessidade de cada pessoa reconhecer o seu lugar na missão, sem transformar a caminhada de fé numa competição.
Na Igreja de Santa Maria de Óbidos, a celebração terminou assim com um apelo à gratidão, à fraternidade e à alegria de quem se reconhece chamado a participar na “vinha do Senhor”.


