O padre Pedro Figueiredo, conhecido pela presença nas redes sociais, considerou que uma situação ocorrida em palco, envolvendo uma mulher e um artista, constituiu uma “profunda injustiça”, defendendo que o episódio deve levar a uma reflexão sobre os conceitos de justiça e merecimento.
“Quem é esta mulher?”, questionou o sacerdote, numa intervenção publicada nas redes sociais, ao comentar a situação. Segundo Pedro Figueiredo, estava em causa um artista que terá trabalhado durante muito tempo para alcançar aquele palco, sendo que a intervenção de outra pessoa acabou por afetar não apenas o próprio artista, mas também os restantes profissionais que com ele trabalhavam.
“Há um artista que trabalhou, não sei se uma vida inteira, ou é um jovem artista, mas que trabalhou muito para conseguir atingir aquele palco, certamente. E alguém vai lá e vira a mesa, aproveitando-se não só do palco, mas também dos outros artistas que trabalham com este artista”, afirmou.
O episódio, que já viraliza na Internet, levou o sacerdote a estabelecer uma ligação com o Evangelho do dia, nomeadamente com a parábola dos trabalhadores da vinha, na qual os trabalhadores recebem o mesmo salário apesar de terem começado a trabalhar em momentos diferentes. Para Pedro Figueiredo, a passagem bíblica mostra que o conceito de justiça de Deus não corresponde necessariamente à ideia de justiça construída pelos seres humanos.
“Jesus nos propõe uma profunda injustiça e mostra-nos como este mundo não é justo e está tudo errado em relação ao nosso conceito de justiça”, afirmou, defendendo que, na parábola, é o dono da vinha que determina o que é justo.
O sacerdote interpretou o período de trabalho dos trabalhadores como uma representação do tempo da vida humana, sublinhando que, independentemente do momento em que uma pessoa se aproxima de Deus, todos podem alcançar a mesma recompensa.
“Nós, no final, merecemos todos o mesmo salário, que é o céu”, afirmou, acrescentando que “Ele é que sabe o que é justo”. Pedro Figueiredo destacou ainda a dimensão de humildade presente na mensagem do Evangelho, lembrando que, segundo Jesus, “até as prostitutas podem ir à vossa frente no reino dos céus”. “Então nós achamos que justiça é sermos perfeitos, delicados e santos, e é isso que Deus quer, mas às vezes aqueles que menos esperamos também podem ir para o céu”, afirmou.
Na conclusão da reflexão, o padre sublinhou a ideia de que “os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”, defendendo que a mensagem de Jesus desafia os critérios humanos de justiça e merecimento.
“É uma grande lição de humildade”, considerou, deixando uma mensagem de esperança: “Nunca é tarde demais e que todos, mas mesmo todos, podemos chegar ao céu, desde que ouçamos a voz de Deus e a tempo, e vai sempre a tempo, o sigamos com todo o coração”. “Que Deus te abençoe e te guarde”, concluiu o sacerdote.






