Esta segunda‑feira ficámos a saber que a Senhora Presidente da Câmara Municipal de Benavente, Sónia Ferreira (AD), assinou um contrato de assessoria estratégica de comunicação no valor de
€ 84 255 (68.500 € + iva) com o consultor Alexandre Barata — o mesmo que geriu a comunicação na sua campanha e apoiou outros candidatos da AD no concelho de Benavente, nas últimas eleições autárquicas em 2025.
A sociedade que o consultor representa- Barata, Villalobos E Associados, Lda, foi criada poucos meses antes das eleições e tem sede no Centro Comercial Europa, no Funchal, um detalhe que, no mínimo, levanta sobrancelhas.
ver contrato; https://www.base.gov.pt/Base4/pt/resultados/?type=doc_documentos&id=2516714&ext=.pdf
Tudo isto acontece quando a Câmara Municipal de Benavente dispõe de seis colaboradores especializados em comunicação, com competências distribuídas por várias áreas.
Após a maioria AD–CHEGA repetir, reunião após reunião, que não há capacidade de investimento em setores essenciais: recursos humanos, viaturas, resíduos, higiene urbana, saúde e educação. Há cortes nas horas extraordinárias e redução de apoios às associações.
Perante este cenário, não é especulação — é prudência democrática — perguntar se esta adjudicação com contornos especiais não servirá, direta ou indiretamente, para amortecer alegados custos da campanha?
A transparência exige que a dúvida seja colocada.
É igualmente público que o consultor contratado, através de outra empresa, prestou serviços à Companhia das Lezírias, onde a atual Presidente desempenhou funções de gestora, com poder de decisão na área da comunicação — uma espécie de estágio dourado antes de assumir a liderança do município.
Falo disto com tranquilidade porque, antes das eleições, sem saber quem iria vencer, alertei todos os envolvidos para a necessidade de prudência e para os riscos de conflitos de interesses. Há várias testemunhas destes alertas.
A resposta foi o rótulo: “bobo da corte” .
Se ser o “bobo da corte” significa dizer o que muitos pensam, mas poucos ousam verbalizar, então assumo o papel.
Se a verdade incomoda, que incomode.
Mas se a verdade, tal como o bobo, anima o povo e desperta consciências para as linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas, então que seja bobo.
A política local em Benavente transformou‑se num desfile onde alguns acreditam que basta sorrir ou fazer favores para que ninguém veja o óbvio.
Todos os desfiles têm um momento alto.
Talvez alguém grite:
“O Rei vai nu.”


