Setenta mil peregrinos, sobretudo escuteiros, chamados a construir a paz em Fátima

Cerca de 70 mil peregrinos convergiram no domingo em Fátima para a Peregrinação Nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE) e saíram do Santuário com um desafio do Núncio Apostólico em Portugal: serem “construtores da paz” num mundo marcado pela guerra e pela violência.

Na missa de encerramento, celebrada no Recinto de Oração, D. Andrés Carrascosa condensou o desafio lançado aos peregrinos em três palavras — “Acreditar. Servir. Caminhar” —, apelando a uma fé traduzida em gestos concretos e numa atitude ativa perante os outros e a sociedade.

A fé, afirmou o Núncio Apostólico em Portugal, não pode ficar pelas palavras: tem de transformar-se em vida e em ação. Na homilia, a propósito da parábola dos dois filhos e da vinha, D. Andrés Carrascosa defendeu que “a fé torna-se verdadeira quando passa para a vida”.

Servir os outros é, nesse sentido, uma das expressões concretas da fé, começando no quotidiano e na própria família, afirmou o representante da Santa Sé em Portugal, apontando Jesus como exemplo de amor, perdão e entrega.

“A verdadeira grandeza não está em mandar, mas em dar a vida”, afirmou, numa intervenção em que destacou também a importância de saber recomeçar depois de cair.

Caminhar juntos é outra das exigências deixadas aos escuteiros. D. Andrés Carrascosa lembrou que o Escutismo ensina a viver em equipa e a reconhecer o lugar de cada pessoa, rejeitando comportamentos de superioridade sobre os mais frágeis.

“O Escutismo ensina-vos a caminhar em equipa. Ensina-vos que cada um tem o seu lugar. Que o mais forte não deve humilhar o mais fraco”, afirmou.

A paz, por sua vez, começa em gestos concretos e numa mudança de atitude perante os outros, defendeu o Núncio, num mundo marcado por guerras e diferentes formas de violência.

“Educar para a Paz é ensinar a escutar antes de falar, a compreender antes de julgar, a cuidar antes de reagir”, afirmou, considerando que esse caminho exige “paciência, coerência e testemunho”.

Fátima não é apenas um destino, mas também um ponto de partida, sublinhou D. Andrés Carrascosa ao recordar a pergunta deixada por Nossa Senhora aos Pastorinhos em 13 de maio de 1917: “Quereis oferecer-vos a Deus?”.

“Maria conduz-nos a Jesus e, com Jesus, envia-nos novamente para a vida para sermos construtores de paz”, afirmou.

A celebração, que contou com 50 sacerdotes, três diáconos e três bispos, entre os quais D. Augusto César, bispo emérito de Portalegre-Castelo Branco, e D. Antonio José Valín Valdés, bispo de Tui-Vigo, terminou com a despedida da imagem de Nossa Senhora, acompanhada pelos lenços de várias cores dos escuteiros.

À saída do Recinto de Oração, os peregrinos receberam flores de papel produzidas e distribuídas por escuteiros de todo o país.

A peregrinação do CNE decorreu nos dias 26 e 27 de setembro, sob o tema “Sentes-te ca’Paz?”, e começou com uma mensagem de saudação do Papa Leão XIV ao Corpo Nacional de Escutas.

Durante o fim de semana, o Santuário recebeu também as peregrinações dos Dadores de Sangue, através da FEPODABES, e da Família Dominicana, além de grupos provenientes de Portugal, Espanha, Alemanha, Irlanda e Itália.

Santuário distinguido pelo CNE

O Santuário de Fátima recebeu no sábado um diploma de mérito atribuído pelo CNE, durante a sessão protocolar da peregrinação, realizada no Centro Pastoral Paulo VI.

A distinção reconhece o serviço prestado pelo Santuário e a parceria mantida com o Corpo Nacional de Escutas em várias iniciativas, entre as quais a peregrinação “Anda com Maria”, realizada no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, em 2023.

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