O Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, é um espaço verde com cerca de 11 hectares que nasceu associado ao Hospital Termal e aos passeios recomendados aos doentes durante os tratamentos, mantendo hoje uma ligação à tradição termal da cidade, embora com acesso gratuito a todos os visitantes.
Antes da generalização dos espaços dedicados ao bem-estar, a recuperação dos doentes incluía também períodos de descanso, passeios ao ar livre e momentos de convívio. Nas Caldas da Rainha, esta prática ganhou expressão há vários séculos e contribuiu para a criação de um espaço verde que atualmente se tornou um dos principais pontos de encontro da região oeste.
A história do parque remonta ao século XVIII, numa época em que o termalismo assumia já um papel central na cidade. Para além dos tratamentos com águas termais, começou a ser valorizada a importância do repouso e do contacto com a natureza durante as estadias dos pacientes.
Foi nesse contexto que surgiu o Passeio da Copa, junto ao Hospital Termal, destinado aos doentes que se deslocavam às Caldas da Rainha para tratamentos. O espaço permitia caminhar, descansar e conviver entre as sessões termais.
Ao longo dos anos, a área foi sendo ampliada e modificada, dando origem ao atual Parque D. Carlos I, que recebeu o nome em homenagem ao rei D. Carlos I. Apesar da evolução da sua utilização, a relação com a história termal da cidade continua presente.
Entre os elementos mais emblemáticos do parque está o lago, rodeado por vegetação e caminhos pedonais, que constitui um dos principais pontos de paragem para quem visita o espaço. A Casa dos Barcos é outra das estruturas que integram o conjunto.
O parque reúne ainda árvores, jardins e zonas relvadas, bem como equipamentos culturais e espaços destinados, ao longo do ano, a atividades ao ar livre, iniciativas desportivas e eventos.
É também no Parque D. Carlos I que se encontra o Museu José Malhoa, dedicado ao pintor naturalista português e a outros artistas dos séculos XIX e XX. O edifício, inaugurado na década de 1930, está integrado no espaço verde.
A ligação do parque ao Hospital Termal acompanha a própria história das Caldas da Rainha. A tradição termal da cidade remonta ao século XV, quando a rainha D. Leonor mandou construir um hospital destinado ao aproveitamento das águas que brotavam naquela zona.
As águas termais das Caldas emergem a uma temperatura próxima dos 34 graus e estão associadas ao tratamento de algumas patologias, sobretudo nas áreas reumatológica, músculo-esquelética e dermatológica.
Foi em torno destas águas que a cidade se desenvolveu e se consolidou uma tradição que associava os tratamentos a períodos de descanso, passeios e contacto com a natureza.
Um espaço de acesso gratuito
Atualmente, a visita ao Parque D. Carlos I não exige marcação de tratamentos nem pagamento de entrada. O espaço pode ser percorrido a pé e está localizado no centro das Caldas da Rainha, podendo ser integrado num passeio pela cidade.
Durante o outono, a descida das temperaturas e a mudança de cor das folhas alteram o ambiente dos caminhos arborizados. Nos dias de sol, os relvados e a área junto ao lago são alguns dos espaços mais procurados para descansar.
Mais de dois séculos depois dos passeios realizados pelos pacientes do Hospital Termal, o espaço que começou por funcionar como complemento aos tratamentos transformou-se num dos principais jardins públicos da região oeste.






