No arranque de 2025, Portugal registou a descida mais acentuada no rendimento real das famílias entre todos os países da OCDE, segundo dados divulgados esta quinta-feira pela organização.
Entre janeiro e março, o rendimento caiu 4,5% face ao trimestre anterior, sobretudo devido ao aumento dos impostos pagos pelas famílias. O PIB real per capita também encolheu 0,6% no mesmo período.
A OCDE explica que esta subida da carga fiscal surge depois de uma quebra no trimestre anterior, consequência de alterações no regime de tributação.
Em outubro de 2024, as taxas de retenção de IRS na fonte ficaram significativamente mais baixas, já que ainda vigorava a redução do imposto com efeitos retroativos a janeiro. Esse efeito ajudou a diminuir a cobrança global nesse trimestre, embora no início de 2025 as taxas ainda se mantivessem inferiores às aplicadas em novembro e dezembro do ano passado.
Na média da OCDE, o rendimento real das famílias subiu ligeiramente 0,1% no primeiro trimestre deste ano, acompanhando um crescimento do PIB real per capita, mas a um ritmo mais lento do que no trimestre anterior (0,6% e 0,4% respetivamente).
Entre os 20 países com dados disponíveis, o panorama ficou dividido: metade registou aumentos e a outra metade quedas no rendimento real.
No G7, apenas o Reino Unido e a Alemanha tiveram resultados negativos, com descidas de 1,3% e 0,4%, atribuídas à pressão da inflação sobre o rendimento nominal.
Fora desse grupo, o Chile liderou os ganhos, com uma subida de 3,1% no rendimento real per capita, beneficiando da queda da inflação e de um crescimento de 0,5% no PIB real por habitante.

