A saída de Cristiano Ronaldo do estágio da seleção portuguesa, na sequência da polémica relacionada com a sua não utilização frente à Noruega, continua a levantar questões sobre o que aconteceu no seio da equipa nacional.
Para Nuno Presume, comentador da Renascença, o episódio exige esclarecimentos por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), nomeadamente do presidente Pedro Proença. O antigo treinador considera que a sucessão de acontecimentos “roça o aberrante” e defende que a estrutura federativa deve explicar o que se passou depois do encontro.
A situação começou em Oslo, onde Portugal venceu a Noruega por 2-1. Ronaldo esteve a aquecer durante a segunda parte, mas acabou por não entrar em campo. O avançado também não acompanhou os restantes jogadores nas saudações aos adeptos portugueses após o apito final.
Jorge Jesus explicou posteriormente que a utilização de Ronaldo tinha sido inicialmente prevista apenas para o primeiro e para o último jogo do estágio. A estratégia, porém, foi alterada já em Oslo, com o selecionador a admitir a entrada do capitão na segunda parte. O decorrer da partida acabou por levar Jesus a manter a decisão de não o lançar no jogo.
No dia seguinte, Ronaldo não participou no treino da seleção. O jogador limitou-se a realizar trabalho de ginásio no hotel e acabou por abandonar o estádio depois da conferência de imprensa de Jorge Jesus, na qual o treinador garantiu que “não havia caso”.
É precisamente essa sequência que Nuno Presume considera insuficientemente esclarecida.
“O problema existiu certamente, não vale a pena tentar encobrir”, afirmou o comentador, admitindo que poderá ter havido um desencontro entre aquilo que Ronaldo esperava que fosse dito e as declarações públicas do selecionador.
“O que parece é que foi dito algo na conferência de imprensa que o Cristiano não queria que fosse dito, ou não foi dito o que poderia ter sido prometido para defender o jogador”, acrescentou.
Presume considera ainda que a decisão de Ronaldo de abandonar o estágio não terá sido tomada no momento adequado, mesmo admitindo que o jogador possa ter razões para estar descontente.
“Por muita razão que o Ronaldo até possa ter, nunca o deveria ter feito, porque é a seleção nacional, de todos os portugueses”, afirmou.
Na opinião do comentador, qualquer decisão relativa ao futuro na seleção deveria ter sido tomada apenas depois da atual janela internacional.
“Depois desta data FIFA é que deveria ou poderia tomar uma decisão sobre o seu futuro”, defendeu.
O foco está agora na Federação Portuguesa de Futebol. Para Nuno Presume, Pedro Proença deverá assumir a explicação pública sobre o episódio, sobretudo tendo em conta uma reunião realizada entre três dos intervenientes na manhã seguinte.
“Só quem lá está saberá, mas acho que envergonha o futebol português. Estou em crer que deverá ser Pedro Proença a explicar tudo o que aconteceu neste pós-jogo, até porque hoje de manhã houve uma reunião a três”, disse.
Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo mantém-se como o jogador com mais internacionalizações e golos pela seleção portuguesa: soma 234 jogos e 146 golos.


