E há mortes que parecem escritas contra a própria lógica do mundo.
Francisco Oliveira e Pedro Gonçalves, 21 e 22 anos, dois jovens militares, dois rapazes com futuro, morreram esta sexta‑feira após terem sido atropelados enquanto ajudavam um camionista a sinalizar um camião avariado na A1, junto à área de serviço da Mealhada.
Seguiam em coluna. Estacionaram em segurança os veículos do Exército. Fizeram aquilo que a cultura militar ensina desde o primeiro dia: ver um problema, parar; ver alguém em risco, ajudar;
Foi nesse momento — nesse instante que não devia existir — que tudo aconteceu.
Voltavam à unidade em Tancos, depois de uma operação de montagem de uma ponte militar em São Pedro do Sul.
Trabalho duro, trabalho técnico, trabalho de gente que serve o país sem palco, sem câmaras, sem medalhas.
Gente que acredita que Portugal se constrói também assim: com mãos, com disciplina, com camaradagem, com espírito de grupo.
Mas há horas do Diabo.
Que dor para pais e avós que agora enfrentam um silêncio que não se cura.
Que dor para amigos que perderam dois companheiros de vida.
Que dor para camaradas de armas que viram partir dois dos seus — dois que faziam parte daquela cultura invisível de serviço, honra e entreajuda.
E há também a dor partilhada por um país inteiro.
Porque estes jovens decidiram servir Portugal com espírito de missão e amor ao próximo. Porque morreram a fazer o bem.
Porque representam o melhor da nossa cultura de solidariedade, aquela que não se aprende nos livros, mas nos gestos.
Francisco e Pedro não morreram num ato de humanidade. E isso diz tudo sobre quem eram.
Que descansem em paz.
Que Deus alivie a dor das famílias.
E que Portugal não esqueça que estes rapazes deram a vida num gesto de bondade.
Descansem em Paz camaradas.






