O núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, apelou hoje aos escuteiros para fazerem o bem sem procurarem reconhecimento, alertando para a “ditadura da exposição nas redes sociais”.
Durante a Missa que encerrou a Peregrinação Nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), em Fátima, o representante da Santa Sé desafiou os jovens a servir “sem esperar aplausos” e a ajudar o próximo “sem precisar de fotografias”.
“Fazer o bem sem perguntar eu o que ganho com isso” garante que “Deus terá um like”, afirmou D. Andrés Carrascosa Coso, numa referência à procura de visibilidade e aprovação nas redes sociais.
“A verdadeira fidelidade começa precisamente quando já não há ninguém a ver”, acrescentou o núncio, defendendo uma vivência da fé baseada no serviço e não no reconhecimento público.
Para o arcebispo espanhol, esse compromisso começa na própria família. “O primeiro lugar onde se aprende a servir é a casa”, afirmou, questionando os escuteiros sobre a forma como tratam os mais próximos antes de procurarem “mudar o mundo”.
A intervenção do núncio retomou o apelo deixado pelo Papa Leão XIV aos participantes na peregrinação. Numa mensagem lida no recinto de oração, o Papa pediu aos escuteiros que sejam construtores de paz nas famílias, escolas, bairros e paróquias, seguindo “trilhos de diálogo, companheirismo e partilha fraterna”.
A Peregrinação Nacional do CNE, subordinada ao tema “Sentes-te Capaz?”, reuniu escuteiros de todo o país em Fátima e terminou hoje com a celebração eucarística, depois de uma vigília realizada na noite de sábado, na Capelinha das Aparições.
O chefe nacional do CNE, Bento Sousa Lopes, destacou a ligação com mais de um século entre o movimento escutista e o Santuário de Fátima.






