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Quinta-feira, Abril 30, 2026

Diálogo ecuménico tem de ser relançado – Bispo da Igreja Lusitana/Comunhão Anglicana

A liderar uma Igreja que faz do diálogo ecuménico uma bandeira, o bispo diocesano da Igreja Lusitana/Comunhão Anglicana defende que o mesmo “tem de ser relançado entre o Conselho Português de Igrejas Cristãs e a própria Conferência Episcopal”.

“Tem de ser relançado porque nós todos, enquanto igrejas, estamos a viver uma situação nova do ponto de vista social e cultural. Por um lado, somos claramente Igrejas minoritárias já no seio da sociedade portuguesa, mesmo a própria Igreja Católica Romana, e a questão que surge é o que é que nós, enquanto Igrejas minoritárias, juntas, podemos oferecer à sociedade portuguesa”, diz o bispo Jorge Pina Cabral em entrevista à agência Lusa.

Por outro lado, o bispo sublinha que “o próprio contexto social e religioso mudou muito em Portugal nos últimos anos e mudou, nomeadamente, com a integração de novas comunidades e minorias religiosas que tornaram muito mais plural e diversificada a própria sociedade portuguesa”.

“Ora, para esta nova realidade, as igrejas ecumenicamente têm também de procurar encontrar respostas comuns, nomeadamente para o grande desafio dos migrantes, muitos deles que vivem em necessidades, muitos deles que estão aqui a viver nas cidades em barracas e ao ar livre”, defende Pina Cabral, acrescentando que o paradigma deve ser este: “fazermos em conjunto aquilo que em conjunto podemos fazer”.

Jorge Pina Cabral entende, ainda, que ao nível do diálogo inter-religioso “um grande trabalho tem sido feito, nomeadamente através do grupo de trabalho inter-religioso promovido pela agora Agência para a Integração, Migrações e Asilo”.

“Aí, as religiões têm-se sabido organizar, têm trabalhado e tem havido um grande apoio da Comissão da Liberdade Religiosa, e isso é muito importante, porque permite também incluir as minorias religiosas em Portugal. É esse trabalho de inclusão que as religiões podem fazer para evitar o estigma, para evitar posições de discriminação que alguns políticos tentam também fazer”, frisa o bispo da Igreja Lusitana que, no sábado, será anfitrião de um encontro entre o líder da Comunhão Anglicana, o Arcebispo de Cantuária, e os representantes de diversas religiões presentes em Portugal.

Diálogo profícuo é o que existe também entre as cúpulas da Igreja Católica Romana e a Comunhão Anglicana.

Na semana passada, na reunião do Conselho de Cardeais, no Vaticano, foi discutido o papel da mulher na Igreja e o Papa Francisco convidou a vice-secretária-geral da Comunhão Anglicana para participar.

Jorge Pina Cabral olha para esta circunstância “com muita alegria”.

“As igrejas anglicanas têm já há muitos anos desta experiência feminina no ministério ordenado aos seus vários níveis e, portanto, são igrejas que podem e devem, a meu ver, partilhar essa própria experiência, contributo e visão com igrejas que, por razões diversas, ainda estão noutras fases desse processo”, diz o bispo português.

Para Pina Cabral, o convite à bispa Jo Bailey Wells, foi um convite “de uma grande abertura, porque é também aí que o ecumenismo se concretiza. A relação ecuménica entre as igrejas concretiza-se também na partilha daquilo que, fruto já da sua vivência, cada igreja pode oferecer às outras”.

Jorge Pina Cabral reconhece, ainda, a existência de uma “relação muito bonita, de amizade, confiança pessoal, entre o bispo de Roma, Francisco, e o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby”.

E, olhando para o futuro, não hesita em afirmar que gostaria de ver “uma comunhão na diversidade”, no âmbito da qual não lhe custaria muito “reconhecer o bispo de Roma como um ‘primus inter pares’, como líder espiritual, não como líder temporal”.

“Uma comunhão onde as Igrejas Anglicanas e a Igreja Católica Romana pudessem experimentar uma união eucarística, que ainda não existe, uma união onde os membros destas igrejas e de outras também pudessem ter acesso à própria comunhão, que é o centro da vida da Igreja. Eu apostaria mais não só numa união entre anglicanos e católicos romanos, mas numa união que pudesse englobar também outras igrejas. Eventualmente, teremos de ir dando passos que possam ser passos progressivos”, aponta Jorge Pina Cabral.

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