Acordamos de madrugada, como quem vai apanhar o primeiro comboio da fé. Mas não — vamos só à praia, esse templo onde o sol nos ilumina e o mar nos escuta.
Instalamo-nos com a humildade de quem sabe estar: 2 m², duas cadeiras, um chapéu e uma distância de segurança de quem é Proteção Civil.
Vamos caminhar. Respirar. Meditar.
Voltamos… e pumba: um T3 + 1 construído à nossa frente.
Não é uma barraca. Não é um abrigo.
É um empreendimento imobiliário com potencial para ser listado na imobiliária Vendo a Praia e agenciado por um ícone das vendas.
– Quartos com vista mar
– Sala open‑space
– Escritório para teletrabalho
– E um corta‑vento
Sinceramente, já merecia condomínio fechado e quotas mensais.
O “arquiteto” desta obra-prima estava acompanhado da esposa e por duas crianças, que agora acreditam que o pai é uma espécie de Cristiano Ronaldo da engenharia costeira.
Afinal, quem mais consegue construir um duplex na areia em menos de 10 minutos e sem licença camarária?
E é assim que se educa: pelo exemplo.
Não pelas palavras que o vento leva — especialmente quando não há vento, nem guarda‑vento às riscas, nem toalha marroquina XXL para proteger a nossa paciência.
Foi uma das melhores manhãs de praia. Conseguimos entrar no mar calmo com uma água quase morna.
E bastaram 2m2.
P.S.
A área 2 m2, é igual à do terreno que nos espera num condomínio fechado entre o Pavilhão e o Centro Cultural de Samora Correia.






