Antigo deputado do PSD defende que Luís Montenegro assuma a gestão dos protestos pela habitação. Considera que as orientações do MAI contribuíram para o prolongamento do conflito, mas reconhece responsabilidades dos manifestantes.
Os protestos pela habitação, que se prolongam há cerca de três semanas, têm motivado confrontos entre manifestantes e forças policiais. Na sequência dos incidentes registados esta madrugada, Duarte Pacheco defendeu uma intervenção direta do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na gestão da situação.
Em declarações à Renascença, o antigo deputado do PSD considerou que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, deveria ter abandonado o cargo há mais tempo. Na sua avaliação, a posição assumida pelo governante contra as acampadas contribuiu para prolongar o conflito, uma vez que a polícia está a cumprir orientações superiores. «Se não tivesse havido essa orientação política, porventura o assunto já estaria morto e encerrado», afirmou.
Duarte Pacheco considera que existem responsabilidades dos dois lados, apontando tanto as orientações dadas às forças de segurança como a desobediência de alguns manifestantes à lei e às indicações policiais. Defende, por isso, que o relatório da Provedoria de Justiça permita avaliar a proporcionalidade da intervenção das autoridades.
O antigo deputado classificou os acontecimentos desta madrugada como «uma noite triste para a nossa democracia».
Quanto à crise da habitação, defendeu a continuidade da apresentação de soluções pelo Governo no Parlamento, ressalvando que os resultados não serão imediatos. «Este problema da habitação não se resolve em dois meses e em duas semanas. Vai demorar anos», afirmou.






