Para muitos jovens, o Escutismo é muito mais do que uma atividade de tempos livres. É uma verdadeira escola de vida. É um espaço onde aprendem a servir, a liderar, a trabalhar em equipa e a descobrir o seu melhor.
Para alguns, significa ainda mais.
Há jovens que, sem o Escutismo, dificilmente teriam encontrado um lugar onde se sentissem verdadeiramente acolhidos.
Jovens que chegaram inseguros, desmotivados ou marcados por realidades difíceis, mas que encontraram dirigentes capazes de os ouvir, incentivar e desafiar. Homens e mulheres que, de forma voluntária, dedicam tempo, atenção e carinho para ajudar cada jovem a crescer.
Estes dirigentes não se limitam a mudar pequenas atividades, reuniões ou acampamentos. Mudam vidas.
No entanto, quando o percurso educativo no Corpo Nacional de Escutas chega ao fim, surge uma questão que nem sempre tem resposta: e agora?
Nem todos os caminheiros ou companheiros se sentem preparados para assumir imediatamente a função de dirigente. Outros, por motivos profissionais, académicos ou familiares, não o conseguem fazer naquele momento das suas vidas. Há também quem deseje permanecer ligado ao ideal escutista de uma forma diferente.
Infelizmente, muitos acabam por se afastar.
Não porque deixem de acreditar no escutismo, mas porque deixam de encontrar um espaço onde possam continuar a viver a promessa, o serviço e a fraternidade.
Talvez aqui resida um dos maiores desafios do movimento: não perder aqueles a quem ajudou a formar.
É precisamente neste ponto que a Fraternidade de Nuno Álvares (FNA) assume uma importância muitas vezes esquecida.
A FNA não tem como objetivo substituir o Corpo Nacional de Escutas nem reproduzir o percurso educativo dos jovens. A sua missão é diferente, mas complementar: proporcionar aos antigos escuteiros um espaço onde possam continuar a pôr em prática os valores do escutismo na idade adulta.
Na FNA, continua-se a servir, a aprender, a construir comunidade e a dar testemunho, na família, na profissão, na Igreja e na sociedade, do compromisso assumido um dia na Promessa Escutista.
Trata-se de um movimento de adultos para adultos, no qual a experiência adquirida ao longo dos anos pode continuar a ser colocada ao serviço dos outros, não se esgotando o leque de possibilidades no exercício da função de dirigente.
Num tempo em que tanto se fala da retenção dos jovens, talvez devêssemos prestar mais atenção a esta possibilidade.
Quantos caminheiros conhecem verdadeiramente a FNA?
Quantos agrupamentos apresentam esta continuidade como parte integrante do percurso escutista?
Quantos jovens terminam a sua caminhada cientes de que existe uma fraternidade disposta a acolhê-los e a acompanhá-los?
Talvez sejam menos do que desejamos.
Para construir uma verdadeira cultura de continuidade, é necessário aproximar o Corpo Nacional de Escutas e a Fraternidade de Nuno Álvares, promovendo o conhecimento mútuo, realizando atividades conjuntas e demonstrando que o escutismo não termina com a progressão.
Afinal, a Promessa não tem prazo de validade.
O espírito de serviço não se esgota aos 22 ou aos 25 anos.
A fraternidade constrói-se para toda a vida.
Se o Corpo Nacional de Escutas é a grande escola onde tantos aprendem a ser cidadãos, a Fraternidade de Nuno Álvares pode ser o espaço onde esses cidadãos continuam, na idade adulta, a viver o ideal escutista.
Talvez não seja apenas uma alternativa.
Talvez seja, para muitos, o caminho natural.
Porque ser escuteiro não é apenas uma fase da juventude.
É uma forma de vida.
Victor Fernandes


